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Educação

Brasil Seikyo

Novo livro

A força do diálogo

O momento não poderia ser mais propício. Ao observar o recente cenário internacional de conflitos em diferentes locais do mundo, a humanidade se vê diante da necessidade premente de estratégias para edificar sociedades nas quais as pessoas possam conviver em harmonia e solidariedade, compartilhando semelhanças e respeitando diferenças. Oportunamente, em junho, a Editora Brasil Seikyo (EBS) publica a obra A Sabedoria da Tolerância, que nasceu a partir de um diálogo entre Abdurrahman Wahid, primeiro presidente eleito democraticamente na Indonésia, e Daisaku Ikeda, filósofo e pacifista. Ao defenderem a preservação da vida como propósito comum, os autores apresentam a importância do intercâmbio entre diferentes culturas e religiões para a promoção da paz por meio do diálogo e do respeito mútuo. O livro chega às mãos dos participantes do Clube de Incentivo à Leitura (CILE) de todo o Brasil em junho e estará disponível nas versões impressa e digital para quem desejar adquiri-lo a partir de julho. Diante da desarmonia e dos conflitos, como criar uma realidade que valorize o respeito às diferenças e contribua para a promoção da paz? Esse é o tema central abordado pelos autores ao dialogarem sobre as convergências entre o islã e o Budismo Nichiren, destacando a responsabilidade das religiões na construção de um mundo mais solidário. Wahid, a partir de sua experiência como muçulmano, desmistifica pressuposições a respeito da religião e esclarece que esta carrega em sua essência o respeito à dignidade da vida, afastando o senso comum criado na sociedade após os ataques às Torres Gêmeas nos Estados Unidos, em 2001. Além disso, tanto Wahid quanto o Dr. Ikeda reiteram o dever das religiões de empreender ações pela paz a partir de suas semelhanças, conforme as palavras do Dr. Ikeda na página 24: “O propósito da religião é a felicidade humana. Suas doutrinas específicas podem variar, mas todas as religiões podem cooperar pelo bem da paz na humanidade”. Destinada àqueles que têm interesse em aprofundar o conhecimento sobre a importância do intercâmbio de ideias para a criação da cultura de paz, a obra A Sabedoria da Tolerância, em suas 288 páginas, elucida como a troca de informações entre diferentes religiões e nacionalidades, abordando aspectos culturais, filosóficos e históricos, contribui para a riqueza e o fortalecimento de cada comunidade humana. Para que seja possível transpor as barreiras das diferenças entre as pessoas, os autores ressaltam o papel fundamental daqueles que educam ao orientarem e instruírem os jovens, herdeiros e promotores das mudanças, para que consolidem um caráter humanístico durante a vida e direcionem suas ações para fundamentar uma sociedade em que se reconheça o valor e o potencial ilimitados de cada pessoa. É momento de diálogo, cada vez mais. Veja aqui os kits de junho para cada plano do CILE PLANO DIAMANTE Livros são joias preciosas. O Diamante é o plano de assinatura do CILE perfeito para você que gosta de uma experiência completa de leitura no formato físico. Nele você recebe mensalmente: 1 livro lançamento 1 card colecionável 1 brinde especial 1 marcador de página Resenha digital e conteúdos extras 52,00/mês + Taxa de entrega *** PLANO OURO O Ouro é o plano de assinatura do CILE ideal para os leitores que estão iniciando a jornada de incentivo à leitura. Nele você recebe mensalmente: 1 livro lançamento 1 marcador de página 32,00/mês + Taxa de entrega Vídeo sobre o livro Sabedoria da Tolerância Confira no Instagram o vídeo spoiler do lançamento de junho ou assista abaixo Quer fazer parte do CILE? Para garantir a sua leitura e receber esta obra no mês de junho, assine o CILE até 31/05/2024. Acesse o site: www.cile.com.br Para os assinantes do CILE Digital, a obra ficará disponível a partir do dia 01/06/2024 em www.ciledigital.com.br Foto: BS

09/05/2024

Livros

Crença no valor das pessoas

Uma religião verdadeira é aquela que está a serviço das pessoas. Essa é a ponderação do filósofo e humanista Dr. Daisaku Ikeda a respeito do tema, detalhado no livro Revolução Humana, volume 7, de sua autoria, publicado pela Editora Brasil Seikyo (EBS). Com o pseudônimo de Shin’ichi Yamamoto, ele relata o que ocorreu no Japão em 1953, ano de intenso desenvolvimento da Soka Gakkai com o aumento de 50 mil novos membros na organização, quando assumiu a liderança da Divisão Masculina de Jovens (DMJ), sob orientação e treinamento do seu venerado mestre, Josei Toda. A obra está disponível aos participantes do Clube de Incentivo à Leitura (CILE) da EBS nas versões impressa e digital, e para quem desejar adquiri-la. Guiados pela narração de Shin’ichi, os leitores terão uma compreensão aprofundada sobre o fundamento de uma filosofia de vida correta, a qual deve priorizar cada ser humano acima de tudo e assim gerar a força propulsora responsável pela transformação dos problemas da sociedade. Seguindo o exemplo de Josei Toda, que oferecia incentivos a todos que estivessem sofrendo diante da crise financeira japonesa daquele ano, o jovem Yamamoto relata o empenho de seu mestre no aprimoramento de jovens dos grupos Suikokai (DMJ) e Kayokai (DFJ), expoentes formadores de grandiosos líderes da sociedade e da Soka Gakkai do futuro. Neste momento oportuno, no qual os discípulos Ikeda dão continuidade ao legado do kosen-rufu, esse volume da Revolução Humana revela, por meio da história da organização, que o caminho para edificar um mundo de esperança é acreditar no potencial das pessoas e desenvolvê-las. A obra serve de grande incentivo e motivação para os eternos jovens herdeiros da missão do Mestre visando construir um mundo humanístico de acordo com a filosofia de vida do budismo. O livro integra a série de publicações Revolução Humana, também disponível no CILE, que retrata a história da luta de Josei Toda para reerguer e fortalecer a Soka Gakkai, com Shin’ichi Yamamoto ao seu lado. Os esforços do segundo presidente empreendidos nessa época constituem as bases da organização que viria a se expandir para o mundo e se tornar a Soka Gakkai Internacional (SGI). Veja aqui os kits de abril para cada plano do CILE PLANO DIAMANTE Livros são joias preciosas. O Diamante é o plano de assinatura do CILE perfeito para você que gosta de uma experiência completa de leitura no formato físico. Nele você recebe mensalmente: 1 livro lançamento 1 card colecionável 1 brinde especial 1 marcador de página Resenha digital e conteúdos extras 52,00/mês + Taxa de entrega PLANO OURO O Ouro é o plano de assinatura do CILE ideal para os leitores que estão iniciando a jornada de incentivo à leitura. Nele você recebe mensalmente: 1 livro lançamento 1 marcador de página 32,00/mês + Taxa de entrega Vídeo sobre o livro Revolução Humana, volume 7. Confira o vídeo spoiler sobre o lançamento de abril. Quer fazer parte do CILE? Para garantir a sua leitura e receber esta obra no mês de março, assine o CILE até 31/03/2024. Acesse o site: www.cile.com.br Para os assinantes do CILE Digital, a obra ficará disponível a partir do dia 01/04/2024 em www.ciledigital.com.br Foto: BS Ilustração: Reprodução

07/03/2024

Notícias

Voo rumo ao futuro

O resultado de um ano de muita dedicação não poderia ser mais bem traduzido. O encerramento do ciclo 2023 do Colégio Soka do Brasil ocorreu em dois dias distintos, 9 e 16 dezembro, para atender devidamente a cada núcleo que compõe a grade educacional da instituição. Com a presença de pais, familiares e corpo educacional e diretivo, os alunos Soka foram envolvidos por um ambiente de afeto e estímulo para os próximos passos dessa significativa jornada pelo mundo do conhecimento humanístico. As programações do evento foram realizadas no Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda, em São Paulo, SP. Em todas elas, um momento especial foi dedicado a homenagear a existência do fundador do Colégio Soka do Brasil, Dr. Daisaku Ikeda, falecido um mês antes, em 15 de novembro, aos 95 anos. Vídeo homenagem e discursos dos alunos destacaram a trajetória do pacifista que se empenhou para criar e expandir as bases da educação Soka no mundo. A emoção também dominou o espaço com a leitura da mensagem escrita previamente por ele e compartilhada no dia. Nela, Daisaku Ikeda enfatizava: O emblema do nosso colégio é formado pela pena de uma caneta e pelas asas dos jovens promissores. Representa o aspecto de vocês polindo uma caneta mais poderosa que uma espada, ou seja, a sabedoria. E, estendendo as asas da missão, lançam voo rumo ao futuro, para interligar alegremente o mundo. O emblema se tornou símbolo da educação Soka que ilumina o planeta, tendo como manancial nosso colégio de resplandecente sabedoria. O desejo expresso pelo fundador do sistema educacional Soka, que hoje atinge desde o infantil até as renomadas universidades Soka, é para cada aluno “fortalecer enormemente as asas da ‘busca pelo conhecimento científico’ e da ‘coragem para perseverar no caminho do humanismo’”. Rita Kojima, diretora do colégio, agradeceu o apoio dos pais, “que foram e serão fundamentais para o desenvolvimento de cada um desses grandes protagonistas”. E aos alunos, expressou em sua mensagem: “Jamais desistam de seus sonhos e objetivos, por mais que a caminhada seja longa e com grandes desafios, avancem e ultrapassem cada obstáculo que encontrarem em seu caminho. E que “Sejam os grandes protagonistas do mundo, que a todo instante possam aprimorar seus conhecimentos por meio de seus esforços contínuos”. No roteiro, além da entrega de diplomas, certificados e de oradores entre alunos formandos, educadores e direção, foram realizadas várias performances artísticas e culturais preparadas pelos orgulhosos alunos. Cerimônia de Formatura 2023 da 15ª Turma do Ensino Fundamental dos Anos Finais (EFAF) (16 de dezembro, 10h. Presença: 287 pessoas e 24 formandos) Cerimônia de Formatura 2023 da 5ª turma do Ensino Médio (16 dezembro, 14h30. Presença: 227 pessoas e 21 formandos) Festa de Encerramento Ensino Fundamental dos Anos Iniciais (EFAI) (9 dezembro, 10h45. Presença: 592 pessoas e 38 formandos) No topo: festa de Encerramento da Educação Infantil e Formatura do Infantil 3 (9 dezembro, 9h. Presença: 278 pessoas e 17 formandos)Fotos: Colégio Soka

11/01/2024

Notícias

Consolidar a educação humanística Soka

Os membros da Coordenadoria Educacional (CEduc) da BSGI acompanharam por transmissão via internet e presencialmente a partida com a nova liderança da coordenadoria no Auditório da Paz, em São Paulo, SP, na tarde do dia 4 de novembro. Representando os formandos, Sonia Kato agradeceu pela trajetória de conquistas que a Coordenadoria Educacional atingiu em toda a BSGI, citando como exemplo a implantação da Academia Magia da Leitura nas localidades. “Avançamos, pois existiam pessoas que jamais desistiam”, enfatizou. Ardísia Farias, nova coordenadora do Educacional da BSGI, iniciou suas palavras agradecendo aos formandos, ressaltando a eles que continuam fazendo parte preciosa da rede de educadores Soka. Ardísia compartilhou sua jornada como professora, bem como seus desafios e suas conquistas, sempre com foco nos incentivos de Ikeda sensei transformando tudo com daimoku. O direcionamento para a CEduc será, em especial, a luta conjunta de mestre e discípulo. “Vamos juntos, em união harmoniosa, dar um passo adiante rumo ao objetivo de 2024, que é a consolidação da rede de incentivo aos educadores Soka, para que se desenvolvam e vençam em seu local de atuação. Vamos pôr em prática os direcionamentos do Mestre”. Miguel Shiratori, presidente da BSGI, participou da reunião de partida da CEduc. Além de agradecer pelos abnegados esforços dos formandos, ressaltou que o momento oportuno é de avanço e de consolidar os ideais da educação humanística em nossa sociedade. Dentre seus incentivos, teceu comentários para essa nova era do Educacional. “Chegou o momento em que devemos estabelecer o ensinamento para a transformação. Mudar o coração do ser humano é o propósito do Budismo Nichiren. Em conjunto com os educadores Soka, cada qual, vamos nos incentivar mutuamente a vencer na prática da fé, difundir o movimento educacional Soka em todo o Brasil e criar uma consciência para a cultura de paz. A educação é a chave para a transformação. Vamos comprovar que a educação Soka faz a diferença em nosso país”. participantes do encontro da CEduc No topo: foto comemorativa da reunião de partida realizada no Auditório da Paz Fotos: BS

11/11/2023

Notícias

Mostra cultural no Colégio Soka

No livro Juventude: Sonhos e Esperanças, lemos: “A arte e a cultura deveriam ser compartilhadas e desfrutadas por todos. Elas não discriminam. Quando encontramos o belo, retornamos para a essência de nossa humanidade, em que todas as pessoas são iguais”.1 Tais percepções do autor, Dr. Daisaku Ikeda, fundador das instituições Soka de ensino, podem ser sentidas e vivenciadas nas mostras culturais promovidas pelo Colégio Soka do Brasil, localizado no bairro da Saúde, em São Paulo, SP. É uma programação organizada anualmente com o objetivo de oferecer a todos a oportunidade de apreciar e vivenciar as práticas pedagógicas aplicadas e acompanhar o desenvolvimento dos alunos. Nos últimos anos, as Propostas de Paz enviadas à ONU pelo Dr. Daisaku Ikeda, como presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), bem como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), têm sido fontes de inspiração para o desenvolvimento dos trabalhos apresentados na exibição. A edição 2023 da mostra ocorreu no dia 21 de outubro, na sede do Colégio Soka, por onde passaram 850 pessoas. Com o tema “Soka: Protagonistas da Paz, Cultura e Educação”, alunos e professores desenvolveram diversificados trabalhos, trazendo profundas reflexões e novos aprendizados. Assuntos como alimentos, natureza, água, tecnologia, saúde e bem-estar, globalização, pesquisa acadêmica, riqueza brasileira e diversas oficinas fizeram parte da programação. Além da exposição dos trabalhos, os alunos realizaram apresentações e forneceram explicações dos projetos, junto com desfile de moda, peças teatrais e apresentações musicais. No topo: intervenção artística apresentada no evento promovido no Colégio Soka, em São Paulo Nota: 1. IKEDA, Daisaku. Juventude: Sonhos e Esperança. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 230, 2020. Foto: Colaboração local

09/11/2023

Livros

Com a paz na bagagem

O mundo ficou pequeno e bem mais colorido. Imagine percorrer locais de preciosidades culturais, humanas e naturais com a mágica que a leitura oferece. É dessa maneira que a Editora Brasil Seikyo (EBS) brinda os participantes do Clube de Incentivo à Leitura (CILE), que recebem, em primeira mão, em novembro, o volume 1 do livro Viagens Inesquecíveis. É possível também adquiri-lo, na versão impressa ou digital. A autoria é do pacifista Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), que, em janeiro, completa 96 anos. Muita sabedoria de uma vida dedicada a constantes diálogos pela paz no mundo. Em suas viagens com esse propósito, ele visitou mais de cinquenta países, alguns dos quais serão retratados nessa obra ora inaugurada. São memórias e reflexões, informações e curiosidades sobre as localidades e os momentos vividos pelo autor, contando ainda com o olhar de sua esposa, Kaneko. Cada volume mescla locais e suas nuanças, o que dará ao leitor uma experiência rica e diversificada, como uma viagem ao redor do mundo. O primeiro volume faz um giro por oito pontos, sendo cinco cidades japonesas — Hokkaido, Osaka, Kochi, Yamanashi e Saitama —, além de Londres, Pequim e Boston. Cada cidade se diferencia de outra por múltiplas razões. No entanto, em todas elas, por mais que a cultura, a geografia ou a arquitetura sejam uma razão de orgulho para seus citadinos, as pessoas e seu modo de viver são, no final, o maior tesouro. Tal evidência pode ser comprovada nessa leitura-viagem que os leitores farão pelas páginas do livro, guiados pelos olhos e pelo coração do Dr. Ikeda. O que esperar de cada parada? Separamos alguns destaques, a começar por Hokkaido, palavra que tem origem na língua ainu (grupo étnico originário do território que hoje habita o norte de suas ilhas) e significa “grande solo dos seres humanos”. Depois, Londres. Lá, o Dr. Ikeda se encanta com o esplendor e a luminosidade da primavera, um contraste com os famosos e cinzentos invernos da cidade, que também foi palco de um momento histórico na trajetória do Dr. Ikeda: seu encontro e diálogo com o aclamado historiador Arnold J. Toynbee, que resultou na obra Escolha a Vida, já publicada pela Editora Brasil Seikyo (EBS). Londres também é destaque da capa do livro. Próxima parada é Osaka, localizada na região de Kansai, que traz muitas lembranças da juventude do Dr. Ikeda. Uma cidade onde pulsa a humanidade das pessoas. De lá, a obra percorre Kochi, cidade da pura e calorosa “correnteza da hospitalidade”. Outra cidade selecionada nesta inesquecível jornada é Pequim, capital da República Popular da China. Para o Dr. Ikeda, não há como falar de Pequim sem se lembrar do “primeiro-ministro do povo”, Zhou Enlai, e de sua esposa, Deng Yingchao, “mãe do povo”. O “espírito” de ambos ressoa em Pequim. O leitor será trazido de volta ao Japão, para Yamanashi, cidade que serve de plataforma privilegiada de observação do Monte Fuji. Além disso, destaca-se em todo o Japão por suas “atividades voluntárias em prol de pessoas com deficiência”1 e por ter “o maior número de bibliotecas por milhão de habitantes”.2 Segue-se um voo literário para Boston, “capital do aprendizado”, nas palavras do autor. A cidade, além de ser uma das mais antigas dos Estados Unidos, está intimamente ligada ao Renascimento Americano. A parada final é Saitama. Famosa pelo céu límpido e pelo calor humano sempre presente, essa província abraça quarenta cidades, como Kumagaya, onde nasceu a primeira médica do Japão, Ginko Ogino, e outras precursoras femininas de variadas áreas do conhecimento. Uma descoberta a ser feita nessa leitura. Nas 112 páginas de Viagens Inesquecíveis, textos e imagens são elementos convidativos a uma experiência marcante. As memórias fortalecem o intento do Dr. Ikeda em sua jornada pelo mundo, buscando diminuir a distância entre o coração das pessoas. Como um fotógrafo apaixonado, usa as lentes de sua câmera para valorizar e eternizar cada momento. O autor considera as fotografias um instrumento para revitalizar as pessoas, inspirando alegria, esperança e coragem. Que o coração de cada leitor seja tocado por essa energia, uma “viagem do coração”! Carimbe seu passaporte quanto antes! Veja aqui os kits de novembro para cada plano do CILE PLANO DIAMANTE 1 livro lançamento 1 card colecionável 1 resenha sobre o livro do mês 1 brinde especial 1 marcador de páginas PLANO ESMERALDA 1 livro lançamento 1 card colecionável 1 resenha sobre o livro do mês 1 marcador de páginas PLANO OURO 1 livro lançamento 1 marcador de páginas Quer fazer parte do CILE? Conheça os planos do clube de leitura e veja qual melhor atende ao seu gosto. Cileiros recebem em novembro o livro Viagens Inesquecíveis. Garanta o seu! Assine até 31/10/2023 e receba o kit em sua casa! Veja também o CILE Digital Acesse e leia os livros da Editora Brasil Seikyo em formato digital. Uma plataforma interativa, personalizada e cheia de funcionalidades que vai transformar sua experiência com a leitura! Você contará com uma visualização personalizada da sua estante, poderá acompanhar o avanço de suas leituras, salvar e colocar como favoritos os trechos escolhidos. Conheça agora os planos do CILE Digital, acessando o site: https://ciledigital.brasilseikyo.com.br/ Foto: BS Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Viagens Inesquecíveis. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 83, 2023. 2. Ibidem, p. 84.

26/10/2023

Matéria da Divisão Sênior

Divisão Sênior + diversidade Soka = menos diferenças, mais solidariedade

Como você percebe que a diversidade dos seres, das cores, das formas, dos sons, dos sabores, dos cheiros contidos neste universo impacta sua existência diariamente? De que forma sua “vida”, e a diversidade existente e contida nela, particular e única neste mundo, afeta e provoca reações em todos ao seu redor? Aparentemente, são duas questões “simples” para uma roda de conversa entre amigos; no entanto, podem gerar respostas na mesma diversidade que o tema escolhido pela Divisão Sênior para estudar este mês. Abrange o princípio de “diferentes em corpo, unos em mente” (itai doshin), apresentado pelo Budismo de Nichiren Daishonin e amplamente difundido e exercitado diariamente pelos praticantes da Soka Gakkai Internacional (SGI) em todo o mundo. Além disso, engloba o princípio de prezar e zelar pela própria vida, reconhecendo o “mundo dos budas” inerente às outras pessoas “diferentes de você mesmo/mesma” em vários aspectos: nacionalidade, gênero, idade, escolaridade, ocupação na sociedade, doutrina religiosa, cor da pele, cor dos olhos, se possui ou não cabelos longos ou curtos, orientação sexual, pessoas com deficiência, dentre outros aspectos que caracterizam a própria diversidade humana que, por natureza, também é diversa e diferente dentro do universo. É, ao mesmo tempo, “integrado, adaptado e interdependente dessa diversidade”, pois o ser humano não conseguiria viver sem essa relação de “unicidade da vida e seu ambiente” (princípio de esho-funi, exposto no budismo propagado pela SGI). Desde o século 13, o buda Nichiren Daishonin ensina sobre essa diversidade ao refutar outros sutras e ensinamentos budistas anteriores, afirmando e comprovando que o Sutra do Lótus é o único ensinamento essencial capaz de iluminar e salvar as pessoas — inclusive as mulheres, haja vista os ensinamentos que não reconheciam a iluminação delas — da escuridão fundamental, ou seja, quando o ser humano é guiado pelos maus caminhos, desprezando e até subjugando outros seres humanos, gerando sofrimentos para a própria vida e para aqueles ao redor, nos Últimos Dias da Lei, ou dias atuais. A força da cultura Soka Mais de setecentos anos depois da existência do buda Nichiren Daishonin, a Soka Gakkai surge para divulgar e promover, de forma concreta, esse movimento de respeito à dignidade da vida, despertando a criação de “valores humanos” em todos os cantos do planeta, reconhecidamente sob a liderança dos Três Mestres: Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda. Na fundação da Soka Gakkai, em 18 de novembro de 1930, o presidente fundador, Tsunesaburo Makiguchi, e seu discípulo e posterior segundo presidente, Josei Toda, ambos educadores, nomearam inicialmente a organização de Soka Kyoiku Gakkai [Sociedade Educacional de Criação de Valor]. “A educação é a força básica que constrói o futuro de cem ou duzentos anos. Esta é a nossa imutável crença e convicção”.1 A responsabilidade por expandir e dialogar com mais de 1.600 personalidades mundiais coube ao atual presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda. Por meio desses diálogos, estabeleceu laços de amizade e apresentou a visão budista da diversidade da vida e do universo, ao mesmo tempo em que os praticantes da SGI se desenvolviam nas sociedades locais, colaborando e contribuindo para o exercício do humanismo, mesmo enfrentando dramas e desafios individuais. Muitas personalidades mundiais reconhecem a influência do Dr. Daisaku Ikeda, chamando-o de “mestre”, apesar de não praticarem este budismo. São mais de 562 títulos de cidadania e mais de 400 títulos acadêmicos por todo o mundo.2 Os direitos humanos e a “Universidade Mandela” Dentre essas personalidades, é fascinante observar a forma como Daisaku Ikeda, Austregésilo de Athayde e Nelson Mandela se dedicam aos direitos humanos. Cada qual começou com desafios únicos: um em decorrência da guerra mundial, outro pela opressão da ditadura militar brasileira e outro pela luta contra o apartheid. Eles puseram esses ideais em prática na própria vida em prol dos direitos humanos da humanidade. Pode-se dizer que se trata de uma união de pensadores diversos com o propósito de enriquecer a vida das pessoas, concentrando-se especialmen-te na educação. O foco deles é a geração de jovens sonhadores para levar avante esse objetivo. No livro Diálogo — Direitos Humanos no Século 21, Austregésilo de Athayde fala sobre a sua admiração por Ikeda e Mandela. A construção do mundo moderno está sendo feita com personalidades mais expressivas como Nelson Mandela e Daisaku Ikeda. Todas as suas lições, ideias e pensamentos construtivos serão apontados, na continuidade do tempo, como forças determinantes do advento do dia em que se possa proclamar que todos os homens são iguais e livres tal como nasceram.3 A “Universidade Mandela”, como o próprio Nelson Mandela denominou a prisão em que esteve por longos anos, representou para ele um período de muito estudo e enriquecimento espiritual, e ainda fez com que os outros presos compartilhassem seus conhecimentos. Assim como Gandhi que, mesmo aprisionado, trocava correspondências com o grande poeta Tagore. Em um trecho, Daisaku Ikeda enfatiza a importância da educação e como deve ser nossa convicção: A educação é o meio para oferecer aos homens a mais perfeita formação como seres humanos. Podemos dizer que sua natureza real se encontra na luta contra o poder e o autoritarismo que tentam desumanizar os seres humanos.4 Com isso, aprendemos que, independentemente das diferenças, podemos transformar o local em que estamos em fonte de crescimento sem perdermos de vista nosso ideal: promover o movimento pelo kosen-rufu e a prática do shakubuku por meio de diálogos sinceros e constantes, mesmo “diferentes em corpo, unos em mente”, de respeito e reverência à outra vida diante de si. E com a união da diversidade cultural, podemos criar uma sociedade empoderada, que porá em prática o objetivo da construção de uma sociedade mais justa e baseada nos direitos humanos. A interação do Mestre com o tema diversidade Desde 1983, anualmente, a cada dia 26 de janeiro, data da fundação da SGI, o presidente Ikeda apresenta e envia para a Organização das Nações Unidas (ONU) sua proposta de paz, composta por fundamentos, argumentos e ações práticas para implementações, com sugestões visando superar os desafios atuais da humanidade. Por exemplo, na Proposta de Paz de 2014, intitulada Criação de Valores Humanos: A Construção de um Mundo Solidário, Capaz de se Recuperar de Tantas Aflições,5 e em outros documentos, o tema diversidade também é abordado. Na obra Nova Revolução Humana, volume 30, parte 2, Ikeda sensei fala constantemente sobre a diversidade de uma ótica realista no capítulo “Brado da Vitória”: Outra denominação para o buda é “herói do mundo”. Porque ele é uma pessoa que conduz corajosamente as pessoas do povo neste mundo. Por isso, nós, que somos discípulos do buda Nichiren Daishonin, acima de tudo, temos de ser líderes fortes que conquistam a confiança em meio ao mar revolto da realidade da sociedade. Outro nome para o buda é “tolerância” (...) Às vezes, acontece de o ser humano ser influenciado pelos sentimentos e acabar magoando os outros devido à maneira de falar sem cuidado. No entanto, no mundo da prática da fé, jamais pode acontecer de se levar os companheiros a abandonar a organização por palavras e ações descuidadas ou que machuquem.6 De tudo o que foi exposto nesta matéria, pode-se concluir que o mais importante é a luta diária de cada um de nós em sintonizar-se com a “mesma mente do mestre” para assimilar atitudes, comportamentos e ações condizentes com a diversidade existente neste universo por meio da prática da Lei Mística. Notas: 1. ATHAYDE, Austregésilo de; IKEDA, Daisaku. Diálogo — Direitos Humanos no Século 21. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2018. p. 60. 2. Cf. https://www.brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/1/artigo/titulos-academicos-concedidos-ao-presidente-ikeda-atingem-a-marca-de-400/999560477 e https://www.brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/1/artigo/especial-sobre-os-titulos-academicos-honorarios-dos-cinco-continentes-concedidos-ao-dr-ikeda/999560502. 3. ATHAYDE, Austregésilo de; IKEDA, Daisaku. Diálogo — Direitos Humanos no Século 21. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2018. p. 56. 4. Ibidem, p. 60. 5. Terceira Civilização, ed. 549, maio 2014. 6. IKEDA, Daisaku. Brado da Vitória. Nova Revolução Humana. v. 30-II. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2020. *** Reflexão sobre a matéria Mário Marcio Leite da Silva Vice-coordenador da DS da BSGI Somos mais de 8 bilhões de pessoas atualmente no mundo. E acredito que não seja necessário dizer que cada um é um indivíduo com seus dramas, suas emoções, sua natureza e singularidade. Nós somos humanos e extremamente diversos. A diversidade é uma característica fundamental da humanidade. Pensando nisso, gostaria de fazer uma reflexão com base nas orientações de Ikeda sensei extraídas do livro Coragem,1 que dizem: Observando a paisagem, recordei-me de que Nichiren Daishonin, em Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, declara que a cerejeira, a ameixeira, o pessegueiro e o damasqueiro, cada qual incorpora a verdade última da maneira como é, sem passar por nenhuma mudança.2 Esse ensinamento nos fornece um modelo básico da maneira como deveríamos viver nossa vida. A cerejeira floresce como cerejeira, para cumprir o papel que é exclusivamente dela. O mesmo vale para as ameixeiras, os pessegueiros e os damasqueiros. Deveríamos fazer o mesmo. Cada um de nós possui uma personalidade única. Temos o caráter e a natureza distintos e uma vida nobre e responsável. (...) Está bem ser quem você é. Você é respeitável do seu jeito. Fingir ser quem você não é ou exibir ares de superioridade, na verdade, apenas diminui e o enfraquece. Há, porém, uma diferença entre “ser quem você é” e “permanecer como está”. Se você se contenta em permanecer como está, nunca vai se desenvolver. Essas orientações realmente nos fazem repensar a importância e o valor de cada vida humana. Ikeda sensei abre nossos olhos com a visão iluminada de Nichiren Daishonin, fazendo-nos compreender que cada pessoa possui sua própria natureza, seu modo de ser e de agir. E isso precisa ser respeitado e dignificado. Cada qual com sua singularidade é capaz de buscar sua melhor versão, ou seja, seu estado de buda único e especial. Por essa razão, não é necessário que as pessoas adotem o mesmo modelo ou que sigam a minha visão. É isso que torna esta filosofia budista tão extraordinária, a qual jamais separa, discrimina ou menospreza qualquer pessoa. Aprendemos a jamais desprezar o outro, mas sim a valorizar e respeitar a diversidade humana. Vamos juntos, com o mesmo coração benevolente do Mestre, unir nossas forças, de mãos dadas, na construção de uma cultura que valorize a vida e acredite na convivência harmoniosa entre as diferenças. Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Coragem. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. p. 163 e 184. 2. Cf. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, 2004. p. 200. *** DS de comprovação Thiago de Oliveira Thobias Sol da esperança Durante a minha infância e início da adolescência, enfrentei muitos conflitos existenciais. Eu me questionava sobre o motivo de ter nascido em uma família preta, pobre e periférica. Não compreendia a razão pela qual morávamos em um conjunto habitacional, dominado pelo tráfico de drogas e pela violência. Além disso, demorei a entender por que a maioria das famílias era de evangélicos, espíritas ou de religiões de matriz africana e somente a minha família e mais algumas eram de budistas. Com o passar do tempo, também fui vivenciando as primeiras situações de racismo, em que as pessoas questionavam minha beleza, minha capacidade intelectual, nível cultural e possibilidades de um futuro promissor, pelo simples fato de eu ser negro. Sem contar as ofensas, opressões e exclusões. Sempre fui muito introspectivo, reservado e observador. Costumava manter-me na minha, era de poucas palavras e quase nunca sorria. Nas atividades da Gakkai ou nos eventos sociais, sempre procurava ficar em um lugar onde ninguém me notasse, quando não dava um jeito de permanecer em casa nem de comparecer a tais reuniões. Mas... minha avó materna não sabia ler nem escrever. Como aprendi muito cedo, por volta de 4 ou 5 anos, minha avó me chamava para fazer gongyo e daimoku com ela ao chegar do trabalho e, em seguida, pedia para eu ler as orientações de Ikeda sensei e do Gosho. Não entendia por que ela ficava tão emocionada ao ouvir aquelas palavras. Conforme fui crescendo, mesmo após o falecimento dela, criei o hábito de orar e desenvolvi a paixão pelo estudo do budismo. Ao longo da minha juventude, também me dediquei a ler os diálogos de Ikeda sensei com diversas personalidades mundiais, o que foi ampliando minha visão de mundo e da vida além da minha realidade imediata. Com isso, vários questionamentos que eu tinha foram sendo respondidos. Minha autoestima aumentou cada vez mais quando compreendi que sou um bodisatva da terra, possuidor de ilimitado potencial da vida do Buda em meu interior. Percebi que havia nascido, por vontade própria, para cumprir uma missão que somente eu poderia realizar. Aquele sentimento de que “sou diferente” e “esse não é meu lugar” foi sendo substituído por “sou uma pessoa única e devo criar conexões com as pessoas”. Isso se deve ao fato de que todos possuem, dentro de si, a natureza e o potencial de buda. E é enfrentando os desafios da diversidade que enriquecemos nossa existência. Hoje, após viver uma juventude de desafios e de construção, e ser treinado por Ikeda sensei e pelos veteranos, tenho a oportunidade de atuar no Grupo Alvorada com uma perspectiva da vida renovada, para corresponder à seguinte expectativa do Mestre: Como membros que dignificam o significativo nome ‘alvorada’, façam subir constantemente o sol da esperança em sua vida por mais que esteja encoberto pelas trevas de preocupações e de dificuldades. (...) Vençam a fraqueza alojada dentro de si mesmos e superem todas as formas de obstáculos e de maldades.1 Thiago de Oliveira Thobias, responsável pelo Distrito 6 de Novembro, CGERJ À esq., Thiago, e, à dir., com a esposa Tatiana e os filhos Lucas e Nicolas Nota: 1. Brasil Seikyo, ed. 1.695, 12 abr. 2003, p. A8. Foto: Arquivo pessoal

11/10/2023

Especial

Centelha da paz

“Não quero que a palavra ‘sofrimento’ seja empregada para descrever o mundo, um país ou um único indivíduo.”1 Esse sentimento enfático atravessa o tempo e o espaço. Há 66 anos, diante de 50 mil jovens, Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, fez um discurso acalorado. Mais tarde, conhecida como a Declaração pela Abolição das Armas Nucleares, trazia o férreo brado de preservar o direito à vida para a humanidade. Era 8 de setembro de 1957, no estádio de Mitsuzawa, em Yokohama, Japão. Doze anos antes, as primeiras bombas de destruição em massa, lançadas nas cidades japonesas de Hiroshima e de Nagasaki, em agosto de 1945, ceifaram instantaneamente cerca de 300 mil vidas. Nos anos seguintes, outros milhares sucumbiram em decorrência da radiação dessas armas. Em 1957, a Guerra Fria estava no apogeu. Os Estados Unidos e a hoje extinta União Soviética corriam freneticamente para polarizar e militarizar territórios. A bomba nuclear era sinônimo de força, induzindo a testes incessantes, com arsenais cada vez mais poderosos, em diversos pontos do mundo. Naquela época, permeava no ar a sensação de que uma nova guerra mundial poderia começar a qualquer momento. E a quantidade de armamentos atômicos já era tão grande que o mundo poderia ser dizimado em questão de horas. Josei Toda declarou-se contra as armas nucleares, bradando ser a missão de todos, em especial da juventude, erradicar o impulso dos seres humanos que as constroem. No dia do festival em que ocorreria a apresentação da declaração, a expectativa geral era sobre a possibilidade da passagem de um tufão pelo Japão. Mas Josei Toda desejava ardentemente que o clima estivesse agradável para que seus discípulos desfrutassem momentos tranquilos. E assim foi. O dia estava particularmente quente e o sol brilhava com radiância. O tufão enfraqueceu e se dissipou. Momento do discurso do presidente Josei Toda diante de 50 mil jovens, no estádio de Mitsuzawa, Japão: brado por um mundo de paz, livre das armas nucleares Da plateia jovem presente, Daisaku Ikeda, na época com 29 anos, abraça essa nobre causa. Isso aconteceu apenas sete meses antes da morte de Toda sensei, que colocou todo o seu ser em seu apaixonado apelo. Palavras que foram transformadas em ações “para proteger o direito da humanidade de viver e criar uma solidariedade de cidadãos do mundo por meio da força e da paixão dos jovens. Esse desejo se tornou o eterno ponto de partida do movimento de paz da Soka Gakkai e da Soka Gakkai Internacional (SGI)”,2 pondera o presidente Ikeda. Hoje, aos 95 anos, segue incansável abrindo caminhos por meio do diálogo para que esse objetivo seja realidade. Além disso, dedica-se a estimular a criação de instituições, como o Instituto Toda pela Paz, localizado em Yokohama. Somam-se às várias colaborações da SGI em projetos e seminários, bem como as Propostas de Paz que o Dr. Ikeda vem sugerindo à Organização das Nações Unidas (ONU) ao longo de quarenta anos, nas quais defendeu o respeito máximo à dignidade da vida, condição possível à humanidade com o fim das armas nucleares. Há seis anos, em julho de 2017, o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares foi adotado por 122 nações na sede da ONU em Nova York. Ainda há muito a ser feito. Por meio de uma luta digna como praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin, vamos corresponder, sem falta, à confiança do Mestre, criando uma renovada era de paz e de esperança em nossa vida e na vida das pessoas que nos cercam. No topo: momento do discurso do presidente Josei Toda diante de 50 mil jovens, no estádio de Mitsuzawa, Japão: brado por um mundo de paz, livre das armas nucleares Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.578, 4 set. 2021, p. 6. Notas: 1. Brasil Seikyo, ed. 2.005, 26 set. 2009, p. A3. 2. Idem, ed. 2.392, 21 out. 2017, p. B2-B3.

06/09/2023

Matéria Grupo Coração do Rei Leão

A confiança é um tesouro que nutre a vida

“Onde podemos encontrar a esperança?” Em uma série de incentivos do presidente Ikeda aos estudantes, ele faz essa reflexão. Após comentar sobre o marcante encontro com seu mestre, Josei Toda, Ikeda sensei diz: Eu era apenas um jovem como outro qualquer, pobre e doente, mas Toda sensei demonstrou grande confiança em mim e me incentivou calorosamente. Decidi seguir aquele homem como meu mestre e, dez dias depois, em 24 de agosto, comecei a praticar o Budismo Nichiren. Senti a esperança brotar forte dentro de mim.1 Refletindo sobre o trecho citado e buscando entender a realidade dos jovens, seja membros da Soka Gakkai, seja não membros, podemos nos questionar: “Quais sentimentos ou valores poderiam impulsionar a vida de um jovem para a vitória?”. Aprendemos na organização que, sem dúvida, um desses sentimentos é a confiança. A confiança é o elo que une duas pessoas e abre um caminho entre elas. Isso pode ocorrer entre amigos ou em meio aos familiares. Do contrário, quando não há confiança, as portas do coração se fecham e se torna quase impossível criar um laço verdadeiro ou duradouro com o outro. No budismo, em especial, existe uma relação de confiança ainda mais ampla e profunda, isto é, a relação de confiança entre mestre e discípulo. Esse é um dos pontos fundamentais da nossa prática, pois simboliza a força do mestre que acredita infinitamente no potencial de um indivíduo (o discípulo), e este, tendo a calorosa confiança do mestre, manifesta coragem e esperança para avançar, mesmo que surjam dúvidas e obstáculos. O Grupo Coração do Rei Leão da Divisão Sênior e da Divisão Feminina da nossa organização representa esses pais e companheiros que agem e devem pensar constantemente: “Se o mestre estivesse em meu lugar, qual seria a sua postura em relação aos estudantes da minha localidade?”. Esses integrantes do grupo orientam, incentivam e guiam os estudantes sem duvidar, sempre protegendo e emprestando sua convicção inabalável ao infinito potencial de cada um deles em realizar seus sonhos, sempre fundamentados nos incentivos de Ikeda sensei. Tudo o que um jovem precisa é de alguém que confie nele, principalmente nos momentos em que ninguém acredita na capacidade dele, às vezes nem ele mesmo. O presidente Ikeda orienta: Os pais tendem a prejulgar os filhos com base nas próprias concepções, tirando conclusões como “Isto é muito difícil para o meu filho compreender”. No entanto, a mente e o coração dos pequenos são muito mais expansivos do que qualquer adulto pode imaginar; eles têm grande habilidade para absorver tudo e, no processo, enriquecer a mente e expandir seu potencial. A questão é como os adultos interagem com eles. Adultos devem enxergar cada criança como um ser humano e tratá-la como tal, e isso também se aplica a como as ouvimos. Quando os filhos fazem alguma descoberta e os pais, em vez de ignorá-los, compartilham do seu entusiasmo, a vida deles se enriquece ainda mais.2 O Mestre sempre enaltece como é importante a forma como os pais, e aqui extensivo ao Grupo Coração do Rei Leão, confiam e tratam cada estudante não como adulto, mas como ser humano em desenvolvimento que possui total capacidade de assumir o futuro da sociedade. Por fim, o presidente Ikeda enfatiza o seguinte: Cada criança é um tesouro que abriga um potencial precioso. Todas são dotadas de esperança que irradia da própria vida. Se suas esperanças forem desencorajadas ou arruinadas, não seria falha dos adultos? Dói o coração ver isso ocorrendo na sociedade atual. Não quero ver os olhos desses jovenzinhos encobertos pelo medo ou com lágrimas de tristeza. A sociedade precisa mudar. As crianças são espelhos que refletem o ambiente social adulto, e quando este se mostra perturbado, com a visão turva, as crianças também sofrem. Vamos enxugar as lágrimas de tristeza do rosto de cada criança! Devemos protegê-las e dar-lhes coragem, força e vitalidade. Elas são a esperança da humanidade e os pais e mães são aqueles que as nutrem. Como são nobres e grandiosas a missão e a responsabilidade dos pais!3 Sejamos pessoas capazes de transmitir confiança e respeito e juntos desenvolvermos uma organização cada vez mais sólida, alegre e feliz. Caloroso abraço, Matéria elaborada pelo Grupo Coração do Rei Leão da CRE Oeste Notas: 1. RDez, ed. 260, ago. 2023, p. 2. 2. IKEDA, Daisaku. Família Felizes, Crianças Felizes. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2023. p. 18. 3. Ibidem, p. 46. Foto: GETTY IMAGES

06/09/2023

Caderno Nova Revolução Humana

“A prática do budismo é a força motriz para avançar sempre”

PARTE 37Shin’ichi disse ainda: — Nos últimos anos, ouvi que há uma tendência mundial de aumento de casos de separação de casais. Mas, se uma das partes se empenhar na prática budista com resoluta determinação, e caminhar rumo à solução do problema, estou certo de que a maioria dos casos pode ser superada de forma sábia. Enfim, o mais importante é levantar-se com sólida fé. O objetivo da prática budista é viver plenamente, tornar-se feliz e enviar o brilho da esperança para a sociedade. Portanto, deve se tornar um bom casal, criar um lar excelente, conquistar o respeito e a confiança de todos e comprovar o budismo na vida. Nessa noite, a convite do superintendente Badini do Teatro alla Scala, Shin’ichi, junto com Mineko, assistiu à apresentação da composição de Modest Mussorgsky, Quadros de uma Exposição, e outras pela Orquestra Sinfônica de Londres, sob a regência do maestro Claudio Abbado. Foi uma maravilhosa apresentação. Shin’ichi desejou que aquela emoção pudesse ser saboreada pelas pessoas comuns do Japão. Um dos objetivos de ele ter fundado a Associação de Concertos Min-On era aproximar o povo das melhores músicas e artes do mundo. A arte e a cultura não são privilégios de um grupo especial de pessoas. Pouco depois do meio-dia do dia seguinte, 5 de junho, Shin’ichi e comitiva se despediram dos membros e partiram de Milão de avião rumo a Marselha, na França. A estada de Shin’ichi em Milão foi de apenas quatro dias e três pernoites. No entanto, havia algo que ficou gravado profundamente no coração dos jovens de Milão, que acompanharam de perto a comitiva. Era o aspecto de manifestar palavras de gratidão e de agradecimento com toda a cortesia, igualmente, para todo tipo de pessoa, fosse porteiro ou cozinheiro do hotel, motorista, executivo de uma empresa ou intelectual erudito. O budismo expõe que todas as pessoas são iguais e possuem indistintamente a condição de buda em sua vida. Os jovens diziam que sentiram que as ações de Shin’ichi incorporavam, de fato, esse espírito. O verdadeiro valor de uma ideologia, de uma filosofia e de uma religião manifesta-se nas ações e no modo de vida da pessoa. O budismo se encontra no aspecto das pessoas que se empenham alegremente em prol da felicidade dos amigos e da sociedade. PARTE 38 Com as montanhas dos Alpes cobertas de neve do lado direito, o avião que levava Shin’ichi Yamamoto dirigiu-se à Marselha, segunda maior cidade da França, na costa do Mar Mediterrâneo. Pouco depois das 13 horas do dia 5 de junho, horário local, a comitiva desembarcou no aeroporto de Marselha. De imediato, promoveu reunião de acertos das atividades na França nas dependências do hotel em Aix-en-Provence. E ainda, Shin’ichi se deslocou até o Centro de Treinamento da Europa, em Trets, onde participou da conferência de representantes da Europa, realizada a partir das 18 horas. Nessa conferência, reuniram-se representantes de treze países e discutiram diversos assuntos rumo ao kosen-rufu da Europa. Visando dar uma esperançosa partida para um avanço, unindo ainda mais as forças de cada país da Europa, foi determinada a nomeação de novos vice-presidentes e do secretário do conselho de orientação da Europa em torno do seu presidente, Eiji Kawasaki. Os vice-presidentes nomeados para esse conselho eram o diretor-geral da Inglaterra Raymond Gordon e o diretor-geral da Alemanha Dieter Kahn. Como secretário, foi nomeado Akihide Takayoshi, que havia tido a experiência como coordenador da Divisão dos Estudantes Herdeiro e chefe da Secretaria da Divisão Masculina de Jovens no Japão. Takayoshi era um jovem que havia sido treinado por Shin’ichi em grupos de “valores humanos” desde a sua época como estudante do ensino médio. Depois de concluir o curso de pós-graduação, passou a trabalhar como funcionário da sede da Soka Gakkai. Portanto, essa nomeação era uma estratégia preparatória para o século 21. Shin’ichi declarou aos participantes: — A visita desta vez é para anunciar o amanhecer de uma nova era da Europa. Se os jovens se conscientizarem da missão de se encarregar da era vindoura, estabelecerem a filosofia de respeito à vida como modo de vida e caminharem pela jornada da contribuição social, então poderão unir as pessoas separadas entre si na sociedade atual. A paz começa daí. Por isso, vou me empenhar diretamente para me encontrar e dialogar com os jovens. E, por meio de ações e do contato de coração a coração, vou inspirar a alma de cada pessoa. Quando as pessoas se convencem do fundo do coração, simpatizam-se e se emocionam com a decisão de “Eu vou me levantar!”, começam a agir por iniciativa própria. Então, conseguem manifestar sua máxima capacidade. O ato de criar tal inspiração é o verdadeiro incentivo e encorajamento. Essa é a relação de vida a vida, e o diálogo imbuído de paixão e sinceridade. PARTE 39 No lado norte do Centro de Treinamento da Europa, erguia-se a montanha Sainte-Victoire, e sob o céu azul, banhadas pelos raios solares, reluziam as rochas de calcário. Fascinado também por essas montanhas, Paul Cézanne, considerado o “pai da pintura do século 20”, criou aqui renomadas obras. No dia 6 de junho, antes da hora do almoço, Shin’ichi visitou a prefeitura de Trets acompanhado de sua esposa, Mineko, e do presidente do conselho de orientação da Europa, Eiji Kawasaki. O prefeito de Trets, Jean Feraud, e cerca de vinte vereadores da Câmara os receberam. O prefeito se levantou para os cumprimentos usando uma faixa para cerimônias nas cores azul, branca e vermelha da bandeira da França: — É uma grande alegria para os cidadãos de Trets receber o presidente Yamamoto em nossa cidade. Sabemos bem sobre o importantíssimo trabalho de âmbito mundial em prol da paz desenvolvido pelo presidente Yamamoto e conhecemos sua ideologia de excelência por intermédio de suas obras. O senhor veio realizando árduos esforços para a prevenção do perigo das armas nucleares em meio aos conflitos entre o Leste e o Oeste. E ainda é o líder do movimento internacional pela paz desenvolvido pela Soka Gakkai Internacional (SGI). Além disso, é notória sua dedicação para aprofundar o intercâmbio entre pessoas por meio de sucessivos diálogos com renomados intelectuais representativos do mundo e da luta pela paz. Manifestamos nossos mais sinceros agradecimentos pela visita do presidente Yamamoto justamente ao nosso Centro de Treinamento de Trets dentre numerosas sedes da SGI em todo o mundo. Shin’ichi ouvia as palavras de louvor do prefeito com humildade e gratidão. Na sequência, o prefeito disse solenemente com voz ainda mais enérgica: — Aqui, nós recebemos o presidente Yamamoto, o “embaixador da paz” que atua com fidelidade e perseverança, com sinceridade e ardente paixão e com vigorosa vitalidade e energia como o cidadão honorário. Em meio aos aplausos, o prefeito entregou a medalha da cidade e o título de cidadão honorário a Shin’ichi, que expressou gratidão do fundo do coração por sua cortesia e profunda compreensão. Por trás desse fato, com certeza deve ter havido esforço e diálogo sinceros dos membros. O diálogo sincero de muita persistência é a força que gera a compreensão em relação ao nosso movimento. PARTE 40 Na tarde do dia 6, no Centro de Treinamento da Europa, foi descortinado radiantemente o curso de verão comemorativo dos vinte anos do kosen-rufu da Europa com a presença de Shin’ichi. Nesse evento, participaram quinhentos membros de dezoito países, dentre os quais, cem companheiros da França. Shin’ichi recitou solene gongyo junto com os membros, orando pela imensa felicidade dos participantes e pelo progresso do kosen-rufu da Europa. Em seguida, dirigindo-se ao microfone, propôs: — Hoje, 6 de junho, realizamos o curso de treinamento para alçar voo rumo ao século 21. Ao mesmo tempo, é o aniversário natalício do primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi. Gostaria de propor que façamos dessa significativa data o Dia da Europa, tornando-o comemorativo e um marco em que anualmente possam juntos prometer um novo avanço. O que os senhores acham? Todos levantaram as mãos em concordância e foi oficialmente estabelecido o dia 6 de junho como Dia da Europa. Tsunesaburo Makiguchi havia falecido na prisão três anos antes da conversão de Shin’ichi ao budismo e não chegaram a ter um convívio pessoal. Todavia, por intermédio do seu mestre, Josei Toda, Shin’ichi havia aprendido sobre a personalidade, a fé, as ações e os pensamentos sobre a educação de Makiguchi. Além disso, leu repetidas vezes as obras dele, tornando-as uma importante referência para si próprio. Em suas obras, Makiguchi apresenta sua visão futurista para o caminho da paz, da mudança da “competição militarista”, da “competição política” e da “competição econômica” para a “competição humanística”. Shin’ichi renovava sua decisão de que pela paz da humanidade era necessário criar nesse momento uma maré certeira da “competição humanística” no mundo. No curso de verão, foi realizado um plantio comemorativo seguido de uma série de relatos de experiência. Uma integrante da Divisão Feminina de Jovens da Alemanha Ocidental declarou que se tornou uma pessoa positiva e construtiva por meio da fé e venceu a luta contra a doença; um membro da Divisão Masculina de Jovens da Itália relatou sua atuação tão almejada como músico. Enfim, todos os relatos trouxeram uma grande emoção aos participantes, pois continham um drama de transformação de sua vida por meio da coragem e do desafio. A prática do budismo é a força motriz para avançar sempre, superando a desesperança e a resignação. E, nesse avanço, pode-se polir e fortalecer a si mesmo, e expandir enormemente a condição de vida. O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku. Ilustrações: Kenichiro Uchida

24/08/2023

Notícias

Educação e paz

“Reunindo a Criatividade Histórica para Restaurar a Paz” foi o tema proposto para a atividade do dia 2 de julho, que teve a participação de cerca de mil membros da Coordenadoria Educacional (CEduc) da BSGI. De forma virtual, a programação girou em torno do diálogo com o olhar da educação sobre as propostas de paz sugeridas à ONU pelo Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI). As explanações ficaram a cargo dos especialistas Célio Borges, André Melo e Fabiano de Souza, que integram a CEduc. “A paz está em nossas mãos”, foi o consenso de todos. “A partir de mim, como posso fazer a diferença? A proposta de paz sou eu.” Todos puderam participar com reflexões, por meio de enquete compartilhada, cujos resultados foram apresentados por Fabiano de Souza. Seguiu-se relato de comprovação de Amasa Carvalho, sendo a programação finalizada por Thiago Tobias. A Declaração uma Cultura de Paz visando à Dignidade da Vida ficará disponível na página da CEduc, na Extranet da BSGI. No topo: print comemorativo do encontro da CEduc que teve como eixo as propostas de paz do presidente Ikeda Foto: Reprodução

13/07/2023

Grupo Coração do Rei Leão

A importância do diálogo e dos bons exemplos

Estamos vivendo um momento único, celebrando os trinta anos da última visita de Ikeda sensei ao Brasil. Muitos de nós tivemos a oportunidade de recebê-lo em 1993. Agora, junto com nossos filhos e até netos, renovamos nosso compromisso de impulsionar o kosen-rufu do nosso país. A alegria de pertencer à BSGI é indescritível, pois recebemos os direcionamentos do Mestre e fortalecemos os laços familiares para transformar nossa sociedade. Nichiren Daishonin afirma: Assim como a artemísia que cresce entre o cânhamo, ou uma cobra no interior de um tubo [naturalmente se endireitarão], aqueles que se associarem às pessoas de bom caráter também cultivarão sentimentos, comportamentos e palavras corretas.1 Recentemente, foi lançado o livro Famílias Felizes, Crianças Felizes, de autoria do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda. Em um dos trechos, ele menciona: Os pais devem discernir com sabedoria, desde cedo, as tendências dos filhos. Ao fazer isso, eles poderão encarar com serenidade qualquer fase de rebeldia. Os pais podem pressentir que algo está errado apenas observando sinais sutis no comportamento ou no tom de voz dos filhos.2 Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, certa vez orientou um senhor cujo filho estava com problemas e se recusava a voltar para casa: Com base na perspectiva budista, a questão fundamental reside no carma dos pais que sofrem com o filho. É importante que o senhor respeite seu filho e determi­ne que ele se tornará uma pessoa admirável e que, por meio da transformação em sua vida, ele o conduzirá ao estado de buda.3 São diversas as questões que podem causar sofrimento aos jovens, como ansiedade e depressão, constantes discussões familiares, divórcio dos pais, mudança de escola, pressão nos estudos, problemas de amizade, perda de entes queridos ou de animais de estimação, alcoolismo ou dependência de drogas na família. Se os pais perderem a paciência, a criança poderá se sentir abandonada. Devemos nos esforçar para compreender as razões por trás da rebeldia dos nossos filhos e agir de acordo. No livro Famílias Felizes, Crianças Felizes, encontramos outro trecho que diz: Existem muitos pais maravilhosos com experiências simples que criam filhos felizes. Por outro lado, há pais que detêm largo histórico acadêmico ou que se gabam de seu currículo, mas acabam arruinando a vida dos filhos.4 Um problema comum é o hábito de elogiar os estudantes apenas por suas boas notas, associando isso a ser bons filhos. Muitos pais se preocupam mais com as notas do que com o bem-estar dos filhos. Certamente desejam o melhor para eles, mas não devem permitir que essa obsessão desvie a atenção do que deve ser prioridade: aprimorar o coração e o espírito dos filhos. Existem também pais que esperam que seus filhos sigam a profissão que consideram ideal. Eles escolhem os amigos, o casamento e não permitem que seus filhos sejam independentes, mesmo quando já atingiram a fase adulta. Esses pais acreditam que amam seus filhos, porém, tudo o que fazem é projetar seu egoísmo neles. Devemos sempre avaliar nossos comportamentos. A violência aumenta a cada dia em nossa sociedade. Se os pais permitem ou até reforçam abertamente a agressão, é possível que as crianças se comportem de forma agressiva em casa ou em outros lugares. Quando as crianças ouvem falas depreciativas em relação às outras pessoas, entendem que existe um padrão e, por isso, aqueles que não se encaixam nele são inferiores. Quando as ofensas são verbalizadas repetidamente, a situação se torna “verdade” naquele contexto, e comportamentos agressivos, identificados como bullying, podem ocorrer. É um comportamento em que os mais fortes convertem os mais frágeis em objetos de diversão por meio de “brincadeiras” que disfarçam o propósito de maltratar e de intimidar. O bullying também pode ocorrer de forma indireta, por meio de fofocas, boatos, intrigas e exclusão de grupos de amizade. As próprias vítimas começam a ver a si mesmas como inferiores. O bullying não deve ser tolerado. Cabe aos adultos orientar as crianças para que possam respeitar o próximo e as diferenças. Nosso mestre compartilha: Apesar de minha mãe não dizer nada sobre minhas notas, ela era rigorosa em relação a questões da vida diária. Quando eu era pequeno, ela sempre dizia: “Não cause problemas aos outros” e “nunca diga mentiras”. E quando eu já estava mais crescido, ela me orientou: “Seja o que for que você decida fazer, assuma a responsabilidade e cumpra seus compromissos”.5 Em conclusão, é fundamental abrir espaço para o diálogo, ajudar as crianças a ter sonhos, cultivar o desejo de estudar, aprender, desafiar-se e extrair o máximo de suas habilidades. Devemos ensinar valores espirituais por meio de nossas próprias ações no dia a dia. Forte abraço! Matéria elaborada pelo Grupo Coração do Rei Leão da Coordenadoria das Regiões Estaduais Leste (CRE-Leste) Notas: 1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Dai­shonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 396, 2017. 2. IKEDA, Daisaku. Famílias Felizes, Crianças Felizes. São Paulo. Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 37, 2023. 3. Ibidem. p. 50. 4. Ibidem. p. 57. 5. Ibidem. p. 88. Foto: Getty Images

09/06/2023

Matéria da Divisão Sênior

Constituir uma força capaz de cultivar uma família reluzente

Caros amigos e amigas da Divisão Sênior, desejamos que estejam desfrutando excelente saúde, superando com sabedoria e coragem os desafios da época, fundamentados na prática budista e nas orientações de Ikeda sensei. Diferentemente do Brasil, o Dia dos Pais no Japão é celebrado neste mês de junho. O país do sol nascente é a terra natal dos Três Mestres Soka: Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda. Em sua trajetória de vida, mesmo extremamente concentrado na grandiosa e desafiadora tarefa de edificar e conduzir a Soka Gakkai, ao lado de sua respectiva esposa, cada um deles instruiu seus filhos com todo o zelo. Dessa forma, refletiremos sobre um tema de extrema importância: a família. E o que é família? Nos dias de hoje, de forma clara, é possível perceber que não existe um modelo-padrão do que seja uma família ou de como ela deva ser. A família possui diversas formações e abrange um número imenso de características e relações. De acordo com os dicionários, de forma geral, “família” é um grupo de pessoas que partilha ou que já partilhou a mesma casa, normalmente elas possuem relações entre si de parentesco, de ancestralidade ou de afetividade. Com essa descrição, podemos entender que família é a base da nossa relação social, formada pelas pessoas com as quais somos mais próximos, íntimos e temos afinidade. Durante o pós-guerra, o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, compreendeu em seu íntimo quão importante era uma base familiar sólida, para cada integrante desse núcleo superar as amarguras da vida. Por isso, em dezembro de 1957, ele estabeleceu as “Três diretrizes eternas da Soka Gakkai”, das quais a primeira é justamente a “Prática da fé para criar a harmonia familiar”. Referente a esse tema, nosso mestre, presidente Ikeda, reflete: A família é um ponto de segurança e esperança necessário na vida. É uma fortaleza de felicidade e de paz; um ambiente para se revitalizar, recarregar as baterias todos os dias. Contém um vínculo positivo, que nutre a alma e constrói o caminho para o autoaprimoramento e a realização; um castelo de harmonia e crescimento.1 Meu papel na harmonia familiar Como podemos construir e manter uma família harmoniosa? Ikeda sensei nos direciona da seguinte forma: Em primeiro lugar, devemos nos esforçar para sermos pessoas alegres e radiantes, cuja presença envolva todos os familiares com a luz da compaixão. Em segundo, precisamos nos respeitar mutuamen­te, reconhecendo que os vínculos familiares entre pais e filhos ou entre cônjuges e parceiros consistem em laços cármicos que se estendem pelas “três existências” — passado, presente e futuro. Em terceiro, devemos prestar uma contribuição positiva à sociedade e trabalhar para desenvolver sucessores que também façam o mesmo.2 Dentre os inúmeros desafios da vida, podemos dizer que a construção de uma família harmoniosa está entre os maiores. Nesse contex­to, diversos companheiros da Divisão Sênior e pessoas em geral podem enfrentar questões como dificuldades financeiras, choque de gerações, conflitos no lar causados por vários motivos, podendo ser até divergências devido à prática budista. Essas são algumas das possibilidades dessa maravilhosa missão que é conviver num ambiente familiar. Pois os familiares são os que mais nos conhecem: nossas virtudes e defeitos. No seio familiar, não há como se esconder. Nele, somos genui­namente nós mesmos, da forma mais pura e transparente possível. Sobre esse ponto, no capítulo “Longa Jornada”, da Nova Revolução Humana, Shin’ichi Yamamoto incentiva um membro da Divisão Sênior, que estava aflito por ter filhos que não praticavam o budismo, dizendo: Pensar que seus filhos aceitarão a prática budista porque o senhor está praticando é superestimar a condição de pai. Se eles são maiores de idade, já possuem seus próprios pensamentos e vivem com base neles. Cabe ao senhor, de um lado, respeitar a opinião deles; do outro, se deseja realmente que eles compreendam e aceitem a prática do budismo, o senhor próprio deve provar em sua vida diária quanto a prática budista é extraordinária. Em todo caso, deve se esforçar em se tornar alvo do orgulho e do respeito de seus filhos. (...) Se o senhor deseja a felicidade dos seus filhos e ora sinceramente para concretizá-la, esse sentimento atingirá o cora­ção deles e certamente os despertará para a prática da fé. Além disso, essa oração produzirá benefícios e boa sorte para proteger seus familiares. Por isso, não há necessidade de ficar aflito, nem de impor a prática do budismo.3 Esses são incentivos acolhedores e extremamente adequados à época em que vivemos, na qual o intenso fluxo de informações pode nos distanciar do convívio familiar, por conta da relação estreita com as mídias sociais, entre outros problemas. Mas depende de cada um de nós pôr em prática essa vivência, mesmo nas questões mais simples, tais como jantar à mesa, brincadeira com as crianças, bate-papo descontraído ou assistir a um filme no sofá. O mais importante é o diálogo sincero e aberto, desarmado. Além disso, é fundamental buscar um desafio conjunto da prática da fé. Importante também levar em consideração a característica de cada indivíduo da família, ciente de que cada um tem suas características, e buscar utilizar as diferenças individuais como trampolim para a harmonia e o aprendizado mútuo. Não existe receita Cada família é única, e não existe uma receita pronta para cultivar e desenvolver a harmonia. Contudo, podemos afirmar com base nas orientações do presidente Ikeda que criar um ambiente alegre e respeitoso envolve — sobretudo dos pais — a sensibilidade em reconhecer virtudes, angústias, vulnerabilidades e sonhos de cada um. E a partir dessa “radiografia da alma”, implementar, com dinamismo e entusiasmo, ações de encorajamento, amor, correção e incentivo. Embora de fato não exista uma receita, temos a imensa boa sorte de desfrutar uma grandiosa filosofia de vida que possui sólidos e sábios ensinamentos para o cultivo da vida humana voltados para o humanismo, o respeito e a felicidade. DS que comprova Eu me chamo José Carlos Júnior, tenho 44 anos, e em maio de 2023 completei quarenta anos de prática deste maravilhoso Budismo Nichiren, que iniciei junto com minha mãe aos 4 anos. Nós sempre sofremos com problemas financeiros, e isso contribuiu para que eu não tivesse condições adequadas de estudar. Muitas foram as adversidades, ainda sim eu acalentava sonhos que pareciam ser impossíveis. Na juventude, esses obstáculos pareciam não ter fim. A desarmonia em nossa família era constante em razão de meu falecido pai ser alcoólatra e todos os dias chegar a casa bêbado, causando sofrimento a todos nós e, principalmente, à minha mãe, agredindo-a. Eu não suportava assistir àquela cena. Ia para frente do Gohonzon recitar daimoku até que a situação se acalmasse. Algum tempo depois, houve a separação dos meus pais e minha mãe nos criou sozinha ainda com mais dificuldades, mas sem desistir da sua fé de jamais abandonar o Gohonzon. Fui crescendo e compreendendo que o Gohonzon é a minha própria vida. Os anos se passaram, desafiei e venci nos estudos, formei-me em enfermagem no ensino superior e concluí dignamente minha atuação na Divisão dos Jovens. Já em 2020 trabalhava em duas grandes instituições no Rio de Janeiro. Estava tudo bem, até que em março do mesmo ano foi declarada oficialmen­te a pandemia da Covid-19. Com a pandemia, também veio uma crise financeira na família, pois todos os processos judiciais do meu companheiro, que é advogado, foram bloqueados em razão do fechamento do Fórum e do cancelamento das audiências, deixando-o sem nenhum valor para receber e para arcar com despesas e compromissos. Nossas dívidas aumentaram e chegamos a ponto de sentarmos e discutirmos a possibilidade de vender nosso apartamento para saldar as dívidas. Nesse meio-tempo, recebi uma promoção no hospital para assumir a coordenação interina de um complexo obstétrico, a qual melhorou ainda mais a minha remuneração. Mesmo assim, foi um período de muita dificuldade financeira. Após longos diálogos, decidimos alugar o apartamento, em vez de vendê-lo, e mudar para a cidade de Saquarema, RJ, uma vez que esse era um objetivo futuro e há tempos pensávamos nisso. O ano 2021 chegava com novos benefícios e desafios, visto que tudo estava a nosso favor. Meu companheiro recebeu todos os processos que estavam atrasados, achamos uma excelente casa na nova cidade, um emprego garantido que me foi prometido e, melhor, ao lado de casa. Então, resolvi pedir demissão do emprego maravilhoso que eu tinha. Enfim, mudança realizada! E agora, cadê o emprego prometido? Pois bem, o emprego não aconteceu. Intensifiquei meu daimoku todos os dias para transformar a causa do sofrimento em felicidade. Fiz algumas entrevistas, mas sem sucesso. Li uma orientação no Brasil Seikyo do dia 24 de julho de 2021 que falava da “teoria de valor” do presidente Makiguchi sobre o emprego dos princípios do “belo, do benefício e do bem”.4 Fiz um resumo sobre o emprego e coloquei no oratório para eu me lembrar toda vez que orasse. O fim do ano de 2021 se aproximava e o emprego não chegava. Quase sete meses sem trabalhar. Determinei que até o último dia do ano eu estaria empregado. Não poderia mais me permitir ser derrotado pela escuridão fundamental da minha vida. Em 3 de dezembro de 2021, foi publicada no Diário Oficial, da Cidade de Cabo Frio, uma chamada para duzentos enfermeiros para a Prefeitura e lá estava meu nome. Tomei posse no dia 16 de dezembro desse ano, e no dia 8 de janeiro de 2022, comecei meu primeiro plantão. Também me tornei professor de enfermagem na cidade de Saquarema e meu objetivo é formar profissionais que fazem a diferença na enfermagem e na vida de cada paciente. No início de 2023, fui convidado a assumir a coordenação-geral do centro cirúrgico do hospital em que atuo. Nesses primeiros meses, conseguimos implantar as primeiras cirurgias por videolaparoscopia dentro do município, o que nunca aconteceu em nenhum hospital da rede pública. Cada dia comprovo a grandiosidade de Ikeda sensei em meu local de trabalho. Comprovei nesses quarenta anos de Budismo de Nichiren Daishonin a grandiosidade do Gohonzon, a grandiosidade do meu mestre e me tornei daquele menininho com grandes sonhos um integrante da Divisão Sênior, um verdadeiro “pilar de ouro”. José Carlos Rocha Pereira Junior, CGERJ, RM Região dos Lagos. José Carlos, à dir., com seu companheiro, Lincoln Silva Reflexão sobre a matéria “Ao julgar os méritos relativos das doutrinas budistas, eu, Nichiren, acredito que os melhores critérios são aqueles da razão e da prova documental. E ainda mais importante que a razão e a prova documental é a prova real.”5 “A prova mais convincente para desenvolver o kosen-rufu é a felicidade que estabelecemos em casa. E é essa felicidade que sustentará a nossa convicção diante de qualquer pessoa.”6 Estimados companheiros, após lermos de forma atenciosa e cuidadosa os trechos da Nova Revolução Humana e do Gosho descritos acima, devemos refletir com honestidade e seriedade como está a harmonia e felicidade na minha família e que tipo de ação estou desenvolvendo para criar verdadeiramente a harmonia familiar em minha casa. Em meio à realidade cotidiana, certamente rea­lizamos esforços redobrados para atender às demandas do trabalho, do aprimoramento contínuo em estudar mais e é comum apoiarmos os companheiros da nossa organização. Todos esses nossos empenhos são preciosos, louváveis e com certeza criam uma imensurável boa sorte em nossa vida, como também nos faz exercitar o cumprimento da nossa própria missão. Mas, se não voltarmos os olhos, a atenção, a dedicação para construir a felicidade dentro de casa, junto dos nossos familiares, estaríamos falhando em criar a prova mais importante para o desenvolvimento do kosen-rufu, nossa mais elevada missão. O presidente Ikeda nos orienta: “Nós falamos sobre o kosen-rufu como um movimento a ser promovido na sociedade, mas seu verdadeiro eixo encontra-se em nosso lar, na família”.7 Nós, pilares de ouro Soka, temos papel decisivo na criação da harmonia familiar, e o primeiro passo é cultivarmos esse forte desejo consciente da importância da comprovação familiar para o kosen-rufu. Luís Otávio Vieira Arcoverde da Silva, vice-coordenador da CGERJ Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Cinco Diretrizes Eternas da Soka Gakkai. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2017. p. 20. 2. Ibidem. 3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. v. 6. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. 4. Cf. Brasil Seikyo, ed. 2.573, 24 jul. 2021, p. 15. 5. Coletânea dos Escritos de Nichiren Dai­shonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 626, 2020. 6. IKEDA, Daisaku. Expansão. Nova Revolução Humana. v. 8. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. 7. Ibidem. Ilustração: Getty Images Foto: Arquivo pessoal

09/06/2023

Conheça o Budismo

Descubra sua missão

Os sofrimentos e as dificuldades da vida são os mais variados. Há aqueles que aparecem em decorrência de ações e decisões que tomamos na vida presente, mas há outros para os quais não encontramos uma causa aparente. O Budismo de Nichiren Daishonin considera que esses tipos de sofrimento são manifestações, nesta existência, dos resultados de ações realizadas pela própria pessoa em vidas passadas (carma do passado). “Carma” é originalmente um termo que significa “ação”. Já as “ações em vidas passadas”, que possuem o poder de influenciar a felicidade ou a infelicidade nesta existência, são denominadas de “carma do passado”. O carma do passado engloba tanto o “bom carma” como o “mau carma”, mas ele é, na maioria das vezes, associado ao “mau carma” que acumulamos. O budismo ensina a lei de causa e efeito, que abrange as “três existências da vida” — passado, presente e futuro. As ações em existências passadas se tornaram a causa que se manifesta como efeitos na existência presente; e as ações na presente existência se tornam a causa que se manifestará como efeitos na existência futura. Más causas em vidas passadas se manifestam como maus efeitos nesta existência, trazendo sofrimentos e dificuldades. Boas causas resultam em bons efeitos, os quais proporcionam boa sorte e tranquilidade. Essa é a lei de causalidade adotada pelo budismo em geral. Todavia, seguindo essa lógica, mesmo descobrindo a causa dos sofrimentos no presente, não é possível transformá-la imedia­tamente nesta existência. Portanto, não haveria outro caminho a não ser liquidar cada causa do mau carma ao longo de sucessivos ciclos de vida e de morte em existências futuras. Assim, essa ideia de “carma do passado” é um conceito que leva facilmente ao pensamento fatalista de uma vida sem esperança. Em contrapartida, o Budismo de Nichiren Daishonin ensina o princípio da “transformação do destino”. No escrito Carta de Sado, Daishonin esclarece que as perseguições que vinha enfrentando não eram atribuídas à usual lei de causa e efeito difundida no budismo em geral, mas, sim, por ter caluniado o Sutra do Lótus em existências passadas.1 Dessa forma, ele ensina que a calúnia contra o Sutra do Lótus — a Lei correta que revelou por completo a iluminação de todas as pessoas, o respeito ao ser humano e a felicidade si e de outros — é a ofensa fun­damental e o mal original que produzem todos os outros maus carmas. O princípio da transformação do destino do Budismo Nichiren significa transformar o mau carma fundamental da descrença e da calúnia contra a Lei correta, ainda nesta existência, por meio da prática de acreditar, proteger e propagar essa Lei. O âmago dessa prática é o daimoku, a recitação do Nam-myoho-renge-kyo. Daishonin faz referência a uma citação do Sutra Mérito Universal, a qual salienta que as ofensas do passado se dissiparão instanta­neamente como geada e gotas de orvalho sob a luz do sol da sabedoria eterna do Nam-myoho-renge-kyo: Nossas más ações seculares e nosso carma negativo podem ter se acumulado a uma altura tão elevada quanto a do Monte Sumeru, mas, quando acreditamos neste sutra, tudo isso se desvanece como a geada ou o orvalho sob o sol do Sutra do Lótus.2 Amenização do efeito cármico Mesmo nos empenhando na prática da fé, há ocasiões em que nos deparamos com sofrimentos e dificuldades na vida. Além disso, quando lutamos pelo kosen-rufu, surgem adversidades decorrentes de impedimentos e de maldades que aparecem para deter o nosso avanço. Daishonin ensina que o fato de encontrarmos tais dificuldades e de transformarmos o próprio destino é, na verdade, o benefício do princípio chamado de “amenização do efeito cármico”. Literalmente, o princípio de “amenização do efeito cármico” (tenju kyoju) significa “transformar o pesado e receber o leve”. Em virtude do “pesado” carma acumulado em existências passadas, estaríamos sujeitos a saldá-lo com “pesados” sofrimentos não apenas nesta, mas nas próximas existências. Entretanto, ao acreditarmos e propagarmos a Lei correta nesta existência, a força do benefício dessa prática faz com que a retribuição de carmas pesados seja recebida, instantaneamente, de forma leve, e conseguimos assim expiar todos os carmas acumulados. Os sofrimentos e as dificuldades são importantes oportunidades para apagar o carma do passado e fortalecer nossa determinação. Sobre isso, Daishonin afirma: O ferro, quando aquecido e forjado, torna-se uma excelente espada. Os reverenciáveis e os veneráveis são testados com calúnias. Meu atual exílio não é resultado de nenhum crime secular, mas serve somente para que eu possa expiar, nesta existência, as graves faltas que cometi no passado e me libertar dos três maus caminhos na próxima.3 Carma adotado por desejo próprio Uma pessoa que, apesar de enfrentar sofrimentos e dificuldades, transforma o seu destino perseverando na prática da fé observará uma grande mudança no sentido de sua vida. O Sutra do Lótus expõe o princípio de “carma adotado por desejo próprio” (ganken ogo). O ideograma gan significa “nascer com o desejo” e go quer dizer “nascer com carmas acumulados”. Os bodisatvas nascem em determinada existência pela força de seu desejo, e as pessoas comuns, por conta de seu carma. Esse princípio indica que bodisatvas, com grandiosa boa sorte e virtude acumuladas por meio de exercícios budistas, se voluntariaram a nascer nesta era maléfica, manifestando seu próprio desejo; abandonaram suas límpidas retribuições dos seus carmas, com o intuito de salvar as pessoas sofridas desta era maléfica. Como resultado, estes bodisatvas experimentam, da mesma forma que as pessoas com carmas negativos, os sofrimentos desta era maléfica. A partir da análise do sentido das adversidades deste ponto de vista, uma pessoa que supera as dificuldades por meio da fé entenderá que o fato de viver os sofrimentos nesta era maléfica não é de forma nenhuma o seu destino, mas, sim, o resultado do juramento seigan de bodisatva para salvar as pessoas, compartilhando sofrimentos e mostrando, com o seu exemplo, a forma de superá-los. O presidente Ikeda expressa essa forma de viver como “transformar o destino em missão”, e explica: Todos nós temos nosso próprio carma ou destino. Mas quando o olhamos de frente e compreendemos seu verdadeiro significado, todas as dificuldades podem servir para nos ajudar a construir uma vida mais rica e profunda. E nossas ações na batalha contra nosso destino tornam-se um exemplo e inspiração para inumeráveis pessoas. Em outras palavras, quando transformamos nosso carma em missão, transformamos nosso destino. Em vez de permitir que o carma desempenhe um papel negativo, atribuímos a ele uma função favorável. Aquele que consegue transformar seu carma em missão é alguém que “assumiu voluntariamen­te o carma apropriado”. Portanto, os que continuam avançando, considerando tudo como parte de sua missão, seguem em direção à transformação de seu destino.4 Fonte: Os Fundamentos do Budismo Nichiren para a Nova Era do Kosen-rufu Mundial. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2016. p. 78. Notas: 1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 321, 2020. 2. Ibidem, p. 293. 3. Ibidem, p. 320. 4. Terceira Civilização, ed. 433, set. 2004, p. 18. Ilustração: Getty Images

09/06/2023

Encontro com o Mestre

Agregar nova energia ao seu ambiente de trabalho e à sociedade

O budismo se preocupa primordialmente com vitória ou derrota, enquanto a autoridade secular baseia-se no princípio de recompensa e punição. Por essa razão, um buda é denominado o Herói do Mundo, ao passo que um soberano é chamado de “aquele que governa conforme sua vontade”.1 O Herói do Mundo Um buda é um “Herói do Mundo”, uma pessoa de coragem que vence na sociedade. Os indivíduos que prosperam no palco de sua missão como praticantes da Lei Mística são o epítome do kosen-rufu. A realidade é dura. Desafios e dificuldades são inevitáveis. Por isso, a energia vital e a sabedoria que revelamos por meio da nossa prática do Budismo Nichiren brilham ainda mais intensamente. Aqueles que se baseiam na recitação do Nam-myoho-renge-kyo conseguem triunfar sem falta. Espero que todos vocês recém-integrados ao mercado de trabalho avancem com resiliência e imbuí­dos do invencível espírito Soka. Agreguem nova energia ao seu ambiente de trabalho e à sociedade com otimismo e sinceridade. Publicado no Seikyo Shimbun de 1o de abril de 2020. Nota: 1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 95, 2017. Foto: Getty Images

09/06/2023

RDez no BS

Cada um de vocês possui uma missão que somente vocês podem cumprir

Corredores da Justiça Série de incentivos escrita pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, para a Divisão dos Estudantes Esperança e Herdeiro Qual é o seu bem mais precioso? O Sutra do Lótus ensina que todas as pessoas possuem dentro de si uma joia inigualável, ou seja, a natureza de buda. Recitar Nam-myoho-renge-kyo permite despertar para esse precioso tesouro interno. Nichiren Daishonin escreveu: “O Nam-myoho-renge-kyo é a maior das alegrias”.1 Como abraçaram a Lei Mística ainda jovens, cada um de vocês pode fazer a vida brilhar de forma radiante, repleta da “maior de todas as alegrias”. Nunca percam a fé ou menosprezem a si mesmos. Vocês são incrivelmente dignos de respeito da maneira como são. Então, por favor, sejam confiantes e se esforcem com um espírito positivo e otimista. Em japonês, a palavra “missão” (shimei) é escrita com dois ideogramas que significam “usar a própria vida”. Cada um de vocês é uma pessoa de missão que surgiu neste mundo para contribuir para a paz e a felicidade de toda a humanidade no século 21. Mesmo que ainda estejam inseguros sobre seus sonhos ou objetivos, por meio da recitação do daimoku e dos árduos estudos, abrirão o caminho para a nobre missão que apenas vocês podem cumprir. Meus jovens amigos, continuem polindo constantemente a preciosa joia da sua vida! Fonte: Traduzido da série “Rumo a 2030: Dedico aos Meus Jovens Sucessores Corredores da Justiça” da edição de setembro de 2020 do jornal Mirai (Futuro), publicação mensal da Soka Gakkai voltada para a Divisão dos Estudantes Esperança e Herdeiro. Nota: 1. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 212. Confira alguns spoilers da edição de junho Eu faço, você faz, nós fazemos a diferença no meio ambiente! Descubra, na Matéria do Mês, como a revolução humana transforma e contribui positivamente para a natureza. Falando em revolução humana, aprenda o significado desse termo com o Bodhi Man e a Liga dos Sucessores Unidos no ABC do Budismo. No mês do Dia Mundial do Meio Ambiente, aprenda no DIY Dez a fazer um porta-objetos com um pote de sorvete e organize sua mesa de estudo. Esses e outros conteúdos da edição de junho estão disponíveis para os assinantes da RDez ou do plano digital completo. www.brasilseikyo.com.br/home/rdez

09/06/2023

Incentivo do líder

A melhor fase da vida

Olá, desejo que todos estejam muito bem. Hoje, gostaria de direcionar as palavras neste espaço para as pessoas da melhor idade. É, gente, já cheguei a essa fase da vida. Acabei de tirar o cartão para usufruir o direito de me locomover de ônibus, trem ou metrô gratuitamente. Olha que maravilha! O presidente Ikeda nos incentiva: “Diz-se que a vida se inicia aos 60 anos. O budismo elucida que podemos viver até 120 anos e, nesse sentido, os 60 anos são o ponto de virada, e podemos dizer que é a partida rumo à fase conclusiva da vida”.1 Quer dizer que estamos na flor da idade. Que coisa boa acordarmos todos os dias e termos a alegria de viver, de praticar o budismo e de compartilhar nossa história com os mais jovens! No mês de março, tive a oportunidade de participar de uma atividade da minha RM São Bernardo, onde me encontrei com as rainhas que fazem parte do grupo “Tesouros da Esperança”, criado para enaltecer as veteranas da organização. Que mulheres extraordinárias, com suas histórias de vida e de superação! Não há maior alegria que recitar Nam-myoho-renge-kyo. A recitação do daimoku produz energia vital, revitaliza nosso corpo e nossa mente. O daimoku, as atividades, o estudo, os exercícios físicos, uma boa alimentação, uma boa noite de sono, a ida ao médico regularmente e a realização de exames preventivos — tudo isso são meios para dispormos de uma vida feliz e mais saudável, envelhecermos com qualidade de vida e termos muita disposição, alegria e energia. “Ter um grande propósito pelo qual não se arrependerá em devotar a vida — isso certamente se transformara em uma força para viver até o fim com espírito jovem”,2 assim nos orienta Ikeda sensei. Exemplo desse grande propósito é o da minha mãe, Julia, que vai fazer 83 anos. Ela sempre teve como base a recitação de muito mais daimoku, nesses 54 anos de conversão. Ensinou sobre a importância da prática da fé para filhas, genros, netos e bisnetos. E para quem se aproxima dela, onde quer que seja, ela faz shakubuku. Possui muita alegria de viver, dança, faz pilates, caminha e participa ativamente das reuniões. Na época da pandemia, aprendeu a mexer no celular, e hoje navega nas redes sociais. Ikeda sensei, citando as palavras de Mikhail Sholokhov, escritor russo ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, nos incentiva: Quem não tem determinação de avançar em direção a um objetivo definido não alcança nada. Nós somos todos “ferreiros da felicidade”. Acredito que pessoas de fé, pessoas espiritualmente fortes, conseguem influenciar de modo constante sua maneira de viver mesmo no momento de uma virada do destino.3 Queridos amigos da melhor idade, tesouros da esperança, vamos juntos escrever uma linda história de vida, como diz a Sra. Kaneko Ikeda em sua mensagem: “Tal história, com certeza, aquecerá o coração e iluminará a vida de todos os que virão depois de nós”.4 Compartilho com vocês um trecho do poema de Cora Coralina, poetisa brasileira que escreveu seu primeiro livro aos 75 anos, que diz: O tempo passa, ninguém detém a passagem do tempo. Agora saiba viver para melhor envelhecer. [o que é viver bem?] Produzir. Não ser uma criatura inerte, parada. Ler. Estar atualizada com os fatos. [quer dizer que não é pra ter medo da velhice?] Não. Não tenha medo. Não tenha medo dos anos e não pense na velhice. Não pense. E nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo estou velha, eu não digo estou ouvindo pouco — só quando preciso. Eu não digo nunca a palavra estou cansada. Nada disso, nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros também. Então, silêncio! Fique quieta! E não queixe doença também. Nunca diga para um visitante: “Como vai passando? Ah... ando com uma dor agora, não ando muito bem...” Nada disso. Diga: “muito bem, otimamente?” Não me queixo de nada. E quando tiver você uma queixa física, vá ao médico, ele é o único que tem que ouvir, ninguém mais. (...) Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado. Mas não sei se eu sou velha não. Você acha que eu sou velha?5 Um superabraço carinhoso! Magda Lombardi da Silva Vice-coordenadora da Divisão Feminina da BSGI Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Arte da Longevidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 18. 2. Ibidem, p. 20. 3. Ibidem, p. 33. 4. Brasil Seikyo, ed. 2.628, 11 fev. 2023, p. 8-9. 5. BRITTO, Clóvis Carvalho; SEDA, Rita Elisa. Cora Coralina: Raízes de Aninha: Editora Ideias & Letras, 2009. p. 342-343. Ilustração: GETTY IMAGES

25/05/2023

Reflexões sobre Cidadania

Sabedoria e ponderação para que a verdade prevaleça

O período em que vivemos é bem notável pela quantidade de informações sobre avanços tecnoló­gicos que ocorrem diariamente. Até poucas décadas atrás, era difícil imaginar que passaríamos a maior parte do nosso dia antenados aos grandes canais de comunicação e conectados com as mais ágeis e interativas redes sociais. Quem nunca passou horas consu­mindo diversas notícias, uma após a outra, em vários jornais on-line? Ou nas diversas redes sociais como TikTok, Instagram, Facebook, Twitter e Telegram? Todos eles são mecanismos que podemos utilizar para nos manter atualizados com o que ocorre no Brasil e no mundo. Por outro lado, às vezes, nós nos deparamos com informações que não são necessariamente verdadeiras — e é aí que nasce um problema capaz de dificultar consideravelmente a nossa comunicação. Muito se falou, e ainda se fala, sobre as chamadas fake news e a urgência em combatê-las. Mas, antes de tudo, o que são as fake news? Em tradução literal, seriam “notícias falsas”, o que por vezes pode ser simplificado apenas como “mentira”, apesar de haver diferenças claras entre um termo e o outro. Diferentemente de uma mentira comum, as notícias falsas são criadas com o intuito de gerar instabilidades na sociedade. Comumente, a criação das fake news se dá de dois modos: distorcendo completamente um fato que possa ter algum fundo verdadeiro ou ao criar uma nova informação inteiramente falsa. Sobre a primeira situação, como exemplo, tivemos casos de pessoas que sofreram efeitos cola­terais ao tomarem as vacinas contra a Covid-19 sem autorização médica prévia. Contudo, tal orientação se destinava a um grupo específico de pessoas que já possuíam condições muito próprias de saúde e acompanhamento médico especializado. Por conta disso, indivíduos que não tinham essas restrições passaram a ter medo de tomar as vacinas por causa de reações adversas. Quanto ao segundo caso, em dado momento, surgiu certa desconfiança de que as vacinas que vinham da China continham um chip que seria implantado em todos os que a tomassem. Observam-se, então, as duas construções, de meia-verdade, compreendida erroneamente, e de afirmação comprovadamente descabida. Logo, dada a intencionalidade em causar distúrbios na ordem social, poderíamos tentar interpretar o termo como “notícias falsas criadas para desestabilizar”, seja o indivíduo, seja a sociedade. Na história mais recente da Soka Gakkai e da BSGI, tanto o terceiro presidente da Soka Gakkai, Daisaku Ikeda, como a própria organização já sofreram com notícias falsas para desestabilizá-los. Uma ocasião marcante foi quando, em 1966, a respeito da visita que sensei faria ao Brasil, alguns jornais do país começaram a veicular informações que não correspondiam à verdade sobre ele. Por desconhecimento e incompreensão dos objetivos de Ikeda sensei e da Soka Gakkai, os jornais acreditavam que ele viria com o propósito de fundar um partido político, o que culminou em uma visita realizada sob vigilância policial, causando apreensão nos membros brasileiros. Entretanto, como um dos pilares da organização e do Budismo de Nichiren Daishonin é o diálogo sincero e franco, o presidente Ikeda não se intimidou e dialogou com os jornalistas para esclarecer seu real sentimento de levar a filosofia budista de paz para o povo brasileiro e para o mundo. Ao mesmo tempo, os membros brasileiros empreenderam uma grande luta de ex­pansão da BSGI, visando demonstrar a grandiosidade da filosofia que preza a felicidade de cada pessoa. Como consequência, quando Ikeda sensei retornou ao Brasil, em 1984, houve uma drástica mudança na forma como as autoridades brasileiras e os grandes canais de comunicação observavam o líder budista e as ações da Soka Gakkai para a transformação da sociedade. Tal mudança só foi possível pela disposição de conhecer o que não se compreendia. Na Proposta de Paz de 2021, o presidente Ikeda fez questão de frisar: À medida que as diretrizes de mitigação continuam a evoluir e a pandemia tem um impacto cada vez mais intenso em nossa vida, as pessoas buscam outros meios além dos jornais e demais mídias tradicionais para aliviar sua sede de informação. Isso expôs muitas pessoas a informações não confiáveis de fontes desconhecidas ou não confirmadas. O espaço virtual de informações abriga, por vezes, discursos maliciosos que se alimentam do sentimento de apreensão das pessoas com a finalidade de incitar uma ruptura social ou direcionar o ódio a determinados grupos ou indivíduos.2 Por isso, em anos recentes, tem-se alertado sobre a importância de utilizarmos as redes sociais de forma crítica, para que possamos sempre refletir com seriedade a respeito dos conteúdos e das notícias que chegam até nós. Em contrapartida, vem crescendo também a quantidade de sites especializados em checagem de notícias, alguns deles com quase uma década de existência, para que as dúvidas sobre a autenticidade de alguma informação sejam esclarecidas rapidamente.3 O importante é termos em mente que, em caso de dúvidas sobre uma notícia, o melhor que podemos fazer é não compartilhá-la. Ainda sobre a autenticidade de alguma informação, na ocasião do seu primeiro encontro com Toda sensei, o jovem Daisaku Ikeda relembrou uma frase contida em um tratado chinês que diz: “Faz bem pensar mais uma vez, embora concorde; é bom pensar mais uma vez, embora discorde”.4 Nela consta a disposição em estar aberto a compreender profundamente e com seriedade as situações que permeiam nossa vida diária. Por fim, no livro Diálogo sobre a Religião Humanística, sensei acrescenta: “Uma pessoa que possui a atitude séria e sincera de buscar a verdade é humilde, cheia de compaixão e consideração pelas demais”.5 Desse modo, façamos com que nossa busca por informações seja também um reflexo da nossa melhor postura como discípulos. Notas: 1. Comissão de Estudos sobre Consciência Política da BSGI: Grupo criado para a pesquisa e a produção de materiais que versam sobre cidadania e política à luz dos princípios budistas, dos escritos de Nichiren Daishonin e das publicações oficiais da Editora Brasil Seikyo. 2. Criação de Valor em Tempos de Crise. Propos­ta de Paz de 2021. In: Terceira Civilização, ed. 633, maio 2021, p. 24. 3. Entre eles, podemos encontrar os sites: Lupa, Aos Fatos, E-Farsas, e Boatos.org. 4. Brasil Seikyo, ed. 1.904, 18 ago. 2007, p. B3. 5. IKEDA, Daisaku. Diálogo sobre a Religião Humanística. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 183, 2018. Ilustração: GETTY IMAGES

25/05/2023

Rede da Felicidade

Uma presença calorosa e brilhante

No trecho a seguir do romance Nova Revolução Humana, de autoria do presidente da Soka Gakkai Internacional, Dr. Daisaku Ikeda, ele fala sobre o importante papel e a missão das integrantes da Divisão Feminina. O sol ofuscante do verão anunciava a chegada da temporada de treinamentos. Um desfile colorido de sombrinhas tomava conta das margens do Rio Sumida, com suas águas cintilando à luz do sol. Era 22 de julho [de 1960], data da Segunda Convenção da Divisão Feminina, e os membros estavam a caminho da reunião. A Primeira Convenção da Divisão Feminina dera-se no dia 28 de julho do ano anterior. Havia sido proposta por Shin’ichi Yamamoto [pseudônimo do presidente Ikeda no romance], que, como único administrador-geral da organização na época, era o responsável efetivo pelo andamento de toda a Soka Gakkai. Shin’ichi sentia que, para promover o kosen-rufu numa escala mais diversificada, seria importante haver atividades que permitissem a cada divisão dar plena vazão às suas qualidades singulares — isso, além de atividades como reuniões de palestra, que envolviam os esforços coordenados de todas as divisões. Na Divisão Feminina em particular, havia a necessidade de reforçar as atividades do período diurno para que as donas de casa pudessem fazer o melhor uso de seu tempo. Proporcionar a elas maiores oportunidades de realizar atividades pautadas por sua base comum, como mulheres, também possibilitava que exibissem mais amplamente suas habilidades. Alicerçado nessa ideia, e após discutir a questão com o diretor-geral da Soka Gakkai, Takeo Konishi, e com a coordenadora da Divisão Feminina, Katsu Kiyohara, Shin’ichi formulou os planos para a realização da convenção da divisão. Avaliando a fundo o papel que as mulheres desempenham, ponderou sobre a questão da emancipação feminina. Sem a felici­dade das mulheres, a sociedade não poderia, de fato, prosperar. A Segunda Convenção da Divisão Feminina teve início às 12h30. A sala estava lotada e, apesar do calor sufocante do alto verão, o ânimo de todas era excelente. Uma mulher que havia se casado novamente depois de ter ficado viúva na guerra com uma criança pequena para cuidar apresentou seu relato de experiência. Seu novo marido tinha seis filhos e ela havia tido problemas de relacionamento com eles. No auge disso, o marido dela, que tocava um fábrica de tingimento de tecidos, se deparou com um impasse no trabalho e começou a se envolver com jogos de azar. Brigas intermináveis com o marido somadas às dificuldades econômicas e à relação conflitante com os filhos dele levaram-na a cogitar o suicídio. Em meio a isso, uma conhecida falou ao casal sobre o Budismo de Nichiren Daishonin, e os dois decidiram ingressar na Soka Gakkai. À medida que foram dando continuidade à recitação do daimoku, o marido parou de jogar e passou a se dedicar com mais energia e entusiasmo ao trabalho. O relacionamento da mulher com os enteados também melhorou. Desse modo, explicou ela, conseguiu criar uma vida familiar feliz e harmoniosa com que sonhava há muito tempo. Essa experiência era a história da revolução humana de uma mulher: sua transformação numa pessoa que não somente amava o próprio filho, mas agora também era capaz de demonstrar e sentir idêntico afeto pelos enteados, e que conseguia, ainda, abraçar seu marido com calor e compreensão. Com o sol brilhando no coração e livre de seu destino infeliz, ela era exemplo legítimo de mulher que ganhara um novo sopro de vida. Aplausos vibrantes se seguiram. A experiência vivenciada pela mulher fora apenas um episódio no pequeno contexto de uma simples família. Mas revela o potencial infinito para mudar a sociedade em si. A família é um “jardim” na formação de seres humanos de grande valor construído mediante esforços conjuntos de seus componentes. É um oásis de tranquilidade e revitalização, que restaura a energia e o vigor para se enfrentar um novo dia. Também pode ser descrito como o solo no qual se cultiva o caráter humano. A família compõe a base da sociedade. Não pode haver prosperidade social a menos que ela seja sólida. Da mesma maneira, sem paz na sociedade, a família não pode desfrutar felicidade verdadeira. Nessa equação repousa a fórmula para a paz mundial. É muito provável que a mulher que desenvolveu a capacidade de oferecer, de bom grado, afeto aos enteados tenha se tornado igualmen­te capaz de amar outras pessoas, mesmo estranhas. Se a energia criativa que produziu harmonia e felicidade a uma família se voltasse para a sociedade, consistiria, sem dúvida, numa força tremenda para a paz. Shin’ichi Yamamoto sentia que, se em todas as famílias existisse uma mulher com uma presença calorosa e radiante como o sol, a sociedade também seria banhada de luz e aconchego. (...) [Em seu discurso, Shin’ichi Ya­mamo­to incentivou as participantes:] — Caso se sintam de mãos atadas, lancem o desafio de superar a própria fraqueza, invocando o grande poder da fé. Toda sensei dizia que é assim que se “descarta o transitório para revelar o verdadeiro” em nossa vida. No longo curso de nossa vida, ocasionalmente podemos sentir von­tade de desistir da fé e simplesmen­te nos divertir, livres de qualquer responsabilidade. Ou podemos ficar doentes ou mergulhar no sofrimento pela morte de alguém que amamos. Essa é a nossa luta contra os obstáculos dos desejos mundanos, da doen­ça e morte. A relevância máxima do budismo repousa em sobrepujar tais impasses recitando daimoku, alcançar um estado de felicidade absoluta e consolidar a vida mais significativa possível. Portanto, espero que, quando encontrarem uma dificuldade, a considerem uma luta contra um impasse, um embate contra obstáculos e, decidindo que esse é momento de vencer, cons­truam seu caminho na vida, de­safiando o destino de frente. O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku. Participantes do encontro (22 jul. 1960) No topo: ilustração mostra Shin’ichi Yamamoto na Segunda Convenção da Divisão Feminina da Soka Gakkai. (22 jul. 1960) Fonte: IKEDA, Daisaku. Aprimoramento. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 2, p. 75-82, 2019. Ilustrações: Kenichiro Uchida

25/05/2023

Caderno Nova Revolução Humana

“Se as crianças conseguem sonhar, o futuro é esperançoso”

Parte 13 Após o término da palestra comemorativa na Universidade de Sófia, Shin’ichi dirigiu-se ao Palácio Nacional da Cultura. Lá, seria realizado o encontro com Lyudmila Zhivkova, presidente do Comitê de Arte e Cultura (ministra da Cultura), órgão que havia lhe feito o convite oficial para essa visita à Bulgária. Ela era filha de Todor Zhivkov, presidente da Assembleia Nacional da Bulgária (chefe de Estado). Sua elegância demonstrava o símbolo da importância dada pela Bulgária à arte e à cultura. Em sua viagem para o México entre o fim de fevereiro e o início de março, soube que a presidente Zhivkova estava, coincidentemente, hospedada no mesmo hotel. Assim, junto com sua esposa, Mineko, Shin’ichi havia se encontrado com ela. Na ocasião, sua viagem à Bulgária já estava definida, e ela era a pessoa central do convite oficial para a visita àquele país. Ela estava no meio da viagem que fazia parte do seu vigoroso empenho de percorrer o mundo com a convicção de que o ato de promover intercâmbios culturais com diversos países abriria o caminho para a paz. Porém, ao saber que ela passava por problemas de saúde, Shin’ichi lhe enviou flores desejando sua breve recuperação. No dia 3 de março, depois do restabelecimento da saúde dela, Shin’ichi e Mineko realizaram um encontro com a presidente Zhivkova nas dependências do hotel. Aquela era a data comemorativa da libertação da Bulgária do domínio do Império Otomano ocorrida em 1878. Com sorriso no rosto, ela disse: — O casal mora no Japão e eu na Bulgária, dois locais distantes, do extremo do mundo. É uma imensa alegria nos encontrar aqui no México. Shin’ichi se sentia da mesma maneira. Preocupado com a saúde da presidente, ele pensava em terminar o encontro quanto antes. Ela era uma historiadora que havia estudado na Universidade de Oxford. Com sorriso calmo e gentil, ela foi relatando de forma precisa a essência de cada um dos assuntos abordados. Embora tivesse sido um diálogo de curta duração, transmitiu inteligência e sabedoria. Parecia também que ela tinha muito interesse pelo budismo. — Cultura é a ponte. É a ponte que interliga não somen­te um país a outro, mas um sistema a outro. Quero lutar contra as guerras por meio da cultura. Diante dessas palavras resolutas, Shin’ichi visualizou o núcleo da bela flor. Esse núcleo nada mais é que a filosofia, bem como a crença do modo de viver. Parte 14 Depois de cerca de dois meses e meio desse encontro no México, Shin’ichi e Mineko se reencontravam com a presiden­te Zhivkova. Usando um chapéu branco e vestindo um conjunto branco, ela disse com aquele sorriso gentil: — Sinceros parabéns pelo título de doutor honoris causa da Universidade de Sófia que acaba de receber. É um diploma que concorda plenamente com as realizações do senhor até hoje. Nós o consideramos o “embaixador da paz”. O senhor está dedicando a vida aos intercâmbios culturais que promovem a interação de pessoa a pessoa. Como o povo da Bulgária valoriza muito a cultura, consegue compreender profundamente o modo de vida do senhor. Shin’ichi expressou sua gratidão. O diálogo abordou a história do povo búlgaro, suas tradições culturais e a relação da Bulgária com a cultura oriental. A presidente se referiu ao cenário étnico do povo búlgaro. A etnia búlgara é formada por trácios, eslavos e búlgaros primitivos. Ela contou que os búlgaros primitivos se originaram na Ásia Central e tiveram uma relação profunda com a cultura budista. A observação dela era a de que a humanidade está interligada profundamente entre si em algum lugar. Além disso, houve troca de opiniões sobre os futuros intercâmbios culturais, tais como o convite do Japão a grupos de coral por intermédio da Associação de Concertos Min-On. O diálogo foi muito produtivo abordando também sobre os intercâmbios de jovens adolescentes. Shin’ichi manifestou algumas palavras de recomendação à presidente que se dedicava demasiadamente às suas inten­sas ocupações, encarregando-se da pesada responsabilidade pela política cultural: — A vida é longa. A batalha é longa. Pelo bem da Bulgária e do mundo, por favor, cuide da sua saúde, sem cometer exageros. Meneando a cabeça com sorriso no rosto, ela disse resolutamente: — Muito obrigada. Mas quem se encontra em uma posição de importância possui uma enorme responsabilidade. Não há outra forma a não ser dedicar todos os esforços conscientes desse ponto, mesmo que para isso aconteça qualquer coisa... Estou preparada para tudo. Resplandecia uma decisão inabalável. Sem estar plenamente preparado, não é possível realizar um grande empreendimento. Parte 15 Passada uma noite, na manhã do dia 22, Shin’ichi Yamamo­to e comitiva fizeram uma visita de cortesia ao presidente da Assembleia Nacional da Bulgária (posterior Palácio Presidencial), Todor Zhiv­kov, chefe de Estado. Ciente de que naquele dia o presidente receberia diversas autoridades estrangeiras devido à comemoração dos 1.300 anos de fundação da Bulgária, Shin’ichi iniciou o diálogo dizendo: — Vamos nos retirar logo. Preocupado com a tendência da poluição do Mar Negro, Shin’ichi propôs conduzir um programa de despoluição com a colaboração dos países costeiros. As águas mediterrâneas fluem para o Mar Negro e se depositam a 200 metros abaixo da superfície, ocasionando alta densidade de sal. As espécies de peixe não conseguem sobreviver devido à falta de oxigênio na água e à alta concentração de sulfeto de hidrogênio. A atividade pesqueira vinha sendo realizada principalmente nas águas rasas da costa norte onde desembocam diversos rios reduzindo a salinidade. Porém, nos últimos anos, a lama trazida pelos rios acumulavam lodo nessas costas, preocupando a todos: — Então, no sentido de preservar os valiosos recursos naturais, que tal transformarmos o Mar Negro em “mar azul” onde vivem muitas espécies de peixe, rumo ao século 21? E, para a formação de fundos necessários, gostaria de propor que os países costeiros reduzam os armamentos aos poucos e unam as forças para limpar o Mar Negro. O presidente afirmou em concordância: — Sim, é isso mesmo. Se cada país não reduzir seus armamentos, é impossível rea­lizar esse plano. Todavia, há uma relação tensa entre os Estados Unidos e a União Soviética, como também entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e o Tratado de Varsóvia. A União Soviética e a Bulgária são países signatários do Tratado de Varsóvia. Porém, a Turquia do lado sul do Mar Negro faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Embora o Mar Negro fosse único, o conflito entre as facções do Leste e do Oeste que estava por trás dos países costeiros impedia a união dessas nações, trazendo como consequência a destruição do meio ambiente. As diferenças ideológicas estavam acima da segurança humana. Shin’ichi vinha percorrendo o mundo clamando pela necessidade de corrigir tal inversão de valores. Parte 16 Shin’ichi ainda opinou: — A indústria pesada é importante, mas daqui para a frente não seria necessário plenificar mais a pequena indústria? O presidente manifestou concordância e afirmou: — Nos últimos tempos, o nível de vida da população do nosso país vem se elevando. Hoje, temos pão em abundância. Por isso, nós nos esforçamos para melhorar a vida das pessoas dando maior importância às pequenas indústrias. E também nos dedicamos para elevar o nível cultural. Então, estamos envolvidos em divulgar os livros para os lares de cada família. Com a abolição do sistema monárquico do país depois da Segunda Guerra Mundial, converteu-se em uma república popular, Todor Zhivkov tornou-se o primeiro secretário (mais tarde, com nova denominação de secretário-geral) do Partido Comunista da Bulgária, acumulando o cargo de primeiro-ministro. A partir de então, vinha atuando como líder máximo do país. O encontro foi rodeado por câmeras de televisão. Shin’ichi despediu-se após cerca de trinta minutos. Na tarde desse dia, a comitiva visitou Plovdiv, a segunda maior cidade da Bulgária, distante cerca de duas horas de carro de Sófia. É a cidade mais antiga da Bulgária cuja história remonta ao período neolítico. Nas ruas, o verde das árvores contrastava maravilhosamente com o telhado da cor de tijolos das casas. Após o encontro com o vice-presidente da Câmara local, Shin’ichi foi conduzido ao conjunto residencial dos trácios. Lá, estava previsto o plantio comemorativo de uma árvore de abeto. Quando foram realizar o plantio, reuniram-se as crianças que estavam por perto. — Vamos plantar juntos? Então, as crianças menearam a cabeça com largo sorriso no rosto. Shin’ichi promoveu o plantio dizendo: — Realizo este plantio orando para que esta árvore cresça de forma frondosa. E que a amizade entre a Bulgária e o Japão cresça cada vez mais. Em seguida, as crianças depositaram terra sobre a muda de árvore durante o plantio. Então, ele perguntou às crianças “O que querem ser no futuro?”, e elas relataram seus sonhos com brilho nos olhos. Por mais que a época seja turbulenta, se as crianças conseguem sonhar, o futuro é esperançoso. O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku. Ilustrações: Kenichiro Uchida

25/05/2023

Livros

Alicerce indestrutível

A leitura de um romance em série como o da Revolução Humana é um convite a uma jornada de desafios e de conquistas do humanismo. Em junho, os participantes do Clube de Incentivo à Leitura (CILE), da Editora Brasil Seikyo, embarcam em um dos principais marcos da história da Soka Gakkai. Chega às mãos o volume 5 da obra Revolução Humana. Antes, no volume 4, os leitores acompanharam os primeiros passos de reconstrução da Soka Gakkai, nos anos que se seguiram ao pós-guerra no Japão. Agora, o novo volume atravessa os anos 1951 e 1952, tendo como fundo de cena um Japão marcado pela desesperança e pelos movimentos mundiais sinalizadores de uma terceira guerra mundial, com os reflexos projetados pela Guerra da Coreia. É nessa conturbada época que ocorre a posse de Josei Toda como segundo presidente da Soka Gakkai, em 3 de maio de 1951, marco que estabeleceu um divisor de águas entre escuridão e luz. A cerimônia é descrita em detalhes na obra, com especial atenção ao discurso histórico feito por ele, que visualiza um futuro de esperança com base no respeito à dignidade da vida. Como forma de lançar luz à escuridão, propôs uma meta de expansão da organização, considerada por alguns impossível de ser atingida. Ao seguir o romance, o leitor acompanhará não só o avanço na concretização da audaciosa meta, como também a inspiradora fonte de uma vida de propósito. Isso porque não havia dúvida no coração do jovem discípulo Daisaku Ikeda, que a tudo ouvia da plateia e abraçara a causa com seu mestre. Assim, juntos, envolvem-se no propósito de transformar vidas sofridas por meio da prática da fé. O volume 5 da Revolução Humana traz os bastidores da restruturação da organização, com a formação dos primeiros núcleos de bloco, comunidade e distrito. Marca também a fundação das Divisões Feminina, Masculina de Jovens e Feminina de Jovens. O drama se desenvolve também no pulsante desbravar dos jovens, na expansão da filosofia da esperança do Budismo Nichiren na sociedade. São movimentos históricos que dão a medida da força e da coragem que atravessam o tempo. A organização se preparava em todos os aspectos, sob o olhar visionário de Josei Toda. Ao considerar que uma das forças motrizes da Soka Gakkai seria o estudo, decide reformular o currículo de matérias. Muda a denominação do Departamento de Explanações para Departamento de Estudo do Budismo, o qual vigora atualmente. Em 1952, foi publicada a edição de Nichiren Daishonin Gosho Zenshu [Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin], projeto também liderado pelo presidente Josei Toda, visualizando a grandiosa data dos setecentos anos do estabelecimento do Budismo Nichiren. Um minucioso trabalho, de elevado custo. O resultado dessa dedicação alcança os dias de hoje, em que temos a oportunidade de usufruir os ensinamentos escritos pelo Buda. Inspiração diária A Revolução Humana traduz o coração de um humanista determinado a criar o futuro, pelo exemplo próprio, envolvendo e estimulando todos ao redor. Coragem para desbravar as adversidades e criar o tempo. Trata-se de uma inspiração para as pessoas que ganha força na arte visual da capa com o desenho do leão, de forte simbologia no budismo. O leão ilustra o capítulo “Três avanços e um recuo”, da obra (trecho em destaque na página). Além disso, o leitor que completar a coleção visualizará, na junção das lombadas, os ideogramas Ningen Kakumei (“revolução humana”, em português). Recortes da incansável batalha de Josei Toda e seu discípulo direto, Daisaku Ikeda, selam a indestrutível tradição Soka, na qual pulsa a força e a paixão propulsoras de uma nova era. Junho carimba o passaporte para essa empolgante viagem. Quer fazer parte do CILE? Conheça os planos do clube de leitura e veja qual melhor se encaixa ao seu gosto. PLANO DIAMANTE 1 livro lançamento 1 card colecionável1 resenha sobre o livro do mês 1 brinde especial 1 marcador de páginas PLANO ESMERALDA 1 livro lançamento 1 card colecionável 1 resenha sobre o livro do mês 1 marcador de páginas PLANO OURO1 livro lançamento 1 marcador de páginas Cileiros recebem em junho o livro Revolução Humana, volume 5. Garanta o seu! Assine até 31/05/2023 e receba o kit em sua casa! Veja também o CILE Digital Acesse e leia os livros da Editora Brasil Seikyo em formato digital. Uma plataforma interativa, personalizada e cheia de funcionalidades que vai transformar sua experiência com a leitura! Você contará com uma visualização personalizada da sua estante, poderá acompanhar o avanço de suas leituras, salvar e colocar como favoritos os trechos escolhidos. Conheça agora os planos do CILE Digital, acessando o site: https://ciledigital.brasilseikyo.com.br Foto: BS

25/05/2023

Notícias

Por um mundo sem armas nucleares

O presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, publicou uma proposta intitulada Receita de Esperança para Superar a Crise, tendo em vista a Conferência de Cúpula do G7 (grupo dos sete países mais industrializados) realizada no mês de maio [de 2023] na cidade de Hiroshima. Referindo-se às convicções do Dr. Bernard Lown, cofundador da Associação Internacional de Médicos para a Prevenção da Guerra Nuclear (IPPNW), que desempenhou papel importante no movimento para o fim da Guerra Fria, o Dr. Ikeda examina os meios para encerrar a crise na Ucrânia o mais rápido possível e propõe à cúpula do G7 algumas medidas necessárias para prevenir a ameaça e o uso de armas nucleares. Depois da concretização da “cessação imediata de ataques a infraestruturas críticas e instalações civis”, que foi incluída na resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas em fevereiro [de 2023], ele propõe negociações direcionadas à cessação total dos combates com a participação de representantes da sociedade civil como observadores. Sobre os problemas nucleares, ele apela ao G7 para que tome a iniciativa de discutir a promessa de “não ser o primeiro a utilizar as armas nucleares”, aproveitando a oportunidade para rever a realidade da exposição à radiação nuclear ocasionada pelo bombardeio atômico em Hiroshima. Extraído de artigo publicado no Seikyo Shimbun do dia 27 de abril de 2023. No topo: Em julho do ano passado [2022], a Divisão dos Jovens promove em Hiroshima um encontro para o mútuo aprendizado sobre a tragédia das armas nucleares. Além do encontro com relatos das vítimas da bomba atômica realizado no Museu Memorial da Paz de Hiroshima, os membros da Divisão dos Estudantes ouvem explicações dos voluntários da paz no Parque Memorial da Paz e prometem agir pela construção de um mundo sem armas nucleares Leia mais Se você é assinante digital, veja a íntegra do artigo no aplicativo BS+ e no site www.brasilseikyo.com.br Foto: Seikyo Press

25/05/2023

Grupo Coração do Rei Leão

Relacionamento familiar e a formação das crianças e dos jovens

Antes de terem amigos e relacionamentos afetivos, os filhos se espelham no modo como os pais se relacionam. É em casa que eles aprendem a amar, respeitar, prestar atenção às necessidades dos outros e a se adaptar ao jeito das pessoas com quem convivem. É esperado por eles que os pais se respeitem e saibam resolver conflitos, que ofereçam apoio e proteção, amor e atenção, e os respeitem pelo que eles, filhos, são, sem tecer comparações. Atualmente, é comum ouvir em rodas de conversa que crianças e jovens só querem saber de celulares, tablets, eletrônicos... Será mesmo? Crianças e jovens querem interagir, brincar, encontrar, agrupar. Se na própria casa eles se deparam com adultos que estão ocupados respondendo um “último” WhatsApp, um “último e-mail” e/ou visualizando posts ou postando algo nas redes sociais, dentre outros, restam às crianças e aos jovens ter o eletrônico como melhor amigo, o jogo virtual como parceiro e os vídeos contendo “conselhos/depoimentos”, às vezes inadequados. Tudo isso causa muitos danos à formação e ao desenvolvimento saudável. Por que isso ocorre na maioria dos lares? Estar junto requer esforço. Escutar requer paciência. A atribulação do dia a dia engole os adultos e o ciclo gira sem cessar. Por sermos do Grupo Coração do Rei Leão, temos total condição de interromper esse ciclo. Interromper esse ciclo significa criar estratégias para estar juntos de fato. Por exemplo, realizar pelo menos uma refeição em família sem a presença de eletrônicos nesse momento; providenciar jogos educativos e jogos de tabuleiro que exigem estratégias mesmo simples; promover diálogos; elaborar passeios (em parques, de bicicleta, que incluam práticas esportivas etc.) sem necessariamen­te envolver consumo. Muitas são as possibilidades. No início, pode até causar estranheza, mas o resultado acontece, inclusive com os maiores de idade. Certa vez, em um diálogo, perguntaram ao presidente Ikeda qual a postura dos pais com seus filhos que se sentem sozinhos devido a diversas atividades? A resposta de Ikeda sensei foi a seguinte: A questão é se os pais têm ou não o respeito dos filhos. Espero que os pais ajudem seus filhos a se orgulhar deles, explicando-lhes que estão se empenhando todos os dias pelo bem dos outros e da sociedade. Também é vital que as crianças saibam que seus pais sentem amor por elas, para que compreendam que a razão de seus pais se empenharem tanto deve-se exatamente a esse amor. Espero que os pais tenham consideração por seus filhos. Quando não houver tempo, devemos nos empenhar para deixar lembretes ou telefonar. Devemos também usar a sabedoria e criar tempo de vez em quando para passarmos um dia junto com nossos filhos. Trata-se de fazer com que eles saibam que nós nos preocupamos. O simples fato de olhar nos olhos deles cada manhã e trocar palavras de carinho faz diferença.1 Por fim, como pais e líderes, termos constantemente comprovações oriundas da prática da fé para compartilhar com os filhos. Seguramente, observando o avanço da família, crianças e jovens se sentem impulsionados a participar das atividades e dos grupos horizontais. Sensei afirma: A educação existe para os jovens. Os jovens são o futuro. A educação deve encorajá-los a perceber o potencial inato e a manifestar sua personalidade singular com entusiasmo e vigor. Além disso, deve ensiná-los a defender a dignidade da vida – para si e para os outros – de modo que conduzam uma existência de sublime valor para si e para a sociedade.2 Façamos dos momentos em família o alicerce para um mundo melhor. Cuidem-se! Matéria elaborada pelo Grupo Coração do Rei Leão da Coordenadoria Centro-Leste Paulistana (CCLP) Notas: 1. Brasil Seikyo, ed. 1.569, 26 ago. 2000, p. A3. 2. IKEDA, Daisaku. Educação Soka. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2017. p. 11. Foto: GETTY IMAGES

11/05/2023

Notícias

Correr para o abraço

Planejar, botar a criatividade para funcionar e partir para a ação. Cada um do seu jeito. Aqui, abrimos os destaques da Juventude Soka com o “jeitin” de ser dos integrantes da Sub. Minas Gerais. Desde janeiro, eles vêm nessa firme toada, depois de objetivarem que os jovens da localidade vencerão em todos os aspectos de sua vida. Surge o movimento DJ Running, que propõe uma atuação dividida em etapas. Nos meses de janeiro e fevereiro, foram realizados diálogos entre líderes de Sub. e de RM da Divisão dos Jovens (DJ) para a elaboração dos próximos passos. Em março, ocorreu o intercâmbio entre as localidades da Sub. Minas, envolvendo visitas, encontros, estudos, trilha, tarde de jogos, entre outras atividades pensadas em conjunto, buscando o envolvimento de todos. O movimento foi promovido nos dias 18, 19, 26 e 27 de março pelos jovens e membros da Divisão dos Estudantes (DE), contando com o total apoio da Divisão Sênior (DS) e da Divisão Feminina (DF). “Sem esse esforço conjunto não seria possível realizar tão grandiosa luta”, enfatiza a responsável pela Divisão Feminina de Jovens da Sub., Tamara Grigório. Distância não foi impedimento. Na RM Norte de Minas, para encontrar os jovens e preencher o coração deles de esperança, alguns líderes viajaram mais de 860 quilômetros, ida e volta de BH a Montes Claros. “Foi gratificante demais, realizamos intercâmbio também entre os distritos da RM, com os jovens na linha de frente, tivemos participação de membros e convidados durante o fim de semana”, reforça Laís dos Santos Bispo, responsável pela Divisão Feminina de Jovens (DFJ) da RM. A meta é clara: cobrir cada pedacinho de chão, ou seja, cada uma das RM da Sub. Minas, as quais seguem justamente as nomenclaturas: Norte, Sul, Leste, Oeste, abrangendo ainda a Zona da Mata e o Vale do Aço. “E vamos correr para o abraço”, definem as lideranças. Das visitas e reuniões híbridas, o DJ Running dos jovens mineiros chegou também a atividades ao ar livre. Isabella de Lana Andrade, membro da DFJ da RM Sul de Minas, destaca: “Depois de uma trilha maravilhosa na Universidade Federal de Lavras (UFLA), tivemos a explana­ção da matéria sobre a “unicidade da vida e seu ambiente” (esho-funi). Um aprendizado e tanto”. No total, foram cerca de quatrocentas pessoas abraçadas nessa maratona da esperança. Dessa forma, o DJ Running da Sub. Minas avança em seu propósito de “não soltar a mão de ninguém” e avançar unidos ao ideal do Mestre. E tem mais Juventude Soka pelo Brasil. Confira nas imagens! Vem do Rio Grande do Sul esse destaque, do encontro do Distrito Vale dos Vinhedos a alegria do reencontro presencial na RM Sul de Minas. encontro esportivo agita os jovens da RM Zona da Mata encontro híbrido organizado na RM Norte de Minas No topo: No Rio de Janeiro, Distritos Enseada e Japuíba se unem e promovem vibrante atividade Fotos: Colaboração local

20/04/2023

Relato

Herdeiros da esperança

Eles não vacilam em uma pergunta sequer. Emili, de 16 anos, e Frederico, 10, sabem exatamente o que querem. Os irmãos moram em São Leopoldo, RS, com a mãe, Joselaine Paniz Schmidt, a qual se orgulha de ver os filhos trilharem a mesma estrada dourada que conheceu enquanto jovem e que mudou sua história de vida. Isso faz trinta anos, muito antes de nossos protagonistas Emili e Frederico nascerem. São bastidores que criam o contexto do desenvolvimento que a família experimenta a partir de então. “Uma felicidade que estamos transmitindo de geração a geração, um orgulho sem fim”, emociona-se Joselaine. Ela faz questão de relatar sobre esse início no quadro que preparamos. A jornada de Emili e de Frederi­co vem carregada de inspiração. Fazer acontecer é o lema desses dois expoentes da Divisão dos Estudantes (DE) da BSGI, no mês comemorativo de fundação. Com bom humor e lentes ampliadas, tendo 2030 como foco, eles contam suas vivências. Acompanhe! Eu sou Esperança! Eu me chamo Frederico, podem me chamar de Fred. Tenho 10 anos, irmão da Emili. Tivemos a boa sorte de nascer num lar budista. Minha mãe conta que a minha gestação foi um pouco complicada, mas tudo ficou bem e eu nasci saudável. Minha mãe me carregava para todo lado e quando já podia caminhar livremente, estava eu lá, todo feliz participando do Coral Esperança do Mundo (CEM), no qual fiz muitos amigos. Bem, mas nestes tempos depois da Covid-19 ainda estou decidindo meu novo grupo, sabe. Na Gakkai tudo é muito legal. Nos estudos, já passei por três escolas até agora. Umas legais, outras nem tanto. É que sou canhoto, e muita gente acha isso “diferente” e ainda zomba. Eu sofri bullying nas duas primeiras escolas. Minha família sempre me incentiva para que eu faça o meu melhor e siga em frente. Ao recitar Nam-myoho-renge-kyo, meu coração fica mais forte, eu sinto. Estou numa nova escola, e tem sido bem legal, com amigos e professoras incríveis. Uma delas em especial me ajudou a confiar mais em mim e, mesmo sendo canhoto, posso sim escrever da maneira que eu preferir. Minha mãe diz sempre que somos pessoas de muita boa sorte por termos encontrado o budismo, assim superei o bullying que me fazia sofrer muito. É tirar de letra e continuar sendo muito feliz. Participo das atividades, já aprendi a ler o sutra direitinho, e meu objetivo desde o ano passado é contar um relato em cada atividade. Assim eu tenho feito. Como estudante Soka, aprendi a sonhar. Leiam a matéria até o fim para saber como desejo estar em 2030, hein! A força de um sonho Meu nome é Emili Schmidt, tenho 16 anos. Bem, vamos papear um pouco, começando pelo começo, depois que fiquei maior que um grãozinho de feijão na barriga da minha mãe. Acho que eu estava meio ansiosa pra sair de lá, hehehe, o que me fez ficar sete dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ficaria uns vinte dias internada, mas já nasci surpreendendo a todos com a força do Nam-myoho-renge-kyo, como sempre conta minha mãe. Desde pequena, participei das atividades da Gakkai, tanto que em 2012 comecei a participar do Coral Esperança do Mundo, um grupo que vai ficar guardado pra sempre no meu coração. Depois, ingressei em outro núcleo que deixa meu coração quentinho, o Cerejeira, grupo de bastidor da Divisão Feminina de Jovens (DFJ) que sempre admirei. Sigo até hoje apoiando as atividades Soka aqui da região. Bullying? Viva o companheirismo! Desde pequena, fui vítima de bullying, assim como meu irmão. No meu caso, usavam meu peso e altura como motivo de piadas. Isso foi desde o fundamental, época que também desenvolvi síndrome de pânico, o que me fazia sentir muito medo de ficar sozinha. Era desesperador. O companheirismo e a amizade que criei nos grupos horizontais e nas atividades da Soka Gakkai mudaram minha história, sabe? Comecei também a praticar espor­tes e me dediquei ao taekwondo (arte marcial), o que foi uma válvula de escape para eu me esquecer da escola e da minha situação familiar, porque meus pais decidiram se separar. Mais um desafio para mim. Eu me apaixonei pelo esporte. Mas, por ser um exercício de alto impacto, principalmente nas pernas, comecei a sentir fortes dores nos meus joelhos. Depois de idas e vindas a médicos, desco­brimos que eu tinha problemas de Geno Valgo, que fazia com que meus joelhos fossem virados para dentro, em formato de “tesoura” e tinha diferença de dois centíme­tros de uma perna para outra. Passei por cinco ortopedistas diferen­tes em um ano, e mais um tempo de exames e procedimentos. Como comprovação da prática e boa sorte, não precisei fazer cirurgia. Falei de nossa comprovação familiar em algumas reuniões, com muita gratidão. Profissão que ajude as pessoas Quando a pandemia da Covid-19 estourou, foi um novo momento de testar minha resistência. Como membro da DE, decidi me empenhar mais nos meus estudos. Nessa época, minha mãe havia começado seu curso de técnica em enfermagem, e ao me apro­ximar da área da saúde, surge um grande sonho. Ano passado, 2022, ao entrar no ensino médio, decidi como meu objetivo fazer faculdade de medicina em Harvard, nos Estados Unidos; e quero seguir na área da neurocirurgia. Comecei a estudar para o processo de application [seletivo], mesmo com as pessoas me dizendo que é impossível. Eu me empenho todo dia para melhorar e pesquisar o que posso melhorar. No fim do ano me matriculei num curso de técnico em enfermagem, inspirada pela minha mãe, que se formou em dezembro último. Avanço um pouco, em busca de trabalho. Vem a seleção para vaga numa empresa de plano de saúde, como jovem aprendiz. Fechei o ano 2022 feliz com as vitórias de ir para o meu segundo ano do ensi­no médio, e agora trabalhando, tendo meu dinheiro próprio. Eu me sinto muito vitoriosa. As dificuldades existem para todos, mas quando se tem um sonho, um propósito, a vida ganha nova cor e brilho. E 2023 promete. Quero aproveitar todas as oportunidades para construir um coração forte, e avançar sempre. Assim como o Mestre nos encoraja, conforme trecho deste lindo poema dedicado aos brasileiros: Não faz mal que seja pouco, o que importa é que o avanço de hoje seja maior que o de ontem. Que nossos passos de amanhã sejam mais largos que os de hoje.1 Como vejo o futuro? O que eu quero para 2030 é ser feliz, fazer festa junto com os 100 anos da Soka Gakkai. Meu mestre ficará feliz, pois objetivo me formar na Harvard Medical School. Quero inspirar cada vez mais pessoas, porque se tem uma coisa que aprendi com o presidente Ikeda é que não podemos desistir. Ser feliz sonhando, e fazendo acontecer. E, claro, levar alegria aos outros; o mundo precisa muito disso. Emili Schmidt, 16 anos. Divisão dos Estudantes Herdeiro, RM POA Sul, CRE Sul, CGRE. Com meu mestre, aprendi a sonhar. Um dos meus objetivos até 2030 é fazer a faculdade de gastronomia. Serei um chef famoso. Esta foto que separei para vocês é assim mesmo, em preto e branco, tá? Acho chique, assim como será minha loja de doces e salgados. Ao fazer novos amigos, na escola ou no bairro, penso sempre que eles também possam viver com esperança no coração. Ikeda sensei ficaria feliz comigo, que sou seu sucessor. Frederico Schmidt, 10 anos. Divisão dos Estudantes Esperança, RM POA Sul, CRE Sul, CGRE. Agradecemos, de coração, a cada um dos companheiros do nosso bloco, da comunidade, do distrito; e principalmente a todos da nossa família, pois estamos sempre unidos. E repito que, sim, vale a pena lutar pelos nossos sonhos e não devemos ter vergonha. De nada. Somos únicos e valiosos, como sempre reforça Ikeda sensei para nós, jovens. Encerro por aqui, em nome do meu irmão, da minha mãe e de nossa família, com nossa imensa gratidão. Somos da DE e vamos vencer. Sensei, conte conosco! Nota: 1. RDez, ed. 106, out. 2010, p. 20. Início da prática da família Eu sou Joselaine, mãe da Emili e do Frederico, criados no jardim da Soka Gakkai, com muito orgulho. Isso foi graças à minha mãe, Elaine, que recitou pela primeira vez o Nam-myoho-renge-kyo em 13 de janeiro de 1993, data que marcou o proces­so de revolução de toda a família. O Gohonzon (precioso objeto de devoção) chegou ao nosso lar em 17 de junho de 1995. Eu tinha 8 anos. Na época, passávamos por desafios com a saúde dos meus irmãos Etiane, com problemas mentais, e Danilo, com problemas físicos — uma época muito difícil e conturbada em que comprovamos a veracidade do Nam-myoho-renge-kyo. Os diagnósticos eram sombrios. Etiane, pelos olhos dos médicos, ficaria vegetativa e com várias comorbidades, e Danilo por vezes chegou a ser desenganado da vida; passou por sete cirurgias durante a sua infância. Hoje, minha irmã está com 34 anos, ativa dentro das suas limitações, mas nunca vegetativa, e Danilo, 32, saudável e atuando pelo movimento em prol da paz promovido pela nossa organização, em Minas Gerais. Vencemos a tudo, juntos. Com meus filhos felizes no jardim Soka, já somos três gerações de comprovações, aprendizados e, acima de tudo, união. Muita gratidão a Ikeda sensei, que nos proporciona esse ambiente de puro desenvolvimento. Joselaine Paniz Schmidt, vice-responsável pela Divisão Feminina do Distrito Entre Vales, e responsável pela Divisão Feminina da Comunidade São Leopoldo, RM POA SUL, CRE Sul, CGRE. imagem recente do encontro da família. O tio Danilo faz a selfie, atrás dele está a tia Etiane. Atrás os avôs maternos, Roberto e Elaine; na sequência a mãe, Joselaine, e Emili, tendo à frente o irmão Fred A mãe, Joselaine, se forma em curso na área da saúde, dividindo com os filhos a sonhada conquista A alegria da atividade on-line dos estudantes locais, driblando os desafios do período da pandemia No topo: O abraço dos irmãos Fred e Emili, companheiros de todas as aventuras.Fotos: Arquivo pessoal

20/04/2023

Especial

Triunfo absoluto

Ao procurarmos o significado da palavra “glorioso” em dicionários, encontramos “coberto de glória”, “célebre”, “vencedor”, “que dá glória”, “honroso”. Assim, podemos denominar o Dia 3 de Maio como “glorioso” devido à importância que a data possui. Três de Maio é considerado o ano-novo da Soka Gakkai. Mais que uma data comemorativa, é a oportunidade para reafir­marmos nossos objetivos. Nosso mestre, o presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, em um de seus incentivos sobre a data, frisa: “Cada dia três de maio é um dia para celebrarmos com mais uma vitória memorável e histórica em prol da justiça, conquistada após termos vencido incontáveis obstáculos e dificuldades”.1 Nesta matéria, vamos conhecer um pouco mais sobre os significados do 3 de Maio. Posse de Josei Toda Em 3 de maio de 1951, Josei Toda assumiu como segundo presidente da Soka Gakkai. Passados sete anos da morte de Tsunesaburo Makigu­chi, Toda sensei vinha atuando como diretor-geral da organização. Nesse período, criou-se um movimento de coleta de assinaturas entre os membros para elevá-lo a segundo presidente da Soka Gakkai. Foram 3.080 assinaturas clamando que ele fosse o novo líder. Na cerimônia de nomeação, Toda sensei proferiu, com veemência, seu discurso de posse. Em suas palavras ecoava a forte decisão de realizar o shakukubu — a conversão de 750 mil famílias em todo o Japão. No discurso de posse, ele ainda disse: O shakubuku é o meio para cada um conquistar a felicidade suprema. É, ao mesmo tempo, o caminho direto para o kosen-rufu e o segredo para a prosperidade do país; portanto, é a prática budista ideal. Realizamos o shakubuku para a felicidade da humanidade.2 Posse de Josei Toda como segundo presidente da Soka Gakkai (3 maio 1951)Discípulo sucessor Foi também em 3 de maio, no ano 1960, que Daisaku Ikeda tomou posse como terceiro presidente da Soka Gakkai. Estava com 32 anos. Em meio à tristeza do falecimento do seu mestre, Josei Toda, em 1958, levantou-se só, com forte determinação. Ikeda sensei comenta: Naquele ensolarado 3 de maio de 1960, quando tomei posse como terceiro presidente da Soka Gakkai, iniciei uma batalha solene e eterna. Decidi, assim como meus predecessores, não poupar a vida em prol do kosen-rufu e de nossos companheiros. Lancei-me à luta com a convicção de que o sangue vital da unicidade de mestre e discípulo, da qual a perpetuação do verdadeiro espírito de Nichiren Daishonin dependia, encontrava-se somente nos esforços concretos e abnegados.3 Na Soka Gakkai, o dia 3 de maio, data de posse dos presiden­tes Josei Toda e Daisaku Ikeda, simboliza a unicidade de mestre e discípulo, o espírito primordial do Budismo de Nichiren Daishonin. Assim que assumiu a presi­dência em 3 de maio de 1960, Ikeda sensei viu-se diante de vários de­safios. Ao ocupar uma nova função, os três primeiros meses são decisivos para a vitória. Com esse pensamento, em dois meses como presidente, ele viajou por todo o Japão. Kansai foi a primeira localidade a ser visitada. Lá, a grandiosa vitória na propagação só foi possível porque todos compartilhavam da compreensão correta do shakubuku. Ikeda sensei reestruturou a Soka Gakkai ao mesmo tempo em que a organização crescia. Em 1962, a meta de 3 milhões de famílias foi atingida devido à criação de uma sólida e imensa rede solidária. Tal objetivo foi a primeira etapa da concretização de 10 milhões de famílias integrantes da Soka Gakkai. Assim como Ikeda sensei orienta: “Três de maio é o nosso ponto de partida e também o dia em que fizemos nossa declaração de vitória total. É o grande aniversário que celebra nossos esforços visando a uma era dourada de supremo triunfo e glória espiritual”.4 Luta contra as maldades Em 24 de abril de 1979, Ikeda sensei foi obrigado pelo clero a renunciar à sua função de presidente da Soka Gakkai, tornando-se presidente honorário. O anúncio da destituição foi feito na reunião comemorativa do Dia 3 de Maio daquele ano. Essa decisão foi tomada por ele para proteger os membros e a harmonia entre clero e adeptos. Todos foram proibidos de chamá-lo de sensei, e o jornal Seikyo Shimbun, de mencioná-lo em suas matérias. Nesse dia, Daisaku Ikeda se dirigiu ao Centro Cultural de Kanagawa, onde registrou as caligrafias “Justiça” e “Juramento” e bradou “Vou lutar por eles! Vou me levantar mais uma vez pelos membros!”. Três de Maio — Dia das Mães Soka Durante a 1a Reunião Nacional de Líderes da Divisão Feminina, realizada em 27 de abril de 1988, ocasião que marcava a nova partida da divisão, o presidente Ikeda deu a seguinte sugestão: Quero fazer da data comemorativa mais importante da Soka Gakkai, “Dia 3 de Maio”, o “Dia das Mães da Soka Gakkai”. E sugiro que possamos fazer desse dia, junto com o “Dia da Divisão Feminina”, celebrado em 10 de junho, as datas em que louvamos e homenageamos ao máximo todas as integrantes da Divisão Feminina como verdadeiras “Mães do Kosen-rufu”, reconhecendo o valor dos seus inestimáveis esforços.5 Três de maio é o dia para renovarmos nossa determinação de viver com base no profundo espírito de mestre e discípulo e comprovar o Budismo Nichiren em nossa própria vida, alcançando e vitória absoluta em todos os aspectos, como Ikeda sensei nos direciona: O espírito do Dia 3 de Maio é o juramento compartilhado por mestre e discípulo. Esse juramento pessoal de cada um e as ações que cada um realiza para cumpri-lo são, por excelência, a postura que caracteriza um buda. Enquanto essa data de eterno juramento permanecer como sua base, a Soka Gakkai brilhará com uma inesgotável e infatigável força vital do Buda e continuará a desbravar para sempre o caminho da vitória, livre de quaisquer obstáculos.6 Significados do Dia 3 de Maio Casamento de Ikeda sensei e Sra. Kaneko Três de maio de 1952 foi a data especialmente escolhida por Josei Toda para a realização do casamento de seu discípulo Daisaku Ikeda e a jovem Kaneko Shiraki. Fundação da sede da América do Sul Durante a sua segunda visita ao Brasil, em 1966, Ikeda sensei anunciou a aquisição de um imóvel para a nova sede, que teve sua fundação em 3 de maio. Atualmente, o local abriga a Sede da Divisão Feminina da BSGI. Juramento ao Mestre No dia 3 de maio de 2009, foi realizada a Convenção Cultural dos Jovens Monarcas da Nova Era da BSGI, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Relembrando o dia 16 de março de 1958, quando Josei Toda passou o bastão do kosen-rufu aos jovens, milhares de discípulos firmaram um profundo juramento ao mestre de concretizar todos os sonhos dele. Em sua significativa mensagem, o presidente Ikeda diz: Fazendo do testamento de meu mestre [Josei] Toda de que “não há desventura em se tombar em prol do kosen-rufu” como minha própria decisão, abri o caminho do kosen-rufu mundial a partir do Brasil com 32 anos de idade. E, agora, vocês herdaram esse espírito de mestre e discípulo dignamente como meus heróis Soka do Brasil e sol do kosen-rufu. Estou muito feliz. Não há nada mais tão auspicioso que isso...”7 Levantar dos sucessores Tópicos selecionados de discursos do presidente Ikeda sobre o Dia 3 de Maio Orar pelos membros “‘Um estandarte de glória / E vitória / Tremula com coragem / Sobre a fortaleza de ouro / Do kosen-rufu.’ Esse foi o poema que compus em minha casa em Kobayashi-tyo, no bairro de Ota, no dia 3 de maio de 1960, data em que assumi a terceira presidência da Soka Gakkai. Esses versos foram inspirados por uma intensa oração pela proteção de nossos nobres membros de todos os lugares e pelo eterno triunfo do kosen-rufu pelas três existências”. Brasil Seikyo, ed. 1.779, 15 jan. 2005, p. A3 “Mães do Kosen-rufu” “Três de Maio é também o Dia das Mães da Soka Gakkai. O sincero daimoku de nossas integrantes da Divisão Feminina, em particular, as “Mães do Kosen-rufu”, demoliu todos os obstáculos e forças negativas e abriu o caminho para que escrevêssemos a história da indestrutível glória de Três de Maio.” Brasil Seikyo, ed. 1.752, 19 jun. 2004, p. A3 Espírito de luta “Em 3 de maio de 1951, quando meu mestre Jossei Toda assumiu como segundo presidente da Soka Gakkai, ele anunciou seu objetivo de expandir nossa organização para 750 mil famílias. Foi um objetivo ambicioso que alguns líderes ignoraram, incapazes de levarem-no a sério. Outros ficaram totalmente desnorteados em como conseguir um número tão alto. Eu, no entanto, jurei dar passos concretos a partir daquele exato momento para concretizar o ideal de meu mestre e enfoquei o bloco como o local para realizar essa batalha. Ardia dentro de mim um vigoroso espírito de luta e eu estava determinado a abrir o caminho começando com minha comunidade e trabalhando com energia, alegria e entusiasmo.” Brasil Seikyo, ed. 2.070, 5 fev. 2011, p. A3 Corresponder ao mestre “Foi no dia 3 de maio de 1960 que eu, aos 32 anos, assumi como terceiro presidente. Naquele glorioso aniversário afortunado, com um céu límpido, declarei com vigorosa energia no palco diante de vinte mil membros reunidos no Auditório da Universidade do Japão [na área de Ryogoku, em Tóquio]: ‘Apesar de jovem, a partir de hoje assumirei a liderança como representante dos discípulos do presidente Toda e avançarei com os senhores, um passo após outro, rumo à fundamental concretização do kosen-rufu’. Fui envolvido por uma retumbante e entusiástica salva de palmas. E, como discípulo daquele notável ‘comandante em chefe’ do shakubuku, o presidente Toda, jurei concretizar o objetivo de três milhões de famílias que ele me havia confiado.” Brasil Seikyo, ed. 1.751, 12 jun. 2004, p. A3 Energia vital “O ponto primordial de Três de Maio encontra-se em termos o mesmo sentimento de Daishonin e em tomarmos a iniciativa de propa­gar a Lei Mística, sem temer nenhum tipo de dificuldade ou obstáculo que aparecer pelo caminho. Nós, da Soka Gakkai, sempre comemoramos esse dia renovando nosso juramento e nossa decisão de concretizar o kosen-rufu. Portanto, nossa vida arde com a mesma poderosa energia vital do Buda dos Últimos Dias da Lei.” Brasil Seikyo, ed. 1.779, 15 jan. 2005, p. A3 Leia mais Na edição 2.609 do Brasil Seikyo, de 30 de abril de 2022, veja trechos de ensaio do presidente Ikeda, nos quais ele reflete sobre a importância do 3 de Maio. No topo: Ilustração mostra Daisaku Ikeda em seu discurso de posse como terceiro presidente da Soka Gakkai (Tóquio, 3 maio 1960) Notas: 1. Brasil Seikyo, ed. 1.779, 15 jan. 2005, p. A3. 2. Terceira Civilização, ed. 475, abr. 2008. 3. Idem, ed. 422, out. 2003. 4. Idem, ed. 389, jan. 2001. 5. Brasil Seikyo, ed. 1.985, 2 maio 2009, p. A2. 6. Idem, ed. 1.844, 20 maio 2006, p. A2. 7. RDez, ed. 90, jun. 2009, p. 6. Fotos: Seikyo Press

20/04/2023

Livros

A revolução do coração

Todos os meses, os leitores do Clube de Incentivo à Leitura (CILE) são surpreendidos com o kit especial que vem pelos correios. Trata-se de uma iniciativa da Editora Brasil Seikyo (EBS) de criar uma ponte entre os amantes da leitura e as principais obras e os pensamentos da filosofia humanística. Obras essas que falam ao coração. Na esteira do sucesso do volume 1 da coleção Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz, o CILE reserva o volume 2 do livro, que vem recheado de conteúdos mais que inspiradores em suas 376 páginas. A autoria é do pacifista Dr. Daisaku Ikeda, 95 anos, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI). A trajetória do Dr. Ikeda é o próprio exemplo de quem faz pleno uso da sabedoria, que vai muito além do mero conhecimento e nos permite discernir qual o melhor caminho, a atitude a ser tomada diante das questões da vida, e conquistar uma existência de propósito. Está tudo à mão. Um compilado de discursos, ensaios, palestras e textos do autor, o qual oferece uma leitura que elucida respostas e gera reflexões para importantes situações cotidianas. Como ter uma família harmoniosa? Como não se abalar diante dos ventos furiosos do carma? Como ser um cidadão que faz a diferença na sociedade? Apresentamos alguns apontamentos que os leitores melhor vão desvendar nesse livro de destaque do CILE de maio. Fortaleza interior Tornar-se forte o bastante a ponto de não ser derrotado por nada. Eis o desejo que permeia o universo humano, em especial nos momentos em que as adversidades se agigantam diante de nós. Essa elevada condição de vida, inabalável como uma montanha, pode ser edificada no âmago de cada pessoa. O autor traça em porme­nores o conceito que dá vida a isso: revolução humana. Diferentemente da científica, econômica e outras que surgiram como busca da humanidade por um mundo melhor, a revolução humana centra-se na premissa de que tudo começa com o indivíduo, que, uma vez consciente e empoderado de sua força interior, é capaz de gerar as transformações necessárias para construir a sua felicidade. E irradiar luz a todos ao redor. Fundamentado nos ensinamentos de Nichiren Daishonin, o Dr. Ikeda tem a convicção de que, para mudar o mundo, devemos, portanto, primeiro transformar nosso interior. Na concepção budista, ao transformarmos nosso coração (nossa vida), o ambiente também se transforma. Dessa intuição surgiu o conceito de “revolução humana” que se tornou o esteio do pensamento e da obra do autor. O passado não governa o futuro Em alguns momentos da leitura, surge um alerta crucial aos que vivem do passado. Pessoas que fazem da frustração causada pelas coisas que deixou de fazer, e sofrimentos passados, seu esteio diário. O alento, no entanto, está nas páginas do livro, no qual o autor defende ser o momento presente o que, de fato, importa como causa essencial da vitória. Uma renovada esperança para nos livrar das amarras do carma e conquistar a felicidade a que todos temos direito. Esse é o motivo pelo qual o presidente Ikeda enfatiza a importância de cada momento. E, nessa concepção do bem viver, ele reforça o valioso poder dos encontros de vida a vida, os quais por vezes deixamos passar despercebidos. Aproveitando cada momento como único, somos inspirados com a leitura dessa obra a aproveitar as oportunidades para criar laços de amizade e de companheirismo. Não seria esse o modelo esperado da cidadania global? Em especial, o presidente Ikeda dedica palavras de encorajamento e de força para que construamos uma vida de propósito. Se pílulas de coragem, de determi­nação e de esperança falam direto ao coração, a leitura de Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz, v. 2, se apresenta como indispensável. Use-a sem moderação. Veja aqui os kits de maio para cada plano do CILE PLANO DIAMANTE 1 livro lançamento 1 card colecionável 1 resenha sobre o livro do mês 1 brinde especial 1 marcador de páginas PLANO ESMERALDA 1 livro lançamento 1 card colecionável 1 resenha sobre o livro do mês 1 marcador de páginas PLANO OURO 1 livro lançamento 1 marcador de páginas Quer fazer parte do CILE? Conheça os planos do clube de leitura e veja qual se encaixa melhor ao seu gosto. Cileiros recebem em maio o livro Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz, v. 2. Garanta o seu! Assine até 30/04/2023 e receba o kit em sua casa! Veja também o CILE Digital Acesse e leia os livros da Editora Brasil Seikyo em formato digital. Uma plataforma interativa, personalizada e cheia de funcionalidades que vai transformar sua experiência com a leitura! Você contará com uma visualização personalizada da sua estante, poderá acompanhar o avanço de suas leituras, salvar e colocar como favoritos os trechos escolhidos. Conheça agora os planos do CILE Digital, acessando o site: https://ciledigital.brasilseikyo.com.br/ Foto: BS

20/04/2023

Caderno Nova Revolução Humana

Coragem, esperança e sabedoria

PARTE 61 Na tarde do dia 13 em que ocorreu a visita à Universidade de Moscou, realizou-se o evento “Tarde da Amizade Estudantil Japão-União Soviética”. Ele foi descortinado com o esplêndido desfile dos “Anjos da Paz” da Fuji Kotekitai, realizado no espaço frontal da universidade e depois o palco se transferiu para o Palácio da Cultura da universidade, onde aconteceu o festival da amizade e da paz. O Coral Ginrei da Universidade Soka e os grupos representantes da Divisão Sênior e da Divisão Feminina apresentaram as canções Kurodabushi e Haha, e quando entoaram a famosa canção russa Katyusha, a batida das palmas que acompanhavam a canção ressoou em grande sintonia e todos se tornaram um só. As apresentações da parte da Universidade de Moscou também foram entusiásticas, de piano e orquestra de câmara, coral e dança de músicas tradicionais russas com integrantes vestidos com trajes étnicos. Então, foram cantadas pelos corais de ambas as universidades Shiki no Uta [Canção das Quatro Estações], em japonês, e Yuko no Waltz [Valsa da Amizade], em russo. O coração de todos, japoneses e russos, se fundiu um ao outro magnificamente. O Palácio da Cultura, palco das apresentações, era um local de profunda recordação para Shin’ichi. Foi onde proferiu havia seis anos, em maio de 1975, o discurso intitulado “Um Novo Caminho para o Intercâmbio Cultural do Oriente e do Ocidente”. Nele, enfatizou energicamente que é por meio do intercâmbio cultural que será aberto o “caminho da seda espiritual” que possibilitará a união do mundo, de norte a sul, e de leste a oeste. Agora, diante dos olhos, realizava-se o intercâmbio cultural e de amizade dos jovens japoneses e sovié­ticos, e Shin’ichi sentia que, de fato, estavam para ser estabelecidos os elos do “caminho da seda espiritual”. A cada término de apresentação, ele aplaudia efusivamente, inclinando o corpo para a frente. Na tarde do dia 14 de maio, Shin’ichi e comitiva visitaram o Krem­lin e se encontraram com o primeiro-ministro Nikolai Aleksandrovich Tikhonov. Por esse dia ser o do seu aniversário de 76 anos, Shin’ichi o presenteou com um buquê de flores. Shin’ichi então disse: — Não sou político, exímio economista ou diplomata, mas gostaria de fazer proposições com toda a franqueza. O primeiro-ministro respondeu correspondendo a ele: — Será um prazer! Criou-se um ambiente harmonioso e animado para o diálogo. As pessoas, originalmente, almejam a paz. O que revela e une esses corações formando uma grande rede não são retóricas floreadas nem discursos pomposos sem conteúdo. São diálogos honestos e abertos que acontecem como expressão da mais sincera humanidade. PARTE 62 Shin’ichi Yamamoto disse ao primeiro-ministro Tikhonov: — O grande anseio de toda a humanidade é o fim das guerras. Nesse sentido, imagino quanto as pessoas do mundo inteiro poderão se tranquilizar se o secretário-geral Brejnev e o primeiro-ministro Tikhonov da União Soviética saírem de Moscou, e escolhendo um bom local como a Suíça, realizarem consistentes diálogos com o presidente dos Estados Unidos, e com os líderes da China e do Japão. Em prol da paz mundial, acredito ser importante convocar sem falta conferências de cúpula, empenhar em conversações absolutamente contrárias às guerras, e seguir transmitindo um sentimento de segurança e tranquilidade para toda a humanidade. Shin’ichi também se referiu às relações entre Japão e União Soviética: — Antes de se falar de “tratados” em si, é necessário conhecer o coração dos japoneses e realizar intercâmbios culturais para desenvolver a confiança mútua. E ainda, sem se apegar à grande premissa do passado, é preciso somar esforços diligentes para realizar diálogos entre as cúpulas em que se obtenha a concordância de ambos os povos. Abordando as questões econômicas e comerciais entre os dois países, o primeiro-ministro Tikhonov teceu sua impressão: — Talvez o intercâmbio cultural esteja um passo atrasado. Sua asserção é algo importante. Então, deixou clara sua intenção de continuar os intercâmbios pela paz e pela cultura daquele momento em diante também. Shin’ichi entregou-lhe em mãos uma carta escrita por ele e endereçada ao secretário-geral Brejnev agradecendo o convite para a visita à União Soviética. O presidente Yamamoto havia falado da importância da conferência da cúpula norte-americana e soviética em suas propostas de paz comemorativas do Dia da SGI (26 de janeiro) de 1983 e de 1985. Isso porque muitas pessoas estavam apreensivas com a intensidade dos confrontos entre Estados Unidos e União Soviética. Em 1985, com a ascensão do secretário-geral Mikhail Gorbachev, o leme foi guinado em direção ao término da Guerra Fria. Em novembro desse ano, a Conferência da Cúpula dos Estados Unidos e da União Soviética se tornou realidade, com a participação do presidente norte-americano Ronald Reagan, em Genebra, Suíça, impulsionando o diálogo entre o Leste e o Oeste. Em dezembro de 1989, Gorbachev e o presidente dos Estados Unidos George W. Bush dialogaram na ilha de Malta. Eles puseram fim à Guerra Fria e declararam que ambos os países iriam cooperar entre si e iniciar a construção de uma nova ordem mundial. No ano seguinte, 1990, Shin’ichi encontrou-se com Gorbachev, que havia se tornado o primeiro presiden­te da Rússia. Os dois continuaram a manter a amizade também depois desse encontro, e lançaram juntos a coletânea de diálogos Nijuuisseiki no Seishin no Kyoukun [Lições Morais do Século 20]. PARTE 63 Na noite do dia 14, data em que se encontrou com o primeiro-ministro Nikolai Tikhonov, Shin’ichi Yamamoto ofereceu um jantar de agradecimento no hotel em que estava hospedado, convidando, entre outras, pessoas que atuaram nas atividades e personalidades das diversas esferas da sociedade russa. No dia seguinte, visitou a Casa de Tolstói e o museu situados em Moscou. A residência do grande escritor estava preservada exatamente da forma como fora construída no século 19. Era uma construção de madeira de dois andares e o piso rangia ao ser pisado, fazendo lembrar os tempos antigos. Ele passou os últimos dezenove anos de sua vida nessa casa simples. No escri­tório, havia peças como mesa, cadeira, porta-caneta e tinteiro, exatamente como estavam quando Tolstói era vivo. Ele mesmo cortava as lenhas para pechka (aquecedor russo). Também estava exposto o avental que ele usava quando fazia essa atividade. Foi nessa casa que surgiu sua última grande obra, Ressurreição, e muitas obras-primas. A comitiva seguiu para o Museu Tolstói. No prédio de teto alto que transmitia a solenidade da história, estavam expostas várias redações da época em que Tolstói era estudante do ensino fundamental, além de seu diário, que escreveu por toda a vida, manuscritos de obras como Guerra e Paz e Anna Karenina, esculturas e pinturas dele. Dentre esses itens, o que chamou a atenção de Shin’ichi Yamamo­to foi um peso de papel feito de vidro verde, colocado ao lado de um manuscrito censurado. Nele estavam gravadas muitas assinaturas e palavras que exaltavam Liev Tolstói. Foi um presente oferecido pelos trabalhadores de uma fábrica de vidros. “O senhor teve o mesmo destino que as muitas pessoas grandiosas que foram precursoras de sua época”; “O povo da Rússia o considera como seu nobre e estimado grande homem, e nos orgulharemos disso eternamente”. Enquanto, de um lado, empenhava esforços na salvação do povo que era forçado à pobreza, do outro, Tolstói lutou com a pena contra todas as mentiras e hipocrisias, como da Igreja e do governo corruptos. Por isso, suas obras foram alvo de rigorosa censura, tiveram a publicação interrompida, e ele foi excomungado pela Igreja. Mas o povo enfurecido o protegeu e bradou veementemente pela justiça. O povo desperto soube discernir a farsa dos clérigos e buscou uma religião verdadeira em prol das pessoas simples. A sabedoria do povo seleciona as religiões. PARTE 64 Tolstói continuou a buscar obstinadamente o que seria uma verdadeira religião e uma verdadeira fé. Ele seguiu enxergando “deus” dentro das pessoas. Este não era o “Deus” pregado na Igreja, mas sim o mais elevado espírito humano, um “deus” como cristalização da voz interior da própria pessoa. E em prol da felicidade das pes­soas do mundo, ele pregou a renovação da moralidade humana, a negação da violência e a resistência ao mal por meio da “não resistência”. Essas declarações contrariavam os ensinamentos da Igreja Ortodoxa Russa da época, que estava intimamen­te ligada ao poder estatal. Por esse motivo, não só a obra Ressurreição, como também seus argumentos religiosos como “Onde se Encontra a Minha Fé” e “O Reino de Deus se Encontra dentro de Si” tiveram dificuldades para serem publicados no país, e precisou-se recorrer a impressões clandestinas ou a publicações fora do país. “As vozes de insulto serão recebidas pelas futuras gerações como ecos da glória” — essas são palavras de Victor Hugo que influenciaram significativamente Tolstói. Em meio às árduas tentativas do governo e da Igreja em conter Tolstói, quem o apoiou foi o povo. Com isso, ele concentrou ainda maior louvor e esperança do mundo. Mahatma Gandhi foi uma dessas pessoas que tinha profunda empatia com seus pensamentos e suas ações. A excomunhão da Igreja também produziu um efeito totalmente contrário. Nem o governo nem a Igreja passaram a não mais controlar inadvertidamente Tolstói, que tinha o mundo como aliado. O foco das opressões foi direcionado para os seus discípulos. Vladimir Chertkov foi expulso do país. Pavel Biriukov ficou exilado por oito anos em terras distantes, mas sem jamais se curvar, completou mais tarde a obra biográfica A Vida de Tolstói, com o desejo de deixar registradas a verdade e a grandiosa caminhada do seu mestre. O povo, que apoiava Tolstói, também foi exposto à pressão; pessoas foram presas só por possuírem um livro dele com venda proibida. No entanto, o povo não se abalou. As pessoas sentiram profundamente sua integridade e sua empatia na forma de ser da religião que ele almejava. O valor de uma religião está naquilo que ela proporciona às pessoas. Uma religião em prol das pessoas é aquela que lhes transmite coragem, esperança e sabedoria, fortalece seu coração e lhes possibilita se libertarem dos grilhões de todos os tipos de sofrimento. PARTE 65 Com a visita à casa e ao museu de Tolstói, Shin’ichi Yamamoto se sentiu fortalecido, como se tivesse obtido coragem com o modo de vida do grande escritor. Shin’ichi refletia profundamente sobre as pala­vras deixadas por Tolstói em seu último diário: “Faça aquilo que tem de ser feito, independentemen­te do que aconteça...”. Shin’ichi sentia no âmago de sua vida a missão que deveria desafiar por toda a sua existência: “Paz mundial é kosen-rufu mundial”. A comitiva também conheceu o Pavilhão Espacial do Centro Panrusso de Exposições. Ao observar a exibição, como a dos satélites artificiais, podem-se sentir novamente o empenho e a disposição da União Soviética pela exploração espacial. Shin’ichi Yamamoto relatou suas impressões à pessoa que os acompanhava: — É uma tecnologia extraor­dinária. Por favor, utilize essa elevada capacidade tecnológica e científica em prol da paz e da prosperidade da humanidade. Com certeza as pessoas do mundo inteiro anseiam por isso. O dia 16 de maio era o da conclusão da viagem de oito dias à União Soviética e da entrada na Europa, em direção a Frankfurt, Alemanha Ocidental. Antes de partir, Shin’ichi e comitiva foram convidados pelo ministro Elyutin do Ministério da Educação Especializada do Ensino Fundamen­tal e Médio da União Soviética, e dialogaram navegando pelo canal que liga os rios Moskva e Volga. A conversa a respeito do intercâmbio educacional foi entusiástica. Através das janelas do barco, via-se uma exten­sa e bela paisagem verdejante às margens do canal. Foi por esse canal que Moscou se transformou numa cidade estratégica de grande importância fluvial, ou seja, ela se tornou uma “cidade portuária” que se liga a cinco mares: Branco, Báltico, Cáspio, Azov e Negro. Shin’ichi ponderou que o intercâmbio educacional era semelhante à construção de um canal. Isso porque é uma tarefa que une pessoas que estão separadas por nações e ideologias visando o futuro, e cria “cidades portuárias” de amizade que levam ao grande oceano da paz. A comitiva de Shin’ichi partiu do Aeroporto de Sheremetyevo da cidade de Moscou às 19 horas, após receberem os cumprimentos de despe­dida de personalidades como o reitor Logunov. O sol ainda brilhava cintilantemente em Moscou, cidade do norte, no horário de verão. Banhada pelos raios de luz, a aeronave voou alto para o grande céu. “Muitos companheiros estão me aguardando na Europa!” — assim palpitava com entusiasmo o coração de Shin’ichi. Conclusão do capítulo “Levantando Voo” O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku. Ilustrações: Kenichiro Uchida

23/03/2023

Matéria do Grupo Coração do Rei Leão

Pais e filhos unidos na prática da fé

Neste ano, o tema da SGI é “Ano dos Jovens e do Triunfo”. Isso nos remete ao papel fundamental dos jovens como sucessores do movimento pelo kosen-rufu. A infância e a adolescência são fases de suma importância na formação do adulto. Cabe a nós, pais e responsáveis pelo GCRL, acompanhar e incentivar o desenvolvimento deste jovem. Ikeda sensei orienta: Precisamos ensinar a nossos filhos o espírito de acalentar e proteger a SGI. Espero que os pais criem os filhos de forma que eles realmente amem a SGI. Se os filhos tiverem esse espírito, com certeza serão pessoas excelentes.1 Em outro incentivo, presidente Ikeda direciona incentivos aos pais: No entanto, a questão principal é que tudo é enfim decidido pela fé dos pais. Em particular — e digo isso com base na experiência de centenas de milhares de pes­soas — a fé da mãe é crucial. É isso o que significa “consistência do início ao fim”. “Início” significa a fé dos pais, e “fim”, a fé dos filhos. Essencialmente, não há separação entre as duas. Cabe a nós próprios demonstrarmos o espírito de estimar o Gohonzon e a Soka Gakkai. Enquanto tivermos esse espírito, tudo dará certo até o final. Se os pais praticarem com alegria, e em consequência disso receberem benefícios à medida que avançam, os filhos compreenderão naturalmente. Independentemente do quanto estimarmos, mimarmos e idolatrarmos nossos filhos, será tudo em vão se não conseguirmos ensinar-lhes esse espírito. Os seres humanos decentes não são criados com mimos.2 Queridos integrantes do Grupo Coração do Rei Leão, junto com a liderança jovem da Divisão dos Estudantes, vamos apoiar os pais dos estudantes “estimados sucessores” para que atuem com alegria e orgulho pela própria felicidade e de todas as pessoas por meio da expansão do humanismo Ikeda. Forte abraço! Matéria elaborada pelo Grupo Coração do Rei Leão da CRE Sul Relato familiar Tive um casal de filhos. Desde pequenos, sempre os carreguei comigo nas minhas atividades. Quando atingiram a idade de 6 anos, eu os levei às reuniões dos estudantes e às palestras, os coloquei em um grupo horizontal e sempre dialogava com eles sobre a importância dessas ações. Penso que, na infância, os filhos dependem fisicamente dos pais para comer, se vestir, enfim, para quase tudo. Da mesma forma, na Gakkai, nessa fase, depende mais dos pais se eles devem participar ou não das atividades. Eles manifestam o desejo de ir ou não de acordo com sua vontade física de estar bem ou de receber algum agrado. Não têm ainda o discernimento se será benéfico ou não para o seu futuro. Fazia um bento (lanche) bem gostoso, elogiava o fato de eles participarem e contava histórias de como as reuniões eram interessantes e alegres. E assim meus filhos ingressaram nas bandas musicais da organização. Na adolescência, foi um pouco mais difícil. Meu filho, por exemplo, tinha mais dificuldades de acordar. Recordo-me de, que nesses momentos, ponderava em não ter uma ação radical e punha em prática os incentivos de Ikeda sensei. Com muita paciência, falava sobre cumprir as responsabilidades. Nós dois aprendemos. Houve a necessidade de muito diálogo. Contava os relatos dos jovens que venciam a preguiça, a rotina. Nunca meu marido e eu reclamávamos ou comentávamos sobre nossas dificuldades na prática. Pedia aos líderes para sempre colocá-los na programação das palestras e ensaiávamos juntos. Hoje, minha filha tem 31 anos. Está noiva e seu noivo se converteu ao budismo. Ela atua como vice-responsável pela banda Asas da Paz Kotekitai do Brasil (APKB) da CRE Sul e como responsável pela Divisão dos Estudantes da Subcoordenadoria. Meu filho tem 29 anos. Ele mora na cidade de Auckland, na Nova Zelândia, e atua como responsável pela Divisão dos Estudantes (DE) e pela banda da localidade. Marcia Matsunaga Moriyama, vice-responsável pela Divisão Feminina de Subcoordenadoria Marcia, primeira à dir., com seus familiares: o esposo Gilson, ao lado dela, e os filhos Livia e André Notas: 1. Brasil Seikyo, ed. 1.569, 26 ago. 2000, p. A3. 2. Ibidem. Fotos: GETTY IMAGES / Arquivo pessoal

09/03/2023

Livros

Jardim de flores humanas

Elas são mestres na arte da felicidade. Com um coração no qual cabem a coragem e a esperança do mundo, as mulheres e sua força de vida são as homenageadas neste livro que será entregue pela Editora Brasil Seikyo (EBS) em primeira mão para os assinantes do Clube de Incentivo à Leitura (CILE) em janeiro. A obra segue o sucesso do primeiro volume, Flores da Felicidade, um conjunto de poemas e textos dedicados a revelar o rico potencial do universo feminino. É de autoria do pacifista Dr. Daisaku Ikeda, à frente da Soka Gakkai Internacional (SGI), que reúne em 192 países e territórios mais de 12 milhões de membros, cidadãos comuns voltados para os objetivos de educação, cultura e humanismo. Do alto de seus 95 anos, que completa no início de janeiro, Ikeda vem há décadas oferecendo orientações e incentivos diários para fortalecer e fazer brilhar o coração de todas as mulheres, indistintamente. Sem elas, frisa o autor, a rede de solidariedade e de compaixão que tece os fios da paz a cada instante não seria possível. Elas são as “doutoras do cultivo da felicidade”. Nas quase 150 páginas de Flores da Felicidade, volume 2, Ikeda sensei amplia a afirmação acima, desenvolvendo-a por meio de ensaios, editoriais, poemas e trechos de seus discursos e do romance Nova Revolução Humana. Ele parte do princípio de que “todas as mulheres devem ser felizes” porque elas são as que mais sofrem em um mundo dirigido por homens e que, na realidade, são os principais causadores de tantas guerras. Empatia e autoconfiança são algumas das características que moldam a plenitude, evidenciadas no livro por meio de exemplos de mulheres que fizeram de sua vida exemplos de superação diante dos grilhões do destino. São passagens retratadas em meio a muita poesia e citações inspiradoras, fazendo valer a máxima de que flores humanas desabrocham no rico solo da esperança. Simbologia e sutileza Um cuidadoso trabalho foi dedicado à edição da obra, sutilezas nas cores e escolha das ilustrações. O livro todo é um canto à primavera gerada pela força das mulheres: as flores da felicidade. Elas estão aí, bem próximas de cada um de nós e agora homenageadas com esse lançamento. Um presente do coração, para ler e se encantar. Ótima leitura a todos! Quer mais? E há mais uma novidade a serviço dos amantes da leitura, para ouvir quando quiser. Pelo aplicativo BS+, você encontra o Me Conta, uma série de podcasts que trazem, em forma de conversa, um resumo dos livros publicados pela EBS. Para ouvir um pouco mais sobre o volume 1 de Flores da Felicidade Veja aqui os kits de janeiro para cada plano do CILE PLANO DIAMANTE 1 livro lançamento 1 card colecionável 1 resenha sobre o livro do mês 1 brinde especial 1 marcador de páginas PLANO ESMERALDA 1 livro lançamento ou 1 livro surpresa já publicado pela Editora Brasil Seikyo. 1 card colecionável 1 resenha sobre o livro do mês 1 marcador de páginas PLANO OURO 1 livro lançamento ou 1 livro surpresa já publicado pela Editora Brasil Seikyo. 1 marcador de páginas Você já conhece o CILE? O Clube de Incentivo à Leitura (CILE), da Editora Brasil Seikyo, brinda os leitores todos os meses com lançamentos de obras do Dr. Daisaku Ikeda e de vários autores que compartilham da filosofia do humanismo Soka. No mês de janeiro, os assinantes do plano Diamante do CILE recebem com exclusividade o livro Flores da Felicidade, volume 2. Garanta o seu! Assine até 31/12/2022 e receba o kit em sua casa! E as boas novas não param por aí: Agora, chegou o CILE Digital, para você ler direto no celular ou do computador. Uma inovação que vai surpreender o mundo da leitura. Confira os planos de assinatura no portal: www.cile.com.br ou leia mais sobre esse lançamento na edição 2.623 do Brasil Seikyo.

15/12/2022

Colunista

Famílias multiespécies e o direito animal

No Brasil, estima-se que temos em torno de 55 milhões de cães e mais de 24 milhões de gatos, além de peixes e aves que, juntos, somam 140 milhões de animais de estimação. No distante Japão, o cachorro da raça Akita é considerado “tesouro nacional” e símbolo de dignidade, bravura e devoção. Interessante que o respeitado Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), há dois anos, tenha dedicado sua revista de outubro/novembro de 20201 inteiramente ao tema “Famílias Multiespécies”,2 com abordagens bastante inovadoras. Para a professora Tereza Rodrigues Vieira, entrevistada pela revista, autora do livro Família Multiespécie: Animais de Estimação e Direito,3 “Se, em tantas famílias, os pets são tratados como filhos por seus tutores, é natural que se busque também o ‘melhor interesse’ desses bichos”. A abordagem não é limitada à proteção penal de cães e gatos, como fez a Lei nº 14.064/2020, a “Lei Sansão”, mas a de inserir questionamentos e buscar soluções cruzando-se enfoques interdisciplinares de direito de família, bioética, direito ambiental, direito animal e biodireito. Diante dos crescentes e inegáveis laços afetivos entre os chamados “pets” e os humanos, o que pode ser considerado um fenômeno sociocultural, segundo Tereza Rodrigues Vieira, é de admitir um aprofundamento do conceito de família, nele se incluindo os animais de estimação, fazendo surgir a discussão em torno de famílias multiespécies. Nesse sentido, se os casais, pais humanos de animais, como cães e gatos, se divorciam, é possível discutir-se no Judiciário quanto a guarda, visitas e alimentos. Anos atrás, o IBDFAM formulou o Enunciado nº 11,4 assim redigido: “Na ação destinada a dissolver o casamento ou a união estável, pode o juiz disciplinar a custódia compartilhada do animal de estimação do casal”. Outros questionamentos possíveis de serem feitos: se os pets passam a integrar o conceito ampliado de família, poderia o animal ser penhorado para garantia de dívida de seu tutor? Seria possível o abono da falta no trabalho, em caso de ida do empregado-tutor ao veterinário para socorrer seu pet? O direito brasileiro tradicionalmente considera a pessoa humana como o titular de direito e o animal como mero objeto do direito (teoria antropocêntrica). O Brasil é signatário da Declaração Universal dos Direito dos Animais, da Unesco, de 1978. Mas nosso Código Civil, de 2002, diferentemente das legislações alemã, suíça e austríaca, considera os animais como “coisas”, ou seja, objetos de direito. O Judiciário paulista determina às autoridades de saúde fornecer a crianças com autismo tratamento de equoterapia, método que emprega cavalos para estimular a sociabilidade. O Enunciado nº 11, já mencionado, deu origem ao Projeto de Lei do Senado nº 542/2018. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no mesmo ano de 2018, confirmou decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, determinando que, com a separação, a cachorra Yorkshire do casal ficasse com a ex-companheira.5 O assunto avança no meio forense brasileiro. Bem a propósito e de forma muito atual, a nova e importante Carta da Soka Gakkai,6 aprovada em 2021, além de dispor no preâmbulo sobre “respeito pela dignidade da vida” e “respeito pela dignidade humana”, traz no primeiro de seus artigos referência ao “ensinamento budista de respeito à dignidade de todas as formas de vida”. Jorge Kuranaka Procurador do Estado, mestre em direito. É vice-coordenador da Coordenadoria Norte-Oeste Paulista (CNOP) e consultor do Departamento de Juristas da BSGI Notas: 1. Revista IBDFAM, ed. 53. Disponível em: https://ibdfam.org.br/publicacoes/revista-ibdfam. Acesso em: 29 nov. 2022. 2. Família multiespécie: “É a família formada pelo vínculo afetivo constituído entre seres humanos e animais de estimação”, segundo Rodrigues da Cunha Pereira (Dicionário de Direito de Família e Sucessões. São Paulo: Editora Saraiva, 2017). 3. VIEIRA, Tereza Rodrigues; SILVA, Camilo Henrique. Família Multiespécie: Animais de Estimação e Direito. Zakarewicz Editora, 2020. 4. Aprovado durante o X Congresso Brasileiro de Direito de Família. 5. STJ — Resp.: 1713167SP217/0239804-9. DJe 09.10.2018. 6. Terceira Civilização, ed. 650, out. 2022, p. 8-9. Foto: Viváglio Kawano / GETTY IMAGES

08/12/2022

Notícias

Ambiente que acolhe

Distantes pouco mais de cem quilômetros da capital paulista, encontram-se os municípios de Sumaré e de Nova Odessa, que, juntos, integram o Distrito Sumaré, RM Americana. Nessa organização de base da BSGI [Distrito Sumaré], destaque da edição, o cuidado de prezar cada pessoa, com apoio e abraço em todos os momentos e com a união, gera um ambiente caloroso e de resultados. “O mundo se transforma a partir do ato de ‘encontrar-se’”.1 O título é de poema de autoria do presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda. Foi publicado na primeira edição física do Brasil Seikyo, em maio deste ano, após o período crítico de três anos de distanciamento imposto pela pandemia da Covid-19. As lideranças locais do Distrito Sumaré se unem ainda mais em torno das palavras do Mestre e apoiam os blocos para o reencontro tão aguardado. O Bloco Nova Odessa, pertencente à comunidade de mesmo nome, foi o primeiro. A expectativa era tanta e, assim que os encontros presenciais foram liberados pela organização, todos se uniram na recitação do daimoku, vida a vida, em uníssono. O encontro fez a alegria da dona de casa Maria Zilda Alcântara, 71 anos, membro da DF do bloco. Ela, que não estava participando das reuniões on-line pela dificuldade de uso de aplicativo, conta: “Se não fosse o daimoku, não teria conseguido suportar a fase da pandemia, que me trouxe muito medo. Eu me sinto renovada agora nesse retorno”. Maria Zilda relata ainda que, ao sentir falta das reuniões presenciais, se agarrou à leitura dos incentivos de Ikeda sensei. “Fiquei emocionada com a surpresa da edição especial do Brasil Seikyo que recebemos. Minhas paixões são o BS e a revista Terceira Civilização, os quais não deixo de assinar, desafiando as adversidades financeiras. Leio tudo, não deixo nada para trás”, enfatiza Maria Zilda, que fez questão de a primeira reunião de recitação do daimoku ser realizada em sua residência. Outro bloco da Comunidade Nova Odessa que se organizou para a reunião de palestra presencial foi o Bela Vista. Nem se cogitou transmissão on-line, pois o desejo era mesmo de um abraço; e com a confirmação de todos para o grande dia, o objetivo se concretizou. Companheirismo A união de forças e os incentivos contagiantes se fizeram presentes também no encontro da Comunidade Rebouças. Durante o período pandêmico, revelam os líderes, alguns veteranos enfrentaram problemas de saúde grave e, mesmo com dificuldades de mobilidade ou em fase de recupera­ção, com apoio dos familiares e amigos da comunidade, não hesitaram em participar do encontro presencial. “Era nítido o semblante de vitória, de felicidade e de gratidão dos participantes desses maravilhosos reencontros”, salienta Ozéias Fernando Coelho, líder da comunidade. O ambiente Soka de pleno acolhimento é cada vez mais fortalecido, frisam as lideranças locais. Recentemente, faleceu uma veterana da localidade e a filha dela, que nos últimos anos se dedicava aos cuidados da mãe, sentiu-se abraçada pelos amigos da Gakkai. Em gratidão à história e à luta da mãe, renovou decisão e está realizando a prática diária do Nam-myoho-renge-kyo e participando das reuniões. “A cada encontro, a gente percebe quão importante é esse movimento da Soka Gakkai de apoiar e proteger as pessoas que sofrem. A luta na base é revigorante”, ressalta a responsável pela Divisão Feminina (DF) do Distrito, Kelly Akamine. No fortalecimento dos companheiros por meio da entrega do BS e da TC, das visitas de incentivo e das atividades presenciais, os membros do Distrito Sumaré avançam de forma gradativa, espontânea e segura, com o uso de máscara e os devidos cuidados aos detalhes nos locais de realização das reuniões. As lideranças optam por disponibilizar a transmissão remota das atividades presenciais, respei­tando a necessidade dos membros que não podem comparecer. “Compreendemos que as pessoas querem se reencontrar e que estamos vivenciando desafios em uma nova realidade. É um momento em que não podemos perder a oportunidade de estar com as pessoas. Nosso maior desejo é abraçar a todos, não deixar ninguém de fora, e que possamos participar com alegria e conquistar a vitória juntos.” Visualizando 2023 e rumo a 2030, renovam a disposição de “incentivar os companheiros para o avanço na expansão do kosen-rufu da localidade, sempre prezando cada pessoa”. Momentos das atividades presenciais e híbridas realizadas nos blocos e comunidades do Distrito Sumaré. Membros recebem o BS físico Nota: 1. Brasil Seikyo, ed. 2.610, 14 maio 2022, p. 3. Fotos: Colaboração local

24/11/2022

RDez no BS

Façam uma nova determinação e desafiem-se a cada dia!

Série de incentivos escrita pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, para a Divisão dos Estudantes Futuro Vocês sabem quando é o aniversário da Soka Gakkai? Isso mesmo, é no dia 18 de novembro. Este ano [texto originalmente publicado em 2020] marca os 90 anos1 da nossa organização, fundada em 1930 pelos presidentes Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda. A cada ano, a Soka Gakkai progride e se torna mais forte. Isso porque o espírito Soka nos permite criar valor e crescer livremente. A vida de vocês também avança todos os dias. Mesmo quando estão frustrados ou desencorajados, se recitarem Nam-myoho-renge-kyo com uma nova determinação, poderão recomeçar com um novo frescor. O espírito de nunca ser derrotado é o espírito da Soka Gakkai! Repletos de esperança e de otimismo e visando o centenário da Soka Gakkai em 2030, por favor, continuem se desafiando como se cada dia fosse o seu aniversário! Fonte: Traduzido e adaptado da série “Rumo a 2030: Dedico aos Radiantes Faróis da Esperança” da edição de novembro de 2020 da Boys and Girls Hope News, publicação mensal da Soka Gakkai voltada para a Divisão dos Estudantes Futuro. Nota: 1. Neste mês de 2022, a Soka Gakkai completa 92 anos. Fique por dentro da edição de novembro! No Mural RDez deste mês, você vai conhecer Estudantes que decidiram plantar sementes. Confira o resultado. Como você lida com o estresse e a ansiedade? Na Matéria do Mês, descubra como lidar com as emoções e como o budismo pode ajudá-lo nisso. Na Entrevista, três Estudantes medalhistas em competições escolares compartilham suas vitórias. Se você é assinante do plano digital completo ou da RDez, confira esses e outros conteúdos da edição de novembro. www.brasilseikyo.com.br/home/rdez Passatempo Respostas

24/11/2022

Matéria Grupo Coração do Rei Leão

Comunicação afetiva

Comunicar-se é expressar-se por meio de palavras, gestos, atos, enviar comunicação escrita, entrar em entendimento.1 Será que estamos nos comunicando com a juventude Soka? Como poderíamos conseguir isso? Basicamente, a comunicação é estabelecida quando enviamos uma mensagem e recebemos outra em resposta. Contudo, isso só acontece se o conteúdo for entendido. Este é o nosso desafio: encontrar o meio e a forma de estabelecer um diálogo com os jovens e os estudantes. Entender as diferenças de gerações pode nos ajudar A juventude Soka, hoje, é composta por jovens da geração Y, nascidos de 1981 a 1999, junto com a internet, os quais são conectados e mais individualistas; os da geração Z, nascidos a partir de 2000, chamados “nativos digitais”, desconhecem o mundo sem computadores; e os da geração Alpha, nascidos a partir de 2010. Esses jovens, de diferentes épocas, têm formas distintas de escolher e realizar o trabalho, de falar, inclusive as gírias, e de pensar. O que nos leva a concluir que precisamos diversificar nossa maneira de nos comunicar.2 Recordando o princípio da “cerejeira, ameixeira, pessegueiro e damasqueiro”,3 vamos considerar cada indivíduo como único, respeitando-o da forma como ele é, e sintonizar nosso coração ao dele. Assim como o presidente Ikeda nos mostra no poema a seguir: Por que se inicia uma conversa? É para tornar feliz a pessoa diante de seus olhos.4 Seria este o desafio de nos conectar com a juventude Soka? Fazê-la feliz!? Maria Inês Mateus, pós-graduada em psicologia social e das organizações, no artigo Comunicar com Jovens, ressalta a importância de um retorno imediato, considerando que os jovens valorizam feedbacks rápidos. Diz ainda que a mensagem tem de ser clara, com frases curtas e palavras simples, mantendo o olhar durante a comunicação.5 Em uma explanação,6 Ikeda sensei conta uma história do capítulo 27, “Os Feitos Iniciais do Rei Adorno Magnífico”, do Sutra do Lótus. Resumindo, o rei e sua esposa, a rainha Virtude Pura, tinham dois filhos, os jovens príncipes Acervo Puro e Visão Pura. Os príncipes abraçaram os ensinamentos do Buda e resolveram falar com os pais sobre o Sutra do Lótus. Ao conversarem com a mãe, ela achou pouco provável que o pai desejasse ouvir os ensinamentos do Buda, mas os incentivou a persuadi-lo desempenhando vários tipos de proezas sobrenaturais. Os príncipes realizaram muitas façanhas prodigiosas, como andar e reclinar em pleno ar e produzir água e fogo com o corpo. Observando essas “proezas sobrenaturais”, o rei Adorno Magnífico exultou e solicitou aos filhos que o levassem ao mestre deles, o Buda.7 O presidente Ikeda conclui que, hoje, demonstrar provas da nossa revolução humana indivi­dual equivale à exibição das “proezas sobrenaturais” dos dois príncipes. Refletindo sobre essa história, vemos que os filhos estabeleceram a comunicação por meio de ações. Como pais, avós, responsáveis ou líderes da juventude Soka, precisamos nos comunicar com eles de forma integral, além de palavras, faladas ou escritas, pessoalmen­te ou via web. Nosso exemplo, nossa revolução humana e nossas “proezas sobrenaturais” são o que tocam e movem os corações. Um caloroso abraço! Grupo Coração do Rei Leão da BSGI Notas: 1. https://www.sinonimos.com.br/ 2. Cf. RDez, ed. 192, dez. 2017, p. 16. 3. Nichiren Daishonin menciona a importância da individualidade no Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente: “Sem mudarem nada na sua entidade individual, tal como as características próprias da cerejeira, do damasqueiro, do pessegueiro e da ameixeira, abre-se o aspecto do buda eternamente dotado com os três corpos” (The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 200). 4. Brasil Seikyo, ed. 2.599, 12 fev. 2022, p. 3. 5. https://www.faroldomonte.com/comunicar-com-jovens/ 6. Terceira Civilização, ed. 650, out. 2022, p. 50. 7. Cf. Lotus Sutra and its Opening and Closing Sutras [Sutra do Lótus e seus Capítulos de Abertura e Conclusão]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, cap. 27, p. 354-355. Foto: GETTY IMAGES

10/11/2022

Livros

A força das palavras

Amizade, esperança, afeto. Não há refúgio da alma que não seja invadida por palavras sábias e generosas, que trazem à luz sentimentos verdadeiros. Imagine um conjunto delas, separadas por temas e das quais se pode lançar mão a qualquer momento, para se incentivar ou enviar a alguém que precise desse gesto nobre que as letras proporcionam. Estamos falando do poder da palavra em dose dupla com os lançamentos da Editora Brasil Seikyo (EBS), que o Clube de Incentivo à Leitura (CILE) entrega para seus assinantes em novembro. Citações de Daisaku Ikeda compõem o primeiro título, 128 páginas, com extratos selecionados de quatrocentos diálogos realizados pelo presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, pacifista que completa 95 anos em janeiro próximo. Um mestre da sabedoria, em seu esforço de se encontrar com personalidades do conhecimento humano e de criar ondas de diálogos pela paz. A seleção de citações foi proposta e realizada pela editora japonesa Chuo Koron Shinsha sobre cem temas referidos nos discursos e diálogos do presidente Ikeda. Um trabalho e tanto. Para o autor, as palavras são a voz do coração e do pensamento. Os temas da obra tratam de questões como trabalho, bullying, modo de viver, ideologia, filosofia, nacionalismo, diálogo inter-religioso, arte, discriminação, direitos humanos, meio ambiente, entre outros. No prefácio do livro, Ikeda sensei nos alerta: “A transformação da sociedade ou de um país se inicia do momento em que cada cidadão se torna sábio, sensato e promove uma mudança a partir de si mesmo”. O hábito comum de leitores de todas as gerações é buscar o olhar da sabedoria de filósofos e pensadores, aquela que gravamos no nosso diário, compartilhamos ou guardamos para a eternidade. Resultado do legado de vida de célebres imortais que fazem a história. O livro Citações de Daisaku Ikeda cumpre esse papel de forma honrosa. Cabe a cada um de nós decidir se deseja beber dessa fonte. Você já conhece o CILE? O Clube de Incentivo à Leitura (CILE), da Editora Brasil Seikyo, brinda os leitores todos os meses com lançamentos de obras do Dr. Daisaku Ikeda e de vários autores que compartilham da filosofia do humanismo Soka. No mês de novembro, os assinantes do plano Diamante do CILE recebem com exclusividade o livro Citações de Daisaku Ikeda, que vem acompanhado nesse mês de Incentivos das Quatro Estações. Garanta o seu! Assine até 31/10/22 e receba o kit em sua casa! Confira no portal: www.cile.com.br Foto: BS

20/10/2022

Reflexões sobre Cidadania

A construção do humanismo se inicia na mente

Os seres humanos são sociologicamente reconhecidos como seres sociais — isso quer dizer que, desde bebês, somos acostumados a estar em contato constante com outros seres humanos. Esse contato é fundamental para conseguirmos os elementos básicos para nossa sobrevivência e para aprendermos, por meio de variadas e reiteradas interações, os comportamentos comuns à vida em sociedade. Entretanto, durante toda a constituição da humanidade, as formas de organização social foram muito diversas e, com elas, ocorriam também conflitos acerca da “correta” maneira de se organizar conjuntamente. Os conflitos, por vezes, pareciam irreconciliáveis, ocasionando uma escalada de violência entre aqueles que possuíam visões distintas. Mas e você? Como reage ao perceber que discordar de alguém pode levar a desentendimentos sérios? Na Proposta de Paz de 2014, Ikeda sensei nos alertou: Quando existe, dentro de outro grupo, quem se guie pela intolerância e a violência, as coisas se complicam, acelera a espiral de ódio, passamos a ver todo o grupo como nosso inimigo. O que precisamos fazer é nos unir, apesar das nossas diferenças, para formar uma oposição clara e universal a todos os atos de violência e intolerância. O trabalho da SGI por uma cultura de paz e de direitos humanos — metas fixadas pela ONU — surge da nossa convicção de que todos podem fazer a sua parte pela conquista desse ideal.2 Pertencemos a uma organização religiosa cujo nome é composto pela palavra japonesa “Soka”, que significa literalmente “criação de valor”. O objetivo central da Soka Gakkai é fortalecer genuínos cidadãos que, em suas distintas áreas de atuação na sociedade, têm a oportunidade de demonstrar as ações de verdadeiros humanistas. Tais ações implicam, necessariamente, dialogar de forma pacífica com pessoas que discordem de nós; assim como Ikeda sensei fez em inúmeras ocasiões. Como conhecedores e herdeiros do legado de Nichiren Daishonin e discípulos de Daisaku Ikeda, devemos estar cientes de que a pluralidade de ideias é algo que sempre estará presente quando escolhemos viver em sociedade. Entretanto, para que seja possível conviver de forma pacífica nessa mesma sociedade, precisamos aprender a nos colocar no lugar do outro e criar pontes que nos liguem, independentemente de discordâncias, que podem ser ultrapassadas em nome da paz. No livro recém-publicado O Pastor Batista e seu Mestre Budista,3 narra-se um episódio da vida de Martin Luther King Jr., no qual este, logo após ser abordado por um homem violento que acabara de lhe reconhecer, recebeu, de maneira inesperada, uma cusparada no rosto. Ao contrário do que se imagina, a reação do Dr. King não foi a de retribuir da mesma forma a violência recebida, mas, sim, a de limpar o rosto com um lenço e entregá-lo ao agressor. A atitude do Dr. King revela uma surpreendente capacidade de autocontrole e resiliência, alicerçados em sua crença na humanidade de cada indivíduo, inclusive, de seus oponentes. No budismo, entendemos que a verdadeira forma de promover a mudança social não é apenas mudando leis injustas, mas garantindo que cada indivíduo realize a sua revolução humana. Numa época conturbada, é imprescindível que nos esforcemos para cultivar a “mente iluminada do buda”, pois é a mente de cada indivíduo que determinará a causa para o que vivemos hoje e viveremos no futuro. O conceito budista de “unicidade da vida e seu ambiente” (esho-funi) traduz muito bem essa questão: nossa vida diária está essencialmente ligada ao ambiente em que estamos inseridos, ou seja, no trabalho, na família, com amigos e na Soka Gakkai, de modo que sempre estaremos unidos. Por isso, apartar-se de ambientes onde estejam aqueles que não compartilham das mesmas ideias que nós pode dificultar cada vez mais o objetivo de construção da paz ou, como ensinado por Nichiren Daishonin, o espírito da “pacificação da terra”. Ikeda sensei nos exemplifica sobre qual deve ser nossa postura a partir do conceito de caminho do meio: Quando cada um de nós considera os que serão afetados por nossas ações e reflete sobre o peso de nossa responsabilidade, revela-se o nosso verdadeiro eu para o desenvolvimento do nosso humanismo. Com esta atitude, podemos, cada vez mais, explorar o significado e o papel dos sistemas políticos e econômicos e dar condições à sociedade para a sua reumanização. Este é o dinamismo essencial do caminho do meio.4 Assim, compreendendo a importância do caminho do meio como chave para nossas ações, vamos nos empenhar para adquirir uma mente iluminada capaz de contribuir verdadeiramente para a paz e para o respeito mútuo. Notas: 1. Comissão de Estudos sobre Consciência Política da BSGI: Grupo criado para a pesquisa e a produção de materiais que versam sobre cidadania e política à luz dos princípios budistas, dos escritos de Nichiren Daishonin e das publicações oficiais da Editora Brasil Seikyo. 2. Terceira Civilização, ed. 549, maio 2014, p. 22. 3. Cf. IKEDA, Daisaku. O Pastor Batista e seu Mestre Budista. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2020. p. 111. 4. Terceira Civilização, ed. 561, maio 2015, p. 22. Ilustração: GETTY IMAGES

06/10/2022

Livros

Páginas da vida

Quais desafios um homem notável tem de enfrentar para cumprir sua missão? Esse é um dos questionamentos naturais das pessoas que aos poucos vão se desvendando no decorrer da leitura de um livro de memórias. A obra Minhas Recordações chega em outubro para os leitores do Clube de Incentivo à Leitura (CILE), iniciativa da Editora Brasil Seikyo que se propõe a unir os ávidos por boas histórias e por viagens ao mundo do conhecimento humanístico. O personagem central é o pacifista Daisaku Ikeda, 94 anos, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI). Esta é uma obra sensível, que convida os leitores a conhecer o universo de sentimentos, percepções e visão de mundo do protagonista, desenhados desde a infância. Lembranças do trabalho, da família na produção de algas do tipo nori, da saúde frágil e das palavras e atitudes carinhosas da mãe e da integridade do seu pai, conhecido como “Sr. Teimoso”, fortaleceram o seu “eu” inicial. Uma narrativa recheada de recordações significativas e de surpresas para os que, de alguma forma, já conheciam parte de sua jornada. A juventude é sofrida, marcada pelos horrores da Segunda Guerra Mundial, mas ganha alento em seu desejo ardente pela leitura. Dentre a lis­ta de títulos, encontram-se clássicos da literatura mundial, o que proporcionou a Daisaku viajar pelo mundo do conhecimento dos que vieram antes. Hábito que gerou forte influência em sua missão de escrever, abraçada por ele até os dias atuais. O livro evidencia um ponto marcante de sua trajetória, o encontro com seu mestre, Josei Toda, que sedimenta no coração do jovem Daisaku a determinação de transformar um mundo de guerra em um mundo de paz. Sua formação se dá em meio ao dia a dia, o que ele denomina de “Universidade Toda”. O objetivo de servir à humanidade por meio da propagação da filosofia da esperança do Budismo Nichiren torna-se um divisor de águas em sua vida, polida pelo seu professor da sabedoria. Ao lado do mestre, o protagonista vivencia os desafios e avanços na profissão, a reconstrução da Soka Gakkai, o empenho de substituir Josei Toda após a morte deste e de levar a paz para o mundo. Missão e legado que carrega sem medir esforço, passos que divide com os leitores. Tudo isso em meio a narrativas que trazem também o contexto social da época. Bastidores que oferecem um guia de vida baseado num nobre propósito, sem perder as características próprias. E depois de dialogar com os principais pensadores do planeta e de produzir uma vasta obra, Daisaku Ikeda se dedica ao seu último grande empreendimento: a educação. Em Minhas Recordações, expectativas vibrantes. Um passado que se faz presente na história de milhões de pessoas, favorecidas pelas ações empreendedoras desse humanista à frente do seu tempo. Exemplo de vida. Uma obra agora disponível para todos. O Clube de Incentivo à Leitura (CILE) da Editora Brasil Seikyo traz todos os meses lançamentos de obras do Dr. Daisaku Ikeda e de vários autores que compartilham da filosofia do humanismo Soka. No mês de outubro próximo, os assinantes do plano Diamante do CILE recebem com exclusividade o livro Minhas Recordações. Garanta o seu! Assine até 30/09/22 e receba o kit em sua casa! Confira no portal: www.cile.com.br Foto: BS

22/09/2022

Errata

Errata

Diferentemente do publicado na ed. 2.618, de 10 de setembro de 2022, p. 15, a foto da Convenção Comemorativa dos 75 Anos de Conversão do Presidente Ikeda e do Dia da Divisão Sênior, realizada pela RM Londrina Norte, é esta ao lado. A foto publicada anteriomente é do Encontro com o Mestre da RM Londrina Centro, realizado em 7 de maio deste ano.

22/09/2022

Grupo coração do rei leão

A importância de ensinar os valores Soka desde cedo

Diante de um mundo cheio de desigualdades, intolerância, violência e tantos outros males, nós nos preocupamos com o futuro de nossas crianças e jovens. Como podemos conduzi-los a um caminho seguro e esperançoso? Podemos fazer isso lhes ensinando os valores Soka fundamentados no Budismo Nichiren, a filosofia do mais elevado respeito à dignidade da vida. O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, afirma: Uma religião grandiosa cria elevada cultura. (...) O kosen-rufu é um sublime empreendimento para transformar o mundo num jardim de flores da paz e da cultura, regado pela revolução humana de cada um que exerce o papel de protagonista na edificação do bem-estar social.1 Por meio das atividades da BSGI, dialogamos, estudamos e cultivamos os mais nobres valores da vida com vistas a criar uma sociedade que respeite as diferenças entre as pessoas. Os valores Soka, tais como coragem, sinceridade, cordialidade, alegria, honestidade, sabedoria, esperança e disposição para dialogar, nos inspiram a vencer infalivelmente e a incentivar outras pessoas em meio à realidade cotidiana. A Soka Gakkai promove atividades visando a paz, cultura e educação com foco no desenvolvimento do pleno potencial de cada indivíduo. As crianças, por exemplo, possuem valores inestimáveis e, quando direcionadas para ambientes de interação e de respeito, se transformam em jovens brilhantes. No lar, a postura dos pais é fundamental para a transmissão dos valores Soka aos filhos. O casal Ikeda é um exemplo com o qual podemos aprender sobre isso. Apesar de inúmeros compromissos e responsabilidades, o presidente Ikeda sempre encontrava uma forma de se fazer presente na educação e na vida dos filhos. Há vários episódios a esse respei­to relatados no romance Nova Revolução Humana, como o que apresentamos a seguir: Mesmo percorrendo todo o país, ele [Shin’ichi Yamamoto, pseudônimo de Daisaku Ikeda] jamais se esqueceu de enviar cartões-postais de cada localidade para seus filhos. Os textos eram simples, muitas vezes apenas informando onde estava e aonde iria no dia seguinte. Porém, jamais enviou um cartão endereçado a todos; sempre fez questão de remeter um postal para cada um de seus filhos.2 Certa vez, Ikeda sensei tirou as portas do armário onde guardava uma grande quantidade de livros, deixando os títulos de lombada à vista. Quando percebeu o rosto surpreso de Mineko [pseudônimo de Kaneko Ikeda], ele disse: Se as crianças crescerem vendo esses títulos, criarão o interesse e ficarão familiarizadas com os livros, sem nenhuma resistência. Elas não vão lê-los por enquanto, porém, ter ou não livros em casa cria uma grande diferença na formação psicológica dos filhos.3 Uma das coisas com a qual Shin’ichi mais se preocupava como pai era cumprir sem falta sua promessa. (…) Mesmo que surjam imprevistos que impeçam algum compromisso, o esforço em tentar cumpri-lo de alguma forma toca certamente o coração dos filhos. É essa lealdade que constrói os laços de confiança.4 Em seu livro, a Sra. Kaneko Ikeda nos compartilha: Mesmo depois de sua posse como presidente, quando ele tinha algum tempo disponível para ficar em casa, brincava com os filhos, lutava sumô, tentava pegar peixinhos com rede de papel e meu lar ficava cheio de alegria.5 Por sua vez, ela sempre estimulou a prática da fé dos filhos sem se valer da rigidez, como podemos observar: Todas as manhãs, iniciávamos o gongyo às 7 horas. Quando um deles não aparecia, tocava uma campainha para chamá-lo. Às vezes, acontecia de um deles dormir até mais tarde e sair para a escola sem fazer o gongyo. Nessa hora, em vez de chamar a atenção dele, procurava sorrir e fazer com que saísse de casa bem disposto. (…) Eu dizia: “Não se preocupe. Mamãe vai orar também por você.6 Podemos notar nessas passagens que a figura do pai e o sorriso benevolente da mãe se tornaram o sol que irradiou a luz Soka e iluminou o futuro dos filhos. Sejamos nós também, pais e responsáveis pelo Grupo Coração do Rei Leão, esse sol que ilumina os caminhos das crianças e dos jovens — nossos níveis Futuro, Esperança e Herdeiro. Carinhoso abraço! Grupo Coração do Rei Leão da BSGI Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 7, p. 13, 2012. 2. Ibidem, v. 2, p. 274. 3. Ibidem, p. 273. 4. Ibidem, p. 275. 5. Kaneko — Seu Sorriso, Sua Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2006. p. 87. 6. Ibidem, p. 82. FOTO: GETTY IMAGES

08/09/2022

Colunista

Banco de horas

Na relação de emprego, em geral, já se ajusta entre as partes a duração diária e semanal da jornada de trabalho. Mas, quando há a necessidade de ultrapas­sar essa duração normal da jornada, surgem as horas extras, as quais podem ser remuneradas ou compensadas com horas e dias de folga, neste último caso, por força de autorização constitucional e da Consolidação das Leis do Trabalho, que instituíram o banco de horas. É natural e corriqueiro surgirem dúvidas sobre o instituto de compensação de jornada chamado “banco de horas”, principalmente porque, nos últimos anos, houve alteração nas regras que balizam a legalidade da implantação e utilização desse tipo de contraprestação de horas extras. Antigamente, o conhecido banco de horas só poderia ser insti­tuído por meio de normas coletivas firmadas com os sindicatos, e a prestação de horas extras habituais invalidavam e impossibilitavam a utilização do banco de horas como contraprestação de jornada de trabalho extraordinária, o que obrigava as empresas a pagar as horas extras em pecúnia, inclusive com o adicional de, no mínimo, 50% do valor da hora normal de trabalho do empregado. Desde 2017, com o advento da reforma trabalhista, houve uma grande flexibilização e ampliação de possibilidades para utilização do banco de horas, de modo que, atualmente, até por acordo individual escrito, é possível se ajustar essa forma de contraprestação das horas extras. As regras que a Consolidação das Leis do Trabalho traz são as seguintes: 1. Se a compensação das horas extras for realizada dentro de até seis meses, o simples acordo individual escrito é suficiente para conferir legalidade ao ajuste. 2. Se este prazo de compensação ficar entre seis meses e um ano, precisa ser pactuado com o sindicato por meio de norma coletiva. 3. Se o ajuste de compensação for efetivado dentro de um mês, pode ser por acordo individual tácito, sem necessidade de documento escrito. 4. A compensação de jornada tem de ocorrer dentro de, no máximo, um ano, e não pode ultrapassar a jornada semanal de 44 horas e diária de 10 horas. 5. Por expressa disposição de lei, hoje a prestação de horas extras habituais não anula o banco de horas. Caso não seja concedida a compensação dentro dos períodos estabelecidos pela lei, é devido o pagamento das horas extras em dinheiro, acrescidas do adicional de, no mínimo, 50% do valor da hora normal de trabalho. Na hipótese de no ato da rescisão do contrato de trabalho não tiver sido rea­lizada a compensação ajustada, as horas extras não compensadas devem ser pagas normalmente em conjunto com as cabíveis verbas rescisórias, sendo calculadas sobre o valor da remuneração na data do encerramento do vínculo. Deve-se registrar que, em exceção às limitações acima dispostas, é possível se estabelecer uma jornada de trabalho de doze horas seguidas por 36 horas ininterruptas de descanso por meio de acordo individual escrito ou normas coletivas, pois as leis trabalhistas permitem claramente esse tipo de compensação. Por expressa vedação legal, não podem fazer uso de banco de horas trabalhadores como operadores de elevador, telefonistas, empregados que exerçam atividades externas e gestores que não se submetem a controle de jornada e ainda empregados em regime de teletrabalho que prestam serviços por produção ou tarefa. De igual modo, não é válido o acordo de compensação de jornada em atividade insalubre, ainda que estipulado em norma coletiva, sem a necessária inspeção prévia e permissão da autoridade competente. O Tribunal Superior do Trabalho também admite como legal o modelo de jornada de trabalho na qual o empregado trabalha 48 horas em uma semana e quarenta horas na semana seguinte, desde que tenha sido ajustado por normas coletivas. Também é legal e amplamente aceita nos tribunais pátrios a fixação de jornada de nove horas diárias em quatro dias na semana para que não haja trabalho aos sábados, sem a necessidade de utilização de banco de horas. Em apertada síntese, tem-se que, com o passar do tempo, tanto as leis quanto as decisões judiciais se conduzem no sentido de primar ao máximo pela liberdade de negociação das jornadas de trabalho, desde que respeitados os limites saudáveis de horas de labor, até porque, costumeiramente, é interessante para o empregado gozar de um famoso feriado prolongado e, para o empregador, ter os serviços do trabalhador à disposição nos momentos de maior demanda na atividade empresarial. Priscila Feitosa Advogada, pesquisadora em direitos humanos e pós-graduada em direito previdenciário e processo do trabalho. É coordenadora da Divisão dos Jovens da CRE Leste FOTO: Arquivo pessoal / GETTY IMAGES

08/09/2022

Reflexões sobre Cidadania

Elevando a consciência sobre a pluralidade de ideias

O objetivo deste artigo é, da ótica budista, explicar a importância do respeito à opinião de outras pessoas. Esse tema é essencial não apenas para despertar e aprofun­dar nossa consciência política para o período eleitoral, mas também, de uma perspectiva mais ampla, para nortear nosso comportamento diário como cidadãos. Pense nas pessoas do seu convívio: familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho. Qual é a sua reação diante de um comentário de uma pessoa que, apesar de você gostar muito, representa uma visão completamente diferente da sua? Você aceita essa opinião diversa sem problemas? Procura convencê-lo de que a sua visão é a melhor? Muda seu sentimento e sua relação de amizade por conta dessa diferença de opiniões? Retratando um momento específico do ano 1960, quando as diferentes opiniões acerca do Acordo de Segurança Nipo-Americano dividiam a sociedade japonesa, Shin’ichi Yamamoto lançou a seguinte reflexão em um diálogo com a Divisão dos Jovens (DJ): Mesmo entre vocês da Divisão dos Jovens existe essa divergência de opinião a respeito do tratado de segurança. Apesar de serem todos membros da Soka Gakkai, vocês possuem diferentes ideias a respei­to do assunto. Uns são a favor, outros, contra. Não importa a posição escolhida, cada uma possui seus prós e contras. A Soka Gakkai não pode dizer às pessoas o que fazer em relação ao tratado. Quero respeitar ao máximo a opinião de todos. Nos escritos de Nichiren Daishonin obviamente nada consta sobre o tratado de segurança, então, não é permissível que tenhamos opiniões diferentes dentro da organização? Política e religião ocupam esferas diferentes. A missão mais importante da religião é cultivar e nutrir a vida humana, que é a base de tudo. A Soka Gakkai é uma organização religiosa e, portanto, não irá declarar o seu posicionamento em relação às questões políticas que surgirem.2 Apesar dos diferentes pontos de vista que determinado tema possa gerar, enquanto conseguirmos nos reconhecer como bodisatvas da Terra, possuidores de uma missão comum de salvar a humanidade, a pluralidade de pensamento jamais será um elemento de fragmentação ou de desarmonia entre as pessoas. A premissa básica do budismo é a de que todos os seres humanos são a entidade da “possessão mútua dos dez mundos” e, assim, são dignos de todo o respeito. Independentemente de etnia, gênero, nacionalidade, religião, preferências políticas, todos possuem o estado de buda como condição inerente. A forma como pensamos, falamos e agimos está intimamente ligada a um conjunto de fatores que constroem a nossa identidade: desde os valores familiares, o nível de instrução, a influência cultural, a formação intelectual, as convicções filosóficas até os traços da nossa personalidade. Portanto, nutrir respeito por alguém significa penetrar em um nível mais profundo do ser humano, no qual conseguimos identificar suas histórias, suas dificuldades, suas virtudes e seus desejos mais íntimos. Como enfatiza Ikeda sensei: O modo como percebemos nossa própria vida também é o modo como percebemos a vida dos outros. Quando temos noção da nossa própria dignidade, reconhecemos a dignidade dos outros e também valorizamos a vida deles.3 O respeito à opinião alheia envolve certa noção de reciprocidade. Ou seja, se consideramos que nossas opiniões são importantes e queremos que o respeito das pessoas sobre elas, então é natural que devemos também respeitar as opiniões de outras pessoas. Esse espírito de reciprocidade torna nossas próprias opiniões mais bem fundamentadas. Quando somos abertos à opinião contrária, também somos capazes de refletir sobre os nossos pontos de vista e aperfeiçoá-los, seja alterando nosso posicionamento inicial, que se tornou superado, seja reforçando-o, justamente por termos agregado uma visão de mundo antes desconhecida. Além disso, é importante nos lembrar de que o respeito à opinião alheia não quer dizer que devemos concordar com ela. Devemos evitar impor nossa opinião como a única possível. Respeito à opinião alheia quer apenas dizer que reconhecemos que cada pessoa tem o direito de ter posições políticas próprias. Em um diálogo com o presidente Ikeda, o grande estadista russo e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Mikhail Gorbachev, ressalta: A única maneira de assegurar que os líderes políticos sigam a direção correta é o amadurecimento da sociedade civil. Se a humanidade se desenvolver ainda mais, podemos chegar a ponto de a própria sociedade civil, em vez dos políticos, realizar as funções do governo. O importante é elevar a consciência de cada cidadão. E devemos criar sociedades que respeitem as diferenças entre as pessoas e aceitem a diversidade, sociedades encontradas no diálogo.4 Reconhecendo a importância do pluralismo de ideias na construção de nossa sociedade, vamos nos empenhar em diálogos profun­dos e elevado, que ressaltam a dignidade da vida de cada pessoa e que conduzam a humanidade a um caminho de justiça e prosperidade. Notas: 1. Comissão de Estudos em Consciência Política da BSGI: Grupo criado para a pesquisa e a produção de materiais que versam sobre cidadania e política à luz dos princípios budistas, dos escritos de Nichiren Daishonin e publicações oficiais da Editora Brasil Seikyo. 2. IKEDA, Daisaku. Novo Mundo. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 84, 2019. 3. Terceira Civilização, ed. 639, nov. 2021, p. 50-65. 4. Brasil Seikyo, ed. 1.710, 9 ago. 2003, p. A3. Ilustração: GETTY IMAGES

25/08/2022

Livros

O tempo e seu florescimento

Chega em setembro a continua­ção do romance Revolução Humana, em português, iniciativa da Editora Brasil Seikyo (EBS). A obra de autoria do presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, iniciada em 2 de dezembro de 1964, transmite o espírito e as realizações do seu mestre, Josei Toda, durante a reconstrução da organização no Japão do perío­do pós-Segunda Guerra Mundial. É a vez do terceiro volume da coleção. No anterior, os leitores puderam acompanhar o ambiente vivido pelo Japão nos idos de 1947, marcado por escassez e desesperança. Toda sensei fortalece ainda mais o desejo em seu coração de reconstruir a Soka Gakkai, visando ao bem do futuro do país. No contexto internacional, a desarmonia imperava. No volume 3 dessa saga, entramos no Ano-Novo de 1948. Para fazer frente aos desafios de reerguer uma nação das cinzas da guerra, Josei Toda permanece firme, orientando com rigor e compaixão aqueles que buscavam suas palavras e seus incentivos. Na sociedade, os poucos jornais refletiam a época sombria e conturbada, na vida das pessoas, na política e quanto ao futuro do país. Corria a fase final do Tribunal de Tóquio, instaurado havia dois anos para julgar os principais criminosos de guerra. A expectativa da sociedade pelo desfecho era enorme. A empresa de Josei Toda, Nihon Shogakkan, tentava se levantar. A qualidade e os custos do papel e da impressão variavam diariamen­te. Seu desafio maior era o de obter papel para suas publicações. Investe na edição de revistas semanais, melhor opção pensada por ele para o momento. Dinamiza equipe da editora com a contratação de funcionários, o que gera resultado nos negócios, sob sua vigorosa liderança. Em meio ao cenário confuso da época social do país, o movimento pela felicidade das pes­soas empreendido pela Soka Gakkai era imperceptível, mas ganhava força como um redemoinho. Um movimento que se distinguia s por ser uma revolução “que tem como premissa o respeito pela dignidade da vida, sem derramamento de sangue”.1 O narrador do romance pergunta-se: “Não seria esse tipo de revolução ideal que a humanidade vem almejando desde um longínquo passado?”.2 A personalidade encantadora de Josei Toda tocava o coração das pessoas que o procuravam. Ele lidava com elas sem nenhum tipo de formalismo ou de discriminação. Seu senso de compaixão não lhe permitia encontrar uma pessoa infeliz e ficar em silêncio. Ele fazia de tudo para que as pessoas se levantassem e despertassem para o poder da fé. Assim, viam-se entre os que o procuravam até ex-combatentes da linha de frente, sobreviventes que misticamente ultrapassaram os horrores da guerra sem ser feridos e sem disparar nem um tiro sequer. Muitos haviam comprovado na vida a força de sua fé. A essência da organização sempre foi a de luta conjunta com o Mestre, o levantar de uma única pessoa em prol do kosen-rufu. Enquanto o drama social e histórico se desenrolava no Japão e no mundo, o jovem Shin’ichi Yamamoto (pseudônimo de Daisaku Ikeda na obra) apresentava seu currículo para trabalhar com Josei Toda. Era o início de uma profunda colaboração e aprendizado. Depois de se desligar de seu atual emprego de forma satisfatória, como lhe recomendara Josei Toda, Shin’ichi começaria a trabalhar na Nihon Shogakkan em 3 de janeiro de 1949, um dia depois de completar 21 anos. Dois meses antes, o Tribunal de Tóquio iniciava julgamento derradeiro dos criminosos de guerra. A leitura do texto final do veredicto, composto por mais de 1.200 páginas, durou sete dias. Todos foram condenados, com penas distintas. Com a Segunda Guerra Mundial, o conceito de crime de guerra havia sofrido uma significativa mudança. Esses detalhes e tantos outros do julgamento são descritos minuciosamente pelo narrador no penúltimo capítulo do romance. É uma verdadeira aula de história do direito penal em tempos de guerra. A defesa pelo direito à vida é contextualizada por Toda sensei em diversas passagens da obra. A visão humanística e a ação concreta na reconstrução da Soka Gakkai moldam renovadas expectativas. O tempo e seu florescimento. Um convite que se abre aos interessados na leitura continuada de Revolução Humana. Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 3, p. 92, 2022. 2. Ibidem. O Clube de Incentivo à Leitura (CILE) da Editora Brasil Seikyo traz todos os meses lançamentos de obras do Dr. Daisaku Ikeda e de diversos autores que compartilham da filosofia do humanismo Soka. No mês de setembro próximo, os assinantes do plano Diamante do CILE recebem com exclusividade o terceiro volume do romance Revolução Humana. Garanta o seu! Assine até 31/08/22 e receba o kit em sua casa! Confira no portal: www.cile.com.br Foto: BS

25/08/2022

RDez no BS

Corredores da Justiça

Um verão de desafios rumo à criação de uma era de paz Série de incentivos escrita pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, para a Divisão dos Estudantes Esperança e Herdeiro Agosto é o mês em que renovamos nossos votos pela paz. No dia 6 de agosto de 1993, 48 anos depois de uma bomba atômica ter sido jogada sobre a cidade de Hiroshima, comecei a escrever o romance Nova Revolução Humana. O livro inicia com a seguinte passagem: “Nada é mais precioso do que a paz. Nada traz mais felicidade do que a paz. A paz é o primeiro passo para o avanço da humanidade”.1 Essa é a convicção dos mestres e discípu-los Soka que desejo confiar a vocês, meus queridos amigos da Divisão dos Estudantes. Cada um de vocês sustenta a fé na Lei Mística. Ao basear a vida nesse ensinamento, pode aumentar sua força em cem ou até mil vezes! Pode fazer a vida brilhar como o radiante sol da esperança que iluminará o século 21, o século da paz. Vocês e seus amigos possuem a missão de espalhar amizade e confiança ao redor do planeta. Com essa finalidade, espero que se divirtam encontrando formas de aprimorar outros idiomas e se mantenham firmes nesse propósito. Por favor, tentem também ler livros neste verão2 que falem sobre a guerra e a paz. Cada passo à frente é um nobre desafio rumo à criação de uma nova era de paz. Fonte: Traduzido da série “Rumo a 2030: Dedico aos Meus Jovens Sucessores Corredores da Justiça”, da edição de agosto de 2020, do jornal Mirai (Futuro), publicação mensal da Soka Gakkai voltada para a Divisão dos Estudantes Esperança e Herdeiro. Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Alvorecer. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 9, 2019. 2. No Japão, o verão começa no dia 21 de junho e vai até 22 de setembro. Fique por dentro da edição de agosto! Este mês, comemoramos o primeiro encontro entre Daisaku Ikeda e Josei Toda e a conversão do jovem Daisaku ao Budismo de Nichiren Daishonin. Por isso, preparamos muitos conteúdos legais, como um quiz sobre essas datas na Cápsula do Tempo, a conexão entre mestre e discípulo na Matéria do Mês e um vídeo especial com o presidente da BSGI, Miguel Shiratori. Você é uma pessoa organizada? Saiba mais sobre o assunto com a DE-Futuro. A DE-Esperança traz um tema muito especial — família — e a DE-Herdeiro fala sobre o princípio budista esho-funi. Passatempo Respostas

11/08/2022

Matéria Grupo Coração do Rei Leão

Como aproveitar da melhor forma as mudanças constantes da sociedade?

Ao longo da história, as sociedades e suas instituições procuraram se adaptar às novas e inevitáveis reconfigurações sociais e culturais que se apresentam de forma sucessiva no decorrer do tempo, com cada momento guardan­do as próprias especificidades e gerando respostas únicas para novos “problemas” que se impõem ao coletivo. A era atual se caracteriza pelo surgimento de uma sociedade pós-industrial, uma sociedade que valoriza a informação e a tecnologia tanto quanto o desejo pelo consumo. Na chamada era da informação, as transformações acontecem em ritmo acelerado. E a corrida tecnológica que torna os produtos descartáveis e obsoletos também movimenta rapidamente as engrenagens sociais, responsáveis pelas mudanças significativas na sociedade. O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, nos orienta a viver com na base na filosofia budista, independentemente de qualquer situa­ção. Ao acompanharmos as mudanças sociais, devemos manter como ponto central o ser humano e continuar a elevar nossa condição de vida. Ele afirma: Estarmos sós apenas intensifica nossa tristeza e é ainda mais difícil aliviar a dor. Os seres humanos são seres sociais. Nossa intera­ção com outras pessoas é o que nos torna plenamente humanos; enriquece-nos mutuamente.1 Diante das atuais circunstâncias, nas quais os seres humanos, apesar de um desenvolvimento tecnológico nunca visto na história humana, vivem um sentimento de desesperança, causado por uma natureza humana voltada para o egoísmo, e um sentimento de impotência perante os desafios das doenças e das guerras, precisamos pôr em ação as palavras do presidente Ikeda, que ressalta: Dada a incerteza da vida e de nossa incapacidade de controlá-la, é importante que lutemos para manifestar o estado de buda nesta existência, consolidando um estado de vida interior de ilimitada liberdade, que perdure por toda a eternidade. Esse é o propósito da fé. Nossa vitória nesta existência depende de estabelecermos tal condição de vida. Não podemos mudar nosso estado de vida por intermédio da ciência, da política nem da economia — isso só pode ser efetuado pela prática dos ensinamentos do Budismo de Nichiren Daishonin. E possuímos a imensa boa sorte de ter encontrado este budismo na presente existência.2 Sensei continua: A prática budista é repleta de difíceis desafios, mas nos permite experimentar a grandiosa alegria da revolução humana, que jamais seria possível numa vida de completa comodidade. Essa é a razão pela qual Daishonin nos adverte rigorosamente a não nos esquecer, num momento crucial, das promessas que firmamos em relação à fé”.3 Dessa maneira, vamos acompanhar as mudanças como forma de estarmos lado a lado com a sociedade e, com elevada consciência, transmitir a todos ao nosso alcance a grandiosidade da filosofia budista. Cuidem-se! Grupo Coração do Rei Leão da BSGI Notas: 1. Brasil Seikyo, ed. 2.272, 18 abr. 2015, p. B3. 2. Ibidem. 3. Ibidem. Foto: Getty Images

11/08/2022

RDez no BS

O poder para realizar sonhos

Série de incentivos escrita pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, para a Divisão dos Estudantes Futuro O dia 7 de julho marca o início do Festival Tanabata no Japão, quando as pessoas tradicionalmente escrevem seus pedidos em tiras coloridas de papel e as penduram em galhos de bambu. Colocar nossos desejos em palavras nos enche de esperança! Todos vocês, meus jovens amigos, na verdade, já sabem como fazer para que seus desejos, suas esperanças e seus sonhos para a escola, a família e o futuro se tornem realidade. Estou falando sobre a nossa prática diária do gongyo e da recitação do Nam-myoho-renge-kyo, a Lei fundamental do universo. Tente escrever seus sonhos do modo mais claro e específico possível e então ore para cada um deles. Ao fazer isso, sentirá a coragem brotar de dentro de si e se tornará capaz de se desafiar vigorosamente. Você também poderá obter apoio das pessoas ao seu redor. A oração é a mais poderosa força motriz para realizar seus sonhos. Espero que orem também pelo nosso grande sonho compartilhado do kosen-rufu (“paz mundial”) e expressem seu excelente potencial! Fonte: Traduzido e adaptado da série “Rumo a 2030: Dedico aos Radiantes Faróis da Esperança” da edição de julho de 2021 da Boys and Girls Hope News, publicação mensal da Soka Gakkai voltada para a Divisão dos Estudantes Futuro. Você encontra na edição de julho: Este mês, quem compartilhou sua vitória com a RDez foi Leonardo Naoki Morais, que ganhou um concurso internacional de ciência! Como prêmio, ele terá a oportunidade de visitar a Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. Na Cápsula do Tempo, queremos testar seus conhecimentos sobre a fundação da DMJ e da DFJ. Será que você consegue acertar todas as perguntas? Na matéria do mês, Consciência Financeira, falamos sobre dinheiro, como gastá-lo com sabedoria e como economizá-lo. Há ainda um vídeo com dicas de um especialista em finanças. Confira esses e outros conteúdos acessando a RDez de julho: www.brasilseikyo.com.br/home/rdez Ilustrações: BS / Getty Images Foto: Colaboração local

14/07/2022

Livros

Criar ondas de coragem

“Você deve viver! Você deve realizar plenamente o seu destino!” — essas palavras repletas de incentivo da mãe do jovem Charles Chaplin inflaram o peito dele de confiança para vencer as terríveis dificuldades pelas quais a família passava durante a sua infância. O brado materno não só impulsionou mais tarde a vida e a carreira do famoso ator, mas também encontrou eco em sua obra, inspirando incontáveis pessoas ao redor do mundo a concretizar seus sonhos e nutrir bons valores. Essa bela passagem da vida do criador do personagem Carlitos é citada pelo presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisa­ku Ikeda, no prefácio do livro de sua autoria Seja a Esperança, lançamento da Editora Brasil Seikyo (EBS) a ser entregue aos assinantes do Clube de Incentivo à Leitura (CILE) em julho. Aquele episódio retrata o sentimento do autor: Nada me deixará mais feliz do que o fato de encontrarem neste livro mesmo que seja uma única palavra que alcance o coração de vocês, que desafiam em seu palco de atuação, hoje e amanhã.1 Jovens (de todas as idades) vão encontrar na obra a visão de Ikeda sensei sobre diversos temas como estudo, felicidade, gratidão, caráter, amizade, bullying, trabalho, amor, sonhos. O olhar também se volta para o passado — com singelas e marcantes histórias da juventude do autor — e para o futuro — falando a respeito de direitos huma­nos, pobreza, armas nucleares e a força da mulher. O Mestre conclama o leitor a fazer a diferença: Se não houver esperança a sua volta, você deve criá-la com suas próprias mãos. O coração, tal como um exímio artista, possui a habilidade de expressar livremente a esperança.2 E ressalta o infindável potencial dos jovens para a tão necessária transformação social, numa época em que a humanidade enfrenta tantos e tão difíceis desafios, pois a chave para as questões da vida, em seus diversos planos, passa por dedicar não somente aos objetivos pessoais, mas também ao bem das outras pessoas. Temas do dia a dia e questões cruciais da humanidade vão sendo costurados pelo autor com linguagem simples e visão profunda, tendo sempre o coração humano como ponto de partida, como ele comenta: O poder das palavras é definido pelo coração. As palavras têm vida por haver, no fundo, o coração. Mesmo que a mesma palavra seja dita, o poder que ela emana será totalmente diferente de acordo com a profundidade do coração de quem a expressa.3 Diálogo entre corações e gerações, Seja a Esperança carrega sentimentos e expectativas de Ikeda sensei em relação à força da juventude para o bem do futuro. O Clube de Incentivo à Leitura (CILE) da Editora Brasil Seikyo traz todos os meses lançamentos de obras do Dr. Daisaku Ikeda e de diversos autores que compartilham da filosofia do humanismo Soka. No mês de julho próximo, os assinantes do plano Diamante do CILE recebem com exclusividade o livro Seja a Esperança! Garanta o seu! Assine até 30/06/22 e receba o kit em sua casa! Confira no portal: www.cile.com.br Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Seja a Esperança. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 12. 2. Ibidem, p. 53. 3. Ibidem, p. 50. No topo: Obra traz ensaios do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, com preciosas orientações para os jovens em relação a diversos temas da vida diária e da sociedade atual Foto: BS

23/06/2022

RDez no BS

O aprendizado contínuo na juventude abre o caminho para a vitória

Este ano [2021] marca o 150o aniversário de nascimento do presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi. Ele nasceu no dia 6 de junho [de 1871]. Makiguchi sensei era um rei leão da justiça e do aprendizado constante. Mesmo quando foi perseguido pelo governo militar japonês, durante a Segunda Guerra Mundial, ele se recusou a ser derrotado. Enquanto estava preso, dedicou-se aos estudos com espírito invencível. Ele dizia que aquela, na verdade, era uma grande oportunidade para se debruçar sobre os livros que ele desejava ler desde a juventude. Gostaria que cada um de vocês, nossos “corredores da justiça” da Divisão dos Estudantes, herdasse o espírito de procura corajoso e apaixonado de Tsunesaburo Makiguchi. Não importa quão difíceis sejam as circunstâncias, sempre podemos continuar a aprender. Aprender não se refere apenas aos estudos acadêmicos. Inclui lidar com preocupações e sofrimentos, experiências que fazem parte da vida real e nos ajudam a aprimorar nosso coração e expandir nossa mente. Quão admirável é isso! Desejo que continuem aprendendo durante a juventude, especialmente neste momento em que a humanidade enfrenta desafios sem precedentes. Tenham orgulho de ser nobres leões Soka e abram o caminho para a vitória com esperança e otimismo. Fonte: Traduzido da série “Rumo a 2030 — Dedico aos Meus Jovens Sucessores Corredores da Justiça”, publicada na edição de junho de 2021 do jornal Mirai (Futuro), periódico mensal da Soka Gakkai voltado para a Divisão dos Estudantes Esperança e Herdeiro.Ilustração: Getty Images

09/06/2022

Notícias

Acessibilidade no portal EBS

O portal da Editora Brasil Seikyo (EBS) tem uma plataforma de acessibilidade tanto para pessoas com deficiência visual quanto com deficiência auditiva e alfabetizados em libras. A plataforma de acessibilidade voltada para o público com deficiência visual compreende ferramentas de aumento de fonte e mudança de contraste, para pes­soas com baixa visão, bem como navegação por teclado, para pessoas cegas. As matérias mais recentes também possuem descrição de imagem. Para os surdos alfabetizados em libras há a opção da tradução pela aplicação Hand Talk, a mais premiada do Brasil. Para interagir com o público, ali estão os personagens Hugo, pelo portal, e Maya, no acesso ao Clube de Incentivo à Leitura (CILE), que se apresentam e conduzem os usuários. A iniciativa é fruto de pesquisa feita pela EBS com público sensível para analisar suas necessidades e expectativas, visando oferecer uma experiência cada vez melhor a todos. Personagem Hugo No topo: personagem Maya Acesse, convide os amigos: https://www.brasilseikyo.com.br Imagens: Reprodução

09/06/2022

Mensagem

Mensagem de congratulações do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda

Excelentíssimo professor doutor Antônio Celso Alves Pereira, Magnífico reitor professor doutor José Rogério Moura de Almeida Neto, E senhoras e senhores, Envio minhas mais sinceras felicitações pelo lançamento do livro Direitos Humanos — Cátedra Daisaku Ikeda, publicado pelo Centro Universitário de Valença, uma das instituições acadêmicas de maior importância do Rio de Janeiro. Tomei conhecimento de que esta é a primeira edição da Cátedra Daisaku Ikeda, que leva o meu nome. Sinto-me profundamente honrado! Manifesto minha mais sincera gratidão a todos os senhores que dedicaram diligentes esforços para a publicação desta obra, em especial, aos autores dos textos e ao organizador do livro. Muito obrigado! Recordo-me, como se fosse ontem, do dia em que conheci o Dr. Pereira em sua visita ao distante Japão, em abril de 1998. Embora tenha se passado quase um quarto de século, o fato de manter uma amizade que compartilha o mesmo ideal educacional no Brasil, localizado no lado oposto do planeta, faz meu coração transbordar de alegria. Quero externar minha mais elevada estima ao Dr. Antônio Celso Pereira por sua admirável vida dedicada à educação acadêmica. Seguindo os passos desta grandiosa trajetória educacional, o Dr. José Rogério Almeida Neto tomou posse como reitor do Centro Universitário de Valença. Sinceros parabéns! Tenho a firme convicção de que, sob a liderança do Dr. Almeida Neto, a instituição alcançará um desenvolvimento ainda maior. Meu sincero desejo é que a Cátedra Daisaku Ikeda e seu primeiro fruto sejam fontes de inspiração para que o Centro Universitário de Valença alcance ainda mais sucesso no mundo acadêmico do Brasil e abra um futuro de esperança para o país formando incontáveis defensores da cultura de paz. Com respeito em 27 de maio de 2022 Daisaku Ikeda Presidente da Soka Gakkai Internacional

09/06/2022

RDez no BS

Passatempo

Escreva o número da peça que completa a figura abaixo Vamos brincar com o idioma inglês

26/05/2022

Colunista

O direito animal e a tutela jurídica dos animais não humanos (1)

Apura-se que um dos efeitos do período da pandemia decorrentes da Covid-19 foi o estreitamento de laços afetivos entre os tutores e seus bichos de estimação. Isso fez com que o “mercado pet” crescesse de 15% a 18% em 2021, chegando a um faturamento superior a R$ 51 bilhões,2 com quase 23 mil novas empresas, entre 2019 e 2021. Em agosto do ano passado, apurou-se que o Brasil tem quase 140 milhões de animais de estimação, dos quais 54,2 milhões são cães; 23,9 milhões são gatos; 19,1 milhões são peixes; e 39,8 milhões são aves.3 Em julho de 2020, Sansão, um cão da raça pit bull, após ser torturado, teve as patas traseiras decepadas por dois homens. A notícia viralizou na internet e, junto com a história de uma cadela de rua espancada e envenenada, fez com que, a partir de setembro de 2020, começasse a valer a Lei nº 14.064/2020, apelidada por isso de Lei Sansão. Essa lei aumentou as penas previstas na Lei nº 9.605/1998, para crime de maus-tratos aos animais, quando se tratar de cão ou gato, podendo a pessoa ser condenada a reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição de nova guarda. Antes, a pena era de detenção de três meses a um ano e multa. Para entender melhor, a Lei Federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, regula em seu artigo 32 ser crime a conduta de uma pessoa que resulte em ato de abuso, maus-tratos, e de ferir ou mutilar animais silvestres ou domesticados, nativos ou exóticos. Os nativos fazem parte da fauna brasileira; e os exóticos são originários de outros países. Inclusive, com a Lei Sansão, passa a incorrer nas mesmas penas também aquele que impuser ao bicho “experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos”. Se dessas práticas resultar a morte do animal, a pena poderá ser aumentada de um sexto a um terço. No estado de São Paulo, em dezembro do ano passado, foi sancionada e entrou em vigor a Lei Estadual nº 17.497/2021, criando o Programa de Proteção e Bem-Estar dos Animais Domésticos, que altera alguns critérios do Código de Proteção Animal do Estado de São Paulo (Lei nº 11.977/2005). Esse programa, que tem por objetivo combater e prevenir a prática de maus-tratos aos animais domésticos, determina que os municípios paulistas promovam políticas públicas de proteção dos animais, ações educativas e fiscalização dos órgãos. Também criou o Registro Único do Tutor (RUT) no estado, que é o registro para identificação dos tutores de cães e gatos. Também, entre as novidades, houve um agravamento das penas e multas para os donos que maltratarem seus animais de estimação. Inclusive, eles poderão ser proibidos de adquirir novos animais pelo prazo de cinco anos. Enquanto o direito evolui lentamente nessa área, o budismo demonstra milenar respeito aos animais. O Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), conta sobre a lenda japonesa de uma raposa que havia caído num lago gelado. Fadada à morte, foi resgatada por Hikozaemon, chefe da vila, que a aqueceu e a secou, alimentando-a antes de soltá-la. Na manhã seguinte, dois faisões foram deixados na varanda externa da casa do protetor. Vendo as pegadas de raposa na neve, ele soube que era uma expressão da gratidão do animal. “Os seres humanos também precisam aprender com este exemplo”,4 conclui o presidente Ikeda. A propósito, o cachorro Sansão passa bem; ganhou uma prótese e já voltou a andar. Jorge Kuranaka Procurador do Estado, mestre em direito. É vice-coordenador da Coordenadoria Norte-Oeste Paulista (CNOP) e consultor do Departamento de Juristas da BSGI Notas: 1. A nomenclatura “direito animal”, para os que a defendem, surge da disciplina jurídica autônoma, distinta do direito ambiental, a partir do art. 225, § 1º, VII, parte final, da Constituição Federal, reconhecendo o direito fundamental animal à existência digna, havendo inclusive cursos de pós-graduação em torno do tema. 2. Divulgado em matéria intitulada Mercado Pet Cresce de Forma Vertiginosa no Brasil Durante a Pandemia, vídeo exibido em 21 de fevereiro de 2022. Link: https://globoplay.globo.com/v/10323384/ 3. Dados da Revista Ecotour News & Negócios. Link: https://portal.comunique-se.com.br/253692-mercado-pet-apresentou-um-crescimento-expressivo-durante-a-pandemia/ 4. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-I, p. 134, 2020.

12/05/2022

Colunista

Rescisão consensual do contrato de trabalho

Um fim consensual para uma relação trabalhista, eis uma das grandes novidades e benesses trazidas pela reforma trabalhista, que ocorreu em 2017. Pois bem, atual­men­­te, tanto empregado como empregador podem, em comum acordo, rescindir o contrato de trabalho, cada uma das partes assumindo parcialmente o ônus das verbas rescisórias. Antigamente, era tudo ou nada: ou o empregado pedia demissão e perdia quase todas as verbas indenizatórias ou a empresa dispensava o empregado e teria de pagar as verbas rescisórias completas para ele. Isto é, sempre o fim da relação de emprego era muito oneroso para uma das partes do pacto. No caso de pedido de demissão, o empregado tem direito apenas ao recebimento dos dias trabalhados, férias vencidas e proporcionais, com o acréscimo do terço legal e décimo terceiro proporcional ou integral, além de ter de pagar o aviso prévio ao empregador. Na hipótese de o empre­gador dispensar o empregado, a empresa precisa pagar ao trabalhador saldo de salário, aviso prévio, férias vencidas e proporcionais, com o acréscimo do terço legal, décimo terceiro proporcional ou integral e ainda a multa de 40% sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O acordo de rescisão contratual representa um meio-termo para empregado e empregador, por meio do qual ao empregado é assegurado receber 20% da multa sobre o saldo de FGTS e ainda o valor referente à metade do aviso prévio. A par disso, o empregado tem direto a movimentar até 80% do seu saldo de FGTS, além de receber o décimo terceiro salário e as férias integrais ou proporcionais. Nesse tipo de rescisão, o empregado não receberá o seguro-desemprego, sendo esta a única perda real que surge como “prejuízo” ao trabalhador. Essa questão da subtração do seguro-desemprego é uma dúvida muito comum no dia a dia, mas se trata de uma verba que foi pensada para proteger quem é surpreendido com uma rescisão do contrato de trabalho, fato este que não está presente quando o fim da relação empregatícia se formaliza por vontade também do trabalhador. Isso porque, pela lógica, se acordou o encerramento do contrato, provavelmen­te, e já tem como esperada e até desejada a ruptura com a empresa. Na realidade, a modalidade de rescisão por mútuo acordo veio regulamentar uma prática considerada ilícita no passado, que consistia numa simulação de dispensa sem justa causa, na qual o empregado devolvia parte das verbas rescisórias ao empregador e recebia a chave para levantamento do FGTS e as guias para acesso ao seguro-desemprego. Até hoje, muitos pensam ser este um acordo legal, mas não há previsão em lei para tal tipo de pacto, que era e ainda é bem comum. Como a rescisão por mútuo acordo ainda é uma prática muito tímida no mercado, recomenda-se que o pedido desse tipo de rescisão seja escrito de próprio punho pelo empregado, com a justificativa do pleito e a transcrição das verbas que serão devidas. Todo cuidado deve ser tomado para que seja tudo registrado e, por prudência, colhida a assinatura de, pelo menos, duas testemunhas. Pela falta de previsão, o entendimento majoritário entre os juristas é de que os empregados afastados por doença, em período de férias, entre outros afastamentos, não poderão ter seu contrato rescindido por essa modalidade. É evidente que as rescisões contratuais, sejam trabalhistas ou não, guardam em si desconfortos naturais do final de um vínculo. Dessa forma, a previsão legal de uma modalidade de encerramento do contrato de trabalho por acordo entre as partes se apresenta como excelente ferramenta para mitigar as perdas que são costumeiramente suportadas tanto pelo empregado como pelo empregador quando do rompimento do pacto laboral.

10/03/2022

Matéria do Grupo Coração do Rei Leão

Crianças aprendem o valor do dinheiro com o exemplo dos pais

Um dos principais objetivos da educação financeira para crianças é fazer com que elas entendam que, como já diziam nossos pais e avós, “dinheiro não dá em árvore”. Isso significa que devemos lhes ensinar que os recursos são escassos e devem ser gerenciados. Educar-se financeiramente parece muito simples, basta saber ganhar, planejar e gastar. Mas muitas famílias enfrentam dificuldades quando o assunto é a forma de se relacionar com o dinheiro. Pais que se esforçam para planejar e ter o controle do orçamento tendem a influenciar positivamente os filhos, que levam esse exemplo para a vida adulta. Por outro lado, famílias que tratam o dinheiro como problema e brigam por conta das finanças podem influenciar negativamente a visão das crianças. Segundo pesquisa mais recente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil em parceria com a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CDNL), 48% dos casais brasileiros brigam por causa das finanças. Na mesma linha, um estudo da empresa Slater & Gordon no Reino Unido feito com mais de 2 mil adultos descobriu que as preocupações com o dinheiro são o principal motivo de divórcio no país. Ensinar os filhos a lidar com as finanças é uma atitude fundamental para que a noção de economia e a disciplina sejam assimiladas desde cedo, assim como a importância de não desperdiçar e cuidar do dinheiro. Planejar-se financeiramente é uma lição que pode e deve ser aprendida em casa. Conforme especialistas, controlar gastos e aprender a se planejar financeiramente é algo que deve saber desde os primeiros anos de vida e no ambiente familiar. Educação financeira é um desafio e requer o esforço de todos os envolvidos. Listamos oito dicas de como introduzir a educação financeira no dia a dia da criança: 1. Explique como se usa o dinheiro Ensinar para as crianças que muitas coisas custam dinheiro é o primeiro passo da educação financeira. Uma dica é apresentar, aos pouquinhos, o valor das coisas, de forma bem direta e fácil. Por exemplo, no supermercado, mostre uma nota de R$ 10,00 para as crianças. Então, ensine-as que é possível comprar alguns itens com esse valor. Também é importante enfatizar o que não se pode comprar com essa mesma quantia. A ideia é que a criança entenda, gradualmente, que as coisas que consumimos e compramos têm um custo. A partir daí, é possível introduzir conceitos como “caro” e “barato”. 2. Ensine de onde vem o dinheiro Para as crianças pequenas, a fonte do dinheiro pode ser bastante utópica. Aliás, é bem comum os pequenos acreditarem que o cartão de crédito seja uma fonte infinita de dinheiro. No entanto, é essencial que os pais expliquem que eles ganham dinheiro por meio do trabalho e só assim conseguem comprar as coisas de casa. Além disso, devem ensinar sobre o valor do trabalho e das nossas responsabilidades. 3. Mostre que usar o dinheiro exige escolhas Um dos pontos principais para que as crianças entendam mais sobre o dinheiro é compreender que são necessárias concessões. Ou seja, certa quantia permite apenas determinada compra. Portanto, se a criança deseja adquirir um doce, terá de escolher entre o sorvete e a barra de chocolate, por exemplo. Agora, se ele ou ela quiser um brinquedo, precisará juntar dada quantia. E, nesse momento, entra também o conceito de “poupança”. Assim, aos poucos, apresente as opções para que as crianças façam as próprias escolhas. E ainda, ensine-as a fazer planos para conseguir comprar as coisas que desejam. 4. Cofrinho ajuda! Para incentivar as crianças a juntar moedas e poupar dinheiro, é uma ótima ideia usar um potinho ou um cofrinho. Melhor ainda se esse objeto for transparente, pois os pequenos podem ver o dinheiro se acumulando. Em seguida, incentive seu pequeno a estabelecer objetivos para aquela quantia. Dessa maneira, a criança pode guardar dinheiro para comprar um brinquedo ou realizar um passeio, por exemplo. Então, quando o objetivo for atingido, comemore o esforço. Juntar não é fácil, ainda mais para crianças pequenas, que ainda estão desenvolvendo a noção de tempo. Vale ressaltar todo o empenho! 5. E as mesadas? As mesadas podem ser uma boa oportunidade para que as crianças maiores aprendam a juntar dinheiro e a gastá-lo com responsabilidade. Contudo, é importante definir um valor que seja condizente com a idade. Alguns profissionais recomendam a mesada apenas a partir dos 6 ou 7 anos, quando o pequeno ou pequena já possuem uma boa noção dos números e está iniciando o estudo de matemática na escola. No entanto, crianças menores podem ter alguma renda. Novamente, o ideal é definir um valor de acordo com a idade. 6. Ensine seus filhos a doar Com a responsabilidade financeira vem também a responsabilidade social. Ensinar seu filho ou filha a doar certa quantia é bastante importante para que desenvolva a consciência social, a empatia e também para que aprenda a dividir. Além disso, a doação pode acontecer por meio do dinheiro ou não. Afinal, uma possibilidade é doar brinquedos, roupas e livros. De qualquer forma, toda doação auxilia também a educação financeira. 7. Cumpra o combinado Por vezes, pode ser difícil ver seu filho ou filha chorando por querer um presente ou um doce. Porém, é fundamental cumprir o combinado. Explique, de forma gentil e firme, que o dinheiro exige escolhas. Pode parecer duro, mas é realmente importante que seu filho ou filha siga o combinado. E mais: entenda que, principalmente o dinheiro, não é infinito. 8. Inclua as crianças em alguma decisão financeira Sabemos que é possível incluir as crianças no cotidiano da casa, pela divisão de tarefas domésticas, por exemplo. E que tal fazer o mesmo nas decisões financeiras da família? Inclua as crianças nas idas ao mercado, peça a opinião delas na hora de escolher um passeio ou até a assinatura de um produto. O importante é incluir os pequenos e pequenas nas decisões, explicando como funciona o orçamento familiar. Dividir as responsabilidades é uma maneira de as crianças se sentirem parte atuante da família. E não se esqueça de abrir espaço para perguntas. Assim, como nosso mestre orienta: Já que temos de viver, vamos viver alegremente com todas as pessoas. Vamos viver felizes com os pais e em harmonia com os irmãos. (...) A vida real pode ser muito difícil, mas cada um deve agir como um excelente protagonista da própria vida. Construam uma vida maravilhosa por meio de seu coração e de sua atuação.1 Vamos, juntos, fortalecer os protagonistas do século 21 com coragem, alegria e respeito. Forte abraço! Grupo Coração do Rei Leão da BSGI Nota: 1. Brasil Seikyo, ed. 1.942, 7 jun. 2008, p. A2.

03/03/2022

Colunista

Sociedade conjugal e regime de bens

Em seu livro Kaneko, Seu Sorriso, sua Felicidade,1 a Sra. Kaneko Ikeda relata que, na cerimônia do seu casamento com o então jovem Daisaku Ikeda, em 3 de maio de 1952, o segundo presidente da Soka Gakkai, professor Josei Toda, fez duas solicitações, sendo uma delas que ela mantivesse rigorosamente um caderno com anotações do orçamento familiar. O casamento constitui entre o casal o vínculo conjugal, a família e gera a sociedade conjugal. Um dos efeitos jurídicos do matrimônio é de natureza patrimonial. Nesse sentido, o regime de bens é que estabelece o conjunto de regras patrimoniais dessa sociedade. Vejamos, muito resumidamente, cada um desses regimes e seus efeitos: a) Comunhão universal de bens. Os bens adquiridos anteriormente e os adquiridos na constância do casamento, por um ou outro cônjuge, bem como as dívidas, tornam-se dos dois, na base de metade para cada um. Alguns bens não se comunicam, por exemplo, os recebidos por doação ou testamento, apenas em nome de um dos cônjuges, se houver previsão de cláusula de incomunicabilidade em relação ao outro cônjuge. b) Comunhão parcial de bens. Nele, não se comunicam os bens de cada cônjuge adquiridos antes do casamento. Comunicam-se os bens adquiridos na constância do casamento; mas nem todos. Por exemplo, os adquiridos por doação exclusivamente feita em favor de um dos cônjuges ou por herança não se comunicam. c) Separação de bens. Os bens anteriores e os havidos durante o casamento não se comunicam com o outro cônjuge. O rigor dessa regra poderá ser flexibilizado pelo juiz, em relação aos bens adquiridos na constância do casamento. d) Participação final nos aquestos. Trata-se de um regime que não caiu no gosto dos brasileiros. Cada cônjuge possui patrimônio próprio, e os administra e os aliena livremente durante o casamento. Extinguindo o casamento, pelo divórcio ou por morte, a partilha é feita com regras semelhantes às do regime da comunhão parcial. Desde 1977, o regime legal de bens é o da comunhão parcial, e é nele que de regra se casam os nubentes; porém, o casal tem liberdade para escolher outro. Mas, para isso, terá de realizar previamente o “pacto antenupcial”, por escritura pública, indicando a opção. Essa liberdade de escolha, contudo, não é absoluta. Se um ou ambos os cônjuges tiverem menos de 16 anos ou, mesmo tendo 16 anos (e menos de 18 anos), não contarem com consentimento dos pais, esse casamento obrigatoriamente será realizado sob o regime da separação de bens. O mesmo ocorrerá se um dos contraentes ou ambos tiverem mais de 70 anos. Na união estável, havendo documento escrito entre os companheiros, poderão escolher o regime de maior agrado, entre os já mencionados. Não havendo contrato ou escritura, o regime aplicado será o da comunhão parcial de bens. Na separação, no divórcio, ou vindo a falecer um dos cônjuges, a partilha será feita de acordo com as regras do regime de bens respectivo. No caso de falecimento, o cônjuge sobrevivente recolhe a sua parte do patrimônio, de acordo com o regime. Já a parte do cônjuge falecido é levado a inventário, e será destinado aos seus herdeiros legítimos (descendentes, ascendentes, cônjuge e colaterais) e testamentários. O regime de bens também poderá definir se o cônjuge, além de recolher a sua parte, herdará ou não parte dos bens deixados pelo falecido, concorrendo com os descendentes dele. Enquanto o Código Civil anterior priorizava o aspecto patrimonial do direito de família, o atual Código tem por foco o afeto a reger esse ramo do direito. Mesmo assim, a questão patrimonial é uma parte importante da sociedade conjugal. Josei Toda orientava: Um lar sem disciplina e sem controle das finanças é infeliz; jamais prosperará. Uma família que se preocupa com a estabilidade econômica valorizará a vida e pode desfrutar segurança e saúde. Por essa razão, é importante controlar minuciosamente os gastos diários em um caderno.2 Notas: 1. IKEDA, Kaneko. Kaneko, Seu Sorriso, sua Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2006. 2. Brasil Seikyo, ed. 1.688, 15 nov. 2003, p. A3.

13/01/2022

Poema

Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21!

“Por que eu escalo a montanha?Porque ela está lá!”Assim disse um famoso alpinista. Estamos para conquistar o topoda montanha do século 21,a montanha do kosen-rufu! Meus queridos jovens,vençam com coragema montanha do século 21.Portem bem alto a bandeira da verdade da Lei Mística,e alcancem assimuma vida realmente independente e realizada. Para isso,devem vencerpasso a passo,e uma por uma,as montanhas, grandes e pequenas,que os desafiam a cada dia.Pois o valor de uma juventude plenasó se encontra na vidadaqueles que lutaram para conquistaras traiçoeiras montanhas da vida e da sociedade! É somente seguindo esse caminho,escolhido com profunda determinação,que farão surgir, com uma serena fortaleza,uma personalidade de vastidão tão indizívelcomo a de um campo infinito,e assim viver com convicção inabalável! Meus jovens discípulos,vivam, vivam e vivam —pela causa da grande Lei,eterna, absoluta e indestrutível!Cumpram a nobre missãopela qual nasceram!Badalem o sino da paz no mundoe hasteiem a bandeira da justiça na sociedade —objetivos que são nossa fé! O sol nasce todos os diaselevando-se majestosamentenas manhãs primaveris,quando desabrocham as flores de cerejeira,no calor sufocante dos dias de verão,no outono das folhas carmesins,e apesar das nevascas e das tormentas.Devemos superar sua força!Meus amigos, herdeiros do futuro,façam com que em sua juventudeo radiante sol da grande Leidesponte a cada momentoem seu coração! Meus jovens amigos!Sol e juventude têm o mesmo significado.Abracem esse sol que brilhacom um infinito potencial,e, por favor, vençam em cada aspecto da vida, Hoje, amanhã e sempre!Passaram-se mais de setecentos anosdesde que o Budismo do Sol surgiu.O grande rio da propagaçãojá banhou o mundo inteiro com suas águasde acordo com o princípio de que“quanto mais distante a fonte, mais longa a correnteza!”. Transcorreu meio séculodesde que foi fundada em 1951a nossa Divisão dos Jovens do kosen-rufu,corajosa e cheia de convicção,hasteando bem alto a bandeirado Budismo do Sol.Naquela ocasião, uns 260 jovens —garbosos rapazese moças sinceras —reuniram-se com o espírito indomável.Nessa trajetória de cinco décadas,o rio que eles criaram transbordou,suas águas às vezes se quebrando nas rochas,outras vezes se transformando em chuvas torrenciais,ou expondo-se ao calor abrasador.Mas hoje se tornaramuma impetuosa torrente com uma força de cinco milhões! Os presidentes que sucederam a Josei Todaforam todos da Divisão dos Jovens.Por favor, lembrem-se disso! Ninguém pode detera solene correnteza desse rio!Ela vai se avolumar em direção ao vasto oceano,aprofundando-se ealargando-se ainda mais ao longo do caminho,conduzindo os tempos,livre de qualquer força autoritáriaou de impedimento obscuro! Graças aos valentes e vigorososesforços de propagação dos jovens,o Budismo do Sol de Nichiren Daishoninpassou a brilhar além do Japãoe a iluminar o mundo inteiro.Esse valoroso rio da propagação da Lei Mística,agora com 128 países,1como a mais importante filosofia do mundo,flui triunfante e eterno,pela paz,pela dignidade da vida,oferecendo toda a benevolência possível. Foram sempre os jovensque lideraram esses esforços!O Gosho diz:“Se a compaixão de Nichiren for realmente grande e abrangente,o Nam-myoho-renge-kyo se propagarápor dez mil anos e mais, por toda a eternidade”.2 Em nosso harmonioso movimentode benevolência e filosofia,comprometido com a defesa da liberdade religiosa,não existem distinções de classes,nem fronteiras nacionais!Nosso movimento se dedica a ajudar cada pessoaa compreender a missão, os direitos e a felicidadeque lhes pertencem de forma inalienável! Nós somos totalmente contra a violência!Somos absolutamente contra a guerra!Com base nesse grandioso budismo,expandimos o círculo da compreensão mútuaalém das fronteiras,além das diferenças ideológicas,e criamos o ímpeto para a paz e a cultura.Pois todo ser humanotem o direito de ser feliz! Estou aguardando, ou melhor, estou orandode todo o coração pelo seu crescimento.Pois sei que esse será o único modode o kosen-rufu ser alcançado.Por isso, eu lhes digo:“Nunca se esqueçam de que o gongyo e o daimokusão a força motriz para a escaladada montanha do século 21”. Assim como diz o Gosho:“Se não consegue atravessar um fosso de três metros de largura,como conseguirá atravessar umde trinta ou sessenta metros?”3Vocês devem vencer, aconteça o que acontecer,no local em que estão agora!Ninguém consegue superar uma pessoaque recita daimokucom todo o vigor —pois o daimoku é a verdadeira essênciado Budismo de Daishonin!Meus jovens amigos,lembrem-se do espíritodessa passagem do Gosho!E baseiem nela suas açõescom coragem e sinceridade! Jamais percam a esperançapor mais angustiante que seja sua situação!A esperança é uma força infinita.Pois ter esperança é ter fé! Os seres humanos, inatos criadores de valor,têm o dom de tirar a esperança lá do fundo.Às vezes, infelizmente,vocês sofrem revesesna vida.Mas jamais permitam que sua féseja destruída!Se sua fé for invencível,a real e profunda prova da vitóriaseguramente será sua um dia!Essa prova será reveladapara que todos na sociedade a vejam,pois vocês seguem o budismodo verdadeiro ichinen sanzen!4 Meus jovens amigos que viverão no novo século,tornem-se líderes de grande sabedoria,e nunca se esqueçam de sempre caminharjunto com o povo,pois o povo é soberano!A história sempre mostrou, com clareza,que as pessoas comuns são sábias! Enquanto tivermos o apoio do povo,e enquanto praticarmos essa fé,nosso movimento escreverá uma históriade avanço ainda mais ilimitado! Portanto, meus jovens amigos,orgulhem-se por ter de carregar tantos fardos,tornem-se na vida exemplosde bons cidadãos para os outros!Façam de sua maior honrao fato de ser jovens filósofos de ação! Nós sabemosque o novo século deseja muitoe aguarda com expectativaesses líderes jovens e ilustres.As pessoas destituídas de fé ou de filosofiasão como navios sem bússola!Os tempos já estão mudando,a cada momento,da era do materialismopara a era da espiritualidade,e da era da espiritualidadepara a era da vida,As pessoas começam a perceberque somente em si própriasé que se pode encontrar o valorda verdadeira felicidade humana.Hoje, o que importanão é a popularidade, a fama ou a fortuna.Com sua sabedoria inata,o povo respeita e anseia porlíderes de integridade e de caráter! Nesta era do povo,os verdadeiros líderes são aquelesque conquistam a confiança das pessoas.Todos nós somos iguais;ninguém é superior ou inferior.Meus jovens amigos,espero que cada um de vocês se torneum líder do novo séculoque, dia e noite,está em contato com as pessoas,vive com elas,cultiva calorosas relações humanas,compartilha suas preocupaçõese cria empatia com a luta delas! Eu tenho fé em vocês!E tenho também grandes expectativas!Pois, sem vocês,o kosen-rufu não será alcançado! Resistindo a todos os tipos de perseguição,eu também me empenhei, como um dos discípulos de Josei Toda,que escolhi para ser meu mestre da vida,para propagar a causa do povo,dando tudo de mim à luta pelo kosen-rufu,a meta que prometi com meu mestre alcançar!Asseguro, aqui,que todas as acusações falsase infundadas contra mimserão claramente julgadas pela história! Pois o pavilhão da vitória da revolução humanaficará para sempre desfraldado bem alto no céu,quando nos levantamos como pessoas altaneiras,firmes em nossa determinação,vencendo todas as perseguições,seja qual for a autoridade ou poderque quiser nos oprimir! Meus amigos,eu lhes imploro incondicionalmente —nunca sejam desprezíveis!Nunca sejam covardes!Nunca sejam traidores!É que o coração de pessoas assim,por mais pomposa que seja sua retórica,é vil e degenerado,dominado pelo mundo dos espíritos famintos e pelo mundo dos animais.5 Jovens líderes,desenvolvam uma aguda percepçãopara que, em todos os momentos,consigam discernir, com clareza, a essênciade vários problemas e incidentesque enfrentamos!E denunciem com rigoras tramas e intrigasque estão na raiz,inventadas para acabar com nosso empenhopara propagar o budismo. Jovens, defensores do futuro,sejam sábios!Sejam revolucionários!Não sejam tolos!Não sejam enganados!Sejam pessoas de discernimento e de sabedoria!Esses são os requisitos da fé —e o Gosho diz:“Quando o céu está límpido, a terra se ilumina”.6 A essência do budismoé, de fato, um duelo entrea felicidade e a infelicidade,o bem e o mal,o Buda e as forças malignas!Por favor, entendam isso a fundo! Meus jovens amigos,como vitoriosos, espero que se afastemdaqueles companheiros lamentadoresque abandonaram a fé,e se juntem a pessoas que têm espírito de procura,revelam a Torre de Tesouro na própria vida,e continuam a se empenhar com sinceridade,para promover nosso grandioso movimento budista. Para ter plenamenteuma existência de significado,uma profunda filosofiae uma forte fésão indispensáveis!Tornem sua maior fonte de orgulhoo abraçar este nobre Budismo do Sole o viver a mocidade com paixão e alegria!Pois essa é a essência da juventude! A montanha do século 21 está próxima!Já à vista,o novo século lhes pertence!É o seu alvorecer!Agora é a sua vez de brilhar!Esse é o grandioso palcopara vocês atuarem com todo o seu potenciale consolidarem ainda mais nosso movimento! Três de maio de 2001 —vamos torná-lo o dia gloriosoem que juntos alcançaremos o topo!Lembrem-se, por favor,de que esse dia decidiráo resultado de nossa lutano segundo capítulo do kosen-rufu.Meus jovens amigos de profunda missão!Até lá,prossigam com vigor em sua assídua prática budista,com passos ágeis e alegres!Por favor, deem tudo de si a cada dia,com saúde e disposição!Todo o trabalho árduo que realizam é para vocês,para as pessoas,para os amigos que estão sofrendo —tenham a convicção de que esse é o caminhode uma juventude consagrada ao bem!E escrevam uma magnífica história pessoal,inesquecível e que fique eternamente gravadaem sua vida! Uma prática intrépida e vigorosaé o único modo de alcançar isso!Quando estiverem sofrendoou sem saber o que fazer,tenham coragem, uma coragem resoluta,e não se esqueçam de seus companheirosem quem podem confiar e quem também confia em vocês!Em todos os lugares, seus veteranos na féanseiam pelo seu êxito!Seus queridos companheiros reconhecem seus esforços!Companheiros assim existem no mundo inteiro!Em todas as ocasiões, recitem daimokupara vencer a si próprios!Não poupem a voz!E não hesitem em bradar pela justiçacom o vigor do rugido de um leão! Recordem-se tambémde que todas as suas ações e seus esforçossão observados, sem falha, pelo Buda dos Últimos Dias da Lei;que observa as “três existências da vida” —passado, presente e futuro.O Buda dos Últimos Dias da Lei também prometeque os deuses budistas infalivelmente protegerão vocês,os heróis do kosen-rufu.Isso é fé! Não tenham medo de alguns insultosnem das críticas zombeteiras dos outros!Esses sofrimentos não são nadase comparados aos de Shakyamuni,e são muito menores do que as perseguiçõesque Nichiren Daishonin enfrentou!Para provar que vivemos de acordocom os ensinamentos de Nichiren Daishonin,é natural encontrarmosos fustigantes ventos dos obstáculos.Isso nós devemos considerarcomo a incomparável honra da Soka Gakkai. Meus nobres jovens sucessores,tratem seus preciosos pais com carinho,deem importância à sociedade,e compreendam com orgulhoque o princípio budistada flor de lótus que desabrocha no lamaçalaplica-se à realidade pantanosa da sociedadena qual travamos nossas lutas diárias!A vida no mundo real é complicadae cheia de contradições.Mas, peço-lhes, jovens sucessores,que construam, com grande dignidade e convicção,um magnífico palácio da vida!Saibam que a paz e a felicidade infinitasencontram-se nas profundezas do seu ser!Algumas vezes, deverão esperar e suportar,Outras vezes, deverão iniciar com coragem a conquista de uma retumbante vitória!O dia de hoje jamais voltará,portanto, avancem com firmeza a cada dia,avancem sempre.Assim é a vida de um bodisatva da terra. Fé énão ter medo de nada!É ser eternamente vitorioso!É agir e assimtornar-se um indivíduo de notável humanidadeque une as pessoas, o budismo e a sociedade!A sociedade é agreste —não sejam indulgentes,nem se deixem arrastarpelas tendências da sociedade!Lembrem-se de que vocês são protagonistas,escrevam com orgulho a própria história!Não se deixem seduzirpelos fenômenos superficiais da sociedade!Se vocês se deixarem dominar pelos “oito ventos”,7pela censura ou pelo elogio dos outros,serão lamentavelmente derrotados.Por favor, queridos amigos, sejam vitoriosos! Meus jovens discípulos,oro sem cessar pelo seu crescimento!Agora, uma vez mais,consolidem a união de seus esforçose continuem a seguir esse caminho infinito e grandioso!Avancem com coragem e alegria,entoando as adoradas canções da Soka Gakkai —algumas vezes, Kurenai no Uta;Outras vezes, Ifu Dodo no Uta!Incontáveis jovens herdeirosestão seguindo seus passos.Trabalhando juntos,vamos escalar a montanha invencíveldo século 21!E quando atingirmos o topodessa montanha,o mundo que se descortinar diante de nósserá todo seu.Não existe caminho mais supremo a seguirque o de consagrar a vida e a juventudeà obra prazerosa e realizadorade propagar o budismo.Com convicção nisso,confio tudo a vocês! Notas: 1. Hoje, são 192 países e territórios. 2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 770, 2020. 3. Ibidem, v. II, p. 24, 2017. 4. “Três mil mundos num único momento da vida” (ichinen sanzen): Sistema filosófico estabelecido por Tiantai da China com base no Sutra do Lótus. A expressão “três mil mundos” indica os aspectos e as fases variáveis que a vida assume a cada momento. A cada instante, a vida manifesta um dos “dez mundos” — do inferno ao estado de buda. Cada um desses mundos possui dentro de si o potencial para todos os dez, totalizando cem possíveis mundos. Cada um desses cem mundos possui os dez fatores e opera em cada um dos três domínios da existência, totalizando três mil mundos. Em outras palavras, todos os fenômenos estão contidos num único momento da vida, e um único momento da vida permeia os três mil mundos da existência, ou todo o mundo fenomenal (Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 1019, 2020). 5. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 917, 2020. 6. Ibidem, p. 395. 7. “Oito ventos” (jap happū): Oito condições que impedem as pessoas de avançar no caminho correto para a iluminação. Os oito ventos são: prosperidade, declínio, desgraça, honra, elogio, censura, sofrimento e prazer. As pessoas são, com frequência, desviadas do caminho pelo apego à prosperidade, à honra, ao elogio e ao prazer, ou pelo repúdio ao declínio, à desgraça, à censura e ao sofrimento (Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 969, 2020).

14/12/2021

Matéria Grupo Coração do Rei Leão

Comunicação positiva

Muitos pais são nascidos na década de 1970 e, portanto, acompanharam o avanço da tecnologia em seu lar, com televisores, aparelhos de som, geladeiras etc. Sabidamente, nós também temos o privilégio de vivenciar o avanço tecnológico. E, num processo mais rápido e intenso, vimos quanto o telefone atualmente exerce forte influência em nossa vida. Com certeza, em sua família ou de algum conhecido que tenha filhos na fase dos 5 aos 9 anos, eles conhecem e manuseiam perfeitamente o celular, o notebook e sabem bem a importância que tem o sinal do Wi-Fi. Engraçado que até há pouco conseguíamos “controlar” o tempo que as crianças “passavam na internet” simplesmente desconectando o cabo do Wi-Fi. Dizíamos que a internet estava com algum problema e eles acreditavam. E o tal do problema do Wi-Fi sempre se dava no mesmo horário. Em um diálogo sobre o avanço tecnológico, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, comenta sobre a importância de mantermos o diá­logo saudável. À medida que a revolução na tecnologia da informação continua a avançar, é natural que o diálogo de pessoa a pessoa, em que acontece uma verdadeira comunicação de vida a vida, seja cada vez mais essencial para a saúde individual e para o desenvolvimento social.1 Devido a pandemia, a rotina de todos nós sofreu diversas altera­ções: alguns pais começaram o famoso home office, além das aulas on-line. Com a rotina de aulas virtuais, por exemplo, houve um aumento considerável do uso da tecnologia. Não que seja um fator ruim, mas cabe a nós, pais, incentivarmos nossos filhos a usar corretamente a tecnologia. A importância do diálogo Nosso dia é cheio de tarefas, ainda assim devemos mostrar exemplos de um convívio harmonioso em nosso lar e com nossos filhos. Lemos na Nova Revolução Humana sobre a rotina de Ikeda sensei, mesmo com várias tarefas, e o que ele fazia para estar próximo aos seus filhos. Mesmo percorrendo todo o país, ele jamais se esqueceu de enviar cartões-postais de cada localidade para seus filhos. Os textos eram simples, muitas vezes apenas informando onde estava e aonde iria no dia seguinte. Porém, jamais enviou um cartão endereçado a todos; sempre fez questão de remeter um postal para cada um de seus filhos.2 Atitudes simples põem em ação a revolução humana individual e familiar. Pequenos gestos continuamente farão surgir verdadeiros frutos em nosso lar, como nosso mestre nos direciona por meio do seu incentivo a seguir: A questão principal é que tudo é enfim decidido pela fé dos pais. Em particular — e digo isso com base na experiência de centenas de milhares de pessoas — a fé da mãe é crucial. É isso o que significa “consistência do início ao fim”. “Início” significa a fé dos pais e “fim”, a fé dos filhos. Essencialmente, não há separação entre as duas.3 Vamos, juntos, cada vez mais, construir as bases de nossa família com alegria e radiância. Grupo Coração do Rei Leão Relato familiarRicardo e Lívia Imai - RM Cachoeirinha, Sub. Casa Verde, CNSPNossos filhos, Leonardo, de 9 anos, e Yasmin, de 5, ainda são crianças, mas conhecem e manuseiam perfeitamente todas as tecnologias (celular, computador). Dividindo uma situação pessoal e interessante, nas conversas virtuais com os amigos da escola, nossos filhos comentavam que, em determinado horário, o Wi-Fi de casa “dava problema”. E logo um “sabidinho” revelou o segredo para eles. Quando descobriram, demos muitas risadas. A luz amarela acendeu quando percebemos que eles não conseguiam ficar desconectados nem nos momentos das refeições ou recusavam um convite para um passeio. Observando essa dependência de uso dos gadgets, num momento de sabedoria (iluminação), passamos a incentivar Leonardo a estudar a utilização correta das salas de reuniões virtuais e, com isso, ele começou a se interessar pelo assunto, compartilhando os links para as atividades da comunidade. Em pouco tempo, passou a controlar o ingresso de participantes nas reuniões, abrir e fechar microfones, compartilhar telas, registrar as fotos das reuniões, enfim, fazendo bom uso da internet. Já Yasmin, por sua vez, foi incentivada a fazer desenhos enquanto as atividades estavam em andamento para, ao final, apresentá-los a todos os participantes, que, por sua vez, com muita benevolência, elogiaram seus lindos feitos. Pode parecer pouco, mas, dessa forma, entendemos que nossos filhos estão mais próximos do mundo real e temporariamente distantes do mundo virtual. Sabidamente, nem tudo são flores, pois, vez ou outra, eles têm recaídas, e, ainda assim, nós os incentivamos a contribuir da melhor maneira. Em algum momento, ouvimos dizer que “os filhos crescem vendo as costas dos pais” e, então, de alguma forma, precisamos nos esforçar também para dar um bom exemplo para eles. Ricardo e Lívia com os filhos Leonardo e YasminNotas 1. Brasil Seikyo, ed. 1.579, 11 nov. 2000, p. A4. 2. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. 2, p. 214. 3. Brasil Seikyo, ed. 1.569, 26 ago. 2000, p. 3.

25/11/2021

Notícias

Clube Virtual de Leitores conclui atividades de 2021

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL Na quarta-feira, 17 de novembro, foi realizado o último encontro do ano do Clube Virtual de Leitores (CVL) da Coordenadoria Educacional (CEduc) da BSGI. Promovido desde maio deste ano, os participantes vieram se dedicando a não somente ler, mas a refletir sobre o clássico da literatura mundial Cidade Eterna, de autoria do renomado Hall Caine. Essa obra foi uma das indicações de leitura do segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, para seu discípulo, o então jovem Daisaku Ikeda. O encontro foi marcado por agradecimentos e perspectivas. Um dos participantes reforçou que o Clube Virtual de Leitores se tornou uma “dinâmica mágica”, enquanto outra integrante, já de posse desse livro, relatou ter sido por meio do CVL que se sentiu motivada a lê-lo. Outra comentou ainda que os recursos tecnológicos utilizados nos estudos despertaram nela a curiosidade para aprender sobre como utilizá-los e, assim, poder aplicá-los na organização de base. “A experiência de ler a mesma obra em conjunto e discuti-la conforme a narrativa se desenvolve é sensacional, pois os leitores descobrem aspectos conjuntamente, trocam impressões e se surpreendem com as diferentes perspectivas apontadas, expandindo o horizonte literário”, destaca Sônia Kato, coordenadora da CEduc da BSGI. A líder nos revela também algumas novidades para 2022: o CVL estudará as obras 1984, de George Orwell, e a primeira parte do volume 30 da Nova Revolução Humana, do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI). Composto majoritariamente por leitores que já participaram dos encontros da Academia Magia da Leitura (AML), o Clube Virtual de Leitores surgiu com o principal objetivo de proporcionar o convívio, compartilhar experiências e dar continuidade aos incentivos à leitura. Criado no início da pandemia, o clube se adaptou ao formato virtual, sendo disponibilizado um cronograma entre os participantes.No topo: participantes do Clube Virtual de Leitores “de olho” nas próximas leituras

25/11/2021

Especial

Uma vida dedicada ao ser humano

REDAÇÃO Da infância sem perspectiva para o educador comprometido com o desenvolvimento de seus alunos e também fundador da Soka Gakkai, organização que, em 18 de novembro, completa 91 anos. Nesta edição, apresentamos o legado de Tsunesaburo Makiguchi na área da educação. Quem foi Tsunesaburo Makiguchi? Antes de falarmos sobre as realizações de Makiguchi sensei na área da educação, vamos conhecer sua vida. Nascido no dia 6 de junho de 1871, na Vila de Niigata, no Japão, recebeu o nome de Tyoshiti Watanabe. De família muito humilde, pouco antes dos 3 anos foi abandonado pelo pai, Tyomatsu, e depois pela mãe, Ine. O tio Tendayu Makiguchi foi quem o criou, e do qual adotou o sobrenome Makiguchi. Sempre que podia, sua mãe o visitava; até que, um dia, quando passeavam pela praia, ela tentou acabar com a própria vida junto com a vida do filho, Tyoshiti, no mar, triste por ter de viver longe dele. Os dois foram salvos, mas nunca mais ele voltou a encontrar a mãe. Ao completar 15 anos, Tyoshiti foi morar com outro tio, chamado Shiroji Watanabe, na cidade de Otaro. O tio era muito pobre e não tinha como colocá-lo na escola. Então, desde cedo, o jovem teve de trabalhar para ajudar nas despesas da casa. Seu chefe gostou muito dele e, quando foi transferido para Sapporo, levou-o consigo. Lá, conseguiu estudar e, aos 22 anos, formou-se professor e mudou seu nome para Tsunesaburo. Em 1894, casou-se com a jovem Kuma e tiveram oito filhos, quatro meninas e quatro meninos. Tempos depois, ele se mudou para Tóquio. Em outubro de 1903, publicou sua grande obra, Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana]. Em 1919, conheceu Josei Toda na Escola Primária Nishimachi, onde Makiguchi era diretor. Entre os anos de 1924 e 1932, Makiguchi sofreu muito, pois perdeu quatro de seus filhos. Então, em junho de 1928, com 57 anos, converteu-se ao Budismo de Nichiren Daishonin. Josei Toda se converteu junto com seu mestre e, assim, fundaram a Soka Kyoiku Gakkai em 18 de novembro de 1930 (leia matéria na edição 2.586, de 6 de novembro de 2021). Em 1940, com o início da guerra, o governo japonês obrigou os líderes da Soka Gakkai a abandonar o budismo e a praticar o xintoísmo. Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda não aceitaram essa imposição do governo e foram presos. Na época, Makiguchi tinha 72 anos. Em 17 de novembro de 1944, sentindo o corpo muito fraco e cansado devido à desnutrição, Makiguchi pediu para ser levado à enfermaria. Colocou seu traje de cerimônias e, mesmo debilitado, caminhou até lá. Por volta das 6 horas da manhã do dia 18 de novembro de 1944, ele faleceu, aos 73 anos. Seu discípulo, Josei Toda, saiu da prisão no ano seguinte, herdando o espírito do seu mestre e reconstruindo a Soka Gakkai. O educador Makiguchi Em 1930, Makiguchi expressou numa carta a um amigo: “Políticas educacionais recentes, bem como professores de salas de aula, tornaram-se completamente burocráticas e indiferentes, destruindo o propósito integral da educação. Isto põe o futuro do Japão em grave risco”.1 Sempre preocupado com a educação, Makiguchi sensei visua­lizava em seus alunos o grande potencial para a transformação da sociedade. Nos dias frios do inverno, em sua época como professor de ensino fundamental em Hokkaido, Makiguchi saía para ir ao encontro dos estudantes que estavam a caminho da escola e, quando a aula terminava, ele os acompanhava até a casa deles. Observava atentamente para se certificar de que as crianças mais franzinas não ficassem para trás, carregando, algumas vezes, as mais novas nas costas e segurando a mão das mais velhas. De manhã, preparava água quente para mergulhar as mãos dos alunos rachadas pelo frio. Depois de se mudar para Tóquio, Makiguchi tornou-se conhecido como excelente diretor de escola, mas, por se recusar a bajular aqueles que ocupavam posições de autoridade, estes se ressentiam dele. Isso o levou a ser perseguido e transferido de um posto para outro. Durante esse período, foi alocado como diretor numa instituição escolar (Escola de Ensino Fundamental de Mikasa) frequentada inteiramente por crianças de famílias pobres — muitas delas tão pobres que não tinham condições de comprar guarda-chuvas para os filhos se protegerem. Pagando do próprio bolso, ele provia alimentos, como bolinhos de arroz, para os que não podiam trazer lanche de casa — e, ao mesmo tempo, lutava para sustentar sua numerosa família. Para não constranger os necessitados, ele deixava a comida na sala do zelador, de modo que pudessem apanhá-la sem atrair a atenção. Quando era forçado a deixar uma escola, os alunos choravam, e até os pais e professores enxugavam as lágrimas — prova do quanto ele era amado. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), certa ocasião, fez o seguinte comentário sobre Makiguchi sensei: Tsunesaburo Makiguchi começou a praticar o Budismo Nichiren aos 57 anos, em 1928, ano em que nasci. Ele não era de modo algum um homem jovem. Em relação à expectativa média de vida na época, seria considerado idoso. Ele iniciou a prática do Budismo Nichiren no capítulo final de sua existência, e mesmo assim registrou feitos imortais na história do kosen-rufu. Nos derradeiros anos de sua vida, engajou-se numa luta incessante contra as autoridades militaristas do Japão e morreu nobremente na prisão em defesa de suas crenças. Makiguchi sensei emprega a expressão “uma alegria indescritível”. Ao adotar o modo de vida fundamental do Budismo Nichiren, transformou completamente a maneira como vivera até então, e percebeu-se capaz de empreender ações na sociedade com total liberdade e energia. Suas palavras nos transmitem a intensidade do entusiasmo dele em afirmar que nada poderia se comparar à alegria dessa experiência. (...) Por essa razão, Makiguchi ensinou que não devemos permitir que algo destrua nossa alegria, nem permitir que alguém destrua nossa fé e prática budistas, a fonte de nosso alegre espírito e modo de vida. Já que é para viver, viva com convicção e coragem, dedicando-se a um propósito grandioso! — esse era o espírito do fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi.2 Makiguchi compartilhava, com frequência, suas ideias com os familiares: “No futuro, haverá um sistema escolar que aplicará os métodos da pedagogia da criação de valor. Abrangerá da pré-escola ao nível universitário. O jovem Toda assegurará a continuidade de meu trabalho”.3 Onde o movimento da educação humanística está presente Estados Unidos: Universidade Soka da América (2001) Ásia: Escola Soka de Educação Infantil de Hong Kong (1992); Escola Soka de Educação Infantil de Singapura (1993); Escola Soka de Educação Infantil da Malásia (1995) e Escola Felicidade Soka de Educação Infantil da Coreia do Sul (2008) Japão: Escola Soka de Ensino Fundamental e Médio de Tóquio (Tóquio, 1968) / Escola Soka de Ensino Fundamental de Tóquio (1978); Escola Soka de Ensino Fundamental e Médio de Kansai (Osaka, 1973;) / Escola Soka de Ensino Fundamental de Kansai (1982; Osaka); Escola Soka de Educação Infantil de Sapporo (1976) e Universidade Soka (Japão, 1971) Brasil: Escola Soka do Brasil (2001) / Colégio Soka do Brasil (2017) Ikeda sensei incentiva alunos da Escola Soka de Kansai (Universidade Soka, Japão, set. 2005) Presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, em plantio comemorativo no início das obras da Universidade Soka (Japão, maio 1967) No topo: ilustração retrata Tsunesaburo Makiguchi (à esq.), a Universidade Soka da América (acima) e o presidente Ikeda com alunos do sistema educacioinal Soka (abaixo) Fontes: https://www.daisakuikeda.org/main/educator/edu-instit/soka-schools.html https://www.tmakiguchi.org/ https://www.sokaglobal.org/about-the-soka-gakkai/at-a-glance/legacy-of-the-founding-presidents.html Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Educação Soka — Por uma Revolução na Educação Embasada na Dignidade da Vida. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 185, jan. 2021. 2. Brasil Seikyo, ed. 2.393, 28 out. 2017, p. B2. 3. IKEDA, Daisaku, op. cit., p. 186. Sugestão de leitura: “A educação é a chave da mudança do mundo.” Esse é o brado de Daisaku Ikeda, presidente da SGI. É autor de Educação Soka — Por uma Revolução na Educação Embasada na Dignidade da Vida. Na obra, ele apresenta uma perspectiva a partir da qual é possível contemplar o objetivo fundamental da educação e seus processos de transformação. O livro está na versão e-book.

11/11/2021

Notícias

Divisão dos Universitários em ação

REDAÇÃO Desde que foi fundada, a Divisão dos Universitários (DUni) da BSGI vem assumindo a honrosa responsabilidade de expandir os ideais do presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, não somente para os membros da organização, mas também para a sociedade. No dia 6 de novembro, os integrantes do grupo de estudos sobre a obra do Dr. Daisaku Ikeda do Núcleo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) promoveram um encontro que abordou o ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), parte da Agenda 2030. A mesa de trabalhos contou com a presença de Eliane Jocelaine, secretária de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, pelo município de Campinas (SP), a qual iniciou suas palavras refletindo sobre a paz, não como utopia, mas como algo a ser construído e que beneficie a coletividade. “A paz deve ser um elemento de motivação, para que nos reconheçamos interdependentes e possamos, a partir disso, construir hoje propostas mais integradas e inclusivas”, declara Jocelaine. Múltiplas possibilidades Inclusão é um tema que vem sendo cada vez mais discutido em diferentes esferas: da acessibilidade urbana a questões educacionais e profissionais. Cientes disso, os membros da DUni da RM Jabaquara (Sub. Congonhas, CNSP) decidiram levar o assunto para a atividade da divisão, já que é comum entre eles realizar esse tipo de diálogo informativo, explorando a temática no dia a dia. Nayara Ramos, responsável pela DUni da RM, afirma: “Sempre que apresentamos temas dessa importância aos jovens, mostramos não somente dados e fatos relacionados, mas também como pôr o tema em prática de acordo com a visão budista de prezar cada ser humano. A proposta é que cada um se coloque em posição de vanguarda e, com um pouco mais de conhecimento, mude o ambiente ao redor da melhor forma possível”. Nayara também revela que existe uma preocupação por parte da DUni em ampliar o rol de assuntos a ser discutidos nas atividades da divisão, porque é ali que eles terão a oportunidade de discuti-los da ótica dos direcionamentos do presidente Ikeda. Para ela, esse processo oportuniza uma transformação profunda em cada indivíduo: “Sabemos que é necessária uma grande mudança, porém ela acontece primeiro no coração de cada jovem, em cada família e em cada localidade até se refletir de forma grandiosa na sociedade como um todo”. Temas atuais são pauta constante nos encontros dos universitários da RM Jabaquara No topo: encontro do Polo Unicamp contou com presença de Eliane Jocelaine, secretária de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, pelo município de Campinas (SP)

11/11/2021

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Divisão dos Estudantes na reunião de palestra

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL A Divisão dos Estudantes (DE) da BSGI tem se mostrado cada vez mais decidida a construir uma história de vitórias rumo a 2030, ano em que celebraremos o centenário da Soka Gakkai e os setenta anos da BSGI. Para fechar o mês de outubro, muitos representantes se dedicaram mais efetivamente às programações da reunião de palestra (RP), principal atividade mensal da organização. Um dos exemplos foi a Comunidade Costa Barros (RM Vila Prudente, CCLP) que, com toda a criatividade, levou o clima do Halloween para a RP. Os membros da comunidade abraçaram a ideia e participaram animadamente da atividade com direito a decoração virtual, fantasias e maquiagem. Sandra Silva, responsável pela Divisão Feminina (DF) da comunidade, revela que o propósito da programação foi o de promover máxima interação. A líder nos conta que “Um membro da DE apresentou a atividade pela primeira vez junto com a minha filha, que é autista. O sentimento é de pura gratidão, e o objetivo é possibilitar que cada vez mais estudantes participem das atividades, visando o futuro”. Para os integrantes da DE, o significado de fazer parte da programação pode ir além do treinamento, visto que muitos deles ainda não têm noção desse aspecto. Segundo Yasmin Silva Neves Mello, membro da DE-Esperança da localidade, é uma oportunidade de interagir. “A reunião de palestra, para mim, é muito importante, porque tenho contato com várias pessoas, as quais me ajudam a me expressar. Quando participo da programação, fico muito, muito feliz!”, declara Yasmin, que foi uma das apresentadoras da RP de outubro. Victor Fernandes, componente da DE-Herdeiro da Comunidade Costa Barros, considera que a força da Divisão dos Estudantes faz total diferença nas reuniões. O jovem, que também apresentou a atividade, pondera: “Nas reuniões em que temos a presença e a colaboração dos estudantes, essas atividades são carregadas de boas energias e disposição, pois é possível sentir uma grande força que somente a DE é capaz de proporcionar. Assim, creio que a DE tem papel fundamental na vida dos jovens e, com essa força, não só influencia a todos, como também propaga o budismo para mais e mais pessoas”.

11/11/2021

Editorial

Em seu lugar

Eles desceram do carro e, enquanto caminhavam pela avenida principal, avistaram o monumento comemorativo da independência do México, O Anjo da Independência, no alto de um pilar, com tom dourado, segurando em uma mão uma coroa de louro, representação da vitória, e na outra uma corrente partida, símbolo da liberdade. — Era aqui, não é mesmo? — Sim, isso mesmo. (...) Hoje é dia 2, data de falecimento de Toda sensei. — É isso mesmo. Justamente nesse dia, ao descermos do carro e caminharmos, acabamos chegando a esse local… — Sem dúvida, deve ter sido sensei que nos trouxe até aqui. Foi assim que o presidente Ikeda e sua esposa, Kaneko, conversaram ao avistar o monumento O Anjo da Independência, no México, durante uma visita ao país em 2 de março de 1981. Ao perguntarem um ao outro se estavam no lugar certo, eles se referiram a uma conversa que Ikeda sensei teve com seu mestre, Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, poucos dias antes de ele falecer, o qual descreveu nitidamen­te o sonho que tivera na noite anterior: Ontem, sonhei que fui ao México. Estavam me esperando… todos estavam esperando. Ansiavam pelo Budismo de Nichiren Daishonin. Queria muito ir ao mundo. Para a jornada do kosen-rufu… Daisaku, é o mundo. Seu verdadeiro palco é o mundo… Daisaku, viva! Viva bastante! E vá para o mundo!1 O casal se emocionou ao se vir diante do cenário descrito por Josei Toda, realizando o sonho do mestre. Em seu coração, Ikeda sensei bradou: “Sensei! Estou percorrendo o mundo. Sem falta edificarei um sólido alicerce do kosen-rufu mundial, no lugar do senhor!”.² No mês de fundação da Soka Gakkai, organização nascente do movimento mundial estabelecido pelo presidente Ikeda, vamos juntos relembrar que o que sustenta esse fluxo constante na história de 91 anos é a unicidade de mestre e discípulo, com o desejo de, a todo momento, no lugar do Mestre, com incessante esforço, tornar os sonhos dele realidade, como Ikeda sensei nos ensina: “O sonho do mestre é o sonho do discípulo. A vitória do discípulo é a vitória do mestre. Esse é o caminho Soka de mestre e discípulo. Gostaria que todos vocês (...) também seguissem esse caminho”.³ Boa leitura! Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana, v. 30-I. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 289, 2020. 2. Ibidem, p. 290. 3. RDez, ed. 198, jun. 2018, p. 6-10.

04/11/2021

Especial

Jornada épica rumo ao centenário em 2030

REDAÇÃO O início Em 1903, aos 32 anos, Tsunesaburo Makiguchi publicou, pouco antes da Guerra Russo-Japonesa, a obra Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana]. A mentalidade da sociedade japonesa da época pode ser simbolizada pela atitude de sete famosos acadêmicos do Japão, da Universidade Imperial de Tóquio, que fizeram uma petição ao governo para que endurecesse sua postura com a Rússia, inflamando ainda mais a população à guerra. Já Makiguchi, professor desconhecido, enfocava a comunidade local, mas com a consciência de cidadania global. Aos 42 anos, Makiguchi foi nomeado diretor de uma escola de ensino fundamental em Tóquio, e durante os vinte anos seguintes desenvolveu os trabalhos de algumas das mais notáveis escolas públicas de Tóquio. Uma das maiores influências do pensamento de Makiguchi foi o filósofo americano John Dewey, em cuja ideologia ele se baseou para criar uma mudança no sistema educacional japonês. Franco defensor da reforma educacional, Makiguchi se encontrava sob constante vigilância e pressão das autoridades. Em 1928, aos 57 anos, Makiguchi conheceu o budismo e sentiu que havia encontrado nessa filosofia os meios pelos quais poderia concretizar os ideais que buscara durante toda a vida — um movimento pela reforma social por meio da educação. Em 18 de novembro de 1930, Tsunesaburo Makiguchi e seu discípulo, o também professor Josei Toda, publicaram o primeiro volume do livro Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor]. Eles decidiram chamar a editora de Soka Kyoiku Gakkai [Sociedade Educacional de Criação de Valor], que se tornou a instituição precursora da Soka Gakkai [Sociedade de Criação de Valor], e formaram um grupo para empreender atividades educacionais e religiosas. Makiguchi pretendia publicar doze volumes da obra. O primeiro foi lançado em 1930; o segundo em 1931; o terceiro em 1932; e o quarto em 1934. Os oito volumes seguintes jamais foram publicados. Dez anos se passaram desde o lançamento do quarto volume até o falecimento de Makiguchi na prisão, em 1944. O ponto de vista do educador passou por uma grande mudança nesse período por ter se convertido ao Budismo de Nichiren Daishonin. Seu interesse por essa filosofia era tão grande que começou a se dedicar totalmente às atividades da Soka Gakkai. Nela, ele via a possibilidade de propagar seus ideais humanísticos em prol da educação. Criação de valor Em 1935, o estatuto da Sociedade Educacional de Criação de Valor ficou pronto. O artigo 1o estabelecia seu nome e o artigo 2o estipu­lava que seus objetivos estavam voltados para as pesquisas relacionadas à “criação de valor”, ao desenvolvimento de professores altamente capacitados e à reforma do sistema educacional do país. Então, em julho de 1936, o primeiro dos seminários foi promovido pelo grupo e, em 1937, Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e mais de cinquenta pessoas realizaram uma cerimônia no Auditório Meikei de Tóquio, marcando novo começo para a organização, instituindo assim oficialmente a Soka Kyoiku Gakkai. Iniciou-se também um grande movimento de propagação do Budismo Nichiren com a realização de reuniões de palestra, que logo se tornaram uma atividade tradicional da organização. Em 1940, foi promovido um segundo encontro. A organização havia atingido o número de quinhentas famílias, sendo necessária uma revisão em seus estatutos. Tsunesaburo Makiguchi foi nomeado presidente, e Josei Toda, diretor-geral. Nessa época, eclodiu a Segunda Guerra Mundial com a invasão da Polônia pelos nazistas. As tropas do Japão também avançavam, invadindo a China e a Coreia. Makiguchi criticou abertamente a política dos governantes japoneses de unificar todos os ensinamentos ao xintoísmo, religião oficial do governo. Como consequência, em junho de 1943, os líderes da Soka Gakkai foram convocados pelos clérigos a prestar esclarecimentos. Nessa ocasião, o clero sugeriu que os membros da organização acatassem a decisão do governo e abraçassem “provisoriamente” o talismã xintoísta. Makiguchi ficou indignado com essa proposta que feria totalmente o espírito do Budismo de Nichiren Daishonin. Em vista disso, todas as atividades da Soka Gakkai passaram a ser vigiadas pela Polícia Especial de Segurança. Tsunesaburo Makiguchi não se intimidou e isso resultou na prisão dele, de Josei Toda e de vários líderes da organização, acusados de violar a Lei da Preservação da Paz e de desrespeitar os santuários xintoístas. Devido à pressão, somente Makiguchi e Josei Toda se mantiveram firmes e irredutíveis. Makiguchi foi enviado para a prisão de Sugamo e submetido a interrogatórios, sendo privado de todos os direitos, até de escolher o próprio advogado, sofrendo diversos tipos de dificuldades. Debilitado pela desnutrição, no dia 17 de novembro de 1944, ele pediu aos carcereiros que o transferissem para o ambulatório da prisão, onde logo entrou em coma e faleceu por volta das 6 horas da manhã do dia 18 de novembro de 1944, aos 73 anos. Novo passo para a Soka Gakkai Após ser libertado da prisão, em 3 de julho de 1945, Josei Toda deu continuidade aos ideais de Tsunesaburo Makiguchi, reformulando e construindo a base da organização, que passou a se chamar Soka Gakkai. Ele assumiu sua presidência em 3 de maio de 1951 e se engajou em amplo movimento de expansão do Budismo Nichiren no Japão, convertendo 750 mil famílias antes de falecer em 2 de abril de 1958. Com o falecimento de Josei Toda, alguns duvidavam de que a Soka Gakkai sobrevivesse, mas a determinação e o empenho de seu discípulo, Daisaku Ikeda, fizeram com que as dúvidas se dissipassem do coração dos companheiros, devolvendo-lhes esperança e dando novo impulso à organização. Em 3 de maio de 1960, Daisaku Ikeda assume a terceira presidência da Soka Gakkai. A data simboliza a unicidade de mestre e discípulo e o espírito primordial do Budismo Nichiren. Decidido a impulsionar o kosen-rufu mundial, no mesmo ano ele parte rumo ao exterior para estruturar a organização e estreitar os laços de amizade entre os povos — missão que vem sendo cumprida até hoje —, levando a filosofia budista para 192 países e territórios. Em um discurso, Ikeda sensei diz: Era 18 de novembro de 1930, uma terça-feira. Tsunesaburo Makiguchi, aos 59 anos, com o apoio de seu discípulo Josei Toda, na época, com 30 anos, publicou Soka Kyoikugaku Taikei. A criação da Soka Gakkai foi uma corajosa declaração pela eterna transmissão da Lei, revitalizando o fluxo do ensinamento correto e das doutrinas do Budismo de Nichiren Daishonin numa época em que estes se dispersaram. A unicidade de mestre e discípulo é eterna. O caminho da revolução humana ensinado pela Soka Gakkai possibilitou às pes­soas, uma após a outra, despertar e fincar vigorosamente raízes no lamaçal da sociedade como altivos budas. Essas pessoas incorporam a Lei Mística, fazendo com que a nobreza da vida desabroche com toda a magnificência.1 Neste momento em que comemoramos os 91 anos de fundação da Soka Gakkai, é hora de reconfirmarmos nossa determinação de corresponder aos ideais de Ikeda sensei e construirmos uma vida vitoriosa, contribuindo para a sociedade como pessoas valorosas, rumo ao centenário da organização em 2030. Nota: 1. Terceira Civilização, ed. 507, nov. 2010, p. 5. Fontes: Brasil Seikyo, ed. 2.346, 5 nov. 2016, p. A3. Idem, ed. 1.793, 30 abr. 2005, p. A7. Idem, ed. 1.770, 6 nov. 2004, p. A6. Terceira Civilização, ed. 393, maio 2001, p. 2. Vamos escalar juntos o Monte Everest do kosen-rufu Neste discurso, presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, comenta sobre o centenário da Soka Gakkai, a ser comemorado em 2030 Dr. Daisaku Ikeda Na Reunião Nacional de Líderes [realizada em 25 de abril de 2001], sugeri que lançássemos nosso próximo grande objetivo para o ano 2030 — centenário de fundação da Soka Gakkai. O pico do kosen-rufu é elevado. A Soka Gakkai chegou enfim à metade do caminho em sua escalada do Monte Everest do kosen-rufu. E sou profundamente grato pelo fato de ter chegado até aqui junto com todos vocês. Vamos desfrutar uma longa existência e seguir para o topo dessa montanha com alegria, esperança e forte comprometimento, com o objetivo de concluir as bases do kosen-rufu. Apesar de alguns terem falecido no curso dessa jornada, eles atingirão o estado de buda e renascerão rapidamente. E como a vida e a morte são inseparáveis, eles continuarão a lutar pelo kosen-rufu como nossos eternos companheiros da fé. A primeira difícil escarpa do século 21 está bem diante de nós. As pessoas que conseguirem subir essa escarpa, e vencerem esse desafio, serão vitoriosas em todas as batalhas. Os próximos anos serão muito importantes. Agora estou criando com seriedade o impulso para a vitória total da Soka Gakkai. Vamos deixar registrada uma história magnífica! Gostaria que os jovens, com a força e a paixão inatas, adornassem essa ocasião conquistando uma admirável vitória pela causa do bem. Não há felicidade maior que participar de uma significativa batalha. Essa é também uma maneira rápida de transformar o carma. Dos grandes desafios surgem os grandes benefícios. Toda sensei sempre dizia: “Gostaria que enfrentássemos perseguições maiores!”; “Será que não há alguma batalha maior para empreendermos?”. Makiguchi sensei possuía o mesmo espírito. E eu também. A Lei budista é impressionante e insondável. Quanto maiores os esforços que empreendermos pelo kosen-rufu, maiores a força e a energia que surgem em nós. Nossa vida ficará transbordante de ricos benefícios. Somente com esses incansáveis esforços construiremos uma base sólida e duradoura capaz de direcionar não apenas o Japão, mas também a humanidade. (...) Os que possuem um grandioso poder não são aqueles que detêm uma posição de autoridade, tampouco as pessoas famosas na sociedade. [O escritor francês] Victor Hugo (1802–1885) sempre conclamava aos seus concidadãos insistindo que não se considerassem pessoas sem importância. Ele os incentivava a demonstrar para os adversários a força colossal das pessoas despertas. (...) Fonte: Trechos do discurso proferido pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, na 6ª Reunião Nacional de Líderes da Soka Gakkai, realizada no dia 21 de maio de 2001 no Auditório Memorial Toda de Sugamo, em Tóquio, em conjunto com a 2ª Convenção Nacional da Divisão Feminina e com a reunião geral das regiões de Kyushu, Chugoku e Okinawa; e publicado no Brasil Seikyo, ed. 2.149, 29 set. 2012, p. B2.

04/11/2021

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1ª Semana do Empreendedor Humanista

REDAÇÃO O Departamento de Profissionais Liberais, Empreendedores e Executivos (Depex), da Coordenadoria Cultural (CCult) da BSGI, promoveu entre os dias 18 e 24 de outubro, a 1a Semana do Empreendedor Humanista. Em formato de live, a proposta foi demonstrar que é possível utilizar aspectos da filosofia budista associados ao empreendedorismo e transformar não somente a vida do profissional, mas também a do próximo. Na programação, foram incluídas palestras sobre liderança, novos negócios, carreira e finanças, comandadas por representantes do departamento, com o apoio do Núcleo de Inclusão em Libras (NIL), também da CCult. Segundo Alexandre Charallo, secretário do Depex, o que motivou a realização da 1a Semana do Empreendedor Humanista foi o fato de que, devido à pandemia, muitas pessoas passaram a buscar informações sobre carreira e empreendedorismo. “Foi um evento planejado desde o início do ano, direcionado aos membros da CCult. Pensamos que o Depex poderia ajudar as pessoas neste momento respondendo a essas questões, ao trazer vivências de dentro do próprio departamento. A proposta é associar informações técnicas com experiências individuais, mas principalmente sob um olhar budista”, declara Charallo. No primeiro dia, foram debatidos fundamentos da liderança, a partir de três pontos: “liderança de si”, “liderança global” e “começa comigo, começa agora”. Já o último encontro teve como tema “Educação e Princípios Financeiros”. Para reforçar os assuntos debatidos, foram relacionados também aspectos da vida e da obra dos educadores Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda, e sobre a obra do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI).

04/11/2021

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Divisão dos Estudantes a todo vapor

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL Criatividade é o que não falta quando o assunto é a Divisão dos Estudantes (DE) da BSGI. Neste mês para lá de especial, em que celebramos os 61 anos da organização e também o Dia das Crianças, diversas localidades por todo o Brasil promovem atividades comemorativas da DE; entre as localidades está a RM M’Boi Mirim (Sub. Interlagos, CNSP). No dia 2, os jovens realizaram as Olimpíadas da DE, em formato virtual, com a participação dos níveis Futuro, Esperança e Herdeiro. O objetivo da localidade era fazer um grande encontro com os membros da DE para que pudessem se conhecer, compartilhar experiências e estreitar os laços de amizade. A programação teve o diálogo como foco. Foi apresentada uma animação e, com base nela, os participantes identificaram e refletiram sobre suas características individuais. “Pensamos nessa atividade como uma oportunidade para que nossos estudantes pudessem ser eles mesmos, falar sobre isso e entender como a filosofia budista ‘entra’ na vida deles e, assim, levar o budismo para o dia a dia”, declarou Marlon Mitsunaga, responsável pela DE da RM M’Boi Mirim. No dia 10, foi realizada na RM Fragoso (Sub. Serrana, CSMRJ), com mais de quarenta participantes, a Academia Sucessores Ikeda 2030 (ASI 2030). Organizados por nível, os estudantes da localidade interagiram virtualmente e, utilizando a concepção de games, estudaram princípios budistas como “três venenos” e “teoria do carma”, tudo com a condução impecável dos apresentadores. A atividade contou com a participação de Camila Akama, coordenadora da DE da BSGI. “Nossa atividade foi incrível, pois o apoio dos familiares, dos líderes e a participação da Camila foram muito incentivadores e fizeram total diferença”, relatou Nathalia Silva Souza, responsável pela DE da localidade. Para ela, o sucesso do encontro foi por conta do empenho conjunto de todos da organização local e da efetiva participação dos familiares, líderes de bloco, comunidade, distrito e RM. Durante os próximos dias de outubro, outras organizações da BSGI continuarão a realizar as ASI 2030. Camila Akama reflete sobre o significado dessa atividade, lembrando que ela é realizada desde que o presidente Ikeda denominou os estudantes do Brasil de “Sucessores Ikeda 2030”. “Com essa profunda consideração e confiança do sensei, a ASI 2030 tem como ponto principal a compreensão de cada estudante em herdar o sentimento de realizar o kosen-rufu, ao mesmo tempo em que visualiza e constrói seus sonhos”, revela Camila. A coordenadora da DE da BSGI enfatiza: “Assim como a academia é um local em que treinamos e exercitamos nosso corpo para que se torne mais forte e mais saudável, essa Academia dos Sucessores Ikeda 2030 busca treinar o estudante para fortalecer seu sentimento de ‘jamais ser derrotado’, sempre junto com sensei”. No topo: RM Fragoso (acima) e RM M’Boi Mirim (abaixo) estão entre as localidades que já promoveram atividades voltadas para a Divisão dos Estudantes

14/10/2021

Caderno Reunião de Palestra

Vencer com o estudo

REDAÇÃO “O budismo é um ensinamento da mais suprema razão. Portanto, a força de sua fé deve se manifestar no estudo, no planejamento, na criatividade e nos esforços redobrados.”1 Essa frase do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), reflete o sentimento dos membros da organização pela concretização do kosen-rufu (felicidade e paz da humanidade, com base nos escritos de Nichiren Daishonin). O primeiro dos quatro pontos citados na frase, “estudo”, item primordial de uma reunião de palestra (RP), além de fazer parte do tripé “fé, prática e estudo”, é ação essencial para a vitória e o desenvolvimento de um praticante do Budismo Nichiren. Por que estudar o budismo na reunião de palestra? Para construir qualquer edifício de grande porte, são necessários pilares sólidos em sua fundação na fase de construção. Relacionando com nossa realidade, na Soka Gakkai, as reuniões de palestra e o estudo do budismo foram estabelecidos como duas das atividades mais importantes, visando ao fortalecimento de todos os membros da organização. Se as RP são consideradas “fóruns populares para infundir sabedoria e vitalidade na sociedade”2 com base no budismo, é necessário embasar-se na profunda filosofia da revolução humana para desempenhar essa nobre missão. O estudo servirá de alicerce para não sucumbirmos nem recuarmos diante dos desafios diários, conforme orienta Ikeda sensei: O buda Nichiren Daishonin afirma no Gosho que obstáculos surgirão sucessivamente. Aqueles que se afastaram da fé durante a guerra agiram dessa forma por não terem estudado os ensinamentos de Daishonin. O estudo ilumina e esclarece o caminho da fé que devemos trilhar como discípulos budistas. Doravante, a Soka Gakkai irá se fundamentar nos dois pilares: das reuniões de palestra e do estudo do Budismo de Daishonin.3 Desenvolvimento individual e coletivo Considerando que as reuniões de palestra são realizadas geralmente em pequenos grupos, elas constituem excelentes oportunidades de promover o desenvolvimento individual por meio do estudo do budismo. Quanto mais membros estudando e discutindo como aplicá-lo na vida diária, mais se torna possível assentar uma base sólida para o kosen-rufu. O Mestre incentiva: “Espero que gravem as frases das escrituras profundamente em seu coração e desenvolvam uma fé realmente firme e forte que não se abale diante de quaisquer obstáculos ou infortúnios — eis o objetivo do estudo do budismo”.4 Ao vencerem com base na prática budista, essas pessoas se sentirão à vontade para compartilhar sua experiência com outras. O estudo se torna um preceito básico nesse processo no qual o desenvolvimento deixa de ser somente individual e passa a ser coletivo, social. Ensinamento profundo Outro importante aspecto é que o estudo, feito de maneira séria — e isso se aplica a todas as linhas religiosas —, possibilita discernir ensinamentos que estejam verdadeiramente voltados para a felicidade e para o crescimento de seus praticantes. O presidente Ikeda declara: O estudo é uma base indispensável que nos permite discernir se uma religião é profunda ou superficial e obter clara compreensão sobre quais constituem os verdadeiros ensinamentos e o espírito de Daishonin. O presidente Josei Toda declarou: “A razão origina a fé, e a fé busca a razão”. Se a sua compreensão sobre a “razão”, ou seja, sobre os princípios budistas, se aprofundar, sua fé também irá se aprofundar. Se sua fé se aprofundar, sua compreensão acerca dos princípios budistas também se aprofundará. Convicção e juventude A “criatividade”, mencionada no início desta matéria, é essencial para falar sobre o budismo dentro da nossa realidade atual, indo direto ao ponto de interesse dos nossos convidados nas reuniões de palestra: “Como o budismo poderá me ajudar a vencer e ser feliz?”. Com a união de boas ideias dos nossos jovens e o apoio dos veteranos da localidade, a RP se torna uma atividade acolhedora e de desenvolvimento para os participantes. Essa criatividade, além disso, precisa estar embasada no estudo dos ensinamentos do budismo, pois não utilizamos esse aprendizado apenas dentro da estrutura organizacional, mas ele também norteia nossas atitudes pelo mundo. Ikeda sensei explica: “O estudo do budismo é particularmente importante porque serve para criar um rumo para a própria vida. Se deixarem de estudar, perderão de vista a finalidade da prática da fé, serão arrastados pelo sentimentalismo e inclusive pelo egoísmo, e se tornarão pessoas movidas por meios astutos”.6 Avanço conjunto É crucial ficarmos atentos para não perdermos de vista a chance de nos aprofundar no estudo do budismo na RP. Mesmo que talvez não sejamos diretamente a pessoa responsável pelo estudo, dedicarmo-nos previamente a ler a matéria que será discutida e refletirmos como seu conteúdo pode ser aplicado no dia a dia fazem toda a diferença. Uma passagem do romance Nova Revolução Humana, em que Shin’ichi Yamamoto, personagem que representa o presidente Ikeda na obra, direcionou as seguintes palavras para os jovens numa atividade esportiva no Japão, resume bem o assunto: Espero que se tornem realmente fortes, tanto fisicamente como no estudo do Budismo de Daishonin, para que possam se tornar capazes de exercer uma liderança admirável. Oro também para que sempre avancem com ânimo, alegria e corajosa união, assim como fizeram hoje no encontro esportivo. Construamos aqui no Japão um mundo maravilhoso onde reinem a paz e a felicidade, nos esforçando para estabelecer um magnífico exemplo em nossa vida diária e em nossas atividades na Soka Gakkai, que sirva de inspiração para pessoas do mundo todo.7 Dica dourada do Mestre Consta na Nova Revolução Humana o registro da 9ª Convenção da Divisão Feminina de Jovens (DFJ), em novembro de 1961, em Yokohama, Japão, com a presença de Shin’ichi Yamamoto. Ele incentivou as participantes a dedicar maior atenção ao estudo do budismo, como forma de guiá-las ao pleno desenvolvimento. Trazendo para o contexto da RP, é uma boa dica para fortalecer o conhecimento e apoiar o diálogo nessa atividade. Na obra, lemos: O estudo do budismo é como as placas de sinalização do caminho da prática budista, pois a fé, tal como um sentimento, é volúvel. Mesmo uma ardente fé pode esfriar facilmente e se tornar vulnerável. Por essa razão, o estudo do budismo é importante para iluminar o caminho a seguir na vida e na prática budista, proporciona uma formação filosófica de como conduzir a vida como praticante. Por isso, Shin’ichi recomendou que todas as jovens ingressassem no Departamento de Estudo do Budismo para que pudessem cultivar uma sólida diretriz de vida.8 Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 237, 2019. 2. Brasil Seikyo, ed. 2.367, 15 abr. 2017. 3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 2, p. 26, 2019. 4. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 4, p. 34, 2018. 5. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 2, p. 25-26, 2019. 6. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 4, p. 132, 2018. 7. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 2, p. 133-134, 2019. 8. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 5, p. 167, 2019.

26/08/2021

Relato

Sucesso é esforço contínuo

Sinto muita gratidão por ter conhecido o budismo ainda na juventude. Com essa filosofia, pude lapidar meu caráter e absorver as palavras de Ikeda sensei, para então aplicá-las em minha vida e enfrentar os momentos de dificuldade com coragem. Assim, durante a pandemia do coronavírus, em meio a tantos desafios, tive a chance de ajudar outras pessoas e também desfrutar benefícios. Aprimoramento constante Iniciei a prática budista aos 8 anos. Aos 19, eu já era pai de dois filhos e, para criá-los, enfrentei muitas adversidades. Como tinha somente o nível médio de estudo, não conseguia bons empregos e meu salário apenas supria as necessidades básicas. Tentei diversas vezes fazer faculdade, porém o dinheiro não dava. Mas, após várias tentativas e desistências, com base nas orientações do presidente Ikeda, consegui finalmente entrar na universidade e concluí o curso de gestão em administração pública em 2013, aos 42 anos. Nesse período, era funcionário público concursado numa grande indústria brasileira e, ocupando um cargo de nível médio, não tinha mais como progredir na empresa. Em consequência da minha gradua­ção, em 2014, fui convidado a trabalhar como terceirizado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), atuando num cargo de nível superior — o que me proporcionaria um salário melhor, sem precisar trabalhar em dois empregos para arcar com as despesas, como de costume. Apesar de ter ficado em dúvida entre a estabilidade de um cargo público e um salário duas vezes maior que o atual, e das críticas que recebi, aceitei o desafio com coragem e pedi demissão. No novo emprego, eu me especializei na área de compras públicas, fiz pós-graduação e diversos cursos na área. Logo me transformei num profissional indispensável no meu setor e, em 2015, eu me tornei membro das comissões de padronização de materiais de embalagens e de insumos farmacêuticos da unidade; em 2017, entrei para o conselho deliberativo da unidade como representante dos terceirizados — atividades extras, sem remuneração. O tempo foi passando, meus gastos foram aumentando, e o salário não. Sugeri à minha gestora que me permitisse realizar atividades a mais para justificar um salário maior, sem sucesso. Então, precisava de uma nova ideia para mudar aquela situação. Foi quando li num discurso do presidente Ikeda que o local de trabalho também é o palco para a revolução humana. “Há três critérios para se escolher um trabalho: belo, bem e benefício. O ideal de todos é obter uma ocupação de que gostem (belo), que seja financeiramente estável (benefício) e com a qual possam contribuir para a sociedade (bem)”.1 Em outro trecho ele dizia: Simplesmente canalizem toda a sua energia no trabalho atual e sejam pessoas indispensáveis nesse local. Orando fervorosamente ao Gohonzon e continuando a se esforçar ao máximo, sem deixar que tarefas ou atribuições desagradáveis os intimidem, acabarão encontrando um trabalho que apreciem, proporcione segurança financeira e produza o bem para a sociedade. (...) Tenham o trabalho como local de aprimoramento para se desenvolver como verdadeiros seres humanos, bem como o local de exercício budista de capacitação da prática da fé. Se adotarem essa perspectiva, todas as suas queixas desaparecerão.2 Novo avanço Eu já tinha a ocupação de que gostava e um emprego que contribuía para a sociedade, então, como tornar o meu trabalho financeiramente estável a partir do meu aprimoramento? Ikeda sensei cita: Ao se lançarem em seu trabalho, em vez de evitá-lo, definitivamente abrirão um caminho a seguir na melhor direção possível. Even­tualmente, observarão que todos os seus esforços até então tinham significado, e tudo o que experimentaram é um tesouro para a vida”.3 Assim, decidido a contribuir para a instituição com meu conhecimento, propus criar um ofício que ainda não existia, mas que era fundamental para sua gestão. Em 2019, enviei às chefias, inclusive à direção, um relatório anual das dificuldades encontradas no setor, referentes ao exercício anterior, com sugestões de melhorias. Além disso, fiz vários cursos voltados para gerenciamento e controle e para mapeamento de processos, e enviava os certificados a eles. Fiz esses relatórios por dois anos consecutivos, sem resposta. Veio a pandemia do coronavírus e 50% do quadro de funcionários foi reduzido. Mas, graças ao meu aprimoramento, a postura no trabalho e as atribuições extras, fiquei fora da lista. Mesmo assim, continuei enviando os relatórios anuais, atentando-me aos assuntos da minha área e de outras também. Em junho último, fui convidado a explicar uma sugestão de melhorias que havia enviado no início do ano, na qual propunha a criação de um setor voltado para a identificação e solução de falhas nos processos em tempo real, utilizando os programas para os quais me qualifiquei. Assim, recebi a proposta de conduzir o desenvolvimento e a implantação desse projeto e geri-lo, com aumento de salário e nova função na empresa. Que alegria! Essa grandiosa vitória serviu para mostrar que não existe esforço sem resultados, mesmo que demorem a surgir. Ikeda sensei cita que apesar de termos conquistado mil vitórias no passado, se desistirmos no momento presente todos os esforços terão sido em vão: A vida é uma contínua expedição ao desconhecido. Há momentos em que somos assolados por imprevisíveis tempestades. Desde que não se perca de vista os objetivos, não haverá nenhum dia em vão.”4 Luiz Claudio Vieira, 50 anos. Administrador público. Resp. pela RM Leopoldina, CCSF, CGERJ. com a família com a família com os membros da localidade com os avós com os colegas de trabalho. Exceto a foto no trabalho, as demais foram tiradas antes da pandemia do coronavírus Notas: 1. Brasil Seikyo, ed. 2.331, 16 jul. 2016, p. B3. 2. Ibidem. 3. Ibidem. 4. Brasil Seikyo. ed. 2.158, 1o dez. 2012, p. B2.

26/08/2021

Especial

A vitória começa em casa

REDAÇÃO É fato que as esferas do contexto social tenham sofrido os impactos da pandemia do coronavírus. E uma das que mais enfrentam desafios é a familiar. Mundo afora, inúmeras famílias têm sido severamente afetadas de diferentes maneiras, a todo momento. Por outro lado, com base na filosofia do humanismo Soka, não é exagero dizer que a revitalização das famílias contribui com a reestruturação da sociedade pós-pandemia. Isso a partir da transformação positiva de cada pessoa disposta a criar a harmonia, com a convicção de não deixar ninguém para trás. A esse respeito, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, afirma: A família e o lar são o alicerce de comunidades e sociedades prósperas. O crescimento de cada membro da família, tendo como base o respeito e o encorajamento mútuos e a construção de um ambiente de harmonia e coopera­ção no lar — a menor unidade social — constitui o ponto de partida para a paz.1 Desafio constante De 2020 para cá, a crise causada pela pandemia do coronavírus redesenhou o cotidiano das famílias, e mais que isso, deixou sua marca em cada uma delas. Como parte dos primeiros desafios, veio o desemprego. Várias empresas registraram quedas acen­tuadas nos ganhos, resultando em demissões em massa e na significativa diminuição da renda familiar. Fala-se sobre os órfãos dessa pandemia, a respeito dos conflitos de con­vívio e da desestruturação de muitas famílias. Ainda no início do distanciamento social, em abril de 2020, por exemplo, as denúncias de violência doméstica já haviam aumentado quase 40% em relação ao mesmo período de 2019.2 E o número de divórcios realizados em cartórios no Brasil foi o maior da história no segundo semestre de 2020, quando foram contabilizados 43,8 mil processos.3 Quando a sociedade está em crise, o lar é o lugar mais afetado. Uma família que perdeu sua estrutura tem mais dificuldades para enfrentar os problemas. É como se cada membro tivesse uma vida individual, focada apenas em si. No livro A Família Criativa, o presidente Ikeda traz esta questão: No lar a pessoa se sente livre para deixar cair suas armaduras e revelar os próprios sentimentos. Consequentemente, em nenhum outro lugar o lado feio e angustiado da natureza humana é tão eviden­te. É inevitável que, quando as pessoas abandonam suas restrições e permitem seu lado menos atraente aparecer, o resultado seja frequentemente o conflito.4 Apesar de não existir um manual da convivência familiar, a referência parte do diálogo sincero da criatividade e do respeito entre seus integrantes para assegurar um bom relacionamento. Ivoneth Cardoso da Silva é vice-responsável pela Divisão Feminina da Comunidade Laranjal do Jari, na Área Amapá, AP. Após ela e a família inteira terem vencido a Covid-19, no ano passado, precisaram sair da casa em que moravam no Laranjal do Jari. “O dono do imóvel que alugávamos resolveu encerrar o contrato, mas não me desesperei, pois havia determinado sair do aluguel e ir para nossa casa própria, que estava sendo construída. Tivemos de antecipar os planos.” Nessa hora, a família se uniu e arregaçou as mangas num mutirão para terminar a obra. “Levantamos a casa junto com o pedreiro, ajudando em tudo o que era possível (risos) e encerramos o contrato do aluguel na data correta. Desde janeiro de 2021, estamos morando no nosso ‘castelo’ e ainda conseguimos instalar internet — algo muito difícil aqui no meio do mato — para participar das reuniões on-line da organização. Quanta alegria! Isso não seria possível sem nosso daimoku e nosso companheirismo. No momento de aperto, todos abraçam a causa e vencem juntos!”, explica Ivoneth. Família criativa O presidente Ikeda propõe a sociedade criativa, a partir da ideia de uma rede de grupos familiares dinâmicos: A família criativa ou lar criativo a que me refiro é como uma escola em que as pessoas se empenham para o seu próprio aprimoramento e de outros, valendo-se do amor que flui entre eles. Acredito que são as pessoas criativas que trarão a mudança ao mundo.5 Em outras palavras, cada integrante da família deve se esforçar com sinceridade mesmo nas pequenas tarefas. Nesse sentido, um lar representa o local ideal para cultivar a compaixão, o amor e a confiança, além de representar uma chance para se aprimorar, compartilhar, lapidar o caráter e exercer o diálogo. É fazer revolução humana em meio ao cotidiano. O presidente Ikeda complementa: A família pode ser descrita como um organismo. Se pensarmos na sociedade como um corpo humano, então cada família é um grupo de células. Algumas famílias movem-se por esse corpo, enquanto outras permanecem fixas. Cada unidade familiar deve viver em harmonia com a sociedade como um todo; caso contrário, não sobreviverá. Se, por outro lado, cada uma das células não funcionar plenamente, com toda a vitalidade, não se pode esperar que a sociedade progrida. A família é como um grupo de células que se desenvolve por meio dos esforços de cada um dos integrantes. Ela é a unidade básica que determina a direção da sociedade.6 “Prática da fé para criar a harmonia familiar” Família é tema central e recorrente nos escritos de Nichiren Daishonin. Outro exemplo está no romance Nova Revolução Humana, em que o presidente Ikeda ilustra várias histórias de famílias que venceram a partir da união, tornando-se grandes exemplos de superação. Por isso, “Prática da fé para criar a harmonia familiar” é a primeira das “Cinco diretrizes eternas da Soka Gakkai”. Criar harmonia na família é fundamental porque, em termos práticos, consiste no caminho infalível para a concretização do kosen-rufu. Tudo começa na família. Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, cita: A família compõe a base da sociedade. E a prática da fé para criar a harmonia familiar é fonte de energia para a construção de uma família sólida. Essa fé é condição indispensável para a felicidade de cada família e para o desenvolvimento da sociedade como um todo.7 Mas como consolidar a harmonia familiar, que representa um modelo em miniatura da paz mundial? Ikeda sensei responde: Em primeiro lugar, nós próprios devemos nos esforçar para sermos pessoas alegres e radiantes, cuja presença no lar envolva todos os familiares com a luz da compaixão. Em segundo, precisamos nos respeitar mutuamente, reconhecendo que os vínculos familiares entre pais e filhos ou entre cônjuges e parceiros consistem em laços cármicos que se estendem pelas três existências — passado, presente e futuro. Em terceiro, devemos prestar uma contribuição positiva à sociedade e trabalhar para desenvolver sucessores que também façam o mesmo.8 Família Soka Preste atenção ao redor e verá que existem pessoas que moram sozinhas ou não são casadas. Alguns casais não têm filhos. Isso sem contar as famílias monoparentais. Enfim, existem famílias de todos os formatos e tamanhos. A família Soka representa um excelente modelo de núcleo de criação de valorosos seres humanos, no qual cada indivíduo compartilha suas adversidades e conquistas. Um enaltece o crescimento do outro e se inspiram mutuamente. Ninguém fica para trás. No mundo inteiro, os membros da Soka Gakkai e da SGI se esforçam para edificar a harmonia familiar, criando um oásis de paz e segurança na sociedade. Suas famílias são o sol da esperança, fruto de uma religião humanística, e a chave para a construção da paz e da coexistência harmoniosa. Notas: 1. Brasil Seikyo, ed. 2.352, 31 dez. 2016, p. B1. 2. https://www.gov.br/mdh/pt-br 3. https://www.notariado.org.br/ 4. IKEDA, Daisaku. A Família Criativa. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 33. 5. Ibidem, p. 24 e 25. 6. Ibidem, p. 19. 7. Brasil Seikyo, ed. 2.352, 31 dez. 2016, p. B1. 8. Idem.

26/08/2021

Notícias

Estudantes do Brasil e do Japão realizam intercâmbio

REDAÇÃO No dia 14 de agosto, o Colégio Soka do Brasil apresentou o Soka Consortium of Peace Education (Scope) — Virtual ToK Exhibition 2021, num intercâmbio com a participação de 75 alunos do ensino médio do Colégio Soka do Brasil e das Escolas Soka de Tóquio e de Kansai, no Japão. A abertura do evento foi assistida por mais de duzentas pessoas pelo YouTube, e o fundador, Daisaku Ikeda, enviou uma mensagem de felicitação na qual transmitiu suas melhores recomendações aos participantes. Essa foi a primeira atividade do Scope, que surge da parceria firmada entre as escolas-irmãs, com o objetivo de criar um espaço virtual de intercâmbio entre os alunos Soka por meio do diálogo. A novidade é que, desta vez, as práticas tiveram como base a disciplina teoria do conhecimento [IB — Theory of Knowledge (ToK)]. O evento, realizado na língua inglesa, foi apresentado pelas alunas do segundo ano do ensino médio, Maria Eduarda Rodrigues Andrade Roan e Julia Wilson. Nas palavras de abertura, a counselor de estudos acadêmicos no exterior do Colégio Soka do Brasil, Maria Fernanda Sanchez, salientou: “O mais importante é que aproveitem essa experiência ao máximo. Todos vocês estão fazendo o que o fundador Ikeda diz ser possível que é se conectar com o mundo por meio dos valores e dos ideais Soka”. O professor de teorias do conhecimento do Colégio Soka do Brasil Scott Bower enfatizou a importância dessa disciplina no contexto atual para os alunos Soka, considerados cidadãos globais. E numa apresentação dinâmica, Scott trouxe os conceitos da ToK, que consiste no desenvolvimento do pensamento crítico de cada indivíduo, a começar pela análise e checagem da veracidade dos acontecimentos sociais por diferentes perspectivas. Nicolle Capecce, estudante do Colégio Soka do Brasil, compartilhou os desafios de desenvolver suas habilidades críticas a partir da teoria do conhecimento. O diretor do Colégio Soka de Tóquio, Yasuo Kubo, citou: “Tenho certeza de que aprenderemos muito com as nossas diferenças culturais. E acredito que essa exposição do ToK dará a todos uma grande oportunidade para descobrir um novo mundo acadêmico”. “Certamente, o dia de hoje é o marco inicial para outros encontros. Ao lado de toda a equipe do Colégio Soka do Brasil, estamos nos esforçando para conduzir os maravilhosos cidadãos globais, com base nas eternas diretrizes de bom senso, sabedoria e esperança”, ressaltou a diretora do Colégio Soka do Brasil, Rita Kojima. Ao final, os alunos se dividiram em grupos para apreciar os trabalhos de ToK realizados pelos colegas brasileiros, compartilhando suas experiências num clima de cooperação.

19/08/2021

Relato

Vencer pelas pessoas

Conheci o budismo no Rio de Janeiro, onde moro, numa época em que passava por problemas de relacionamento em casa, que me atormentavam. Além disso, não tinha objetivos muito claros. Mas, incentivado pelos veteranos, decidi comprovar a força do daimoku para transformar aquela condição. Assim, recebi o Gohonzon em 2004, e comecei a escrever a minha revolução humana. Foco nos estudos Logo que ingressei na BSGI, fui nomeado responsável pelo bloco e conciliava o tempo entre as atividades da organização, da escola e do trabalho. Ainda bem que podia contar com minha bicicleta (risos). Lembro-me de que, em 2005, participei de um curso de aprimoramento para líderes, no Centro Cultural Campestre, SP, no qual senti a unicidade com o Mestre. Foi inesquecível. Com esse aprimoramento na Divisão Masculina de Jovens, passei a acreditar nos meus sonhos, pois até então não dava muita importância a isso. Ao procurar emprego, por exemplo, enviava currículo para qualquer lugar e, sem foco profissional, eu me contentava com a empresa que me escolhesse. No entanto, gostava de esportes. Pensava até em ser jogador de futebol. Com os incentivos que lia do presidente Ikeda e com o apoio dos líderes da organização, aos quais sou muito grato, comecei a me atentar para o que gostava de fazer e traçar uma meta, visua­lizando um futuro melhor. Então, eu me voltei para os estudos. Fiz curso de patologia clínica e depois realizei o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), determinado a cursar educação física. Assim, em 2006, ingressei na faculdade, com bolsa de 100%. Aquilo tudo me impulsionou a não desistir, pois enfrentei muitos desafios até concluir o curso em 2010. Para arcar com as despesas de um universitário, fazia bicos e vendia produtos de limpeza. Dava o meu máximo para manter boas notas. Em paralelo, comecei a trabalhar em projetos sociais do governo, com idosos e crianças, o que me fez despertar interesse por esse setor. Também dava aulas em academias na Baixada Fluminense buscando me aprimorar. Apesar de tantas atividades, estava feliz. Agora tinha objetivos claros e, alinhado à minha missão, determinei sempre atuar com a convicção de prezar cada pessoa, tal como aprendi no budismo. Com esse sentimento, em 2015, participei de um curso de aprimoramento da SGI no Japão, renovando meu juramento de rea­lizar uma significativa luta pelo kosen-rufu. Viver a unicidade de mestre e discípulo nas terras do Mestre foi emocionante. Naquele mesmo ano, dei um grande passo ao abrir minha própria academia, a partir de um acordo que fiz com os ex-proprietários, que estavam fechando o estabelecimento. Trabalhei bastante para pagar pelo espaço e até consegui comprar novos equipamentos para os alunos. Ensinei a prática budista para muitos deles e ouvia suas histórias com atenção. Foi um período de bastante aprendizado, no qual fiz vários shakubuku, que se encerrou em 2019, quando recebi uma proposta de emprego na Região dos Lagos, o qual me proporcionaria uma nova chance de crescimento profissional, alinhada ao kosen-rufu. Além disso, traria qualidade de vida para meu pai, que enfrentava problemas de saúde. Avanço ininterrupto Vendemos nossa casa e partimos para a nova cidade. Logo surgiram as dificuldades por conta da pandemia do coronavírus e tive o salário reduzido. Segui recitando firme daimoku e então encontrei outras oportunidades de trabalho. Meu pai e eu compramos uma nova casa e firmei uma parceria com uma escola municipal de Cabo Frio e uma organização não governamental (ONG) local para implantar um projeto social para todas as idades, no qual os alunos contribuem com doações que são enviadas à instituição. Fazemos ginástica numa quadra poliesportiva e, como fico num palco, posso me atentar aos participantes. Quando alguém está desanimado, eu me aproximo e procuro conversar. Tento demonstrar a essa pessoa que ela é importante para mim e para a sociedade. Já na ONG, faço atividades físicas com jovens de 12 a 17 anos, no Projeto Modelo Manequim, com objetivo de torná-los modelos profissionais. Hoje, eu me sinto muito grato pelos trabalhos desenvolvidos na localidade e no futuro quero contribuir cada vez mais para a saúde e para o bem-estar social. Nesse sentido, a educação física se tornou para mim uma chance de ajudar as pessoas de alguma forma. Estar perto, dialogar com elas e tocar seu coração, assim como Ikeda sensei nos incentiva. Em um trecho do romance Nova revolução Humana, ele complementa: “Temos de inspirar e motivar a todos com nossas próprias ações, entusiasmo e dedicação. Um ‘bravo general’ é aquele que acende a chama do espírito de luta e transmite alegria ao coração das pessoas”.1 Ramon Almeida Simão, 34 anos. Professor. Vice-coordenador da DMJ da Coordenadoria Serra-Mar do Rio de Janeiro. Nota: 1. IKEDA. Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-I, p. 199, 2020. Ramon e seus familiares Ramon em curso de aprimoramento da SGI, no Japão

12/08/2021

Encontro com o Mestre

“Jovens, conto com vocês!”

DR. DAISAKU IKEDA A SGI está agora em total florescência com as belas flores de pessoas jovens e talentosas. Portanto, vamos avançar com disposição, mostrando com orgulho para aqueles que menosprezam as pessoas o brilho cintilante do nosso grandioso movimento de pessoas. Tsunesaburo Makiguchi teve Josei Toda como discípulo, e eu fui o discípulo de Toda sensei. E vocês, jovens, que são os sucessores da nova era, são os principais dentre meus verdadeiros discípulos, pessoas a quem eu mesmo instruí e treinei. Estou muito contente em ver seus vigorosos empreendimentos. Meu mestre declarou: “Chegou a era do kosen-rufu. Avancem com coragem, segurando bem alto a nobre bandeira Soka”. Ele sempre me dizia: “Daisaku, conto com você!”, “Divisão dos Jovens, conto com vocês!”. Para ele, eu era a Divisão dos Jovens. Trabalhei para Toda sensei e o apoiei com todo meu ser. Posso declarar com orgulho e convicção para todos os budas e bodisatvas das dez direções e das três existências do passado, presente e futuro: “O discípulo Daisaku Ikeda apoiou seu grande mestre, Josei Toda, e o serviu com todo o seu ser. Esse é o espírito da Soka Gakkai”. Josei Toda também devotou incrível energia e diligentes esforços para me incentivar e me treinar visando o futuro da Soka Gakkai. Embora eu tivesse de deixar de estudar à noite, tornei-me aluno daquela que chamo carinhosamente de “Universidade Toda”. Eu estava determinado a estudar e a aprender nos 365 dias do ano, e ele foi um professor extraordinário. Sempre foram os jovens que abriram a porta para uma nova era. Eu iniciei ativamente o desbravar do caminho do kosen-rufu quando estava com 19 anos. Ajudei e apoiei Toda sensei em tudo o que pude e — fosse na apresentação do budismo para outras pes­soas ou na promoção do estudo do budismo — sempre me empenhei ao máximo, ciente de que estava representando meu mestre. Aqueles que se dedicam até o fim à causa do kosen-rufu e ao bem-estar dos outros experimentam a condição do estado de buda existência após existência, renascendo como pessoas vitoriosas cuja vida fica permeada da boa sorte dos budas. Em todas as realizações humanas, a terceira geração é de suma importância. Josei Toda ensinou a mim, o futuro terceiro presidente, seu mais profundo estado de espírito. Pelo fato de eu ter condições de herdar o legado espiritual dele, a Soka Gakkai se desenvolveu e se tornou uma organização global e é vitoriosa no mundo inteiro. Kosen-rufu depende de uma única pessoa Estou contando com a Divisão dos Jovens. Estamos na era da Divisão dos Jovens. A partir de hoje, a Divisão dos Jovens será a força principal em todos os nossos empreendimentos. Seguindo o direcionamento de Josei Toda, levantei-me sozinho. Nossos esforços de propagação haviam se estagnado e não estávamos indo a lugar algum. “Daisaku, você assumirá a liderança?”, perguntou-me Toda sensei. “Sim, assumirei!”, respondi. Como se fosse uma extensão do meu mestre, liderei uma decisiva marcha da vitória. O kosen-rufu depende de um único indivíduo que abrace o espírito de mestre e discípulo. Os jovens são importantes; devemos realmente valorizá-los e estimá-los. Nós entramos numa época em que um jovem consegue realizar mais coisas do que cem pessoas. Não há nada mais forte que os laços de mestre e discípulo. Josei Toda construiu o alicerce para o kosen-rufu no Japão e honrou seu mestre, Tsunesaburo Makiguchi, que morreu durante a guerra, preso injustamente pelas autoridades militares japonesas. De minha parte, edifiquei as bases para o kosen-rufu mundial e cumpri o juramento que fiz ao meu mestre, Josei Toda. Fiz com que sua grandiosidade fosse conhecida em todo o mundo. Justifiquei esse grande campeão que lutou corajosamente contra a natureza maligna da autoridade. De quem é a vez agora? É a vez de todos vocês. “É a minha vez!” — isso é algo que cada pessoa deve decidir no coração. Aqueles que conseguem fazer essa decisão interior são realmente admiráveis. Isso nada tem a ver com a idade ou função que a pessoa tem na organização. Trata-se do caminho do budismo. Seja como for, os jovens são o que importa. Quero viver por muitos anos ainda e devotar minhas energias a realmente treinar a Divisão dos Jovens da maneira mais plena possível e fundamentar solidamente os alicerces da Soka Gakkai. Quero ver isso concretizado. Essa é minha determinação. Jovens, conto com vocês! Espero que vocês, os radiantes jovens do nosso movimento, vivam uma juventude verdadeiramente sa­­tisfatória e de criação de valor enquanto avançam com firmes e persistentes esforços por um caminho que seja verdadeiro para vocês. Mestre e discípulo lado a lado. O jovem Daisaku, à dir., caminha com o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, ao centro (Hokkaido, Japão, ago. 1957) No topo: presidente Ikeda, toca trompete como forma de incentivar os membros (Auditório Memorial Toda, Tóquio, maio 2001) Fonte: Trechos de discurso proferido pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, na 16ª Reunião Nacional de Líderes — em comemoração do 50º aniversário do Dia 16 de Março, Dia do Kosen-rufu —, realizada no Auditório Memorial Makiguchi, Tóquio, no dia 5 de março de 2008, junto com a 6ª Reunião Nacional de Líderes da Divisão dos Jovens e com a Reunião Nacional de Líderes da Divisão Sênior. Também participaram dessa atividade 250 representantes da SGI de sessenta países e territórios. Leia íntegra no Brasil Seikyo, ed. 1.944, 21 jun. 2008.

22/07/2021

Especial

É tempo de se reinventar

REDAÇÃO A pergunta que não quer calar é “O que você tem feito desde o início da pandemia do coronavírus?” Não dá para negar que os impactos dessa crise global tenham sido bruscos para todos. Em especial aos jovens, ocorreu a interrupção de sonhos e projetos, a perda do primeiro emprego para uns e o improviso com trabalhos temporários para outros, assim como as dificuldades financeiras, a suspensão das aulas, os problemas de convívio em casa e os emocionais, o luto. Aparentemente, o que sobrou foi uma vida social reduzida ao sofá da sala e aos aplicativos nos celulares para a parcela que tem acesso à internet. O tema se popularizou entre estudiosos, e no Brasil circulou até uma pesquisa especialmente elaborada sobre isso.1 Mas, calma. Apesar desses e de outros desafios da pandemia ­— que não caberiam nesta página do jornal —, Brasil Seikyo convida você a refletir a respeito do assunto da perspectiva da resiliência e a da criação de valor, características da cultura Soka. Seja forte! A capacidade da rápida adaptação ou de recuperação é a resiliência. Em termos práticos, significa desafiar a si mesmo, decidido a vencer, sem falta, pela própria felicidade e pela felicidade das pessoas ao redor. Acreditar que possui tal habilidade e transformar os desafios a seu favor correspondem à criação de valor e ao primeiro passo para edificar uma vida repleta de significado, ainda que surjam as dificuldades. Na Proposta de Paz de 2021, o presidente Ikeda explica: “O poder ilimitado da criação de valor, que é intrínseco à vida, possibilita que cada um de nós transforme nossas circunstâncias em um palco no qual podemos viver nossa missão única, transmitindo esperança e segurança para todos ao redor”.2 A Divisão dos Jovens da Soka Gakkai é um exemplo de união que proporciona um aprimoramento corajoso de grande valia na construção de um eu forte. E as ações em conjunto da DJ são, além de tudo, uma chance para cultivar amizades sinceras e transformar a realidade positivamente. Na prática Quando as aulas da faculdade e as atividades presenciais da BSGI foram suspensas, no ano passado, Djuliane do Nascimento, sentiu bater o tédio. Ela que mora em Rio Tinto, interior da Paraíba, explica: “A realidade socioeconômica e a acessibilidade são muito difíceis por aqui. No entanto, os moradores são unidos e ajudam uns aos outros. É um hábito cultural, por exemplo, compartilhar macaxeira, banana, laranja e atualmente até mesmo a internet. Mas os dias agora pareciam todos iguais”, detalha. Ao conversar com as líderes da organização, a jovem de 25 anos percebeu que era hora de sair da mesmice e decidiu auxiliar os membros. Logo, se tornou uma grande amiga para a responsável pela Comunidade Rio Tinto, Geangela Borges. “Ela, que em virtude de um acidente ficou com uma deficiência, estava com dificuldades para realizar atividades on-line e pediu meu apoio. Comecei a preparar os links de acesso e a apresentar os encontros. No começo, as pessoas tinham problemas com o uso dos aplicativos e com o sinal de internet, que aqui é muito ruim, e nem sequer conseguiam se conectar. Mas não desistimos! Com senso de companheirismo, criatividade e daimoku, conseguimos nos adaptar a esse novo cenário e passamos a realizar as reuniões de palestra todo mês!”. Em paralelo, Djuliane, que cursa o último ano de antropologia na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), superou as próprias questões: “Manter o ritmo de estudo se tornou um enorme desafio. Tive crises de ansiedade e me senti perdida. Ter esse compromisso com os amigos da Gakkai foi o que me possibilitou enxergar novos horizontes. Atuar localmente me traz esperança porque lido, de fato, com as pessoas. Isso faz imaginar que é possível vencer”, finaliza. Ampla perspectiva Para Tarcio de Lima, que mora na zona sul de São Paulo, a pandemia foi também uma chance de romper os próprios limites e fazer a revolução humana. “No começo, estava um pouco inconformado com toda essa situação. Reclamava e tentava achar culpados. Minha postura mudou quando refleti que poderia fazer alguma diferença no local em que estava, em vez de lamentar. Isso resultou num trabalho comunitário que realizei com meus amigos. Na organização, passei a ajudar cada vez mais nas atividades virtuais, sempre pensando em facilitar o acesso aos membros e levando soluções criativas para esses encontros. Fizemos quiz, apresentações musicais e até a reprodução de um talk show!”, conta. Além disso, ele decidiu mudar de emprego: “Para não perder o foco, iniciei um objetivo de recitação de daimoku e de estudo diários. Enviei currículos para muitos lugares e, na metade de dezembro, consegui um novo trabalho que ampliou demais meus horizontes. Com essas mudanças, passei a aproveitar melhor meu tempo, acordando um pouco mais cedo para estudar, fazer cursos que sempre adiava e ainda realizar exercícios físicos. A sensação da vitória por cumprir algo que determinamos é maravilhosa!”, comemora. Reinventar é a palavra-chave Avançar em meio às incertezas da pandemia não é tarefa fácil, mas é possível quando se tem comprometimento e coragem para se reinventar. Assim fizeram os grupos horizontais da BSGI logo que as atividades presenciais foram suspensas. Hoje, é comum assistir a apresentações musicais ou de dança, feitas com recursos digitais que garantem sinceros aplausos nas reuniões. A banda da Divisão Masculina de Jovens (DMJ), Taiyo Ongakutai, replanejou a forma de ensaiar, criando amplas possibilidades de aproximar seus integrantes. “Em São Paulo, o núcleo Fernão Dias se destacou na pandemia promovendo encontros virtuais com ótimo comparecimento, pois os líderes estão sempre em contato com os membros, e o grupo tem constante evolução técnica, realizando apresentações virtuais. O núcleo sul-oeste tem um ensaio geral e um ensaio por seção todo mês. Os líderes têm realizado diversas visitas virtuais e periodicamente o núcleo faz publicações das conquistas dos membros nas redes sociais. Outro exemplo é o núcleo norte, que realiza dois ensaios por mês, e num deles os líderes estudam o romance Nova Revolução Humana. Um ponto interessante é que esse núcleo adotou o aplicativo de mensagens Discord, muito utilizado nos jogos virtuais, o que estimula a amizade entre os membros”, explica o responsável pelo Taiyo Ongakutai da BSGI, Cauê Barreira. O grupo Cerejeira, da Divisão Feminina de Jovens, redirecionou a atuação presencial apostando no cuidado com os membros de outras maneiras. É o caso da Subcoordenadoria Centro, em São Paulo, na qual o grupo produziu um vídeo informativo sobre os cuidados de prevenção ao coronavírus: “Criamos esse conteúdo pensando na missão do grupo de proteger os membros, transmitindo-lhes calor humano. Utilizamos como fonte orientações recomendadas pelo governo do estado, e nosso intuito é que esse vídeo seja compartilhado pelos líderes nas reuniões de palestra e em outras atividades da organização. Apesar de não estarmos juntos fisicamente, estamos sempre orando pela proteção de todos”, cita a responsável pelo grupo Cerejeira da Sub. Centro, Patrícia Suzuki. Futuro de esperança Ser jovem é estar o tempo inteiro diante de muitas possibilidades e aprender algo novo com todas elas. Nesse caminho surge a esperança no futuro. Cada qual se desenvolve e inspira os demais a fazer o mesmo. Nesse contexto, a rede de amigos Soka representa um oásis em que as pessoas se encorajam e vencem juntas. O presidente Ikeda declara, em recente mensagem que enviou à DJ, por ocasião de seu aniversário de fundação: Cada passo de desenvolvimento da Divisão dos Jovens se torna a força do progresso da sociedade. Cada vitória da Divisão dos Jovens se torna a luz para a paz no mundo. Peço que tenham a forte e profunda consciência de que cada um de vocês é dotado dessa missão tão extraordinária.3 É a unicidade de mestre e discípulo, aliada a um forte senso de missão, a força capaz de eliminar a apatia diante das dificuldades. Somada à capacidade criativa dos jovens, transforma completamente a realidade. O Mestre conclui: Vocês, que abraçaram essa Lei Mística ainda jovens, são capazes de suplantar qualquer tipo de sofrimentos e de dificuldades, e vencer na juventude. (...) Desejo que vivam até o fim com a Soka Gakkai, junto com os bons amigos, atuando no palco da missão de forma autêntica, e se desenvolvam maravilhosamente.4 Notas: 1. https://pt.surveymonkey.com/r/juventudesepandemia2 2. Terceira Civilização, ed. 633, maio 2021, p. 4. 3. Brasil Seikyo, ed. 2.571, 10 jul. 2021, p. 3. 4. Ibidem.

22/07/2021

Relato

Avançar destemido

Nasci numa família que já praticava o Budismo de Nichiren Daishonin e, à medida que fui crescendo, comecei a refletir como me tornaria uma pessoa valorosa numa sociedade caótica, como Ikeda sensei, ao qual tenho eterna gratidão, sempre nos orienta. Assim, apesar de amar a aviação, passei a conhecer melhor a comunicação e a me apaixonar por esse universo, em especial, quando entendi o impacto social do jornalismo. Hoje, percebo que, sem a Soka Gakkai, certamente não teria tantas oportunidades de me desenvolver como profissional e como ser humano. Cultivar a gratidão Sou de uma família humilde, e passei a infância na periferia de Olinda, cidade da Região Metropolitana do Recife. Meus pais se separaram quando eu estava com 2 anos e, apesar dos desafios, cresci nos jardins da Gakkai, tendo total apoio da minha querida mãe, Agnelze. Meu pai sempre foi presente. No entanto, a relação com ele era conturbada e, por isso, vivíamos discutindo. Além do mais, ele não concordava que eu participasse das atividades da organização. Sábia, minha mãe me dizia que a melhor forma de resolver aquela situação, que me causava sofrimento, seria pela mudança do meu coração e com a recitação do daimoku. No início, fui relutante. Porém, segui recitando daimoku e, aos poucos, começou a aflorar em meu coração um sentimento de gratidão pelo meu pai. Pois, mesmo sem ele ter consciência, o dinheiro da mesada que ganhava dele servia para que eu fizesse minha luta na Gakkai. Tempos depois, meu pai começou a se aproximar mais de mim e a me apoiar na prática. A primeira prova disso foi quando se ofereceu para me levar ao local da prova do Exame de Budismo que eu faria. Vitória! Nesse período, eu estava com 14 anos e tive de ser forte para apoiar minha mãe, que passou por uma profunda depressão. As crises eram constantes e muitas vezes eu ia para os plantões do Gajokai [grupo de bastidores da Divisão Masculina de Jovens (DMJ)] com lágrimas nos olhos. Além disso, estávamos com muitas dificuldades financeiras em casa. Diante desse desafio, meus irmãos, Rhayssa e Adilson Junior, e eu tivemos o apoio das integrantes da Divisão Feminina (DF) da localidade e conseguimos superar tudo. Hoje, minha mãe atua como vice-responsável pela DF de comunidade. Novo caminho Em 2015, entrei para a faculdade de jornalismo e comecei a procurar estágio nessa área. Embasado no daimoku, determinei que meu trabalho transformaria para melhor a vida das pessoas. No terceiro período do curso, iniciei um estágio como produtor numa emissora de televisão, no Recife. Procurei aplicar tudo o que havia aprendido na DMJ e no Gajokai e conquistei a confiança dos gestores da empresa. Com o salário do estágio, pude participar de diversos cursos de aprimoramento da BSGI, em São Paulo, e também em atividades da Subcoordenadoria Nordeste 1. Tenho muito orgulho de ter feito parte do desenvolvimento da organização nessa região nos últimos anos, que culminou na parceria da rede de universidades federais do Nordeste com a Universidade Soka, e também no anúncio da concessão do título de doutor honoris causa para o presidente Ikeda pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e no Encontro Cultural dos Jovens do Nordeste. em 2019. Na ocasião, proferi a leitura da Declaração dos Jovens — momento que ficou gravado em meu coração, pois, a partir dali, comecei a projetar minha vida de forma mais ampla, sonhando alto e imaginando realizar coisas grandiosas, tal como fui incentivado pelos líderes. No primeiro semestre do ano passado, estava desempregado e tive crises de ansiedade. Com o apoio dos amigos Soka, não deixei de participar de nenhuma atividade, tendo em mente o trecho de um escrito de Nichiren Daishonin, que diz: “Eu e meus discípulos, ainda que ocorram vários obstáculos, desde que não se crie a dúvida no coração, atingiremos naturalmente o estado de buda. Não duvidem, mesmo que não haja a proteção dos céus. Não lamentem a ausência de segurança e tranquilidade na vida presente. Embora tenha ensinado dia e noite a meus discípulos, eles nutriram a dúvida e abandonaram a fé. Os tolos tendem a esquecer o que prometeram quando chega o momento crucial”.1 Na ocasião do aniversário da DMJ, determinei que sairia da minha zona de conforto. Um mês após a comemoração, fui chamado para um trabalho temporário, numa assessoria de comunicação. Algo que eu nunca tinha feito. No entanto, aproveitei todas as dicas para me desenvolver na carreira. E pouco tempo depois de ter encerrado meu contrato, recebi o convite de uma diretora de um grande grupo de comunicação para trabalhar como repórter de TV, no estado de Roraima. Seria uma mudança drástica. Mas a proposta me permitiria fazer aquilo que eu gostava. Decidi aceitar. Recebi o apoio dos meus familiares e minhas preocupações se dissiparam quando eles me incentivaram ainda mais ao dizer que minha vitória seria também a de todos os companheiros da DMJ; e que eu deveria vencer sem medo. Quanta gratidão! Não havia espaço para dúvidas, a vitória era certa. Assim, parti para Roraima e, ao chegar, fui acolhido pelos membros da organização. No trabalho, estou tendo a chance de me desenvolver e de ocupar espaços que jamais imaginei. E agradeço aos colegas de trabalho por estarem ao meu lado e por me impulsionarem a demonstrar meu potencial e me aprimorar como profissional. Minha decisão é contribuir cada dia mais para a sociedade local por meio do meu trabalho e dos meus esforços pelo kosen-rufu. Ailton Alves, 23 anos. Jornalista. Membro da DMJ do Distrito Boa Vista, RE Roraima, CRE Oeste. Ailton com sua família No topo: Ailton em cobertura jornalística Nota: 1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin, v. I, p. 296, 2020.

22/07/2021

Terceira Civilização

Série

Os livros da minha juventude

Na segunda fase, como um ser prático, Emílio aprender a julgar, sozinho, o valor das ferramentas e das técnicas sociais, usando como padrão as próprias experiências da fase anterior. Rousseau imagina Emílio observando a dependência excessiva das pessoas pela tecnologia e pelas ferramentas, dizendo: “[...] todas essas pessoas são tolamente engenhosas. É como se tivessem medo de que seus braços e seus dedos não lhes servissem para nada, tanto inventam instrumentos para dispensá-los. Para exercerem uma única arte, sujeitam-se a mil outras [...]”.1 Aqui, Rousseau revela sua ideia de que não se deve encarar o uso da tecnologia e dos instrumentos como garantido. É necessário voltar à natureza, à fonte, e julgar por si próprio. Ao atingir a terceira fase, a do ser moral, Emílio encontra a elegante sociedade parisiense. Ele descobre, para sua decepção, que sob a fachada sofisticada da aristocracia residem a ilusão e o sofrimento. Agora Emílio está totalmente desenvolvido como ser humano e pronto para o casamento. Ele sai de Paris em busca de sua companheira ideal, de quem nada sabe além do nome, Sofia, que seu professor lhe contou. Sem um objetivo claro, ele se perde vagando por um vale profundo até chegar em uma casa de fazenda. A filha do fazendeiro não é outra senão Sofia. Emílio se casa com Sofia e leva a vida como um homem natural no interior. As páginas finais dessa obra são lidas com a doçura de um romance, um traço romântico que Rousseau evidencia com esplêndida imaginação e habilidade literária. Esse é o resumo da obra. Há também uma seção chamada “Profissão de Fé do Vigário Saboiano”, a qual muitos consideram a melhor parte. Nela, Rousseau apresenta suas opiniões religiosas. Aqui, no entanto, foco nas características únicas das teorias educacionais de Rousseau. EXÍLIO E ADVERSIDADE A publicação de Emílio provocou um furor. Rousseau fez 50 anos em 1762, seu ano mais produtivo e também o de maior adversidade. Em janeiro daquele ano, ele escreveu Cartas a Malesherbes. Embora curtas, essas quatro cartas são conhecidas pelo estilo extraordinário. Em abril, ele publicou O Contrato Social, na Holanda e, em maio, Emílio, simultaneamente na Holanda e na França. A controvérsia gerada por Emílio afetou a vida de Rousseau. Em junho, representantes do governo confiscaram e queimaram exemplares do livro, e o Parlamento de Paris, uma corte importante na época, ordenou a prisão do autor. Rousseau refugiou-se em Môtiers, na Suíça. A faculdade de teologia da Sorbonne condenou oficialmente o livro por conta de sua crítica afiada à Igreja. Além disso, as autoridades eclesiásticas consideraram séria ameaça a visão de Rousseau sobre a consciência humana e a bondade natural da humanidade, encaradas como verdadeiro Deus. E seu ataque à educação escolar e sua denúncia sobre a hipocrisia aristocrática incomodaram o establishment, tornando a situação mais precária ainda. Rousseau estava sendo caçado. Emílio, sua obra, no entanto, tocou muitos leitores e futuramente se tornou o evangelho da educação. Dizem que até alguns pais tentaram criar os filhos da forma como Emílio é criado no livro. Os opositores ideológicos de Rousseau, incluindo Voltaire, permaneciam críticos. Em 1755, quando Rousseau escreveu Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade, Voltaire lhe enviou uma carta, ridicularizando-o: “Ler seu livro dá vontade de andar de quatro. Como já se passaram sessenta anos desde que abandonei a prática, para mim é impossível retomá-la”.2 Enquanto críticos e entusiastas se dividiam a respeito de sua obra, Rousseau era obrigado a viver como andarilho. No verão de 1778, ele faleceu subitamente aos 66 anos, deixando para trás uma obra inacabada, Os Devaneios do Caminhante Solitário. Num contraste entre os primeiros anos apaixonados de Rousseau e suas dificuldades posteriores, sinto a luz e a sombra do destino neste gigante da filosofia. O BRILHANTISMO DA FILOSOFIA DE ROUSSEAU A filosofia de Rousseau já iluminava a Europa Ocidental enquanto ele estava vivo. O pensador era muito bem-visto na Alemanha. Kant reconheceu que foi por intermédio de Rousseau que ele percebeu o verdadeiro valor da humanidade. Goethe também concordou com as ideias de Rousseau e nelas sentiu o início de uma nova era. Após a morte de Rousseau, a filosofia dele cresceu em brilho e influência. É amplamente conhecido que a filosofia de Rousseau inspirou muitos e ajudou a acender o pavio da Revolução Francesa, que começou onze anos depois de sua morte. A filosofia de Rousseau também forneceu uma base teórica para a Revolução Americana e se espalhou pela China, Rússia e Japão. No Japão, o pensamento de Rousseau influenciou muitos intelectuais e figuras literárias, incluindo, Chomin Nakae3 e Toson Shimazaki.4 Algumas pessoas afirmam que foi por causa de Rousseau que Nakae adotou o nome Chomin, literalmente, “um trilhão de pessoas”, e que orgulhosamente se considerava um cidadão comum. Até hoje, a reputação de Rousseau como filósofo enigmático e gênio extraordinário permanece. Os estudos sobre ele são numerosos e diversos. Referi-me a Rousseau em diversas ocasiões em minhas palestras e também compartilhei minha limitada compreensão de seu pensamento em meus escritos. Sinto uma profunda afinidade com a ideia de pessoa natural, que constitui o núcleo da filosofia de Rousseau, e com a aspiração à restauração da humanidade. Josei Toda, meu mestre, costumava salientar que “A menos que levemos as crianças para o campo sempre que possível e as deixemos andar descalças, elas não crescerão fortes”. Mesmo agora, quando leio Rousseau, lembro-me vividamente das palavras de Toda sensei. No topo: Ikeda sensei interage com as crianças da Escola Soka de Educação Infantil de Sapporo (ago. 1992). Na terra de profundo relacionamento dos mestres Makiguchi e Josei Toda, as crianças crescem saudáveis em torno do lema “Fortes, Justos e Livres” Foto: Sekyo Press Notas: 1. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou Da Educação. Tradução: Laurent de Saes. São Paulo: Edipro, 2017, p. 22. 2. REDMAN, Ben Ray. The Portable Voltaire. (ed.). Nova York: Viking Penguin, 1977, p. 493 (tradução nossa). 3. Chomin Nakae (1847–1901), filósofo japonês conhecido por popularizar as ideias igualitárias de Rousseau. É considerado o fundador espiritual do liberalismo na política japonesa. 4. Toson Shimazaki (1872–1943), poeta e romancista japonês e uma das principais figuras do naturalismo na literatura japonesa.

03/06/2024

Especial

Jornada de mestre e discípulo — os 95 anos da vida de Ikeda sensei

O sonho dos três primeiros presidentes da Soka Gakkai para a educação se expande pelo mundo rumo ao eterno futuro O valor que um ser humano cria na vida se encontra em sua missão e em seus árduos esforços A última parte desta série destaca a dedicação de Ikeda sensei para fundar as escolas do sistema de educação Soka no Japão e no mundo visando à criação de “valores humanos” que protegem a paz e contribuem para a sociedade. Em 1930, o professor Tsunesaburo Makiguchi, então diretor de uma escola de ensino fundamental, escreveu o livro Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor]. O professor Josei Toda também trabalhou arduamente na edição e publicação dessa obra. Nessa época, o mundo era assolado pela depressão econômica e o Japão estava sendo controlado pelo militarismo. Na página de créditos, no final do livro, a data de impressão é registrada como dia 15 de novembro, junto com a data de publicação de 18 de novembro. Misticamente, o pai da educação Soka [Tsunesaburo Makiguchi] encerrou sua sublime existência no dia 18 de novembro na prisão [em 1944], e Ikeda sensei, que criou o grande castelo da educação Soka, partiu para o Pico da Águia no dia 15 de novembro [de 2023]. A rede da educação Soka construída por Ikeda sensei, que herdou o desejo dos mestres Makiguchi e Josei Toda, se expandiu amplamente em escala global. Ele fundou as escolas Soka em Tóquio e em Kansai, as quais abrangem do ensino fundamental ao médio. Na sequência, criou a Universidade Soka, que hoje mantém intercâmbios com 251 universidades em 67 países e territórios, assim como a Faculdade Feminina Soka, o palácio da educação das mulheres. Posteriormente, fundou a Universidade Soka da América, no descortinar do novo século, em 2001. Com relação ao ensino básico, a primeira instituição a ser fundada foi a Escola Soka de Educação Infantil de Sapporo, no Japão, seguida pelas escolas Soka em Hong Kong, Singapura, Malásia e Coreia do Sul. O Colégio Soka do Brasil se desenvolveu e atualmente engloba desde a educação infantil até o ensino médio. E, em agosto de 2023, foi realizada a cerimônia de ingresso da primeira turma do Colégio Internacional Soka da Malásia. Conto com você, Daisaku O sonho da construção do grande castelo da educação Soka foi confiado pelo mestre ao discípulo em meio a circunstâncias extremamente adversas. Em 16 de novembro de 1950, Toda sensei disse em um refeitório para estudantes de uma universidade em Tóquio: “Devo construir a Universidade Soka para o bem do mundo no futuro. No entanto, pressinto que não conseguirei edificá-la. Assim, conto com você, Daisaku. Construa a melhor universidade do mundo!”.2 Três meses antes, Toda sensei havia recebido uma ordem de suspensão de seus negócios e estava em uma situação financeira difícil. Enquanto seus funcionários se afastavam sucessivamente, Ikeda sensei era o único que continuava lutando ao seu lado. Naquele dia, o jovem Ikeda, com 22 anos, gravou profundamente no coração as palavras do seu mestre. Estabelecer uma escola também era o objetivo de Makiguchi sensei. Com o ardente desejo do seu venerado mestre e do mestre predecessor em seu coração, Daisaku Ikeda desenvolvia, sem que ninguém soubesse, um plano para a criação do sistema de educação desde o ensino infantil até a universidade. No dia 5 de abril de 1960, um mês antes de sua posse como terceiro presidente [da Soka Gakkai], Ikeda sensei visitou, acompanhado de sua esposa, Kaneko, um terreno em Kodaira, Tóquio, onde possivelmente poderia ser construída a Escola Soka. Naquele momento, tomou a decisão de adquiri-lo. Em 30 de junho de 1964, Ikeda sensei anunciou oficialmente o plano de fundar a Universidade Soka: “Gostaria de criar grandes ‘valores humanos’ e extraordinários líderes capazes de contribuir para a paz do mundo”. Logo após, foi constituída uma comissão para o estabelecimento da universidade e o início do processo de construção. Qual é a finalidade da educação? Em 1968, foi realizada a inauguração do Colégio Soka de Tóquio, uma escola masculina dos ensinos fundamental 2 e médio e, em 1971, foi a vez da Universidade Soka. Era uma época afligida por confrontos universitários e, com o intuito de iluminar com as chamas da esperança o mundo universitário que estava num impasse, a abertura desse centro da educação humanística foi antecipada em dois anos. A fim de obter fundos para a universidade, Ikeda sensei intensificou ainda mais seus esforços na escrita de livros e trabalhou arduamente nos manuscritos, alocando os royalties das obras para o fundo. Além disso, contou com o apoio de muitas pessoas que simpatizavam com o ideal da educação. Vários indivíduos se ofereceram para fazer sinceras doações, expressando o desejo de participar do empreendimento, enquanto outros empenharam tempo e esforço na limpeza e na preparação do terreno onde seria construída a universidade. Sempre que possível, sensei falava para os alunos da Universidade Soka que ali era uma “universidade erguida pelo povo”, construída com as mãos de pessoas comuns e anônimas. Essa observação se baseava na convicção de que “o objetivo de estudar em uma universidade era para servir e contribuir em prol das pessoas que não tiveram tal oportunidade”, enquanto na sociedade havia a tendência de se considerar que “o fato de ingressar em uma boa universidade e empregar-se em uma boa empresa” representava a felicidade. Na inauguração da Universidade Soka, sensei ofereceu uma estátua de bronze como presente. Em sua base, está registrado: “Qual é a finalidade de polir a sabedoria? Não se esqueçam disso”; “Somente em meio aos árduos esforços e à missão é que se cria o valor da existência”. Rumo ao século 21 e além Após a inauguração dos colégios e da universidade, Ikeda sensei interagiu com os grupos de estudantes, mostrando um exemplo de educação humanística com a própria atitude. Algumas vezes, jogava tênis ou tênis de mesa com eles. Em outras, pescava ou, ainda, compunha poemas junto com os alunos. Houve ocasiões em que os convidou para uma refeição em um restaurante de estilo ocidental para ensinar-lhes a etiqueta básica à mesa. Ele dizia para os professores: “A educação consiste em continuar proporcionando bons estímulos e prover boas recordações”. Sensei continuou a proteger e observar os alunos com desempenho escolar insatisfatório, como também os que abandonaram os cursos. Entre eles, surgiram muitos companheiros que lutaram arduamente no caminho de suas missões, tornando-se, por exemplo, professores universitários. No Colégio Soka de Tóquio, onde se reúnem alunos oriundos de diversas regiões do Japão, Ikeda sensei propôs a realização de um evento às vésperas das férias de verão para que tais estudantes, vindos de longe, colecionassem boas recordações. Assim, começou o Festival da Glória, que se tornou uma atividade tradicional da instituição. Sensei participou sucessivamente durante 24 anos, passando horas e horas com os alunos do colégio. Será que posso assistir à aula junto com vocês? Ao chegar ao local do festival, que estava sendo realizado pela segunda vez, em 17 de julho de 1969, Ikeda sensei se dirigiu imediatamente ao espaço destinado aos alunos. Incentivou com carinho os que estavam sentados nas proximidades, perguntando o nome e a cidade de origem de cada um deles. Aplaudiu com entusiasmo as apresentações de música folclórica e as peças teatrais criativas que se desenvolveram no palco. Sensei clamou: “Acredito que, no início do século 21, haverá muitos alunos dessas primeiras duas turmas que se tornarão presidentes de empresas ou altos executivos, jornalistas, cientistas, artistas, médicos e, enfim, pessoas atuando maravilhosamente nas mais diversas áreas”. Assim, ele propôs que todos ali presentes se reunissem novamente no primeiro 17 de julho do século 21. “Aguardando o ano 2001 com muita expectativa, vou abrir o caminho e cuidar de cada um de vocês nos bastidores. Essa é a minha vida e maior alegria”. Desenvolver e vencer para ir ao encontro do fundador! — essa agradável recordação se tornava um grandioso juramento dos alunos. Do século de guerras rumo ao século sem guerras, os olhos do Mestre, que se dedicava à educação, estavam sempre voltados para o século 21 e além. Estarei eternamente junto com vocês! A primeira visita oficial de Ikeda sensei à universidade depois da inauguração foi para atender o sincero convite dos estudantes para o Primeiro Festival da Universidade Soka. Sensei visitou as barracas de comida e se admirou com a exposição criada com muita dedicação pelos alunos da instituição: “Pesquisaram muito bem. Não foi fácil, não é?”. Reconhecendo os esforços dos estudantes, ele visitou a exposição por mais de três horas. Ele tinha conhecimento do empenho de todos que se envolveram nos preparativos até de madrugada. Além disso, no Segundo Festival Takiyama (em julho de 1973), organizado pelos estudantes que residiam nos alojamentos, ele visitou o campus durante a programação de três dias, incentivando cada estudante que encontrou. Na festa do bonodori (dança típica japonesa), realizada no último dia do evento, Ikeda sensei tocou um tambor por tanto tempo e com tanta força que a sua mão chegou a descamar. Com frequência, sensei falava aos professores: “Vocês devem valorizar os estudantes mais que os próprios filhos”. E, de fato, a cada movimento, ele demonstrou o espírito de “estudantes em primeiro lugar”, afirmando: “A universidade que mais valorizar os estudantes se tornará a melhor universidade do mundo. Essa é a fórmula”. No terceiro festival da Universidade Soka, realizado em outubro do mesmo ano, uma celebração foi preparada com cerca de setecentos convidados, incluindo altos executivos de empresas e pessoas relacionadas com o mercado de trabalho. “Muito prazer, sou Daisaku Ikeda, fundador. Quando nossos estudantes o procurarem em busca de trabalho, por favor, conto com o senhor”. Ao entregar seu cartão de visitas para cada pessoa que encontrava, Ikeda sensei curvava-se profundamente enquanto fazia esse pedido. Apesar de não estar tão bem de saúde, ele percorreu o ginásio de esportes por cerca de duas horas encharcado de suor. Estava determinado a se encontrar pessoalmente com os representantes das empresas para pedir-lhes apoio aos estudantes da primeira turma da Universidade Soka que haviam decidido ingressar na escola recém-construída. Observando esse aspecto do fundador, os alunos da primeira turma se sentiram inspirados. Ao começarem a busca por emprego, havia empresas que não os aceitavam pelo fato de eles não serem formados em universidades de renome. Mesmo assim, continuavam resolutos: “De minha parte, não há problemas. Porém, depois de mim, estão vindo muitos brilhantes sucessores. Por favor, conto com vocês para os formandos do próximo ano”. Embora tivessem dificuldade para encontrar emprego em decorrência da recessão causada pela crise do petróleo, os formandos da primeira turma receberam ofertas de reconhecidas empresas, alcançando uma taxa de 100% de alunos empregados. A tradição de alta taxa de empregabilidade continua até hoje. Pensando globalmente Em suas viagens pela paz, Ikeda sensei sempre trazia cartões-postais e lembranças dos países visitados para oferecê-los aos alunos dos colégios Soka.Assim, foi cultivando neles o sentimento de cidadania global. Em maio de 1973, ao viajar para a Europa a fim de realizar, entre outras atividades, um diálogo com o historiador Arnold J. Toynbee, Ikeda sensei adquiriu uma boneca francesa em Paris. Ele a denominou Sonoko (filha do colégio) e a ofereceu à Escola Feminina Soka, que havia sido inaugurada naquele ano. Em 1982, essa instituição se tornou o Colégio Soka de Kansai e deu nova partida como escola para meninos e meninas, da mesma forma que o Colégio Soka de Tóquio. Por intermédio do fundador, os alunos dos colégios Soka sentiam o mundo mais próximo deles. Mais de 5 mil intelectuais de diversos países já visitaram os Colégios Soka de Tóquio e de Kansai, entre os quais pessoas de renome que estabeleceram amizade com Ikeda sensei, como o fundador da União Pan-Europeia, conde Coudenhove-Kalergi; o historiador de artes René Huyghe; e o mundialmente renomado ilustrador de livros infantis Brian Wildsmith. Apresentando grandes pensadores e ilustres personalidades de todos os tempos e lugares, Ikeda sensei falou sobre o significado de uma vida correta aos alunos dos colégios e da Universidade Soka. Em 20 de novembro de 1997, o ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, e sua esposa visitaram o Colégio Soka de Kansai. Nessa ocasião, sensei apresentou a fábula Jovem Imperador, de Tolstói. Três vozes chamam o jovem imperador que assumiu uma posição de grande poder. A primeira voz diz a ele que sua responsabilidade se resume a manter o poder que lhe foi concedido. A segunda voz diz que ele deve fugir adequadamente de suas responsabilidades. E, por último, a terceira voz diz: “Cumpra a sua responsabilidade como ser humano, e não como imperador! Aja pela felicidade das pessoas que sofrem!”. Então, sensei declarou: “Quero afirmar que o herói que escolheu o terceiro caminho como líder humanista foi o Dr. Gorbachev”. Em um ensaio, Ikeda sensei registrou: “É preciso que surjam líderes capazes de tomar medidas com base em um pensamento de escala global, e não embasadas na pequenina régua do Japão. É para isso que sempre digo que o ‘palco de vocês é o mundo’ e sigo criando oportunidades para que os alunos do colégio e da Universidade Soka possam ter contato com líderes do mundo, com a arte e com homens da cultura de primeira categoria”. Tesouro insubstituível Qual é o sonho do sensei? Essa pergunta foi feita por uma aluna do Colégio Soka de Kansai durante um diálogo de sensei com os estudantes que se formariam no dia 28 de fevereiro de 2000. Com uma dose de humor, ele disse: “Sou tão atarefado que mal tenho tempo de pensar em sonho, pois estou pensando sobre o mundo todo”. Ikeda sensei contou, então, que seu sonho, de corpo e alma, é concretizar os ideais do seu venerado mestre. E completou, expressando toda a sua expectativa: “Meu maior sonho é que, no futuro, vocês se tornem líderes e excelentes doutores, tanto no nome como na prática”. Por considerar os livros de assinatura e as coletâneas de formatura dos alunos dos colégios Soka e da Universidade Soka como seus tesouros insubstituíveis, sensei veio valorizando e mantendo-os próximos de si. Orando pela vitória e pela felicidade dos ex-alunos, continuou incentivando-os. Sensei redigiu o poema: Como meu coração se estimula ao saber da dinâmica atuação dos amigos formandos Soka. Como dói meu coração quando ouço uma triste comunicação. É impossível entender esse sentimento sem ser seu fundador. Estarei eternamente junto com vocês! Serei eternamente seu aliado! No coração de Ikeda sensei havia sempre um amigo da educação Soka. E no coração dos ex-alunos, sensei continua vivendo. O sonho do Mestre se amplia de forma contínua para o mundo e para o futuro indefinidamente, assim como os laços da educação Soka. No topo: Inaugurada em 1992 como a primeira instituição de ensino Soka fora do Japão, a Escola Soka de Educação Infantil de Hong Kong é altamente valorizada como uma das melhores da localidade. Na foto, Ikeda sensei cumprimenta os alunos (Hong Kong, maio 1993) Foto: Seikyo Press Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 17, p. 79, 2022. 2. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 10, p. 199, 2020.

03/06/2024

Encarte Especial

Nova Revolução Humana em fotos

No dia 25 de novembro, Shin’ichi Yamamoto visitou a Escola de Educação Infantil Soka de Singapura. Era sua segunda visita àquela escola de educação infantil, porém a primeira no novo prédio localizado em Tampines. Duas crianças representantes entregaram um buquê de flores a Shin’ichi e à sua esposa, Mineko. Ele cumprimentou cada criança com um aperto de mãos, dizendo-lhes: “Obrigado!”. Algumas crianças manifestavam incontida alegria, enquanto outras se mostravam tímidas. — Estou muito feliz em conhecer todas vocês — disse Shin’ichi. — Ontem vi o álbum com os desenhos de vocês. Todos ficaram muito bons! — elogiou. As crianças apresentaram, então, um gracioso coral cantando em japonês. Elas cantaram vibrantemente, balançando o pequeno corpo um ao lado do outro. Shin’ichi acompanhou o ritmo da música batendo palmas. — O japonês de vocês é ótimo — disse Shin’ichi. As crianças irradiavam orgulho. (...) Shin’ichi disse a Mineko: — Que gratificante! O século 21 é bastante esperançoso. Ele visualizava um arco-íris de esperança ligando o futuro. (Nova Revolução Humana, v. 30-II, p. 333-334) No topo: Ikeda sensei visita Escola Soka de Educação Infantil de Singapura (nov. 2000) Foto: Seikyo Press / Ilustração: Kenichiro Uchida

02/05/2024

Série

Os livros da minha juventude

A famosa canção infantil Go Tell Aunt Rhody é conhecida ao redor do mundo com diferentes letras. Porém, poucos sabem que a melodia foi composta pelo filósofo françês Jean-Jacques Rousseau no século 18. A música é simples e de uma pureza inocente que captura o coração das crianças. Ela vem de uma ópera de Rousseau chamada Le Devin du village [O Vidente do Vilarejo]. Tomei conhecimento dessa informação logo após a Segunda Guerra Mundial, quando estava absorto na leitura das obras de Rousseau, incluindo O Contrato Social, Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade e Emílio. Dentre esses livros, Emílio, em especial, me impressionou. Nele, pude sentir a paixão de Rousseau pela educação infantil reverberar de forma profunda, igual na melodia Go Tell Aunt Rhody. ROUSSEAU E MEU MESTRE Quando comecei meus estudos sob a tutela do meu mestre, Josei Toda, Emílio surgia sempre nas conversas. Toda sensei nutria forte interesse pelos ideais educacionais de Rousseau. Em 2 de outubro de 1950, anotei o seguinte no meu diário: À noite, fui com o Sr. Toda visitar K. em Koiwa. No trem, conversamos sobre assuntos de trabalho. Na volta, o Sr. Toda me convidou para comer sushi perto da estação de Koiwa. No trem de volta para casa, conversamos entusiasticamente sobre Emílio ou Da Educação, de Rousseau, e sobre outros temas literários. O Sr. Toda desceu na estação de Meguro.1 Não me lembro de todos os detalhes da conversa, mas ele me disse certa vez que seu mestre, Tsunesaburo Makiguchi, também apreciava ler Rousseau. Na obra The System of Value-Creating Education [Educação para uma Vida Criativa], Makiguchi sensei cita Rousseau com frequência. Por exemplo, ao discutir sobre as maneiras de reformar a educação, ele escreveu: Este apego a práticas e regras desatualizadas e despropositadas pode ser observado tanto no Ocidente quanto no Oriente, e apenas graças à insistência de educadores revolucionários como Rousseau, Comenius e Pestalozzi é que a juventude tem hoje em dia uma sentença mais suave para cumprir na prisão dos estudos sem sentido.2 Em seu trabalho, Makiguchi sensei condena o tipo de educação que dá ênfase exagerada ao conhecimento mecânico como uma “prisão dos estudos sem sentido”. Em Emílio, Rousseau também critica severamente tal tipo de educação. Embora sejam de origens distintas, um da Ásia e outro da Europa, os escritos educacionais desses dois autores parecem se mesclar de maneira profunda. OS IDEIAIS EDUCACIONAIS DE ROUSSEAU EM EMÍLIO Rousseau começa Emílio com uma declaração alarmante: “Tudo é bom ao sair das mãos do Autor das coisas; tudo degenera entre as mãos do homem”.3 Não é exagero dizer que os ideais de educação de Rousseau estejam condensados nessa breve passagem. Conhecido por seu chamado para um retorno à natureza, ele era um filósofo que acreditava firmemente na bondade essencial da natureza e a amava. Rousseau continuamente condenava qualquer afastamento do estado natural. Na educação, a natureza é a maior professora, insistia ele. Os professores humanos, dizia, estão ali apenas para servir como guardiões de forma que os estudantes não se afastem de seu estado natural. Natureza é pai e mãe; é uma professora excelente de humanidade. Rousseau compôs Emílio de acordo com esse espírito essencial. Em The Confessions and Correspondence, ele escreveu: “Emílio [...] me custou vinte anos de reflexão e três anos de trabalho”.4 De fato, Emílio era a própria vida de Rousseau; foi um grito das profundezas de sua alma. Emílio é o nome de um menino, personagem principal da história. Em vez de ser educado na escola, Emílio recebe aulas particulares de seu professor, Rousseau. Isso parece refletir o curso da juventude de Rousseau. Autodidata, sem qualquer escolaridade formal, Rousseau construiu sua base intelectual e tornou-se um filósofo imponente da Europa do século 18. Emílio desenvolve-se esplendidamente, seguindo o programa educativo que seu professor preparou. Esse se baseia na ideia de que o desenvolvimento infantil pode ser dividido em três fases. Até os 12 anos, a criança passa por uma fase sensorial, na qual se enfatiza a educação baseada na natureza e nos objetos. Dos 12 aos 15 anos, ocorre a etapa prática, durante a qual o jovem aprende a compreender a utilidade de vários objetos e a julgar o que é útil ou não. No período final do desenvolvimento, a partir dos 15 anos, surge o estágio da razão e da moralidade, no qual o jovem aprende a pensar sobre o bem e o mal e a refletir sobre Deus. O professor orienta Emílio cuidadosamente ao longo desses estágios de desenvolvimento. A primeira fase dá ênfase ao desenvolvimento físico da criança. Roupas apertadas e “charutinhos”, afirma Rousseau, dificultam a capacidade da criança de se curvar e de se esticar e, portanto, vão contra o conceito de educação baseada na natureza. Por essa razão, Emílio recebe roupas largas. A crença de Rousseau na importância de objetos exteriores na educação é resumida na seguinte afirmação: “As coisas, as coisas! Nunca repetirei o suficiente que atribuímos poder demais às palavras”.5 Rousseau também escreveu: “Longe de manter-me atento para evitar que Emílio se fira, eu ficaria muito contrariado caso nunca se ferisse e crescesse sem conhecer a dor. Sofrer é a primeira coisa que deve aprender e a que terá mais necessidade de saber”.6 Aqui, ele expressa sua convicção de que as experiências são, por si só, inestimáveis. Em outras palavras, Rousseau declara que uma criança concebe ideias por meio das experiências, não das palavras. Esse é o motivo principal para ele enfatizar a importância da educação por meio da interação com objetos e situações do mundo real. Deve ser ressaltado que por trás da educação de Emílio está a ênfase de Rousseau na descoberta. Sobre esse tópico, ele escreveu: Por que desejais privar esses pequenos inocentes do gozo de um tempo tão curto que lhes escapa e de um bem tão precioso do qual não saberiam abusar? [...] Não preparais vossos lamentos privando-os dos poucos instantes que a natureza lhes dá: logo que puderem sentir o prazer de existir, fazei com que aproveitem; fazei com que, seja qual for a hora em que Deus os chamar, não morram sem ter apreciado a vida”.7 Continua na próxima edição. No topo: Retrato do filósofo, escritor genebrino Jean-Jacques Rousseau Foto: Getty Images Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Diário da Juventude: A Jornada de um Homem Dedicado a um Nobre Ideal. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019, p. 61. 2. Education for Creative Living: Ideas and Proposals of Tsunesaburo Makiguchi. BETHEL, Dayle M. (ed.). Tradução: Alfred Birnbaum. Ames, IA: Iowa State University Press, 1989, p. 96. 3. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou Da Educação. Tradução: Laurent de Saes. São Paulo: Edipro, 2017, p. 41. 4. Idem. The Confessions and Correspondence, including the Letters to Malesherbes. KELLY, Christopher; MASTERS, Roger D.; STILLMAN, Peter G. (eds.). Tradução: Christopher Kelly Hanover, NH: University Press of New England, 1995, p. 324 (tradução nossa). 5. ROUSSEAU. Emílio, p. 210. 6. Ibidem, p. 88. 7. Ibidem, p. 90.

02/05/2024

Série

Os livros da minha juventude

DISCURSO EM HARVARD Depois de se libertar das restrições da autoridade retrógrada, Emerson passou um ano viajando pela Europa. Na Inglaterra, ele conversou com figuras literárias notáveis como Samuel Taylor Coleridge, William Wordsworth e Thomas Carlyle, e este último se tornou um amigo para toda a vida. Foi uma experiência significativa, mas ele ficou desapontado com a situação da religião na Europa, ao vê-la como uma sombra do que já tinha sido, ainda mais do que na América. Depois de testemunhar uma cerimônia grandiosa em Roma, ele escreveu: “Não há majestade real em toda essa perfumaria e imbecilidade”.1 Emerson buscou uma nova espiritualidade para a humanidade e considerou sua missão descobri-la. Ao voltar para casa, mudou-se para a zona rural de Concord, Massachusetts, nos arredores de Boston, e se dedicou a escrever e a dar palestras. Ele lutou para transformar a sociedade e a humanidade por meio das palavras. As palestras dele, em especial, foram essenciais para esse trabalho. Até que a idade o impediu, mas continuou a viajar extensivamente para palestrar. Ele se esforçou ao máximo para escrever e falar. Na verdade, era um guerreiro das palavras. O presidente Josei Toda costumava dizer para nós, jovens: “Nosso movimento é uma luta de ideias e palavras para construir o futuro. Precisamos escrever e falar da melhor forma possível dentro da nossa capacidade”. Minhas atividades de escrita e palestras até hoje ocorrem em busca de, à minha própria maneira, aprofundar e espalhar os desejos e instruções do meu mestre. Em 1838, Emerson proferiu um discurso na cerimônia de graduação da Faculdade de Estudos Religiosos de Harvard. Posteriormente, ele ficou conhecido como “Discurso da Faculdade de Estudos Religiosos” e representou um resumo de sua filosofia religiosa. Nessa preleção, Emerson desafia veementemente a Igreja devido ao desprezo dessa instituição pela humanidade e por se encaixar em uma mentalidade que poderíamos descrever como religião pela religião. “A Igreja parece cambalear até à queda, quase completamente extinta de vida”.2 “Sempre que o púlpito é usurpado por um formalista, o adorador é defraudado e desconsolado. Encolhemo-nos assim que começam as orações, que não nos elevam, mas nos ferem e nos ofendem”.3 “Ai do homem infeliz que é chamado a subir no púlpito e não dar o pão da vida”.4 Para remover os males que permeiam a Igreja, Emerson conclui, suplicando: “Na alma, então, deixe-se buscar a redenção. Aonde quer que um homem vá, lá vem a revolução. O velho é para escravos”.5 “Ouse amar a Deus sem mediador ou véu.”6 “O remédio para sua deformidade é, primeiro, a alma, depois, a alma, e sempre, a alma.”7 Que declaração orgulhosa! Para começar, a vida humana conversa com o universo; sua expansividade a torna una com a natureza; abrange a eternidade do passado, presente e futuro; cheia de potencial ilimitado, está conectada a toda vida. O propósito original da religião é extrair esses poderes inerentes à vida. As palavras de Emerson foram um grito de sabedoria e de coragem anunciando a chegada da Renascença Americana. Os administradores da Faculdade de Estudos Religiosos de Harvard, que esperavam uma palestra normal, ficaram totalmente confusos. O reitor classificou o discurso como “loucura”, se não “absoluto ateísmo”.8 Muitos atacaram Emerson cruelmente, insultando-o como ímpio, herege e perigoso. Alguns até o chamaram de cachorro louco. Em razão dessa palestra, Emerson foi proibido de lecionar em Harvard por quase trinta anos. Ele também foi efetivamente excluído da igreja. No entanto, permaneceu imperturbável. Como ele escreveu: “A sociedade não tem suborno para mim”.9 A alma de Emerson, em comunhão direta com um espírito universal, brilhou intensamente. Nada poderia violá-la. A FILOSOFIA DA AUTOCONFIANÇA Um dos fundamentos ideológicos da filosofia de Emerson é a autossuficiência, uma ideia expressa no “Discurso da Faculdade de Estudos Religiosos”. Trata-se de uma grande declaração humanística, um chamado para que todos rejeitem qualquer coisa que tente ficar entre a alma e o espírito universal. A filosofia de autossuficiência de Emerson é explicada claramente em seu ensaio com o mesmo nome — uma das maiores obras dele pela elevação de suas ideias e pela excelência de sua expressão. Nesse ensaio, ele proclama: “Confie em si mesmo: todo coração vibra ao som dessa corda de ferro”.10 “Quem quiser ser um homem, deve ser um inconformista. (...) Nada é sagrado, exceto a integridade da sua própria mente. Absolva-se para si mesmo e terá o sufrágio do mundo”.11 Essas são passagens que eu adorava recitar na minha juventude. Um palácio de felicidade existe dentro do nosso coração. Uma fonte de esperança está bem diante de nós. O presidente Josei Toda dizia: “O importante para os jovens é confiar em seu próprio coração. É necessário viver fielmente consigo mesmo. Não há outra maneira”. As palavras do meu mestre estão gravadas em meu coração como seu último desejo. No “Acadêmico Americano”, considerado a “Declaração pela Independência Intelectual” americana, Emerson discute o acordo entre ideias e ações. Ele escreve: “Ação é subordinada ao acadêmico, mas é essencial. Sem ela, ele ainda não é homem. Sem ela, o pensamento não pode amadurecer em verdade”.12 Fiel a suas palavras, Emerson era um filósofo cujas ações faziam jus a suas ideias. Ele escreveu: “Um acadêmico que defende a escravidão, o governo arbitrário, o monopólio, o opressor é um traidor do ofício”.13 Emerson levantou a voz em oposição veemente à escravidão, que destrói a dignidade da alma humana. Apesar da crítica pesada, ele se esforçou na luta para abolir a escravidão. Em 1850, para satisfazer às exigências dos Estados escravagistas, o governo promulgou a controversa Lei do Escravo Fugitivo, que exigia que todos os cidadãos ajudassem a recapturar os escravizados fugidos. Emerson dedicou-se a estudar direito como se fosse um estudante de direito e travou uma guerra de palavras contra esse ato notório. Durante a Guerra Civil, apesar das dificuldades financeiras, ele escreveu e falou continuamente pela causa abolicionista. Em um concerto de jubileu realizado em 1º de janeiro de 1863, dia em que o presidente Lincoln emitiu a Proclamação de Emancipação, Emerson recitou seu poema abolicionista, intitulado Hino de Boston, acompanhado por uma apresentação musical. Hoje liberte o cativo, somente assim você está livre; levante um povo do pó, trunfo do seu resgate, salvos!14 Emerson sempre esteve cercado de amigos calorosos e solidários. Muitos admiradores visitaram Concord para vê-lo. Entre aqueles com quem compartilhou belas amizades estavam o ensaísta e filósofo que influenciou Mahatma Gandhi, Henry David Thoreau; o educador Amos Bronson Alcott; e o reformador religioso e social William Henry Channing. Emerson costumava passear na floresta com esses visitantes, discutindo filosofia e a vida. No fim da vida, Emerson perdeu a residência em um incêndio. No entanto, graças ao apoio dedicado dos amigos, a casa foi reconstruída em um ano. Quando ele voltou de uma viagem pela Europa, os habitantes da cidade o cumprimentaram com alegres vivas e ao som de sinos, como se dessem as boas-vindas a um general vitorioso da batalha. Emerson escreveu: “Apenas aquele bom lucro, que podemos saborear com todas as portas abertas e que serve a todos os homens”.15 Ele amava seu país, sua cidade, família e amigos. Também cultivava um amor profundo e duradouro pelas pessoas. Por essa razão, era amado por todos. Nele, podemos vislumbrar o caráter brilhante de um verdadeiro cidadão global. Certa vez, conversei sobre Emerson com o professor John Montgomery, da Universidade Harvard, que é meu amigo próximo e atuou como diretor do Centro de Pesquisa da Bacia do Pacífico, na Universidade Soka da América. Durante a nossa conversa, ele me contou sobre a modesta casa de Emerson, que hoje está preservada como na época, transmitindo a atmosfera daquela era. Ele acrescentou: “Como em muitas outras comunidades, alguns incorporadores tentaram construir grandes hotéis e shopping centers em Concord. Mas o desenvolvimento foi cerceado pelos esforços de cidadãos unidos”. Aqueles que vivem para o povo são fortes. Aqueles que são amados pelo povo vivem para sempre. A vida de Emerson, assim como um diamante, provê coragem eterna para todos nós. No topo: Presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, faz sua segunda palestra na Universidade Harvard diante de uma plateia de cerca de 150 pessoas, incluindo estudiosos e estudantes desse instituto e de outras universidades (Cambridge, Massachusetts, set. 1993). Em 1838, Ralph Waldo Emerson também já fez discurso nessa instituição acadêmica. Foto: Sekyo Press Notas: 1. EMERSON. Journals, v. 3, p. 153. 2. EMERSON, Ralph Waldo. Nature, Addresses and Lectures [Natureza, Endereços e Palestras]. v. 1. The Complete Works of Ralph Waldo Emerson [Coletânea de Obras de Ralph Waldo Emerson]. Boston: Houghton Mifflin Company, 1903. p. 135. Tradução nossa. 3. EMERSON. Journals, v. 1, p. 137. 4. Ibidem, v. 1, p. 140. 5. Ibidem, p. 144. 6. Ibidem, p. 145. 7. Ibidem, p. 150. 8. WAYNE, Tiffany K. Encyclopedia of Transcendentalism [Enciclopédia do Transcendentalismo]. Nova York: Facts On File, Inc., 2006. p. 207. 9. The Journals and Miscellaneous Notebooks of Ralph Waldo Emerson [Os Diários e Cadernos Diversos de Ralph Waldo Emerson]. v. 7. PLUMSTEAD, A. W.; HAYFORD, Harrison (eds.). Cambridge, Massachusetts: The Belknap Press, 1969. p. 60. 10. EMERSON, Ralph Waldo. Essays I [Ensaios 1]. v. 2. The Complete Works of Ralph Waldo Emerson [Coletânea de Obras de Ralph Waldo Emerson]. Boston: Houghton Mifflin Company, 1903. p. 47. 11. EMERSON. Essays I, p. 50. 12. Idem. Nature, p. 94. 13. Idem. Lectures, p. 247. 14. EMERSON, Ralph Waldo. Poems [Poemas]. v. 9. The Complete Works of Ralph Waldo Emerson [Coletânea de Obras de Ralph Waldo Emerson]. Boston: Houghton Mifflin Company, 1904. p. 293. 15. Idem. Homens Representativos: Sete Palestras. Tradução: Cesário Tomás Davies. Brasil: Edições História Magna, 2023.

01/04/2024

Estudo

[68] Sejam vitoriosos na jornada da vida e do kosen-rufu

Explanação Tenho uma missão que é só minha. Você também tem uma a missão que só você pode cumprir.1 Esses são versos do poema Ode à Juventude, que dediquei aos nossos sucessores da Divisão dos Jovens há cinquenta anos, em dezembro de 1970. Como membros da Soka Gakkai que mantêm o maravilhoso ensinamento da Lei Mística, temos a nobre missão de transformar a sociedade por meio da nossa revolução humana. Nosso propósito é “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra” (rissho-ankoku) — ou seja, concretizar a felicidade e a paz para toda a humanidade. Essa era a mensagem que desejava transmitir aos meus jovens amigos que arcariam com a responsabilidade pelo futuro do nosso movimento. Uma revolução interior pacífica e gradativa O poema prossegue: O que as pessoas anseiam para apoiá-las no século 21 não é somente a reorganização dos aspectos externos. Elas desejam uma sólida revolução dentro da vida delas, levada a cabo gradativamente e numa atmosfera de paz, com base na filosofia e crenças de cada indivíduo.2 Uma magnífica epopeia de Ode à Juventude Cinco décadas se passaram desde que compus esse poema. Meus queridos companheiros — tanto aqueles que trabalharam ao meu lado ao longo desses anos quanto aos nossos confiáveis sucessores da Divisão dos Jovens dos dias de hoje — vêm realizando sua prática budista e se empenhando com orgulho para cumprir sua missão ímpar em suas respectivas esferas. Nosso contínuo, firme e inabalável movimento do povo desenvolveu-se em escala global. A maravilhosa “ode à juventude” que cada um de nossos membros compôs no decorrer de meio século edifica uma magnífica epopeia de pessoas comuns, originando uma poderosa correnteza do kosen-rufu mundial. Em vez de buscar mera reforma exterior, é importante que adotemos uma abordagem gradativa, cultivando, de maneira sólida, o solo espiritual das pessoas para produzir e colher o rico fruto da felicidade. Como o grande indiano defensor da não violência Mahatma Gandhi (1869–1948) expressou: “O bem caminha a passo de caramujo”.3 O tradicional espírito imutável da Soka Gakkai Chegou a época em que o verdadeiro valor do nosso movimento popular brilhará cada vez mais intensamente. Portanto, devemos continuar seguindo em frente, sempre em frente, venha o que vier, em nossa trajetória para concretizar a vitória na vida e em nossa eterna jornada da luta conjunta em prol do kosen-rufu como mestre e discípulo, unidos num só coração. Enquanto nos preparamos para dar uma nova partida [com o Ano-Novo de 2021 logo à frente], estudemos os ditos de Nichiren Daishonin e ratifiquemos a importância de manter uma fé resoluta, sólida e contínua. O espírito da Soka Gakkai permanece imutável em meio aos desafios e às novas abordagens da vida cotidiana decorrentes da pandemia da Covid-19. Trecho do escrito 1 Resposta à Monja Leiga Myoshin4 Além disso, [o ideograma chinês] myo [de Nam-myoho-renge-kyo], assim como flores que se tornam frutos e a lua nova que se torna cheia, é um ideograma que se torna um buda. Desse modo, o sutra expressa: “Se uma pessoa for capaz de manter este sutra, ela estará mantendo o corpo do Buda” [LSOC, cap. 11, p. 220]. O grande mestre Tiantai5 diz: “[O Sutra do Lótus...] é, em todos e em cada um desses ideogramas, o Buda verdadeiro.6 O ideograma myo é Aquele que Assim Chega Shakyamuni perfeitamente dotado dos trinta e dois aspectos e oitenta características,7 mas, pelo fato de nossa visão ser deficiente, vemos apenas um ideograma. Por exemplo, é semelhante ao caso de um idoso cuja vista é fraca, e, portanto, não consegue ver que as flores de lótus no lago produziram sementes. E à noite, por causa da escuridão, a pessoa não consegue ver as formas das coisas. No entanto, esse ideograma myo é, em si, um buda. Além disso, o ideograma myo são a lua, o sol, as estrelas, um espelho, vestimentas, alimento, flores, a grande terra, o grande mar. Todos os benefícios reunidos compõem o ideograma myo. Também é a joia da realização dos desejos.8 (WND, v. II, p. 879-880) Sinceros incentivos constantes à monja leiga Myoshin Nessa carta, intitulada Resposta à Monja Leiga Myoshin, Daishonin explica que o simples ideograma myo de Nam-myoho-renge-kyo que recitamos contém benefício imensurável. A monja leiga Myoshin era uma discípula que residia na província de Suruga (atual região central da província de Shizuoka). Acredita-se que ela tenha se tornado monja leiga movida pelo desejo de que seu marido, o sacerdote leigo Takahashi Rokuro, se recuperasse de uma doença. Daishonin posteriormente concedeu a ela outro nome budista, monja leiga Jimyo, (Mantenedora do Myo). Ela também era conhecida como monja leiga de Kubo, em virtude do local para onde se mudou depois da morte do marido. Daishonin enviou muitas cartas a essa discípula e continuou a encorajá-la e a apoiá-la de coração durante o período de luto dela. Em resposta à calorosa preocupação e à atenção dele, Myoshin manteve uma fé forte e pura. A atitude sincera dela em relação à prática budista, enaltecida por Nichiren Daishonin como extremamente admirável (cf. WND, v. II, p. 877),9 faz lembrar as mulheres Soka. “Nosso corpo é o próprio corpo do Buda” Em Resposta à Monja Leiga Myoshin, Daishonin escreve: “Myo, assim como flores que se tornam frutos e a lua nova que se torna cheia, é um ideograma que se torna um buda” (WND, v. II, p. 877). Ele assevera que aqueles que recitam Nam-myoho-renge-kyo atingirão o estado de buda sem falta. O sacerdote leigo Takahashi permaneceu firme na fé até a morte, e Myoshin também continuou se empenhando sinceramente na fé, mesmo após a viuvez e tendo de criar sozinha um filho pequeno. Pelo fato de ela e seu marido recitarem Nam-myoho-renge-kyo, Daishonin garante que ambos com certeza atingirão o estado de buda. Explanando sua asserção de que o ideograma myo se transforma em um buda, Nichiren Daishonin cita o capítulo 11, “Surgimento da Torre de Tesouro”, do Sutra do Lótus, e as obras do grande mestre Tiantai, os quais afirmam, respectivamente, que manter o Sutra do Lótus é o mesmo que manter o corpo do Buda e que cada palavra e cada frase do Sutra do Lótus são o Buda verdadeiro (cf. WND, v. II, p. 879). Contudo, assegura ele, os mortais comuns não veem nada a não ser mero ideograma. Ele compara isso a ser incapaz de ver a forma de uma pessoa no escuro. “No entanto, esse ideograma myo é, em si, um buda” (Ibidem), reitera Daishonin. Em Registro dos Ensinamentos Transmitido Oralmente, ele também expressa: “Manter o Sutra do Lótus consiste em manter a crença no fato de que nosso corpo é o corpo do Buda” (OTT, p. 96). O corpo de cada um de nós, mortais comuns, é o corpo do Buda — esse é o benefício de se manter a Lei Mística. Na mesma carta, Daishonin diz: “Além disso, o ideograma myo são a lua, o sol, as estrelas, um espelho, vestimentas, alimento, flores, a grande terra, o grande mar” (WND, v. II, p. 879-880). Todos os infinitos benefícios do universo, da natureza e dos seres humanos estão contidos no simples ideograma myo. Myo também é descrito como a joia da realização dos desejos, denotando que podemos produzir imensuráveis tesouros conforme nossa vontade. O benefício desfrutado por aqueles que recitam Nam-myoho-renge-kyo e se mantêm inabaláveis na fé é de fato colossal. Trata-se de algo que passamos a perceber com o tempo, pois o verdadeiro benefício da fé na Lei Mística é inconspícuo. Um broto finca sólidas raízes na terra, crescendo gradativamente no decorrer do tempo, tornando-se uma robusta árvore que não se curva com rajadas de ventos ou tempestades. De modo semelhante, por meio da fé resoluta na Lei Mística, cada um de nós gradativamente se desenvolve de forma esplêndida, de um jeito só nosso, produzindo ramos de boa sorte e benefício e fazendo desabrochar magníficas flores de felicidade tanto para nós como para os outros. Toda sensei também descrevia o benefício inconspícuo como alcançar uma condição de felicidade absoluta. Isso significa obter uma condição de vida vasta e ilimitada, na qual o fato de estar vivo é, em si, uma alegria. A continuidade da fé resoluta significa desafiar a nós mesmos a cada dia Na sequência da passagem de Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, que citei antes, Daishonin afirma: “Manter o corpo do Buda significa manter a crença de que fora do nosso próprio corpo não há Buda algum” (OTT, p. 97). É essencial que “mantenhamos o ideograma myo”, com a convicção de que cada um de nós possui a supremamente digna condição de vida do estado de buda. “Manter”, nesse contexto, refere-se à continuidade da fé resoluta até o fim. “Resoluta” significa renovar a determinação a cada dia, desafiar a nós mesmos a cada dia, e avançar, crescer e triunfar a cada dia. Daishonin ensina: “Possuir uma fé como a água significa crer continuamente, sem jamais retroceder” (CEND, v. II, p. 163). Com isso, ele quer dizer que devemos continuar nos lapidando e nos aprimorando com base na fé na Lei Mística. Ele também escreve: “Seja diligente em aprofundar sua fé até o último momento de sua vida. Do contrário, irá se arrepender” (Ibidem, p. 294). Não importando o que aconteça, devemos despertar uma fé cada vez mais forte e seguir em frente de forma tenaz e positiva, de modo que não tenhamos arrependimentos. Aqueles que realizam esforços sinceros e resolutos na fé jamais sucumbirão ao desespero. Fé é a suprema fonte de esperança, pois nos habilita a encontrar significado em cada situação e a evidenciar a sabedoria e a força para dar um passo adiante. O verdadeiro benefício da fé no Budismo Nichiren é esse benefício inconspícuo de edificar uma condição de vida inabalável e indestrutível. Enquanto estava exilado na Ilha de Sado,10 Daishonin declarou: “Eu, Nichiren, sou o homem mais afortunado do Japão atual” (Ibidem, v. I, p. 280). Essa é a condição de vida do Buda dos Últimos Dias da Lei. Nem mesmo a mais dura perseguição poderia suprimir o espírito dele. Nós, da Soka Gakkai, que praticamos os ensinamentos de Nichiren Daishonin e nos dedicamos ao kosen-rufu, estamos dando continuidade a esse espírito. O Budismo Nichiren é a religião que cultiva pessoas sábias e fortes — pessoas de integridade e de caráter extraordinários. É a religião da revolução humana. Ajudando as pessoas a transformar a vida, a Soka Gakkai desenvolveu uma rede de paz, cultura e educação que se estende pelo mundo todo. Trecho do escrito 2 Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente11 Agora, na mente de Nichiren e de seus seguidores, o que é insuperável é o Nam-myoho-renge-kyo. Dentre todas as coisas insuperáveis, é a que detém a posição mais alta. É a [Lei Mística] descrita (...) como uma concentração de joias insuperáveis é o Nam-myoho-renge-kyo, a concentração de joias que representam todos os paramita,12 as dez mil práticas religiosas e as dez mil boas ações de todos os budas das três existências — passado, presente e futuro. Sem trabalho ou dificuldade, sem práticas religiosas ou boas ações, essa concentração de joias insuperáveis pode se tornar nossa por meio da simples palavra “fé” [isto é, por meio da recitação da simples frase Nam-myoho-renge-kyo com fé]. Esse é o significado de fugu jitoku, isto é, “veio a nós sem que a tivéssemos buscado”. O ideograma ji na expressão jitoku (veio a nós sem que a tivéssemos buscado) refere-se aos dez mundos, ou seja, a concentração de joias é conquistada, sem exceção, em cada um dos dez mundos. Isso é conhecido como o verdadeiro aspecto de todos os fenômenos.13 Portanto, essa passagem afirma que o buda Shakyamuni da iluminação perfeita14 não é nada além da carne e do sangue de nós, seres vivos. Devem refletir sobre isso com muita atenção. (OTT, p. 97) Benefícios ilimitados e imensuráveis Estudemos agora essa passagem de Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente a qual afirma que aqueles que permanecem inabaláveis na fé alcançam benefícios ilimitados e imensuráveis. O presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi sublinhou fortemente esse trecho em seu exemplar dos escritos de Nichiren Daishonin que foi confiscado pelas autoridades durante a Segunda Guerra Mundial. No capítulo 4, “Fé e Compreensão”, do Sutra do Lótus, encontramos as palavras: “Essa concentração de joias insuperáveis / veio a nós sem que a tivéssemos buscado” (LSOC, cap. 4, p. 124). O Sutra do Lótus explica, pela primeira vez, que os praticantes dos dois veículos — ouvintes da voz e os que despertaram para a causa — podem atingir o estado de buda.15 Os sutras anteriores os denunciavam rigorosamente e negavam essa possibilidade. Ao ouvirem esse ensinamento, os discípulos dos dois veículos, que haviam praticamente abandonado a esperança de atingir o estado de buda, alegram-se, estimulando Mahakashyapa a exclamar em nome deles: “Essa concentração de joias insuperáveis veio a nós sem que a tivéssemos buscado”. O Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente declara que essa “concentração de joias insuperáveis” é o Nam-myoho-renge-kyo, que contém os benefícios de todos os budas das dez direções e das três existências. Isso porque a Lei Mística se posiciona no ápice de todas as coisas insuperáveis (cf. OTT, p. 59). A “concentração de joias insuperáveis” também indica a condição de vida do estado de buda e nossa própria vida, que possui esse potencial. Todos nós, portanto, possuímos igualmente a joia suprema e insuperável que é a natureza de buda. Estabelecer uma nobre condição de vida de felicidade durante esta existência Daishonin então esclarece o significado da frase “veio a nós sem que a tivéssemos buscado”: “Sem trabalho ou dificuldade, sem práticas religiosas ou boas ações, essa concentração de joias insuperáveis podem se tornar nossa por meio da simples palavra ‘fé’ [isto é, por meio da recitação da simples frase Nam-myoho-renge-kyo com fé]” (OTT, p. 59). A expressão “Sem trabalho ou dificuldade, sem práticas religiosas ou boas ações” não significa meramente sem nenhum esforço ou empenho na prática. Os ensinamentos anteriores ao Sutra do Lótus expunham que a iluminação só poderia ser atingida realizando-se incalculáveis éons de prática budista. Em contraposição, ao revelar a essência do Sutra do Lótus, Nichiren Daishonin esclareceu que qualquer um pode atingir o estado de buda nesta existência. Mantendo a Lei Mística, na qual tanto a causa como o efeito estão presentes simultaneamente (cf. WND, v. II, p. 517),16 obtemos prontamente essas joias insuperáveis “sem trabalho ou dificuldade, sem práticas religiosas ou boas ações” realizadas ao longo de incalculáveis éons em busca da iluminação. Alcançamos imediatamente a condição de vida do estado de buda. Além disso, Daishonin diz: “Essa concentração de joias insuperáveis pode se tornar nossa por meio da simples palavra “fé” [isto é, por meio da recitação da simples frase Nam-myoho-renge-kyo com fé]” (OTT, p. 59). O Budismo Nichiren ensina que o próprio Nam-myoho-renge-kyo é a “prática de ‘abraçar’ é, em si, observar a mente” (juji-soku-kanjin) Abraçando a fé no Gohonzon e realizando nossa prática budista com constância e firmeza, nós nos colocamos no caminho certo para a felicidade e obtemos o insuperável tesouro da iluminação, mesmo sem buscá-lo de forma consciente. Esse tesouro “veio a nós sem que [o] tivéssemos buscado”, significando que não nos é concedido por ninguém. Nós mesmos o obtemos. Por isso, jamais devemos abandonar nossa fé. Dúvida, indolência e arrogância são nossas maiores inimigas. Devemos nos esforçar resoluta e consistentemente em nossa prática budista. Assim, seremos capazes de atingir vasta condição de vida além de nossa imaginação, na qual poderemos “viver felizes e tranquilos” (cf. LSOC, cap. 16, p. 272)17 e desfrutar a “ilimitada alegria da Lei”.18 As experiências de inumeráveis membros da Soka Gakkai ao redor do mundo atestam essa verdade. Fazendo um retrospecto de sua vida, muitos relatam que, ao realizarem a prática com seriedade, conquistaram naturalmente sólidos benefícios, ultrapassando todos os tipos de dificuldades e usufruindo uma condição de vida serena e livre. “Tudo de que preciso vem a mim naturalmente” Toda sensei afirmou: “Minha condição de vida interior neste momento é como se eu estivesse esparramado sobre uma vastidão infinita de nuvens brancas fofinhas no alto do céu. Tudo vem a mim sem eu buscar. Onde conquistei esse benefício? Na prisão, onde passei dois anos. Mas a época hoje é diferente, e vocês não precisam ir para a cadeia. Tudo o que necessitam fazer é devotar sua jovem vida à nobre missão pelo kosen-rufu, trabalhando incansavelmente para concretizar esse objetivo”. Dedicando-nos ao kosen-rufu, podemos desfrutar uma condição de vida de suprema felicidade sem falta. Propagar a filosofia de respeito pela dignidade da vida para o mundo Em última análise, propiciar uma transformação interior na vida das pessoas por meio de diálogos individuais constitui a base para transformar o destino da humanidade. Quando, uma a uma, as pessoas mudam, a base espiritual da sociedade também muda. Nosso movimento da revolução humana consiste em estabelecer a filosofia de respeito pela dignidade da vida na sociedade mediante “uma revolução saudável, pacífica e gradativa delas mesmas [as pessoas]”.19 A Dra. Ela Gandhi, neta de Mahatma Gandhi, teceu comentários sobre as atividades da Soka Gakkai para difundir a filosofia de respeito pela dignidade da vida. Ela observou que a SGI compartilhava de muitos valores que pautaram as ações de Gandhi, como a não violência, a consciência e o espírito de autodisciplina dele.20 Pessoas criteriosas do mundo inteiro depositam grande expectativa em nosso movimento dedicado a desenvolver o potencial positivo de cada indivíduo e a solidariedade entre todas as pessoas. Partindo intrepidamente rumo ao centenário da Soka Gakkai Em todas as partes, estão surgindo jovens para assumir esse desafio de transformar a sociedade por meio da transformação individual. O “jovem sol levanta-se hoje também”.21 Ele ilumina o mundo radiantemente com a compassiva luz do humanismo budista. Nosso objetivo é concretizar o ideal de Nichiren Daishonin de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra”, a partir da revolução humana de cada pessoa. Agora que estamos seguindo intrepidamente rumo ao centenário da Soka Gakkai, nossa missão é maior que nunca. Compartilharei os versos finais de Ode à Juventude com meus queridos amigos da Divisão dos Jovens, incumbidos da missão de abrir caminhos para o avanço do kosen-rufu no século 21: Jovens! Sobrevivam! Sobrevivam a todo custo. Como promotores da gloriosa evolução global, façam seu triunfo na história resplandecer. O jovem sol das 8 horas levanta-se hoje também! Levanta-se no ritmo do palpitar do coração dos jovens!22 (Daibyakurenge, edição de dezembro de 2020) Com a colaboração/revisão do Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da BSGI Resumo Estudo — Março 2024 Principais tópicos estudados Myo “Myo também é descrito como a joia da realização dos desejos, denotando que podemos produzir imensuráveis tesouros conforme nossa vontade. O benefício desfrutado por aqueles que recitam Nam-myoho-renge-kyo e se mantêm inabaláveis na fé é de fato colossal. Trata-se de algo que passamos a perceber com o tempo, pois o verdadeiro benefício da fé na Lei Mística é inconspícuo.” Benefícios ilimitados e imensuráveis “A ‘concentração de joias insuperáveis’ também indica a condição de vida do estado de buda e nossa própria vida, que possui esse potencial. Todos nós, portanto, possuímos igualmente a joia suprema e insuperável que é a natureza de buda.” Transformar a sociedade por meio da transformação individual “Nosso objetivo é concretizar o ideal de Nichiren Daishonin de ‘estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra’, a partir da revolução humana de cada pessoa. Agora que estamos seguindo intrepidamente rumo ao centenário da Soka Gakkai, nossa missão é maior que nunca.” Frases marcantes “Tenho uma missão que é só minha. Você também tem uma, a missão que só você pode cumprir.” “Fé é a suprema fonte de esperança que nos habilita a encontrar significado em cada situação e evidenciar a sabedoria e a força para dar um passo adiante.” “Jovens! Sobrevivam! Sobrevivam a todo custo. Como promotores da grandiosa evolução global. Façam seu triunfo na história resplandecer. O jovem sol das 8 horas levanta-se hoje também! Levanta-se no ritmo do palpitar do coração dos jovens!” “Quando, uma a uma, as pessoas mudam, a base espiritual da sociedade também muda. Nosso movimento da revolução humana consiste em estabelecer a filosofia de respeito pela dignidade da vida na sociedade mediante ‘uma revolução saudável, pacífica e gradativa delas mesmas [as pessoas]’”. “O Budismo Nichiren é a religião que cultiva pessoas sábias e fortes — pessoas de integridade e de caráter extraordinários. É a religião da revolução humana. Ajudando as pessoas a transformar a vida, a Soka Gakkai desenvolveu uma rede de paz, cultura e educação que se estende pelo mundo todo. Personalidades e personagens budistas citados - Mahatma Gandhi (1869-1948) Foi o grande nome da luta dos indianos pela independência da Índia; - Tiantai; - Shakyamuni; - Monja leiga Myoshin; - Dra. Ela Gandhi - (neta de Mahatma Gandhi); - Tsunesaburo Makiguchi; - Josei Toda. Perguntas-guia para as atividades de estudo Qual o verdadeiro benefício da fé no Budismo Nichiren? Fazendo um retrospecto de sua vida, muitos [membros da SGI] relatam que, ao realizarem a prática com seriedade, conquistaram naturalmente sólidos benefícios, ultrapassando todos os tipos de dificuldades e usufruindo uma condição de vida serena e livre. Qual a base para transformar o destino da humanidade? É propiciar uma transformação interior na vida das pessoas por meio de diálogos. Quando, uma a uma, as pessoas mudam, a base espiritual da sociedade também muda. Nosso movimento da revolução humana, consiste em estabelecer a filosofia de respeito à dignidade da vida na sociedade mediante “uma revolução saudável, pacífica e gradativa, desi mesmas”. O que significa “manter fé resoluta”? Expressa a continuidade da fé resoluta até o fim. “Resoluta” significa renovar a determinação a cada dia, desafiar a nós mesmos a cada dia e avançar, crescer e triunfar a cada dia. Qual o nosso objetivo rumo ao centenário da Soka Gakkai? Nosso objetivo é concretizar o ideal de Nichiren Daishonin de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra”, a partir da revolução humana de cada pessoa. Agora que estamos seguindo intrepidamente rumo ao centenário da Soka Gakkai, nossa missão é maior que nunca. No topo: Desabrochar das flores de lótus no Centro Cultural Campestre da BSGI (Itapevi, SP, jan. 2024) Foto: BS Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Song of Youth [Ode à Juventude]. Songs from My Heart: Poems of Life and Nature [Cânticos do Meu Coração: Poemas sobre a Vida e a Natureza]. Tradução: Burton Watson. Londres: I. B. Tauris, 2015. p. 5. 2. Ibidem, p. 11. 3. GANDHI, Mahatma. The Collected Works of Mahatma Gandhi [Coletânea de Obras de Mahatma Gandhi]. Nova Délhi: Departamento de Publicações do Ministério da Informação e Radiodifusão, Governo da Índia, 1992, v. 10, p. 27, novembro de 1909-Março de 1911. 4. Nichiren Daishonin escreveu essa carta no quinto mês de 1280, em resposta aos sinceros oferecimentos que recebeu da monja leiga Myoshin. Além de compartilhar lembranças do falecido marido dela, Daishonin explica que a Lei Mística é a semente para atingir o estado de buda e, como fonte de todos os benefícios, também é descrito como a “joia da realização dos desejos”. 5. Tiantai (538–597): Também conhecido como Zhiyi, Tiantai Zhizhe, grande mestre Tiantai e grande mestre Zhizhe. Fundador da escola Tiantai na China. Suas preleções foram compiladas em obras como Profundo Significado do Sutra do Lótus, Palavras e Frases do Sutra do Lótus e Grande Concentração e Discernimento. 6. Fonte desconhecida. 7. “Trinta e dois aspectos e oitenta características”: Aspectos físicos extraordinários atribuídos aos budas e bodisatvas. Na maioria dos casos, o termo se refere às qualidades distintas de um buda. 8. “Joia da realização dos desejos”: Joia que tem o poder de satisfazer qualquer desejo, e que simboliza a grandiosidade e a virtude do Buda e das escrituras budistas. 9. Daishonin escreve: “Sua fé, que se fortalece cada vez mais, é admirável, de fato admirável!” (WND, v. II, p. 877). 10. Exílio em Sado: Exílio de Nichiren Daishonin na Ilha de Sado, na costa centro-oeste do Japão, entre o décimo mês de 1271 e o terceiro mês de 1274. Depois da tentativa fracassada de executá-lo em Tatsunokuchi, as autoridades o condenaram no mês seguinte ao exílio na Ilha de Sado, o que equivalia a uma sentença de morte. No entanto, quando as previsões de Nichiren Daishonin sobre conflitos internos e invasão estrangeira se concretizaram, o governo emitiu um indulto no terceiro mês de 1274, e ele retornou a Kamakura. 11. Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente: Dois volumes de preleções que Nichiren Daishonin proferiu sobre algumas das principais passagens do Sutra do Lótus enquanto residia no Monte Minobu. Foram registradas por Nikko Shonin. 12. Paramita: Práticas que os bodisatvas do Mahayana devem realizar para alcançar a iluminação. De modo geral, o termo paramita é interpretado como “perfeição” ou “ter alcançado a margem oposta”, ou seja, ir da margem da ilusão para a margem da iluminação. São comumente divididos em seis ou dez paramita. 13. “Verdadeiro aspecto de todos os fenômenos”: A verdade última ou a realidade que permeiam todos os fenômenos e que não são de modo algum separados deles. Pela explicação dos “dez fatores”, o capítulo 2, “Meios Apropriados”, do Sutra do Lótus, ensina que todas as pessoas são dotadas do potencial para se tornar budas e esclarece a verdade de que todos podem despertar e manifestar esse potencial. 14. Iluminação perfeita constitui o último e mais alto estágio de cinquenta e dois estágios da prática do bodisatva, ou estado de buda. É o estágio na qual se erradica a ignorância fundamental da escuridão. 15. Iluminação das pessoas dos dois veículos: Na primeira metade do Sutra do Lótus, as pessoas dos dois veículos — ouvintes da voz e aqueles que despertaram para a causa — recebem a profecia do buda Shakyamuni de que atingirão o estado de buda em eras futuras. Essa profecia refuta a visão dos ensinamentos do Mahayana provisório, que negavam às pessoas dos dois veículos a possibilidade de atingir o estado de buda, por elas buscarem apenas a salvação própria e não se empenharem para salvar os outros. O Sutra do Lótus afirma que elas praticarão o caminho do bodisatva e atingirão o estado de buda. 16. “Simultaneidade de causa e efeito” (inga guji): Princípio de que tanto a causa como o efeito existe juntos, simultaneamente, num simples momento da vida. “Causa”, nesse contexto, refere-se à prática para atingir o estado de buda, e “efeito”, à consecução do estado de buda. A “simultaneidade de causa e efeito” significa que tanto os nove mundos — do inferno ao bodisatva — e o mundo dos budas são inerentes à vida. 17. No capítulo 16, “A Extensão da Vida”, do Sutra do Lótus, o mundo em que vivemos é descrito como um lugar “onde os seres vivos vivem felizes e tranquilos” (LSOC, cap. 16, p. 272). Isso significa que o mundo saha, normalmente considerado uma terra de sofrimento, na verdade, é a Terra da Luz Eternamente Tranquila, ou a terra do Buda, onde todos os seres vivos podem experimentar a maior das alegrias. 18. Ilimitada alegria da Lei: A suprema e definitiva felicidade do Buda, o benefício da Lei Mística. Em A Felicidade neste Mundo, Daishonin afirma: “Não há felicidade maior para os seres humanos do que recitar o Nam-myoho-renge-kyo. O sutra diz: ‘...onde os seres vivos vivem felizes e tranquilos’ [LSOC, cap. 16, p. 272]. A que outro significado essa passagem poderia se referir senão à ilimitada alegria da Lei?” (CEND, v. I, p. 713). 19. IKEDA, Daisaku. Song of Youth, op. cit., p. 11. 20. Com base em uma entrevista veiculada na edição do Seikyo Shimbun de 14 de agosto de 2020. 21. IKEDA, Daisaku. Song of Youth, op. cit., p. 14. 22. Ibidem.

01/03/2024

Estudo

[67] A luta conjunta dos bodisatvas da terra é a fonte de esperança para transformar os Últimos Dias da Lei

Explanação O escritor e poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749–1832) expressou: “Esta Terra é a fonte de todas as minhas alegrias, e este Sol brilha sobre as minhas tristezas”.1 Considerando a Terra como palco, executamos o bailado de nossa missão. Elegendo o Sol como companhia, transmitimos a luz da esperança a todos. É assim que vivemos como membros da Soka Gakkai. O importante é fazermos uso do poder que existe nas profundezas do nosso ser e continuarmos seguindo em frente com sagacidade e força. Neste exato momento, o mundo inteiro está diante de uma grande crise em virtude da pandemia sem precedentes da Covid-19. No entanto, mesmo a peste negra, epidemia que assolou a Europa no século 14, uma vez superada, acarretou a Renascença, grande revitalização e renascimento cultural. Assim é a história da humanidade — respondendo a cada crise com coragem e sabedoria, elevando-se a novas alturas. Acredito firmemente que, não importando quão profunda seja a escuridão, o Budismo do Sol iluminará a humanidade com sua luz resplandecente. Movimento popular unindo o mundo Hoje, os membros da Soka Gakkai atuam em todos os cantos do globo. Eles se empenham confiantes, propagando a filosofia da esperança e da renovação do Budismo Nichiren. De cabeça erguida e a voz entoando alto canções de vitória indômita, avançam a passos largos, assinalando novos progressos em nosso movimento popular sem igual. Nichiren Daishonin com certeza está aplaudindo esta coletividade de pessoas comuns, de bodisatvas da terra, que se encontra em pé de igualdade com a assembleia do Sutra do Lótus. Quão encantados os presidentes Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda ficariam se pudessem ver nosso desenvolvimento! Soka Gakkai, organização dedicada a criar “valores humanos” A Soka Gakkai foi fundada em 18 de novembro de 1930. Essa também foi a data da publicação do primeiro volume de Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor], o pináculo de sua filosofia pedagógica compilada com o empenho de seu fiel discípulo, Josei Toda. Naquele dia, o nome Soka Kyoiku Gakkai (literalmente, Sociedade Educacional de Criação de Valor; precursora da Soka Gakkai [Sociedade de Criação de Valor]) fez sua estreia pública. As palavras de abertura dessa grande obra, cristalização dos esforços de mestre e discípulo, destacavam: “‘Pedagogia de criação de valor’ constitui um sistema metodológico para cultivar indivíduos capazes de criar valor, que é o propósito da vida”.2 A educação Soka, ou pedagogia de criação de valor, é um sistema para desenvolver pessoas capazes de criar valor. Ela se propõe a elevar e a enriquecer o caráter de cada uma delas para esse fim.3 Como a felicidade reside na criação de valor, a educação Soka se empenha em cultivar pessoas que trabalhem não só pela própria felicidade, como também pela felicidade dos outros. O foco sempre incide no ser humano. Uma vida contributiva, altruística Em Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana],4 obra revolucionária de sua juventude, Makiguchi sensei expressou a visão de que a direção futura da humanidade deveria ser a busca daquilo que ele denominava “competição humanitária”. Em contraste com outras formas de competição, segundo explicou, “Os objetivos da competição humanitária não se resumem unicamente a interesse próprio, mas consistem em se esforçar para proteger e aprimorar tanto a própria vida como a dos demais. Em outras palavras, significa escolher caminhos que sirvam e beneficiem os outros e a nós também. Significa engajar-se de modo consciente em uma vida comunitária”.5 Cerca de trinta anos mais tarde, em Sistema Pedagógico de Criação de Valor, Makiguchi sensei discorreu sobre um processo em três etapas, passando de uma vida dependente para uma vida independente e, por fim, para uma vida contributiva.6 A última, vida contributiva, não é outra senão o modo de vida do bodisatva, o espírito da prática altruística ensinada no budismo Mahayana. Durante a Segunda Guerra Mundial, o presidente Makiguchi declarou: “Não existe Buda egoísta que simplesmente acumula benefícios pessoais e não trabalha para o bem-estar dos outros. A menos que efetuemos a prática do bodisatva, não poderemos atingir o estado de buda”.7 Ele proferiu essas palavras um pouco mais de seis meses antes de ser preso, junto com Josei Toda, pelo governo militarista da época da guerra como parte de uma campanha de repressão religiosa. “Chegou a hora de os indivíduos capazes de grande criação de valor, aqueles que incorporam o espírito dos bodisatvas da terra, se apresentarem! — esse foi o objetivo que Makiguchi sensei perseguiu desde a juventude e esclareceu de maneira ainda mais ampla após fundar a Soka Gakkai. Uma coletividade inigualável de bodisatvas no mundo Em 18 de novembro de 1944, Makiguchi sensei morreu numa fria cela de prisão. Por uma misteriosa coincidência, na mesma época, seu discípulo sucessor, Josei Toda, que vinha devotando a vida ao ler o Sutra do Lótus também em cárcere, despertou para sua identidade como bodisatva da terra. “Somos todos bodisatvas da terra que escolheram nascer na era maléfica dos Últimos Dias da Lei, de acordo com nosso juramento pelo kosen-rufu!” Foi graças a essa percepção de Toda sensei que a Soka Gakkai assumiu seu verdadeiro papel como coletividade de “valores humanos” dedicados à prática do bodisatva, desejo de Makiguchi sensei desde a fundação da organização. Além disso, como resultado, conectando-se diretamente a Nichiren Daishonin, “...o único que tomou a iniciativa de conduzir a tarefa confiada aos bodisatvas da terra” (CEND, v. I, p. 404), a Soka Gakkai desenvolveu-se como uma sólida e harmoniosa comunidade de bodisatvas da terra, eternamente devotada a concretizar o kosen-rufu por meio da propagação compassiva da Lei Mística. Nesta edição, iniciaremos estudando uma passagem de Os Cinco Critérios para a Propagação e ratificando que os bodisatvas da terra são especialmente equipados para conduzir as pessoas à iluminação na conturbada era dos Últimos Dias da Lei. Trecho do escrito 1 Os Cinco Critérios para a Propagação Mas os grandes bodisatvas tão numerosos quanto as partículas de pó de mil mundos que emergiram da terra, primeiro, viveram neste mundo saha8 por um período incalculavelmente longo; segundo, eram discípulos do buda Shakyamuni desde o passado muito remoto, quando ele determinou atingir a iluminação pela primeira vez; e, terceiro, esses bodisatvas foram as primeiras pessoas no mundo saha a receber do Buda a semente do estado de buda. Portanto, no que se refere aos laços cármicos do passado que os unem ao mundo saha, eles superam os outros grandes bodisatvas.9 (WND, v. II, p. 550) A missão de propagar a Lei Mística nos Últimos Dias da Lei Nesse escrito, Nichiren Daishonin explica que a Lei Mística — expressa como os “cinco ideogramas do Myoho-renge-kyo”10 (WND, v. II, p. 549) — é a Lei essencial para a iluminação de todas as pessoas nos Últimos Dias da Lei e que ninguém, a não ser os bodisatvas da terra, a propagará no mundo saha repleto de sofrimentos. O capítulo 21, “Os Poderes Sobrenaturais d’Aquele que Assim Chega”, do Sutra do Lótus, que descreve a grandiosa cerimônia na qual Shakyamuni confia essa tarefa aos bodisatvas da terra, começa com as seguintes palavras: “Nesse momento, os bodisatvas e mahasatvas,11 que haviam emergido da terra, tão numerosos quanto as partículas de pó de mil mundos (...) (LSOC, cap. 21, p. 314). Logo, os “grandes bodisatvas tão numerosos quanto as partículas de pó de mil mundos que Daishonin menciona nessa carta referem-se aos incontáveis bodisatvas da terra liderados pelo bodisatva Práticas Superiores.12 Ele então apresenta três características que os definem. Primeira, eles fazem deste conturbado mundo saha seu lar. Há muito tempo, eles vêm empreendendo ações com base em seu juramento seigan de que este é o local ao qual estão destinados e o palco onde cumprirão sua missão. Segunda, são os discípulos diretos do Buda desde a iluminação dele no remoto passado. Eles vêm se empenhando constantemente ao lado do Buda naquela que poderíamos denominar de jornada eterna da luta conjunta de mestre e discípulo. Terceira, são os bodisatvas que figuravam entre os primeiros de todos os seres vivos do mundo saha a receber do Buda a semente da iluminação no remoto passado. Por sua vez, eles plantam as sementes do estado de buda13 no coração das pessoas dos Últimos Dias da Lei. Assim, assumir intrepidamente a liderança de propagar a Lei Mística, sem se deixar deter por nenhum obstáculo, é a marca registrada dos bodisatvas da terra. O mundo saha é onde cumprimos nossa missão Essa é a maravilhosa natureza dos “verdadeiros discípulos que o Buda manteve ocultos nas profundezas da terra” (cf. CEND, v. I, p. 489). Os bodisatvas da terra compartilham um forte vínculo com o Buda desde o remoto passado. São bodisatvas ligados por um profundo laço cármico e pela missão que escolheram nascer nos Últimos Dias da Lei. Nichiren Daishonin os descreve como “grandes bodisatvas (...) que haviam sido discípulos d’Aquele que Assim Chega Shakyamuni, desde [que ele atingiu pela primeira vez o estado de buda] kalpa de partículas de pó de incontáveis grandes sistemas de mundos no passado. Esses grandes bodisatvas não se esqueceram do Buda por um instante sequer” (Ibidem, p. 434). No Sutra do Lótus, os habitantes do mundo saha são considerados possuidores de capacidade inferior para compreender a Lei e descritos como “dados à corrupção e ao mal, acometidos de extrema arrogância, superficiais em benesses, irascíveis, confusos, aduladores e desonestos, e o coração deles não é sincero” (LSOC, cap. 13, p. 230). No entanto, é neste mundo intensamente desafiador que os bodisatvas da terra surgem com seu juramento de propagar a Lei Mística. O vicejar de lindas “flores humanas” emergidas da terra nos cinco continentes Os bodisatvas da terra são firmes em sua determinação e não têm medo. São pacientes e perseverantes, e invencíveis diante de quaisquer adversidades. Empenham-se corajosamente no diálogo, jamais se deixando intimidar por ninguém. E assim como o lótus crescendo num lago lamacento produz flores puras e imaculadas, eles praticam resolutamente o caminho do bodisatva em meio ao lamaçal e atoleiro deste mundo problemático. É exatamente dessa forma que nossos membros vêm propagando a Lei Mística. A Soka Gakkai é uma coletividade de bodisatvas da terra que entraram em ação, fazendo deste mundo saha o palco de seus esforços. Eles surgiram em todas as partes do globo. Toda sensei estava convicto de que havia chegado o tempo para os bodisatvas emergirem e começarem a trabalhar na concretização do kosen-rufu de comprovação,14 e clamou aos membros com calorosa intimidade: “Meus queridos amigos, bodisatvas da terra, vamos assumir o desafio!”. Referindo-se ao magnífico espetáculo de incalculáveis bodisatvas da terra surgindo na assembleia do Sutra do Lótus, Daishonin escreve que eles “Reuniram-se no ar como uma grande concentração de estrelas” (CEND, v. I, p. 361). Em outras palavras, assemelham-se a deslumbrantes constelações cobrindo o céu noturno, cada estrela resplandecendo com a própria nobreza e brilho. No Sutra do Lótus, encontramos outra belíssima metáfora — a das “flores humanas” (LSOC, cap. 5, p. 142). Assim como miríades de flores desabrocham em esplêndida profusão quando recebem uma chuva revitalizadora, nós também podemos florescer brilhantemente quando nutridos pela “chuva do Darma” do ensinamento do Buda (cf. LSOC, cap. 5, p. 140). Podemos dar plena expressão às nossas qualidades singulares, tão diversas como as flores de “cerejeira, ameixeira, pessegueiro e damasqueiro” (cf. OTT, p. 200), e produzir abundantes frutos de paz, cultura e educação na sociedade. Hoje, à semelhança das estrelas e do Sol, nossos membros estão propagando a luz da esperança em sua respectiva comunidade e no mundo. Eles desabrocham, com toda a beleza, como “flores humanas”, nobres bodisatvas da terra, nos cinco continentes. Esse é realmente um jubiloso motivo de celebração sem precedentes na história do budismo. Superar o egoísmo é o tema da civilização Um dos temas que o respeitado historiador britânico Arnold J. Toynbee (1889–1975) e eu discutimos em nosso diálogo foi como os seres humanos podem superar o egoísmo. O Dr. Toynbee observou que o “altruísmo, em contraste com o egoísmo, é um tour de force”.15 Ou seja, requer grande esforço, força e engenhosidade. Concordo plenamente com a análise dele. Falei-lhe sobre a condição de vida do bodisatva, que todos nós possuímos inerentemente, descrevendo-a como “o estado de altruísmo — a alegria de ajudar os outros”.16 Como constata Nichiren Daishonin: “Ao acender uma tocha para os outros, a pessoa iluminará o próprio caminho” (WND, v. II, p. 1060). Quando fazemos algo pelos outros, também beneficiamos a nós mesmos; iluminamos tanto o nosso futuro como o dos demais. Beneficiar os outros resulta em beneficiar a nós próprios. Quando nós, praticantes do Budismo Nichiren, oramos e agimos pela felicidade dos outros, expandimos nossa condição de vida e realizamos nossa revolução humana junto com eles. Empenhar-se na prática do bodisatva, portanto, é uma fonte de inigualável felicidade. Cria uma reação em cadeia de alegria. Como afirma Daishonin: “Alegria” significa que tanto a própria pessoa como as outras, juntas, experimentam alegria (...). Tanto a própria pessoa como as outras sentirão a alegria de possuir sabedoria e compaixão” (OTT, p. 146). Essa é a prática essencial do Sutra do Lótus e do budismo Mahayana. Em 1951, ano em que se tornou segundo presidente da Soka Gakkai, Toda sensei escreveu: “Tendo encontrado este auspicioso tempo [o tempo para o kosen-rufu], nós, da Soka Gakkai, firmamos um grande juramento de devoção sem poupar a própria vida e nos levantamos com uma poderosa convicção de que devemos nos engajar num esforço monumental para promover o grande movimento de shakubuku. Quão afortunados somos por avançarmos nesse caminho que conduz ao estado de buda e nos permite degustar a alegria de viver!”.17 De fato, a Soka Gakkai surgiu em consonância com o grande juramento dos bodisatvas da terra. É o mundo dos budas que persistiram em praticar a essência do budismo Mahayana, que consiste em concretizar a felicidade para si e para os outros. Trecho do escrito 2 Wulong e Yilong O sutra [do Lótus, capítulo 2, “Meios Apropriados”] afirma: “Se houver quem ouça a Lei, então, ninguém deixará de atingir o estado de buda” [LSOC, cap. 2, p. 75]. O significado dessa passagem é: se houver cem ou mil pessoas que mantenham este sutra, todas elas, sem exceção, irão se tornar budas.18 (CEND, v. II, p. 366) “Ninguém deixará de atingir o estado de buda” Esse trecho pertence a uma carta, intitulada Wulong e Yilong, endereçada à monja leiga Ueno, mãe de Nanjo Tokimitsu. Nela, Daishonin cita uma passagem do capítulo “Meios Apropriados”, do Sutra do Lótus: “Se houver quem ouça a Lei, então, ninguém deixará de atingir o estado de buda” (LSOC, cap. 2, p. 75). Essas palavras são uma poderosa expressão do juramento seigan original do Buda de habilitar todos os seres vivos a atingir o estado de buda. Daishonin também as menciona como importante prova documental que ratifica que o Sutra do Lótus é o grande ensinamento da iluminação universal. A monja leiga Ueno estava em profundo luto pela morte repentina do seu amado filho caçula. Nesta e em várias outras cartas, Daishonin cita essa mesma passagem do Sutra do Lótus para incentivá-la. Ele também compartilha essas palavras em uma carta enviada à monja leiga Myoichi, que perseverou na prática budista ao longo do período de opressão aos seguidores de Daishonin e da perda do seu marido. Essas palavras aparecem imediatamente após ele encorajá-la com a famosa citação “O inverno nunca falha em se tornar primavera” (CEND, v. I, p. 560).19 Nichiren Daishonin faz menção a essa passagem, mais uma vez, em uma carta à monja leiga Sennichi depois da morte do marido dela, assegurando-lhe que todas “As pessoas que ouvem o sutra, sem uma única exceção, atingirão o estado de buda” (Ibidem, v. II, p. 310). “Ninguém deixará de atingir o estado de buda” — esse foco na felicidade de cada indivíduo compõe o âmago do Sutra do Lótus. O fato de Daishonin oferecer essas palavras a muitas de suas discípulas que enfrentavam adversidades ilustra sua profunda compaixão e determinação de levantar o ânimo delas e impedir que se tornassem infelizes. A vida de cada pessoa é diferente, assim como seus problemas são distintos. Hoje, nossos membros em todo o mundo personificam esse espírito compassivo de, calorosamente, apoiar e demonstrar empatia por aqueles que estão sofrendo e guiá-los à felicidade genuína. Oramos pela felicidade de cada pessoa, encorajando-a e entrando em ação para ajudá-la, enquanto lidamos com nossas próprias dificuldades e tempestades do destino. Por essa razão, a Soka Gakkai foi capaz de edificar um lindo, alegre e harmonioso reino do humanismo budista que poderia ser descrito como um milagre — um reino imbuído do espírito compassivo do Buda. Criar um mundo que valorize cada pessoa A Soka Gakkai consolidou vasta rede popular abrangendo 192 países e territórios e se tornou um movimento religioso mundial. Isso, sem dúvida, se deve à grandiosidade do Budismo Nichiren e ao poderoso benefício do Gohonzon. Mas também é porque valorizamos cada pessoa. Em vez de pensar na humanidade de forma abstrata, encorajamos e estendemos a mão a indivíduos reais, diante dos nossos olhos, que sofrem ou enfrentam adversidades. Alguns deles também se somam a nós na recitação do Nam-myoho-renge-kyo e no empreendimento de ações em prol da felicidade de outras pessoas que fazem parte da vida deles. Nossa rede mundial de bodisatvas da terra foi construída por meio desses incentivos individuais sinceros e consistentes de pessoa a pessoa. Na juventude, eu me tornei discípulo de Toda sensei e recebi dele uma quantidade incrível de incentivos e treinamento pessoal. Em contrapartida, dei tudo de mim para apoiar e encorajar aqueles que encontrei, não importando qual fosse a ocasião ou a circunstância. O budismo — e o Sutra do Lótus, em particular — ensina que todas as pessoas possuem a supremamente nobre natureza de buda e que qualquer uma pode fazê-la brilhar. A vida de cada pessoa é uma torre de tesouro infinitamente preciosa e digna de respeito. Não há uma única pessoa desprovida de dignidade. Em Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Nichiren Daishonin expressa: “A Torre de Tesouro não é outra senão todos os seres vivos, e todos os seres vivos nada mais são que a entidade completa do Nam-myoho-renge-kyo” (OTT, p. 230). Despertem para a dignidade inerente à sua vida! Unidos aos companheiros do mundo inteiro, continuem expandindo nossa rede de pessoas que se empenham para revelar seu verdadeiro e mais elevado potencial e para fazer brilhar a dignidade de toda a humanidade!” Essa é a grande odisseia do kosen-rufu, da luta para concretizar o objetivo da iluminação universal. Banir a ignorância fundamental com a “espada afiada” da fé Esse ensinamento de Nichiren Daishonin tem ressonância com o conceito de dignidade que compõe o âmago do princípio dos direitos humanos. A Dra. Donna Hicks, associada do Weatherhead Center for International Affairs (Centro Weatherhead para Assuntos Internacionais), na Universidade Harvard, é uma forte defensora desse princípio. É uma amiga de longa data da Soka Gakkai por meio de sua ligação com Centro Ikeda para a Paz, a Aprendizagem e o Diálogo, em Boston. Em recente entrevista publicada no jornal diário da Soka Gakkai, Seikyo Shimbun, a Dra. Hicks disse: Aprender e falar sobre dignidade nos conduz a um plano mais elevado — alcançamos um nível de consciência mais amplo que aquele em que nos encontrávamos antes. E se você estiver nesse plano mais elevado, enxergará valor em si, nos outros e no mundo à sua volta. Vivenciar essas interconexões significa valer-se de uma preciosa força que poderia eliminar sofrimentos e evitar que os seres humanos brigassem e ferissem uns aos outros. A dignidade desempenha papel essencial na edificação de um mundo pacífico (...). O budismo simplificou da maneira mais bela possível a ideia de revelar nossa natureza humana, revelar nosso profundo valor inerente.20 Bodisatvas da terra são indivíduos de ação que incorporam o espírito do Sutra do Lótus de respeito pelas pessoas. São corajosos heróis que empunham a “espada afiada” da fé21 para aniquilar a ignorância fundamental22 inerente à vida, origem da descrença profundamente arraigada. Combatendo essa natureza maligna inata que causa tanta miséria e infortúnio, eles ensejam o alvorecer da celebração da humanidade e da própria vida e afastam a escuridão de todas as formas de sofrimento. Essa é a missão da Soka Gakkai. Também é por isso que tantas pessoas no mundo todo depositam grande esperança em nosso movimento. Chegou a época em que um número cada vez maior de bodisatvas da terra propaga dinamicamente a luz da esperança em escala global. Junto com os companheiros do remoto passado Certa vez, ofereci este poema aos meus nobres companheiros, bodisatvas da terra: Que cada um de vocês, sem exceção, adorne a vida nesta existência com a felicidade. Mestres e discípulos Soka, convocados por profundos laços místicos, agora se reuniram aqui. Transmitindo a chama da nossa nobre missão para uma pessoa e, então, para outra, prossigamos expandindo nossa grande rede de bodisatvas da terra. O 100º aniversário da Soka Gakkai em 2030 já se encontra à vista. Este mês, em que comemoramos nosso 90º aniversário, assinala o início daquela que será uma década crucial para assegurarmos a base do kosen-rufu mundial como poderosa força para a paz. Mantendo ardentemente o grande juramento seigan dos bodisatvas da terra, continuem seguindo em frente alegremente na jornada da felicidade e da vitória, na jornada da revolução humana e na jornada a luta conjunta de mestre e discípulo — juntos, comigo e com todos os nossos companheiros do remoto passado! (Daibyakurenge, edição de novembro de 2020) Com a colaboração/revisão do Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da BSGI No topo: Foto registrada por Ikeda sensei da janela do carro quando retornava de Osaka em direção a Tóquio após concluir a 258a visita a Kansai. Enquanto o conjunto habitacional à frente é envolto pelo crepúsculo, as nuvens no céu e no topo do Monte Fuji são tingidas na cor rosa do pôr do sol (Shizuoka, nov. 2007) Foto: Seikyo Press Notas: 1. GOETHE, Johann Wolfgang von. Faust I & II [Fausto I e II]. Tradução: Stuart Atkins (ed.). Goethe’s Collected Works [Coletânea do Obras de Goethe]. v. 2. Princeton, New Jersey: Princeton University Press, 1984. p. 43. 2. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor]. In: Makiguchi Tsunesaburo Zenshu [Obras Completas de Tsunesaburo Makiguchi]. v. 5. Tóquio: Daisanbunmei-sha, 1982. p. 13. 3. Ibidem. 4. Tsunesaburo Makiguchi publicou essa obra em outubro de 1903, aos 32 anos. Em contraste com os estudos geográficos tradicionais, reflete as conexões entre o ambiente local e o natural e a vida humana, postulando a existência de uma rica relação de simbiose entre a natureza e os seres humanos. 5. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana]. In: Makiguchi Tsunesaburo Zenshu [Obras Completas de Tsunesaburo Makiguchi]. v. 2. Tóquio: Daisanbunmei-sha, 1996. p. 399. 6. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor]. In: Makiguchi Tsunesaburo Zenshu [Obras Completas de Tsunesaburo Makiguchi]. v. 5. Tóquio: Daisanbunmei-sha, 1982. p. 185. 7. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. Makiguchi Tsunesaburo Zenshu [Obras Completas de Tsunesaburo Makiguchi]. v. 10. Tóquio: Daisanbunmei-sha, 1987. p. 151. Discurso proferido na quinta convenção da Soka Kyoiku Gakkai em 22 de novembro de 1942. 8. Mundo saha: Este mundo, o mundo dos seres humanos, marcado por sofrimentos. Em sânscrito, saha significa “terra”; deriva-se do radical “suportar” ou “resistir”. Por essa razão, nas versões chinesas dos textos budistas, a palavra saha é traduzida como “resistência”. Nesse contexto, o mundo saha indica um lugar no qual as pessoas devem resistir a todos os tipos de sofrimento. 9. Datada de décimo dia do terceiro mês de 1275, essa carta foi endereçada a dois discípulos: Soya Kyoshin e Ota Jomyo. Nela, Daishonin discute a propagação do budismo da Índia para China e para o Japão. Ele aplica o princípio dos cinco critérios para propagação para demonstrar que a Lei, ou o ensinamento supremo a ser disseminado nos Últimos Dias, é a Lei Mística (ou os cinco ideogramas do Myoho-renge-kyo), que o Buda confiou aos bodisatvas da terra no Sutra do Lótus. 10. Myoho-renge-kyo é escrito com cinco ideogramas chineses, e Nam-myoho-renge-kyo, com sete (nam, ou namu, compreendendo dois ideogramas). Daishonin muitas vezes emprega Myoho-renge-kyo como sinônimo de Nam-myoho-renge-kyo em seus escritos. 11. Mahasatva: Um “grande ser”, outra designação para bodisatva. 12. Bodisatva Práticas Superiores é o líder dos bodisatvas da terra, os inumeráveis bodisatvas descritos no capítulo 15, “Emergindo da Terra”, do Sutra do Lótus, aos quais Shakyamuni confia a missão de propagar a Lei nos Últimos Dias da Lei. Além disso, ele é um dos quatro grandes bodisatvas, junto com Práticas Ilimitadas, Práticas Puras e Práticas Consolidadas. 13. Plantar as sementes do estado de buda: A primeira das três frases sobre semeadura, amadurecimento e colheita, processo pelo qual um buda conduz as pessoas à iluminação, comparado ao crescimento e desenvolvimento de uma planta. Na frase sobre semeadura, o Buda planta as sementes da iluminação no coração das pessoas. O Budismo Nichiren é o budismo da semeadura, concentrando o foco na prática da semeadura, ensinando o princípio fundamental da semente da iluminação ou estado de buda, levando a pessoa a ter fé nele e, então, cultivando essa semente. 14. Kosen-rufu de comprovação: Isso se refere a propagar o ensinamento do Nam-myoho-renge-kyo de Nichiren Daishonin na sociedade. Em outras palavras, consiste em estabelecer a felicidade, a paz e a segurança no mundo real com base na Lei Mística mediante o ato de cada indivíduo levar a cabo sua missão pessoal como bodisatva da terra. 15. TOYNBEE, Arnold J.; IKEDA, Daisaku. Escolha a Vida. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 420. 16. Ibidem, p. 386-387. 17. TODA, Josei. Toda Josei Zenshu [Obras Completas de Josei Toda]. v. 3. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, 1991. p. 128. 18. Essa carta foi escrita em Minobu, no décimo quinto dia do décimo primeiro mês de 1281, e endereçada à monja leiga de Ueno. 19. Em O Inverno Nunca Falha em se Tornar Primavera, Daishonin escreve: “Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno, mas o inverno nunca falha em se tornar primavera. Desde os tempos antigos, nunca alguém viu ou ouviu dizer que o inverno tenha se convertido em outono ou que uma pessoa que tem fé no Sutra do Lótus tenha se tornado uma pessoa comum. No sutra consta: ‘Se houver quem ouça a Lei, então ninguém deixará de atingir o estado de buda’ [LSOC, cap. 2, p. 75]” (CEND, v. I, p. 560). 20. Artigo do Seikyo Shimbun, de 25 de agosto de 2020. A tradução tem como base a transcrição da entrevista original. 21. Em Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Daishonin afirma: “A palavra ‘fé’ é a espada afiada com a qual se enfrenta e vence a escuridão ou a ignorância” (OTT, p. 119-120). 22. Escuridão fundamental ou ignorância fundamental: Ilusão inerente à vida mais profundamente arraigada, que dá origem a todas as demais ilusões e desejos mundanos. É a incapacidade de ver ou reconhecer a verdade suprema da Lei Mística, bem como os impulsos negativos que decorrem dessa ignorância.

01/02/2024

Estudo

[66] A jornada de mestre e discípulo em prol do kosen-rufu mundial — consolidando a rede global para a paz

Explanação “O que constrói a nova era é a força e a paixão dos jovens.”1 Essas palavras expressam a confiança total que meu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, depositava nos jovens. Há sessenta anos, em 2 de outubro de 1960, dei início à odisseia em prol do kosen-rufu mundial como jovem discípulo de Toda sensei, transbordando a força e a paixão herdadas diretamente dele. Como eu tinha me tornado terceiro presidente da Soka Gakkai havia apenas cinco meses, muitos ponderavam se era cedo demais para eu viajar para o exterior. No entanto, a fim de tornar realidade a concepção de kosen-rufu mundial que meu mestre me confiara, seria vital promovermos o avanço do nosso movimento de modo simultâneo no Japão e no mundo. Parti em minha jornada com essa convicção e uma fotografia de Toda sensei guardada no bolso interno do meu paletó. Dialogando sempre com o mestre no meu coração Naquela primeira visita às Américas do Norte e do Sul, fundei vários distritos e comunidades e um distrito geral. Estava determinado a criar em cada continente uma organização para o kosen-rufu firmemente alicerçada no caminho Soka da relação direta entre mestre e discípulo. Mantendo sempre um diálogo com Toda sensei no meu coração, dei continuidade à minha jornada, um passo seguido de outro, visando assentar a base para o desenvolvimento do kosen-rufu mundial. Jovens emergidos da terra são o sol da esperança Hoje, seis décadas depois, abraçando esse mesmo espírito, bodisatvas da terra do mundo inteiro estão avançando a passos largos com renovado vigor, promovendo o kosen-rufu como sucessores do nosso movimento. Apesar dos desafios impostos pela pandemia global da Covid-19, eles entraram em ação, em consonância com seu juramento do tempo sem início. Esses bodisatvas da terra se levantaram para concretizar o ideal de Nichiren Daishonin de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra” (rissho-ankoku), que é, em si, a paz mundial. O futuro será radiante contanto que os jovens cidadãos globais Soka continuem seguindo em frente, juntando força e paixão e, ao mesmo tempo, expandindo os laços de solidariedade. Jovens são resplandecentes sóis da esperança, capazes de romper qualquer adversidade. Neste momento de acelerado crescimento sem precedentes do kosen-rufu mundial, vamos aprender, mais uma vez, sobre o Budismo Nichiren como um ensinamento genuinamente universal pelo bem da humanidade. Examinemos algumas passagens dos escritos de Nichiren Daishonin sobre o espírito de levantar-se só e a indomável rede solidária dos bodisatvas. Trecho do escrito 1 Admoestação a Hachiman2 Nos últimos vinte e oito anos, desde o vigésimo oitavo dia do quarto mês do quinto ano da era Kencho [1253], no signo cíclico mizunoto-ushi, até o presente, décimo segundo mês do terceiro ano da era Koan [1280], no signo cíclico de kanoe-tatsu, eu, Nichiren, não fiz mais nada além de me dedicar exclusivamente a pôr os cinco ou sete ideogramas do Myoho-renge-kyo3 na boca de todos os seres vivos do país Japão. Ao agir assim, demonstrei a compaixão da mãe ao labutar para pôr leite na boca do seu bebê. Além disso, este é o momento exato para tais esforços, pois já entramos no quinto período de quinhentos anos,4 conforme profetizado pelo Buda [em que o Sutra do Lótus seria propagado]. No tempo em que Tiantai e Dengyo5 viveram, o quinto período ainda não tinha começado, mas como um certo número de pessoas já possuía a capacidade necessária [para compreendê-los], aqueles homens propagaram, até certo ponto, [os ensinamentos do Sutra do Lótus.] Mas agora que o quinto período se iniciou, é ainda mais apropriado que tais ensinamentos sejam propagados. Embora haja aqueles que não possuem capacidade para recebê-los contrapondo-se a eles como a água em relação ao fogo, como se poderia deixar de propagá-los [o Sutra do Lótus]? (WND, v. II, p. 931) Aliviar o sofrimento de todas as pessoas Admoestação a Hachiman, assim como A Profecia do Buda, é um escrito que transmite o juramento seigan de Daishonin pelo kosen-rufu mundial e sua convicta declaração a respeito do “retorno do budismo para o oeste”.6 Estudei-o várias vezes com Toda sensei. “O vigésimo oitavo dia do quarto mês do quinto ano da era Kencho no signo cíclico mizunoto-ushi” refere-se à data em que Daishonin proclamou pela primeira vez seu ensinamento, iniciando sua luta para propagar o Nam-myoho-renge-kyo. A asserção “Eu, Nichiren, não fiz mais nada além de” salienta a devoção resoluta pela propagação da Lei Mística de Daishonin. Ao afirmar que se dedicou “exclusivamente para pôr os cinco ou sete ideogramas do Myoho-renge-kyo na boca de todos os seres vivos do país Japão”, ele transmite seu ardente desejo de aliviar o sofrimento de todas as pessoas. E compara esse ato à compaixão da mãe ao prover leite ao filho. O comportamento de Daishonin em realizar shakubuku constitui a expressão de sua grande compaixão, oriunda unicamente do seu desejo de conduzir todos à felicidade. Nesse trecho, Nichiren Daishonin frisa que o tempo apropriado para propagar o Sutra do Lótus chegou. Embora o sutra tenha sido transmitido durante a época dos grandes mestres Tiantai e Dengyo, foi ensinado apenas a um grupo seleto de pessoas com capacidade para compreendê-lo. Nessa carta, porém, Daishonin diz que chegou o momento de tornar o Nam-myoho-renge-kyo [o coração do Sutra do Lótus] acessível a todos — para indivíduos de qualquer capacidade. Trata-se de uma poderosa declaração de que a Lei do Nam-myoho-renge-kyo é o ensinamento fundamental por meio do qual os seres vivos podem atingir o estado de buda e de que ele se empenhou incansavelmente para propagá-lo visando à felicidade de todas as pessoas dos Últimos Dias da Lei. Na passagem que se segue a essa, Daishonin escreve: “Agora, mesmo que a pessoa enfrente as grandes perseguições que o bodisatva Jamais Desprezar7 sofreu, estes [ensinamentos] devem ser propagados; não pode haver dúvida sobre isso” (WND, v. II, p. 931). Pelo fato de o tempo certo ter chegado, com o surgimento de praticantes firmes, inabaláveis diante das perseguições, o kosen-rufu será realizado infalivelmente. O nobre trabalho do Buda, de tornar todas as pessoas felizes, é realizado pela convergência de três elementos: 1) a Lei Mística, o supremo ensinamento para a consecução do estado de buda; 2) o tempo, o qual as pessoas anseiam nas profundezas do seu coração que a Lei se propague; e 3) o surgimento de praticantes corajosos, aqueles que propagam a Lei sem poupar a vida. Por meio dos esforços das “pessoas” que se levantam numa época em que o “ensinamento” e o “tempo” se completam, o budismo se torna uma religião realmente viva. Pelo mesmo princípio, o Budismo Nichiren se disseminou ao redor do mundo graças ao surgimento da Soka Gakkai, organização que está concretizando o decreto do Buda. Em meio aos desafios incomparáveis decorrentes da pandemia da Covid-19, os membros da Soka Gakkai de todos os lugares intensificam suas orações pela paz e pela segurança de seu respectivo país. Eles se devotam incansavelmente a incentivar as pessoas ao redor e constroem uma rede do bem cada vez mais ampla. Desse modo, empreendem uma grandiosa luta ligada diretamente a Daishonin de transformar o destino da humanidade. Ao nos empenharmos em nossa revolução humana mediante nossos esforços acalentando o “Grande Desejo pela Concretização do Kosen-rufu, a Propagação Benevolente da Grande Lei”, 8 expandimos para as pessoas em todo o mundo a esperança e a confiança de que podem, sem falta, transformar veneno em remédio.9 O Dr. Winston Langley, ex-reitor interino da Universidade de Massachusetts, em Boston, observou com profunda simpatia que o movimento de revolução humana promovido pela Soka Gakkai está despertando as pessoas para o potencial inerente à vida, proporcionando-lhes, ainda, a coragem para pô-lo em prática.10 Budismo do Sol iluminando a escuridão dos Últimos Dias da Lei Na parte final de Admoestação a Hachiman, Nichiren Daishonin declara que, assim como o sol nasce no leste e se move para o oeste, seu ensinamento, que surgiu no Japão (no leste), retornará para a Índia (no oeste), país de origem do budismo. Declara ainda que seu Budismo do Sol continuará iluminando a longa escuridão dos Últimos Dias da Lei (cf. WND, v. II, p. 936).11 Nós, da Soka Gakkai, unidos pelos laços de mestre e discípulo, viemos comprovando essas palavras em meio à realidade. O kosen-rufu mundial é o grande juramento seigan da Soka Gakkai. Mesmo no período em que o governo militarista do Japão reprimiu a liberdade de expressão durante a Segunda Guerra Mundial, o presidente fundador Tsunesaburo Makiguchi persistiu proclamando intrepidamente a missão da Soka Gakkai. Parafraseando suas palavras: “A Lei Mística consiste no princípio supremo para a vida, pela qual a humanidade anseia há muito tempo, e é o meio para atingir o estado de buda. Ao experimentarmos a aplicação da Lei Mística em nossa vida, nós, membros da Soka Gakkai, comprovamos seu grande poder e, desse modo, propiciamos a todos fácil acesso a ela. Vamos compartilhar o benefício da Lei Mística com todos e continuar trabalhando até todas as pessoas conquistarem a suprema felicidade inigualável”.12 Na jornada de propagação da Lei Mística, com coragem no coração Toda sensei, que herdou esse legado de seu mestre, compôs o seguinte poema em janeiro de 1952: Vamos, agora, até os confins da Índia, na jornada de propagação da Lei Mística, com coragem no coração. Um mês depois, ele enunciou sua concepção de cidadania global13 para os membros da Divisão dos Jovens durante a Campanha de Fevereiro.14 Em meio a esse esforço para fazer o movimento do kosen-rufu engrenar numa órbita real no Japão, Toda sensei também estava pensando no kosen-rufu mundial e no futuro da humanidade. No verão de 1954, meu mestre me convidou a acompanhá-lo à sua terra natal em Hokkaido. Enquanto contemplávamos o pôr do sol juntos na praia de Atsuta, ele me disse: “Construirei uma sólida base para o kosen-rufu no Japão, mas você abrirá o caminho para o kosen-rufu no mundo todo. Criarei o projeto; você o tornará realidade (...). Você deve fazer isto em meu lugar”. Pouco antes de morrer, Toda sensei me disse que havia sonhado que viajara para o México. Transbordando de profunda compaixão pela humanidade, expressou: “Eles todos estavam aguardando (...), buscando o Budismo de Nichiren Daishonin. Gostaria tanto de viajar para o mundo, para empreender uma jornada em prol do kosen-rufu (...)”. Estou certo de que ele ficaria encantado ao ver o desenvolvimento do kosen-rufu nos dias atuais e os dinâmicos esforços dos nossos jovens sucessores. Posso imaginar seu semblante afetuoso ao me dizer com imensa alegria: “Dai, você conseguiu!”. Ao mesmo tempo, não há satisfação maior para mim, como discípulo, do que poder relatar a ele as magníficas vitórias e conquistas de todos os meus preciosos companheiros, que estiveram ao meu lado na luta conjunta para promover o avanço do kosen-rufu. Trecho do escrito 2 O Grande Mal e o Grande Bem15 Os grandes eventos jamais vêm acompanhados por presságios menores. Quando um grande mal ocorre, um grande bem o sucederá. Como nossa terra já está repleta de grandes calúnias, a grande Lei correta [Nam-myoho-renge-kyo] se propagará sem falta. Acaso algum de vocês tem algo do que se lamentar? Ainda que não sejam o venerável Mahakashyapa,16 deveriam estar todos bailando. Ainda que não sejam Shariputra,17 deveriam estar saltando e bailando. Quando o bodisatva Práticas Superiores [o líder dos bodisatvas da terra]18 emergiu da terra, não o fez bailando? E quando o bodisatva Mérito Universal19 surgiu, a terra tremeu de seis maneiras diferentes. Tenho muito mais para dizer, mas como tempo me apressa, concluo aqui. Voltarei a escrever em outra ocasião. (CEND, v. II, p. 387) “A grande Lei correta se propagará sem falta” A próxima passagem que estudaremos consta no escrito O Grande Mal e o Grande Bem, no qual Daishonin exprime sua firme convicção de que a ocorrência de um grande mal é indício de que o ensinamento do budismo se difundirá infalivelmente. Ele afirma que não devemos nos lamentar diante da adversidade, mas continuar seguindo em frente com coragem indômita. Grandes presságios sempre antecedem grandes acontecimentos, e um grande mal prenuncia a chegada de um grande bem, assevera ele; é em meio a circunstâncias verdadeiramente desafiadoras que a grande Lei se propaga sem falta. Mas isso não se dará por si só, se simplesmente ficarmos parados sem fazer nada. Quando a calamidade ocorre, ela só se torna um indício de um grande bem se a acatarmos como uma oportunidade de crescimento e nos empenharmos com inabalável determinação e esforço para transformá-la em algo positivo. Invocar o coração de um rei leão Em outras palavras, o importante é como reagimos quando ocorre o grande mal, isto é, quando algo ruim acontece. Se decidirmos protagonizar um maravilhoso drama, invocarmos o coração de um rei leão e tomarmos uma atitude com ações intrépidas, poderemos transformar o grande mal em grande bem. No período dessa carta, o Japão estava caluniando a Lei, e os discípulos de Nichiren Daishonin se encontravam num ambiente hostil devido à sua fé. Daishonin assegura que épocas desse tipo representam um indício de que a Lei Mística se propagará amplamente. A grande alegria de encontrar o ensinamento para atingir o estado de buda Em seguida, Daishonin menciona os discípulos ouvintes da voz de Shakyamuni, o venerável Mahakashyapa e Shariputra, e os bodisatvas Práticas Superiores e Mérito Universal. No Sutra do Lótus, Mahakashyapa e Shariputra ouvem o ensinamento de Shakyamuni sobre a iluminação e dançam de alegria ao tomarem conhecimento de que os praticantes dos dois veículos — categoria à qual os dois pertencem como ouvintes da voz — também podem atingir o estado de buda [possibilidade negada a eles nos ensinamentos anteriores ao Sutra do Lótus].20 Quando, no ensinamento essencial (segunda metade) do Sutra do Lótus, Shakyamuni convoca seus discípulos do remoto passado para lhes confiar a missão de propagar esse sutra nos Últimos Dias da Lei, eles surgem na forma de inumeráveis bodisatvas que emergem dinamicamente da terra. Eles são os bodisatvas da terra cujo líder é o bodisatva Práticas Superiores. Aparecem no capítulo 15, “Emergindo da Terra”, do Sutra do Lótus. Um dos ideogramas que formam a palavra “Emergindo” do título do capítulo significa “brotar”. Em algumas transcrições e reproduções do Sutra do Lótus, porém, esse ideograma é substituído por outros de aparência similar denotando “bailar”, resultando no título “Bailando da Terra”. No presente escrito, Daishonin diz: “Quando o bodisatva Práticas Superiores [líder dos bodisatvas da terra] emergiu da terra, não o fez bailando?” (CEND, v. II, p. 387). A maneira como esse bodisatva salta pode ser interpretada como uma exuberante expressão de seu compromisso, orgulho e responsabilidade de ajudar todos os que estão sofrendo nesta era maléfica após a morte do Buda e propiciar a todos a oportunidade de conquistar uma condição de vida de felicidade. Daishonin então se refere a Mérito Universal, observando que, quando esse bodisatva surgiu no capítulo final do Sutra do Lótus, “a terra tremeu de seis maneiras diferentes” (Ibidem). Trata-se de um importante bodisatva cuja chegada instiga Shakyamuni a reiterar o espírito essencial do Sutra do Lótus ao concluir sua pregação. É profundamente significativo o fato de Daishonin enumerar aqui o venerável Mahakashyapa, Shariputra, o bodisatva Práticas Superiores e o bodisatva Mérito Universal. Mahakashyapa e Shariputra personificam a profunda percepção vivenciada pelas pessoas dos dois veículos. Assegurados de sua iluminação futura, eles despertam para a verdade de que sempre estiveram cumprindo o juramento seigan de bodisatva e se empenhando junto com seu mestre do remoto passado. O advento dos bodisatvas da terra, entretanto, mostra onde reside a essência do budismo. Consiste em praticar o eterno caminho do bodisatva, unidos com o Buda do tempo sem início. O bodisatva Mérito Universal representa a “sabedoria universal”. O poder do diálogo baseado nessa sabedoria é vital para o kosen-rufu, isto é, no que se refere a propagar a Lei Mística. A vida daqueles que despertaram para o juramento seigan de bodisatva de lutar pelo bem de outros a se tornar felizes transborda de infinita alegria. A imagem do bailar simboliza essa energia dinâmica, ilimitada e irrefreável. Quando alicerçamos nossa vida no juramento seigan de bodisatva, podemos transformar o grande mal em grande bem. Daishonin nos ensina que, quando despertamos para nossa verdadeira identidade e poder como bodisatvas da terra, não temos nada para lamentar. A ilimitada vitalidade proveniente da dedicação ao juramento de bodisatva hoje se encontra nas ações automotivadas dos membros da Soka Gakkai. Arcando com a missão dos bodisatvas da terra, eles estão tornando o kosen-rufu mundial uma realidade. Isso, por meio de seus alegres esforços para realizar sua revolução humana; por meio de suas contribuições para a paz, cultura e educação, repletos do espírito dinâmico dos bodisatvas da terra; e por meio do poder do diálogo promovido na base da sociedade, fundamentado na sabedoria universal do bodisatva Mérito Universal para despertar as pessoas para a Lei Mística num mundo abarrotado de desconfiança e desrespeito. As expectativas do Dr. Toynbee Meu diálogo com o renomado historiador britânico Arnold J. Toynbee (1889–1975) ocorreu em maio de 1973, totalizando quarenta horas. Quando estava chegando ao fim, perguntei-lhe se tinha algum conselho pessoal para mim. Havia uma razão especial para isso. Durante o meu diálogo com o Dr. Toynbee, Toda sensei sempre estava presente em meus pensamentos. Tentei imaginar como Toda sensei responderia à minha pergunta e a formulei ao Dr. Toynbee com isso em mente. Ele olhou para mim atentamente e disse com grande humildade que seria presunção da parte dele me oferecer algum conselho, uma vez que ele era um acadêmico, e eu, um homem de ação. Então, afirmou que esperava que eu continuasse seguindo o caminho do meio. Acrescentou também: “Acredito que diálogos como este podem desempenhar papel bastante relevante para unir os povos do mundo e as diferentes religiões. Agora estamos tendo um diálogo nipo-britânico. Gostaria de ver um diálogo nipo-russo, russo-americano, [e] sobretudo, um diálogo sino-russo. Se pudéssemos arranjar isto, contribuiria muito para criar uma aproximação. Talvez a Soka Gakkai possa iniciar algumas dessas conversações”.21 O treinamento na “Universidade Toda” se tornou a ponte da paz Nos anos que se seguiram, acatei o conselho do Dr. Toynbee e me empenhei em dialogar com muitos líderes e pensadores ao redor do mundo. Meu mestre também havia me confiado essa missão como discípulo dele. Durante as minhas interlocuções com o Dr. Toynbee, percebi como tudo o que o meu mestre me ensinou na chamada “Universidade Toda” me proporcionou excelente bagagem e fui tomado de profunda gratidão. A Soka Gakkai almeja ser um movimento verdadeiramente global que sirva como ponte para a paz, transcendendo diferenças por meio do diálogo, estreitando laços de amizade e promovendo a inspiração mútua para voos cada vez mais altos. Hoje, nossos jovens sucessores estão levando avante esse trabalho. Estou certo de que tanto Toda sensei como o Dr. Toynbee estão observando alegremente os animados diálogos dos jovens Soka pelo mundo. Filosofia de respeito à vida e o humanismo Soka Na longa jornada do kosen-rufu, um modo de vida consagrado à luta conjunta de mestre e discípulo está em total consonância com o juramento seigan de bodisatva. Quando nos dedicamos ao caminho de mestre e discípulo e ao nosso juramento seigan como bodisatvas da terra, conseguimos evidenciar dentro de nós a poderosa condição de vida do estado de buda. Nossa vida será repleta de sabedoria, coragem e compaixão, que fluirão ilimitadamente desse manancial interior. Hoje, jovens leões Soka estão seguindo com solidez o supremo caminho de bodisatva do Budismo Nichiren. Neste momento em que a humanidade enfrenta terríveis desafios, mais e mais pessoas buscam a filosofia de respeito à vida do Budismo Nichiren e o calor do humanismo Soka. Nosso trabalho como bodisatvas da terra apenas começou. É hora de reunirmos coragem e expandirmos diálogos repletos de esperança. Sigamos avante, junto com os jovens e com o espírito cada vez mais jovem, nossos esforços radiantes para levar paz e segurança para todos! (Daibyakurenge, edição de outubro de 2020) Com a colaboração/revisão do Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da BSGI Resumo Estudo — Janeiro 2024 Principais tópicos estudados Transmissão do budismo para o oeste “No verão de 1954, meu mestre me convidou a acompanhá-lo à sua terra natal em Hokkaido. Enquanto contemplávamos o pôr do sol juntos na praia de Atsuta, ele me disse: ‘Construirei uma sólida base para o kosen-rufu no Japão, mas você abrirá o caminho para o kosen-rufu no mundo todo. Criarei o projeto; você o tornará realidade (...). Você deve fazer isto em meu lugar’.” “Unicidade de mestre e discípulo” (shitei funi) “A fim de tornar realidade a concepção de kosen-rufu mundial que meu mestre me confiara, seria vital promovermos o avanço do nosso movimento de modo simultâneo no Japão e no mundo.” Um grande mal prenuncia a chegada de um grande bem “Quando a calamidade ocorre, ela só se torna um indício de um grande bem se a acatarmos como uma oportunidade de crescimento e nos empenharmos com inabalável determinação e esforço para transformá-la em algo positivo.” Shakubuku “O comportamento de Daishonin em realizar shakubuku constitui a expressão de sua grande compaixão, oriunda unicamente do seu desejo de conduzir todos à felicidade” Frases marcantes “Por meio dos esforços das ‘pessoas’ que se levantam numa época em que o ‘ensinamento’ e o ‘tempo’ se completam, o budismo se torna uma religião realmente viva. Pelo mesmo princípio, o Budismo Nichiren se disseminou ao redor do mundo graças ao surgimento da Soka Gakkai, organização que está concretizando o decreto do Buda.” “A ilimitada vitalidade proveniente da dedicação ao juramento de bodisatva hoje se encontra nas ações automotivadas dos membros da Soka Gakkai. Arcando com a missão dos bodisatvas da terra, eles estão tornando o kosen-rufu mundial uma realidade.” “Quando nos dedicamos ao caminho de mestre e discípulo e ao nosso juramento como bodisatvas da terra, conseguimos evidenciar dentro de nós a poderosa condição de vida do estado de buda. Nossa vida será plena de sabedoria, coragem e compaixão, que fluirão ilimitadamente desse manancial interior.” Personalidades e personagens budistas citados - Dengyo; - Mahakashyapa; - Nichiren Daishonin; - Shariputra (Um dos dez principais discípulos de Shakyamuni, conhecido como o mais notável em sabedoria.); - Shakyamuni; - Tiantai (Conhecido como grande mestre Tiantai, classificou todos os sutras de Shakyamuni em cinco períodos e oito ensinamentos. Apresentou o princípio dos “três mil mundos num único momento da vida”.). Perguntas-guias para as atividades de estudo Qual era a convicção do presidente Ikeda, quando partiu para o exterior após cinco meses de sua nomeação como terceiro presidente? Ele tinha a convicção de que seria vital promover o avanço do movimento pelo kosen-rufu de modo simultâneo no Japão e no exterior. Quais os elementos de convergência capazes de guiar as pessoas à iluminação? São a Lei Mística, o tempo e o surgimento de praticantes corajosos, pessoas que propaguem a Lei com dedicação abnegada. Qual foi o conselho dado por Arnold J. Toynbee ao presidente Ikeda durante o diálogo ocorrido em maio de 1973? Ele disse que esperava que continuasse seguindo o caminho do meio e acrescentou: “Acredito que diálogos como este podem desempenhar um papel bastante relevante para unir os povos do mundo e as diferentes religiões”. No topo: Estudantes apresentam a canção Be Brave! durante a Reunião de Líderes realizada no dia 9 de julho de 2023 Foto: Seikyo Press Notas: 1. TODA, Josei. Seinen-kun [Preceito aos Jovens]. In: Toda Josei Zenshu [Obras Completas de Josei Toda]. v. 1. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, 1992. p. 58. 2. Nichiren Daishonin redigiu essa obra em Minobu, no décimo segundo mês de 1280 e a endereçou a todos os seus discípulos. No mês anterior, o santuário dedicado ao grande bodisatva Hachiman — considerado a divindade guardiã do governo militar de Kamakura — fora consumido por um incêndio, provocando alarme generalizado. Nesse escrito, Daishonin admoesta Hachiman por negligência em proteger o devoto do Sutra do Lótus. Menciona também o princípio do “retorno do budismo para o oeste”. 3. Myoho-renge-kyo é escrito com cinco ideogramas chineses, e Nam-myoho-renge-kyo, com sete (nam, ou namu, compreendendo dois ideogramas). Daishonin muitas vezes emprega Myoho-renge-kyo como sinônimo de Nam-myoho-renge-kyo em seus escritos. 4. Quinto período de quinhentos anos: Último dos cinco período de quinhentos anos depois da morte de Shakyamuni, correspondente ao início dos Últimos Dias da Lei. O Sutra da Grande Compilação prediz, de forma detalhada, o curso que o desenvolvimento do budismo assumirá nos dois mil e quinhentos anos, ou nos cinco meio milênios, após a morte do Buda. O quinto período de quinhentos anos indica os primeiros quinhentos anos dos Últimos Dias da Lei e é denominado “era de conflitos e de disputas” ou “a era do conflito”. O sutra prediz que, durante esse período, várias escolas budistas rivais brigarão incessantemente entre si, e o ensinamento de Shakyamuni se tornará obscuro e se perderá. 5. Tiantai (538–597), também conhecido como Zhiyi, Tiantai Zhizhe, grande mestre Tiantai e grande mestre Zhizhe, propagou o Sutra do Lótus na China e estabeleceu a doutrina dos “três mil mundos num único momento da vida”. Dengyo (767–822), também conhecido como Saicho, foi o fundador da escola Tendai (Tiantai) no Japão. Ele viajou para a China, onde dominou os ensinamentos de Tiantai. 6. Refere-se à transmissão do budismo para o oeste, também conhecido como o retorno do budismo para o oeste. Nichiren Daishonin predisse que seu Budismo do Sol fluiria do Japão para o oeste, retornando para os países pelos quais o budismo inicialmente fora transmitido e se propagaria pelo mundo inteiro (cf. CEND, v. I, p. 420). 7. Bodisatva Jamais Desprezar. Descrito no capítulo 20, “Jamais Desprezar”, do Sutra do Lótus, esse bodisatva — Shakyamuni numa existência anterior — viveu no fim dos Médios Dias da Lei do buda Rei do Som Imponente. Ele se curvava respeitosamente a todos com quem se encontrasse e dizia: “Eu os reverencio profundamente, jamais ousaria tratá-los com desdém ou arrogância. Por quê? Porque todos estão praticando o caminho do bodisatva e infalivelmente atingirão o estado de buda” (LSOC, cap. 20, p. 308). Porém, ele era atacado por pessoas arrogantes, que o agrediam com varas e bastões e atiravam pedras nele. O sutra explica que essa prática se tornou a causa para o bodisatva Jamais Desprezar atingir o estado de buda. 8. Uma das inscrições contidas no Gohonzon de Consagração Permanente (Joju Gohonzon) da Soka Gakkai, consagrado no Auditório do Grande Juramento pelo Kosen-rufu. 9. “Transformação de veneno em remédio” refere-se a empregar o poder da Lei Mística para transformar uma vida dominada pelos “três caminhos” — desejos mundanos, carma e sofrimento — numa vida que manifeste as “três virtudes” — corpo do Darma, sabedoria e emancipação. 10. Artigo publicado na edição do Seikyo Shimbun de 2 de fevereiro de 2004. 11. Em Admoestação a Hachiman, Nichiren Daishonin escreve: “A lua se move do oeste em direção ao leste, tal como o budismo da Índia se propagou rumo ao leste. O sol se levanta no leste, prenúncio auspicioso de que o budismo do Japão retornará à terra da lua. A luz da lua não é tão brilhante, pois o Buda ensinou [o Sutra do Lótus na Índia] durante apenas oito anos. A luz do sol é muito mais reluzente, um auspicioso sinal de como o budismo do Japão iluminará a longa escuridão do quinto período de quinhentos anos [Últimos Dias da Lei]” (WND, v. II, p. 936). 12. Cf. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. Kachi Sozo [Criação de Valor]. In: Makiguchi Tsunesaburo Zenshu [Obras completas de Tsunesaburo Makiguchi]. v. 10. Tóquio: Daisanbunmei-sha, 1987. p. 27. 13. O presidente Josei Toda emitiu, pela primeira vez, seu conceito de cidadania global num seminário de estudo da Divisão dos Jovens em fevereiro de 1952. Trata-se da ideia de que todas as pessoas do mundo são membros de uma família global e devem buscar a prosperidade por meio da cooperação e da harmonia mútuas, em vez de se envolverem em conflitos e discriminação. 14. Campanha de Fevereiro: Em fevereiro de 1952, o presidente Ikeda, na época supervisor do Distrito Kamata de Tóquio, iniciou uma dinâmica campanha de propagação. Ao lado dos membros de Kamata, ele quebrou os recordes anteriores de cerca de cem novas famílias mensais por distrito, convertendo 201 novas famílias ao Budismo de Daishonin. 15. Não se sabe com certeza se esse é o texto de uma breve carta ou um fragmento de um texto mais longo. Tampouco a data ou destinatário. A julgar pelo conteúdo, porém, é possível presumir que tenha sido enviada para encorajar os discípulos durante o período em que a sociedade japonesa se encontrava em turbulência após a primeira invasão mongol em 1274. 16. Mahakashyapa: Um dos dez principais discípulos de Shakyamuni. Era conhecido como o mais notável em práticas ascéticas. 17. Shariputra: Um dos dez principais discípulos de Shakyamuni. Era conhecido como o mais notável em sabedoria pela sua compreensão sobre a verdadeira intenção da pregação do Buda. 18. Bodisatva Práticas Superiores é o líder dos bodisatvas da terra, os inumeráveis bodisatvas descritos no capítulo 15, “Emergindo da Terra”, do Sutra do Lótus, aos quais Shakyamuni confia a missão de propagar a Lei nos Últimos Dias da Lei. 19. Bodisatva Mérito Universal é descrito no capítulo 28, “Encorajamento do Bodisatva Mérito Universal”, do Sutra do Lótus. Possuidor de imensurável sabedoria, jura proteger o Sutra do Lótus e os devotos desse ensinamento. Ele é a personificação de todas as qualidades superiores do Buda, especialmente no tocante à prática. 20. Iluminação das pessoas dos dois veículos: Na primeira metade do Sutra do Lótus, as pessoas dos dois veículos — os ouvintes da voz e aqueles que despertaram para a causa — receberam a profecia do buda Shakyamuni de que atingiriam o estado de buda em eras futuras. Essa profecia refuta a visão dos ensinamentos do Mahayana provisório, que negavam às pessoas dos dois veículos a possibilidade de atingir a iluminação por estas buscarem apenas a própria salvação sem se preocupar com os outros. O Sutra do Lótus afirma que elas praticarão o caminho do bodisatva e atingirão o estado de buda. 21. Extraído de uma transcrição do diálogo deles.

08/01/2024

Especial

Um novo humanismo para o próximo século (Parte final)

Na sociedade humana, é o poder da humanidade, o humanismo, que exerce a força maior e mais profunda em longo prazo. Trata-se de algo mais que natural. O que, no entanto, vem a ser humanismo? Como podemos alcançar uma compreensão mais clara, mais profícua, desse conceito de importância tão fundamental? A evolução da ideia de humanismo pode ser analisada a partir de vários ângulos diferentes. Gostaria, aqui, de observar, em primeiro lugar, a tradição do humanismo individualista que se desenvolveu no Ocidente no curso da Renascença e da Reforma Protestante, tornando-se o arcabouço ético para a sociedade civil na era moderna. Na segunda metade do século 19, à medida que as contradições e limitações desse modo de humanismo foram se tornando mais evidentes, deu-se origem ao experimento do humanismo socialista. Embora essas diferentes formas de humanismo tenham conseguido libertar a humanidade de sua servidão ao Absoluto, a humanidade se viu presa à armadilha do próprio egoísmo, àquilo que o budismo denomina “eu menor”. A humanidade passou a obedecer aos ditames dos desejos e da satisfação deles. Então, os males decorrentes assumem a forma dos complexos problemas enfrentados pela humanidade já citados: o desatamento dos laços sociais e comunitários, a degradação ambiental, a crescente distância entre os ricos e os pobres. A profundidade da crise que prende nosso mundo pós-ideológico é fortemente simbolizada pelo surgimento de ampla gama de fundamentalismos. O que, então, pode prover a energia e a inspiração motivadoras para ultrapassar o atual impasse? Como podemos iniciar, com alegria e convicção, o trabalho de criar uma civilização global de paz? Quero propor agora um novo humanismo, que seja firmemente alicerçado numa acurada e compassiva cosmologia, como meio para transcender as limitações do humanismo até hoje e mostrar uma saída para o presente impasse. Minha razão para fazer tal asserção é: a ideologia. De um modo ou de outro, a ideologia reside no âmago do humanismo moderno e tende a dar ênfase ao dualismo e ao conflito, produzindo discriminação e rejeição aos demais. Cosmologias, em contraste, buscam incluir e abraçar os outros; a tolerância é inerente à cosmologia. O humanismo baseado no Darma que deu sustentação ao reinado de Ashoka é excelente exemplo de cosmologia abrangente. Ela é sucintamente expressa nos princípios fundamentais de seu governo: 1) não matar; e 2) respeito mútuo. Embora talvez seja apropriado discutir o princípio de não matar no que tange a todas as formas de vida além dos seres humanos, no momento, espero fazer valer a postura minimalista de que os humanos não devem, sob circunstância alguma, matar outros humanos. Esse, acredito, deve ser o parágrafo preambular de qualquer estatuto que a humanidade possa escolher adotar no século 21. A história foi manchada por muito sangue derramado em nome da “justiça”. A Revolução Francesa, por exemplo, é o evento que exerceu forte influência no desenvolvimento da tradição moderna do humanismo; no entanto, quantos inocentes perderam a vida para a justiça da guilhotina? Da mesma maneira, nos estágios experimentais do humanismo socialista, seu propósito original foi traído e dezenas de milhões de vidas foram sacrificadas. Esse, novamente, é um dos fatos históricos inalteráveis do nosso século. Tal sofrimento jamais deve se repetir. Portanto, a primeira prescrição de um novo humanismo deve ser uma injunção total contra o ato de tirar vidas humanas. Seja qual for a lógica ou fundamentação em que esteja camuflada, “justiça” acompanhada de violência é vazia e falsa. Como Rabindranath Tagore declarou ao longo de toda sua vida, qualquer deus que exija o sacrifício de vidas é um falso deus. Qual é, então, a fraqueza subjacente aos tipos de humanismo que prevaleceram até agora? Embora este não seja o momento ou o lugar para tentar uma análise completa e rigorosa, gostaria de afirmar simplesmente que o fracasso fundamental do humanismo até hoje reside na incapacidade de acreditar plenamente nas pessoas e de confiar nelas. Desse modo, compreendemos a relevância da segunda política de Ashoka: a do respeito mútuo. Quando a desconfiança na humanidade é dirigida contra si, o indivíduo experimenta a incapacidade. Quando dirigida aos outros, assume a forma de recusa ao diálogo e, por fim, à violência. Ódio gera mais ódio. Como esse ciclo mortal pode ser rompido? Nesse contexto, creio que precisamos evocar aquilo que poderia ser designado humanismo holístico ou mesmo cosmológico, que considera a vida do indivíduo como algo que se estende amplamente e abraça o cosmos inteiro e, portanto, merece a mais profunda reverência. Na Índia, essa visão prosperou de diferentes formas ao longo dos milênios, dos sábios dos Upanishads aos ensinamentos do buda Gautama. O Sutra do Lótus, que compõe o ápice dos ensinamentos do buda Gautama, representa a suprema cristalização dessa filosofia. Isso porque ensina as pessoas a abandonar o apego à diferença e as incentiva a despertar para a “grande terra da vida” que sustenta todos nós. Quando nos colocamos nesse terreno comum, as diferenças deixam de ser a causa de conflitos e, em vez disso, servem para enriquecer nossa experiência de vida. O capítulo “Parábola das Ervas Medicinais”, do Sutra do Lótus, descreve o exemplo de uma grande variedade de árvores e vegetação nutridas pela mesma chuva, crescendo de forma exuberante a partir da mesma terra. Não bastará, porém, simplesmente reivindicarmos um novo humanismo ou discutirmos em termos abstratos as possibilidades de um humanismo de base cosmológica. Devemos descobrir os meios para consolidar o respeito universal pela inviolabilidade da vida. Um dos principais pilares para tal esforço, acredito, deve ser buscado na educação. Sem aprimorar a influência da educação, crenças profundamente arraigadas, seja de caráter político, seja de natureza religiosa, podem sucumbir rapidamente às armadilhas do dogmatismo e do moralismo arrogante. A tendência da época é, sem dúvida, deixar as questões religiosas a critério dos indivíduos. Essa é mais uma razão pela qual a educação deve ajudar a assegurar que o sentimento religioso não se torne moralista ou intolerante e sempre seja direcionado para o resultado mais pacífico e valioso de todos. Afinal, foram a educação e o intelecto que forneceram à profunda religiosidade de Rabindranath Tagore um apelo universal acessível às pessoas do mundo ocidental. Ele tampouco se limitou à sua própria educação; estabeleceu uma universidade e, ao longo da vida, devotou-se à causa do desenvolvimento humano. A educação nos torna livres. O mundo do conhecimento e do intelecto é onde todas as pessoas podem se reunir e conversar. A educação liberta as pessoas do preconceito. Liberta o coração humano de suas paixões violentas. É a educação que corta os obscuros grilhões da ignorância sobre as leis que governam o Universo. Por fim, é com a educação que somos libertos da impotência e do fardo da desconfiança contra nós mesmos. Ela desperta nossas capacidades adormecidas. E estimula e amplifica a aspiração da alma para que se torne plena. Pode haver experiência mais sublime na vida? O indivíduo que se libertou da insegurança e aprendeu a confiar em si mesmo é capaz de crer naturalmente nas capacidades latentes dos outros. Possui a habilidade de olhar além da aparência atual do outro e de perceber e acreditar nos prodigiosos tesouros ocultos dentro dessa pessoa. A educação nos permite enxergar além da diferença superficial e perceber a grande terra, o grande mar da vida que sustenta a todos nós. Essas são as dádivas produzidas pela educação. Os esforços do buda Gautama podem ser descritos como essencialmente educacionais. O Sutra do Lótus contém a frase “abrir, mostrar, despertar e fazer entrar”. O propósito máximo do budismo, portanto, é abrir, mostrar, despertar e fazer as pessoas entrarem nos infinitos reinos da sabedoria que elas já possuem. Isso está perfeitamente de acordo com os métodos e os objetivos da educação. O budismo, nesse sentido, consiste em um esforço direcionado para a educação humana. Por sua vez, a educação, para concretizar seu valor pleno, deve ser sustentada pela espiritualidade que nos habilita a estender a fé e a confiança aos outros. O que o mundo mais necessita agora é de uma educação que cultive o amor pela humanidade e que desenvolva o caráter — isto é, proporcione uma base intelectual para a consolidação da paz e empodere os educandos para contribuir para a sociedade e aprimorá-la. As raízes da Soka Gakkai Internacional (SGI) remontam à Soka Kyoiku Gakkai [Sociedade Educacional de Criação de Valor], fundada no Japão em 1930. Tanto o primeiro presidente, Tsunesaburo Makiguchi, quanto o segundo, Josei Toda, eram educadores. Motivados pela convicção de que o objetivo da educação é a felicidade dos estudantes pela vida inteira, eles buscaram compreender o real teor da felicidade. Foi essa diligência que, por fim, os conduziu à filosofia do budismo, o qual elucida os mecanismos da vida e como experimentamos a felicidade e a infelicidade. Na mesma época em que Mahatma Gandhi e Jawaharlal Nehru travavam uma batalha contra o colonialismo, Toda sensei e Makiguchi sensei lutavam contra os males do militarismo japonês. Essa resistência acarretou a prisão de ambos e, por fim, a morte de Makiguchi no cárcere aos 73 anos. Erguendo-se da dor indescritível que sentiu pela perda de seu amado mestre, Josei Toda descobriu, no confinamento de sua cela solitária e guiado pelos ensinamentos do Sutra do Lótus e por outras escrituras, a base para o humanismo cósmico dentro da própria vida. Encontrei Josei Toda logo depois do fim da guerra. Incrivelmente, a data do nosso primeiro encontro foi 14 de agosto de 1947, véspera da independência indiana. Conhecemo-nos no dia em que Jawaharlal Nehru convocou a Assembleia Constituinte para realizar o sonho de Gandhi e “enxugar todas as lágrimas de todos os olhos”.A não ser que seja sustentada e temperada pela sabedoria da educação, a fé religiosa sempre correrá o risco de se tornar cega e sem direcionamento. Por outro lado, quando são iluminados pela luz da sabedoria que a educação suscita, os valores espirituais da religião intensificam seu brilho na mesma proporção. Em vista disso, considero extremamente natural, e até inevitável, que o primeiro e o segundo presidentes da Soka Gakkai tenham chegado ao término de sua busca pelo real significado e propósito da educação com a prática do budismo — realizada em prol das pessoas comuns e entre elas. De certo modo, portanto, nosso movimento completou o ciclo, conforme observamos agora, de promover uma rede solidária de paz, cultura e educação, em meio às pessoas do mundo com base nos discernimentos do budismo. Em curto intervalo no ano 1974, visitei a União Soviética e a República Popular da China, viajando duas vezes para a China naquele período. Ao mesmo tempo, as relações entre os dois países estavam extremamente tensas e, na posição de um cidadão comum preocupado, instei os líderes de ambos os países a trabalhar pela melhoria das relações. Precedendo minha viagem à União Soviética, em particular, vi-me sujeito a reiteradas críticas por parte daqueles que questionavam o motivo para eu visitar um país cuja ideologia negava fundamentalmente a religião. Em todas as ocasiões, respondi simplesmente que estava indo porque havia pessoas lá; pois a União Soviética é o lar dos meus semelhantes. No ano passado [1996], depois de visitar os Estados Unidos, viajei para Cuba, onde pude edificar fortes laços de confiança e de amizade com o presidente Fidel Castro. Acredito que, quando analisadas da perspectiva mais ampla de nossa humanidade comum, nem mesmo as barreiras impostas pela desconfiança e a tensão entre Estados são intransponíveis. Ao ponderar sobre esse assunto, o tom incisivo e corajoso do falecido primeiro-ministro Rajiv Gandhi reverbera dentro de mim: “A maior contribuição da Índia à civilização mundial consiste em demonstrar que não há nada antiético entre diversidade e nacionalidade. Com 5 mil anos de experiência de vida, demonstramos ao mundo que nossa união na diversidade constitui uma dinâmica realidade”.2 A tarefa diante do nosso planeta no limiar do século 21 é concretizar a união da diversidade. Agora, mais que nunca, é imperativo que a humanidade aprenda, com atenção e humildade, com as inestimáveis experiências e sabedoria da Índia. A Índia celebra este ano o 50º aniversário de sua independência como o primeiro país na história a nascer da não violência. Nesse sentido, a Índia é, ao mesmo tempo, o país mais velho do mundo e o mais novo. Situa-se na vanguarda do progresso humano. O grande experimento que é a Índia não ficou confinado em suas fronteiras, mas ofereceu inspiração para as pessoas do mundo todo. A luta de Martin Luther King Jr. contra o racismo e a discriminação é um exemplo, assim como a revolução não violenta que se alastrou pela Europa Oriental em 1989. Há um antigo aforismo que diz que, quanto mais profunda a fonte, mais longa a correnteza. Se quisermos ver um grande rio da paz fluindo pelo infinito futuro adentro, deveremos buscar os mais profundos mananciais do espírito humano. Se desejarmos uma paz inabalável, deveremos construir alicerces inabaláveis. Citando o exemplo de Ashoka, o Grande, tentei delinear aqui a mensagem de paz que, tenho certeza, a Índia continuará difundindo ao mundo dos séculos 21 e 22. Pode haver quem diga que minha visão é otimista demais. Contudo, não abandonarei, sob nenhuma circunstância, minha fé na humanidade. Dedico uma fé incondicional à grandeza interior da humanidade. Quando Rajiv Gandhi e eu nos encontramos em Tóquio, confirmamos nossa determinação comum de remover as barreiras do coração que separam a humanidade. Quando esses muros caírem, veremos diante de nós a vasta imensidão da própria vida. É sobre a grande terra da simbiose que os amplos rios da paz fluem, os jardins floridos da cultura vicejam e as frondosas árvores da educação se estendem em direção ao céu. Naquele momento, o primeiro-ministro e eu descobrimos a mesma melodia da paz ecoando em nosso coração. Sentimos uma conexão livre e desimpedida que transcendia qualquer diferença superficial. Rajiv Gandhi avançou sem medo em direção à realização do seu sonho. Ele mergulhou em meio a seus concidadãos. Doou-se ao seu sonho, deu tudo de si pela causa do humanismo. O exemplo dele continua brilhando intensamente até agora. A luz do magnífico drama de sua vida e morte ilumina o caminho ao longo do qual a humanidade deve progredir no século vindouro. A Fundação Rajiv Gandhi prossegue buscando, como herdeira do ideal de Rajiv, a concretização do nobre sonho dele. Gostaria de lhes assegurar que, nessa empreitada, juntam-se a vocês pessoas de boa vontade, não apenas da Índia, mas do mundo inteiro. Concluindo, permitam-me declamar um trecho dos Últimos Poemas de Tagore, que amo desde a época da juventude, pois creio que expressa de forma perfeita meus próprios sentimentos: “Humanidade! Siga o exemplo de Rajiv! Lá você encontrará paz!”. Eis que agora chega o Homem Supremo. O homem segundo o próprio coração de Deus! O mundo estremece de admiração e a grama se agita. No céu ressoa a concha, na terra toca o tambor da Vitória — o momento sagrado chegou, que traz o Grande Nascimento! Os portões que guardam a noite sem luar ruíram. A colina do nascer do sol ecoa o chamado “Não tema”, e anuncia o alvorecer de uma nova vida! Os céus retumbam a canção da Vitória: “O homem chegou!”3 No topo: Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional, profere palestra no Instituto de Estudos Contemporâneos Rajiv Gandhi, em Nova Délhi. O discurso teve grande repercussão com reportagens nos jornais nacionais (out. 1997) Foto: Seikyo Press Notas: 1. NEHRU, Jawaharlal. Selected Works of Jawaharlal Nehru Second Series [Coletânea de Obras de Jawaharlal Nehru]. Nova Délhi: Jawaharlal Nehru Memorial Fund, v. 3, p. 136, 1984-1994. Segunda série. 2. GANDHI, Rajiv. Secular India Alone Can Survive [Só a Índia Secular Pode Sobreviver]. Selected Speeches and Writings [Coletânea de Discursos e Textos], v. 5, p. 32. 3. TAGORE, Rabindranath. Wings of Death [Asas da Morte]. Tradução: Aurobindo Bose. Londres: John Murray, 1960. p. 88.

01/12/2023

Especial

Um novo humanismo para o próximo século (Parte 1)

Pontos abordados nesta publicação • O século 20 diminuiu a “distância espacial” e o século 21 acabará com a “distância do coração” • Aprenda com a “revolução espiritual” de Ashoka, o Grande • Do “domínio pela força” ao “domínio pelo Darma (Lei)”. Cenário histórico e significado da palestra O presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, palestrou a convite do Instituto de Estudos Contemporâneos Rajiv Gandhi, da Índia, em 21 de outubro de 1997. Naquela época, o mundo enfrentava vários desafios, incluindo questões como armas nucleares, conflitos étnicos crescentes, problemas ambientais como o aquecimento global e a destruição da camada de ozônio, bem como aumento das disparidades econômicas entre o Norte e o Sul. Além disso, a disseminação da Aids e dos narcóticos estava se tornando uma preocupação cada vez mais séria. O que pode curar um mundo tão violento? — sensei discutiu a respeito vislumbrando o século 21 vindouro com o tema “Rumo ao Século do ‘Novo Humanismo’”. No início, ressaltou que, embora a “distância espacial” tenha desaparecido com o desenvolvimento científico e tecnológico no século 20, a “distância do coração” não diminuiu em nada, referindo-se ao fato de ter sido um século de assassinatos em massa. Ressaltou a necessidade de uma “nova filosofia” que atendesse à “nova realidade”. Afirmando que era muito provável que os Estados Unidos, a China e a Índia desempenhassem papel central no século 21, externou sua expectativa de que a Índia prosperasse e crescesse principalmente devido à estabilidade global. Ele enfatizou que o espírito da “não violência” que pulsa na Índia, praticado pelo rei Ashoka e por Mahatma Gandhi, é o pensamento que conduzirá o mundo. Ele conclamou pelo estabelecimento do “humanismo universal” que tenha como regra de ouro “não matar” e declarou que é a força da “educação” que transformará isso em realidade. O Dr. Abid Hussain, vice-presidente do instituto, disse, após ouvir a palestra: “Shakyamuni, a ‘luz da Ásia’, de fato nasceu na Índia. Mas essa luz deslumbrante foi herdada pelo Japão, e o Dr. Ikeda a tornou ainda mais resplandecente”. Um novo humanismo para o próximo século (Parte 1) Discurso proferido no Instituto de Estudos Contemporâneos Rajiv Gandhi, Nova Délhi, 21 de outubro de 1997 É, de fato, uma honra e um privilégio falar diante deste público excepcional nesta ocasião com que fui agraciado hoje. Agradeço profundamente o convite estendido a mim pela Fundação Rajiv Gandhi, que busca dignificar e preservar a memória desse grande homem [Rajiv Gandhi] por meio das múltiplas e diversificadas iniciativas dele. Particularmente, nutro profundo respeito pelo falecido primeiro-ministro e isso intensifica de forma incomensurável meus sentimentos no dia de hoje. Quero expressar especial gratidão à presidente Sonia Gandhi, ao vice-presidente do Instituto Rajiv Gandhi para Estudos Contemporâneos, Dr. Abid Hussain, e a todos aqueles cujo apoio e compreensão tornaram possível este ensejo. Há doze anos, em 1985, tive a oportunidade de me encontrar com o primeiro-ministro Rajiv Gandhi no Japão. A recordação daquele radiante dia de outono permanece viva em meu coração até agora. As seguintes palavras de Rajiv Gandhi, proferidas perante o Congresso dos Estados Unidos, expressam o olhar claro e sereno que ele dirigia ao século 21: “Sou jovem, e eu também tenho um sonho. Sonho com uma Índia forte, independente, autoconfiante e na linha de frente das nações do mundo no serviço à humanidade”.1 Rajiv Gandhi, cujos olhos sempre estavam voltados para o século vindouro, tinha grande aversão ao que era antigo e ultrapassado. Isso não significa, obviamente, que ele desprezasse aquilo que se tornara defasado no contexto da civilização material. O antiquado que ele abominava tinha o sentido oposto a esse. Naturalmente, a tecnologia alcançou avanços extraordinários. Ela me permitiu chegar à Índia no mesmo dia em que parti do Japão, uma viagem que, no passado, demandaria meses ou até anos. O grande historiador Arnold J. Toynbee certa vez descreveu a característica saliente da era moderna como a “distância aniquiladora”.2 Ao longo deste século, o mundo se tornou cada vez mais próximo e “menor”. Hoje, as tecnologias da comunicação possibilitam uma conexão instantânea com o mundo inteiro. Apesar do grande aumento desse tipo de conectividade, o século 20 testemunhou um massacre sem precedentes da humanidade por parte dela mesma. Em outras palavras, a distância espiritual entre os seres humanos, longe de ser “aniquilada”, praticamente não teve redução alguma. A humanidade não correspondeu às novas realidades. Era isso, mais que tudo, que Rajiv Gandhi considerava obsoleto. Possuímos recursos e capacidades essenciais para eliminar a pobreza e a fome da face da Terra. No entanto, persistimos em desperdiçar vastos recursos no desenvolvimento nuclear e em outras armas de destruição em massa. Tal comportamento também é antiquado. A humanidade se encontra num impasse. Deparamo-nos com uma realidade inteiramente nova, sem comparações, intransigente. Num mundo de mudanças vertiginosamente rápidas, ainda temos de desenvolver novos estilos de vida, novas maneiras de pensar e novas formas de nos relacionar uns com os outros que atendam às necessidades da nova era. Esse é o principal desafio diante do mundo atual; uma conjuntura que poderia ser interpretada como uma demanda, um chamado para a ação, ecoando de volta para nós a partir do século 21. Ninguém ouviu com tanta atenção esse toque dos clarins do futuro quanto Rajiv Gandhi. Hoje, enquanto honramos a preciosa memória desse visionário primeiro-ministro, desejo compartilhar alguns pensamentos sobre a concepção de um novo humanismo para o próximo século. Da perspectiva do presente, o futuro parece obscuro e incerto. No entanto, se nos distanciarmos um pouco e adotarmos uma visão mais macroscópica, poderemos postular o surgimento de três países importantíssimos — China, Estados Unidos e Índia — que desempenharão papéis fundamentais no mundo no século 21. Essa dinâmica poderia ser comparada ao design do antigo bule de três pés, que não pode permanecer de pé sobre dois pés, mas adquire estabilidade sobre três. Um dos clássicos da literatura chinesa é o Romance dos Três Reinos. A obra descreve a tentativa de estabelecer a paz em meio a um conflito entre dois poderes. Isso ocorre ao se instituir um terceiro país para criar um novo e pacífico equilíbrio. Aprofundando-nos nessa lição da antiguidade, podemos observar que um mundo dominado por duas grandes potências tenderá inevitavelmente ao conflito, ao passo que o surgimento de uma terceira poderá abrir o caminho para o diálogo e o contato contínuos, movendo o mundo inteiro em direção à paz. Essa espécie de ordem pode ser entendida como ideal ou visão de paz mundial. Também pode abrir o caminho para uma federação mundial que efetivamente garanta a paz e previna conflitos. Nesse sentido, a contínua prosperidade e o desenvolvimento da Índia possuem uma importância indiscutivelmente vital para a estabilidade do mundo. É por essa razão que muitas pessoas — incluo-me aí — observam com grande esperança a Índia pronta para dar um dramático salto no século 21, apoiada pelo mercado econômico e pela tecnologia avançada. Há uma forte expectativa por uma nova e brilhante “Renascença Indiana”. Ao mesmo tempo, acredito que a mensagem de não violência da Índia contém um significado primordial agora e no futuro. A Índia já está demonstrando a direção para a qual o mundo deve se mover. Um pensador japonês descreveu o século 21 como um século de arrependimentos. Na verdade, a humanidade iniciou este século com passos garbosos e repleta de confiança na certeza do progresso. O que na realidade a aguardava era um período de megadeath nunca antes visto, de destruição do meio ambiente e de crescente e vergonhosa disparidade entre os ricos e os pobres do planeta. “Onde foi que erramos?”, há que se perguntar. “Em que rotatória nos desviamos tão fatalmente?” Quando consideramos o panorama psíquico da humanidade no fim do século, a imagem de Ashoka, o Grande (c. 273 a.E.C.), extraordinário soberano da Índia antiga, inevitavelmente vem à lembrança. Entre os incalculáveis monarcas que o mundo conheceu, ele foi de fato um rei sem igual. Recordo-me dos elogios irrestritos despejados sobre esse rei e suas conquistas pelo Prof. Toynbee e pelo conde Coudenhove-Kalergi, um dos primeiros proponentes da União Europeia. Também tive o prazer de discutir o reinado de Ashoka com importantes pensadores como André Malraux, Linus Pauling e Henry Kissinger. Entre os éditos do rei Ashoka, existe um que expressa seu profundo remorso e contrição: “Esse é um assunto de profunda tristeza e arrependimento (...)”.3 Qual a razão de seu remorso? Que motivos teria esse rei tão poderoso, que uniu a Índia, para se arrepender? É desnecessário dizer que se tratava da conquista de Kalinga. Esse estado vizinho estava se desenvolvendo rapidamente, emergindo como uma potência por mérito próprio, quando Ashoka o invadiu. Suas tropas obtiveram uma vitória avassaladora; a conquista foi total. Entretanto, o sofrimento que acompanhou essa vitória também foi avassalador; um preço demasiadamente alto pago com vida e derramamento de sangue. Estima-se que 100 mil indivíduos morreram em combate em Kalinga e 150 mil foram feitos prisioneiros. Vítimas civis ultrapassaram várias vezes essa quantidade. Um número indescritível de pessoas foi forçado a abandonar sua terra natal para ser relegado a uma vida errante e incerta como refugiado. É quase possível ouvir o choro e o lamento dilacerantes que preenchiam a terra quando as pessoas eram arrancadas de perto umas das outras, pais separados dos filhos para sempre, esposas dos maridos, professores dos alunos, amigos dos amigos. Diante desse quadro sombrio, o rei Ashoka experimentou um remorso insuportável que o atormentou profundamente. “Qual o objetivo dessa conquista?”, deve ter se perguntado. “Qual a finalidade de expandir o território sob meu controle? Por que fazer uso de tanta força? O propósito da vida não é ser feliz? A vida não é preciosa e insubstituível? Qual o significado da guerra, que provoca tamanha devastação e destruição? Por que as pessoas têm de matar umas às outras?” De tempos longínquos, quase posso ouvir o pranto da alma do rei Ashoka. Entretanto, nosso século testemunhou tragédias iguais a que comoveu tão profundamente o rei Ashoka se repetirem centenas e milhares de vezes. É por essa razão, acima de todas as outras, que devemos aprender as lições sobre a mudança processada no coração dele. O remorso de Ashoka não foi marcado por meias medidas. Ele se repreendeu implacavelmente. Então, num lampejo de compreensão, percebeu que a vitória da força não é a vitória verdadeira. O que ela, de fato, assinala é a derrota como ser humano. É inteiramente vazia e desprovida de valor. O grande rei entendeu que não é a conquista pela força, mas a conquista pelo Darma que representa a vitória genuína. Permitam-me observar que, quando falo de força, não estou me referindo somente à força militar, mas também ao peso do poder econômico superior. A palavra “Darma” naturalmente tem vários significados, entre os quais “verdade”, “justiça” e “virtude”. O poeta sábio Rabindranath Tagore afirmou que Darma era a palavra mais próxima do real sentido de civilização. Mahatma Gandhi, pai da independência da Índia, usava o termo gujuráti sudharo, que significa “boa conduta”, como sugestão do sentido original de civilização. Pautando-me por esses insights, gostaria de apresentar minha visão de que o Darma pode ser mais bem entendido como genuína civilização, como caminho da humanidade, o verdadeiro humanismo. Dessa forma, a revolucionária mudança que ocorreu no coração de Ashoka, o Grande, transformou a batida dos tambores de guerra numa sinfonia de humanismo baseada no Darma. O tema central da minha vida é este: “A grandiosa revolução humana de uma única pessoa, um dia, impulsionará a mudança total do destino de um país e, além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade”. O rei Ashoka é realmente um modelo desse princípio em ação. O rei Ashoka não era um sonhador, mas um homem de ação. “Humanismo passivo” é, em si, uma contradição. O grande rei instaurou um experimento inédito com base numa filosofia inteiramente nova, uma visão completamente nova. As políticas do rei se concentravam no bem-estar dos cidadãos. Por intermédio delas, ele buscou implementar o espírito de prezar a vida acima de tudo, de atribuir à vida o mais alto valor. Ele construiu instalações de tratamento médico não apenas para pessoas, mas também para animais. Promoveu o cultivo de ervas medicinais benéficas e o plantio de árvores à beira das estradas, preservando e protegendo, assim, o meio ambiente natural. Incentivou a escavação de poços e a construção de casas de repouso para viajantes. Instituiu o posto de ministro de assuntos referentes às mulheres para atender às necessidades e às solicitações específicas delas. Apesar de ele próprio ser um devotado seguidor do budismo, nunca negou e sempre respeitou os valores espirituais de todas as religiões. O reinado dele foi um exemplo raro no mundo antigo que garantia a liberdade religiosa. Para sustentar tais políticas humanísticas, é necessária uma forte base econômica. Com esse intuito, Ashoka aprimorou a rede de transporte e expandiu o comércio com as regiões hoje conhecidas como Grécia e Oriente Médio. Ao mesmo tempo, empenhou-se para reduzir a disparidade econômica praticando a ética econômica de distribuição equitativa, a qual havia sido demonstrada pelo buda Gautama. Ao obter a sabedoria para discernir os fins apropriados para os quais o poder deve ser exercido, Ashoka passou a agir sem hesitação. Ele tomou medidas positivas para promover o intercâmbio cultural com outros países. Adotou uma política de diplomacia pacífica, enviando emissários da paz ao Oeste, para a Síria, o Egito e a Macedônia. Afirma-se que, em cada país que esses emissários visitaram, a postura e a conduta compassiva deles os habilitaram a transcender diferenças de idioma e de costumes. Um erudito descreveu as atividades deles como “corpo da paz do mundo antigo”. Mediante esses e outros atos, o humanismo do grande rei ligou as pessoas do mundo num laço de amizade e de compreensão mútua. Suas conquistas se mantêm inquestionáveis nos anais da história. Os esforços de Rajiv Gandhi, primeiro-ministro indiano a visitar a China em 34 anos e a buscar a amizade com o Paquistão, são um exemplo similarmente insigne de inspirada diplomacia da paz. Por diversas vezes, tive o prazer de conversar com Mikhail Gorbachev, ex-presidente da União Soviética. O presidente Gorbachev revelou-me os sentimentos por trás da Declaração de Nova Délhi, que Rajiv Gandhi emitiu em novembro de 1986, delineando princípios para um mundo livre de violência e de armas nucleares. Ele relembrou a oposição incondicional ao terrorismo que manifestaram em sua coletiva de imprensa conjunta após a declaração e disse que considerava Rajiv excelente e querido amigo. O presidente Gorbachev também expressou seu profundo respeito pela Índia, descrevendo o povo de lá como possuidor de poderosa empatia pelo sofrimento do próximo e forte aspiração pela paz, liberdade e justiça. Considero o rei Ashoka, Mahatma Gandhi, Pandit Jawaharlal Nehru e Rajiv Gandhi líderes que procuraram implementar essa aspiração, esse anseio pela paz, liberdade e justiça, em meio às realidades políticas do nosso mundo. Eles, contudo, jamais adaptaram seus ideais de não violência para se ajustar às realidades que tinham diante de si. Pelo contrário, os esforços deles se baseavam na compreensão de que a violência não resolve nada, ela só piora e torna qualquer problema ainda mais irremediável. Baseavam-se na compreensão de que a não violência constitui, de fato, a política mais realista. No topo: Nova Délhi, Índia Foto: Getty Images Notas: 1. GANDHI, Rajiv. Friends in Human Causes [Amigos em Causas Humanas]. In: Rajiv Gandhi: Selected Speeches and Writings [Rajiv Gandhi: Coletânea de Discursos e Textos]. Nova Délhi: Departamento de Publicações, Ministério da Informação e Radiodifusão, Governo da Índia, v. 1, p. 335, 1987-1991. 2. TOYNBEE, Arnold J. A Study of History [Um Estudo da História]. Londres: Oxford University Press, v. 12, p. 109, 1954-1961. 3. Rock Edict XIII. In: The Edicts of Ashoka [Os Éditos de Ashoka]. SMITH, Vincent A. (ed.). Nova Délhi: Munshiram Manoharlal Publishers Pvt. Ltd., 1992. p. 18-19. Acesse o link e ouça, no podcast do BS+, o capítulo “Índia” do volume 3, da Nova Revolução Humana, no qual encontrará detalhes da vida do rei Ashoka. Capítulo "Índia"

01/11/2023

Especial

Tributo ao Sagarmatha do Humanismo: Lições Vivas do Buda Gautama - Parte final

O primeiro presidente da nossa organização, Tsunesaburo Makiguchi, também foi autor de Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor]. A oposição dele aos militaristas japoneses durante a Segunda Guerra Mundial o levou a prisão e morte numa cela aos 73 anos. Ele foi diretor de escola de ensino fundamental e, estivesse falando com um de seus alunos, com carcereiros ou com ríspidos interrogadores, sempre realizava diálogos pautados por um profundo senso de respeito à humanidade de seu interlocutor. A sabedoria inovadora que brilha em suas propostas de educação vitalícia, educação ambiental de base comunitária e em seus esforços para refletir a voz das mães no processo da educação nasceu de seus inabaláveis esforços de ouvir as pessoas constantemente e manter um diálogo aberto com elas. O terceiro aspecto da sabedoria do buda Gautama refere-se à questão da criação de valor, pois é a sabedoria que nos habilita a fazer o uso do conhecimento da forma mais plena possível. Aqueles que estão se graduando no dia de hoje, beneficiando-se dos estudos acadêmicos de ponta oferecidos aqui na Universidade de Tribhuvan, muito me lembram a juventude de Gautama e seus rigorosos estudos em Kapilavastu. Como um jovem príncipe que estava sendo preparado para governar, Gautama estudou ampla gama de assuntos, como astronomia, medicina, direito, economia, literatura e arte. “Ele não aprendeu ciências para causar sofrimentos aos outros, mas estudou somente o conhecimento benéfico (...).”1 Esta, aparentemente, era a tradição da formação ministrada aos reis do clã Shakya. O que mais me impressiona profundamente em relação à educação de Gautama é o fato de ele ter sido capaz de fazer pleno uso de tudo o que aprendera na juventude ao se lançar, mais tarde, ao empenho de salvar as pessoas do sofrimento. É por esse motivo que, quer estivesse se dirigindo a reis, a camponeses, quer dialogando com membros da classe emergente dos comerciantes, ele sempre encontrava parábolas e linhas de raciocínio mais adequadas para expor o Darma. Conseguia despertar a sabedoria do ouvinte ensinando de acordo com a capacidade daquele indivíduo. Além disso, ele prescrevia, por assim dizer, o remédio certo para a doença em questão. Hoje, encontramo-nos diante da questão primordial: nosso conhecimento científico em rápido desenvolvimento — simbolizado de forma contundente pela energia atômica e pela engenharia genética — será utilizado para a felicidade da humanidade ou para satisfazer o egoísmo de certos indivíduos, povos e Estados? O mundo hoje, no qual as armas nucleares ainda não foram abolidas e permanecemos reféns do equilíbrio do terror da dissuasão nuclear, é, aos meus olhos, a imagem triste e patética da humanidade incapaz de suplantar sua natureza egoística e, portanto, presa das forças da violência e do militarismo. Em outro ensinamento do Buda, constatamos a admoestação de que “Devemos ser mestres de nossa mente em vez de permitir que ela nos domine”.2 A partir disso, subentende-se que não devemos ser controlado pelos impulsos negativos da ganância nem tentar extinguir insensatamente os desejos naturais. Significa, sobretudo, como mestres de nossa mente, guiar e redirecionar essas tendências potencialmente destrutivas para a criação de valor. Ser mestres de nossa mente quer dizer cultivar a sabedoria que reside nos recônditos da nossa vida e jorra de forma inexaurível e profusa quando somos movidos pela determinação compassiva de servir à humanidade, às pessoas. Além da sabedoria, a compaixão abrangente e oceânica do buda Gautama merece nossa atenção. O primeiro aspecto referente a esse ponto que gostaria de discutir é a ideia de que a missão coletiva da humanidade no cosmos reside na prática da compaixão. Em minha opinião, é evidente que, para Gautama, o universo em si consistia na genuína personificação da compaixão. O próprio comportamento do Buda constituía uma consistente manifestação dessa compaixão fundamental. Todos os fenômenos do universo existem dentro do contexto de relações de apoio mútuo, que o budismo denomina “origem dependente”. Nessa perspectiva, nada existe sem significado e nada é desperdiçado. Entrelaçando esses “fios” de interdependência, o universo produziu e alimentou a vida, inclusive a humana, neste planeta. As visões do budismo a esse respeito concordam com as da astronomia moderna, na medida em que sugerem a existência de vida ativa e inteligente em outros lugares do universo. Por esse prisma, podemos considerar o cosmos como uma forma de vida criativa, a personificação de uma compaixão inconcebivelmente vasta. Desse modo, observamos Gautama em sua derradeira jornada, que provavelmente tinha como destino seu local de nascimento, expressando reiteradamente seu senso de beleza e de alegria com a vista das vilas e verdejantes florestas ao longo do caminho. A compaixão do Buda, que percorreu vastas regiões em sua permanente busca pela paz e pela felicidade humana, reverbera o eterno ritmo da compaixão inerente à própria vida do universo. Na época atual, uma crise fulcral diante da humanidade é aquilo que poderia ser denominado perda de significado. Estamos sem respostas para perguntas essenciais, tais como: “O que é o ser humano?”; “Pelo que vivemos?”. Consumidos por nossa sede de significado, seguimos sem rumo, alienados da sociedade, da natureza e do cosmos. O budismo nos ensina que o propósito do advento da humanidade no mundo é participar ativamente dos mecanismos compassivos do universo, enriquecendo e reforçando seu dinamismo criativo à medida que desfrutamos nossa existência com plenitude. Em outras palavras, a mensagem do buda Gautama é a de que a ação compassiva — nutrindo e conduzindo todas as formas de vida à felicidade e à evolução criativa — constitui a missão que nos foi confiada pelo cosmos. Tomando consciência dessa missão e nos empenhando para cumpri-la, podemos usufruir a experiência do significado genuíno. Estou convicto de que a compreensão budista da compaixão pode servir para desenvolver uma nova cultura de simbiose pautada pelo respeito à pessoa humana e uma nova relação com a natureza — de prosperidade mútua para a humanidade e para o meio ambiente global. Além disso, estimula a ação altruística, ou prática do bodisatva, que, por si só, pode redirecionar a história humana da divisão para a união, do confronto para a harmonia, da guerra para a paz. O segundo aspecto da compaixão do buda Gautama que gostaria de analisar reside em sua admoestação para mantermos a todo momento a compostura e a confiança himalaicas. O estabelecimento de um firme e inabalável senso de identidade é a base necessária para a verdadeira compaixão. A vasta e compassiva condição de vida do Buda, direcionada para a felicidade dos seres vivos, me lembra muito os magníficos picos do Himalaia, que não se abalam diante das mais ferozes tempestades. Em um de seus ensinamentos, o Buda afirma: “Mesmo de longe, os bons se revelam como a Cordilheira do Himalaia; os perversos, ainda que próximos, são invisíveis como flechas atiradas à noite”.3 Para mim, isso demonstra que, ao conceberem o próprio ideal humano, essas montanhas colossais, com picos cobertos por um manto cintilante de neve, estavam claramente presentes na mente de Gautama. Assim como muitos pensadores apontaram, quanto maior o vigor aplicado à defesa da liberdade e da igualdade, mais fluidas e mutáveis — para o bem ou o para mal — as sociedades se tornam. Desse modo, o trabalho de consolidar um firme senso de identidade e de propósito é ainda mais crucial. Sem isso, é muito fácil se perder em comparações com os outros sem sentido e ficar preso a hábitos como inveja e animosidade. Seja qual for a época, a paz e a estabilidade das sociedades, em última análise, derivam das ações de indivíduos capazes de manter uma identidade consistente e inabalável em meio a circunstâncias mutáveis. Creio que talvez jamais tenha havido um período que demandasse isso com tanta urgência como o de agora. Portanto, sinto que a advertência de despedida do buda Gautama aos seus discípulos, “Confie em si, confie na Lei”,4 consista ao mesmo tempo numa mensagem para a humanidade, encorajando-nos a estabelecer um inabalável “eu maior” que está em fusão com o Darma cósmico. Por fim, quero discorrer sobre algumas diretrizes de ação que o buda Gautama nos ofereceu e que julgo ser expressas pela frase “busque a felicidade para si e para os outros”. Nem é preciso dizer que a maior conquista da lógica dos direitos humanos atualmente foi exigir que a dignidade do indivíduo seja respeitada. O problema dos direitos humanos, contudo, não pode ser solucionado mediante medidas institucionais apenas; ao contrário, o foco obstinado da humanidade contemporânea nos direitos pessoais nos levou a esquecer a existência dos outros. Ironicamente, isso solapa a base do nosso próprio ser. O buda Gautama descreveu a relação entre si e os outros com as seguintes palavras: As pessoas não podem encontrar nada mais precioso do que a si próprias. Igualmente, os outros também valorizam a si mesmos. Portanto, aquele que valoriza a si, a partir do conhecimento do amor próprio, abstém-se de prejudicar os outros.5 Ele reconheceu que, para os seres humanos, nada é mais importante do que a si próprios. Portanto, se formos capazes de nos colocar de verdade na situação dos outros, compreenderemos naturalmente o valor e a relevância deles. O primeiro passo para a compaixão é nos colocar no lugar dos outros, com empatia, reconhecendo a realidade da existência deles. Não creio que eu seja o único a sentir que aí se encontra, de fato, o “bom remédio” capaz de aliviar a profunda sensação de isolamento que aflige hoje a humanidade. Depois de atingir a iluminação, o Buda passou por um doloroso processo de conflito interior e de dúvida quanto a expor ou não o Darma aos outros. Ele sabia que, se o fizesse, certamente enfrentaria críticas e perseguições provenientes da incapacidade das pessoas de compreender sua mensagem. E cogitou a possibilidade de permanecer em silêncio, de desfrutar, na paz e tranquilidade, o júbilo de sua condição iluminada. De acordo com a tradição budista, Brahmadeva6 apareceu diante de Gautama e suplicou-lhe que pregasse o Darma em benefício de todas aquelas pessoas se equilibrando entre o avanço e o retrocesso, a felicidade e a tristeza, a vitória e a derrota na vida. Esse “apelo de Brahmadeva” reavivou a noção do “outro” dentro de Gautama e ocasionou o nascimento de um genuíno Buda, totalmente devotado a edificar a felicidade indestrutível para si e para os demais. Em outra parte, encontramos a afirmação: “Como todos os seres vivos estão sujeitos à doença, eu também estou doente”.7 O lamento das pessoas — suportando os sofrimentos de nascimento, envelhecimento, doença e morte — sempre ressoou nos ouvidos do buda Gautama. Sua mensagem para nós, transcendendo o tempo e o espaço, é: “Reavivam o outro dentro de vocês e, juntos, desfrutem a felicidade máxima!”. Em sua exegese sobre o Sutra do Lótus, o mestre budista do século 13, Nichiren Daishonin, nos oferece esta resposta: “Alegria consiste em compartilhar sabedoria e compaixão consigo e com os outros”.8 Essa mensagem também transmite a ideia de terceira geração dos direitos humanos ou direitos solidários, entre os quais estão o direito a uma ordem internacional pacífica e a um meio ambiente natural saudável. Estou certo de que esse humanismo solidário compõe o fator fundamental para a prosperidade geral da humanidade, concretizada mediante o desenvolvimento e o progresso das sociedades humanas ricamente diversas e únicas que adornam o nosso planeta. Cada um de vocês possui uma profunda missão. Tenho a esperança e a convicção de que, abrindo as asas da sabedoria e da compaixão, vocês se elevarão aos céus do século 21 cujos grandes atributos sejam a paz e a reverência à vida. Finalmente, como expressão do meu sincero desejo de que o futuro de vocês seja repleto de esperança, saúde e felicidade, cito um de seus poetas, Madhav Prasad Ghimire, a quem admiro imensamente. Seu poema intitula-se Juventude. Os primeiros raios de luz sobre os picos nevados, e o novo e fresco vigor brotando nos braços do herói. Lancem para o alto, ó jovens, as flechas dos novos raios. Iniciem, com seu toque, uma nova onda, e, com seus dedos, acordem o mundo para uma nova e pulsante vida!9 No topo: Presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, recebe título de doutor honorário em letras da Universidade Tribhuvan, nov. 1995. Foto: Seikyo Press Notas: 1. ASHVAGHOSHA, The Buddhacarita; ou, Atos do Buda. Tradução: E. H. Johnston. Délhi: Motilal Banarsidass Publishers, 1992. p. 27. 2. Carta para os Irmãos. In: Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 525, 2020. 3.The Dhammapada. Tradução: Narada Thera. Londres: John Murray, 1959. p. 72. 4. The Long Discourses of the Buddha [Os Longos Discursos do Buda]. Tradução: Maurice Walshe. Boston: Wisdom Publications, 1995. p. 245. 5. MASUTANI, Fumio. Budda no Kotoba. Tóquio: Kadokawa Shoten, 1988. p. 79. 6. Brahmadeva: Brahma (Bonten, em jap.). 7. The Vimalakirti Nirdesa Sutra [O Sutra Vimalakirti Nirdesa].  Tradução: Lu K’uan Yü. Berkeley: Shambala, 1972. p. 50. 8. DAISHONIN, Nichiren. Ongi Kuden.  In: Nichiren Daishonin Gosho Zenshu [Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, 1952. p. 761. 9.  GHIMIRE, Madhav Prasad. Youth [Juventude]. In: Modern Nepali Poems [Poemas Nepaleses Modernos]. Katmandu: Royal Nepal Academy, 1972. p. 229.

02/10/2023

Especial

A ação que promove os ideais do Mestre

Em 8 setembro deste ano, 2023, celebram-se os 66 anos da Declaração pela Abolição das Armas Nucleares, proferida pelo segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, em 1957. Na ocasião, ele conclamou a todos, especialmente aos jovens, a assumir o desafio de cortar as garras da maldade destrutiva do desrespeito à vida implícita nas justificativas dessas armas. A declaração é rememorada reiteradamente, desde 1983, pelo presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, ao longo das quarenta Proposta de Paz que ele enviou à Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente Ikeda também conferiu a responsabilidade da promoção da paz à Divisão dos Universitários (DUni). Ele acompanhou e treinou de perto os integrantes da divisão com o intuito de fortalecê-los com esse compromisso. Ao longo da história da DUni no Japão e no Brasil, diversas iniciativas foram tomadas visando à luta pela paz. Em vista dessa trajetória, Terceira Civilização entrevistou os líderes da Divisão dos Universitários da BSGI, Fernando Mendonça e Bruna Ikeda, para falar sobre as atuais realizações da divisão pelo país, bem como das perspectivas quanto à propagação e à conscientização da Proposta de Paz. Terceira Civilização: Historicamente, a Divisão dos Universitários têm sido a grande promotora dos ideais de paz do presidente Ikeda na esfera acadêmica. Além disso, a divisão é a grande difusora das Propostas de Paz para os membros da BSGI. Poderiam relatar algum episódio marcante dessas iniciativas da DUni? Fernando: Muito obrigado pela oportunidade! A história da Divisão dos Universitários acompanha a história do envio das Propostas de Paz pelo presidente Ikeda à ONU. Por esse fato, elas têm um grande significado para a história da divisão, cuja característica é a de unir os princípios básicos do budismo e de fazer um paralelo da doutrina budista com as várias questões que o mundo enfrenta nos dias de hoje. Por isso, a Proposta de Paz é bastante marcante para a DUni. Bruna: Dentre os episódios marcantes, destacamos as Conferências da Divisão dos Universitários realizadas em 1996 e em 2014, em Brasília, DF. O evento teve o propósito de expor temas tratados na Proposta de Paz, tais como dignidade da vida humana e a paz. Trazendo para os dias atuais, temos o Movimento Acadêmico pela Paz (MAP), no qual os membros da DUni apresentam a Proposta de Paz nos espaços acadêmicos espalhados pelo Brasil. Fernando: Particularmente, já tive a oportunidade de apresentar e de dialogar sobre a Proposta de Paz em alguns espaços, como na subprefeitura de um dos bairros da cidade de São Paulo e num espaço educacional e cultural de um Centro Educacional Unificado (CEU) também da capital paulista. Em geral, nessas ocasiões, dividimos as abordagens com especialistas de outras áreas do conhecimento. Sinto nessas oportunidades que Ikeda sensei nos capacita a dialogar sobre vastos assuntos, a partir de uma base filosófica sólida que o budismo proporciona. Bruna: No âmbito individual, a gente percebe que a Proposta de Paz é uma grande norteadora da própria vida. Sabemos de relatos de membros que escolheram o tema de seus trabalhos de conclusão de curso universitário fundamentados na leitura da proposta. Outros definiram até a sua trajetória profissional, inspirados em um desses documentos. TC: Após um período bastante desafiador para a humanidade devido aos desdobramentos da pandemia da Covid-19 e atualmente em razão de uma guerra em curso no Leste Europeu com consequências mundiais, o que vocês gostariam de transmitir aos integrantes da Divisão dos Universitários? Fernando: Então, rememorando o período em que a Declaração pela Abolição das Armas Nucleares foi exposta por Toda sensei, ela se deu num momento bastante conflituoso no âmbito da sociedade — principalmente por conta da Guerra Fria, que causava profundo temor. Dessa forma, o presidente Josei Toda fundou a Divisão dos Universitários em 1957. Alguns meses depois, ele proferiu a declaração com o sentimento de que os discípulos que o sucedessem dessem continuidade a essa luta, a qual não se limitava apenas ao âmbito da Soka Gakkai, mas a algo de importância para a própria história e preservação da humanidade. E a gente sente que esse mesmo espírito está incutido em cada uma das quarenta Propostas de Paz escritas por Ikeda sensei. O entendimento é de que essa luta tem de ser sucedida a partir dos discípulos. TC: Gostaríamos de saber quais ações a Divisão dos Universitários pretende realizar para consolidar o legado do Mestre daqui em diante. Fernando: Quando a DUni foi criada, o espírito e o sentimento do presidente Josei Toda era o de desenvolver um núcleo de jovens que, a partir do seu conhecimento e da sua atuação na sociedade, pudesse transformar a realidade caótica que o Japão enfrentava naquele período. Então, com esse mesmo sentimento, a gente consegue consolidar os ideais do presidente Ikeda quando cada universitário tiver a consciência de que aquilo que ele faz, de onde atua, das pessoas com quem convive é importante para grandes mudanças — na educação, na política, na economia etc. — e que tudo isso depende das pessoas. E a missão da divisão é justamente fortalecer os membros da DUni, para que atuem livremente na sociedade e desempenhem com excelência sua missão. TC: Como cada pessoa dentro do seu espaço de influência pode contribuir para uma solução desses grandes problemas universais que o mundo enfrenta? Bruna: O presidente Ikeda apresenta em diversos documentos o conceito de cosmopolita — ser cidadão global. Ou seja, pensar no mundo agindo no meu local de atuação, no bairro, na cidade. Nesse contexto, a nacionalidade torna-se menos importante que a contribuição que pretendemos deixar para o mundo. Quando, de fato, sou um cosmopolita, estou compartilhando com outro ser humano as tristezas, as alegrias, os sofrimentos. Em resumo, é unir as pessoas comuns, contribuindo para que elas estejam livres desses sofrimentos. Sobre ser cidadão global, podemos afirmar que vivemos na era da informação, na qual, a partir de um clique, temos acesso a pessoas de qualquer parte do mundo. Está em nossas mãos que tipo de informação vamos consumir — como podemos ir em busca de pessoas que estão passando por dificuldades e compreender nosso papel como cidadãos cosmopolitas, morando em nossa cidade, no nosso bairro. Sou moradora do interior de São Paulo e, às vezes, pode parecer que eu não consiga alcançar alguém de fora do país. Mas, conforme criamos ondas de empatia, de querer de fato transformar a realidade, de constituir esse reflexo, surge uma grande onda que pode inspirar outras pessoas também. Fernando: Exemplificando, os próprios presidentes fundadores da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda, são pessoas que nunca pisaram fora do Japão. Contudo, isso não os impediu de cultivar uma empatia para compreender o sofrimento das pessoas e proporcionar alegria a elas além da ilha japonesa. Compartilho um episódio da Nova Revolução Humana, volume 1, capítulo “Raios Benevolentes”.1 Há uma passagem que fala claramente que o presidente Josei Toda, como responsável pela edição de uma revista para o público infantil, direcionava as crianças japonesas a ter alguns cuidados com a segurança diante de um ataque aéreo, muito comum na época. Isso em pleno período da Segunda Guerra Mundial, do ultranacionalismo, em que os governos falavam claramente quem era amigo e quem era inimigo da nação. Então, justamente nesse período, Toda sensei dizia que as crianças na Inglaterra e na Rússia, países inimigos do Japão, sofriam os mesmos problemas que a guerra causava nas crianças japonesas. Esse é um pequeno exemplo de quanto os presidentes Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda, sem pisar fora do Japão, conseguiam incutir nas pessoas, nas crianças, nos jovens esse sentimento de compreender os problemas reais além das fronteiras nacionais. Acredito que isso é ser cosmopolita: cultivar essa empatia imaginativa que transcende o universo do seu conhecimento. É compreender que sua ação local onde você está hoje tem uma importância fundamental para toda a humanidade. TC: Vocês poderiam deixar uma mensagem aos leitores sobre como podem pôr em prática a Proposta de Paz e de maneira efetiva na vida cotidiana? Fernando: Sempre ressaltamos durante os encontros que, em primeiro lugar, para pormos em prática a Proposta de Paz, precisamos ler os documentos. Existe uma gama de conteúdos que resumem a proposta, mas perceber a essência dela e conversar diretamente com o presidente Ikeda somente conseguimos isso com a leitura na íntegra do documento. No entanto, não pode ser uma leitura que assusta, né? Tem de ser gradual, de maneira prazerosa. Sabemos dos desafios de ler o material inteiro. Todavia, sempre cito o autor português José Saramago, que fala com franqueza para as crianças o que, acredito, se aplica às pessoas em geral. Ele diz que as crianças [todas as pessoas] devem ler aquilo que está acima de sua compreensão imediata. E ler a Proposta de Paz é um pouco desse exercício de você se defrontar com temas que vão além, às vezes, da sua compreensão ou da sua própria realidade. Porém, esse é um exercício maravilhoso em que você pode encontrar temas de seu interesse ou temas com os quais tem mais afinidade; e é isso que temos de buscar para aprofundar nosso conhecimento. Como eu disse, a leitura desse material pode ser feita de maneira gradual. Talvez das mais recentes para as mais antigas, sempre tentando absorver a essência; qual princípio budista embasa aquela Proposta de Paz apresentada pelo Mestre. Bruna: Lembro-me de que, quando comecei a ler a proposta, a achei bastante desafiadora. Eu tinha um esquema: uma cor era para as palavras que eu precisava pesquisar, outra cor para a personalidade que eu queria conhecer, e outra para os eventos apresentados no material. Então, criei um sistema para que eu conseguisse entender todo o documento. Acredito também que um ponto importante é compreender o momento que estamos vivendo. Exemplo são as Propostas de Paz de 2021 e de 2022. Nelas, o presidente Ikeda trata sobre a pandemia, com a qual todo mundo foi diretamente afetado. Creio que todos tenham percebido que são propostas que as pessoas estavam estudando com afinco, porque, de fato, queriam entender e solucionar os sofrimentos ou mesmo ajudar nas questões das outras pessoas. Entendemos que, em todas as quarenta propostas, com certeza, haverá algum tema com a qual as pessoas se identificarão. Mas a forma de elas estudarem e compreenderem será muito individual. Esperamos que, a partir dessa individualidade, as pessoas expandam cada vez mais essas soluções e encontrem maneiras de aplicar as propostas dentro de sua realidade. TC: Fernando e Bruna, sinceros agradecimentos pelo rico diálogo. Desejamos que, a partir dele, todos nós possamos estar ainda mais conectados com os ideais de paz de Ikeda sensei. Nosso muito obrigado! *** Declaração pela Abolição das Armas Nuclares Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, tendo testemunhado os horrores da guerra, proferiu um discurso em 8 de setembro de 1957 para mais de 50 mil pessoas no estádio de Mitsuzawa, em Yokohama. Em sua Declaração pela Abolição das Armas Nucleares, ele afirmou: “Não quero que a palavra ‘sofrimento’ seja empregada para descrever o mundo, um país ou um único indivíduo”.1 Na ocasião do discurso, o presidente Josei Toda delegou aos jovens a missão de erradicar o mal e a injustiça que ameaçam toda a vida no planeta. Nota: 1. Brasil Seikyo, ed. 2.005, 26 set. 2009, p. A3. *** O Japão dos Pequenos Cidadãos Em 1940, o presidente Josei Toda lançou uma revista infantil mensal chamada O Japão dos Estudantes Primários. Posteriormente passou a ser denominada O Japão dos Pequenos Cidadãos. Apresentamos um trecho1 [citado na entrevista] da edição de março de 1941, retratando a convicção de Toda sensei de que as crianças do mundo inteiro deveriam ser protegidas das atrocidades da guerra: Quanto sofrimento e quanta dor os ataques aéreos impõem principalmente aos pequenos cidadãos da Grã-Bretanha! As notícias que ouvimos frequentemente apenas nos passam uma leve ideia da real situação que elas vivem. Nota: 1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 203, 2019. *** No topo: Representantes da Divisão dos Universitários comemoram 34 anos de fundação da divisão no Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda (São Paulo, SP, mar. 2018) Foto: BS Nota: 1. Cf. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 201-204, 2019.

02/05/2023

Especial

40 anos da Proposta de Paz do presidente Ikeda

Por muitos anos na história da humanidade, o conhecimento de cartografia foi admirado pela importância e complexidade que apresentava, e exigia-se conhecimento também para ler os mapas produzidos. Hoje em dia, mesmo os GPS (apesar de serem muito mais fáceis de usar) não terão utilidade se não forem acionados e seguidos de fato. De forma semelhante aos mapas e GPS, as Propostas de Paz do Dr. Daisaku Ikeda são documentos feitos para ser amplamente lidos e usados em diversas frentes da sociedade. Um dos estudiosos que as utiliza de várias maneiras é o decano da capela de Morehouse, Lawrence Carter PhD. Em sua obra O Pastor Batista e seu Mestre Budista, ele afirma: “Considero os livros de Daisaku Ikeda e as propostas de paz enviadas às Nações Unidas uma evolução perspicaz da filosofia de não violência de [Mahatma] Gandhi e de [Martin Luther] King”.1 E ele comenta que “King e Gandhi não exerceram tanta influência sobre as Nações Unidas quanto Ikeda”.2 Essas palavras tomam ainda mais força quando sabemos que Lawrence Carter é grande seguidor de Gandhi e de King — ou seja, mesmo com o peso de ambos para sua pesquisa e bússola moral, Carter reconhece a importância dos escritos do Dr. Ikeda pela paz e da ação de cidadãos comuns por esse objetivo. Essa reflexão ecoa a realidade de muitas pessoas mundo afora, incluindo o Brasil, que fazem a diferença em sua localidade e na sociedade, tendo como base tais documentos. Neste Especial, navegaremos pela motivação e pelo ponto de partida do Dr. Ikeda para sustentar tais escritos durante quarenta anos, curiosidades sobre eles, efeitos desses esforços no mundo e, principalmente, no Brasil, além de refletirmos juntos sobre o que isso tem a ver conosco e com nossa realidade atual. Certa vez, Josei Toda disse a Shin’ichi Yamamoto: — Para a paz da humanidade, é importante apresentar propostas concretas e agir assumindo a liderança visando a sua realização. E ele acrescentou: — Mesmo que tais propostas não sejam aceitas e realizadas de imediato, elas se tornam faíscas pelas quais se espalham as chamas da paz. Teorias abstratas são sempre vazias e fúteis. Mas propostas concretas se tornam “pilares” para sua realização e “telhados” para proteger a humanidade.3 Essa poderia ser apenas mais uma conversa entre duas pessoas, porém se tornou o ponto primordial de Daisaku Ikeda (sob o pseudônimo de Shin’ichi Yamamoto) para construir uma história de quarenta anos, em que quarenta documentos extensos foram escritos em prol da resolução dos problemas mais pungentes da humanidade a cada ano, e pelo empoderamento das pessoas comuns para o mesmo propósito. Tudo começou pelo diálogo, e tudo se amarra e volta a esse fim, como veremos neste Especial. Outro ponto essencial desses escritos é a ação. Josei Toda, mestre do Dr. Ikeda, em uma ocasião, afirmou: “Por mais preeminente que fosse uma teoria, se ela não fosse aplicada na sociedade para criar valor, ao final não passaria de um mochi (bolinho de arroz japonês) pintado numa gravura”.4 Realmente, muitas coisas, inclusive o diálogo entre mestre e discípulo que lemos no início, não passariam de reflexões bonitas impressas em papel se não houvesse alguém que as pusessem em prática abnegadamente, ano após ano. Sem dúvida, foram esforços imensos nos bastidores, em meio a diversos outros compromissos, que Daisaku Ikeda empreendeu sem cessar, conforme seu mestre havia instruído. É como um mapa ou GPS: úteis para sua finalidade, mas, quando não usados, não passam de um pedaço de papel ou de um apanhado de pixels em uma tela. Vamos conhecer um pouco mais dos detalhes dessa série de “mapas” que indicam o rumo para estabelecermos a paz mundial. Esforços contínuos em bradar pela paz Por ocasião da segunda sessão especial sobre desarmamento na Assembleia Geral das Nações Unidas de 1982, ele [Shin’ichi] apresentou a Proposta para Desarmamento e Abolição das Armas Nucleares. No dia 3 de junho, poucos dias antes do início da sessão especial, a delegação da Soka Gakkai entregou a proposta de Shin’ichi ao secretário-geral da ONU, Pérez de Cuéllar. (...) Na primeira sessão especial sobre desarmamento na Assembleia Geral das Nações Unidas, ocorrida em maio de 1978, Shin’ichi também havia apresentado uma proposta com dez itens para o desarmamento e a abolição das armas nucleares. Ele não podia fechar os olhos para essas armas de destruição em massa que continuavam ameaçando a humanidade com sua aniquilação. E, em 1983, comemorando o oitavo aniversário do Dia da SGI, em 26 de janeiro, Shin’ichi apresentou sua primeira proposta anual de paz intitulada Nova Proposta para a Paz e o Desarmamento. Nela, ele clamou pela urgente realização de uma reunião de cúpula entre Estados Unidos e União Soviética visando a um rápido acordo sobre o congelamento dos arsenais nucleares nos níveis atuais. Também propôs a criação de um “Centro de Prevenção de Guerra Nuclear” e a realização pelos Estados Unidos e pela União Soviética de uma “Conferência Internacional sobre o Congelamento de Gastos Militares”. Então, todos os anos, no Dia da SGI, Shin’ichi continuou apresentando ao mundo a Proposta de Paz comemorativa com o propósito de provocar uma nova onda de paz. A voz possui o poder de mover o coração das pessoas e de mudar a sociedade e o mundo. Um novo passo se inicia a partir da nossa fala.5 Sobre esse esforço do Dr. Ikeda, um líder religioso, em bradar pela paz do mundo e pelas resoluções dos muitos problemas e impasses mundiais, o pastor Lawrence Carter faz a seguinte reflexão: Críticos insinuam que Ikeda deveria se limitar a falar sobre o budismo e questionam por que um líder espiritual desejaria se envolver com as Nações Unidas ou despender tanto tempo estabelecendo instituições culturais ou universidades. Dão a entender que ele faz isso apenas para satisfazer as próprias ambições pessoais. Direta ou indiretamente, tais críticas tentam forçar Ikeda a se confinar ao âmbito de atividades com as quais os outros se sentem mais confortáveis e a não empregar suas crenças ou seus valores para clamar por um engajamento relevante. Ikeda, entretanto, enxerga o mundo de forma diferente, e eu também. Se reconhecermos a realidade da interdependência, então, essa perspectiva cósmica unificadora deve guiar o sistema de valor humano planetário, sobretudo se formos lidar com problemas colossais como a proteção ambiental em âmbito global.6 É com esse esforço de sair do confortável e provocar a mudança de si e dos demais que o Dr. Ikeda vem promovendo as propostas de paz — iniciadas oficialmente com o envio do documento citado à ONU, em janeiro de 1983. Nele, o Dr. Ikeda tratou de temas como o protagonismo do povo, a construção de foros pela paz, as decisões corajosas e necessárias de líderes em prol do desarmamento, o papel dos jovens na construção de um século de paz (e a importância de todos garantirem que os jovens não passem pelos horrores da guerra), a confiança mútua e, no final, ele registra seu compromisso pessoal em desafiar a tarefa de construir a paz e promover uma onda de crescente “vitória do povo”. Em português, essa proposta foi publicada na Terceira Civilização, em julho do mesmo ano (1983), na edição que marcou os quinze anos de existência da revista. São dez páginas de um especial com fotos em branco e preto de momentos ocorridos dentro e fora da organização (SGI), incluindo atividades da BSGI. Importante verificar que os temas desarmamento, protagonismo do povo, papel dos jovens e construção da paz por meio dos esforços de cada pessoa (seja cidadãos comuns, seja líderes) são constantes ao longo das quatro décadas, como linhas que perpassam e unem os diversos documentos, incluindo os dos últimos dez anos (2012-2022). Aliás, as dez últimas propostas7 têm como diferencial a abordagem, além das análises de temas de importância mundial, de tópicos centrados no ser humano, como solidariedade, empatia, esperança para criar valor, criatividade na resolução de crises, inclusão, direitos humanos e o papel transformador da educação nos mais diferentes contextos e possibilidades e, perpassando todos eles, estão o diálogo e a dignidade da vida. São também dezenas de personalidades mundiais citadas em cada proposta, sendo Josei Toda, Arnold J. Toynbee, Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela figuras recorrentes. E, apesar de ser um documento voltado para a sociedade civil, o Dr. Ikeda faz questão de incluir neles, com maestria e clareza, princípios budistas como a “torre de tesouro” e os “quatro sofrimentos”; personagens como rei Ajatashatru; sutras como Vimalakirti; o termo “nacionalismo global” cunhado por Josei Toda; escritos de Nichiren Daishonin, por exemplo, o tratado Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra, que o Dr. Ikeda habilmente relaciona com fatos observados mundialmente, desde a Primavera Árabe, inúmeros desastres naturais, crises humanitárias e a mais recente pandemia da Covid-19. Esses e demais pontos não encerram em si mesmos nem são apenas citações de pessoas, fatos ou conceitos, mas verdadeiros tratados práticos para direcionar ações tanto de líderes como de pessoas comuns. Felizmente, em várias partes do mundo, da Ásia à América, há indivíduos que assumiram para si esse legado, e se levantaram para fazer a diferença em distintos níveis da sociedade. Propostas de paz postas em prática Ao longo dessas quatro décadas, pessoas ao redor do mundo, com o mesmo espírito de pôr em prática as propostas de paz do Dr. Ikeda, empreenderam esforços direcionados que, com o tempo, se transformaram em projetos e ações de diversas naturezas. Naturalmente, os movimentos em prol da paz tomaram forma de acordo com a necessidade e a realidade de cada local. Hoje, encontramos atividades em frentes como a participação da SGI e da Universidade Soka na conferência internacional em formato híbrido, onde especialistas de diversos setores compartilharam suas perspectivas sobre a Cúpula do G7 em Hiroshima;8 realização de palestras on-line (a de mulheres da Bolívia reuniu quinhentos participantes em outubro de 2022);9 ações sociais, como a recentemente realizada em São Sebastião, Brasil;10 conteúdos em plataformas interativas, por exemplo, a exposição virtual interativa Sementes da Esperança e da Ação promovida pelo Instituto Soka Amazônia, com tradução em português, inglês e espanhol;11 e podcasts como o lançado recente sobre a não violência e a ONU, em inglês;12 um portal sobre a abolição das armas nucleares com as exposições ao longo dos anos;13 além de sites de recursos a exemplo do que oferece materiais e direcionamentos para implementação da educação em direitos humanos14 e de redução de riscos de desastres.15 Cada uma dessas ações foi desenvolvida em diferentes países e continentes, e ainda assim todas seguem em consonância com o brado do Mestre, o que as tornam consoantes e partes de uma única rede de educação, humanitarismo e esperança mundiais — como um grande mapa-múndi. Nelas, podemos encontrar trechos que corroboram e inspiram tais esforços, como os destacados a seguir: A convicção de trabalhar “com” cria um ciclo autossustentado para recuperar o empoderamento do qual tenho falado. Este processo, conduzido pelo próprio povo, dissipa a escuridão do desespero e faz surgir no horizonte um sol de esperança.16 A filosofia budista afirma que a humanidade pode avançar, um passo de cada vez, pelo constante empenho de nos inspirarmos uns aos outros e compreendermos que, assim como o despertar de Shakyamuni provocou o despertar de seus discípulos, aquilo que é possível a uma só pessoa é possível a todas. Esta é a base filosófica da SGI na área da educação dos direitos humanos, ênfase ao processo que torna o indivíduo capaz de liderança para o bem dos outros.17 O que nos é concedido e nos compete, na nossa circunstância, é dar à história, com os nossos próprios esforços, um desfecho novo e sem precedentes. A educação é a principal fonte de empoderamento que capacita as pessoas a abraçar este desafio.18 Interessante notar que todas as iniciativas citadas (e outras mais), alicerçadas no sentimento do Mestre, possuem a intenção de oferecer algo à população, seja ajuda imediata diante de um grande desastre, seja conteúdos ricos para direcionar ações locais, espaços de diálogo e representatividade dentro de grandes fóruns. Esse é um dos sentimentos base do Dr. Ikeda ao oferecer a cada um de nós as propostas de paz, que instigam a “centelha da ação” em nossa vida, apesar da dificuldade que a ação em prol da paz possa apresentar. Assim como ele mesmo coloca: “O caminho é longo, mas precisamos continuar. Essa ação tenaz e perseverante expande as ondas concretas da paz no mundo”.19 Outro ponto de destaque desses materiais e dessas iniciativas é sua internacionalização, ou seja, o cuidado em construir recursos que sirvam às mais distintas nações e realidades específicas, sendo essa uma característica das ações da SGI em si — servir ao ser humano, independentemente de sua origem —, alicerçada no ensinamento budista de prezar ao máximo pela dignidade da vida sem qualquer distinção. Como vimos, o Brasil não fica de fora desse movimento, inclusive é um dos países que mais promovem ações para esse fim. Exemplos são, além da ação social e da exposição interativa já citadas, desde o histórico de décadas de exposições em diferentes locais do país, de universidades como a USP e a UFPE,20 até espaços públicos como teatros em São Paulo21 — nesse sentido, a Divisão dos Universitários (DUni) tem papel muito importante na organização dessas iniciativas para levar a proposta de paz à sociedade.22 Dentro da organização também vemos a realização de palestras e de diálogos em torno da Proposta de Paz, mesmo durante a pandemia da Covid-19, como a realizada pelos jovens da RM Norte Catarinense (CRE Sul, CGRE) e da Sub. Norte (CNSP) no dia 11 de setembro de 2021,23 além dos diálogos promovidos de forma on-line pelo CEduc.24 São diversas frentes de atuação, e todas consideram, acima de tudo, tanto a exposição teórica como a promoção do diálogo, estando assim em consonância com o ponto primordial das propostas em si. Até aqui vimos as motivações e ações promovidas. Falta, então, sabermos qual o impacto real dessas ações na sociedade e na vida de brasileiros. Para esclarecer esse ponto com propriedade, convidamos quatro influentes pensadores e estudiosos brasileiros, que teceram ricas reflexões e contribuições. Dra. Margareth Diniz Professora Titular da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) pesquisadora do CNPq ex-reitora da UFPB (2012-2020) A temática da educação, no discurso e bandeira do Dr. Daisaku Ikeda, por quase todo o planeta, nos inspira na perspectiva sustentável no contexto de desafio global, para o estabelecimento dos chamados “diálogos humanísticos” e crescimento do ser humano. Foi através do Sistema Educacional Soka, que tem como objetivo o desenvolvimento holístico dos estudantes, pelos intercâmbios dos saberes que a SGI chegou ao Brasil e aqui desenvolvem projetos e atividades que objetivam o resgate de pessoas, do analfabetismo cultural, pela aplicação de técnicas de leitura e compreensão de textos, aprimoramento da expressão e comunicação pela fala, escrita e corpo. Como professora universitária e conhecedora das propostas disseminadas pelo Dr. Daisaku Ikeda, e na orientação humanística de nossa universidade que proporciona educação, ciências, artes e tecnologia, visando a uma humanidade melhor, é que estabelecemos diariamente a sintonia plena com “a bandeira da cidadania mundial, do espírito de tolerância e do respeito aos direitos humanos” levantada pelo Dr. Ikeda. Reafirmamos o compromisso, por onde passamos na vida cotidiana, em casa, no trabalho, nas viagens, de promover a educação de qualidade, mas sobretudo de gerar reflexão e transformar vidas que a nossa vida pode alcançar. Promovendo ideais de paz, cultura e educação, levantando a bandeira difundida pelo Dr. Daisaku Ikeda, da mais admirável revolução que possa existir: revolução humana de cada indivíduo... aquela que leva a pessoa a perceber a preciosidade da sua vida e de todos os que o cercam, dedicando-se a partir daí a criar uma existência de suprema harmonia e respeito, onde quer que esteja, não obstante as circunstâncias do nosso país em desenvolvimento, com muitos problemas sociais, de fome, de falta de emprego e de oportunidades igualitárias entre os mais de 200 milhões de habitantes. Estamos muito empenhados em difundir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas que se retratam nas propostas amplamente vivenciadas e disseminadas pelo Dr. Daisaku Ikeda. Prof. Jhonatan Almada Diretor do Centro de Inovação e Conhecimento para a Excelência em Políticas Públicas e professor da faculdade Santa Luzia (Maranhão) A proposta que mais me chamou a atenção foi a de 2022, denominada Transformar a História Humana com a Luz da Paz e da Dignidade.25 Especialmente no capítulo que trata da educação em que o Dr. Daisaku Ikeda defende a necessidade de um ambiente de aprendizado saudável para as crianças. No Brasil, temos nos indignado com a violência contra as escolas, fruto e consequência da disseminação do discurso de ódio. Tenho me empenhado junto com os membros da Campanha Nacional pelo Direito à Educação em construir propostas para que a escola seja novamente um lugar seguro e de bem-estar. A pandemia, como bem ressaltou Ikeda, nos tirou o sentido da esperança. Por outro lado, os esforços globais para que a educação não parasse e a criação de vacinas em tempo recorde nos devolveu essa esperança na capacidade humana de sobranceria, isto é, nos sobrepor, enfrentar e superar os nossos problemas. Mais do que nunca precisamos pensar e agir para o aprendizado, o crescimento e a felicidade de todas as nossas crianças e jovens. A sociedade brasileira vive uma forte polarização. O mundo também. É preciso caminhar para um entendimento comum que venha pela cultura de paz, mas ela só é possível com justiça social, pois vivemos imersos em grande desigualdade de riqueza, conhecimento e poder. O solo da desigualdade é árido. Daí só brota guerra. Cada um de nós e todos nós em coletivo precisamos ser trabalhadores da paz. Assim como o poeta Bandeira Tribuzi, acredito que, se tivermos uma pequena semente de sonho e um sol como história, faremos florescer nosso pão de vitória. O pão da vitória é a paz. Luanda Moraes Ex-reitora da UEZO (RJ) e Professora Associada Superintendente de Unidades Estratégicas da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) As publicações das propostas de paz do Dr. Ikeda ampliavam a minha visão de mundo e me encorajavam a fazer diferente, enquanto jovem universitária, diante dos desafios no curso de engenharia e aqueles impostos pela sociedade brasileira e cheia de preconceitos e práticas intolerantes. A proposta de 2016, traz uma passagem que considero fundamental para a saúde das relações humanas, institucionais, planetária, que diz: “Somente o conflito e a tensão não tornam o diálogo impossível. O que ergue barreiras entre nós é a disposição de permanecer ignorantes em relação aos outros. Por isso o diálogo é decisivo. Tudo começa com ele”.26 As propostas de paz do Dr. Ikeda fazem parte dos meus discursos, diálogos e para as minhas reflexões pessoais. Elas são as minhas principais referências bibliográficas, referências para todos os aspectos da minha vida. Costumo não apenas lê-las, como também compartilhar os textos com amigos não budistas e membros da SGI. Entendo que, enquanto cidadã, praticante do Budismo Nichiren e consumista das propostas de paz do Dr. Ikeda, ao aplicá-las na minha vida, fazendo de seus princípios norteadores as minhas ações, idealizações dos meus projetos de pesquisa na universidade, estarei contribuindo para disseminar o humanismo Soka e os ideais do Dr. Ikeda. Todas as edições já publicadas representam um acervo da paz para a sociedade mundial. Dr. Cícero Sandroni Revisor das últimas propostas de paz, membro da Academia Brasileira de Letras (São Paulo) Participei como ouvinte do encontro do Dr. Austregésilo de Athayde, presidente da Academia Brasileira de Letras, com o Dr. Ikeda (em 1993) e fiquei interessadíssimo nas ideias deste e procurei conhecer mais sobre a sua filosofia pacifista. O que me impressionou foi o âmbito universal em que as ideias se expandem. Não se trata de acordo entre dois países ou um continente com outro, ou até uma região do globo e outra. Trata-se de filosofia universal. A sociedade brasileira ainda se ressente dos problemas de desenvolvimento e do analfabetismo. Mas somos um país por índole pacifista. E nossa política externa baseia-se no princípio de discutir todos os problemas internacionais sempre à procura, antes de tudo, de uma solução de paz. Este tem sido, no correr da história, o caminho que trilhamos. *** Podemos observar, de forma imediata, a inspiração pela ação que as propostas de paz instilam em cada pessoa, independentemente da sua área de atuação ou do contexto de vida. O sentimento do Mestre pela união e pela paz está tão enraizado em cada palavra escrita ao longo dos últimos quarenta anos que naturalmente evidenciam o mesmo em seus leitores. Por essa razão, nós o convidamos a tomar parte desse movimento: aproveitar este momento significativo, escolher um ano e um trecho das propostas de paz e submergir na leitura. Com certeza, você voltará à tona não só encharcado pela sabedoria do Dr. Ikeda, mas com a refrescante decisão por fazer a diferença em sua realidade, assim como cada pessoa e projeto que vimos aqui. E, ao usar a proposta escolhida como mapa, certamente trilhará o caminho do diálogo em prol da dignidade da vida e da construção da paz, e fará parte ativamente da onda de crescente “vitória do povo” e do humanismo que o mundo tanto necessita. O que tudo isso tem a ver comigo? Por vezes, imersos em nossas questões imediatas e diárias, podemos ver as propostas de paz, as ações decorrentes delas e até as pessoas envolvidas como distantes da nossa realidade. Porém, quando nos dedicamos à leitura e à compreensão dos documentos em profundidade, nós os entendemos como o verdadeiro mapa que são, cujo objetivo não é somente mostrar o caminho para um futuro mais sustentável e de esperança, focado na ação de cada um, mas também de cada um se empoderar, reconhecer que “Eu sou a proposta de paz” e agir a partir disso. O que isso significa na prática? Significa dedicar-se ao estudo das propostas conforme a sua realidade, no ritmo e com o foco que mais fizer sentido para você, e eleger algum ponto que toque o coração e possa pôr em prática em sua vida, seja por meio de ações diárias, de diálogos na organização de base da BSGI, visando à conscientização dos companheiros, ou de projetos estruturados que façam essa diferença. Em consonância com o sentimento da primeira proposta, presente em todas as demais 39, é nosso o compromisso de desafiar a tarefa de construir a paz e promover uma onda de crescente “vitória do povo”, fazendo de nossas ações a perpetuação do legado do Mestre em nome da paz no mundo e do triunfo da dignidade da vida. No topo: Dr. Daisaku Ikeda discursa durante a fundação da Soka Gakkai Internacional, organização não governamental filiada a ONU, a qual promove atividades em prol da paz (Guam, Oceano Pacífico, jan. 1975) Foto: Seikyo Press Notas: 1. CARTER, Lawrence. O Pastor Batista e seu Mestre Budista. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 33. 2. Ibidem, p. 157. 3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-II, p. 169, 2022. 4. Idem, Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 40, 2022. 5. Ibidem, v. 30-II, p. 169-170. 6. CARTER, Lawrence. O Pastor Batista e seu Mestre Budista. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 225. 7. Documentos disponíveis na íntegra no site da EBS: https://www.brasilseikyo.com.br/nossa-filosofia/daisaku-ikeda/proposta-de-paz 8. Disponível em: https://sgi-peace.org/latest/advancing-security-and-sustainability-at-the-g7-hiroshima-summit. Acesso em: 18 abr. 2023. 9. Disponível em: https://sgi-peace.org/latest/sgi-womens-peace-committee-in-bolivia-promotes-sustainability. Acesso em: 18 abr. 2023. 10. Disponível em: https://brasilseikyo.com.br/central-de-noticias/noticia/999561346. Acesso em: 18 abr. 2023. 11. Disponível em: https://brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/2601/artigo/sementes-da-esperanca-e-acao/999560274. Acesso em: 18 abr. 2023. 12. Disponível em: https://sgi-peace.org/latest/a-new-podcast-explores-nonviolence-and-the-united-nations. Acesso em: 18 abr. 2023. 13. Disponível em: https://sgi-peace.org/latest/the-continued-work-of-sgis-peoples-decade-campaign. Acesso em: 18 abr. 2023. 14. Disponível em: https://www.power-humanrights-education.org/. Acesso em: 18 abr. 2023. 15. Disponível em: https://sgi-peace.org/latest/with-feedback-from-civil-society-sgi-works-to-improve-japans-policies-on-drr. Acesso em: 18 abr. 2023. 16. Terceira Civilização, ed. 513, maio 2011, p. 16. 17. Terceira Civilização, ed. 537, maio 2013, p. 16. 18. Idem, ed. 549, maio 2014, p. 26. 19. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-II, p. 171, 2022. 20. Brasil Seikyo, ed. 2.440, 20 out. 2018, p. A8. 21. Idem, ed. 2.420, 19 maio 2018, p. A8. 22. Leia a entrevista com os líderes da Divisão dos Universitários (DUni) na página 26 desta edição. 23. Disponível em: https://brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/2581/artigo/proposta-de-paz/999559799. Acesso em: 18 abr. 2023. 24. Disponível em: https://brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/2592/artigo/sabedoria-coragem-e-compaixao/999560093. Acesso em: 18 abr. 2023. 25. Terceira Civilização, ed. 645, maio 2022, p. 16-61. 26. Idem, ed. 573, maio 2016, p. 18.

02/05/2023

Encarte Especial

Nova Revolução Humana em fotos

Em 1o de novembro [1995], Shin’ichi se encontrou com o rei Birendra, do Nepal, no palácio real em Katmandu. No dia 2, participou como principal convidado da formatura da Universidade Tribhuvan do Nepal realizada no Centro Internacional de Convenções naquela cidade. E ali proferiu uma palestra comemorativa intitulada “Homenagem ao Sagarmatha do Humanismo: As Lições Vivas do Gautama Buda”. Na palestra, ele discorreu sobre o legado espiritual de Shakyamuni, o grande mestre da humanidade, a partir de duas perspectivas: “a grande luz de sabedoria” e “o grande oceano de compaixão”. Ele enfatizou que a rede de solidariedade humanística que ora pela felicidade de si e de outras pessoas será a força para edificar a prosperidade de seu respectivo país e iluminar o glorioso futuro de toda a humanidade. Ele também manifestou sua expectativa pelos estudantes graduados, possuidores de profunda missão como líderes da próxima geração, para que voem majestosamente como a grande fênix rumo ao século 21 de paz e de respeito à dignidade da vida, estendendo as asas da sabedoria e da compaixão. (Nova Revolução Humana, v. 30-II, p. 313-314) Foto: Seikyo Press / Ilustração: Kenichiro Uchida No topo: Presidente Ikeda discursa para formandos da Universidade Tribhuvan (Katmandu, Nepal, nov. 1995). Foto: Seikyo Press

01/12/2022

Capa

Reconfigure seu mapa de memórias rumo à plenitude da vida

Somos o resultado de boa parte das nossas lembranças, seja no âmbito individual, seja no coletivo. Nossa identidade se influencia pelas recordações que nutrimos desde pequenos, dando sentido e direção aos atos cotidianos: “Elas nos ajudam a compreender o mundo e moldam nossa visão. São aquilo que nós lembramos e aquilo que queremos esquecer”, explica Ângela Wyse, neurologista e poetisa, sobre a rede única e tão importante para cada pessoa, um de seus objetos de estudo como professora do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).1 Porém, do ponto de vista científico, ao contrário do que poderíamos imaginar a princípio, as memórias não são fixas. Elas estão em constante mutação, e são influenciadas pelo que vivemos a cada dia.2 Ou seja, é um caminho de dupla intervenção (as memórias na vida, e a vida nas memórias). Diante disso, podemos nos questionar: “Como lidar com algo que faz parte de nós e, ao mesmo tempo, não é confiável como poderíamos imaginar?”. Felizmente, existe um caminho que nos permite “reconfigurar nosso ‘mapa de memórias’”, ressignificando-as, e usar todas elas de forma positiva, independentemente de sua origem e natureza. Ao longo destas páginas, vamos compreender os caminhos para isso, não só visando conduzir uma vida plena, mas também inspirar pessoas que estejam buscando esse processo. O mapa não é fixo Estudos indicam que o desenvolvimento do cérebro de uma pessoa começa na gestação, segue na infância e na adolescência, e tem sua maturação biológica na fase adulta, por volta dos 25 anos.3 É nessa “caixa”, em uma rede de neurônios extremamente complexa, que as recordações se fixam, às quais às vezes são descartadas e outras vezes passam por uma metamorfose. Sabe aquela sensação que muitas vezes experimentamos, da certeza de já termos visitado certo lugar até nos darmos conta de que jamais pusemos os pés lá? Dizem os especialistas que o cérebro é capaz de gravar uma situação, sem que ela tenha ocorrido de fato, e armazená-la junto com as memórias verdadeiras — tal situação pode ter sido contada por outra pessoa ou simplesmente imaginada. Alerta: nem tudo o que lembramos é verdade. Entretanto, antes de entendermos como lidar com isso, vamos nos aprofundar um pouco no processo de formação das memórias.4 No livro Desvendando os Mistérios da Vida e da Morte, encontramos uma concepção do neurocirurgião canadense Wilder Penfield, que realizou experimentos abrangentes durante as décadas de 1930 e 1940, contribuindo grandemente para compreendermos como a informação que o cérebro recebe através dos órgãos dos sentidos é processada. O mais interessante sobre as suas experiências é a conclusão de que, na medida em que o cérebro é o computador do corpo, a mente é sua programadora.5 Ou seja, não apenas recebemos informações, mas as reordenamos e damos significados a elas. Portanto, um mesmo fato pode ser visto, sentido e vivido de formas distintas por indivíduos diferentes. Os pensamentos, componentes essenciais desse processo, trabalham os estímulos recebidos de acordo com memórias relacionadas, criam a teia da vida e moldam nossa identidade humana. Muito antes de a ciência decifrar essa dinâmica, a filosofia milenar do budismo se debruçou sobre esse processo e propôs caminhos não só para o seu entendimento, como também para lidarmos de forma elevada com ele. No escrito A Iluminação das Mulheres, o buda Nichiren Daishonin elucida: “Os textos dos sutras6 nos dizem que uma única pessoa, no decorrer de um único dia, tem oito milhões e quatro mil pensamentos. E todos esses vários pensamentos produzem um carma que levará ao renascimento nos três maus caminhos”.7 Positivos ou negativos, os milhões de pensamentos vão moldando, momento a momento, a forma com a qual vivemos e nos relacionamos com o mundo — e assim construímos o que o budismo chama de carma, o qual nada mais é que o resultado de pensamentos, palavras e ações a cada instante em nosso cotidiano. Nesse trecho, Nichiren Daishonin também expõe quão comum para o ser humano é agir de forma negativa, criar efeitos negativos e sofrer com eles. Daishonin também questiona: “[Então,] que prática deve ser realizada para se libertar dos sofrimentos de nascimento e morte? Simplesmente a prática da Lei maravilhosa do veículo único”8, ou seja, a recitação do Nam-myoho-renge-kyo. O Budismo Nichiren, a filosofia da esperança, esclarece os pontos da essência da transformação do carma. Vamos entender melhor essa dinâmica a partir de um exemplo real, uma vida que transformou desesperança em fonte renovada de humanismo para a sociedade. Viver por um ideal Nascido de família humilde, ele foi abandonado pelos pais antes que completasse os 3 anos. A mãe o reencontrou e tentou suicídio, jogando-se ao mar com ele. Felizmente, os dois foram salvos a tempo e o menino passou a ser criado por um tio, Zendayu Makiguchi, de quem adotou o nome. Aos 30 anos, já casado e trabalhando como professor, sofreu oposição ao seu método de ensino. Assistiu à morte de quatro filhos. Se tivesse uma índole fraca, muito provavelmente o dono dessa biografia teria sucumbido em meio aos sofrimentos e se entregado às memórias negativas, constantemente estimuladas pelos acontecimentos de sua vida. Porém, estamos falando de Tsunesaburo Makiguchi,9 pai da pedagogia Soka, que, ao descobrir as raízes do budismo, encontrou o alento que se somou à sua forte crença no poder da educação como forma de ver crianças felizes — desenhando um futuro bem diferente do que tivera na infância. Com esse sentimento, o ideal da “teoria da criação de valor” se sedimentou, cada vez mais solidamente, apoiado pelo discípulo Josei Toda, que o acompanharia em seu intento. Ambos viveram por esse grandioso objetivo, seguindo juntos também para a prisão, que ceifou de Makiguchi o direito de ver sua obra se materializar. Com isso, depois de tanta luta, os ideais de Makiguchi poderiam ter ficado apenas como simples recordações em páginas de livros. No entanto, o sonho de ver edificado o sistema pedagógico baseado na criação de valor foi herdado por seu sucessor, Josei Toda, que, após sair da prisão, reconstruiu a Soka Gakkai, tornando-se seu segundo presidente. No encontro dele com um jovem discípulo, o legado foi novamente transmitido. E foi pelas mãos de Daisaku Ikeda, hoje presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), que a materialização do objetivo dos mestres Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda ganharam vida. Essa herança por si só é grandiosa. Mas, além dela, podemos encontrar outro ponto em comum entre Makiguchi, o idealizador, e Ikeda, que concretizou tal feito. Num episódio destacado por Ikeda sensei, encontramos recordações de sua infância, adornadas de novo significado ao serem coloridas com as expectativas e os sonhos dos mestres predecessores: Amo cerejeiras. Durante os dias obscuros da Segunda Guerra Mundial, quando eu ainda era garotinho, muitas cerejeiras eram cortadas para se tornar combustível ou terminavam em chamas nos bombardeios aéreos. Vendo isso, sonhei em plantar cerejeiras em todas as estações de trem do Japão para que suas flores abrilhantassem o coração das pessoas. Quando fiquei mais velho, plantei cerejeiras em vários lugares. Recordo-me especialmente de plantá-las junto com cem membros, incluindo integrantes da DE-Futuro, em maio de 1967, no local em que tinha planejado para o campus da Universidade Soka do Japão. Nenhum prédio havia sido construído, porém, juntos plantamos mais de 16 mil árvores e arbustos diferentes, incluindo cerejeiras, pessegueiros e azaleias.10 Desde 1967, ano da fundação da rede de escolas Soka, tal qual o sonho de Makiguchi, o sistema de ensino humanístico vem abraçando crianças e jovens no Japão e no mundo, estimulados a evidenciar seu ilimitado potencial, sob a égide de “ser feliz enquanto estuda”. Até hoje, os visitantes que se dirigem à Universidade Soka do Japão, por ocasião do início das aulas, em abril, desfrutam a bela paisagem das cerejeiras em flor, símbolo revigorante de memórias consolidadas em ação pelo futuro. Ao imaginarmos a cena das pétalas de cerejeira caindo nas ruas do campus, podemos questionar o que esses exemplos nos ensinam em termos de lidar de forma sublime com nossas memórias. Ressignificar memórias No exemplo dos Mestres Soka, é possível extrair uma inspiração elevada para avaliar “Como estão a minha mente e a minha vida neste momento?”. Porém, apenas a contemplação não é suficiente. Para que não nos tornemos reféns dos pensamentos negativos e das ilusões, o Budismo Nichiren revela que “a verdadeira iluminação — substituir ilusões que distorcem a realidade pela sabedoria para perceber a verdadeira realidade — é a maneira de nos emanciparmos do sofrimento”.11 Conseguimos avançar nesse entendimento por meio do conceito da purificação da mente: No capítulo 19, “Os Benefícios do Mestre da Lei”, do Sutra do Lótus, consta que um dos benefícios por defender o Sutra do Lótus é a purificação dos seis órgãos sensoriais — dos olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente. O benefício da purificação da mente significa que nossos pensamentos e palavras não divergirão da realidade; isto é, concordarão com o budismo. Pode-se dizer que esse benefício também deriva de um modo de vida embasado no princípio de que “budismo é vitória ou derrota”.12 De forma prática, esse modo de vida é conquistado por dois processos correlatos: o da recitação do Nam-myoho-renge-kyo, revelado por Nichiren Daishonin no século 13, que carrega nossa vida de energia revitalizadora, capaz de compreender tudo em sua essência e não mais por vieses de pensamentos ou memórias duvidosas; e o da decisão de vencer diante das circunstâncias que se apresentarem. Vamos explorá-los. Quando praticada diariamente, a recitação do daimoku estimula o processo de reconhecer o potencial de iluminação inato na própria vida e na vida de todas as pessoas. Ao enxergarmos a existência em sua totalidade, incluindo melhor compreensão das nossas relações, do nosso passado e das nossas memórias, com renovada energia e disposição, conseguimos selar a decisão profunda de superar os obstáculos que antes nos faziam sofrer. Assim, naturalmente, nós nos tornamos exemplos de superação, inspirando e ensinando aos outros o caminho para que eles também alcancem essa elevada condição — processo chamado “revolução humana”. Esse processo é justamente o de iluminar a melancolia do passado, as incertezas do futuro e o caos do presente, tendo como ponto central a decisão do agora. Esse é um exercício que reconfigura o mapa da vida, até então permeado de crenças muitas vezes irreais e de inseguranças. A partir desse momento, construímos memórias renovadas de força e de sabedoria. Pois, mesmo que o passado seja incerto ou até negativo, o futuro não precisa ser assim. O budismo nos mostra os caminhos práticos para tomarmos nas mãos as rédeas da nossa vida, abraçando o nobre propósito da felicidade de si e do outro, sem nos distanciar de nossas deci- sões, ideais e objetivos. Nossa mente é facilmente abalada pelas influências externas e é capaz de mudar a uma velocidade espantosa. Não há nada menos confiável que a mente. Por isso, é tão importante cumprir um objetivo. Os que são fiéis a um compromisso e se esforçam para cumpri-lo são autênticos, fortes e têm a capacidade de desfrutar uma existência de profunda satisfação e plenitude.13 É também pelo ensinamento budista que aprendemos a encontrar o tempo certo para fazer cada decisão florescer. O pensamento e a ação no “agora” (niji, em japonês) são o ponto de partida. O “agora” une o passado e o futuro eternos, é o momento de transformação de causas e efeitos — portanto, não há momento mais precioso. Com essa consciência, a mente direciona a vida para o sentido que determinamos, como diz o Mestre: Nossa atitude muda tudo. Esse é um dos grandes prodígios da vida e, ao mesmo tempo, uma realidade incontestável. Há um provérbio que diz: “Não te queixes porque a roseira tem espinhos; alegra-te porque o espinheiro tem rosas”. Nossa percepção se altera dependendo de nossa perspectiva, tornando-se luminosa, bela e expansiva. A mente concentrada da fé no Gohonzon possui poder e funções que são realmente imensos e extraordinários. Quando o motor fundamental de nossa “mente” — nossa postura interior; ou determinação — começa a funcionar, e as engrenagens de todos os fenômenos dos três mil mundos são colocadas em movimento, tudo começa a mudar. Movemos tudo para uma direção radiante e positiva. Quando envoltos pela grandiosa condição de vida do estado de buda, nós próprios, bem como as pessoas que nos cercam e o lugar onde vivemos, irradiamos a luz da felicidade e da esperança. Esse é o poder do Nam-myoho-renge-kyo dos “três mil mundos num único momento da vida” na prática. Assim opera o princípio budista da transformação dinâmica.14 Com isso, nós nos tornamos capazes de não só dar novas cores e significados às memórias que temos, reconfigurando esse “mapa” positivamente e usando-o como base de nossa determinação, mas também de transformar o ambiente em que estamos inseridos a partir da nossa mudança interior. Dessa maneira, mostramos que é possível atingir a plenitude da nossa vida ao trilharmos essa jornada dinâmica ao lado do Mestre e junto com os companheiros da organização, abrindo novos caminhos de esperança para a sociedade. Decidir e agir A ciência evidencia cada vez mais a sabedoria milenar do budismo, que trata da importância da formação das memórias, direcionadoras do nosso modo de ver e agir diante da vida. A principal certeza para nós, membros da Soka Gakkai, é que, com a prática da recitação do Nam-myoho-renge-kyo, somos capazes de iluminar os cantos escuros da mente, transformando pensamentos negativos e ressignificando memórias em prol de um futuro melhor para todos. Esse é o benefício da “purificação da mente” elucidado nos ensinamentos do Buda. E é o exemplo da jornada de vida dos Mestres Soka, que nos mostram caminhos ultrapassados por eles e que servem de guias para transformarmos não só a nós próprios, mas também o ambiente em que estamos inseridos. Se somos o resultado das nossas memórias, de início um tanto caóticas, vamos analisá-las, principalmente as que nos trazem sofrimento ou que nos apequenam. Então, vamos buscar ressignificá-las por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo e decidir ver nossa vida de outro ângulo, enxergando a nós mesmos de maneira ainda mais elevada, convictos de que somos dignos do mais alto respeito, da felicidade e das vitórias. Conforme diz Ikeda sensei, “A determinação mental da pessoa define a sua vida”.15 Num efeito de pedra lançada ao oceano, vamos decidir e agir juntos a fim de irradiar a filosofia da esperança para a sociedade, e ensinar o processo de “reconfiguração de rota mental” a todos os que se dispuserem a nos acompanhar nessa trajetória. No topo: Representantes do Brasil dançam, felizes, durante atividade da Soka Gakkai (Japão, jan. 2020). Foto: Seikyo Press. Notas: 1. Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/reportagens-especiais/como-funciona-a-memoria-como-melhorar-a-memoria-e-como-criamos-lembrancas/#cover. Acesso em: 27 set. 2022. 2. Ibidem. 3. Disponível em: https://g1.globo.com/podcast/escuta-que- -o-filho-e-teu/noticia/2022/06/02/o-cerebro-so-esta-comple- tamente-formado-por-volta-dos-25-anos-explica-pedagoga- -maya-eigenmann.ghtml. Acesso em: 27 set. 2022. 4. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/como-nascem-as-memorias-falsas/. Acesso em: 27 set. 2022. 5. IKEDA, Daisaku. Desvendando os Mistérios da Vida e da Morte. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2018. p. 150. 6. Fonte desconhecida, mas uma afirmação semelhante consta em Coletânea de Ensaios sobre o Mundo da Paz e do Deleite. 7. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Brasil Seikyo, v. II, p. 725, 2019. 8. Ibidem. 9.  Brasil Seikyo, ed. 2.325, 28 maio. 2016, p. A3. 10.  RDez, ed. 218, fev. 2020, p. 12-14. 11.  IKEDA Daisaku. Desvendando os Mistérios da Vida e da Morte. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. p. 163. 12.  Brasil Seikyo, ed. 1.989, 30 maio 2009, p. A8. 13.  Idem, ed. 1.904, 18 ago. 2007, p. A2. 14. IKEDA, Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz. Parte 1: “A Felicidade”, 2022. p. 159. 15. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-II, p. 289, 2022.

01/11/2022

Especial

Esperança que Constrói — parte 4

Gostaria de compartilhar um episódio da vida de Inazo Nitobe, educador e pioneiro da amizade nipo-americana do período Meiji. Ao discutir sobre religião com um colega belga, este questionou Nitobe se o sistema japonês proporcionava educação religiosa. Após séria ponderação, Nitobe concluiu que a força de sustentação que havia formado e moldado o desenvolvimento espiritual do povo japonês, do início do século 17 até o 19, não tinha sido a religião em si, mas o bushido, ou caminho do guerreiro. Mais tarde, Nitobe publicou, em inglês, o livro intitulado Bushido: The Soul of Japan [Bushido: A Alma do Japão], com o subtítulo An Exposition of Japanese Thought [Uma Exposição do Pensamento Japonês]. Não entrarei em detalhes sobre esse livro, mas só posso dizer que há vários pontos em comum entre a espiritualidade do bushido e a filosofia do protestantismo e do puritanismo. Em parte, isso se deu pelo entusiasmo com o qual os escritos de Benjamin Franklin foram recebidos no Japão no período Meiji. Entretanto, o mais importante aqui é que a formação espiritual do povo japonês, em parte, orientada pelos ideais do bushido, foi em larga medida uma motivação interna, manifestada a partir da vida individual. A motivação interna implica autocontrole, a ação correta e responsável, não à força, mas de modo espontâneo, por vontade própria. O fato de, no período Edo, as incidências de crime e de corrupção terem sido incomparavelmente mais baixas que hoje, faz-me entender como evidência de que uma espiritualidade de motivação interior exerceu influência concreta nas ações da sociedade japonesa. Isso me remete à observação de Tocqueville: “Em nenhum outro país a justiça criminal é administrada com mais brandura do que nos Estados Unidos”.1 Pela razão de a espiritualidade dos japoneses daquele período ter sido motivada a partir da própria vida, eles puderam atingir um admirável grau de autocontrole e de autodomínio, virtudes que revelam uma prova de humanidade. Tais qualidades espirituais ajudaram a criar relações mais harmoniosas e pacíficas no convívio social, que deram origem a uma cultura única e de beleza distinta. Edward S. Morse, graduado de Harvard e descobridor de importantes sítios arqueológicos no Japão, observou uma surpreendente amabilidade no modo de viver do povo japonês. Walt Whitman, de maneira semelhante, ficou impressionado com a postura digna dos emissários japoneses que viu caminhando ao longo das avenidas de Manhattan. Com o avanço do poder econômico relativo do Japão, as relações nipo-americanas contemporâneas, embora se mantenham cordiais, nos anos recentes têm sido marcadas por crescente desarmonia. As tensões mais profundas entre os dois países se revelaram no ano passado, durante as conferências nas Iniciativas de Impedimentos Estruturais, que se inclinaram a trazer à tona atritos mais de natureza cultural que econômica. É evidente que as culturas nem sempre reagem de modo amigável umas com as outras. Contatos interculturais que sondam e questionam práticas cotidianas singulares profundamente enraizadas podem com facilidade provocar aversão e até hostilidade. Não há situação em que se façam mais necessários o autocontrole e o comedimento senão quando as pessoas confrontam tensões e confusões causadas por choque cultural. A verdadeira parceria só pode ser obtida se o esforço para criá-la estiver alicerçado no mútuo autocontrole nesse nível espiritual interno. No Japão moderno, é perceptível a ausência desse tipo de autocontrole gerado pela motivação interna. Como resultado, o país tem oscilado entre os extremos do excesso de confiança e da falta dela. Testemunhamos a nação se mostrar, sem necessidade, subserviente em suas relações com outros países, em particular, os do Ocidente. Agora, vemos uma inusitada presunção ressurgir pela simples estatística recente do Produto Interno Bruto. À medida que nos aproximamos dos cinquenta anos do ataque japonês a Pearl Harbor, relembro com pesar o horror e a destruição atrozes que a ausência de uma base filosófica para o autocontrole pode causar. A propósito, o Bushido de Nitobe desempenhou papel gratificante na Conferência de Portsmouth, que negociou o fim da Guerra Russo-Japonesa. Assim que as hostilidades começaram, o governo japonês enviou Kentaru Kaneko, membro da Câmara dos Nobres, aos Estados Unidos a fim de persuadir o presidente Theodore Roosevelt a negociar um acordo. Kaneko havia sido um dos colegas de classe de Roosevelt em Harvard, e os dois mantiveram contato e fortaleceram essa relação nos anos que se seguiram. Quando o presidente lhe solicitou um livro que explicasse a força motriz do caráter japonês e da educação espiritual no Japão, Kaneko entregou-lhe uma cópia de Bushido. Em outro encontro alguns meses mais tarde, Roosevelt agradeceu a Kaneko, dizendo que o livro havia esclarecido sobre caráter japonês. Munido desse conhecimento, ele ficou feliz em assumir a tarefa de mediar as negociações de paz. No histórico das relações nipo-americanas da era moderna, longe de serem pacíficas, esse episódio continua brilhando com a revigorante luz do entendimento mútuo. Nitobe foi, como mencionei, um educador pioneiro. E, nesse sentido, gostaria de expressar minha esperança de que os empreendimentos do Pacific Basin Research Center [Centro de Pesquisa da Bacia do Pacífico], no campus da Universidade Soka de Los Angeles, venham a contribuir, sob a eficiente direção do professor Montgomery, para a edificação de uma nova era nas relações nipo-americanas. A questão com a qual nos confrontamos agora é reviver as fontes inatas da energia humana, num mundo de fin-de-siècle marcado por um profundo senso de dessecação espiritual. Essa não será uma tarefa fácil, nem para o Japão nem para os Estados Unidos. Com relação a esse ponto, sinto que a doutrina budista denominada “origem dependente”, que mostra como nossos destinos estão interligados de modo profundo e inseparável, pode fazer uma importante contribuição. A “origem dependente”, um dos conceitos budistas mais importantes, sustenta que todos os seres e fenômenos existem ou ocorrem por meio de relações com outros seres ou fenômenos. Tudo está ligado por uma intrincada rede de causa e conexão, e nada — seja no domínio das questões humanas, seja no dos fenômenos naturais — pode existir ou ocorrer por si só. Nessa perspectiva, há uma ênfase maior nas relações interdependentes entre indivíduos que no indivíduo isolado. Entretanto, conforme declararam perspicazes observadores ocidentais como Henri Bergson e Alfred Whitehead, demasiada ênfase na interdependência pode suprimir a vida individual e reduzir a capacidade da pessoa de se engajar de forma positiva ao mundo. De fato, a passividade que observaram tem sido uma tendência histórica pronunciada nas culturas influenciadas pelo budismo. No entanto, a essência do budismo vai além, oferece um nível de inter-relação única: dinâmica, holística e automotivadora. Conforme já mencionei, encontros entre diferentes culturas nem sempre são amigáveis. Deve-se reconhecer a realidade de interesses opostos e até hostis. O que pode ser feito para encorajar e promover relações harmoniosas? Um episódio da vida do buda Shakyamuni oferece uma boa solução para isso. Certa vez, Shakyamuni recebeu o seguinte questionamento: “Disseram-nos que a vida é preciosa. E, mesmo assim, todas as pessoas vivem matando e se alimentando de outros seres vivos. Quais seres podemos matar e quais não devemos matar?”. A essa dúvida franca, Shakyamuni respondeu: “Basta matar o desejo de matar”. A resposta de Shakyamuni não foi nem evasiva nem enganosa, mas baseada no conceito de “origem dependente”. Ele estava tentando explicar que, ao buscar o tipo de relação harmoniosa expressa na ideia de respeito pela dignidade da vida, não devemos nos prender ao nível fenomenal em que é inegável a ocorrência de hostilidades e os conflitos; nesse caso, quais seres vivos se pode matar e quais não. Devemos procurar essa harmonia num plano mais profundo, em que de fato seja possível “matar o desejo de matar”. Essa busca vai além da mera conscientização objetiva; refere-se a um estado de compaixão que transcende distinções entre o eu e o outro; indica uma energia compassiva que pulsa nas profundezas da vida subjetiva de todas as pessoas; é nesse ponto em que a vida individual e a universal se fundem. Esse não é o tipo de negação ou abnegação simplistas da vida individual que Bergson e Whitehead criticam. É a fusão do eu e o outro no nível mais profundo. Ao mesmo tempo, é uma expansão do ego limitado e acorrentado para um eu maior cuja escala é tão ilimitada e infinita quanto o próprio Universo. Nos ensinamentos do Budismo Nichiren consta a passagem: “Sem a vida, não existe ambiente”.2 Em outras palavras, o budismo considera a vida e seu meio ambiente como dois aspectos que integram a mesma entidade. O mundo subjetivo da vida individual e o mundo objetivo de seu ambiente não são vistos como opostos nem como uma dualidade. Em vez disso, a relação entre eles é de inseparabilidade e indivisibilidade. Essa unicidade tampouco é estática, em que esses dois domínios se fundem enquanto se tornam objetivos. O ambiente, que abarca todos os fenômenos universais, só pode existir numa relação dinâmica com a atividade gerada na própria vida interior. Em termos práticos, para nós, a questão mais importante é como ativar as fontes de energia e sabedoria existentes em nossa vida. Como exemplo familiar em correspondência com “precedentes para a consciência”, já mencionado aqui, algumas vezes sou solicitado a aconselhar casais que estão pensando em se divorciar. É evidente que a decisão de se divorciar é uma questão particular cuja decisão só compete às pessoas envolvidas. Apesar disso, procuro encorajar casais nessa situação a se lembrar de que, da perspectiva budista, é impossível construir a felicidade pessoal à custa do sofrimento do outro, e peço que tenham isso em mente ao tomarem uma decisão. É por meio da reflexão e da perseverança, algumas vezes dolorosas, necessárias para enfrentar uma situação difícil como essa, que se pode fortalecer e disciplinar as funções internas da consciência, às quais Pascal atribuía grande valor. Esse processo capacitava as pessoas envolvidas a minimizar a ruptura das relações humanas que, do contrário, poderia ocorrer. Na sociedade contemporânea, não há necessidade mais urgente do que o autocontrole e o comedimento alicerçados nessa espiritualidade internamente motivada. Essas qualidades não apenas encorajariam um aprofundamento do nosso respeito pela dignidade da vida — num mundo onde as relações interpessoais estão cada vez mais fragilizadas —, mas também contribuiriam para a restaurar e rejuvenescer virtudes que estão ameaçadas de extinção, como a amizade, a confiança e o amor — essenciais para criar relações gratificantes e significativas entre as pessoas. Minha esperança e convicção é de que contemplaremos o reviver da filosofia no sentido mais amplo e socrático da palavra. Com uma filosofia assim como alicerce, uma era do soft power produzirá os frutos mais ricos e verdadeiros. Em uma era “sem fronteiras”, essa filosofia internalizada servirá como a marca e o distintivo da cidadania global. As grandes referências do Renascimento norte-americano — Emerson, Thoreau e Whitman — foram cidadãos do mundo desse calibre. Em conclusão, gostaria de partilhar com todos estes trechos do poema Amizade, de Emerson, um favorito especial da minha época de jovem: Ó amigo, meu peito disse, por ti só, o céu é arqueado, por ti só, as flores são vermelhas, todas as coisas, por ti só, tomam uma forma mais nobre e olhe através da Terra, o moinho de nosso destino parece um caminho de sol em teu valor. Tua nobreza também me ensinou a dominar meu desespero; as fontes de minha vida secreta tornam-se justas por tua amizade.3 No topo: Segunda palestra do presidente Ikeda na Universidade Harvard, em setembro de 1993. Foto: Seikyo Press Notas: 1. Tocqueville, v. 2, p. 166. 2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 673, 2020. 3. EMERSON, Ralph Waldo. Ensaios de Ralph Waldo Emerson: Amor e Amizade. Tradução: Bianca Carvalho. São Paulo: Dracaena, 2013. p. 31.

03/10/2022

Especial

Esperança que Constrói — parte 3

É uma grande honra ter sido convidado para discursar aqui na Universidade Harvard, a qual celebra uma história e tradição de 355 anos [em 1991], sendo assim a universidade mais antiga nos Estados Unidos. Gostaria de expressar minha gratidão em especial ao professor John Montgomery, que gentilmente acabou de se apresentar, e aos professores Carter e Nye, os quais oferecerão seus comentários logo após o meu discurso. As recentes transformações políticas na União Soviética abalaram o mundo, evidenciando o fluxo decisivo e irrefreável de uma tendência histórica que, em anos recentes, o professor Nye e outros caracterizaram como o surgimento do soft power. Em outras palavras, a força motriz da história vinha sendo, desde os tempos antigos, o hard power, na forma de poderio militar, da autoridade política e da riqueza material. Entretanto, em anos recentes, temos visto um declínio na relevância relativa desse fator e, em seu lugar, um aumento na importância do soft power — fatores como conhecimento e informação, cultura, ideias e sistemas. Penso que essa tendência pode ser vista com clareza no recente conflito do Golfo. O que, à primeira vista, seria um exemplo clássico da aplicação do hard power da força militar jamais deveria ter ocorrido sem antes garantir o soft power — na forma de apoio das Nações Unidas (um tipo de sistema) e da opinião mundial que esse órgão representa. Acredito que nós, que vivemos nesta época, temos o dever histórico de fortalecer essa tendência rumo ao soft power, e não permitir que esse curso se reverta, enquanto nos distanciamos do hard power. Assim, quero propor a motivação interior como fator determinante para abrir o caminho rumo a uma era de soft power. Ao longo das épocas, os sistemas de hard power obtiveram êxito em usar determinadas ferramentas de coerção ou de opressão para mobilizar as pessoas na direção de certas metas. Em contraste, o soft power se sustenta na energia gerada na vida interior, a partir de um estímulo interno, produzida pelo consenso e pela satisfação entre as pessoas. Os processos do soft power — a liberação das energias do indivíduo, desde os tempos antigos — têm sido tradicionalmente considerados como a região apropriada da filosofia no sentido mais amplo, enraizados na natureza espiritual e religiosa dos seres humanos. Porém, a menos que haja uma sustentação filosófica, ou seja, um fortalecimento correspondente dos recursos internos e dos processos individuais, uma era de soft power nada mais será que um “fascismo sorridente”. Em uma sociedade assim, ainda que a informação e o conhecimento fossem profusos, estariam sob a manipulação ardilosa dos que detêm o poder, e a população carente de sabedoria seria presa fácil de tal manipulação. Por essa razão, não é exagero dizer que a responsabilidade de sustentar e acelerar a tendência rumo ao soft power reside nas mãos da filosofia. Gostaria de dar um exemplo que, espero, possa ilustrar de maneira precisa e simbólica o que quero dizer com motivação interior. Blaise Pascal, em sua famosa obra Les Provinciales [As Provinciais], critica com severidade o elaborado sistema de “precedentes para a consciência” que havia sido estabelecido pelos jesuítas para facilitar o trabalho missionário. Em minha opinião, a natureza dessa crítica lança luz sobre a diferença fundamental entre a motivação interior e a que é imposta de fora. Como os senhores sabem, os jesuítas haviam estabelecido um sistema altamente elaborado de fé e de propagação. [Quando era conveniente, eles até permitiam que cristãos adorassem divindades não cristãs.] Pascal, um jansenista que enfatizava a importância do trabalho interno da consciência, acusou a Igreja de usar a autoridade de forma distorcida para impor padrões e preceitos predeterminados para a consciência. Ele descreve essa prática assim: Esse plano foi seguido nas Índias e na China, onde permitiram que os cristãos praticassem a idolatria, com o auxílio do seguinte artifício engenhoso: faziam com que seus convertidos usassem sob as vestes uma imagem de Jesus Cristo, para que fossem treinando a si mesmos a transferir mentalmente as adorações que, em público, direcionavam a Shakyamuni ou a Confúcio.1 Pascal não condena a prática em si; reconhece que há épocas em que é necessária. Porém, a decisão de dissimular só se efetiva por meio de um processo de contemplação, autoquestionamento e busca espiritual; esse processo é, em si, nada mais que as funções da consciência individual, direcionadas e impulsionadas por essa mesma consciência. Se um padrão preestabelecido ou um precedente para tal decisão vier de fora, esse doloroso processo de autoexame será evitado; então, em vez de a consciência se desenvolver, ela se atrofiará e se degenerará. Para Pascal, o que os jesuítas chamavam de “precedentes para a consciência” nada mais era que uma servil rendição ao desejo de respostas fáceis, o suicídio da consciência. A crítica dele transcende seu contexto histórico particular, fornece um discernimento precioso sobre a questão universal da natureza da consciência humana. Os Estados Unidos do século 19, embora talvez não se aproximassem do nível de pureza suficiente para satisfazer Pascal, vistos pelas lentes da incomparável precisão analítica de Alexis de Tocqueville, apresentam um dos raros casos históricos quando uma ênfase nas ações internas do espírito direciona o curso de toda uma sociedade. Alexis de Tocqueville, na visita em que fez aos Estados Unidos meio século após a sua fundação, ficou sobretudo impressionado com a simplicidade da prática religiosa de seu povo e, ao mesmo tempo, com sua sinceridade e firmeza de sentimento. Ele descreve isso em A Democracia na América, na seguinte passagem: “Isto se tornou meu objetivo (...) inquirir como aconteceu de a autoridade real da religião ter sido aumentada pelo estado das coisas, o qual diminuiu sua aparente força”.2 A Igreja Católica na França, com a qual Tocqueville tinha familiaridade, caracterizava-se por elaborados e complexos rituais e formalidades, e com frequência a finalidade era acorrentar e restringir o espírito. Por esse motivo, Tocqueville havia pressuposto que qualquer redução da “aparente força” da Igreja — seus rituais e suas formalidades — libertaria as pessoas de seu controle externo e, em consequência, enfraqueceria a fé. Em contraste, as condições que ele encontrou na América do Norte eram o completo oposto. Volto a citá-lo: “Jamais vi um país onde a cristandade é vestida com menos formas, figuras e observâncias que os Estados Unidos; ou onde se apresente noções à mente mais distintas, mais simples ou mais comumente aceitáveis”.3 Pode parecer que Tocqueville está apenas comparando o formalismo católico francês com o florescente espírito puritano norte-americano. Todavia, penso que, de uma perspectiva mais ampla, na realidade, ele está louvando a religiosidade gerada e direcionada pela própria vida individual que, refinada em sua forma mais pura, veio a ser a definição do enfoque espiritual desse país. Desnecessário dizer, as religiões que deixam uma marca duradoura nos seres humanos e na sociedade devem operar tanto no nível pessoal quanto no institucional. As grandes religiões, que se fundamentam numa entidade ou verdade absoluta e transcendem diferenças de etnia, classe ou posição social, ensinam o respeito ou a reverência pelo indivíduo. Entretanto, como a convicção religiosa evolui para movimentos religiosos, surge a demanda organizacional. Em minha opinião, os aspectos institucionais de uma religião devem sempre se adaptar às mudanças das condições sociais e, em minha opinião, deveriam apoiar os aspectos da crença individual e pessoal, conferindo-lhes prioridade. No entanto, a triste realidade é que poucos movimentos religiosos conseguiram evitar a armadilha da ossificação religiosa. O avanço dos aspectos institucionais de uma religião acaba acorrentando e restringindo os seres humanos cujos interesses, no início, a religião pretendia servir. Os poderes externos coercivos de instituições religiosas e seus respectivos rituais enrijecem os poderes internos e espontâneos da fé e, como resultado, a pureza original da crença é perdida. Por essa ocorrência ser muito comum, tendemos a esquecer que isso sinaliza o completo oposto da verdadeira função da religião. Tocqueville considerava importante ressaltar que as comunidades religiosas norte-americanas conseguiram impedir em larga escala esses tipos de abuso, e que seu povo havia preservado a essência da pureza da fé. Essa pureza, e o grau em que a religião era considerada uma questão de vida interior, foi indicada por (Ralph Waldo) Emerson na Faculdade Divinity, em Cambridge, no ano 1838, em seu discurso: “Aquilo que mostra Deus em mim me fortifica. Aquilo que mostra Deus fora de mim me causa verruga e tumor”.4 Há quem sugira que a visão otimista e ampla da religião adotada por Emerson e seus contemporâneos tenha sido apenas um feliz e momentâneo alívio para as questões espirituais dos tempos modernos. Antes, o que imperava era o conluio entre a religião estabelecida e a autoridade política. Depois, transcorreu-se uma era de secularização, na qual a espiritualidade foi reduzida à simples preocupação particular, destituída de quaisquer implicações maiores. Apesar disso, não creio que estamos certos em relegar todo esse período especial e seus frutos ao passado. Essas tradições — de uma espiritualidade interiormente motivada — vivem nas profundezas da experiência e consciência da história norte-americana. Se voltarmos nosso olhar para o Japão moderno, teremos muita dificuldade em encontrar exemplos significativos do que possa ser considerada uma espiritualidade de motivação interna. Como é bem conhecido, após abrir suas fronteiras para o restante do mundo, em meados do século 19, o Japão mergulhou de cabeça na tarefa de alcançar e superar as nações industriais do Ocidente. O grande escritor japonês Natsume Soseki chegou ao âmago do problema ao caracterizar tais esforços como um processo civilizatório imposto do exterior. De fato, todos os objetivos e modelos para a modernização vieram de fora. Em sua corrida para alcançar o Ocidente, os japoneses da época concluíram que não havia tempo para elaborar por si mesmos as ideais de modernidade. No topo: Ikeda sensei palestra no Auditório Wiener, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Entre os ouvintes, estudiosos de instituições conceituadas como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts e a Universidade de Boston (set. 1991). Foto: Seikyo Press Notas: 1. PASCAL, Blaise. Les Provinciales, carta V, 20 mar. 1656. In: Pascal, Great Books of the Western World [Grandes Livros do Mundo Ocidental]. HUTCHINS, Robert Maynard (ed.). Chicago: Encyclopedia Britannica, Inc., v. 33, p. 28, 1952. 2. TOCQUEVILLE, Alexis de. Democracy in America [A Democracia na América]. Tradução: Henry Reeve. Nova York: Alfred A. Knopf, v. 1, p. 309, 1980. 3. Ibidem, v. 2, p. 27. 4. EMERSON, Ralph Waldo. The Complete Works of Ralph Waldo Emerson [Coletânea de Obras de Ralph Waldo Emerson]. Nova York: Wm. H. Wise & Co., v. 1, p. 41, 1930.

01/09/2022

Estudo

[50] Divisão dos Universitários, jovens bodisatvas Mérito Universal: sejam líderes sábios e corajosos que criarão uma nova era de esperança

Explanação O presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, declarou: “A não ser que tenha a coragem de ser inimigo daqueles que são maus, não poderá ser amigo dos bons”.1 Ao longo da história, multidões honestas e decentes foram perseguidas e incalculáveis pessoas que mereciam ser felizes sofreram opressão. A Soka Gakkai vem combatendo todas as formas de maldade que espezinham o povo e persiste em sua brava luta para proteger o bem. Esse é o espírito compartilhado entre o presidente Tsunesaburo Makiguchi, o presidente Josei Toda e eu. Acender a tocha da convicção e da esperança no coração dos membros O Incidente do Sindicato dos Mineradores de Carvão de Yubari que ocorreu em junho de 1957 foi um caso de opressão dessa natureza. Trabalhadores esforçados, membros da Soka Gakkai, e seus familiares, que moravam na cidade mineradora de Yubari, foram praticamente relegados ao ostracismo pela comunidade local instigada pelo sindicato de mineradores de carvão, por causa de sua fé no Budismo Nichiren. O sindicato chegou até a ameaçar os trabalhadores de expulsão (o que significava perder seus empregos), se eles não abandonassem a Soka Gakkai. Abraçando o espírito do meu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, como jovem, corri para Hokkaido e assumi a liderança para apoiar nossos membros naquela localidade. Visitei-os em sua casa e exortei-os com todas as minhas forças a se juntar a mim naquela luta e a se recusar a ser derrotados. Indo de casa em casa para me encontrar com aqueles sinceros membros que se empenhavam com seriedade na fé, acendi a tocha da convicção e da coragem no coração deles. Foi em meio a essas atividades em Yubari que recebi a notificação para comparecer à Sede da Polícia de Osaka para um interrogatório. Esse foi o início do Incidente de Osaka.2 Um grupo há muito aguardado A Divisão dos Universitários (DUni) da Soka Gakkai foi estabelecida num período em que nossa organização estava sendo brutalmente atacada pelas autoridades. No dia 30 de junho de 1957, com a presença de Toda sensei, cerca de quinhentos estudantes universitários se reuniram no Auditório Municipal de Azabu, em Tóquio, para a reunião de fundação da nova divisão. Exultante, ele afirmou que há muito tempo desejava avidamente criar esse grupo. Como eu ainda me encontrava em Hokkaido, enviei um telegrama que dizia: “Parabéns pela reunião de fundação da Divisão dos Universitários, um grupo de jovens talentosos que arcarão com a responsabilidade pelo próximo século! Sob a liderança do presidente Josei Toda, iniciem sua jornada com grande disposição”. A construção de uma era de respeito à dignidade da vida A missão da Divisão dos Universitários, profundamente imbuída da história da Soka Gakkai daquela época, consiste em desenvolver líderes da Lei Mística comprometidos em conduzir uma existência junto com o povo, protegendo o povo e lutando pelo povo. Meu mestre escreveu solenemente: “Um dos princípios fundamentais do budismo é não causar dano a ninguém e ajudar a libertar as pessoas do sofrimento. Outro é levar alegria a todas as pessoas. Isso constitui o âmago da compaixão do Buda”.3 De fato, nosso desejo, como praticantes do Budismo Nichiren, e o eterno ponto de partida da minha amada DUni, é concretizar a felicidade humana e a paz mundial, e edificar a era do respeito à dignidade da vida por meio da nossa filosofia humanística e do espírito compassivo de retirar o sofrimento e conceder a felicidade. Neste ensejo, analisemos a nobre missão dos membros da Divisão dos Universitários, defensores do espírito do bodisatva Mérito Universal que abrirão o caminho e seguirão à frente na liderança da construção de uma nova era repleta de esperança. Trecho do escrito 1 Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente4 O Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente diz [em relação ao título do capítulo “Encorajamento do Bodisatva Mérito Universal” (Fugen Bosatsu Kambotsu-hon, em jap.) do Sutra do Lótus]: Na palavra kambotsu, o ideograma kan [ou kam], ou “encorajamento”, refere-se à prática altruística, ao passo que o ideograma botsu (ou hotsu), ou “iniciar”, corresponde à prática individual. No nome Fugen, ou Mérito Universal [ou Sabedoria Universal], o ideograma fu, “universal”, refere-se ao verdadeiro aspecto de todos os fenômenos, o princípio da verdade eterna e imutável, conforme expresso no ensinamento teórico. O ideograma gen, ou “digno de mérito” ou “sábio”, denota a ideia de sabedoria, a sabedoria da verdade que opera de acordo com as circunstâncias mutáveis, conforme expresso no ensinamento essencial. Portanto, observamos aqui que, na conclusão do sutra, está expressa a veneração à Lei que se encontra implícita nos dois ensinamentos — teórico e essencial. De modo geral, podemos afirmar que, agora, quando Nichiren e seus seguidores recitam Nam-myoho-renge-kyo, eles desfrutam o cuidado e a proteção do bodisatva Mérito Universal. (OTT, p. 189–190) Convocando os bodisatvas Mérito Universal Soka, líderes de imensurável sabedoria O bodisatva Mérito Universal aparece no capítulo 28, “Encorajamento do Bodisatva Mérito Universal”, o último do Sutra do Lótus. Ele possui uma sabedoria incomensurável, a qual utiliza para proteger aqueles que propagam o Sutra do Lótus e promovem o avanço do kosen-rufu. Em Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Daishonin afirma que a Lei Mística é propagada nos Últimos Dias da Lei por meio da “autoridade e dos poderes sobrenaturais” e do “cuidado e proteção” desse bodisatva (cf. OTT, p. 190).5 O Sutra do Lótus descreve que, ao saber que Shakyamuni está pregando a Lei Mística, o bodisatva Mérito Universal viaja do leste para ouvi-lo, chegando com um número incalculável de bodisatvas tocando melodias maravilhosas, pouco antes de Shakyamuni concluir sua preleção (cf. LSOC, cap. 28, p. 360). De modo semelhante, foi com essa finalidade que, perto do fim da vida de Toda sensei, se estabeleceu a Divisão dos Universitários. Podemos dizer que cada membro da DUni é um bodisatva Mérito Universal Soka, convocado para ser incumbido da importante missão de ensejar a era do povo. O kosen-rufu se inicia com o ato de encorajar aqueles ao nosso redor Makiguchi sensei sublinhou o trecho de Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente que estamos estudando em seu exemplar dos escritos de Nichiren Daishonin, demonstrando sentir que se tratava de algo profundamente importante. Nesta parte, no tocante ao título do capítulo, “Encorajamento do Bodisatva Mérito Universal”, Daishonin discute o significado de “encorajamento” (kambotsu) e “mérito universal” ou “sabedoria universal” (fugen). Em primeiro lugar, ele diz: “O ideograma kan [ou kam], ou ‘encorajamento’, refere-se à prática altruística, ao passo que o elemento botsu (ou hotsu), ou ‘iniciar’, corresponde à prática individual” (OTT, p. 189). Então, ele explica que fu (denotando “universal”) de fugen representa o “princípio da verdade eterna e imutável”, ao passo que gen (denotando “digno de mérito” ou “sabedoria”) representa “a sabedoria da verdade que opera de acordo com as circunstâncias mutáveis” (Ibidem). Em outras palavras, “encorajamento” (kambotsu) indica nós próprios despertarmos nossa fé e, com a condição de vida jubilosa que alcançamos ao fazermos isso, exortarmos os outros a praticar também. Trata-se, de fato, de um processo de inspiração de vida a vida. Possuir sabedoria universal (fugen) significa ter minuciosa compreensão sobre princípios abrangentes e manifestar vasta sabedoria. Consiste em ter a sabedoria que possibilite que a pessoa transmita conforto e esperança, convicção e coragem aos outros. Daishonin acrescenta ainda que o capítulo “expressa veneração à Lei que se encontra implícita nos dois ensinamentos — teórico e essencial” (cf. OTT, p. 190). Para nós, venerarmos a Lei Mística significa, acima de tudo, recitarmos Nam-myoho-renge-kyo ao Gohonzon com fervor e sinceridade. Desse modo, transbordaremos de alegria e de satisfação e nossa vida se expandirá imensuravelmente. Além disso, quando experimentamos a enorme alegria que advém de nos empenhar nas atividades da Soka Gakkai, naturalmente desejaremos falar aos outros sobre a nossa prática budista. Quando nossa vida exulta de alegria, conseguimos despertar e trazer à tona a natureza de buda nos outros. Nossa firme determinação com preocupação compassiva pelo bem-estar deles origina infinita sabedoria. O incentivo sincero e cordial também é importante. O primeiro passo para concretizar o kosen-rufu é encorajar aqueles ao redor. Tornem-se vitoriosos em viver junto com a Soka Gakkai Ao chegar atrasado à pregação de Shakyamuni, o bodisatva Mérito Universal suplica-lhe que exponha o Sutra do Lótus novamente e pergunta como as pessoas poderão obter o ensinamento após a morte de Shakyamuni (cf. LSOC, cap. 28, p. 360). A essa questão, o Buda responde que se elas cumprissem quatro condições após a sua morte, obteriam o Sutra do Lótus. Pelo fato de Shakyamuni estar reiterando os pontos essenciais para se praticar o Sutra do Lótus, Daishonin afirma que o capítulo “Encorajamento do Bodisatva Mérito Universal” representa uma “paráfrase do Sutra do Lótus” (OTT, p. 241). Examinemos agora as passagens nas quais as quatro condições e seu significado são apresentados para nós. A primeira é: “elas [as pessoas da era após a morte de Shakyamuni] devem ser protegidas e lembradas pelos budas” (LSOC, cap. 28, p. 361). Significa receberem a proteção do Gohonzon [Nam-myoho-renge-kyo] mediante o ato de abraçá-lo e mantê-lo. A segunda é: “devem plantar as raízes da virtude” (Ibidem). Significa recitarem daimoku da prática individual e altruística com fé absoluta no Gohonzon. A terceira é: “devem chegar ao nível em que tenham a certeza de atingir a iluminação” (Ibidem). Significa se associarem com pessoas que infalivelmente atingirão o estado de buda; ou seja, permanecerem firmes na fé, sem jamais abandoná-la, como membros da harmoniosa comunidade de budistas que praticam corretamente os ensinamentos. A quarta é: “devem ter a determinação de salvar todos os seres vivos” (Ibidem). Significa firmarem o juramento seigan de conduzir todas as pessoas à iluminação. Em suma, essas quatro condições podem ser reformuladas da seguinte forma: abraçar e manter o Gohonzon; recitar daimoku (Nam-myoho-renge-kyo); empenhar-se em harmonia com a Ordem budista; e firmar um juramento seigan. Todas estão inclusas em nosso compromisso de viver junto com a Soka Gakkai, dedicada ao grande desejo do kosen-rufu. Como membros da Soka Gakkai, que recitam daimoku da prática individual e altruística, podemos transformar as adversidades em grande boa sorte e alcançar a condição de vida do estado de buda sem falta. Aqueles que se empenham incansavelmente em propagar a Lei Mística, sem jamais abandoná-la, se tornarão verdadeiros vitoriosos na prática budista. A Soka Gakkai teve êxito em propagar o Budismo Nichiren ao redor do mundo porque seus membros puseram em ação essas quatro condições. Proteger os praticantes do Sutra do Lótus na era maléfica dos Últimos Dias da Lei Quando o bodisatva Mérito Universal toma conhecimento de que ao cumprir essas quatro condições a pessoa pode alcançar a iluminação, ele jura a Shakyamuni que defenderá e protegerá os praticantes do Sutra do Lótus na era maléfica e impura dos Últimos Dias, aliviará o sofrimento deles, trará paz de espírito a eles e impedirá as funções da maldade de se aproveitar deles (cf. LSOC, cap. 28, p. 361). Promete também defender e proteger o Sutra do Lótus e, após a morte de Shakyamuni, fazer com que o sutra seja amplamente propagado pelo mundo e assegurar que nunca chegue ao fim (cf. Ibidem, p. 363). Em outras palavras, ele jura proteger incondicionalmente os praticantes da Lei Mística e devotar-se ao kosen-rufu do Jambudvipa (o mundo inteiro). Ele [bodisatva Mérito Universal] circula ativamente em meio ao povo, declarando que, se alguém esquecer uma única frase ou verso do Sutra do Lótus, “se juntará [a esse indivíduo] em sua leitura e recitação” (cf. Ibidem, p. 361). Adiante, nesse mesmo capítulo, Shakyamuni garante ao bodisatva Mérito Universal: “Em breve, essa pessoa [um praticante do Sutra do Lótus] seguirá para o local da iluminação” (Ibidem, p. 364). Comentando essa passagem, Daishonin afirma: “O local em que a pessoa mantém e louva o Sutra do Lótus é o ‘local da iluminação’ para o qual a pessoa segue. Não quer dizer que ela deixe o local atual e vá para algum outro lugar” (cf. OTT, p. 192).6 De extrema importância é onde estamos neste exato momento. A essência da sabedoria universal que o bodisatva Mérito Universal personifica reside em lutar corajosamente para transformar o aqui e agora. Não há espaço para teorias abstratas. O espírito da Soka Gakkai origina-se do espírito intrépido do bodisatva Mérito Universal. Demonstrar aos outros o mesmo respeito que teria pelo Buda No capítulo “Encorajamento do Bodisatva Mérito Universal”, encontramos esta conhecida passagem: “Portanto, Mérito Universal, se você vir uma pessoa que aceite e mantenha este sutra, deve se levantar e cumprimentá-la de longe, com o mesmo respeito que demonstraria ao Buda” [cf. LSOC, cap. 28, p. 365]. Daishonin identifica isso como o “ponto mais importante [que o Buda] desejava nos transmitir” (OTT, p. 192). Uma vez que aqueles que aceitam e mantêm o Sutra do Lótus têm a garantia de que atingirão o estado de buda, segundo essa passagem, devemos lhes demonstrar o mesmo respeito que devotaríamos ao Buda. Desse modo, podemos afirmar que o Sutra do Lótus de 28 capítulos conclui com a declaração de que os praticantes do Sutra do Lótus nos Últimos Dias da Lei são budas. Em chinês, essa famosa passagem consiste em oito ideogramas. A propósito, os oito pilares da face norte e sul do Auditório do Grande Juramento pelo Kosen-rufu no complexo da sede central da Soka Gakkai em Shinanomachi, Tóquio, simbolizam essa passagem de oito ideogramas, saudando cada precioso membro que visita o auditório como o Buda. Nossos admiráveis integrantes da Divisão dos Universitários, possuidores de sabedoria e coragem, estão levando avante fielmente esse espírito em tudo o que fazem, respeitando e abraçando como budas aqueles que se empenham com sinceridade pelo kosen-rufu. É importante que os membros que se empenham pelo kosen-rufu respeitem uns aos outros e se unam, não obstante quais diferenças possam ter. A sabedoria que advém de acreditar na natureza de budas de todas as pessoas, não importando quem elas sejam, é sabedoria do buda. Pelo fato de acreditarmos na natureza de buda dos outros, a sabedoria compassiva para concretizar a felicidade para nós e para os demais emana ilimitadamente das profundezas da nossa vida. Sejam pessoas que defendem a justiça e a dignidade humana Como mencionei, Daishonin afirma que o kosen-rufu será alcançado por meio da “autoridade e dos poderes sobrenaturais” do bodisatva Mérito Universal (OTT, p. 190), que representam a coragem, a sinceridade e a sabedoria oriundas do senso de responsabilidade e da paixão para propagar a Lei Mística. A fonte dessas qualidades é a fé. Toda sensei expressou: “Um grande sentimento hospeda uma grande razão. (...) Nosso sentimento pelos nossos concidadãos e pelo restante da humanidade deriva-se da mais elevada razão. O espírito de Daishonin são, em si, o mais elevado sentimento e a razão”. Nosso ardente desejo de tornar realidade o sonho de Toda sensei de eliminar a miséria e o sofrimento da face da Terra nos permitiu desenvolver nossa sabedoria e capacidade e crescer como líderes compassivos. Nossa imensa e inabalável paixão pelo kosen-rufu gera a sabedoria universal para elevar e enriquecer a condição de vida da humanidade. Nossa luta incansável, baseada em nosso juramento seigan, contra todos os males que impõem sofrimento às pessoas faz reluzir a luz da sabedoria para a justiça. Nossa crença na natureza de buda da pessoa diante de nós se torna a sabedoria para respeitar todos os seres humanos. Essa sabedoria nunca é presunçosa. Espero que os membros da DUni estudem minuciosamente o Gosho e os princípios humanísticos do Budismo Nichiren, e, ao mesmo tempo, devotem-se com seriedade ao aprendizado deles e absorvam com humildade o discernimento de diversas fontes de conhecimento, do passado e do presente. Por favor, esforcem-se para estabelecer ligações entre o vasto e profundo mar do budismo e as principais correntes de pensamento e filosofia mundiais, revelando assim o brilho do Mérito Universal, que tem o poder de proteger as pessoas. Esse é o nosso papel como religião mundial. Seu autodesenvolvimento e crescimento criarão uma nova era. Trecho do escrito 2 Banimento à Ilha de Sado7 Desde o começo, dediquei-me aos estudos porque desejava dominar o budismo e atingir o estado de buda, e também queria salvar as pessoas com quem tenho uma dívida de gratidão. No caminho para atingir o estado de buda sempre ocorre algo que nos leva a dar a vida. Acredito que só assim podemos nos tornar budas. (CEND, v. I, p. 210) Budismo para salvar as pessoas com quem temos dívidas de gratidão Quando Daishonin foi sentenciado ao exílio na Ilha de Sado,8 alguns de seus seguidores, por ignorância ou medo, começaram a duvidar que ele fosse realmente o devoto do Sutra do Lótus. Em Banimento à Ilha de Sado, ele escreve que sua motivação para estudar budismo e se empenhar para atingir o estado de buda era saldar suas dívidas de gratidão. Ao abrir o caminho do próprio estado de buda, Daishonin desejava abrir o caminho do estado de buda para as pessoas dos Últimos Dias da Lei. Isso porque, segundo ele, esse é o modo de saldar a dívida de gratidão com aqueles a quem deve. As perseguições que suportou também não foram nada mais que o resultado de seus esforços para abrir o grandioso caminho para o estado de buda das pessoas. Não há dúvida alguma sobre isso. O kosen-rufu consiste na eterna luta espiritual com o rei demônio do sexto céu,9 que tenta controlar, dominar e oprimir a vida das pessoas. Essa é a razão pela qual Daishonin afirma que no caminho para atingir a iluminação, a pessoa se torna um buda ao se empenhar com o espírito de “dar a vida” (CEND, v. I, p. 210). Quando enfrentamos bravamente as dificuldades com que nos deparamos, conseguimos evidenciar a coragem do rei leão, uma sabedoria imensurável e uma compaixão ilimitada; ou seja, revelamos a condição de vida do estado de buda. É essencial que encorajemos e apoiemos nossos companheiros da organização ao assumirmos a liderança na promoção do kosen-rufu. Cumprir a missão do bodisatva Mérito Universal demanda dedicar a vida ao grande juramento de propagar a Lei Mística. Não se perca no próprio labirinto O filósofo espanhol José Ortega y Gasset (1883–1955) deplorava a forma como as pessoas dos tempos modernos haviam perdido o rumo na vida:10 De um lado, viver é algo que cada um faz de si e para si. Do outro, se a minha vida, que só diz respeito a mim, não for direcionada por mim a algo, será desconexa, carecendo de tensão e de “forma”. Nestes anos estamos testemunhando o gigantesco espetáculo de inumeráveis vidas humanas vagando perdidas nos próprios labirintos, por não terem nada a que se entregar. Mesmo hoje, muitos estão presos àquilo descrito por Ortega como o labirinto do egoísmo.11 Também há indícios de uma crescente tendência de as pessoas se isolarem dos outros, mas isso só as leva a se sentir incapazes e a depreciar sua vida. Nós, da Soka Gakkai, porém, temos um nobre objetivo ao qual devotamos a vida — o kosen-rufu. Os membros da DUni, que abraçam a Lei Mística, sentem a venturosa satisfação que advém de dedicar a vida a uma grande aspiração, a vida deles transborda orgulho, boa sorte e benefício. Em Banimento à Ilha de Sado, escrita enquanto era mantido prisioneiro pouco antes de seu exílio, Daishonin ensina a um seguidor de sua província natal, Awa, que devotar a vida ao grande juramento de propagar a Lei equivale a saldar as dívidas de gratidão que possui com os outros. Espero que nossos fidedignos integrantes da DUni, os quais são diretamente ligados a Daishonin, continuem a se levantar em defesa da felicidade das pessoas por toda a vida. Jamais se tornem o tipo de pessoa classificado por Daishonin como “um animal talentoso” (CEND, v. I, p. 269-270). Não permitam que seu conhecimento os torne arrogantes nem menosprezem pessoas decentes e batalhadoras. Não causem problemas aos companheiros de fé por inveja, ressentimento ou interesse próprio, vindo a ser forçados a deixar a organização do kosen-rufu. Quando as pessoas se esquecem de ter gratidão, acabam perdendo o rumo na vida. Que todos vocês vivam com gratidão, o verdadeiro caminho da humanidade, e tenham uma existência realizada e sem arrependimentos! O desejo dos três presidentes de edificar o século da paz Quando lhe perguntaram se ocorreria outra grande guerra na Europa, o renomado físico Albert Einstein (1879–1955) respondeu: “Se não fizermos nada, ela pode acontecer. Não se trata de uma questão de ‘esperar’, mas de ‘agir’. A paz mundial é possível com a organização adequada e os ideais certos”.12 Nessa perspectiva, o esforços que vocês, membros da nossa DUni, estão realizando são ainda mais importantes. Eles constituem o empenho para concretizar o ideal de Daishonin de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra” movido pela determinação de converter o século 21 num século de paz. Nos primórdios do nosso movimento, eu disse certa vez aos integrantes da DUni: “Sua divisão foi estabelecida para habilitá-los a liderar a caminhada rumo à consolidação da vitória do povo, pelo povo e para o povo”. Quando líderes sábios e corajosos assumirem papéis ativos no palco de sua missão, em todas as esferas da sociedade, a era da vitória do povo se abrirá amplamente. Esse é o desejo dos três primeiros presidentes da Soka Gakkai. Renovado empenho pelo kosen-rufu Em junho de 1978, quando fomos assolados por uma tempestade de ataques de forças que buscavam romper os laços de mestre e discípulo, compus a canção da DUni em japonês Kofu-ni-hashire [Corra pelo Kosen-rufu]. Na época, também apresentei três princípios norteadores para a divisão: 1) Todos vocês são valores humanos; 2) Todos vocês são estudantes dotados de uma missão; e 3) Suas atividades na Divisão dos Universitários são treinamento para se desenvolver como líderes desta era. Ainda me lembro nitidamente dos membros da DUni cantando alegremente “Avante, rumo ao kosen-rufu” repetidas e repetidas vezes na reunião na qual a canção foi apresentada. Com o espírito de transferir o bastão de mestre e discípulo, gostaria de entoá-la mais uma vez com vocês: Neste grande rio que flui vigorosamente Conversemos uns com os outros, banhados pelas ondas prateadas Este navio com certeza fará história Meus amigos, juntem-se a mim conforme avançamos rumo ao kosen-rufu Rede de bodisatvas Mérito Universal da proteção do povo no mundo inteiro Espero que todos vocês, com a vida repleta de sabedoria universal, se empenhem para expandir nosso círculo de amizade à medida que forem cumprindo sua responsabilidade de proteger o povo como bodisatvas Mérito Universal. Abraçando seu juramento do remoto passado, construam uma rede global de sabedoria e coragem para promover o grande empreendimento do kosen-rufu do Jambudvipa (o mundo inteiro). Confio todo o futuro a vocês, bodisatvas Mérito Universal Soka. (Daibyakurenge, edição de junho de 2019) Com a colaboração/revisão do Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da BSGI No topo: Em 17 de julho de 1979, o fundador da Universidade Soka, Dr. Daisaku Ikeda, assiste às apresentações do Festival Takiyama em meio aos alunos (Tóquio, Japão). Foto: Seikyo Press Notas: 1. Traduzido do japonês. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. Makiguchi Tsunesaburo Zenshu [Obras Completas de Tsunesaburo Makiguchi]. v. 6. Tóquio: Daisanbunmei-sha, 1983. p. 71. 2. Incidente de Osaka: Episódio no qual, em julho de 1957, o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, então secretário da Divisão dos Jovens, foi preso e equivocadamente acusado de violação da lei eleitoral no pleito suplementar de Osaka para a Câmara Baixa naquele ano. No fim do processo judicial, que se arrastou por mais de quatro anos, ele foi totalmente absolvido das acusações em 25 de janeiro de 1962. 3. Traduzido do japonês. TODA, Josei. Toda Josei Zenshu [Obras Completas de Josei Toda]. v. 1. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, 1992. p. 27. 4. Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente: Ensinamentos orais de Nichiren Daishonin sobre o Sutra do Lótus anotados e compilados pelo seu discípulo e sucessor Nikko Shonin. 5. Em Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Daishonin diz: “É devido à autoridade e aos poderes sobrenaturais do bodisatva Mérito Universal que este Sutra do Lótus é propagado por todo o Jambudvipa [o mundo inteiro]. Portanto, a ampla propagação deste sutra deve se dar sob o cuidado e a proteção do bodisatva Mérito Universal” (OTT, p. 190). 6. Trata-se de uma tradução reformulada com base na versão do Sutra do Lótus em inglês, conforme consta em The Lotus Sutra and Its Opening and Closing Sutras [O Sutra do Lótus e seus Capítulos de Abertura e Conclusão]. De acordo com o Departamento de Tradução de Textos Budistas da Soka Gakkai, essas alterações serão incorporadas numa futura edição revisada de Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente. 7. Daishonin redigiu essa carta no décimo mês de 1271, enquanto se encontrava em Echi, província de Sagami (atual província de Kanagawa). Endereçada a um conhecido no templo Seicho-ji, salienta que enfrentar uma perseguição que ponha a vida em risco em prol da Lei faz a pessoa assegurar a consecução do estado de buda. 8. Exílio em Sado: O exílio de Nichiren Daishonin na Ilha de Sado, situada no Mar do Japão, do décimo mês de 1271, logo depois da Perseguição de Tatsunokuchi, ocorrida no décimo segundo dia do nono mês de 1271, até o terceiro mês de 1274. Nos dois anos e cinco meses que Daishonin permaneceu em Sado, sofreu privação de alimento e roupas e sua vida esteve constantemente ameaçada pelos seguidores do Nembutsu. Durante esse período arriscado, porém, redigiu várias importantes obras, entre elas Abertura dos Olhos e O Objeto de Devoção para Observar a Mente, e ofereceu incentivos aos seus seguidores. 9. Rei demônio do sexto céu: Rei dos demônios que habita o mais elevado dos seis céus do mundo do desejo. Também é chamado de “aquele que desfruta livremente criações alheias”, rei que faz livre uso do fruto dos esforços dos outros a seu bel-prazer. Cercado por incalculáveis servos, obstrui a prática budista e se deleita em minar a energia vital dos outros seres. É considerado a manifestação da escuridão fundamental inerente à própria vida. O rei demônio é uma personificação da tendência negativa de forçar os outros a se submeter à sua vontade a qualquer custo. 10. GASSET, José Ortega Y. The Revolt of the Masses [A Rebelião das Massas]. Nova York: W. W. Norton & Company, Inc., 1993. p. 141. 11. Cf. Ibidem, p. 142. 12. BRIAN, Denis. Einstein: A Life [Einstein: Uma Vida]. Nova York: John Wiley & Sons, Inc., 1996. p. 206.

01/08/2022

Capa

Referências positivas

No livro Pé de Romã, há um episódio1 que retrata a interação entre um professor de escola de educação infantil e Daigo (pseudônimo do Dr. Daisaku Ikeda na obra). Naquele dia, Daigo estava triste e o professor se dispôs a ouvi-lo e a ajudá-lo, fazendo assim grande diferença na vida do pequeno. Essa passagem traz à luz a importância das boas referências. Neste significativo mês de agosto, vamos juntos nos aprofundar no tema e refletir sobre o que podemos fazer no local em que estamos para nos tornar também referências positivas. Para isso, aprenderemos com o exemplo do Mestre e com as palavras de Masashi Suzuki, novo reitor da Universidade Soka do Japão (USJ), em entrevista exclusiva à Terceira Civilização. De forma geral, sabemos como é importante ter boas referências, mas podemos ir além. Estudos revelam que a relação de admiração, de aprendizado e de vínculo afetivo entre a criança e um adulto de referência é primordial para o desenvolvimento de uma vida digna. Em uma palestra, a pedagoga Ana Claudia Arruda Leite afirma: A possibilidade do afeto, de ter um adulto que cuida de nós, é a base de um princípio que hoje é usado na educação, mas vem da física, [que é a] resiliência. [Em] uma pesquisa ligada à violência, viram que as pessoas que tiveram um adulto de referência conseguiram resistir às vulnerabilidades, às atrocidades [que lhes aconteceram].2 Ana Claudia explica que, de acordo com a pesquisa citada, ter boas referências e aprender com elas podem ser a diferença entre ter uma vida de violência e de esperança, entre cometer atos hediondos e desenvolver a resiliência. Esse tipo de relação não se limita à infância — ele continua por toda a vida. Em um ensaio, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, reflete: O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev, que tem mais ou menos a minha idade, disse-me uma vez que nossa geração podia ser descrita como “filhos da guerra”. Certamente, por sermos crianças, fomos obrigados a suportar a dor e a miséria das guerras iniciadas pelos mais velhos. Eis por que jamais devemos permitir que as futuras gerações vivam essa terrível tragédia. É nosso dever abrir caminhos para um século sem guerras, para um século de paz. Acredito que este seja nosso destino e nossa missão. Tive a boa sorte de encontrar meu mestre, Josei Toda. Como seu discípulo, venho me dedicando com todas as minhas forças. A tarefa de promover a educação que ele me confiou e à qual tenho devotado a minha vida progrediu a ponto de se encontrar hoje em construção a Universidade Soka da América (SUA).3 De “filho da guerra” para “mestre da paz” No mês em que completamos 75 anos do primeiro encontro de Daisaku Ikeda e seu mestre, Josei Toda, vemos que esse acontecimento foi essencial para transformar o jovem “filho da guerra” em um “mestre da paz”. Foi a figura, o exemplo e as lições de Josei Toda que capacitaram Daisaku Ikeda a levar incentivos para as pessoas ao redor do mundo, abrindo caminhos de empoderamento e de esperança àquelas com quem se encontrava. Dessa forma, ele próprio se tornou boa referência para incontáveis indivíduos ao longo dos anos. Daisaku Ikeda também se dedicou com afinco aos empreendimentos relacionados à educação, sonho esse que, na época em que foi idealizado, parecia distante demais para ser possível. Em um trecho do romance Nova Revolução Humana, com o pseudônimo de Shin’ichi Yamamoto, ele relembra: A situação econômica estava tão ruim que Toda sensei almoçava num refeitório barato destinado a estudantes. Foi uma época mais difícil em seus negócios, reflexo da crise do pós-guerra. Entretanto, ele se mantinha sereno e inabalável. Não raro, falava da grandiosa perspectiva do kosen-rufu enquanto caminhava em direção ao refeitório. Observando os estudantes que conversavam animadamente enquanto saboreavam a comida, Josei Toda disse a Shin’ichi: — Shin’ichi, vamos construir uma universidade. Ela será denominada Universidade Soka! Shin’ichi ouviu suas palavras em silêncio. Josei Toda cerrou levemente os olhos como se relembrasse o passado e disse, em tom de nostalgia: — Logo chegará o sétimo ano de falecimento do presidente Makiguchi. Numa ocasião, ele me disse: “Vamos construir, no futuro, uma escola para aplicar a educação Soka que estou pesquisando. Se isso não for possível enquanto eu estiver vivo, que seja em sua gestão. Edifiquemos uma rede de escolas embasada nos ideais da educação Soka, desde a educação infantil até a universidade”. Porém, acalentando esse sonho, ele morreu na prisão. Foi realmente uma perda lamentável. Como discípulo que recebeu a incumbência de realizar seu empreendimento, jurei que ergueria uma escola em seu lugar. Os ideais da educação defendidos por Tsunesaburo Makiguchi jamais devem ser perdidos. Se isso acontecer, será como sepultar o supremo legado espiritual da humanidade. Por isso, devo construir a Universidade Soka para o bem do mundo no futuro. No entanto, pressinto que não conseguirei edificá-la. Assim, conto com você, Shin’ichi. Construa a melhor universidade do mundo! Shin’ichi gravou profundamente em seu coração essas palavras, que se tornaram um testamento com o falecimento do seu mestre, Josei Toda.4 Conforme o registro acima, o primeiro passo de Ikeda sensei foi a fundação da Escola Soka de Tóquio, em 1968.5 A essa grande concretização seguiu-se a inauguração da Universidade Soka em 1971 e muitos outros empreendimentos no Japão e em outros países, como a Universidade Soka da América, nos Estados Unidos, e o Colégio Soka, no Brasil. Hoje, os desafios são outros. No entanto, o entrelaçamento de diversas crises6 que geram um grande sofrimento para jovens no mundo7 pode induzir à percepção de que existem poucas chances de concretizarmos objetivos relacionados à paz e à união dos povos. Mesmo assim, vários discípulos continuam a se dedicar sinceramente para dar continuidade ao legado do Mestre. Um deles é o atual reitor da Universidade Soka do Japão, Masashi Suzuki, que gentilmente nos contou sobre suas inspirações e sobre como a universidade atualmente se tornou um oásis de boas referências para jovens do mundo inteiro, incluindo os que passam por situação de vulnerabilidade. Vamos conferi-la na íntegra, a seguir. Masashi Suzuki novo reitor da Universidade Soka do Japão Terceira Civilização: Excelentíssimo reitor, Sr. Masashi Suzuki, muito obrigada pela concessão desta entrevista. Parabéns pela oportunidade de chegar ao posto de reitor da Universidade Soka do Japão! Masashi Suzuki: Muito obrigado! Acabo de assumir como reitor em abril e ainda me encontro no processo de adaptação (aprendendo o que a função requer), mas percebo, diariamente, a história e a tradição que a Universidade Soka possui até os dias de hoje, bem como seu enorme potencial para criar valor no futuro. Empenharei todas as forças para herdar corretamente o espírito de fundação do nosso fundador, Dr. Daisaku Ikeda, e assegurar que a Universidade Soka, a qual celebrou seu 50º aniversário, se desenvolva ainda mais daqui em diante. TC: Para iniciarmos nossa conversa, gostaríamos de perguntar ao senhor, recordando sua infância, quais foram as boas referências que teve desde pequeno e que o influenciaram a trilhar o caminho no qual está hoje? MS: A boa referência que tenho da minha infância é, em primeiro lugar, meu pai; a seguir, meu professor do ensino fundamental 1. Com eles, aprendi a importância da disciplina em minha vida diária e de me empenhar em tudo com diligência sem desleixar. Para ser honesto, a forma como vivo atualmente não chega aos pés do meu pai e do meu professor, mas acredito que me influenciaram no sentido de que não fico satisfeito se não concluir qualquer que seja o trabalho até nos detalhes. Do meu mestre da vida, o fundador da Universidade Soka, Dr. Daisaku Ikeda, aprendi sobre a liderança, para enxergar a essência dos acontecimentos e tomar medidas certeiras em prol do futuro; sobre a convicção e a capacidade de ação, para vencer sem falta as dificuldades; e sobre a postura, para me relacionar com qualquer pessoa do mundo com sinceridade. Como reitor, ele é também minha melhor referência visando ao desenvolvimento ainda maior da Universidade Soka. TC: De que forma o senhor busca honrar e transmitir o eterno legado do Mestre a partir do local em que está atualmente? MS: De maneira alguma conseguiria “imitar” Ikeda sensei, mas vim me empenhando para tratar a todos de forma sincera, sem distinção, incluindo professores, funcionários e estudantes. Além disso, as universidades devem continuar a captar com precisão as tendências do mundo e a promover reformas de modo consistente e incansável para que contribuam para a sociedade, desenvolvendo educação e pesquisas à frente de sua época. Desejo aprender com as ações do Dr. Ikeda para decidir como conduzir a Universidade Soka daqui para a frente. O trabalho de reitor abrange várias frentes e há um grande número de tarefas imprevisíveis com o qual jamais tive experiência. Nesses momentos, penso que “Um novo trabalho é sempre algo prazeroso”, procurando me dedicar com positividade. Isso é algo que aprendi também com a postura do Dr. Ikeda. Meu desejo é que os alunos da Universidade Soka se empenhem nas novas tarefas que enfrentam no dia a dia de forma proativa. TC: O fundador, Dr. Daisaku Ikeda, é uma grande referência também para incontáveis pessoas de todo o mundo. Como a postura dele atualmente impacta na vida dos alunos da Universidade Soka? MS: Hoje, os alunos da Universidade Soka quase não têm mais a chance de se encontrar pessoalmente com o Dr. Ikeda. Porém, a universidade possui as três diretrizes do “espírito de fundação” definidas pelo fundador. Esse “espírito de fundação” foi anunciado dois anos antes da inauguração da Universidade Soka, no seu plano de construção, e contém a missão que a instituição deve cumprir e a expectativa do fundador em relação aos estudantes.8 Todos os alunos da Universidade Soka vieram se desenvolvendo, gravando no peito o “espírito de fundação”, desde o início da história da instituição. Os atuais alunos também estão sempre atentos quanto a isso e conduzem uma vida universitária visando a essa concretização. É dessa maneira que a filosofia do Dr. Ikeda continua viva em cada estudante que passa pela universidade. Além disso, a instituição promove periodicamente o “Encontro dos Jovens Fundadores”, no qual os estudantes assistem a vídeos de discursos do fundador e aprendem sobre a sua filosofia. Muitos grupos e agremiações estudantis também enviam relatórios com suas decisões para o Dr. Ikeda quando eventos importantes, como um torneio ou um concurso, se aproximam. Assim, de diversas maneiras, os alunos da universidade se esforçam para estreitar os laços com o fundador. Além do mais, hoje, a Universidade Soka possui convênio com 228 universidades de 63 países. Esse vínculo com vários países também foi criado pelo próprio fundador. Os alunos que vão para fora do Japão, como intercambistas e outros, independentemente do destino, encontram um forte elo com o Dr. Ikeda e se tornam conscientes do quão grande é sua missão para estender e ampliar ainda mais os caminhos abertos pelo fundador. TC: Falando em estudantes intercambistas, o Dr. Daisaku Ikeda cita na Proposta de Paz deste ano que “A Universidade Soka do Japão oferece bolsas de estudo para candidatos com o status de refugiados”. O ambiente da faculdade em si pode ser considerado boa referência para esses alunos que enfrentam sérias questões pessoais ou sociais? De que forma isso se reflete na vida deles? MS: Em maio de 2016, a Universidade Soka assinou um convênio com o Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) para o Programa de Acesso ao Ensino Superior de Refugiados e aceitou seis estudantes refugiados até o momento. Em 2021, a instituição também pactuou com o Sistema de Ingresso por Recomendação para Pós-Graduação de Refugiados, tornando-se a primeira universidade no Japão a firmar convênios de graduação e pós-graduação. Até agora, um total de seis estudantes refugiados da Mianmar, da Síria e da Uganda estudou na Universidade Soka e obteve grandes resultados, incluindo trabalho em empresas de prestígio e continuação dos estudos na pós-graduação. Pela Iniciativa Japonesa pelo futuro dos Refugiados Sírios, da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), também estamos recebendo refugiados sírios como estudantes, desde 2017. Entre eles estão os estudantes da pós-graduação do Curso de Ciência e Engenharia. Satisfeitos com a vida na Universidade Soka, como eles contam, querem que o maior número de sírios possível tenha a mesma experiência. De fato, estão surgindo estudantes sírios que ingressaram na nossa instituição a convite deles. Além disso, a Universidade Soka anunciou que participará do programa Caminhos Universitários Japão-Ucrânia e aceitará até cinco estudantes ucranianos a partir do outono (japonês). Como a universidade tem instalações para o ensino de língua japonesa, é possível aceitar estudantes internacionais sem exigir conhecimento prévio do idioma. Um dos princípios fundadores da Universidade Soka, como indicado por seu fundador, Dr. Ikeda, é “Ser a fortaleza para a paz da humanidade”. Ele também mencionou que um dos pré-requisitos de um cidadão mundial é “Ser uma ‘pessoa de coragem’ que não teme ou rejeita a “diferença” de etnia ou de cultura, mas que respeita, entende e a torna nutriente para o crescimento”. Os alunos da Universidade Soka estudam essa filosofia e buscam adquirir coragem para respeitar a diversidade a fim de crescer e se tornar cidadãos globais. Nossa instituição tem atualmente cerca de seiscentos estudantes internacionais e, dessa forma, oferece um ambiente onde estudantes japoneses e estrangeiros podem crescer unindo forças. TC: Excelente! Sr. Suzuki, por fim, sabemos que os alunos são incentivados, dentro do ambiente da universidade, a se tornar boas referências para as futuras gerações, tanto de estudantes da Universidade Soka como do mundo. De que maneira isso contribui para a construção da esperança em prol de um futuro melhor para todo o mundo? MS: A Universidade Soka e as escolas Soka foram fundadas como instituições educacionais que põem em ação a “educação Soka”. O fundador da educação Soka, professor Tsunesaburo Makiguchi, definiu que o propósito da educação é “a felicidade dos alunos”. A base da educação Soka é a crença de que todos os seres humanos têm um potencial ilimitado. Quando o professor está consciente do próprio potencial ilimitado e procura esse mesmo potencial nos alunos, eles confiarão profundamente uns nos outros como seres iguais. Esses são o verdadeiro aspecto da educação e o espírito da educação Soka. Para vencermos a crescente pressão pela divisão do mundo atual, é necessário possuir uma visão de igualdade em uma dimensão mais profunda que transcenda diferenças de etnia e de religião. A filosofia da educação Soka está chamando cada vez mais a atenção como uma educação que cria um futuro de esperança, cultivando cidadãos globais fundamentados em uma verdadeira visão de igualdade. A Universidade Soka está empenhada em cultivar cidadãos globais que possam pôr em prática a criação de valor em qualquer ambiente. Esperamos que os jovens que estudam na universidade alcem voo para o mundo como indivíduos que continuam a oferecer esperança à humanidade. *** Por mais distante que o ideal da paz mundial pareça estar — comparável à distância entre a realidade de Josei Toda, almoçando num refeitório barato, e a concretização da Universidade Soka —, são as iniciativas como as relatadas pelo reitor que farão esse ideal se concretizar no futuro. Nas palavras do Sr. Suzuki, vemos a importância de cada estudante e de cada pessoa nesse processo. O mesmo ocorre em nossa realidade imediata. Por mais distantes que os ideais pareçam estar, são nossos esforços dedicados que transformarão o nosso entorno para torná-los possíveis — ou mais próximos da realidade, para aqueles que vierem depois de nós concretizar esses ideais. O que faz toda a diferença, como vimos nesta matéria, é o sentimento com o qual essas ações são realizadas e a base filosófica que elas possuem. Quando agimos em prol do elevado ideal da Soka Gakkai, como ensinado por Ikeda sensei, conseguimos “pôr em prática a criação de valor em qualquer ambiente” — conforme o reitor Suzuki comenta —, naturalmente inspirando outras pessoas por meio do nosso exemplo e das nossas ações. Resumindo, essa inspiração mútua, também chamada “onda de inspiração e de paz”, começou com os mestres predecessores, Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda, continuou com Ikeda sensei, que a transferiu para incontáveis discípulos, cada um com sua missão — tanto o reitor Suzuki e toda a equipe de funcionários e professores da Universidade Soka do Japão quanto nós em nossa realidade aqui no Brasil —, está ativa e continua a se expandir. São exemplos reais que nos mostram que esse tipo de efeito cascata positivo é realmente possível quando existem pessoas que se dedicam a ele com sinceridade e a partir de uma base sólida de vida. Ação e vitória incessantes Vivemos atualmente uma época bastante complexa. Diante de grandes impasses, o exemplo de pessoas inspiradoras como o Mestre nos mostra que, se nos esforçarmos para evidenciar o nosso melhor por meio da prática budista, do estudo dos princípios do budismo explanados pelo presidente Ikeda e da aplicação desse aprendizado no nosso cotidiano com sinceridade e preocupação genuína com as pessoas com quem temos relação, sem dúvida, nós nos tornaremos referências positivas que farão a diferença na vida de alguém. Neste mês de agosto, do encontro ideal entre o nosso mestre, Daisaku Ikeda, e aquele que se tornou sua maior referência, o professor Josei Toda, avancemos juntos a fim de expandirmos a “onda de inspiração” com a certeza de que estamos contribuindo diretamente para a concretização da tão sonhada paz mundial. No topo: Vista aérea do campus da Universidade Soka do Japão, em Hachioji (Tóquio). Foto: Seikyo Press Notas: 1. ARAYA, Yukio. Pé de Romã: Contos Infantis. Tradução: Noriko Sashide Kanno. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 74, 75. 2. https://institutocpfl.org.br/play/qual-a-importancia-de-um-adulto-de-referencia-na-vida-de-uma-crianca/ 3. Terceira Civilização, ed. 646, jun. 2022, p. 40-44. 4. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 10, p. 198-199, 2020. 5. Ibidem, v. 17, p. 80. 6. Terceira Civilização, ed. 633, maio 2021, p. 16. 7. Idem, ed. 645, maio 2022, p. 32. 8. “Três diretrizes” (ou lemas) da Universidade Soka: “Ser o mais elevado estabelecimento do saber para a educação humanística”; “Ser o berço de uma nova cultura”; e “Ser a fortaleza para a paz da humanidade” (IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 15, p. 94, 2019).

01/08/2022

Especial

Esperança que Constrói — parte 2

Então, quais são as condições para a cidadania global? Durante as últimas décadas, tive o privilégio de me encontrar e conversar com muitas pessoas, de todos os estratos sociais, e venho ponderando sobre o assunto. A cidadania global com certeza não é determinada apenas pelo número de línguas que alguém fala, nem pelo número de países para onde viajou. Tenho muitos amigos que poderiam ser considerados simples cidadãos comuns, mas possuem nobreza interior. Além disso, nunca viajaram para fora de sua terra natal e, ainda assim, nutrem verdadeira aspiração pela paz e prosperidade do mundo. Posso afirmar com convicção que os elementos essenciais da cidadania global são: Sabedoria para perceber a interconectividade de toda vida e experiência. Coragem de não temer nem negar as diferenças; e sim de respeitar e se esforçar para compreender pessoas de culturas distintas, e de crescer a partir desses encontros. Compaixão para cultivar uma empatia construtiva que transcende o contato próximo e se estende a quem sofre em lugares distantes. Sinto que a inter-relação abrangente, que forma o núcleo da visão do mundo budista, pode fornecer uma base para a realização concreta dessas qualidades de sabedoria, coragem e compaixão. A seguinte parábola do cânone budista ilustra com uma bela metáfora visual a interdependência de todos os fenômenos e de sua inclusão mútua: No palácio de Indra, que também simboliza o poder da natureza que protege e nutre a vida, existe uma rede suspensa e, nela, uma joia presa em cada ponta de nó. E cada uma dessas joias contém e reflete a imagem de todas as outras contidas na rede, que cintilam na magnificência de sua totalidade. Quando aprendemos a reconhecer aquilo a que [Henry David] Thoreau (1817–1862) se refere como “a extensão infinita de nossas relações”,1 podemos traçar os fios da vida que sustentam uns aos outros, e descobrir aí as joias cintilantes dos nossos vizinhos globais. O budismo procura cultivar a sabedoria fundamentada nesse tipo de ressonância em que há empatia com todas as formas de vida. Na visão budista, a sabedoria e a compaixão estão intimamente ligadas e fortalecem uma à outra. A compaixão no budismo não significa anular à força nossas emoções, preferências e aversões. Pelo contrário, é perceber que mesmo aqueles de quem não gostamos têm qualidades que podem contribuir para nossa vida e nos dar a oportunidade de polirmos nossa própria humanidade. Além do mais, o desejo compassivo de encontrar maneiras de contribuir para o bem-estar dos demais é o que nos faz manifestar uma sabedoria ilimitada. O budismo ensina que tanto o bem como o mal são potencialidades inerentes às pessoas. A compaixão consiste no esforço firme e corajoso de visualizar o bem em qualquer pessoa, seja ela quem for, seja qual for seu comportamento. É se esforçar, por meio de um empenho consistente, para cultivar as qualidades positivas em si e nos outros. No entanto, esse empenho requer coragem. Há demasiados casos em que a compaixão, devido à falta de coragem, não passa do sentimento. No budismo, a pessoa que possui tais qualidades — sabedoria, coragem e compaixão — e se dedica de modo incessante à felicidade das demais, é denominada “bodisatva”. Nesse sentido, poderíamos dizer que a condição de bodisatva é um precedente antigo e um exemplo moderno de cidadania global. O cânone budista também traz a história de uma contemporânea de Shakyamuni, uma mulher chamada Shrimala, que se dedicou a ensinar que a prática do bodisatva consiste em encorajar, com cuidados maternais, o potencial máximo para o bem existente em todas as pessoas. O juramento dela assim foi inscrito: “Se vejo pessoas solitárias, que foram presas injustamente e perderam a liberdade, ou que sofrem de doença, catástrofe ou pobreza, nunca as abandono. Ofereço-lhes conforto espiritual e material”.2 De fato, sua prática consistia em: Encorajar os demais com amabilidade e consideração, por meio do diálogo (sânscr. priyavacana). Fazer oferecimentos ou prover às pessoas com o que necessitavam (sânscr. dana). Atuar em apoio a outras pessoas (sânscr. artha-carya). Voluntariar-se para trabalhar em conjunto com outros (sânscr. samanartha). Por meio desses esforços, Shrimala seguiu com seu objetivo de focalizar a luz nos aspectos positivos das pessoas que encontrava. A prática do bodisatva se alicerça na profunda fé na bondade inerente ao ser humano. O conhecimento deve ser canalizado na tarefa de desencadear esse potencial criativo e positivo. Esse propósito pode ser comparado à capacidade que permite fazer uso dos instrumentos de precisão de um avião para chegar a um destino com segurança e sem incidentes. Por essa razão, também é necessária a perspicácia para reconhecer o mal que causa destruição e divisão e, da mesma forma, é inerente à natureza humana. A prática do bodisatva é um confronto direto com o que o budismo chama de “escuridão fundamental” da vida.3 A chave para acabar com a divisão é viver pelo altruísmo A “bondade” pode ser definida como aquilo que nos move no sentido de uma coexistência harmoniosa, da empatia e da solidariedade com os demais. A natureza do mal, por outro lado, divide as pessoas e a humanidade da natureza. A patologia da divisão leva as pessoas a um apego insensato à diferença e as cega para os pontos em comum. Isso não se limita aos indivíduos, mas constitui a psicologia profunda do egoísmo coletivo, que assume a forma mais destrutiva em cepas virulentas de etnocentrismo e nacionalismo. O esforço para se elevar acima desse egoísmo e habitar horizontes mais amplos nos quais as pessoas serão capazes de realizar contribuições constitui o núcleo da prática do bodisatva. A educação é, ou deveria ser, fundamentada no mesmo altruísmo que o da prática do bodisatva. A missão orgulhosa daqueles que receberam educação deve ser a de servir, de forma visível e invisível, à vida de quem não teve essa oportunidade. Por vezes, a educação pode se tornar uma questão de graus e títulos, e de posição e autoridade que estes conferem. Contudo, estou convencido de que a educação deve ser um veículo para desenvolver no próprio caráter o nobre sentimento de abraçar a vida ao redor e contribuir para a sua felicidade. Assim, a educação deve proporcionar o impulso para vencer as próprias fraquezas, prosperar em meio à realidade social, às vezes rigorosa, e gerar novas vitórias para o futuro da humanidade. A humanidade do educador é o núcleo da experiência educacional Empenhar-se para promover cidadãos globais, estabelecendo os fundamentos conceituais e éticos da cidadania global, diz respeito a todos nós. É um projeto vital no qual somos participantes e pelo qual partilhamos responsabilidades. Para que essa educação universal seja significativa, ela deve ser empreendida como parte integrante da vida cotidiana em nossa respectiva comunidade local. Ambos, Dewey e Makiguchi, focalizavam a comunidade local como o núcleo de formação de cidadãos globais. Na obra Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana], escrita por Tsunesaburo Makiguchi, publicada em 1903, considerada pioneira em ecologia social, ele salientou a importância da comunidade como local de aprendizagem. Makiguchi também escreveu: A comunidade, em suma, é o mundo em miniatura. Se encorajarmos as crianças a observar com atenção as complexas relações entre as pessoas e a terra, entre a natureza e a sociedade, elas compreenderão a realidade do lar, da escola, da vizinhança, localidade ou cidade, e serão capazes de entender o mundo.4 Essas palavras estão de acordo com a observação de Dewey de que aqueles que não tiveram a experiência que aprofunda a compreensão do seu entorno e dos vizinhos não serão capazes de manter o respeito por outras pessoas de terras distantes.5 Nossa vida diária está repleta de oportunidades para desenvolvermos a nós próprios e aos que nos rodeiam. Cada interação — diálogo, intercâmbio e participação — é uma oportunidade inestimável para criar valor; aprendemos com as outras pessoas. É por essa razão que a humanidade de quem exerce o papel da educação representa o núcleo da experiência educacional. Makiguchi argumentou que a educação humanística, a qual orienta o processo de formação do caráter, é uma habilidade transcendente que deveria ser denominada “arte”. A experiência inicial de Makiguchi como professor foi numa região rural remota do Japão, onde ensinou numa escola equivalente a uma única sala de aula. As crianças eram carentes de recursos e o comportamento delas refletia a educação em lares empobrecidos com modos rudes. Contudo, Makiguchi era insistente: Todos eles são estudantes. Do ponto de vista da educação, que diferença poderia haver entre eles e outros estudantes? Mesmo que possam estar cobertos de pó ou de sujeira, o brilho dos esforços na vida irradia de suas roupas sujas. Por que ninguém tenta ver isto? O educador é tudo o que existe entre eles e a cruel discriminação da sociedade.6 No ambiente educacional, os educadores são fundamentais. Essa convicção de Makiguchi é o espírito imutável da educação Soka. Em outro trecho, Makiguchi escreveu: Os educadores devem descer do trono onde são posicionados como objeto de veneração e atuarem como funcionários públicos que orientam aqueles que buscam ascender ao trono do aprendizado. Não devem agir como mestres que se postam como modelos de perfeição, mas parceiros na descoberta de novos modelos.7 É minha firme convicção que a escola é o local em que educadores se dedicam a servir aos estudantes, e não às instalações inanimadas. Recentemente, ouvi de um educador esta opinião: “A vida dos estudantes não é tocada por palestras, mas por pessoas. Por esse motivo, as interações entre alunos e professores são essenciais”. O que mais aprendi com meu mestre é ter compaixão pelas pessoas Em minha experiência, a maior parte da minha educação esteve sob a tutela do meu mestre da vida, Josei Toda. Por cerca de dez anos, todos os dias antes do trabalho, ele me ensinava ampla gama de disciplinas: história, literatura, filosofia, economia, ciência e teoria da organização. Aos domingos, nossas sessões individuais começavam pela manhã e continuavam ao longo do dia. Ele sempre estava me questionando — ou, melhor dizendo, me interrogando — sobre a leitura que eu havia feito. No entanto, acima de tudo, aprendi com o exemplo que ele deu. O empenho ardente dele pela paz, que permaneceu inabalável durante o período em que ficou preso, foi algo que carregou consigo por toda a vida. Foi com essa atitude e com sua profunda compaixão, características de cada uma de suas interações, que mais aprendi. Noventa e oito por cento do que sou hoje devo à educação que recebi dele. O sistema educacional Soka, ou sistema de criação de valor, nasceu do desejo de que as gerações futuras tenham a oportunidade de vivenciar esse mesmo tipo de educação humanística. É minha maior esperança que os formandos das escolas Soka se tornem cidadãos globais capazes de escrever uma nova história em prol da humanidade. Reunir a força dos povos para solucionar problemas globais Se as ações desses cidadãos, porém, não forem coordenadas, elas não serão eficazes; em vista disso, não podemos ignorar o potencial relevante do sistema da Organização das Nações Unidas (ONU). Chegamos a um ponto em que a ONU pode servir de centro, não só para “harmonizar a ação das nações”,8 mas também para a criação de valor por meio da educação de cidadãos globais que possam criar um mundo pacífico. Embora, até esta data, os Estados e os interesses nacionais tenham dominado o debate na organização mundial, cada vez mais a energia da declaração “Nós, os povos (...)” tem adquirido visibilidade, em particular pelas atividades das organizações não governamentais (ONG). Nos últimos anos, os debates globais sobre questões tão críticas como as do meio ambiente, dos direitos humanos, dos povos indígenas, das mulheres e a populacional têm sido realizados sob os auspícios da ONU. Com a participação de representantes governamentais e não governamentais, as conferências sobre os problemas mundiais têm promovido o processo de formação de uma ética global que deve ser o sustento da cidadania global. Nesse sentido, em coordenação com os esforços das Nações Unidas, gostaria de ver essas questões incorporadas como elementos integrantes da educação em todos os níveis. Por exemplo: Educação para a paz, em que jovens aprendem sobre a crueldade e a insanidade da guerra, para assim enraizar a prática da não violência na sociedade humana. Educação ambiental, com o objetivo de entender as atuais realidades ecológicas e os meios para proteger a natureza Educação para o desenvolvimento, com foco nas questões que envolvem pobreza e justiça global. Educação em direitos humanos, com o propósito de despertar uma consciência de igualdade e dignidade humanas. Há muito tempo, acredito que a educação nunca deva se submeter aos interesses políticos. Para evitar que isso ocorra, considero que deveria haver um estatuto governamental nos assuntos públicos equivalente aos campos do Legislativo, Executivo e Judiciário. Essa proposta surge das experiências dos meus antecessores, o primeiro e o segundo presidentes da Soka Gakkai [Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda], os quais confrontaram sem cessar o controle político da educação. Para os próximos anos, minha esperança é de que possamos contemplar a realização de uma conferência mundial, não de políticos, mas de educadores. Isso porque não existe nada mais importante para o futuro humano que a solidariedade transnacional de educadores. Nesse sentido, estamos determinados a seguir com nossos esforços para promover o intercâmbio educacional entre jovens, seguindo o exemplo do Teachers College, que, em meu entendimento, conta hoje com um corpo estudantil proveniente de cerca de oitenta países. Assim como Makiguchi afirmou: “Os esforços educacionais construídos com base numa compreensão sólida e com um sentido de propósito definido têm o poder de superar as contradições e dúvidas que afligem as pessoas, e de conquistar uma vitória eterna para a humanidade”.9 Quero firmar o compromisso de dedicar todos os meus esforços para que, junto com meus distintos amigos aqui reunidos, nos empenhemos no sentido de promover cidadãos globais que possam conquistar, cada um, essa “vitória eterna para a humanidade”. No topo: Presidente Ikeda visita alunos na Universidade Soka. “No ambiente educacional, os educadores são fundamentais. Essa convicção de Makiguchi é o espírito imutável da educação Soka”, diz Ikeda sensei (Hachioji, Tóquio, jan. 2004). Foto: Seikyo Press Notas: 1. THOREAU, H. D. The Village [A Vila]. In: Walden, The Selected Works of Thoreau [Walden, Obras Selecionadas de Thoreau]. HARDING, Walter (ed.). Cambridge, Boston: Houghton Mifflin Company, 1975. p. 359. 2. Cf. The Lion’s Roar of Queen Srimala: A Buddhist Scripture on the Tathagata-garbha Theory [O Rugido do Leão da Rainha Shrimala: Uma Escritura Budista da Teoria Tathagata-garbha]. Tradução: Alex Wayman e Hideko Wayman. Nova York: Columbia University Press, 1974. p. 65. 3. “Opening of the Eyes [Abertura dos Olhos]. In: Selected Writings of Nichiren [Obras Selecionadas de Nichiren]. Tradução: Burton Watson et al. YAMPOLSKY, Philip B. (ed.). Nova York: Columbia University Press, 1990. p. 50. 4. An Anthology of Tsunesaburo Makiguchi’s Works [Uma Antologia das Obras de Tsunesaburo Makiguchi]. TSUJI, Takehisa. (ed.). Tóquio: Daisanbunmei-sha, 1994. p. 40. Tradução do japonês. 5. DEWEY, John. The Problem of Method [O Problema do Método]. In: The Public and Its Problems [O Povo e seus Problemas], p. 213. 6. Collected Works of Tsunesaburo Makiguchi [Obras Completas de Tsunesaburo Makiguchi]. Tóquio: Daisanbunmei-sha, v. 7, p. 183, 1982. Tradução do japonês. 7. Collected Works of Tsunesaburo Makiguchi [Obras Completas de Tsunesaburo Makiguchi]. Tóquio: Daisanbunmei-sha, v. 6, p. 289, 1983. Tradução do japonês. 8. Carta das Nações Unidas, artigo 1º. 9. Collected Works of Tsunesaburo Makiguchi [Obras Completas de Tsunesaburo Makiguchi]. Tóquio: Daisanbunmei-sha, v. 8, p. 365, 1984. Tradução do japonês.

01/08/2022

Capa

Cultivar o futuro, germinar esperança

O mundo pós-pandemia se abriu aos poucos. O inevitável descompasso entre o cotidiano anterior e este que se apresenta impõe desafios em todas as áreas do conhecimento humano. É tempo de retomar a boa saúde, o emprego, a renda e as relações com os amigos. A oferta escassa de possibilidades de enxergar perspectivas positivas é a que chega pelos veículos de massa aos montes, somando-se às informações associadas ao já considerado exaustivo acesso à internet. Essa enxurrada de dados e os indícios ao redor dão conta de que estamos em período de reconstrução, mas pouca gente sabe por onde começar. É como se fôssemos desafiados a visualizar um vistoso jardim crescer em um campo devastado diante de nós. Falando em jardins, o mês de junho marca as comemorações em defesa do meio ambiente em todo o mundo, dia 5, e o Dia Nacional da Educação Ambiental, no dia 3, com o objetivo de mobilizar a sociedade para práticas sustentáveis e de proteção à vida no planeta. Sabemos que não há fórmula mágica. Tratar essa temática no plano prático implica consciência e ação coletivas, ou seja, entender e colocar a mão na massa. Há anos, o Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), vem clamando por uma nova forma de pensamento, propondo a busca da coexistência harmoniosa entre o homem e a natureza — princípio também exposto no budismo. A consciência de que a vida humana e seu ambiente são unos e inter-relacionados é essencial para a preservação da própria raça humana, reforça ele. Trazendo para os desafios atuais, num período permeado de conflitos constantes, pensar se ainda dá tempo para proteger a vida no planeta é missão que desafia até os mais otimistas. Por estarmos em período de reconstrução, podemos inferir que para o “jardim da vida” é tempo de “arar a terra”, preparar o solo para o que será cultivado daqui em diante. No livro Vida: Um Enigma, uma Joia Preciosa, o presidente Ikeda traz luz a alguns aspectos que podem ampliar nossa perspectiva sobre esse cultivo. Extraindo a sabedoria do ensinamento do Budismo Nichiren, ele ressalta a crucial importância do momento presente: Em Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, de Nichiren Daishonin, há um trecho sobre a palavra japonesa irai, que, em geral, significa “a partir de agora” ou “a partir de então”. A passagem diz: “I (já, ou que passou) refere-se ao passado, e rai (que está por vir) indica o futuro. O presente está contido nestes dois elementos ­­— i e rai”.1 Falando de modo mais direto, o momento presente abarca tanto o passado como o futuro, e é a ligação contínua necessária entre os dois.2 Trata-se da atitude de não “subestimar o potencial inerente a qualquer que seja o momento”,3 também citada na obra. Com isso, o presidente Ikeda elucida que a semente da esperança, uma vez enraizada no coração humano, se cultivada dia a dia, florescerá sem falta. O Budismo Nichiren é a filosofia da esperança porque ensina que o presente momento abrange o futuro e que cada causa contém seu efeito. Essa perfeita simultaneidade é ilustrada justamente com um fenômeno da natureza, a flor de lótus: de um lago lamacento, floresce em exuberância e, ao mesmo tempo, dá frutos — a causa e o efeito contidos em um único momento. Além disso, quanto mais turvo o pântano, mais bela e perfumada é a flor. Ou seja, mesmo inseridos em contextos graves, nossas ações definem o futuro a cada instante. E isso se relaciona com a esperança, pois mostra que nada é definitivo e que, sobretudo, podemos agir para fortalecer, cultivar e transformar. Cidadãos globais nascem da terra Tudo parte da nossa atitude. A humanidade anseia por um jardim no qual igualdade e reconhecimento da dignidade das pessoas sejam germinados. E os mestres budistas explicam que essa potencialidade existe na pessoa que desenvolve as características de um “cidadão global”. Há setenta anos, em 1952, o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, citou pela primeira vez o conceito de “cidadania global”. Era uma época em que a Guerra da Coreia, que irrompera havia dois anos, ainda estava em andamento, e a divisão entre o Bloco Ocidental e o Bloco Oriental caminhava para o fim. O discípulo, Daisaku Ikeda, traduziu a atitude de Toda sensei da seguinte forma: O conceito de cidadania global do Sr. Toda estava imbuído do ardente desejo de pôr um ponto-final no ciclo de guerras aparentemente interminável e livrar as pessoas da miséria — transcender todas as diferenças étnicas e ideológicas e abrir o caminho da coexistência pacífica e harmoniosa para a humanidade. Consistia numa filosofia que reconhecia todos os seres humanos como habitantes do planeta Terra e que abraçava igualmente povos de todas as regiões. Uma filosofia de paz e harmonia que se contrapunha à violência e à divisão que geravam infelicidade e sofrimento à humanidade.4 Ikeda sensei abraçou então a causa humanística como propósito de vida e, assim como seu mestre, defendeu a educação como fertilizante eficaz para o cultivo de pessoas valorosas e instituições que estimulassem esse rico aprendizado. A partir de então, as realizações de Daisaku Ikeda abriram fronteiras jamais desbravadas. Em 1975, no momento da fundação da Soka Gakkai Internacional (SGI), na ilha de Guam, nos Estados Unidos, ao apor sua assinatura no livro de presença, no local de sua nacionalidade, ele escreveu “Mundo”. Ikeda sensei sabia de sua missão de edificar com a vida uma rede de pessoas do bem, sem limites ou fronteiras. E assim a SGI reúne hoje cerca de 12 milhões de membros, em 192 países e territórios. Nas questões ambientais, o Brasil viu surgir de áreas degradadas o antigo Instituto Soka — Centro de Pesquisas e Projetos Ambientais do Amazonas (Cepeam), atual Instituto Soka Amazônia, que completa este mês trinta anos desde o início das obras. Localizado em uma área de 52 hectares às margens do Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões, em Manaus, teve seu perímetro adquirido em 1990, e em 2001 as obras foram concluídas com abertura para visitação. Em 1995, além de ser reconhecido por seus três sítios arqueológicos, o instituto foi credenciado como Reserva Particular de Patrimônio Natural — RPPN (desde 1996, RPPN Dr. Daisaku Ikeda). Hoje, ele está guindado ao status de signatário do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo. O presidente Ikeda, fundador do instituto, não conhece a Amazônia pessoalmente. Mas seus objetivos e suas ações foram além, atravessaram o tempo e o espaço e fincaram ali seu sonho de proteger a casa da vida para a humanidade. Desde o início até hoje, passaram-se três décadas de atuação, baseadas no esforço de cultivar a consciência de que é responsabilidade de todos a escolha das sementes: proteger ou destruir. “Uma sociedade sustentável é aquela cujo futuro não seja prejudicado pelas necessidades momentâneas do presente, mas onde as melhores escolhas sejam determinadas pelos interesses dos nossos filhos e netos”, o presidente Ikeda afirma em trecho da Proposta de Paz enviada à Organização das Nações Unidas (ONU) em 20125 — demonstrando que, mesmo dez anos depois de o instituto ser estabelecido, não houve um momento em que a defesa das futuras gerações deixou de ser alvo de suas constantes ações. O Instituto Soka Amazônia reflete a esperança, tanto da filosofia que é sua base como dos projetos desenvolvidos [veja informações adicionais abaixo], oferecendo a perfeita sinergia entre os cuidados diretos com o meio ambiente e a educação ambiental — e um olhar especial para os brotos da geração 2030, crianças e jovens estudantes. O atual projeto de educação ambiental, desenvolvido pelo instituto, já atingiu milhares de alunos e consiste em oferecer aos estudantes de escolas públicas da região a oportunidade de passar um dia em suas instalações e aprender, na prática, a importância de preservar o bioma, popularizar a ciência e se familiarizar com a floresta. Muitas vezes esse é o primeiro contato deles com uma reserva natural. Ao lado de iniciativas de impacto direto na rede pública, expandindo os espaços físicos de uma escola, empresas e comunidade em geral são parceiras estratégicas do Instituto Soka Amazônia, construindo um círculo virtuoso de cuidados com o ser humano e seu entorno. Ele preconiza uma vivência prática, gerando um desenvolvimento de valores humanísticos da e na sociedade, reflexo de pensamento e visão atemporais. Em seu livro escrito em 1903, Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana], considerada uma obra pioneira em ecologia social, o fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, já trazia a importância da comunidade como um local de aprendizado: A comunidade, em resumo, é o mundo em miniatura. Se encorajarmos as crianças a observarem diretamente as complexas relações entre as pessoas e a terra, entre a natureza e a sociedade, elas compreenderão a realidade de seu lar, de sua escola, da vida, do bairro ou da cidade, e poderão compreender todo o mundo.6 Se há então desesperança no olhar de futuro baseado nas circunstâncias desses desafiadores tempos pós-pandemia, nossa missão, como discípulos de Daisaku Ikeda e herdeiros do legado dos Três Mestres, é agarrar firme o presente, e, a cada dia, com grandes ou pequenas ações, expandir raízes da esperança, benevolência e compaixão em nosso entorno. Com isso, vencer os desafios pessoais, buscar valor e significado em tudo o que existe, trazer um exemplo ou um gesto positivo à pessoa que está à nossa frente, e assim eternizar o presente construindo o futuro. O presidente Ikeda, que materializou os sonhos de Makiguchi, declara: As pessoas que cultivam a determinação e a esperança utilizam o passado e o futuro para criar um presente momentâneo satisfatório e, assim, aceleram seu fluxo vital interior. Em outras palavras, um passado e um presente de experiências ricas garantem um futuro rico; um presente e um futuro de experiências valiosas garantem um passado valioso. É um círculo duradouro; e o ponto de partida desse círculo é o momento único da vida chamado presente.7 Eis a base da criação de pessoas de grande valor, origem da palavra “Soka”, fonte de esperança para a sociedade dos dias atuais. É sentir a dor do outro, ter a coragem para agir em prol dos seres vivos e adquirir sabedoria para entender o sofrimento de qualquer pessoa do planeta. No budismo, justamente são essas as características do bodisatva da terra. O Mestre, em sua sabedoria, afirma que essas também são características do cidadão global — jardineiro do futuro, vanguardista fazendo acontecer. “Ser ou não cidadão global é determinado pelo coração que se tem. É definido pelas ações do nosso dia a dia”,8 reforça o presidente Ikeda, relembrando o importante encontro com a futuróloga Dra. Hazel Henderson, com quem publicou uma coletânea de diálogos visando buscar soluções para os problemas ambientais do planeta. Ikeda sensei vê nas terras devastadas do Amazonas o potencial do mais florido jardim da vida — da mesma forma que enxerga tal potencial “jardim” na vida de cada pessoa e na humanidade. Ele divide sua expectativa: Um futuro de esperança pode se descortinar se suplantarmos aquilo que o presidente Josei Toda classificava de egocentrismo míope e promovermos a competição humanitária defendida pelo presidente Makiguchi, ou seja, o trabalho conjunto de pessoas comprometidas a viver juntas, como vizinhos dentro de um único mundo e criar valor. Esse é, de fato, o objetivo central do movimento da SGI o qual denominamos revolução humana.9 Cabe a cada um de nós, portanto, arregaçar as mangas e absorver os nutrientes férteis desse exercício pleno de cidadania. Precisamos cuidar do nosso jardim interno, eliminando as ervas daninhas da dúvida e da apatia no coração para que possamos dedicar o nosso melhor à vida, seja a nossa, seja a dos que estão ao redor. A prática da fé existe para isso. Assim, seremos capazes de fazer florir a felicidade na vida dos outros e agir de forma consciente pelo meio ambiente, cuidando de todos e protegendo o futuro das próximas gerações. Germinar esperança A pandemia da Covid-19 impôs desafios inimagináveis à humanidade. Agora que a sociedade parece “voltar ao normal” e que vemos os efeitos dos dois anos passados em nossa vida e em nosso contexto, o sentimento é de que o verbo “reconstruir” deverá ser conjugado por todos. É o nosso jardim da vida que pede novos brotos de coragem e compaixão, aqui e agora. A semente para tal chama-se educação. Vemos isso tanto no exemplo e nas orientações do Mestre como nos resultados obtidos pelo Instituto Soka Amazônia, há três décadas plantando produtivas sementes. Ambos nos trazem a crença da assertiva do caminho: flores humanas para o bem da humanidade. Desde 1930, os Mestres Soka — Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda —, à frente do seu tempo, delinearam o humanismo de ação transformadora, capaz de fertilizar terras ressequidas da desesperança. Eles provaram com a vida que não há dúvida: o sol brilha e horizontes de esperança se abrem para as futuras gerações se, a partir de cada um de nós, generosas sementes de solidariedade forem plantadas no coração daqueles que sofrem e cultivadas com o diálogo sincero — movimento denominado kosen-rufu. É preciso se reconectar com o outro, com o meio e consigo para cultivar essa consciência, e fazê-la germinar esperança, a começar pelas ações do presente, rumo ao eterno futuro. Vista aérea do Instituto Soka Amazônia, tendo ao fundo o Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões PROJETOS DO INSTITUTO SOKA AMAZÔNIA do e para o ser humano Exposições: Coincidindo com o lançamento do HUB ODS Amazonas, do qual o Instituto Soka Amazônia faz parte, foi inaugurada em fevereiro deste ano a exibição Sementes da Esperança e Ação, Transformando os ODS em Realidade. Feita em formato digital para permitir a expansão e interação com o rico conteúdo da mostra, é uma evolução da conhecida exposição Sementes da Esperança —Visões de Sustentabilidade, Passos Rumo às Mudanças, lançada em 2010 no formato físico, vista por mais de 200 mil pessoas no país. Lúdica e interativa, está dividida em cinco tópicos, com inspiração e conhecimento para o exercício pleno da cidadania global. Ao final, o internauta responde a um quiz (perguntas e respostas), com direito a certificado de “Embaixador da Esperança” se atingir determinada pontuação. Teste seus conhecimentos e seja um “embaixador” você também! Acessível nos idiomas português, inglês e espanhol, a exposição virtual está disponível no site do instituto, link: https://sementesdaesperancaeacao.com.br/ Sementes da Vida: Para cada criança que nasce, uma árvore é plantada. Esta é uma parceria com a maternidade pública Moura Tapajós, da cidade de Manaus, e garante que, junto com a certidão de nascimento do bebê, os pais recebem um certificado de plantio, emitido com o nome da criança, identificando a espécie e sua geolocalização. A iniciativa é da Corregedoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (com o programa Corregedoria Mais Verde), envolvendo o Instituto Soka Amazônia e outros parceiros locais. As mudas plantadas são mantidas e cuidadas pelo instituto. Com isso, ampliam-se as áreas verdes da cidade, envolvendo a população nesse processo desde a infância. Academia ambiental: Pelo programa, estudantes da rede pública de ensino têm acesso à educação ambiental nas dependências do Instituto Soka Amazônia, numa experiência que mistura conhecimento sobre conservação, manejo da biodiversidade e interação com o meio ambiente. As visitas são acompanhadas pelos pesquisadores do instituto. Desde o seu início, o programa já teve a participação de milhares de estudantes do ensino fundamental de muitas escolas de Manaus e da região. E mais: professores e universitários de instituições de ensino públicas e privadas brasileiras e estrangeiras, bem como cientistas, participam, cada um a seu modo, da Academia Ambiental e dos demais projetos. Memorial Vida: Assim que a Covid-19 fez suas primeiras vítimas, o Instituto Soka Amazônia se mobilizou para oferecer seu apoio, que chega como um abraço às famílias enlutadas. É feita uma homenagem póstuma a cada vítima em nosso país com o plantio de uma árvore — projeto que tem atraído cada vez mais apoio de empresas e de instituições sociais. Manaus Te Quero Verde: Quem imagina que Manaus é considerada uma cidade mal arborizada? Os dados conferem, e para reverter esse índice o Instituto Soka Amazônia se uniu à Secretaria Municipal de Educação da capital amazonense, em 2021. A proposta é estimular nos jovens o precioso hábito de plantar árvores. A meta é ousada: dez novas árvores para cada aluno matriculado na rede municipal de ensino. Não se trata de um programa formal de treinamento, mas, para a alegria dos técnicos envolvidos, ao final, os estudantes saem felizes por ter aprendido o valor da natureza e do reflexo de suas ações no presente, como causa para o futuro. Semear: Em três anos, de 2016 a 2019, antes da pandemia da Covid-19, nesse projeto Semear, o Instituto Soka Amazônia trabalhou em duas frentes. Na primeira, em parceria com a Panasonic do Brasil e a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), houve o plantio de cerca de mil árvores no entorno do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. Muitas dessas mudas eram de espécies ameaçadas de extinção e isso representou mais um passo na recuperação ambiental de vasta área de Manaus. A segunda área fica nas adjacências do Igarapé do Mindu, que em seus 22 quilômetros de extensão cruza a capital. Além de vários bairros, é ali que se localiza o Golf Club Manaus, onde houve o outro plantio. FAÇA PARTE: Essas informações foram extraídas do site do Instituto Soka Amazônia, que abre possibilidades de participação de voluntários e visitantes. Visite o portal (https://institutosoka-amazonia.org.br/) e participe ativamente da construção desse futuro de esperança. No topo: Membros que atuaram nos bastidores da Convenção Monarca do Mundo acenam para foto (Manaus, nov. 2010) Notas: 1. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 126. 2. IKEDA, Daisaku. Vida: Um Enigma, uma Joia Preciosa. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. p. 96. 3. Ibidem, p. 95. 4. Brasil Seikyo, ed. 2.400, 31 dez. 2017, p. B1. 5. Terceira Civilização, ed. 524, abr. 2012, p. 24. 6. Brasil Seikyo, ed. 1.374, 13 jul. 1996, p. 3. 7. IKEDA, Daisaku. Vida: Um Enigma, uma Joia Preciosa. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. p. 99. 8. RDez, ed. 152, ago. 2014, p. 6 e 7. 9. Brasil Seikyo, ed. 2.293, 26 set. 2015, p. B4.

31/05/2022

Série

O princípio humanístico (Capítulo 4, parte 3)

O meio ambiente e a educação Ikeda: Outra doutrina budista denominada “unicidade da vida e seu ambiente” ensina que, em essência, os seres humanos e seu ambiente são unos e indivisíveis. É nossa própria vida que determina em que medida a sociedade e o mundo natural podem manifestar seus valores. Isto é, o budismo reconhece nas ações humanas o poder e a responsabilidade de atribuir e transmitir valor ao mundo inteiro, incluindo o mundo natural. Unger: Suas palavras provocam muita reflexão. Para evitar mal-entendidos, devemos tentar explicar o significado de “espírito” pelas óticas budista e cristã. Ikeda: Isso é verdade. Outro fator que tem se tornado cada vez mais relevante sobre as questões ambientais é a investigação de como as religiões definem a natureza e se relacionam com ela. Em fevereiro de 2005, dialoguei com Wangari Maathai, a primeira ambientalista a receber o Prêmio Nobel da Paz. Ela foi perseguida pelo seu governo por ter opiniões democráticas, mas triunfou com o Movimento Cinturão Verde, que encabeçou a plantação de 30 milhões de árvores no continente africano. Wangari Maathai desenvolveu uma profunda simpatia e compreensão acerca da filosofia budista de atribuir grande importância à vida, à natureza e à comunidade humana. Unger: Vejo paralelos entre o cristianismo e o budismo não só na profunda preocupação e moderação no que se refere à Terra; ambos adotam perspectivas férreas com foco em curar e salvar a humanidade. Ikeda: Falando de atitudes ambientais partilhadas pelo budismo e pelo cristianismo, lembro-me de certas figuras históricas. Uma delas é São Francisco de Assis (1181/2–1226). Como o senhor sabe, ele cultivava grande afinidade por todas as criaturas, a quem chamava, com alegria, de irmãos e irmãs. Sua grande compaixão por criaturas não humanas é ilustrada pela famosa pintura de Giotto, que o retrata pregando aos pássaros. Acreditando que a vida humana e o ambiente natural sejam indivisíveis, ele advertia que a exploração da natureza é uma manifestação da ganância. E nutria grande admiração e afeto por todos os seres. [A postura de] São Francisco me lembra [a de] um bodisatva budista. Unger: Essa é uma comparação interessante. A expulsão da humanidade do Jardim do Éden deve servir como advertência coletiva a todos nós: se nos conduzirmos pela obsessão aos prazeres momentâneos, negligenciando o cuidado necessário com a Terra, ela acabará inabitável. Portanto, devemos zelar pela natureza e cultivar por ela o sentimento de admiração. Ikeda: Exato. Se controlarmos a ganância, nutrirmos amor pela humanidade e respeitarmos a natureza, e se toda a sociedade partilhar esses valores, poderemos criar uma civilização simbiótica que se harmonize com a ecologia da Terra. Unger: Devemos, uma vez mais, voltar os olhos para o valor da criação de Deus e ter em mente a necessidade da ciência de assegurar uma sustentação tolerável para a vida de todos os seres humanos. Ikeda: O budismo ensina como viver em simbiose com a natureza e respeitá-la. Esse modo de vida corresponde à filosofia do caminho do meio, que evita os extremos tanto do ascetismo como do hedonismo. Em outras palavras, enquanto controla a iniquidade e os impulsos básicos inerentes à vida, a visão budista da natureza e da vida promove a construção de um alicerce ético para uma relação simbiótica harmoniosa entre o ser humano e o meio ambiente. Unger: Concordo plenamente com essa filosofia. Na época atual, 20% da população global que detém excessiva riqueza material consome 80% dos recursos naturais do planeta, enquanto os 80% restantes passam fome. De acordo com os ensinamentos budistas, devemos procurar uma forma de controlar a própria ganância e viver em prosperidade comunitária com os povos dos países em desenvolvimento e com o ambiente natural. Os cristãos saem em missão para o mundo a fim de aprender e, ao mesmo tempo, se motivar. Vejo nisso o éthos budista que prioriza a salvação ante à própria iluminação. Ikeda: No budismo, os bodisatvas representam pessoas ativas que se concentram em salvar as demais. Os bodisatvas do Mahayana fazem o chamado quatro juramentos universais. Primeiro, salvar todos os seres vivos, ou seja, solidarizar-se com o sofrimento seja de quem for. Segundo, abandonar as paixões mundanas ou controlar os desejos seculares e transformá-los em atitudes benéficas como a não violência, a compaixão e a esperança. Terceiro, aprender os ensinamentos budistas, que, em termos atuais, significa absorver o budismo junto com a herança espiritual humana, incluindo os campos educacional, filosófico e religioso. E o quarto juramento é atingir a iluminação por meio da prática budista. Ou seja, criar a própria felicidade ao mesmo tempo em que salva os outros. Esses quatro juramentos são manifestações da própria vida de bodisatva. Essa ética é um compromisso espontâneo e conduzido por si mesmo, não é uma imposição externa. Ao expressá-los, eles possibilitam que sua vida manifeste a bondade e os direcione à felicidade e à própria salvação, bem como a dos demais. Com certeza, a bondade em si gera uma ética que possibilita a simbiose com a natureza. Unger: A criação de uma ética global ou ambiental só tem sentido quando emana do coração humano. O desejo de contribuir para a humanidade e a sociedade só exerce uma influência educativa quando nasce de dentro de nós. Ikeda: Este é um ponto fundamental. A força que nasce da vida humana é indispensável para orientar nossos valores, assegurando assim que a ciência, a economia, a política e todos os empreendimentos sejam, de fato, empregados em benefício da humanidade. Em essência, a educação, a religião e a filosofia devem motivar a espiritualidade vinda de dentro do ser humano. Expus a importância disso num discurso intitulado A Era do Soft Power e da Filosofia Interiormente Motivada, que fiz na Universidade Harvard, em setembro de 1991. Unger: Devemos sempre ter um impulso volitivo para a educação com o poder de mover a sociedade. Descobrimos o valor do diálogo e da educação quando lidamos com questões materiais da ciência e da economia do ponto de vista de como os seres humanos devem viver. O ser humano sozinho é materialmente limitado e tem pouca capacidade de exercer forte influência na vida das outras pessoas. Por outro lado, a humanidade como um todo continua vivendo eternamente em nossa descendência. Então, é importante globalizarmos o valor do serviço individual à vida eterna da raça humana. Ikeda: Concordo 100% com o senhor. Shakyamuni declarou: “Sejam vistos ou não vistos, quer vivam longe ou perto, quer já existam ou venham a existir, que todos os seres cultivem a felicidade em sua mente”.1 Essa passagem expressa com clareza uma perspectiva ética com respeito a todos os seres vivos, bem como uma ética intergeracional. Os seres humanos precisam viver em simbiose com os demais habitantes da Terra; ou seja, em simbiose com aqueles “vistos ou não vistos” e com aqueles que estão “longe ou perto”. É, ao mesmo tempo, um senso de responsabilidade pelos ambientes social e natural que herdamos dos que viveram antes de nós, quando nascemos e, ainda mais, um senso de responsabilidade para continuar melhorando esses ambientes a fim de legá-los àqueles que ainda virão. É imperativo que não coloquemos em risco, tampouco esgotemos, o fluxo rico e atemporal da raça humana. Também acredito que a chave para resolver os desafios do ambiente global reside, como o senhor explicou, em “globalizarmos o valor do serviço individual à vida eterna de toda a raça humana”. Primeiro passo na educação ambiental: compreender as condições existentes Ikeda: O senhor mencionou há pouco que a educação tem o poder de mudar a sociedade. O ponto de partida e a força motriz para uma ética global e ambiental correspondem à educação sobre o meio ambiente. Em sua opinião, como a educação ambiental deve ser promovida? Unger: Eu diria que é impossível separá-la de outras disciplinas acadêmicas e concentrar-se unicamente na transmissão de conhecimento. O que podemos fazer é aumentar a conscientização ambiental e treinar a nós mesmos a considerar o meio ambiente em tudo o que fazemos. Por exemplo, precisamos continuar lembrando às pessoas a abrangência da poluição atmosférica causada por nossas próprias ações, bem como do nosso consumo de recursos não renováveis. Ikeda: O primeiro passo na educação ambiental é a compreensão apurada das condições atuais: saber quantas florestas do mundo já perdemos, qual a extensão do avanço da poluição atmosférica, da água e do solo, quais são seus efeitos ecológicos na Terra e assim por diante. Em relação a esse tópico, em minha proposta para a Cúpula Mundial de 2002, sublinhei a importância de considerar de forma abrangente a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, das Nações Unidas. Como parte desse empreendimento, em cooperação com a Comissão da Carta da Terra, a SGI patrocina uma exposição intitulada Sementes da Mudança: A Carta da Terra e o Potencial Humano. Essa mostra já foi apreciada por mais de dez países. Em 2006, outra de nossas exibições, Século 21: Exposição Ambiental, também começou a viajar pelo Japão. Unger: Estou certo de que grandes acontecimentos resultarão do trabalho árduo que os membros do SGI estão dedicando em prol da educação ambiental. Como chegamos ao limiar do novo milênio, devemos utilizar a educação sobre o meio ambiente para promover a simbiose como um modelo global. Um dos objetivos da melhoria gradativa na educação é cultivar pessoas que desejem tornar o local em que vivem confortável e seguro tanto para si como para toda a vizinhança. Nova ética de controle para a tecnologia científica Unger: O maior problema na Europa é o nosso modo de vida altamente secularizado, que gera um enorme materialismo capaz de permitir a cada pessoa, como disse Nietzsche, ser seu próprio Deus. Aliás, enormes avanços nas ciências naturais nos possibilitaram exercer um controle sobre muitas coisas de maneiras que outrora teriam sido inconcebíveis. Nossa situação atual pode ser comparada à do aprendiz de feiticeiro de Goethe, que, encantando uma vassoura para ir buscar água, mas sem saber a palavra mágica para interromper suas ações, perde-se numa imensa inundação. A nova era que entramos nos obriga a fazer considerações éticas nunca imaginadas para controlar a ciência. Devemos aprender a utilizar, melhor que no passado, os novos instrumentos que a ciência nos disponibiliza, ao mesmo tempo em que avançamos na rigorosa investigação científica. Ikeda: A curiosidade intelectual insaciável e o espírito de investigação têm inspirado a pesquisa e a inovação tecnológica em muitas áreas científicas. A probabilidade para os próximos anos é a de que o ritmo dessas mudanças acelere. A ciência e a terapia médica já entraram em domínios outrora reservados a Deus, como na tecnologia de clonagem e na engenharia genética avançada. Agora nos vemos obrigados a traçar uma linha entre o que é viável em se tratando de tecnologia e o que é permissível com relação à ética. Até que ponto podemos interferir na manipulação da vida humana e na vida natural? Onde devemos aplicar freios éticos? Essas são algumas das questões mais urgentes que atualmente nos confrontam. A menos que estabeleçamos modelos éticos fundamentados na filosofia do respeito pela dignidade da vida, seremos incapazes de aplicar nossos novos instrumentos científicos a serviço da melhoria da humanidade. Unger: A cultura e a ciência só podem sobreviver se demonstrarem respeito pela vida e pelo mundo natural. Como é evidente em muitas doenças psicológicas, explorar a natureza significa também explorar a nós próprios, e a consequência disso são as doenças psicossomáticas. Ikeda: Dialoguei sobre a não violência no meio ambiente com o agrônomo indiano Dr. M. S. Swaminathan, o qual, referindo-se a Gandhi com respeito ao mundo natural, disse que, enquanto os seres humanos continuarem usando de violência no próprio convívio humano, continuarão igualmente refletindo essa agressão no ambiente natural. Ensinar sobre a não violência é o aspecto mais importante da educação ambiental, que, por sua vez, deve estar enraizada no respeito pela dignidade da vida. A educação deve persistir em enfatizar o potencial de cada vida — a qual é insubstituível — e da dignidade da vida — sua sustentação. Unger: Concordo. A cultura nasce do respeito, não da exploração. A educação só pode ter uma natureza ambiental se ensinar o respeito pela vida. Quando nos concentramos apenas no ambiente que nos rodeia, perdemos nosso ponto de referência com o transcendental. E sem isso não podemos conduzir a educação ambiental no sentido mais pleno. Ikeda: As crianças, que têm o futuro nas mãos, devem receber uma educação ambiental que, em parte, inclua o respeito pela dignidade da vida e a reverência pelo transcendental. Em A Geography of Human Life [Geografia da Vida Humana], Makiguchi destacou dois pontos a ser observados numa relação com o mundo natural. O primeiro é que podemos reconhecer, pelo intelecto, as leis e a ordem da natureza, mas não devemos nos esquecer de que as leis e a ordem da natureza não são produtos da inteligência humana. E o segundo é que, no lado emocional, devemos estar cientes da necessidade de um senso de devoção e de reverência voltados para a religiosidade que sustenta essas leis naturais. O enfoque exclusivamente intelectual pode levar à ideia arrogante de que a ciência é onisciente. E uma perspectiva que só considera o emocional pode levar a uma dissociação das realidades da vida. Makiguchi argumentou que a atitude correta em relação à natureza combina os elementos intelectuais de lei e ordem com o elemento emocional de reverência com o religioso ou transcendente. Unger: Essa atitude no que se refere ao ambiente natural é importante para permitir que as crianças cresçam com a mente, o corpo e o espírito num estado de equilíbrio. Ikeda: Em sua visita à Escola Soka de Ensino Médio de Kansai, em julho de 1997, o senhor disse que o trabalho deve ser feito com a cabeça, o coração e as mãos. Destacou que o trabalho feito apenas com a cabeça e com o intelecto poderia se tornar um tanto frio; que algo realizado apenas com as emoções perderia o contato com a realidade; e que aquilo produzido apenas com as mãos, sem o intelecto e sem as emoções, poderia levar à destruição do planeta. É por isso que devemos viver de um modo em que haja equilíbrio entre esses três. Com essa clareza, o senhor assinalou a origem da atual crise global e da perda de harmonia da humanidade. Estou grato pela forma como transmitiu aos nossos jovens a importância de crescer como seres humanos íntegros, em que a mente serena, o coração caloroso e as ações velozes atuem em harmonia. Unger: Se uma filosofia ou modo de pensamento falhar em comunicar-se, ela perderá seu significado. Por desejar explicar o que isso significa aos jovens responsáveis pelo novo século, expressei-me de forma simples. Fiquei muito impressionado com o entusiasmo dos estudantes que conheci em minhas visitas às Escolas Soka de Kansai e à Universidade Soka em Tóquio. Meu sentimento foi de ajudá-los a se tornar — emprestando suas palavras — seres humanos íntegros e equilibrados. Ikeda: Makiguchi acreditava que o objetivo da educação não era abarrotar a cabeça dos estudantes com informações fragmentadas, mas sim desenvolvê-los de maneira integral, para que, desse modo, pudessem utilizar o conhecimento que absorvessem para o bem da humanidade. Ele propôs aquilo a que chamou de sistema escolar de meio período, para cultivar em cada indivíduo a capacidade de raciocinar, de se sensibilizar e de agir. De acordo com seu sistema pedagógico, os estudantes realizavam tarefas em sala de aula na metade do período e na outra metade aprendiam na prática. O cultivo da personalidade versátil é uma das razões pelas quais a Universidade Soka da América foi fundada como uma faculdade de artes liberais. Unger: Nossa esperança é a de que as Escolas Soka e a Universidade Soka desenvolvam numerosos seres humanos capazes de revigorar o meio ambiente e criar um futuro mais brilhante. Nota: 1. The Group of Discourses (Sutta-nipata) [Grupo de Discursos (Sutta-nipata)]. Tradução: K. R. Norman. Oxford: The Pali Text Society, v. II, p. 17, 1995.

11/01/2022

Série

O princípio humanístico (capítulo 3, parte final/ capítulo 4, parte 1)

A origem da educação Soka Unger: Quais são as origens da educação Soka? Ikeda: A educação Soka (de criação de valor) começou com as abordagens educacionais humanísticas propostas por Tsunesaburo Makiguchi. Ele as pôs em prática quando era diretor de uma escola de educação básica e, com isso, desenvolveu um sistema de pedagogia de criação de valor. Sempre enfatizava que o objetivo da educação deve ser a felicidade das crianças. Esse brado foi no apogeu do militarismo japonês, que mobilizara as instituições educacionais para a formação de jovens que servissem ao nacionalismo imperialista e militarista. No entanto, Makiguchi queria evitar que as crianças fossem sacrificadas em benefício das necessidades sociais, e ansiava ajudar cada criança a desfrutar uma existência feliz, desenvolvendo seu potencial de modo amplo e ilimitado. Esse desejo é a base de todos os aspectos da pedagogia de criação de valor. Makiguchi escreveu: O importante é definir objetivos de bem-estar e proteção para todas as pessoas, incluindo a si mesmo, mas não apenas por interesse pessoal. Em outras palavras, é propiciar a melhora do outro e, ao fazer isso, a pessoa escolherá caminhos para a produção de benefícios para si e também para as demais. É um esforço consciente de criar uma vida em comunidade mais harmoniosa.1 Assim, o objetivo fundamental da educação Soka poderia ser descrito como promover a felicidade tanto de si como do outro e cultivar indivíduos que também sejam capazes de realizar esse propósito. Unger: Entendo. Makiguchi, fundador da Soka Gakkai, defendeu uma educação de criação de valor e demonstrou como a fé pode vencer os problemas da vida. O tipo de educação humanística que ele propôs é essencial para cultivar cidadãos do mundo; isto é, aqueles que pensam e agem em âmbito global. Como a rede mundial de educação Soka promove essa educação? Ikeda: A Escola Soka de Ensino Fundamental 2 e Médio, ponto de partida da atual rede educacional Soka, iniciou em 1968. Nessa ocasião, sugeri cinco princípios para a educação humanística: 1. Sejam pessoas de sabedoria e paixão, sempre buscando a verdade e criando valor. 2. Jamais causem problemas aos outros e sejam responsáveis pelas próprias ações. 3. Sejam gentis e educados com os demais, rejeitando a violência, e valorizem a confiança e a harmonia. 4. Expressem e ajam com coragem, com base em suas convicções, em prol da justiça. 5. Cultivem um espírito empreendedor e cresçam como líderes respeitados no Japão e no mundo inteiro. Depois, para o bem do século 21, propus outros cinco princípios: 1. Reconheçam a dignidade única inerente a cada vida. 2. Respeitem o caráter. 3. Mantenham a profunda amizade ao longo de toda a existência. 4. Rejeitem a violência. 5. Protejam o intelecto e a necessidade de ser intelectual. Para minha profunda satisfação, graças aos esforços incansáveis dos nossos professores e funcionários, bem como à conscientização dos nossos estudantes, esses preceitos e princípios estão sendo postos em prática. Unger: São todos direcionamentos importantes. Ikeda: Desde as primeiras turmas, os alunos da Escola Soka de Ensino Fundamental 2 e Médio de Tóquio têm entoado a canção da instituição cuja letra indaga sobre os propósitos: Com que propósito refinamos nossa sabedoria? Com que propósito cultivamos a paixão? Com que propósito amamos os outros? Com que propósito nos esforçamos por glória? Com que propósito trabalhamos pela paz? Se os profundos princípios contidos nesses objetivos forem ignorados, os seres humanos e a sociedade enveredarão por um caminho de insanidade. A tradição das escolas Soka implica o aprofundamento da filosofia de cada pessoa pela constante indagação sobre o seu propósito, criando uma história pessoal por meio das ações empreendidas durante a juventude, e desbravando novos caminhos na vida. Na cerimônia de abertura da Escola Soka de Ensino Fundamental 2 e Médio de Kansai, que haviam começado como colégios femininos, firmei outra diretriz: “Jamais se deve construir a própria felicidade sobre a infelicidade dos outros”. Disse também que, em comparação com o vasto mundo, as escolas Soka podem ser tão pequenas como uma semente de papoula, mas, se nossos alunos se mantiverem fiéis a esse ideal e porem em prática as diretrizes escolares, poderemos impactar todo o globo. A razão disso é que o princípio para uma paz duradoura é único e universal. Disse isso porque meu desejo é que nossos estudantes se tornem pessoas fortes e sábias e contribuam, onde quer que estejam, para a construção da felicidade e da paz de todos. Unger: Eu me identifico genuinamente com isso. Ikeda: Minhas expectativas com relação aos educadores das escolas Soka e da Universidade Soka é que sejam pessoas de primeira categoria, tanto em caráter como na atuação acadêmica, determinadas a se tornar um ser humano melhor. Espero também que criem uma instituição educacional onde os estudantes sejam prioridade. Do ponto de vista dos estudantes, os docentes constituem a maior parte do ambiente educacional. Um ponto fundamental da educação Soka é que, como líderes da educação humanística, os professores prezem os alunos da mesma forma que o fazem com os próprios filhos. Meu desejo é que sejam educadores dos quais os estudantes se lembrem com carinho, tenham gratidão por sua cordialidade e sejam pessoas para as quais eles demonstrem dedicação e atribuam as próprias realizações. Em 1970, pouco depois do início das primeiras turmas, o conde Richard Coudenhove-Kalergi visitou a Escola Soka de Ensino Fundamental 2 e Médio para dialogar com os alunos e encorajá-los. Certa vez, ele escreveu que, para o indivíduo, o ato de conhecer pessoas boas e nobres era mais útil para seu processo de enobrecimento e desenvolvimento do que qualquer outra coisa.2 Unger: Com base em minha própria experiência, sei como é importante ter professores maravilhosos para a educação humanística dos jovens estudantes. Uma interação plena e imersiva entre as personalidades de educador e criança, feita por bons educadores, refina o equilíbrio das crianças no que diz respeito ao cérebro, corpo e coração delas. Ikeda: Thomas Arnold (1795-1842), diretor da famosa escola pública inglesa de rúgbi, escreveu que não era um nome, mas a qualidade do corpo docente que fazia uma escola se destacar ou fracassar. Ele também acreditava que a influência do professor e a influência mútua entres os estudantes estimulada pelos educadores determinam a personalidade dos alunos.3 A educação humanística é destinada à formação e ao aperfeiçoamento do caráter como resultado das interações pessoais entre estudantes e educadores que consideram suas responsabilidades com um afeto tão grande como ao dedicado aos próprios pais. Como os educadores definem a educação, a revolução educacional requer uma revolução do corpo docente. Unger: As palavras do senhor me ajudaram a compreender por que os olhos dos alunos das escolas Soka e da Universidade Soka irradiam um brilho de esperança. Por serem as crianças nossos tesouros mais preciosos, necessitamos escolher educadores para elas com muito cuidado. Hoje em dia, as escolas se mostram muito negligentes a esse respeito. Se eu ocupasse uma posição de autoridade, daria máxima ênfase às escolas. Precisamos educar as crianças para que adotem uma visão global. A educação humanística lhes possibilita perceber o mundo inteiro com perspicácia. Isso significa uma visão que não só alcança o material, visível entre o céu e a terra, mas também sente de modo intuitivo os valores espirituais. As crianças que desenvolvem a compreensão com base numa perspectiva holística podem aprender a contribuir para o bem-estar de toda a humanidade. A educação humanística confere novo significado às ideias fundamentais da educação científica, tornando assim a ciência mais útil à humanidade. Ikeda: Concordo. Se o conhecimento mais sofisticado for destituído da sabedoria que lhe torna útil para a felicidade humana, ele não só é inútil, como também um perigo potencial. Josei Toda costumava dizer que a maior ilusão da humanidade moderna é confundir conhecimento com sabedoria. O conhecimento sozinho pode levar às armas de destruição em massa. Por outro lado, é uma verdade inegável que também pode levar a enorme comodidade e riqueza industrial. A educação humanística é uma demanda altamente necessária para orientar o conhecimento na direção da felicidade e da paz. Nos próximos anos, será cada vez mais essencial a tarefa de desenvolver a sabedoria para empregar imensos conhecimentos e informações em prol da felicidade humana por meio da educação humanística. Em todo caso, a reforma interior de um único indivíduo, sem dúvida, inspirará uma transformação naqueles que o rodeiam, desencadeando essa força transformadora entre os cidadãos comuns para guiar e moldar a opinião pública mundial. À medida que isso culminar numa onda de paz, uma nova cultura de paz florescerá em rica profusão. O ano 2007 comemora o cinquentenário da declaração de Josei Toda contra as armas nucleares. Nós, da SGI, estamos determinados a provocar uma grande maré de mudança nos tempos, de uma cultura de guerra para uma cultura de paz, sem poupar esforços para promover a educação pública sobre desarmamento e direitos humanos. Capítulo 4, parte 1 O meio ambiente e a educação (parte 1) Ikeda: As questões ambientais com as quais nos deparamos exigem medidas urgentes. Somos constantemente alertados sobre o efeito destrutivo do aquecimento global causado pelas emissões de dióxido de carbono por parte da indústria e de outras fontes. Além disso, a poluição atmosférica está esgotando a camada de ozônio que protege a Terra dos raios cósmicos nocivos. O desequilíbrio entre a natureza e a humanidade leva a raça humana e todo o planeta a entrar em crise. Unger: Nossa relação com nossa Terra é chocante. Precisamos compreender a proporção em que nosso planeta está sendo explorado, quanto desperdiçamos nossos recursos naturais e quanto poluímos a água e contaminamos o ar. Temos apenas uma Terra — um único ambiente para viver —, e todos nós compartilhamos uma preocupação sobre a sua possível destruição. Ikeda: Isso é pura verdade. Na segunda metade do século 20, quando o problema tinha tomado graves proporções que afetaram o planeta inteiro, finalmente compreendemos a magnitude do seu alcance. Também compreendemos que os recursos naturais que vínhamos desperdiçando não são de maneira alguma ilimitados. Unger: A conscientização mais ampla da crise global pode apurar nosso senso de responsabilidade com o futuro. Salvar o planeta significa salvar todas as vidas. Nesse sentido, isso representa a maior de todas as justiças, a qual não devemos sabotar. A justiça nos obriga a recordar que, ao longo dos últimos quinze anos, as realizações na Europa têm sido tremendas. Tenho em mente a despoluição da água. Águas que outrora se encontravam em sério nível de poluição agora estão limpas o suficiente para os seres humanos se banharem. Ikeda: Exemplo de grande importância simbólica. Recentemente, no Japão, a qualidade da água também melhorou a ponto de os peixes terem retornado a muitos rios que antes estavam poluídos. Unger: Ato igualmente simbólico é a maior atenção dedicada ao bem-estar dos animais. Porém, ainda temos uma preocupação gigantesca: a pobreza em todo o ambiente global. E a única forma de combatê-la é eliminar as dívidas e acabar com a exploração daqueles que carecem de bens e recursos. A propósito, esse é um antigo ensinamento bíblico. Ikeda: Um dos obstáculos ao impedimento da destruição ambiental global é a questão de como confrontar o desmatamento impensado em países em desenvolvimento e o crescente esgotamento de terras aráveis. E um agravante disso são os conflitos de interesses entre as nações em desenvolvimento e as industrializadas. Na Cúpula da Terra de 2002, em Johanesburgo, as nações em desenvolvimento questionaram o direito de as nações industrializadas promoverem uma cultura de consumo ao mesmo tempo em que as pressionavam a combater a pobreza. Em outras palavras, surgiu um conflito sobre as formas de se estabelecer um equilíbrio entre o crescimento econômico e a conservação ambiental. Unger: O que me causa ira profunda é a enorme ruptura entre o Norte afluente e o Sul carente. A África é uma tragédia humana para a qual o Ocidente tem contribuído. Como a cúpula de Johanesburgo indicou, as promessas de fazer algo a esse respeito permanecem vazias, enquanto a exploração excessiva prossegue de maneira irrestrita. Ikeda: O único modo de resolver o problema do desequilíbrio entre desenvolvimento e meio ambiente seria as nações industrializadas olharem além dos próprios interesses e adotarem um ponto de vista global. Unger: Concordo. No entanto, as opiniões hegemônicas e autoritárias que o Ocidente tem mantido impedem as nações industrializadas de ter uma visão global no sentido de melhorar o ambiente e de lidar com a reconstrução econômica das nações em desenvolvimento. Algumas nações ocidentais ainda desejam dominar tudo o que resta do período colonial. Ikeda: Com certeza, enquanto as nações industrializadas não mudarem a sua forma de agir, o problema ambiental global só vai piorar. Unger: Sim. Mas acredito que uma mudança de paradigma fundamental terá lugar no século 21 para transformar nossos valores: da ânsia de poder e de dominação à disposição de agir de forma significativa. Agir de forma significativa seria ultrapassar o apego aos interesses imediatos e ao desejo materialista e empenhar-se para construir os alicerces humanos por meio de esforços conscientes a fim de disciplinar e aprimorar a si próprio. Ikeda: Em vez de sermos controlados pelo desejo, devemos, como indivíduos, adotar valores mais elevados e buscar a reforma e o aperfeiçoamento da própria vida. Unger: Quando as nações industrializadas abraçarem esses valores e tratarem, em escala global, os problemas ambientais e a recuperação econômica das nações em desenvolvimento, o ambiente mundial experimentará uma melhora significativa. Ikeda: A chave para a solução é a mudança nos critérios de valor. O Budismo Nichiren ensina que o tesouro do cofre (riqueza econômica) tem menos importância que o tesouro do corpo (talento e posição social), que, por sua vez, vale menos que o tesouro do coração (virtudes). E o acúmulo deste último, por meio de ações altruísticas, torna-se um tesouro insuperável. A afluência individual e a posição social não trazem a verdadeira felicidade. Nosso objetivo deve ser a felicidade tanto de si como de todos os demais. Podemos promover isso aperfeiçoando e elevando nossas características humanas e superando a ânsia de poder, de posição social e de desejos materiais. Em Jinsei Chirigaku [em inglês, A Geography of Human Life (A Geografia da vida humana)], publicado em 1903, Tsunesaburo Makiguchi já visualizava um século à frente quando propôs que a humanidade avançasse de uma competição militar, econômica e política para uma era de competição humanitária. O que ele tinha em mente ressoa com a mudança de paradigma de valores que o senhor mencionou. Notas: 1. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. A Geography of Human Life [Geografia da Vida Humana]. BETHEL, Dayle (ed.). São Francisco: Caddo Gap Press, 2002. p. 286. 2. COUDENHOVE-KALERGI, Richard N. Ethik und Hyperethik [Ética e Hiperética]. Leipzig: Verlag der Neue Geist, 1922. p. 115. Tradução do alemão. 3. Cf. STANLEY, Arthur. Stanley’s Life of Thomas Arnold [A Vida de Tomas Arnold por Stanley]. Londres: J. Murray, 1901. p. 94.

01/11/2021

Especial

[11] Universidade George Mason

Educação que espalha “sementes da paz” Por que as pessoas lutam umas com as outras? O que é necessário fazer para edificar a paz? — desde os tempos antigos, do leste ao extremo oeste, essas são perguntas que a humanidade vem se deparando continuamente. Mediante o acúmulo de inúmeros conhecimentos e de esforços, após a guerra, desenvolveram-se estudos sobre a paz no campo acadêmico. Com o tempo, à medida que eles foram se generalizando e abarcando outras questões, como problemas ambientais, pobreza e discriminação, surgiu um estudo voltado para o conflito armado, que havia sido o objeto de pesquisa original: o “Estudos de Solução de Conflitos”. Com uma curta história na área de especialização e diante de conflitos frequentes que ocorriam em diversos locais, ainda eram muitas as questões a ser resolvidas. Através de seu Centro de Pesquisa de Estudos e Meios de Solução de Conflitos, a Universidade George Mason, dos Estados Unidos, é a primeira no cenário mundial a criar programas de mestrado e doutorado nessa área. A partir de então, vem formando especialistas da construção da paz que atuam em todas as partes do mundo. A instituição também é pioneira em vários outros setores, como os da oferta de novas graduações e da criação de instalações dentro do ambiente educacional. Ao buscar a origem desse espírito empreendedor, encontramos George Mason, um dos líderes fundadores dos Estados Unidos da América, cujo nome honra a universidade. A Declaração de Direitos da Virgínia, redigida por ele e promulgada em 1776, codificou, pela primeira vez no mundo, os conceitos de direitos humanos que influenciaram a Declaração da Independência dos Estados Unidos, estabelecida no mesmo ano, e, posteriormente, a Declaração dos Direitos Humanos da França. Ações concretas para a paz No dia 28 de junho de 2010, a Universidade George Mason concedeu ao Dr. Daisaku Ikeda o título de doutor honorário em letras, em uma solenidade de entrega realizada na Universidade Soka, em Hachioji, Tóquio. A cerimônia contou com a presença do então reitor da Universidade George Mason Dr. Peter Stearns e comitiva, que incluía o Dr. Andrea Bartoli, diretor do Centro de Pesquisa de Estudos e Meios de Solução de Conflitos. Em suas palavras de cumprimento, o Dr. Stearns enfatizou: “O Dr. Ikeda não só é merecedor desse título, oferecido pela nossa universidade, como também é a pessoa mais digna de ser agraciada com todos os títulos e homenagens que já lhe foram outorgados”. Uma das características dos conflitos modernos é que a guerra entre as nações foi substituída por confrontos internos de grupos pró e contra o governo e por conflitos armados entre várias potências. Os Estudos para Solução de Conflitos, além de elucidar as causas principais dessas guerras internas e de aprofundar as teorias e técnicas para a pacificação, propõe que se visite, de fato, as áreas de enfrentamento e se envolva nas negociações e mediações entre as partes. Teoria e prática — na ausência de um deles, tanto a paz como a solução dos conflitos não passam de rumores. Como ponto primordial da luta pela paz do presidente Ikeda está o brado do seu venerado mestre, presidente Josei Toda: “Para o progresso e a paz da humanidade, são importantes propostas e ações concretas”; “Teorias impraticáveis são totalmente inúteis, mas propostas concretas se tornam pilares para a sua concretização e também ‘cobertura’ para proteger a humanidade”. Com essas palavras gravadas em seu coração, o presidente Ikeda fundou o Instituto Toda para a Paz Global e Pesquisa Política em 1996. Seu atual diretor, Kevin Clements, é um estudioso da paz de primeira categoria que já atuou como diretor do Centro de Pesquisa de Estudos e Meios de Solução de Conflitos da Universidade George Mason. Ter empatia e consideração pelo outro Em meio ao diálogo com o presidente Ikeda, o Dr. Stearns disse: “Para evitar que o conflito se torne cada vez mais sério, é importante pensar no impacto que seus atos provocarão no sentimento e nas ações do outro e ter empatia”. Ikeda sensei também defendeu que, para fomentar o altruísmo e a empatia, é necessário assentar a ideia da dignidade da vida na base fundamental da sociedade. Assim como existem relatos de que metade dos países que saíram dos conflitos armados acabou retornando novamente a uma situação de guerra, mesmo que se assinem acordos de paz, se o “desarmamento do coração” — de parar de enxergar o outro com hostilidade — não se espalhar, será difícil evitar a volta de confrontos. Como ambos disseram, embora se fale em “solução dos conflitos”, o elemento principal disso é o ser humano. Porque, como o ser humano é quem provoca o conflito, quem constrói a paz também é o ser humano. O presidente Ikeda, ao mesmo tempo em que propõe ideias concretas para a solução de vários problemas globais em suas propostas de paz anuais comemorativas do Dia da SGI, veio espalhando as “sementes da paz” na vida das pessoas por meio da força da educação e dos incentivos de vida a vida. E, por essa rede de solidariedade humana, vem estabelecendo a “cultura de paz” na sociedade. Nada mais são que ações para aprofundar tanto a “teoria” como a “prática”. O Dr. Andrea Bartoli é um ativista que visitou áreas de conflito do mundo e esteve envolvido na prevenção de assassinatos em massa e em processos de paz. Ele tomou conhecimento das contribuições para a paz do Dr. Ikeda por intermédio das obras do líder pacifista. Em junho de 1996, o presidente Ikeda proferiu uma palestra comemorativa na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, quando o Dr. Bartoli dava aulas nessa instituição. O Dr. Bartoli ouviu profundamente emocionado o discurso em que o presidente Ikeda enfatizou, como requisitos básicos para um cidadão do mundo, a sabedoria, a coragem e a compaixão. Ele diz que sentiu que esses três requisitos podiam ser perfeitamente substituídos pelas condições para a solução dos conflitos. O fato de enaltecer o presidente Ikeda levará a universidade a patamares acadêmicos ainda mais elevados — essa convicção do Dr. Bartoli e dos membros da cúpula da Universidade George Mason culminou na outorga do título de doutor honorário em letras ao líder da SGI, aprovada por unanimidade pelo conselho diretor da instituição. Por ocasião da concessão da homenagem, houve a assinatura de um convênio de intercâmbio acadêmico entre a Universidade Soka e a Universidade George Mason. Desde essa ocasião, o fluxo entre as duas universidades tem beneficiado mais de oitenta universitários. “Nossa universidade está formando estudantes que possuem um campo de visão internacional. Essa é uma crença consonante com a educação Soka”, disse o Dr. Stearns durante a solenidade. Em meio ao seu contato com universitários e estudantes da Universidade Soka e da Escola Soka, ele viu a educação para o cidadão do mundo, tema de pesquisa para o qual dedicou longos anos de sua vida, sendo colocada em prática vividamente. O Dr. Stearns é um grande mestre da história mundial que possui mais de 135 livros editados. Mais que ninguém, ele sabia que a história da humanidade era uma história de guerras. Ao entrar em contato com a filosofia do presidente Ikeda, contudo, o Dr. Stearns aprofundou sua convicção de que qualquer pessoa pode contribuir para a paz, e ele sente fortemente que propagar esse pensamento é uma responsabilidade como educador. Afastando-se da opinião popular de que “a paz é algo momentâneo, um intervalo entre as guerras”, ele passa a aprofundar seus estudos com uma nova visão histórica de que “a paz é o ‘normal’”. E começa a inserir esse conteúdo também nas aulas da Universidade George Mason. Em 2014, o Dr. Stearns publicou o livro Peace in World History (Paz na História Mundial) contendo o resultado de suas pesquisas. Em suas aulas e nos livros, ele também fala a respeito do movimento pela paz promovido pela Soka Gakkai. A editora da Universidade George Mason e o Centro Ikeda para a Paz, a Aprendizagem e o Diálogo (da cidade de Cambridge, estado de Massachusetts, Estados Unidos) lançaram uma publicação conjunta da obra Peacebuilding Through Dialogue (Construção da Paz por meio do Diálogo), em 2018. É um livro de pesquisa com treze artigos escritos por acadêmicos como o Dr. Bartoli sobre as possibilidades e aplicabilidades do diálogo. O Dr. Stearns, responsável pela edição, escreveu na introdução: “Cada um dos artigos deste livro endossa a crença do Dr. Ikeda de que a mudança de uma única pessoa transformará o destino de toda a humanidade”. Fazer do século 21 o século da paz — no horizonte futuro desse desafio da humanidade aguardam muitas questões difíceis. No entanto, o intercâmbio com a Universidade George Mason tem ensinado que a chave para abrir o futuro nada mais é que a propagação da ideia da dignidade da vida que se inicia a partir de si próprio. Palavras de Peter Stearns, ex-reitor da Universidade George Mason Até o momento, nossa universidade tem concedido o título de doutor honorário relativamente a poucas pessoas. Por que outorgamos o título de doutor honorário? Para que a vida daquele que será homenageado se torne grande inspiração para alunos, professores, funcionários e para a própria universidade. Também tem o significado de fazer da própria solenidade de concessão uma importante recordação para todos e um parâmetro para um aprimoramento ainda maior. Além disso, nossa universidade procura ampliar sua perspectiva internacional por meio desse reconhecimento a personalidades que contribuem globalmente, e penso que a outorga do título ao Dr. Ikeda seja o exemplo mais proeminente. O que nossa instituição exalta é a maravilhosa contribuição dele em prol da paz; em especial, o que suas ações almejam está profundamente interligado e tem pontos em comum com o programa de solução de conflitos da nossa universidade. A outorga do título de doutor honorário é a expressão da decisão de nossa universidade de participarmos e nos juntarmos ao nobre empreendimento do Dr. Ikeda e da nossa gratidão. Além do mais, é a manifestação da nossa determinação de absorver a mensagem que ele transmitiu ao longo de sua vida e difundi-la amplamente por meio de nossas ações. Penso que a existência do Dr. Ikeda em si seja um grandioso épico heroico e uma história que nos mostra de que maneira os seres humanos deveriam viver. Cada uma das pessoas com quem eu me encontrei, alunos da Escola Soka ou estudantes da Universidade Soka, tinha assimilado o pensamento e a filosofia do Dr. Ikeda para si e procurava pô-los em prática, além de se esforçar para compartilhar esse valor com outras pessoas. Senti que a atitude de cada um condensava o “pensamento Ikeda”. Primeira universidade do mundo a oferecer curso de graduação para a resolução de conflitos A instituição nasceu como filial da Universidade da Virgínia em 1957. Em 1972, decidiu-se separar a faculdade da Universidade de Virgínia, que recebeu o nome de George Mason, em homenagem ao líder fundador dos Estados Unidos da América e redator do Código de Direitos da Virgínia, evoluindo até a atual Universidade George Mason. Além do seu campus principal, localizado no município de Fairfax, no estado da Virgínia, possui outros quatro campus adicionais, incluindo uma filial em Incheon, na Coreia do Sul, inaugurada em 2014. Oferece mais de duzentos programas de graduação e são 37 mil estudantes matriculados vindos de mais de 130 países. Em seu corpo de professores figura personalidades renomadas das mais variadas áreas, incluindo ganhadores do Prêmio Nobel e do prêmio Pulitzer. Nota: 1. Trechos de matéria publicada no jornal Seikyo Shimbun datado de 28 de fevereiro de 2012.

01/10/2021

Crônica

Castelo Takiyama

Histórias de samurai cativam a minha imaginação desde a infância, por meio de livros, filmes, mangás e animes. Entretanto, há algumas semanas, deparei-me com uma delas, diferente de todas as outras que conhecia. O ano era 1569, e um dos mais renomados samurais da história do Japão, Takeda Shingen, enviara mais de 20 mil soldados para conquistar o Castelo Takiyama. Sem grandes muralhas ou fortes bastiões, essa construção medieval erguia-se em meio às colinas da região de Musashi e era defendida pelo general Ujiteru e seus 2 mil guerreiros. Contra todas as possibilidades, “sob a brava liderança de Ujiteru, suas tropas defenderam a fortaleza com muita competência e impediram que caísse nas mãos do inimigo”,1 conta o Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI). Mais de 450 anos já se passaram desde que ocorreu essa batalha, e terremotos, ventos e o tempo fizeram o Castelo Takiyama desaparecer. Entretanto, em um fim de tarde, saí do laboratório em que estudo aqui na Universidade Soka do Japão e caminhei, curioso, por cerca de 15 minutos, até chegar às ruínas dessa fortificação. Era um dos raros dias de céu claro no verão japonês. Contemplei a vista do Monte Fuji do local em que Ujiteru e seus guerreiros fizeram história e li o poema dedicado por Ikeda sensei aos estudantes da Universidade Soka, intitulado As Ruínas do Castelo Takiyama: As ruínas do Castelo Takiyama e a Universidade Soka são como amigas, irmãs. Os laços duradouros dessas duas colinas vizinhas permanecerão por toda a eternidade na história.2 Minha mente então viajou pelos três anos que já se passaram desde que vim ao Japão. Em meu coração, revivi as emoções que senti assim que desembarquei nas terras de Ikeda sensei, e fui tomado por um enorme sentimento de gratidão. Como um castelo, construído para proteger aqueles que residem dentro de suas muralhas, eu me senti abraçado e protegido aqui desde o momento em que fui recepcionado no aeroporto. Com o cuidado, o carinho, a cordialidade e a atenção demonstrados pelos funcionários da Universidade Soka, senti o coração do Mestre. Em certa ocasião, Ikeda sensei comentou: A firme determinação e forte liderança de Ujiteru devem ter sido uma fonte de coragem e inspiração para os soldados. (...) Se um líder for realmente dedicado, suas tropas também serão. Espero que os alunos da Universidade Soka se tornem grande líderes, que trabalhem pelo bem-estar das pessoas.3 Por isso, fazendo da fé meu alicerce, sem nunca me esquecer dos esforços de todos que tornaram possível eu estar aqui hoje, seguirei me dedicando para poder corresponder às expectativas de Ikeda sensei e expandir as fronteiras do “castelo do kosen-rufu” ao propagar o budismo e a filosofia humanística, conforme ensinado pelo Mestre, para o maior número de pessoas possível, e trabalhar em prol da sociedade e pelo bem-estar de cada ser humano. Luiz Mormille Divisão de Tecnologia e Inovação Notas: 1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 15, p. 138, 2019. 2. Tradução livre de trecho do poema As Ruínas do Castelo Takiyama, de autoria do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda. Disponível em: https://www.daisakuikeda.org/sub/resources/works/poet/takiyama-castle.html. Acesso em: 20 ago. 2021. 3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 15, p. 138-139, 2019.

01/10/2021

Série

O princípio humanístico (capítulo 3, parte 3)

A paz começa em casa Ikeda: Acredito que “século das mulheres” seja sinônimo de “século da paz”. Isso porque as mulheres não só podem, como devem desempenhar papel essencial na criação de uma cultura de paz. É claro que me oponho a uma delimitação rigorosa do papel com base no gênero. O importante é que tanto homens como mulheres sejam igualmente felizes. Atribuir alguns papéis exclusivamente aos homens e outros às mulheres causa infelicidade e representa prioridades erradas. Unger: Tenho grandes expetativas quanto à atuação das mulheres no trabalho relacionado à paz. E concordo com o senhor que é um erro atribuir papéis só com base no gênero. Em essência, homem e mulher constituem a humanidade como um todo e formam a base para o futuro. A Sagrada Escritura não define de forma adequada o papel da mulher. Apesar disso, os ensinamentos cristãos sustentam que Deus criou a humanidade masculina e feminina e confiou-lhes tanto a autoinstrução como a instrução das outras pessoas. Ambos os sexos possuem incomparável dignidade e devem contribuir para o valor da dignidade de toda vida. Ikeda: Concordo. Embora Shakyamuni tenha vivido numa época em que as mulheres eram tratadas com cruel desprezo, nunca as discriminou. Ele as admitiu na Ordem, na qual, mesmo após a morte dele, as mulheres continuaram desempenhando papel ativo. Há mais de sete séculos, Nichiren Daishonin expressou-se contra a desigualdade de gênero, acreditando que tanto homens como mulheres possuem nobre missão: “Não deve haver discriminação entre os que propagam os cinco ideogramas do Myoho-renge-kyo nos Últimos Dias da Lei, sejam homens, sejam mulheres”.1 O sistema mais valioso é, sem dúvida, aquele em que homens e mulheres fazem pleno uso de suas características individuais no lar, no local de trabalho e na comunidade, por meio do respeito mútuo e da igualdade. O preâmbulo da Carta de Tolerância de sua academia lamenta a situação atual em que “a família também fica em perigo, e se vê cada vez menos capaz de desempenhar sua principal tarefa, de ser um núcleo estável de comunidades humanas”.2 A experiência pessoal me ensinou que a família e os amigos proporcionam a energia motivadora para que o indivíduo se engaje no convívio social de forma vigorosa. O lar é a base das relações humanas na qual as mulheres desempenham papel fundamental. Unger: Sem o convívio familiar, a solidariedade social vibrante se torna inalcançável. Mas, hoje em dia, a família e o lar estão perdendo seu poder de estabilizar a sociedade e criar solidariedade. Ikeda: A família é a menor unidade social e a mais importante. A estabilidade social é impossível sem a estabilidade familiar. O psicólogo Erich Neumann (1905–1960) escreveu que homens e mulheres estão ligados por elementos de confronto: dia e noite, consciência patriarcal e consciência matriarcal, e assim por diante. Embora manifestem suas produtividades distintas, esses elementos se complementam de maneira recíproca e ajudam uns aos outros a frutificar e a se unir.3 Por meio desse processo, é possível construir um lar estável. As crianças passam a ver o convívio familiar como um porto seguro quando os pais tentam compreender a visão delas e partilham tanto de seus problemas como de suas alegrias. As atitudes otimistas e abertas dos pais em relação à comunidade e à sociedade são absorvidas pela mente das crianças e se tornam uma força motriz para a coesão social. Eleanor Roosevelt afirmou que os direitos humanos universais começam em pequenos lugares perto de casa.4 De fato, o lar é onde o senso de tolerância e a consciência dos direitos humanos se formam e florescem. Unger: As mulheres desempenham o papel essencial de estabilizar o lar se sustentando em suas características únicas. Embora nos últimos anos os homens tenham começado a ajudar, a educação dos filhos sempre foi um campo em que as mulheres vêm realizando a mais notável contribuição social. Pergunto-me, com frequência, por que o extraordinário trabalho da mulher na educação dos filhos e na estabilização do lar não obtém o reconhecimento que merece. Ikeda: Quando conheci família do senhor em 1997, sua esposa, Monica, me proporcionou um vislumbre da importância do papel do parceiro quando disse que era mãe há mais de vinte anos e nunca se sentiu vitimizada. Pode ser que os filhos de mães que se sentem vítimas da maternidade se considerem igualmente vítimas. A futuróloga americana Hazel Henderson, com quem publiquei um diálogo intitulado Cidadania Planetária, é bem conhecida por seu conceito da “economia do amor”. As mulheres apoiam a economia empresarial mantendo a casa, criando filhos, cuidando de doentes e prestando serviços comunitários. Embora sua produtividade real seja metade da total, seus esforços não são calculados num Produto Interno Bruto (PIB) nem remunerados. A Dra. Henderson insiste que essa economia do amor seja adotada como índice em substituição ao PIB. Sua teoria lança luz sobre as contribuições sociais das mulheres, até agora ignoradas pela economia, e sobre a importância de cuidar, partilhar e valorizar a vida e a natureza. Unger: Muitas mulheres hoje em dia têm de harmonizar suas obrigações maternais com o trabalho fora [do lar]. Entretanto, à parte do papel biológico de gerar vida, seus papéis sociais permanecem subdesenvolvidos. Ikeda: Devemos avaliar de modo justo o poder das mulheres e louvar suas opiniões e seus papéis. O poeta indiano Rabindranath Tagore (1861–1941) declarou que as mulheres superam os homens em vitalidade5 e que sua força é indispensável para moldar uma civilização espiritual.6 Levando em conta a civilização contemporânea dominada à força pelo homem, ele nutria a esperança de que o poder das mulheres cultivasse uma “civilização da alma” alicerçada na compaixão. Ele escreveu que “a esperança é de que a próxima civilização seja baseada não apenas na competição e exploração econômica e política, mas na cooperação social mundial, sustentada por ideais espirituais de reciprocidade, e não em ideais econômicos de eficiência. Então as mulheres terão o seu verdadeiro lugar”.7 Gandhi também expressou com clareza e sem rodeios sua convicção de que as mulheres têm a chave para a criação de um mundo não violento. Como ele afirmou: “Se força indica poder moral, então a mulher é imensamente superior ao homem (...). Se a não violência é a lei de nossa existência, o futuro está com a mulher”.8 As mulheres estão mais bem capacitadas para compreender e aliviar o sofrimento, pois, ao longo da história, em se tratando de inquietação social, guerras, violência, repressão de direitos humanos, fome e peste, foram elas que mais sofreram. O senso de responsabilidade pela proteção das crianças no futuro confere uma grande força à voz delas. Acredito que, no século 21, as atividades e contribuições das mulheres em muitos campos reformarão, primeiro, a sociedade e, então, o próprio tecido da civilização. Em essência, as mulheres são pacifistas, emocionalmente dotadas da capacidade de proteger e ter compaixão pela vida. A escritora austríaca e ativista pela paz Bertha von Suttner (1843–1914) mostra a que proporção podem chegar as grandes realizações históricas de uma mulher sinceramente dedicada à paz. Seu romance antiguerra Die Waffen nieder (Abaixo as Armas, 1889) causou grande impacto no público leitor. Apesar dos mal-entendidos e das calúnias, ela continuou firme em seus escritos e palestras, promovendo a união pela causa da paz. Sua influência sobre Alfred Nobel foi fundamental para instituir o Prêmio Nobel da Paz. Quando um debatedor, que participava numa conferência de paz na Universidade de Viena — a alma mater dela —, argumentou que os indivíduos são incapazes de alterar a história, ela afirmou com fervor o contrário. E foi uma testemunha viva dessa reivindicação. Com certeza, qualquer adulto, independentemente do gênero, que tenha senso de responsabilidade pelo futuro e deseje fazer algo a esse respeito, pode se tornar uma força motriz para impedir a cultura de guerra e cultivar a cultura de paz. Unger: Verdade. Em nome da paz e da prosperidade geral, e ao considerarmos o papel do homem e o da mulher, devemos pensar no mundo todo. Nossa existência é o resultado dos esforços de cooperação de ambos. Cada homem e cada mulher têm funções a desempenhar. Quando cada pessoa cumpre o papel que lhe cabe, pode desfrutar o desenvolvimento pessoal e o triunfo. Educação humanística Ikeda: A educação humanística é a base para uma cultura de paz. Nestes últimos anos, um motivo de grande preocupação no Japão é o aumento do número de crimes atrozes perpetrados por indivíduos cada vez mais jovens. Um fator que contribui em grande parte para essa tendência é a crescente desvalorização da vida numa sociedade que prioriza a eficiência e o materialismo. O poder da educação é fundamental para atingirmos o objetivo imperativo de deter essas tendências inquietantes de crimes hediondos e da violência prevalente. Unger: A situação na Europa é semelhante. Como já mencionei, estamos experimentando forte secularização, que marginaliza e tolhe a Igreja. As pessoas se esqueceram do “Não matarás”. Os critérios de valor partilhados por todas as religiões estão se perdendo e sendo substituídos pela priorização de valores materialistas. E a globalização dos meios de comunicação de massa e a homogeneização do mundo inflamam o ímpeto a essa tendência. O resultado é o desrespeito pelo valor da vida e as frequentes matanças. Tudo isso está relacionado com a educação. Ikeda: Concordo. A educação possibilita aos jovens, à comunidade e a nações inteiras construir o futuro. Porém, a educação japonesa enfrenta hoje questões montanhosas como evasão e abandono escolares e o colapso do sistema de educação formal. Esses impasses são provavelmente comuns em diversas partes do mundo. O que o senhor pensa sobre isso? Unger: Como estudioso da medicina, tenho uma abordagem bem simples com respeito à educação. Penso nos meus alunos como meus filhos. Pais e mães querem que seus filhos usufruam as melhores experiências possíveis em tudo. Portanto, o papel principal deles é ajudar as crianças a vivenciar situações que nutram seu crescimento. Ikeda: Considero a abordagem do senhor, de ver seus alunos como filhos, a atitude primordial da educação. Os melhores tipos de experiências envolvem brincar ao ar livre e criar laços com outras crianças. No entanto, nas nações industrializadas modernas, as crianças passam demasiado tempo dentro de casa, absorvidas em computadores e videogames. Unger: É verdade. Na atual sociedade da informação, em particular, nos meios de comunicação social, tudo exerce um impacto tremendo nas crianças. A repetição diária de cenas televisivas de intensa violência com certeza tem seu peso educativo. Os atos terroristas e assassinatos em série mostrados na televisão viraram clichês. Ikeda: É evidente que existem programas de alta qualidade que cultivam e enriquecem a sensibilidade das crianças. Por outro lado, ao evocar agressividade e hostilidade, a estimulação visual violenta entorpece a imaginação e a empatia. A atitude de permitir que as crianças se confinem em ambientes onde nada mais fazem do que receber imagens de forma passiva enfraquece suas habilidades de pensar, julgar, amar e simpatizar de maneira ativa. A vida familiar e a boa leitura, incluindo os clássicos, podem formar uma barreira de proteção para as crianças contra as influências deturpadoras da realidade virtual predominante. A leitura em muito enriquece o mundo espiritual das crianças. Como desafio intelectual, ela ajuda os pequenos a selecionar entre a infinidade de informações que a mídia disponibiliza, e desenvolve neles a habilidade crítica inata e a imaginação voltada para a empatia. Unger: As crianças da atualidade experimentam uma sociedade de intolerância, guerra e agressão. Em contraponto a essas influências, nunca será demasiada a ênfase na importância do contato com bons livros, que cultivam o julgamento saudável e o poder da imaginação. Um meio para reduzir a má influência dos meios de comunicação de massa é o fortalecimento da família. Pelo fato de a mídia, de certa forma, ser mais influente que os pais e familiares, meu comentário pode parecer irreal. Mas os pais devem servir de modelo e continuar nutrindo esperança na educação. Ikeda: As crianças são o espelho da sociedade; elas são a era numa escala menor. Os problemas atuais com comportamentos juvenis anormais estão enraizados no enfraquecimento da influência educativa que a família, a comunidade e a escola devem exercer. Ao ponderarmos as questões educacionais, nós, adultos, devemos ver a nós próprios refletidos nesse espelho e estar sempre atentos a como nos corrigir. Como o senhor disse, os bons exemplos de adultos podem influenciar na melhoria do poder da educação. Notas: 1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 404, 2020. 2. Disponível em: https://www.yumpu.com/en/document/read/19558765/charter-of-tolerance-europaische-akademie-der-wissenschaften-. Acesso em: 22 jun. 2021. 3. Traduzido do alemão. NEUMANN, Erich. Zur Psychologie des Weiblichen [Sobre a Psicologia do Feminino]. Frankfurt am Main: Fischer Taschenbuch Verlag, 1983. p. 101. 4. Cf. WINNER. David. Eleanor Roosevelt. San Diego, CA: Blackbirch Press, 2003. p. 52. 5. Cf. TAGORE, Rabindranath. The English Writings of Rabindranath Tagore [Os Escritos de Rabindranath Tagore]. DAS, Sisir Kumar (ed.). Nova Délhi: Sahitya Akademi, v. 2,p. 413, 1996. 6. Ibidem, p. 416. 7. Ibidem. 8. GANDHI, Mahatma. All Men Are Brothers [Todos os Homens são Irmãos]. Nova York: Continuum, 2000. p. 148.

01/10/2021

Na prática

Suas ações transformam o mundo!

Alicerce do movimento Soka A expressão “Pensar globalmente, agir localmente” foi cunhada pelo cientista francês e importante pensador das questões ambientais René Dubos (1901­–1982) e difundida pela futuróloga norte-americana Hazel Henderson, com quem o presidente Ikeda publicou em coautoria o livro Cidadania Planetária — Seus Valores, Crenças e Ações Podem Criar um Mundo Sustentável. O conceito tem se destacado há décadas, sobretudo nos temas relacionados ao meio ambiente, mas também nos campos acadêmicos, de inovação, desenvolvimento socioeconômico e dos direitos humanos. Ikeda sensei diz no livro que o alicerce do movimento em prol da paz, promovido pela SGI, está em sintonia com o pensamento de Dubos. “O Sr. Makiguchi [primeiro presidente da Soka Gakkai] ensinou a importância de compreender que cada ser humano é mais do que um cidadão de seu próprio país. Todos nós somos integrantes da região onde vivemos e, ao mesmo tempo, somos cidadãos de todo o mundo”.2 Em sua obra Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana], Makiguchi sensei destacou que os indivíduos devem ter consciência em três níveis de cidadania. O primeiro é a consciência de nossas raízes e compromissos locais, baseados em nossa comunidade. O segundo é o senso de pertencermos a uma comunidade nacional. E o terceiro é compreender que todos nós somos cidadãos do mundo e que o mundo é o palco onde representamos o drama da nossa vida.3 Desse modo, entendemos que a humanidade e seu meio estão entrelaçados em um único corpo — assim como apresentado no conceito de “origem dependente” — e nada existe de maneira isolada. A partir dos ensinamentos budistas e dos incentivos do presidente Ikeda, os membros da SGI compreendem que seus esforços não são apenas para o progresso pessoal, mas principalmente para o bem-estar da sociedade. Sobre isso, Ikeda sensei ressalta: “Vocês estão dando um maravilhoso exemplo do que é ser um bom cidadão na comunidade, estão trabalhando pela felicidade das pessoas e se empenhando para contribuir por uma sociedade melhor e um futuro brilhante”.4 Para elucidar como esse tema ocorre na prática, destacamos algumas ações que a organização e seus membros promovem em prol da transformação da humanidade. Ação local — impacto global Os praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin da Soka Gakkai são estimulados a assumir a responsabilidade de criar um mundo melhor. Para tanto, recitam diariamente Nam-myoho-renge-kyo (daimoku) e trechos do Sutra do Lótus (gongyo) para fortalecer a energia vital, e compartilham os ensinamentos do budismo com o sincero desejo de que outras pessoas consigam superar seus desafios. Além disso, participam das reuniões de palestra — atividade mensal dos membros da organização de um pequeno núcleo —, nas quais iniciantes e veteranos da prática budista trocam incentivos para que o potencial de cada um seja despertado, reverberando também para as pessoas ao seu redor. Em inúmeros países em que a SGI está presente, seus integrantes promovem movimentos que impactam de forma positiva a localidade e, em âmbito maior, a sociedade, fazendo valer o conceito tema desta matéria: “pensar globalmente, agir localmente”. Em paralelo a essas iniciativas locais, a SGI também promove diversas frentes de impacto social com base nos ensinamentos humanísticos do Budismo Nichiren, das quais veremos alguns exemplos a seguir. Educação que transforma As ações institucionais nas áreas da educação têm por objetivo desenvolver pessoas conscientes de seu papel social transformador. Por essa razão, o presidente Ikeda se empenhou para criar um pujante sistema educacional no Japão e em vários países — desde a educação infantil até a universidade —, assentado na educação humanística idealizada pelo professor e também fundador da Soka Gakkai Tsunesaburo Makiguchi. Além disso, organizações constituintes da SGI ao redor do mundo promovem iniciativas para o desenvolvimento educacional em sua respectiva localidade. Um grande exemplo são os jovens da SGI-Camboja. Eles estão ajudando a melhorar a alfabetização e proporcionando aos alunos das áreas rurais acesso às alegrias da leitura. Nessas áreas, poucas escolas públicas disponibilizam bibliotecas e os alunos muitas vezes não têm acesso a outros materiais de leitura além de livros didáticos. O projeto teve início em 2014, quando foram doados livros infantis em khmer, idioma oficial do país, para duas escolas do ensino fundamental. “Quando nós, jovens da SGI-Camboja, nos reunimos para discutir como contribuir com nossas comunidades locais, decidimos doar livros para escolas públicas e batizamos a iniciativa de ‘Luz do Aprendizado’”, diz Socheth Sok, coordenadora da Divisão dos Jovens do país.5 A Coordenadoria Educacional (CEduc) da BSGI desenvolve em todo o Brasil inúmeros projetos na área educacional fundamentados na “teoria da criação de valor”6 de Makiguchi sensei. Uma das atividades é a Academia Magia da Leitura, cujo intuito é aperfeiçoar as habilidades de oralidade, leitura e escrita dos participantes, além de despertar neles o desejo de ampliar conhecimento por meio da análise textual de obras memoráveis da literatura brasileira e estrangeira, dos livros de autoria do presidente Ikeda e dos periódicos da Editora Brasil Seikyo. Cultura em benefício das pessoas Em sua atuação pelo bem-estar da sociedade, a SGI também promove atividades e iniciativas culturais ensejando que seus membros evidenciem força capaz de transformar positivamente o meio em que vivem. Sobre a importância da cultura e da arte, o presidente Ikeda disse certa ocasião: A arte é uma arma poderosa na luta pela paz; é uma das expressões mais elevadas do triunfo humano. Os esforços daqueles que se dedicam a aperfeiçoar sua arte servem para edificar a paz e a cultura em benefício de toda a humanidade.7 Para tanto, várias instituições foram idealizadas por ele, como a Associação de Concertos Min-On, fundada em 1963, e o Museu de Arte Fuji de Tóquio, aberto em novembro de 1983, em Hachioji, ambos no Japão. Este último abriga um acervo de valor inestimável, com itens originários do Oriente e do Ocidente, incluindo quadros, esculturas, cerâmicas, porcelanas, armaduras e espadas medievais, medalhas e fotografias. Apresentações culturais, palestras e exposições são alguns dos eventos promovidos pela SGI com o intuito de desenvolver o potencial de cada integrante e aproximar o povo das variadas formas de arte. Já no Brasil, são inúmeros projetos promovidos pela Coordenadoria Cultural (CCult) da BSGI, dos artísticos aos inclusivos. Destacamos aqui o Núcleo de Inclusão em Libras (NIL) cujo objetivo é expandir o entendimento do Budismo de Nichiren Daishonin para os surdos por meio da Língua Brasileira de Sinais. Meio ambiente Depoimento de Jean Dinelly Leão, engenheiro ambiental no Instituto Soka Amazônia Sou engenheiro ambiental e trabalho no Instituto Soka Amazônia (ISA) desde 2016. Minha atuação se concentra na gestão da Reserva Particular Dr. Daisaku Ikeda, em todas as áreas que envolvem o relacionamento com parceiros institucionais e na atenção à legislação que ampara nossas atividades. No instituto, estamos empenhados em pôr em prática os conceitos filosóficos propostos por nosso fundador, Dr. Daisaku Ikeda, nos quais seres humanos e o meio ambiente são unos e, ao mesmo tempo, exercem influência um sobre o outro. Os principais projetos desenvolvidos pelo ISA são: Academia ambiental — aulas de educação ambiental promovidas pelo instituto para jovens da rede municipal de ensino sobre a importância da conservação das espécies, o manejo da biodiversidade e a interação com o meio ambiente. Conservação da natureza — conjunto de ações que permitem à comunidade local contribuir com a proteção da Amazônia a partir da coleta de sementes, da produção de mudas nativas em risco iminente de extinção e do plantio de mudas junto com a sociedade. Apoio à pesquisa — parcerias com as principais universidades locais e centros de pesquisa, disponibilizando as áreas da Reserva Particular Dr. Ikeda para obtenção de conhecimentos científicos. Os projetos desenvolvidos pelo Instituto Soka Amazônia têm beneficiado diversos setores da sociedade local, com destaque para a classe acadêmica, a indústria e, principalmente, as comunidades ribeirinhas. Em muitas oportunidades, os trabalhos realizados pela equipe do instituto provocam reflexão e, por vezes, mudança no comportamento dos moradores locais. Certa vez, ao visitarmos uma comunidade ribeirinha que vivia do extrativismo e do corte da madeira, mostramos que, para obter as sementes de determinadas árvores, era necessário pagar por elas. Um dos integrantes afirmou não imaginar que existia valor nas sementes, e que daquele momento em diante sua conduta seria a de preservar aquelas espécies. Temos muito a fazer pela Amazônia enquanto instituto. Creio que, nos próximos anos, mais avanços serão obtidos em parceria com a comunidade da região, levando ao mundo a certeza de que na Amazônia existem pessoas e instituições preocupadas com a integridade ecológica local e seu impacto global, traduzidas em ações socioambientais. Orgulho de pertencer à SGI Em todos os lugares, membros da Soka Gakkai Internacional dedicam-se incessantemente à autorreforma — com a prática contínua e diária de gongyo e daimoku, do estudo do budismo, da relação de companheirismo estabelecida com os integrantes da organização local e dos incentivos do presidente Ikeda, além da participação e do apoio a projetos específicos em diversos setores, do educacional ao ambiental. Com esses esforços constantes, a consciência de serem agentes transformadores se expande, e uma energia positiva e vibrante se instaura na vida deles, irradiando vivacidade para os membros da família, da comunidade e a sociedade. Ikeda sensei diz: Não temos artifícios secretos, nossos membros se encorajam mutuamente e aceitam os desafios impostos pela reforma individual de seu caráter. A vitória de cada pessoa sobre seu “eu menor” impulsiona o desenvolvimento social e, por fim, influencia a história da humanidade. Esse é o âmago do nosso movimento da revolução humana.8 Um dos grandes estudiosos do Budismo de Nichiren Daishonin Richard Hughes acompanha há décadas os trabalhos realizados pela Soka Gakkai e a SGI em prol da paz, da cultura e da educação. Ele ressaltou: O Budismo de Nichiren Daishonin é uma das linhas budistas mais tradicionais do Japão e, na Soka Gakkai, ele assumiu a forma de um dos movimentos mais vibrantes, modernos e dedicados que existe. (...) Estudiosos começaram a reconhecer a Soka Gakkai como uma força positiva no mundo e como um excelente modelo daquilo que é chamado de “budismo de engajamento social” e essa é uma contribuição que atrai o mundo contemporâneo.9 Assim como observado pelo Dr. Seager, as atividades da SGI são um movimento efetivo de pessoas engajadas não somente pela felicidade de si, mas também para a felicidade de toda a humanidade. Compreender que cada integrante da organização e das instituições Soka cooperam verdadeiramente para a construção de um mundo melhor enche o coração de orgulho e de alegria. Simples ações na vida cotidiana, firmadas no humanismo budista, têm potencial transformador incalculável. Então, lembre-se: por meio de suas ações no local em que está, você pode mudar o mundo! Notas: 1. Brasil Seikyo, 1.793, 30 abr. 2005, p. A5. 2. IKEDA, Daisaku; HENDERSON, Hazel. Cidadania Planetária — Seus Valores, Crenças e Ações Podem Criar um Mundo Sustentável. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. p. 95. 3. Cf. Brasil Seikyo, ed. 1.718, 4 out. 2003, p. A3. 4. Brasil Seikyo, ed. 1.607, 9 jun. 2001, p. A3. 5. Disponível em: https://www.sokaglobal.org/in-society/initiatives/cambodia-light-of-learning.html. Acesso em: 6 ago. 2021. 6. Tsunesaburo Makiguchi desenvolveu os princípios da educação humanística baseado em sua “teoria da criação valor”, que abarca: “belo, benefício e bem”. 7. Brasil Seikyo, ed. 1.742, 3 abr. 2004, p. A3. 8. Brasil Seikyo, ed. 2.361, 25 fev. 2017, p. B4. 9. Terceira Civilização, ed. 405, maio 2002, p. 2.

01/09/2021

RDez

Cápsula do tempo

Teste seus conhecimentos sobre o dia 23 de novembro de 2008

Reunião de fundação do grupo Ikeda Kayo Kai do Brasil no Centro Cultural Campestre (Itapevi, nov. 2008) O Ikeda Kayo Kai (Ka, flor; yo, sol; kai, grupo) é um grupo de aprimoramento da Divisão Feminina de Jovens (DFJ) que tem como objetivo preparar as jovens discípulas para que se tornem pessoas de primeira categoria e desenvolvam o espírito do juramento eterno de mestre e discípulo. As diretrizes eternas do grupo são: 1 - Flores da Felicidade e da Vitória – de harmonia fraterna e que jamais abandona a fé. 2 - Brilho da Justiça – que tem como base o Gosho e que ama e protege a Gakkai. 3 - Sol do Kosen-rufu do Mundo – sempre junto com sensei e sua esposa. No Brasil, a cerimônia de fundação do grupo ocorreu em 23 de novembro de 2008 no Centro Cultural Campestre e reuniu 292 líderes de RM e acima de todo o Brasil. Na mensagem enviada para a ocasião, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, orientou: Por favor, com radiância e altivez, cultivem um “forte eu” e um “invencível eu” por meio da vibrante recitação do daimoku com base na genuína fé e na forte decisão de que realizarão infalivelmente a transformação do destino para o bem de si mesmas e de suas amigas. (Brasil Seikyo, ed. 1.965, 29 nov. 2008, p. A2) Atualmente, as integrantes do Ikeda Kayo Kai vêm se dedicando com base no estudo do Gosho e no juramento ao Ikeda sensei de incentivar mais moças a se tornarem sábias, fortes e alegres. Saiba mais: https://www.brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/1965/artigo/novo-grupo-da-dfj-quer-formar-mulheres-de-1-qualidade-discipulas-do-presidente-ikeda/29413 IKEDA, Daisaku. Juramento Kayo: Coletânea de Orientações de Daisaku Ikeda. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2011. Para saber mais sobre o livro do Ikeda Kayo Kai, clique aqui. Teste seus conhecimentos com o vídeo Cápsula do Tempo Quiz Show Datas marcantes do mês de novembro Dia 11 • 1264 (759 anos) Perseguição de Komatsubara Dia 18 • 1930 (93 anos) Fundação da Soka Gakkai Dia 18 • 1944 (79 anos) Falecimento de Tsunesaburo Makiguchi Dia 18 • 2013 (10 anos) Inauguração do Auditório do Grande Juramento pelo Kosen-rufu (Daiseido) Dia 28 • 2010 (13 anos) Convenção Brasil Monarca do Mundo

01/11/2023

Trending Topics

Você conhece o Día de los Muertos?

Realizado nos dias 1 e 2 de novembro, o Día de los Muertos (Dia dos Mortos, em português) é uma festa tradicional mexicana conhecida pelas roupas coloridas, pelas músicas e pela fartura de comida. Sua origem vem dos povos astecas e maias e tem como objetivo homenagear os entes falecidos. A data, que se tornou Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2008 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco),1 tem como símbolos as caveiras e os cravos amarelos. Enquanto a caveira é moldada em açúcar ou pintada com tinta no rosto das pessoas, os cravos são usados na decoração. Nas cidades e nas vilas, os mexicanos usam maquiagem e fantasias e realizam desfiles e festas. Para aumentar a emoção, usam conchas ou outros artefatos barulhentos. Agora que entendeu mais sobre a data, fica a dica para as festas temáticas!😉 *Dicas RDez Inteire-se sobre o Día de los Muertos por meio destes filmes e animações: Viva – A Vida é uma FestaClassificação: LivreProdutora: Disney Lançado em 2017, o filme conta a história de Miguel, um garoto mexicano que sonha em se tornar músico, apesar da desaprovação da família. Convicto em realizar seu sonho, Miguel acidentalmente entra no mundo dos mortos e embarca em uma jornada cheia de aventura. O desenho celebra a cultura mexicana com uma bela animação, música cativante e uma mensagem poderosa sobre família e memória. Festa no CéuClassificação: LivreProdutora: 20th Century Animation O filme acompanha a história de Manolo, um toureiro relutante que é apaixonado por música e embarca em uma jornada através de três mundos fantásticos para provar seu amor e sua coragem. Com sua vibrante animação, a narrativa explora temas da cultura mexicana, como a tradição do Dia dos Mortos, o amor e a memória dos entes queridos. Como é esta data no Brasil? No calendário brasileiro, há o Dia de Finados, realizado em 2 de novembro. De origem cristã, tradicionalmente as pessoas relembram e oram para aqueles que já se foram. Na data, os membros da BSGI realizam suas cerimônias em memória dos entes falecidos em suas casas, nas sedes ou no Palácio Memorial da Paz Eterna, que faz parte do Centro Cultural Campestre, em Itapevi (SP). No topo: Getty Images Nota:1. https://ich.unesco.org/en/RL/indigenous-festivity-dedicated-to-the-dead-00054. Acesso em: out. 2023. Referências:https://www.adorocinema.com/filmes/filme-206775/https://www.adorocinema.com/filmes/filme-203878/

01/11/2023

Cápsula do tempo

Teste seus conhecimentos sobre o dia 18 de outubro de 1963

Sede da Associação de Concertos Min-On (Tóquio, Japão). Foto: Seikyo Press Certa vez, Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, expressou: “O kosen-rufu é um grande movimento cultural. Significa ‘estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra’”.1 Por herdar esse ideal do Mestre, o Dr. Daisaku Ikeda, presidente da SGI, fundou a Associação de Concertos Min-On em 18 de outubro de 1963. Pouco tempo depois, em 9 de janeiro de 1965, a associação foi reconhecida com uma fundação e, em 1º de setembro de 1997, passou a ter uma sede corporativa. Localizada próxima aos prédios da Soka Gakkai, em Shinanomachi, Tóquio, a associação tem como objetivo promover o intercâmbio cultural por meio de atividades artísticas e tornar as artes cênicas e a música acessíveis ao público em geral. Min-On é uma abreviação de Minshu Ongaku Kyokai e significa, literalmente, “música do povo”. A palavra minshu foi escrita com os ideogramas de “povo” ou “popular”, no sentido de que o povo é o ator principal de uma nação ou de uma sociedade e também peça-chave para o desenvolvimento da arte e da música para o bem da humanidade. A palavra ongaku significa “música” ou “concerto” e kyo-kai quer dizer “associação”.2 Desde a fundação, a Associação de Concertos Min-On promoveu intercâmbios com grupos artísticos de mais de 100 países e já realizou concertos em mais de 300 cidades japonesas. Também oferece variadas opções de entretenimento musical, cultural e educativo, como óperas, concertos, competições, festivais, simpósios, palestras, oficinas e workshops. A Ópera do Estado Bávaro, da Alemanha, a Ópera Estatal de Viena, da Áustria, o Teatro alla Scala, da Itália, e o The Royal Opera, da Inglaterra, já se apresentaram no Japão a convite da Min-On. Na sede da associação, há o Museu da Música, criado em 1974, que conta com uma grande coleção de instrumentos de todos os cantos do mundo, bem como caixas de música, pianolas,3 fonógrafos4 e outros materiais. Mesmo em exibição, os instrumentos antigos são tocados para que os visitantes apreciem os sons. A associação ainda possui a Biblioteca Musical, criada em 1974, com cerca de 45 mil partituras e 33 mil livros, além de revistas, jornais e publicações relacionadas à música. Saiba mais: https://www.brasilseikyo.com.br/home/terceira-civilizacao/edicao/417/artigo/musica-e-vida-a-sinfonia-dos-sons-universais/6023 https://www.brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/1744/artigo/voce-sabia-que-o-pianista-amaral-vieira-e-a-cantora-gal-costa-ja-se-apresentaram-a-convite-da-min-on-no-japao/11400 https://www.brasilseikyo.com.br/home/terceira-civilizacao/edicao/423/artigo/japao/5839 https://www.min-on.org/ *** Teste seus conhecimentos com o vídeo Cápsula do Tempo Quiz Show Datas marcantes do mês de outubro Dia 2 • 1960 (63 anos) Conhecido como o Dia da Paz Mundial, marca a primeira vez em que o presidente Ikeda viajou para o exterior a fim de propagar o Budismo Nichiren e os ideais da Soka Gakkai para o mundo Dia 4 • 1970 (53 anos) Fundação do grupo Cerejeira Dia 13 • 1282 (741 anos) Falecimento de Nichiren Daishonin Dia 17 • 1999 (24 anos) Convenção Cultural dos Jovens (“Convenção da Chuva”) Dia 19 • 1960 (63 anos) Fundação da BSGI Dia 19 • 1982 (41 anos) Fundação do grupo Sokahan Dia 20 • 1960 (63 anos) Fundação do Distrito Brasil Notas:1. Brasil Seikyo, ed. 2.557, 27 mar. 2021, p. 3-5.2. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. 8, p. 159-160, 2019.3. A pianola é um piano mecânico que, por meio de rolos de papel ou de metal perfurados, executa músicas sem a necessidade de tocar as teclas.4. O fonógrafo foi o primeiro aparelho criado para gravar e emitir sons. Ele possui formato cilíndrico.

02/10/2023

Cápsula do tempo

Teste seus conhecimentos sobre o dia 8 de setembro de 2018

Presidente Ikeda escreve a Nova Revolução Humana com o sentimento de encorajar a todos (Japão, abr. 2009). Foto: Seikyo Press O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, começou a escrever a Nova Revolução Humana em 6 de agosto de 1993, no Centro de Treinamento de Nagano, em Karuizawa, Japão, exatamente 48 anos depois que a bomba atômica foi lançada em Hiroshima. O romance é um registro do espírito da Soka Gakkai e da relação de mestre e discípulo e detalha todos os passos da história do kosen-rufu. Em 18 de novembro do mesmo ano, a obra começou a ser publicada diariamente no Seikyo Shimbun, jornal diário da Soka Gakkai no Japão. Nessa época, Ikeda sensei estava com 65 anos. Sobre o desafio de escrever em meio às intensas atividades no Japão e no mundo, o presidente Ikeda comentou: Cada dia se tornou uma batalha de vida ou morte em que dedicava todas as minhas forças. Lembrando-me dos preciosos companheiros que se empenham bravamente na fé, no Japão e no mundo, extraía as palavras do fundo da minha vida e me dedicava à elaboração e à revisão do texto com o sincero sentimento de enviar uma carta de incentivo a cada pessoa. Era também uma tarefa que realizava dialogando em meu íntimo com o Mestre. A voz do Mestre ecoava em minha mente: “Transmita o espírito Soka para a posteridade! Cumpra a sua missão nesta existência!”. O cansaço se dissipava e emanava a coragem. (Nova Revolução Humana, v. 30-II, p. 353-354) No dia 8 de setembro de 2018, após 25 anos de intensa dedicação e desafiando o limite da sua existência, sensei concluiu a obra composta de 30 volumes no mesmo local em que a iniciou. No posfácio, ele encoraja a todos para que se levantem como Shin’ichi Yamamoto1 e escrevam a própria história brilhante da revolução humana empenhando-se pela felicidade dos outros.2 *** Teste seus conhecimentos com o vídeo Cápsula do Tempo Quiz Show Datas marcantes do mês de setembro Dia 8 • 1957 (66 anos) Declaração pela Abolição das Armas Nucleares Dia 12 • 1271 (752 anos) Perseguição de Tatsunokuchi Dia 21 • 1279 (744 anos) Perseguição de Atsuhara Saiba mais: https://www.brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/2434/artigo/legado-para-a-eternidade/36574 https://www.brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/2639/artigo/legado-perene-para-o-futuro-da-humanidade/999561654 Notas:1. O personagem do presidente Ikeda na Nova Revolução Humana é Shin’ichi Yamamoto.2. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. 30-II, p. 359, 2020.

30/08/2023

Corredores da Justiça

Banhados pela luz da lua, esforcem-se com um coração tão vasto quanto o universo!

Aperte o play e acompanhe a leitura do texto escrito por Ikeda sensei em inglês A lua é o espelho brilhante dos céus. Reflete e une o coração das pessoas transcendendo o tempo e o espaço. Sua luz irradia a brilhante sabedoria do cosmos. A Lua da Colheita,1 em particular, é considerada a mais bela — este ano, ela surgirá no dia 10 de setembro [texto originalmente publicado em 2022]. Dirigindo-se aos jovens, Toda sensei disse uma vez: “Liderem uma juventude repleta de paixão e de sonhos enquanto dialogam e debatem sobre a vida, a filosofia e o futuro juntos e sob a luz da lua.”2 Nichiren Daishonin declarou: “[...] para aqueles que possuem profunda fé [na Lei Mística], é como se a lua cheia iluminasse a noite”.3 Não importa quão escuros sejam os tempos, enquanto recitarem Nam-myoho-renge-kyo e desafiarem a si mesmos nos estudos, a lua cheia da coragem e da sabedoria brilhará em seu coração sem falta! Aprender é luz. Por favor, sejam positivos e confiem que a luz que vocês estão acumulando agora por meio de árduos esforços, um dia, iluminará sua vida, bem como as de seus familiares, amigos e das pessoas ao redor do mundo. Olhando para a bela lua, mirem o futuro e aprendam com um coração tão vasto quanto o universo! Fonte: Traduzido da série “Rumo a 2030: Dedico aos meus Jovens Sucessores Corredores da Justiça” da edição de setembro de 2022 do jornal Mirai (Futuro), publicação mensal da Soka Gakkai voltada para a Divisão dos Estudantes Esperança e Herdeiro. Notas:1. O fenômeno chamado Lua da Colheita é uma fase específica que marca, no hemisfério sul, a entrada da primavera e, no hemisfério norte, a chegada do outono. O nome se deve a um antigo costume de fazendeiros que, séculos atrás, utilizavam a luz da lua para trabalhar nas colheitas ao longo da noite.2. Tradução não oficial.3. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 96, 2020.

30/08/2023

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Mês de setembro

Saiba, em um minuto, o que você encontrará na edição de setembro: Do Mestre para você Construindo um Futuro Brilhante Baseado no Juramento Na última parte desta série, o Mestre nos ensina a superar os medos. Corredores da Justiça Descubra o que a lua e o aprofundamento da fé têm em comum. Faróis da Esperança Desperte o poder do leão dentro de você. Matérias dos níveis DE-Futuro Você sabe o que é cultura de paz? Leia aqui. DE-Esperança Veja como aplicar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no dia a dia. DE-Herdeiro Aprenda de quantas maneiras a solidariedade pode contribuir para a paz. Quentinhas O que Rolou Se liga no que as localidades organizaram pela DE. Trending Topics A primavera chegou! Saiba quais flores brasileiras desabrocham nesta época. Mural de Vitórias Pedro Henrique conta, em vídeo, como venceu no estudo, na prática esportiva e na criação de um livro. Matéria do mês Minhas ações pela paz Construa um futuro melhor a partir de agora com a RDez! Aprenda mais sobre o budismo Cápsula do Tempo Teste seus conhecimentos sobre os cinco anos da conclusão da Nova Revolução Humana. ABC do Budismo Entenda o que existe em comum entre uma orquestra sinfônica e o princípio itai doshin. Diversão Passatempo Venha brincar com os jogos deste mês!

30/08/2023

Faróis da Esperança

Convoquem a coragem

Aperte o play e acompanhe a leitura do texto escrito por Ikeda sensei Agosto é o mês em que conheci meu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda. Eu tinha 19 anos1 na época. Logo no primeiro encontro, perguntei a ele: “Que tipo de vida é o modo correto de viver?”.2 Nesse momento, ele me encorajou a praticar o Budismo Nichiren para que eu mesmo encontrasse a resposta. Depositei minha confiança nele, que foi preso durante a Segunda Guerra Mundial por defender suas crenças, e decidi tentar. Como resultado, pude trilhar o correto caminho da vida dedicado à paz e à felicidade da humanidade. Tudo começa com a coragem de tentar e de desafiar a si mesmo, seja recitando Nam-myoho-renge-kyo, estudando, praticando esportes, fazendo amigos, seja ajudando nas tarefas de casa. Certamente, chegará o momento em que vocês se sentirão felizes por terem feito essa escolha. Por favor, fiquem seguros e bem e aproveitem as férias de verão!3 Fonte: Traduzido e adaptado da série “Rumo a 2030: Dedico aos Radiantes Faróis da Esperança” da edição de agosto de 2022 da Boys and Girls Hope News, publicação mensal da Soka Gakkai voltada para a Divisão dos Estudantes Futuro. Notas:1. O presidente Ikeda encontrou-se com Josei Toda pela primeira vez em uma reunião de palestra em Tóquio, em 14 de agosto de 1947, dois anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial.2. IKEDA, Daisaku. Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 2, p. 197, 2022.3. No Japão, as férias escolares de verão ocorrem em agosto.

01/08/2023

Matéria da Divisão do Futuro

Um semestre inteiro de possibilidades!

Chegamos ao final do primeiro semestre de 2023. Após toda a correria, temos a oportunidade de refletir sobre o que aprendemos e as mudanças que queremos realizar nesta reta final do ano. O quanto eu cresci e o quanto posso melhorar? Pensar dessa forma é a chave para o desenvolvimento. Quando compreendemos que ainda temos muito aprendizado pela frente, abrimos espaço para nos reinventar e conhecer coisas novas. Mesmo que não tenha conquistado algum objetivo ou tirado uma nota baixa na escola, não desista! Tente mais uma vez no segundo semestre e persista até conseguir. Podemos comparar essa persistência com a primeira vez que andamos de bicicleta: tentamos uma vez, caímos e até nos ralamos. Mas nos levantamos, colocamos um curativo e tentamos novamente até conseguir. Depois disso, nunca mais esquecemos como é pedalar. Com esse exemplo em mente, vamos nos esforçar ainda mais até o final do ano! Presidente Ikeda recebe flores de uma Estudante (Coreia do Sul, maio 1998). Foto: Seikyo Press Frase do sensei: Se persistirem corajosamente, avançando sobre os obstáculos e as decepções, mantendo sempre em mente “Desta vez eu vou conseguir! Desta vez serei vitorioso!”, infalivelmente realizarão sua revolução humana. (Juventude: Sonhos e Esperanças, v. 2, p. 206) *** Quiz 1. O que devemos refletir após o término do primeiro semestre? a. Identificar as falhas e focar apenas nelas b. Ver tudo o que aprendemos e quais mudanças queremos realizar c. Não é bom pensar nisso 2. “O quanto eu cresci e o quanto posso melhorar?” Pensar dessa forma é a chave para... a. não avançar b. parar de crescer c. o desenvolvimento 3. Na matéria, qual comparação foi feita com a persistência? a. Quando andamos de bicicleta pela primeira vez b. Quando deixamos de fazer uma tarefa c. Nenhuma das anteriores Respostas 1. B 2. C 3. A

19/06/2023

Matéria da Divisão da Esperança

Persistir, insistir e nunca desistir

Já estamos na metade de 2023! Como andam os objetivos lançados no início do ano? Conforme o tempo passa, podemos esquecer o que foi planejado ou até mesmo questionar se é possível concretizá-los. Nessas situações, o mais importante é não deixar esses sentimentos negativos prevalecerem e pensar o que fazer de diferente para aproveitar ao máximo os próximos seis meses e vencer. Entrar em ação Você lembra o lema eterno da Divisão dos Estudantes? “Em primeiro lugar, vamos nos dedicar aos estudos, cuidar da saúde e zelar pelos pais”. Por sermos membros da DE, em nosso dia a dia, não podemos perder de vista esses três pontos. Precisamos também estabelecer estratégias para concretizar os objetivos. O primeiro passo é o daimoku. Com ele, adquirimos sabedoria para traçar um plano e extrair coragem para entrar em ação. Por exemplo, se seu objetivo é ir bem na prova de matemática, deve-se orar para o total sucesso na prova e dedicar-se nos estudos todos os dias. Desse modo, a vitória é certa! Foto: Divulgação “Continue a nadar! Continue a nadar!” Vocês já ouviram essa canção da personagem Dory, do filme Procurando Nemo? Nessa frase, podemos entender o segundo passo, que é a persistência. Mesmo que o primeiro semestre não tenha sido como o esperado, não devemos desistir nem nos desesperar. O Mestre sempre nos incentiva a desafiarmos o que se encontra à nossa frente. Ele afirma: “Onde existe desafio, há avanço. Onde existe desafio, há esperança. Onde existe desafio, há alegria. Onde existe desafio, há felicidade. Onde existe desafio, há vitória.” (Brasil Seikyo, ed. 2.160, 1o jan. 2013, p. C2) Portanto, para conquistar os objetivos, temos que ter esperança, avanço, alegria e felicidade. Quadro dos sonhos Às vezes, é difícil se imaginar alcançando os objetivos. Para te ajudar com isso e motivar a conquista dos seus sonhos, vamos ensinar a fazer um quadro dos sonhos. Materiais - Cartolina - Imagens do que você quer conquistar (podem ser tiradas de revista, jornal ou impressas) - Tesoura sem ponta - Cola bastão - Canetas coloridas - Itens de decoração (glitter, figurinhas, fita adesiva etc.) Passo a passo 1. Antes de tudo, liste seus objetivos ou resgate a lista feita no início do ano. 2. Depois, escolha as imagens que representam esses objetivos. 3. Por fim, cole as imagens na cartolina e decore com toda a sua criatividade. Confira um exemplo: Foto: Pinterest Com o quadro dos sonhos pronto, coloque-o num lugar em que veja todos os dias, assim, você terá mais determinação para conquistar os objetivos.

19/06/2023

Matéria do mês

Respira, não pira e bora continuar!

Neste mês tão especial em que comemoramos a fundação das Divisões Feminina e Masculina de Jovens, vamos entender por que estudar é tão importante? O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, responde a essa questão no livro Juventude: Sonhos e Esperanças: O propósito do estudo não é ser aceito numa universidade de prestígio. É cultivar a mente e o coração para se tornarem indivíduos plenos e deixarem alguma boa prova de sua existência neste mundo. Cumpram a missão que cabe somente a vocês realizarem. E façam o máximo para atuar em prol das pessoas que estão sofrendo. Para isso, precisarão de força e caráter. Eis porque afirmo constantemente que sempre ganhamos quando desafiamos a nós próprios e nos esforçamos. (Juventude: Sonhos e Esperanças, v. 1, p. 51) Vamos imaginar que estamos em uma maratona: para se dar bem nos 42 km de corrida, os especialistas dizem que o segredo é ter uma postura de dedicação e comprometimento.1 É importante também, depois que chegar ao quilômetro 30, manter o ritmo das passadas. Assim, na fase mais desafiadora, você terá adquirido confiança suficiente para finalizar a prova. Para nós, Estudantes, o período das férias escolares de julho equivale a esse quilômetro 30. Além de recarregar as energias, devemos aproveitar este momento para rever os objetivos, redirecionar as rotas (se for necessário) ou apertar o passo. Quando chegamos no meio do caminho, é natural surgirem dúvidas e até um certo desânimo, principalmente se você não conseguiu boas notas ou fez poucos amigos no primeiro semestre. Mas sempre é tempo de retomar o fôlego e voltar com tudo! Foto: Getty images Recomeçar Ikeda sensei orienta sobre nosso direito de estudar e como devemos encarar essa tarefa: Estudar é o mais sublime direito de um jovem. Fortalece seu coração e o ajuda a desenvolver a si mesmo. Com um coração forte, nada poderá destruí-lo, nem as mais rigorosas e reais adversidades. Pode-se dar um salto dinâmico a partir de si mesmo rumo a um mundo de novos ideais. Sua mola propulsora é a leitura e o estudo. O importante é começar por algo; esforçar-se em alguma coisa. Criar o hábito de “não fugir” e de “esforçar-se” é o próprio objetivo do estudo. A pessoa que desenvolve o costume de estudar torna-se alguém capaz de tudo. (Seja a Esperança, p. 17) Atenção às armadilhas Numa maratona, devemos ficar atentos às armadilhas que surgem no trajeto, como lesões, o clima, o cansaço ou a falta de motivação. Na vida escolar, isso também pode acontecer. Às vezes, podemos pensar que não estamos na escola que gostaríamos, que não temos as melhores condições de estudo ou achar que não temos capacidade de aprender alguma matéria. A questão é encarar cada armadilha como uma chance de mudar e pensar em estratégias. Vale conversar com os familiares, os colegas e os professores, criar grupos de estudos, identificar como você aprende melhor etc. Presidente Ikeda e aluno participam da aula (Japão, nov. 1980). Foto: Seikyo press Avançar aos poucos e sempre De volta ao exemplo da maratona, quando um atleta sofre uma lesão, ele não pode voltar a correr os 42 km de uma vez. É necessário aumentar o percurso aos poucos e no ritmo adequado e treinar com regularidade. Na escola, é assim também: se você se esforçar para estudar um pouco todos os dias, inclusive aquilo que não o agrada tanto, é certo que alcançará todas as suas metas ao longo do semestre. E mais: construirá uma fortaleza interior capaz de expandir a postura de se desafiar por toda a vida. O presidente Ikeda comenta sobre essa postura: O estudo contribui para o nosso crescimento e autoaprimoramento. Há um ditado que diz: “Não estudar é ser pobre de espírito”. O que faz com que os seres humanos sejam humanos é a arte de estudar e aprender. (Juventude: Sonhos e Esperanças, v. 1, p. 19) Vamos, juntos, manter o foco nos objetivos e finalizar a maratona de 2023 com ânimo, comprometimento e a certeza de que este é o primeiro quilômetro decisivo na construção de um caminho de vitórias. Afinal, o esforço nunca mente. *Dica RDez Enquanto se prepara para o segundo semestre, que tal relaxar e aprender sobre o ócio criativo no Trending Topics deste mês? O estudo é um direito reservado somente aos seres humanos. Por isso, mesmo que estejam atarefados e sem tempo disponível, não parem de estudar. O presidente Toda era rigoroso com relação aos estudos. [...] Ele perguntou-me: “Shin’ichi, que livro você leu hoje?” Por mais atribulado que eu estivesse, ele sempre me perguntava a respeito do livro que eu estava lendo e qual era a minha opinião sobre seu teor. Se deixarem de aprender não terão mais crescimento nem progresso como ser humano. Por isso, tenham sempre a disposição de continuar a estudar por toda a vida. (Nova Revolução Humana, v. 11, p. 228) Nota:1. Disponível em: https://exame.com/casual/guia-para-quem-tem-a-maratona-na-mira/. Acesso em: abr. 2023.

19/06/2023

Faróis da Esperança

Criando felicidade e paz com o coração do rei leão

Aperte o play e acompanhe a leitura do texto escrito por Ikeda sensei Cinco de maio é o Dia dos Sucessores da Soka Gakkai, uma data para celebrar vocês, preciosos herdeiros do encontro de reis leões. Nichiren Daishonin declarou: “O rei leão não teme outros animais, e da mesma forma agem seus filhotes”.1 Cada um de vocês possui o coração do rei leão; em outras palavras, a coragem para não ser derrotado por nada! Recitar Nam-myoho-renge-kyo permite convocar a coragem para assumir novos desafios, estudar e aprender, mostrar apreço por seus pais e gentileza com os amigos. Ser corajoso é a chave para criar felicidade e paz. Jovens leões, seus corajosos esforços transmitirão esperança ao mundo e pavimentarão o caminho para um futuro vitorioso! Fonte: Traduzido e adaptado da série “Rumo a 2030: Dedico aos Radiantes Faróis da Esperança” da edição de maio de 2022 da Boys and Girls Hope News, publicação mensal da Soka Gakkai voltada para a Divisão dos Estudantes Futuro. Nota:1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 263, 2017.

17/04/2023

Matéria da Divisão dos Herdeiros

O que é ser DE-Herdeiro?

Parabéns pelo 32o aniversário de fundação da Divisão dos Estudantes da BSGI! Você sabe como surgiu a denominação Sucessores Ikeda 2030? Em 2010, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, denominou a Divisão dos Estudantes como Sucessores Ikeda 2030 para demonstrar sua profunda confiança, consideração e expectativa nos Estudantes da BSGI que assumirão o kosen-rufu no futuro. Na mensagem comemorativa dos 30 anos da DE, Ikeda sensei solicitou aos Estudantes: Por favor, estudem alegremente e se fortaleçam ao máximo, de peito erguido, como sucessores do mais altivo orgulho. [...] Visando 2030, o verdadeiro palco de vocês, iniciem agora o grandioso avanço de esperança com os amigos do mundo, pondo em primeiro lugar o estudo, a saúde e o zelo pelos pais! (Brasil Seikyo, ed. 2.560, 17 abr. 2021, p. 3) Cientes do profundo significado dessa denominação, vamos juntos herdar e assumir o kosen-rufu realizando grandiosos esforços rumo a 2030! Ser da DE-Herdeiro Como vimos, herdamos uma grande missão, os sonhos do Mestre. Mas de que modo devemos atuar para cumpri-la? O presidente Ikeda responde: “Meu sonho agora é que todos vocês, meus membros mais preciosos da Divisão dos Estudantes, realizem cada um dos seus sonhos individuais”.1 Para concretizá-los, é importante agir todos os dias sendo nós mesmos e fazer a nossa revolução humana. Além disso, devemos nos esforçar nos estudos, cuidar da saúde, zelar pelos pais, ser agentes positivos no local de atuação e ultrapassar as dificuldades por meio da prática da fé. Essas são as características de um digno DE-Herdeiro. Em uma orientação, Ikeda sensei afirmou: Escrevi no meu romance Revolução Humana o tema central: “A grandiosa revolução humana de uma única pessoa um dia impulsionará a mudança total do destino de um país e, além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade”. Também foi um juramento que fiz visualizando o magnífico desenvolvimento futuro do kosen-rufu mundial, o juramento seigan que gostaria de transferir aos sucessores do nosso movimento. (Terceira Civilização, ed. 650, out. 2022, p. 50-65) Com todos esses pontos em mente, vamos entrar em ação e concretizar os sonhos do Mestre! Nota:1. RDez, ed. 195, mar. 2018, p. 6.

20/03/2023

Construindo um Futuro Brilhante Baseado no Juramento

O futuro é agora!

Monja leiga Toki Cada um de vocês, meus queridos membros da Divisão dos Estudantes, sem exceção, serão protagonistas neste “Ano do Avanço e dos Valores Humanos” [2020],1 pois são pessoas capazes que representam a esperança da humanidade. O avanço e o desenvolvimento de vocês moldarão o futuro do mundo! Vinte e seis de janeiro é o Dia da SGI. Nessa data, em 1975, a Soka Gakkai foi fundada na Primeira Conferência da Paz Mundial, realizada em Guam. Naquela ocasião, ao lado de representantes de 51 países e territórios, jurei iluminar a sociedade global com o Budismo do Sol de Nichiren Daishonin e solicitei: “Espero que não busquem apenas florescer a si próprios, mas que também se dediquem a plantar as sementes da Lei Mística pelo mundo para a realização da paz. Eu também assim o farei”.2 Nesses 45 anos [texto publicado originalmente em 2020], os pioneiros que selaram o juramento pelo kosen-rufu naquela oportunidade incentivaram uma pessoa após outra e semearam a paz no coração delas. Hoje, nosso movimento propagou-se para 192 países e territórios, fazendo perfumadas flores de felicidade e de confiança desabrocharem em profusão ao redor do globo. A paz mundial não se encontra em algum lugar distante. Ela começa com o ato de dialogar, com o coração aberto, com a pessoa diante de você e construir uma amizade sincera com ela. A Soka Gakkai é o grande movimento humanístico que põe em prática e mantém dinamicamente vivo o espírito de Nichiren Daishonin de valorizar cada indivíduo. Nesta oportunidade, estudaremos uma carta que Daishonin escreveu para a monja leiga Toki (esposa de Toki Jonin) e aprenderemos sobre o potencial infinito de cada ser humano e o quão precioso e insubstituível é cada dia. *** Toki Jonin tornou-se uma figura central entre os discípulos de Nichiren Daishonin desde o início. Daishonin endereçou-lhe vários escritos importantes, como O Objeto de Devoção para Observação da Mente. A monja leiga Toki empenhou-se na fé com firmeza e constância ao lado do marido, ao mesmo tempo que cuidou da sogra idosa com toda devoção. Mais tarde, quando ela própria adoeceu, Daishonin a encorajou continuamente. Na carta Prolongar a Vida, ele escreveu: “A vida é o tesouro mais valioso de todos. Mesmo um dia a mais de vida tem valor superior a dez milhões de ryo em ouro”.3 Era um período de extrema incerteza no Japão. Todos estavam sujeitos a perder a vida a qualquer momento. Havia frequentes desastres naturais, como chuvas e ventanias destrutivas e secas severas. As pessoas também estavam inquietas por causa da ameaça de outra invasão mongol. Além de tudo isso, a monja leiga Toki vinha padecendo de uma doença. Talvez se sentisse desamparada e receosa de que jamais se recuperaria. Daishonin enviou-lhe um encorajamento inspirador para despertar sua energia vital. Com as palavras “A vida é o tesouro mais valioso de todos”,4 ele estava lhe dizendo: “Você é valiosa” e “Você é digna do mais elevado respeito”. Eu próprio sofri de tuberculose na juventude e copiei essa passagem em meu diário. Ela me inspirava a renovar minha determinação de sobreviver, independentemente do que pudesse acontecer, e de continuar me esforçando para efetuar novas conquistas no dia seguinte também. Trabalhei arduamente ao lado do meu mestre Josei Toda; lancei-me às atividades da Soka Gakkai; recitei Nam-myoho-renge-kyo ardentemente e dei continuidade aos meus estudos sempre que conseguia um momento livre. Alguns de vocês também podem estar enfrentando doenças. Sempre oro vigorosamente, de todo coração, para que as forças positivas do universo protejam cada um de vocês, possuidores de grande missão. Na mesma carta, Daishonin expressa: “Uma única vida vale mais que esse grande sistema de mundos”.5 À medida que prosseguirem orando sinceramente, com espírito tenaz e desafiador de avançar um passo a cada precioso dia, os tesouros da sua vida repleta de infinito potencial resplandecerão irradiando a luz da felicidade e do sucesso. Mesmo que o caminho que escolheram não pareça estar se abrindo como esperava, peço-lhes que nunca desistam. A fé e a prática budista os habilitarão a compor a história da virada, revertendo adversidade em vitória. *** Encontro do presidente Ikeda e da Sra. Kaneko com Wangari Maathai (Tóquio, fev. 2005) A ativista ambiental queniana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Wangari Maathai (1940–2011), mudou a história de seu país com firmes e incansáveis esforços. Quando sua terra natal estava sofrendo com uma grave devastação ambiental, ela reuniu mulheres das áreas rurais para plantar árvores. O Movimento do Cinturão Verde6 continuou avançando e plantou dezenas de milhões de árvores em todo o Quênia. Apesar dos seus esforços para proteger o meio ambiente e os direitos humanos, a Dra. Maathai foi alvo de violência e chegou até a ser presa. No entanto, o movimento iniciado por ela, solidamente alicerçado na comunidade, inspirou um número incalculável de pessoas capazes e desencadeou uma grande onda de proteção do meio ambiente no mundo todo. Em 2005, juntamente com um grupo de membros da Divisão dos Jovens, recepcionei a Dra. Maathai no prédio do Seikyo Shimbun em Tóquio. Além de externar votos de um futuro brilhante aos jovens, ela explicou que, caso desejassem uma mudança, deveriam começar consigo mesmos. Também os encorajou a sempre se lembrarem de que a vida é uma experiência maravilhosa que eles devem desfrutar. O budismo ensina que, por meio de uma mudança nas profundezas da nossa vida, podemos transformar nosso eu e nosso ambiente num único momento e mover tudo em direção à esperança, à felicidade e à vitória. Em outras palavras, suas determinações e orações neste exato instante podem romper barreiras aparentemente intransponíveis e abrir um portal para o seu crescimento. O maior potencial de vocês, meus jovens amigos, reside no fato de que podem construir um futuro incrível a partir deste momento, deste dia e deste ano. A prática diária do gongyo e a recitação do daimoku constituem a mais poderosa força propulsora para seus esforços de plantar esplêndidas sementes para o futuro. Quando se recita Nam-myoho-renge-kyo, o luminoso sol de um novo ano desponta dentro da pessoa e dissipa a escuridão do sofrimento. Para nós que abraçamos a Lei Mística, todo dia é Ano-Novo! Meus queridos amigos, valores humanos que irradiam a fulgurante esperança de um novo dia, avancemos com o sol, adotando como lema “O futuro é agora!” Fonte: Traduzido da série de incentivos do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, sobre os discípulos de Nichiren Daishonin da edição de janeiro de 2020 do jornal Mirai (Futuro), publicação mensal da Soka Gakkai voltada para a Divisão dos Estudantes Esperança e Herdeiro. Notas:1. O tema da Soka Gakkai em 2020 foi “Ano do Avanço e dos Valores Humanos”. Em 2023, o tema é “Ano dos Jovens e do Triunfo”.2. Brasil Seikyo, ed. 372, 15 fev. 1975, p. 3.3. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 221, 2017.4. Ibidem.5. Ibidem.6. O Movimento do Cinturão Verde foi fundado em 1977 com o apoio do Conselho Nacional de Mulheres do Quênia. O movimento surgiu como resposta à falta de energia e água que prejudicava as pessoas. Desde que nasceu, o MCV já plantou mais de 51 milhões de árvores no país.

20/03/2023

Matéria da Divisão dos Herdeiros

Faça acontecer!

Quem nunca ficou no dilema entre assistir a mais um episódio daquela série emocionante ou ir dormir por que precisa acordar cedo? A todo momento, realizamos diversas escolhas, das mais simples às mais complexas. Na juventude tomamos decisões que impactam diretamente no futuro, como a escolha da profissão, do curso técnico, da faculdade e do trabalho, e tudo isso sem perder de vista nossos sonhos, objetivos, interesses e propósitos. Como a gente sabe que é muita coisa para pensar e que, por conta disso, às vezes, ficamos sem saber para onde ir e o que fazer, fomos atrás dos nossos “irmãos mais velhos”, o pessoal da Divisão dos Universitários (DUni). Confira o depoimento da Carla: Perfil - Carla Caciana Leocádio Toledo - 29 anos - Pertence a RM Diadema, CGSP - Cursando o 6º semestre de medicina Desde a época em que atuava na Divisão dos Estudantes, fui incentivada a fazer uma faculdade. Aos 17 anos, influenciada pela minha família, passei no curso de ciências econômicas. Comecei a estudar e trabalhar na área e percebi que aquele não era o meu lugar, mas também não sabia para onde ir. Como a universidade permitia, eu me matriculei em disciplinas de outros cursos, como engenharia, filosofia e relações internacionais. Mesmo assim continuava com o sentimento de não ter encontrado a minha profissão. Aos 23 anos, após ter problemas de saúde, enxerguei o meu propósito na medicina. Foi importante ter coragem para começar esse desafio e  precisei de muita persistência também. Foram três anos de muito daimoku e estudo até a minha aprovação no vestibular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em uma orientação, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, afirma: "A desistência leva à escuridão e à derrota, mas a perseverança sempre resulta em esperança e vitória." (Brasil Seikyo, ed. 1.751, 12 jun. 2004, p. A3) Às vezes, acreditamos que a vida ideal é linear e, quando nos deparamos com o contrário, temos dúvidas, angústias e dificuldade para manter a decisão. Por meio da prática budista, compreendi que, independentemente da realidade, não podemos permitir que nossas dificuldades sejam maiores que os nossos sonhos. A nossa história é única e, mesmo que certas circunstâncias nos obriguem a recalcular a rota, o mais importante é chegar ao destino. *** Como vimos, a Carla é um exemplo de perseverança e de convicção. Por meio da recitação do daimoku, da participação ativa na Divisão dos Estudantes e das orientações do sensei, ela decidiu e agiu com coragem. Esses pontos fazem total diferença na hora de fazer uma escolha sábia em prol do futuro, além de nos forjar como “valor humano”. No livro Seja a Esperança, o Mestre afirma: Se você tiver sonhos, conseguirá se desenvolver infinitamente. Os sonhos demonstram, ao máximo, a sua real potencialidade. São preciosas chaves para abrir o futuro. (Seja a Esperança, p. 53) Com base nessa orientação do presidente Ikeda, partiu recitar daimoku, participar ativamente das atividades da DE e se esforçar todos os dias para fazer as melhores escolhas e alcançar seus sonhos? Este ano, a Divisão dos Universitários da BSGI completa 39 anos. Se você quiser saber mais sobre a fundação e a história da divisão dos nossos “irmãos mais velhos”, confira a página da DUni na Extranet.

09/02/2023

Faróis da Esperança

Brilhem intensamente por meio do aprendizado

Aperte o play e acompanhe a leitura do texto escrito por Ikeda sensei Além do vasto universo em que nosso planeta está inserido, existe um outro ao seu alcance: o universo da mente. O potencial da sua mente é tão infinito quanto o cosmo! Uma maneira de trazer à tona e de forma ilimitada esse potencial é por meio do aprendizado. Quanto mais você usa e nutre a sua mente, mais ela se torna um baú de tesouros que transborda de riquezas sem limites. Portanto, o aprendizado é um desafio para expandir, iluminar e enriquecer seu universo interior. Tudo aquilo pelo qual você se esforça para aprender se torna o sol da sabedoria e a estrela da esperança que brilha em sua vida. Aqueles que continuam a aprender ao longo da existência nunca são derrotados. Que vocês iluminem sua família e seus amigos, o mundo e o futuro com a forte luz da esperança do aprendizado! Fonte: Traduzido da edição de 1o de julho de 2020 do Boys and Girls Hope News (Notícias de Esperança dos Estudantes, em tradução livre), jornal mensal da Soka Gakkai para a Divisão dos Estudantes.

09/01/2023

Mural de vitórias

Olimpíada de matemática

Avanço nos estudos Neste vídeo, Arthur conta como foi conquistar uma medalha na Olimpíada Carioca de Matemática da escola. Perfil - Arthur Batista Santos Ferreira - 8 anos - Mora no Rio de Janeiro (RJ) Dedicação e esforço Felipe, que passou pela experiência de mudar de escola, conta a sua vitória nos estudos. Assista ao relato dele. Perfil - Felipe Batista Alves de Andrade - 11 anos - Mora no Rio de Janeiro (RJ) Fotos: Arquivo pessoal. *** Queremos saber! Você tem algum talento, gosta de desenhar ou tem algum hobby, uma coleção ou um relato que gostaria de compartilhar? Então, escreva para o e-mail rdez@brseikyo.com.br com o seu nome, sua idade e uma foto ou marque a @revista_rdez no Instagram ou TikTok.

09/01/2023

Matéria da DE-Futuro

Valores Soka nos estudos

Certo dia, os amigos João e Yasmin estavam assistindo à tevê e ouviram a seguinte notícia:1 “As pessoas valorosas da educação Soka estão se destacando no mundo todo. A cada dia, surgem mais jovens líderes que transformam positivamente a realidade em que se encontram.” João: Uau, Yasmin! Soka é de Soka Gakkai, nome da nossa organização, né? Você sabe o que é educação Soka? Yasmin: Soka significa criação de valor. O nosso mestre, Daisaku Ikeda, realizou o sonho de Tsunesaburo Makiguchi, primeiro presidente da Soka Gakkai, que foi professor e desejava criar um sistema educacional que prezasse a felicidade do aluno. Foi assim que ele instituiu a educação Soka. Não é incrível poder basear os estudos em princípios humanísticos? João: Que demais! Então, além de tirar boas notas, temos que buscar a felicidade enquanto estudamos e nos esforçar para ajudar outras pessoas a serem felizes também? Yasmin: Isso mesmo! Com esse pensamento, vamos conquistar nossos sonhos e transformar nossa realidade, assim como as pessoas que vimos na tevê. João: Falando nisso, Yasmin, como está o seu retorno às aulas presenciais? Yasmin: Está muito legal. Todos estão tomando as medidas de proteção necessárias, por isso, me sinto segura na escola, mas algumas aulas ainda estão sendo on-line. Estava muito ansiosa para voltar. Os desafios da pandemia me ajudaram a ter mais empatia com os outros e vontade de ajudar meus amigos. João: É verdade, Yasmin. Pensando bem, nós podemos trazer os princípios da educação Soka para a escola. Podemos conversar com os professores sobre as ideias que temos para tornar nosso ambiente de estudo ainda mais legal. Com diálogo e criatividade, podemos construir a escola que sonhamos! Yasmin: Que ideia ótima, João. Como membros da Divisão dos Estudantes, vamos nos esforçar para expressar nossas ideias, contribuir para o desenvolvimento de todos e aprender com alegria. O meu sonho é estudar na Universidade Soka do Japão, bem pertinho do sensei. Mas você sabia que existe uma Universidade Soka nos Estados Unidos? Além disso, temos o Colégio Soka aqui no Brasil. João: Não sabia, vou pesquisar mais. Estou muito feliz em saber que o desejo do nosso mestre é que sejamos felizes enquanto estudamos para, assim, transformarmos nosso ambiente. Daisaku Ikeda visita alunos na Universidade Soka do Japão (out. 1973) Frase de Tsunesaburo Makiguchi: “No futuro, certamente construirei uma escola baseada na pedagogia de criação de bons valores na vida de cada estudante. Se isso não for possível enquanto estiver vivo, será na época de [Josei] Toda. Haverá um sistema educacional do ensino fundamental até o superior e terá na pedagogia de criar valor seu principal fundamento” (Educação Soka, p. 19). Quiz 1. O que significa educação Soka? a. Criar valor a partir das características de cada aluno b. Ir para a escola todos os dias c. Deixar a lição de casa para depois 2. Quem teve a brilhante ideia de fundar a educação Soka? a. Daisaku Ikeda b. Tsunesaburo Makiguchi c. Josei Toda 3. Em quais países existe a Universidade Soka? a. Nos Estados Unidos e no Japão b. No Brasil e no Japão c. Ainda não existe *** Respostas: 1. A 2. B 3. A Nota: 1. Esta é uma situação fictícia.

19/10/2021

Matéria de Capa

A relação do Mestre com a escrita

Mesmo em meio a épocas turbulentas ou enfrentando questões de saúde, Ikeda sensei jamais recuou e perseverou na escrita para incentivar os companheiros do mundo Autor e coautor de mais de cem livros, Ikeda sensei compôs milhares de poemas — incluindo diálogos, ensaios, propostas de paz, poesias e artigos.¹ Grande parte, no entanto, foi escrita quando ele estava dentro de carros, trens e aviões, ou entre atividades e até durante as refeições. Ikeda sensei também escreve para crianças, e isso teve início em sua juventude como editor de uma revista infantil. As histórias infantis criadas foram traduzidas para diversos idiomas e apresentadas ao mundo. Várias foram transformadas em filmes de animação e aclamadas por sua influência positiva no desenvolvimento dos jovens. No Brasil, o conto O Menino e a Cerejeira foi apresentado como peça teatral. Pela RDez, inúmeros artigos foram escritos pelo nosso mestre especialmente para os Estudantes (atualmente, são publicadas as séries Nas Asas dos seus Sonhos e O Tesouro das Quatro Estações). Houve momentos em que, mesmo com febre de 38 graus, pegava a caneta e continuava a escrever para incentivar os membros. Ele afirma: Dizem que a escrita revela o caráter da pessoa, reflete seu sentimento, seu espírito, seu estado de ser. De fato, a realidade interior da vida manifesta-se na escrita da pessoa. É por essa razão que a escrita que nasce da dor e da batalha e que flui com ardente paixão mexe com a vida de quem lê o que foi escrito nessas circunstâncias. O mesmo vale para nossas interações com outras pessoas — elas são tocadas por nossa sinceridade e seriedade, por nossos apelos honestos e entusiásticos. (Nova Revolução Humana, v. 14, p. 132) O presidente Ikeda relembra seu mestre, Josei Toda, que enfrentava uma batalha das palavras. A preocupação de Ikeda sensei é transmitir correta e diretamente o espírito Soka aos amados discípulos pelo Seikyo Shimbun. E fazendo do coração do seu mestre o dele próprio, dedica seu tempo até hoje para redigir diversos artigos para os companheiros do mundo.² Registrando o espírito Soka para a eternidade Com o sentimento de transmitir o espírito do venerado mestre pelo eterno futuro, em 1965, o presidente Ikeda publicou o primeiro volume da obra Revolução Humana e, em 1993, inicia a escrita e publicação da Nova Revolução Humana. Somados, os dois romances tiveram um total de mais de 7 mil partes publicadas.³ Composto por trinta volumes, editado em treze idiomas em 23 países⁴ considerado pelo Fórum Mundial dos Escritores como uma das maiores obras-primas da literatura do século,⁵ o romance Nova Revolução Humana foi uma batalha desafiadora contra o limitado tempo da própria vida. Sim, acredite, o presidente Ikeda encerrou essa coletânea aos 90 anos. Mais que contar a história da organização, os volumes da Nova Revolução Humana são “livros didáticos da prática da fé”, afinal, não importa qual capítulo estamos lendo, extraímos o aprendizado e nos fortalecemos para superar quaisquer adversidades. Além disso, esse romance é o portal do diálogo com o Mestre. Com o sentimento de nos conectar e de dialogar com sensei, desafiemo-nos a ler todos os dias, mesmo algumas páginas, esse brilhante registro que o Mestre dedicou a todos nós, discípulos e sucessores Ikeda. Chegou a vez de escrever a sua história! Todos os dias, ao se lembrar dos companheiros do mundo todo que se empenhavam incansavelmente, Ikeda sensei extraía as palavras do âmago da própria vida e as dedicava com o sincero desejo de incentivar cada um deles. Se fosse possível, gostaria de dedicar uma carta de agradecimento e de incentivo a cada um dos membros. Mas o meu corpo é somente um. Então, todos os dias, com o sentimento de redigir essa carta, dedico‑me a escrever o romance Nova Revolução Humana. (Brasil Seikyo, ed. 2.431, 11 ago. 2018, p. A3) No posfácio da Nova Revolução Humana, com o sentimento de que cada um possa se levantar como “Shin’ichi Yamamoto”, o Mestre clama e convida a todos para que, sem exceção, escrevam sua brilhante história da revolução humana, empenhando-se em prol da felicidade das pessoas. Assim como o Mestre, que dedica a vida e enfrenta diversas batalhas para registrar a história, enquanto cria o futuro, vamos escrever os próximos capítulos triunfando sobre as adversidades com uma história de vitórias até 2030! NRH na vida “Meu profundo desejo é que os membros da Soka Gakkai façam da conclusão do romance Nova Revolução Humana um novo ponto de partida, levantando‑se como 'Shin’ichi Yamamoto', e escrevam sua própria história brilhante da revolução humana, empenhando‑se pela felicidade dos amigos por meio de ininterruptas ações indomáveis.” (Nova Revolução Humana, v. 30-II, p. 359)

01/07/2021

Matéria de Capa

Treinar, treinar e treinar mais um pouquinho

Escrever é uma habilidade, e portanto, todas as pessoas estão aptas a desenvolvê-la. Para isso, exige-se treino diário para o aprimoramento nessa arte de se conectar com o mundo. Para ajudar, ligue-se nas dicas: Ser curioso Vale a pena observar atentamente o mundo ao redor, fazer perguntas, buscar o significado das palavras no dicionário ou procurar pessoas que tenham conhecimento daquilo que desconhece: adquirir informações automaticamente aumenta o conhecimento e amplia o vocabulário. Bons hábitos de leitura Ler bons livros enriquece o vocabulário e, assim, a escrita fica límpida e descomplicada, pois você terá muitas opções de palavras e ideias na mente. Consequentemente, seu texto se tornará de fácil leitura e entendimento. Se não sabe por qual livro começar, o jornal Brasil Seikyo selecionou cem livros essenciais. Saiba mais na edição 2.067, 15 jan. 2011, p. B4. Destravando a escrita Para ultrapassar aquele branco que dá ao começar a escrever, coloque tudo o que sabe sobre o assunto de forma livre e sem julgamentos. Nesse primeiro momento, concentre-se na essência e na lógica da matéria em questão, atentando-se para a coerência ou concordância, se não há ambiguidade, e apenas escreva. Revisar uma, duas, três vezes Releia o texto com olhar analítico várias vezes e limpe-o até que fique o mais conciso e objetivo possível. Não se preocupe tanto em escrever corretamente, primeiro coloque suas ideias no papel e depois revise com atenção. Treino diário Para melhorar a escrita, a palavra-chave é praticar todos os dias, mesmo que seja por uma hora apenas. E praticar aquilo que se aprende na escola ligando assuntos que lê no decorrer do dia facilita muito o próprio aprimoramento. Aproveite para treinar a escrita por mensagem para perder alguns vícios que geralmente se ganha ao escrever palavras abreviadas. Leitor sensível Vai abordar algum assunto que não domina e tem medo de errar no tom? Procure alguém que conheça o conteúdo e peça que o leia; com certeza, seu texto vai ser mais assertivo. Desenvolva um olhar analítico A má escrita pode fazer com que as pessoas não compreendam a mensagem que está sendo transmitida. Muitas vezes o que é perceptível para quem escreve não é para o outro que lê. Por isso, é preciso escolher bem as palavras para ser claro ao transmitir a ideia. Para entender melhor, segue o exemplo de um diálogo entre Maria Júlia e Robôzap, o corretor inteligente: Maria Júlia — Falei com minha prima que estava triste. Robôzap — Quem estava triste? Você ou a sua prima? Maria Júlia — Eu! Mas não entendi, Robôzap. Poderia me explicar? Robôzap — Maria Júlia, a ambiguidade da frase, ou o duplo sentido, pode, muitas vezes, atrapalhar as intenções de quem comunica, pois ela decorre da má disposição das palavras na frase. Dependendo de onde as colocamos, ou até uma vírgula, isso pode gerar ambiguidade. Nesse caso, é o adjetivo triste. Alguém já lhe falou “que falta faz uma vírgula”? A forma correta para essa sentença, caso a sua prima estivesse triste, seria: “Falei com minha prima, que estava triste". Maria Júlia — Ah, entendi! Então se fosse no meu caso, ficaria assim: “Eu, triste, falei com minha prima”. Robôzap — Isso mesmo, Maria Júlia! Esse é só um exemplo, mas, com certeza, você já se deparou com alguma mensagem e bateu a dúvida na leitura. Não importa se é uma propaganda, uma redação, uma legenda num post, o importante é pôr todas as dicas em ação, estando sempre atento e revisando os textos.

01/07/2021

Nas Asas dos Seus Sonhos

Educadores — a nobre tarefa de desenvolver pessoas - Parte 2 de 2

Aconteceu na parte 1... Presidente Ikeda enaltece a missão crucial dos profissionais da educação, relembrando os importantes encontros com educadores desde a sua infância. Já na segunda parte, o Mestre afirma que a educação é o caminho para a concretização da paz e fruto do esforço conjunto de toda a sociedade. Representante do Comitê Editorial: Em seu diálogo com o educador dinamarquês Hans Henningsen citou as qualidades de um bom educador, entre elas a de “respeitar todos os alunos como pessoas, independentemente de talento, habilidade ou maneira de pensar”, e a de “se esforçar para ajudar todos os alunos a exibir suas melhores habilidades e qualidades especiais”.1 Presidente Ikeda: Toda criança é um indivíduo único e precioso que possui o tesouro interior de um potencial ilimitado. O papel da educação é iluminar esse tesouro e fazê-lo brilhar ao máximo. Um membro formado pela Divisão dos Estudantes, que persistiu em seu sonho de se tornar educador, sofreu tanto bullying nos ensinos fundamental e médio que parou de frequentar a escola. Naquela época, foram seus companheiros da Soka Gakkai que o apoiaram e o encorajaram calorosamente dia após dia. Ter amigos que acreditavam nele provou ser um poderoso apoio espiritual, e ele ganhou força para triunfar sobre os seus sofrimentos. Motivado pelo desejo de ajudar outras pessoas que enfrentavam o mesmo problema, decidiu ser professor do ensino fundamental. Hoje já alcançou esse objetivo e está dando tudo de si para apoiar e incentivar cada um dos seus alunos. A Soka Gakkai é uma universidade de felicidade aberta a todos. Muitos dos seus pais e avós que praticam o Budismo Nichiren estendem as mãos às pessoas que estão sofrendo. Acreditando no potencial, eles ajudam as pessoas a descobrir seu tesouro interior, as encorajam, levantam-se com elas e seguem juntos no caminho da felicidade. Não é exagero dizer, portanto, que todos eles são educadores humanistas incomparáveis que defendem a filosofia do respeito à dignidade da vida. Como jovens sucessores que praticam o Budismo Nichiren, espero que vocês se juntem aos seus veteranos na prática da fé que estão lhes ensinando esse correto caminho, acreditem em seu próprio tesouro interior e se esforcem para revelá-lo e poli-lo. Nichiren Daishonin escreve: “O ideograma myo [de myoho, Lei Mística] significa ‘abrir’. Se uma pessoa tem uma arca cheia de tesouros, mas não tem a chave, ela não poderá abri-la, e se não puder abri-la, tampouco poderá ver os tesouros em seu interior” (CEND, v. I, p. 151). Uma das chaves para explorar infinitamente nosso tesouro interior é o encorajamento caloroso em que se reconhece e elogia os pontos fortes de cada um. Quero que encontrem o máximo de pontos positivos possíveis em seus amigos e nas pessoas ao redor. Ter essa atitude em relação às pessoas promove conquistar verdadeiras amizades. Quando vemos os pontos positivos em outra pessoa, também podemos ver os nossos próprios pontos positivos. Se procurarem os pontos positivos dos demais, permitirão que saibam quais são e assim aprenderão uns com os outros, conduzindo uma juventude de alegria e realização. – O dia 18 de novembro é também o aniversário de fundação das escolas Soka, e este ano [2017] marca seus cinquenta anos. Enquanto isso, a Universidade Soka, do Japão, que continua a se desenvolver como uma das melhores universidades em nível global, possui uma orgulhosa tradição de treinamento de professores. Desde a sua abertura, cerca de 7.100 graduados da Universidade Soka passaram no exame nacional de licenciamento de professores. Tanto Tsunesaburo Makiguchi como Josei Toda ficariam absolutamente encantados com isso.O empreendimento mais importante dos meus últimos anos foi, e continuará sendo, a educação. Os membros do Departamento Educacional da Soka Gakkai estão se dedicando a incentivar os jovens com o mesmo espírito dos três primeiros presidentes. Na linha de frente da educação, eles se envolvem com firmeza, sinceridade e tenacidade com cada aluno e percorrem o caminho do aprendizado junto com eles. Também estão mantendo registros de seus nobres esforços para compartilhá‑los com outros educadores como fonte de conhecimento e de inspiração. – Em junho de 1996, o senhor fez um discurso intitulado “Pensamentos sobre Educação para a Cidadania Global”, na Faculdade de Professores da Universidade de Colúmbia, em Nova York. Nele, descreveu sua visão de um futuro pacífico e pediu que os educadores de todo o mundo trabalhem juntos para esse fim. Em junho de 2016, no vigésimo aniversário daquela ocasião, uma Conferência Mundial de Educadores foi realizada na Universidade Soka da América, fazendo de sua proposta uma realidade. Sim, fiquei encantado ao ver isso acontecer. A educação é a nobre tarefa de desenvolver pessoas. As pessoas constroem a sociedade e o futuro. Pode parecer o caminho mais longo, mas a educação tem o poder de criar a paz. Um esforço conjunto para promover a educação aproximará as pessoas, elevará a humanidade e iluminará nosso planeta como um todo. Toda sensei costumava dizer: A palavra japonesa sensei, ou “professor”, é escrita com o ideograma chinês que significa “primogênito”. Confúcio, no entanto, quando disse “Deve-se considerar a juventude com reverência”,2 usou ideogramas para “juventude” que significam “nascido depois”. Confúcio está dizendo que vocês, jovens “nascidos depois”, estão destinados a superar seus professores “primogênitos”. Desenvolver aqueles que vêm depois de nós em pessoas mais capazes do que somos são a chave para um futuro brilhante para a humanidade e a vitória do século da educação. Meus amados sucessores, tornem-se indivíduos notáveis e imensamente capazes! Esta é a minha oração enquanto os protejo rumo ao futuro.

10/01/2021

Nas Asas dos Seus Sonhos

Educadores — a nobre tarefa de desenvolver pessoas - Parte 1 de 2

Sinopse Neste texto, o presidente Ikeda fala sobre seus mestres, também educadores, Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda. Ele comenta sobre o papel importante que os professores têm na vida das pessoas e se recorda de alguns dos que definiram o rumo de sua existência. Representante do Comitê Editorial: Novembro, mês de fundação da Soka Gakkai, é um período para se tomar novas decisões. Membros da Divisão dos Estudantes, incluindo aqueles que estão estudando para os exames de admissão na escola,1 se esforçam sinceramente para ser vitoriosos em seus respectivos desafios. Presidente Ikeda: A verdadeira luta para os que estão se preparando para os exames está por vir. Tenho certeza de que será difícil, mas sei que é um desafio que podem superar. Por favor, sejam otimistas e deem o seu melhor, cuidando bem da saúde. – Os integrantes da Divisão dos Estudantes atualmente [2017] estudam a história do 18 de Novembro, Dia da Fundação da Soka Gakkai. Nessa data, em 1930, o primeiro presidente, Tsunesaburo Makiguchi, e seu discípulo, Josei Toda, publicaram o primeiro volume da obra Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor], aliado ao nome da organização Soka Kyoiku Gakkai [Sociedade Educacional de Criação de Valor], precursora da Soka Gakkai [Sociedade de Criação de Valor], que aparece impresso pela primeira vez nas informações da editora. A Soka Gakkai começou com um encontro de educadores. Sim, está correto. Ambos foram grandes educadores humanistas. Com a firme convicção de que o propósito da educação é permitir que as crianças sejam felizes, eles faziam evidenciar em cada aluno a habilidade de aprimorar o próprio caminho na vida. Na escola de ensino fundamental 1, onde lecionava, em Hokkaido, na parte norte e fria do Japão, Tsunesaburo Makiguchi frequentemente ia ao encontro dos alunos que vinham para a instituição em dias de neve, às vezes carregando os menores nas costas, enquanto conduziam os mais velhos pela mão. Se uma de suas mãozinhas ficasse rachada pelo frio, ele a lavava suavemente com a água aquecida no fogão da sala de aula. Mais tarde, quando foi diretor de escola em Tóquio, levava almoço para as crianças que eram muito pobres. Ele também fundou uma associação que oferecia educação por correspondência para mulheres jovens. Isso foi numa época em que era bastante difícil para as mulheres obterem educação. No seu auge, o programa tinha mais de 20 mil alunas. Eu fundei a Divisão de Ensino a Distância, da Universidade Soka, e a Faculdade Feminina Soka, porque herdei o espírito de Makiguchi sensei. Enquanto isso, Josei Toda, como professor do ensino fundamental, se empenhou com a convicção de que poderia capacitar qualquer aluno para que se destacasse como excelente estudante. Mais tarde, ele fundou a Jishu Gakkan, uma escola para alunos do ensino fundamental que oferecia aulas exclusivas, e assim proporcionou o desenvolvimento de muitos indivíduos talentosos. Durante uma aula em que discutiam um conto de fadas japonês, uma aluna perguntou: “Quando lavam as roupas no palácio do dragão, no fundo do mar, como eles as secam?”. A sala toda caiu na gargalhada, mas Toda sensei disse “Ah, essa é uma excelente pergunta”, e a elogiou por seu pensamento criativo. Então, respondeu com bom humor que talvez não houvesse roupas sujas para lavar no palácio do dragão. Fazer perguntas, em si, exige coragem. Ele valorizava o desejo de aprender das crianças acima de tudo. Explorar e desenvolver o potencial ilimitado de cada criança com abundante compaixão são o ponto de partida da educação Soka. – Nosso tema hoje são os educadores. Muitos membros da Divisão dos Estudantes estão interessados em se tornar professores. Quando perguntados sobre o motivo, a resposta é, muitas vezes, que desejam ser como os professores que os incentivaram. Eu também tinha muito interesse em lecionar. Ter um bom professor é um dos grandes tesouros da juventude. Ainda me recordo dos meus maravilhosos professores com profunda gratidão. Lembro-me do meu professor do primeiro ano elogiando um pequeno texto que havia escrito. Isso desempenhou papel importante no meu desenvolvimento e no amor pela escrita. No sexto ano, meu professor ficou na frente do mapa-múndi na parede da sala de aula e nos perguntou para onde gostaríamos de viajar. Apontei para um lugar no meio do vasto continente asiático, na parte ocidental do nosso país vizinho, a China. Meu professor disse: “Essa é a localização de Dunhuang, onde há muitos tesouros maravilhosos”. A partir daquele dia, fiquei fascinado por essa cidade. Muitos anos depois, tornei-me amigo do artista Chang Shuhong (1904–1994), diretor honorário da Academia Dunhuang e “guardião” dos tesouros dessa localidade. O Museu de Arte Fuji de Tóquio, que fundei, também realizou uma exposição de pinturas de parede e de tesouros preciosos de Dunhuang. Atualmente, a exposição intitulada O Sutra do Lótus — Uma Mensagem de Paz, Harmonia e Coexistência, organizada pelo Instituto de Filosofia Oriental, afiliado à Soka Gakkai, em cooperação com a Academia Dunhuang, está circulando pelo mundo. Após o término da Segunda Guerra Mundial, com o desejo de continuar meus estudos enquanto trabalhava durante o dia, entrei para o Colégio Comercial Toyo (atual Colégio Toyo). Meu professor de inglês de lá nos ensinava com grande energia e entusiasmo. Ele disse que estava determinado a dar tudo de si para o nosso aprendizado e que deveríamos nos sentir livres para nos manifestar nas aulas. O professor da minha aula de ábaco2 (disciplina comumente ensinada nas escolas japonesas), na qual eu não estava indo muito bem, convidou-me para tomar uma xícara de café e ter uma conversa amigável. “Você deve estar frustrado com seu progresso na aula de ábaco, já que está se saindo tão bem em todas as outras disciplinas”, disse ele. Ainda me lembro de sua bondade. É graças a esses professores que construí uma base sólida para minha vida. Sou infinitamente grato a eles e ao meu encontro com Josei Toda, extraordinário professor, pois isso decidiu a direção da minha existência. – O senhor dialogou com muitos educadores em todo o mundo, inclusive publicou um diálogo com o renomado educador dinamarquês Hans Henningsen. Ele foi diretor do famoso Colégio Askov Folk, que possui uma história de 150 anos [2017], e também presidente da Associação de Faculdades de Formação de Professores da Dinamarca. Desde sua época como professor no Colégio Askov Folk, o Sr. Henningsen sempre tratou a educação como um esforço compartilhado por alunos e professores. Ele acredita que não se deve apenas ensinar aos alunos, mas também aprender com eles. E também valoriza o diálogo de professores e alunos que interagem no mesmo nível, aprendendo uns com os outros por meio do processo de comunicação na verdadeira linguagem do dia a dia. A educação é um processo mútuo de pessoas aprendendo juntas, crescendo juntas e criando um futuro vitorioso juntas. O Sr. Henningsen e eu estávamos em completo acordo quanto a esse ponto. Continua na próxima edição

03/12/2020

Entrevista

Uma vida dedicada à educação

Márcia Macêdo fala sobre a sua relação com o ensino e a aprendizagem como educadora e compartilha suas experiências, incluindo o título de doutor honoris causa oferecido ao presidente Ikeda e sua viagem ao Japão - O que a levou a escolher a profissão? Creio que foi o bom exemplo dos meus pais, que também eram professores. Eles sempre me incentivaram a ler bons livros e, com isso, segui o caminho das letras. Constantemente, ajudava meus irmãos mais novos nas tarefas da escola. Acho que eu tinha duas características para a coisa: vocação e paciência. - Como foi sua formação acadêmica? Diria que foi precoce. Aos 17 anos ingressei na graduação em educação física, e aos 19 já estava com meu primeiro diploma pela Universidade Federal do Amazonas. Aos 20 anos, eu me formei em letras/português/francês. Ingressei na pesquisa acadêmica sobre a linguagem do seringueiro e, após dois anos de formada, em 1992, entrei para o mestrado em linguística na Unicamp, em Campinas, SP. Porém, retornei ao Acre, pois era difícil ficar distante do meu filho, Venícius, na época com 7 anos. Fiz duas especializações, e em 2003 iniciei o mestrado na Universidade Federal de Rondônia (Unir), concluindo-o em 2005. Em 2007, ingressei no doutorado na UFBA; e em 2018 parti para o pós-doc em estudos linguísticos na UFMG. Desse modo, levei cerca de quinze anos dedicados aos estudos. Não foram dias fáceis. Sem bolsa de estudo, a dificuldade financeira era constante. Mas nunca desisti, e tive total apoio da família, de bons amigos, dos companheiros da organização e incentivos do meu mestre, Daisaku Ikeda. - Desde quando atua como docente? Como é sua relação com seus alunos? Atuo desde os 18 anos na docência. Sou professora e quero trabalhar para sempre como professora. Amo minha profissão! Meu primeiro emprego foi na Secretaria de Educação do estado. Um ano depois, passei num concurso e, após dois anos, fiz outro concurso para a prefeitura da capital, Rio Branco, e então fui contratada. Por fim, prestei o último concurso para a Universidade Federal do Acre, na qual estou trabalhando há dezesseis anos. Minha relação com meus alunos é de mãe, psicóloga, amiga, professora, carrasca, durona, exigente, aquela “com quem se aprende”, mas adequada a cada situação. Na minha sala de aula digo que sou a estrela porque planejo, organizo a aula, distribuo tarefas e funções; e muito exigente. Sempre brinco dizendo: “Não reprovo ninguém, você é que se reprova”. Nesses 38 anos de magistério, a relação com os alunos foi de respeito, carinho e admiração, e, sobretudo, de humanismo. Amo todos os meus alunos por igual. Até sentem ciúmes deles lá em casa (risos). - Das suas experiências no ramo da educação, qual gostaria de destacar? Da pesquisa acadêmica. Fui bolsista de aperfeiçoamento científico em 1991 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Orientei, a partir de então, muitos trabalhos de iniciação científica acerca da linguagem do seringueiro, do pescador e das variações regionais. Olhar para um corpus1 e descobrir dados, curiosidades na pesquisa de campo realizada, quebrar a cabeça, fazer e refazer, tudo isso é prazeroso. - Pode compartilhar um pouco dos projetos que desenvolveu? Entre os inúmeros projetos tive um com o título O Ensino e o Discurso Ideológico: A Deformação da Imagem do Outro (1993, era substituta na Ufac). Versava sobre a imagem dos negros nos livros didáticos. Fui a primeira bolsista/pesquisadora da Ufac e a experiência me tornou a pesquisadora que sou hoje, sem preconceitos e com simplicidade e disposição para ouvir e respeitar a cultura desconhecida. - Quais os maiores desafios da profissão? E os maiores prazeres? Sem dúvida o maior desafio da profissão de professora/educadora é ter valorização profissional de acordo com a formação e ser respeitada pelos órgãos. Apesar de termos uma estrutura adequada de trabalho, ainda falta valorização. O maior prazer é conhecer alunos novos, de cem a duzentos a cada semestre, e contribuir para a formação deles, vê-los bem, no futuro. Tenho ex-alunos médicos, enfermeiros, juízes, professores; isso dá um prazer danado. - Como o fato de ser membro da BSGI influencia sua vida? Ser membro da BSGI foi uma oportunidade que agarrei com unhas e dentes. Desde o início, nosso mestre, Daisaku Ikeda, me direcionou para todas as conquistas que obtive. Penso que se você tem graduação, deve fazer uma pós; se tem mestrado, então faça doutorado. Aprenda uma língua estrangeira. Aprendi francês, espanhol e italiano. Por isso, lutei para honrar e proporcionar mais um o título de doutor honoris causa ao sensei em 2017. - Tem algum incentivo que goste bastante e queira compartilhar? No início da minha prática, sempre ouvi dizer que no mundo existem três tipos de pessoas: a primeira é aquela que entra no seu ambiente e você nem percebe (a presença dela é indiferente); a segunda pessoa entra e todos fazem de conta que não a veem (a indesejável); e a terceira, quando chega, todos fazem festa para ela (é uma pessoa indispensável e muito querida). Eu decidi ser do terceiro tipo. Um dos incentivos que mais gosto é: “Seja como for, a grandiosa revolução humana de uma única pessoa irá, um dia, impulsionar a mudança total do destino de um país e, além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade” (Revolução Humana, v. 1, p. 9). - Qual conselho você daria para quem planeja seguir essa carreira? Digo que deva ser uma pessoa dedicada aos estudos, pois a formação continuada é uma obrigação e não um desejo. O mundo mudou, as pessoas mudaram, o método, as técnicas e as ferramentas de ensino também se transformaram. Logo, estudem sempre! - Qual o seu sonho? Vários, mas o que mais acalento é acabar com o analfabetismo no Brasil e nos países subdesenvolvidos. Sonho também com a paz e a harmonia entre as famílias. - Gostaria de compartilhar alguma coisa que não perguntamos? Sim. Sobre meu subprojeto do programa de Iniciação à Docência da Capes/Ufac. Orientamos graduandos em letras/português a iniciar a docência em escolas públicas no tocante à produção do texto dissertativo‑argumentativo, ajudando os alunos do terceiro ano do ensino médio a entrar na faculdade. Dois deles foram aprovados para medicina. Atendemos mais de 2 mil alunos, e nos encaixamos no ODS 11,2 o de incluir alunos de periferia na universidade. Gostaria de frisar que, por gratidão, fui autora do ofício de solicitação da homenagem de doutor honoris causa ao presidente Daisaku Ikeda pela Ufac, em 2017. Levei o título junto com o Magnífico Reitor Minoru Kinpara. Foram dias inesquecíveis em Tóquio, Quioto e Osaka. Recebi vários recados do presidente Ikeda, dos quais o mais marcante foi que deveria ter grandes sonhos e objetivos, defender uma causa e que, pela minha alegria, viveria o dobro da minha idade (tinha 52 na época, risos). Nunca vi o Mestre, mas sonhei com ele quando estive no Japão. Oro por ele e pela Sra. Kaneko, que estão, profundamente, em meu coração. Gratidão, gratidão. Gostaria de finalizar com a seguinte frase: “Sofra o que tiver de sofrer, desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento quanto a alegria como fatos da vida e continue recitando Nam‑myoho‑renge‑kyo, independentemente do que aconteça. Que outro significado isso poderia ter senão a alegria ilimitada da Lei? Fortaleça o poder de sua fé mais do que nunca” (CEND, v. I, p. 713). Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são planos de ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar paz e prosperidade. Os dezessete objetivos são integrados e indivisíveis, e mesclam, de forma equilibrada, as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental. São como uma lista de tarefas a serem cumpridas pelos governos, sociedade civil, setor privado e todos cidadãos na jornada coletiva para um mundo sustentável. Fonte: www.agenda2030.com.br

03/12/2020

Matéria de Capa

Ler é um treinamento diário

Ao se esforçar diariamente no exercício da leitura, Ikeda sensei nos mostra com seu exemplo que “encontrar um bom livro é encontrar um grande mestre” Desde a infância, Ikeda sensei devota cada minuto à leitura. Para ele, livro é como um tesouro. Mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, houve ocasiões em que ele levou seus livros para o abrigo antiaéreo para protegê-los dos bombardeios.1 Com o fim da guerra, os jovens buscavam desesperadamente o verdadeiro significado da vida, e os livros eram o meio mais confiável para isso. O jovem Ikeda circulava pelos sebos do seu bairro como se estivesse numa biblioteca e com frequência economizava o pouco dinheiro que tinha com o objetivo de comprar algum livro que estava de olho. Ao comprá-lo, devorava-o escrevendo suas conclusões num papel. Seu hábito de leitura se tornou mais forte ao ser treinado diretamente por Josei Toda na juventude. Nomeadas como “Universidade Toda”, as aulas ministradas por Toda sensei ocorriam antes do horário de trabalho, começavam às 8 horas e iam até as 9 horas da manhã, durando menos de uma hora. Nelas, as matérias estudadas eram economia, direito, química, astronomia e ciências da vida, história do Japão e mundial, bem como chinês clássico e, por fim, ciências políticas. No livro Juventude: Sonhos e Esperanças, o presidente Ikeda recorda com gratidão: O Sr. Toda também sempre me perguntava: “O que você está lendo agora?” Se eu respondesse que estava lendo Emílio, ou Da Educação, de Rousseau, por exemplo, ele me pedia que comentasse o seu conteúdo. Não havia como fingir! (Juventude: Sonhos e Esperanças, v. 1, p. 190) Mesmo em meio à rotina atribulada na empresa administrada pelo presidente Josei Toda, o jovem Ikeda se desafiava todos os dias na leitura. Esse treinamento desenvolveu sua enorme capacidade: “Eu me orgulhava de ser treinado por meu mestre a ter um espírito invencível capaz de suportar qualquer forma de adversidade possível” (Brasil Seikyo, ed. 2.413, 31 mar. 2018, p. B1). 60 anos de posse do presidente Ikeda Ao assumir como terceiro presidente da Soka Gakkai aos 32 anos, em 3 de maio de 1960, Ikeda sensei lutou bravamente contra as adversidades construindo uma base sólida de pessoas que atuam em prol da paz, cultura e educação. Naquele dia, em frente ao palco da Universidade Nihon, ele declarou: “Apesar de jovem, a partir deste dia, assumirei a liderança como representante dos discípulos do presidente Josei Toda e avançarei com vocês rumo à substancial concretização do kosen-rufu”. (Brasil Seikyo, ed. 2.413, 31 mar. 2018, p. B1) Por ser um ávido leitor e devido ao seu treinamento na juventude, essas ações se converteram em força, determinação, sabedoria sempre renovadas com o compromisso de propagar a Lei Mística e de empreender todos os esforços para concretizar a paz mundial. Assim, a cada encontro com membros ou personalidades, Ikeda sensei inspira a todos, incentivando-os com suas palavras e com sua postura. O presidente Ikeda relembra uma passagem do escrito Abertura dos Olhos, de Nichiren Daishonin, o qual abraçou como decisão pessoal na ocasião de sua posse presidencial: “Não importa que os deuses me abandonem. Não importa que eu tenha de enfrentar todas as perseguições. Ainda assim, darei a vida em prol da Lei” (CEND, v. I, p. 293). Assim como nosso mestre, vamos nos levantar imponentemente nos esforçando na leitura diária, na prática da fé e na ação, inspirando e levando felicidade a todos ao nosso redor. RDEZ indica Além de ávido leitor, o presidente Ikeda é um exímio escritor. Confira abaixo as obras que o inspiraram em sua juventude e alguns de seus livros publicados no Brasil - Cidade Eterna Daisaku Ikeda, em sua juventude, recebeu esse livro de Josei Toda com a orientação de lê-lo e compartilhá-lo com os jovens de sua confiança. Com temas sobre o companheirismo e amizade, a obra conta a história de David Rossi e seu amigo Bruno Rocco. - Be Brave Primeiro livro da EBS no formato bilíngue — inglês e português. Com uma linguagem simples, aborda diversos assuntos relacionados com as questões que surgem na juventude e é fonte de vários incentivos de Ikeda sensei para crianças e jovens. - Nova Revolução Humana Finalizada em 2018, os trinta volumes abordam a luta do jovem Shin’ichi Yamamoto [pseudônimo de Daisaku Ikeda na obra] diante das adversidades e registra o espírito da Soka Gakkai através da história do kosen-rufu. - Juventude Sonhos e Esperanças A obra trata das principais preocupações, dúvidas e desafios enfrentados pelos jovens. Amizade, amor, cultura, liberdade, estudos são alguns dos temas abordados neste livro. NRH na vida “Minha juventude, como sabem, desenrolou-se num período de guerra e havia poucos livros disponíveis. Um que, de fato, li na época continha uma passagem que penetrou em meu coração: ‘Uma sala sem livros é como um corpo sem alma’. Senti uma profunda afinidade com essa afirmação, e sempre valorizei os livros como a alma da civilização.” (Nova Revolução Humana, v. 18, p. 279)

04/05/2020

Matéria de Capa

“Literature-se” - Challenge yourself

Com diversos tipos, formatos, tamanhos e conteúdos, os livros se desenvolveram de acordo com as necessidades da época, porém sem perder sua essência: informar, inspirar e gerar conhecimento. Embarque nesta viagem criativa e atemporal sobre a leitura O livro, com enorme valor cultural e histórico, foi inventado no século 14. Mas, para entendermos sua real importância, precisamos voltar um pouco mais no tempo. Você se lembra da aula em que o professor explicou sobre desenhos feitos na pedra no período da pré-história? Tudo começa nessa época, quando as pessoas passaram a registrar os acontecimentos do seu cotidiano. Isso foi há cerca de 3.300 a.e.c., pelos sumérios, com a escrita cuneiforme que, com uma cunha (ferramenta de entalhe), gravavam símbolos em plaquinhas de cerâmica. Não muito longe da Suméria, os egípcios criaram os hieróglifos, um tipo de escrita baseada em símbolos e desenhos. Essa atividade artística era dominada pelos escribas, responsáveis pela leitura e produção de textos no papiro, espécie de planta utilizada como papel. Avançando no tempo, em 105 e.c., os chineses criaram com a mistura de uma pasta com fibras vegetais, o papel que conhecemos hoje. Essa invenção se espalhou por toda a Ásia e chegou à Europa pelo Império Romano. Havia a necessidade de se preservar o conhecimento e transmiti-lo de geração em geração, porém foi somente no século 14, com o alemão Johannes Gutenberg, que surgiu o primeiro livro impresso, permitindo rápida produção e distribuição na sociedade. Vamos refletir... Já brincou de telefone sem fio? Quando uma pessoa fala uma palavra ou frase no ouvido de outra, esse termo acaba se alterando parcial ou totalmente quando chega ao último participante. Assim ocorreria se as histórias, ideias filosóficas, estudos, bases religiosas, política, conhecimentos gerais só fossem contados oralmente. Todos os princípios se alterariam tanto que já não seriam iguais aos do início. Sem os princípios originais, impérios, guerras, colonizações, tecnologias e transformações nunca teriam acontecido. Ou seja, a história do mundo seria completamente diferente.¹ Não só a história do mundo seria outra, mas a mentalidade humana também seria diferente: a leitura envolve várias funções cerebrais, incluindo processos visuais e auditivos, consciência fonêmica, fluência, compreensão, experiência, comportamento e muito mais. A realidade no Brasil... De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro e Itaú Cultural sobre o perfil dos frequentadores da Bienal Rio e FLUP 2019, os brasileiros leem em média apenas sete livros por ano.² E um estudo realizado pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2018 revela que 68,1% dos estudantes brasileiros com 15 anos têm um nível baixo de proficiência em relação à leitura.³ E você, já aprendeu a gostar de ler? Leu quantos livros este ano? Que tal mudar esses números? Se você chegou até aqui, além de mostrar que se interessou pelo assunto (rs), já está desenvolvendo sua prática de leitura. Para descobrir como aprofundar mais o gosto pelos livros, fique ligado na próxima página! Amor = roma Se perguntassem a você como é ler o termo “amor” ao contrário, conseguiria imaginar isso sem a escrita? Seria impossível, afirma Augusto Buchweitz, doutor e pesquisador do Instituto do Cérebro e professor da Escola de Ciências da Saúde da PUC do Rio Grande do Sul.⁴ Ele explica que uma pessoa não alfabetizada não seria capaz de fazer essa brincadeira, pois ela ouve um som e não tem, para esse som, uma representação visual, e por isso não consegue ler de trás para a frente. Com base em que podemos afirmar que a palavra “amor”, de trás para a frente, se torna “Roma”? Imaginamos a palavra e a lemos. Reconfiguramos a linguagem, que passa a ter uma nova configuração de sons associados a símbolos que inventamos. Durante a leitura, é preciso decodificar as palavras, compreender o texto, e a partir disso podemos imaginar muita coisa aguçando nosso sentimento e até relembrar momentos parecidos com aqueles que acabamos de ler. E tudo em poucos segundos! Quanto mais lemos, mais “abrimos” nossa mente, e com isso não apenas aprendemos coisas novas, mas nosso psicológico também se transforma.⁵ Temos mais empatia, aprendemos a ouvir mais, expressamo-nos com mais desenvoltura, e isso tudo com a leitura. Imagine então se lêssemos bastante todos os dias?

04/05/2020

Matéria de Capa

Valores Soka

Imagine-se num debate. Você acredita que sua ideia é correta. Em contrapartida, seu amigo usa todos os argumentos para convencê-lo de que a dele está correta. Esse exemplo nos mostra que as pessoas possuem diferentes valores e formação e a sociedade se cresceu de maneira que, independentemente dos valores de cada indivíduo, todos conseguem conviver e se relacionar. Durante toda a vida, recebemos informações, adquirimos conhecimento, aprendemos uns com os outros; assim formamos nosso próprio caráter. E ao nos relacionarmos com pessoas, há um valor intrínseco tão natural que por vezes nem o percebemos, mas ele é responsável por permitir nossa convivência pacífica: a educação. Ao falarmos de educação, a primeira imagem que surge em nossa mente é a da escola, onde o aluno aprende com o professor. No entanto, sua influência é muito mais profunda; não só representa todo o conhecimento adquirido, como também a capacidade de socialização, seja no modo de lidar com as adversidades, com situações e até mesmo como encaramos as responsabilidades, como o estudo. A Soka Gakkai promove ações em prol da "paz, cultura e educação" e, para isso, iniciou suas atividades em 1930 com o intuito de promover a criação de seres humanos de valor por meio da educação. Qualquer valor a ser aplicado na sociedade se inicia com base na educação de cada um. Pare e observe... Você sabe ligar a televisão, mudar os canais e, por fim, assistir um programa favorito, mas sabe construir um aparelho de TV? Dependendo de sua formação, não a ponto de transformar petróleo em plástico, confeccionar uma placa ou tornar este objeto capaz de transmitir imagens por um cabo ou satélite. Não seria possível construí‑lo sem escolas técnicas, universidades e laboratórios de pesquisa. Indo mais além, a própria humanidade não teria dado os primeiros passos sem a educação, e talvez ainda estivéssemos só assistindo às peças de teatro ao ar livre como na Grécia antiga. A evolução da educação Por que a educação se tornou tão essencial? Em meados do século 19, a economia era cada vez mais urbana, exigindo especialistas para suprir a demanda de progressos em diversas áreas da sociedade moderna, e foi aí que começou a educação em massa. Dessa forma, o desenvolvimento socioeconômico aconteceu e continua até hoje somente porque existe a educação. Assim, tudo o que achamos supercomum no dia a dia, como tecnologia, transporte, estrutura hospitalar e até mesmo um canal de culinária no YouTube, não existiria . O que temos hoje é graças à educação. Infelizmente, nem tudo é perfeito — ideias e conceitos de educação surgiram conforme a evolução do ser humano e, conscientes ou não, prejudicaram outros fatores, como a transformação da educação numa "indústria" de ensino escolar. Surgimento da educação Soka Foi em meio a essa realidade de uma educação "vazia" que surgiram os valores e princípios da educação Soka, mostrando que o real ensino ultrapassa os limites das salas de aula, devendo ser fundamentados no respeito à humanidade e na felicidade do indivíduo. No livro Educação Soka consta: “O verdadeiro objetivo da educação deveria ser o cultivo das qualidades individuais fundamentadas no respeito pela humanidade. (...) O objetivo da educação não deve ser definido por eruditos nem para fins específicos de outros grupos. Deve ser o mesmo que o objetivo da vida. De capacitar o aluno a alcançar uma vida feliz” (Educação Soka, p. 142-143). “No futuro, certamente construirei uma escola baseada na pedagogia de criação de bons valores na vida de cada estudante. Se isso não for possível enquanto estiver vivo, será na época de Toda. Haverá um sistema educacional do ensino fundamental até o superior e terá na pedagogia de criar valor seu principal fundamento”. Tsunesaburo Makiguchi (Educação Soka, p. 19)

04/11/2017

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Educação Soka no mundo

1930: Fundação A Soka Kyoiku Gakkai (Sociedade Educacional de Criação de Valor), predecessora da Soka Gakkai (Sociedade de Criação de Valor), foi fundada no dia 18 de novembro. Tsunesaburo Makiguchi publica seu livro Soka Kyoikugaku Taikei (Sistema Pedagógico de Criação de Valor, que explora a teoria de que a felicidade é alcançada quando se vê o aluno como personagem central da educação). 1939–1945: Segunda Guerra Mundial Durante esse período, Makiguchi sofreu inúmeras perseguições, sendo encarcerado e falecendo na prisão, porém sua filosofia e princípios se mantiveram vivos por seu discípulo, Josei Toda, que esperou o momento ideal para compartilhar com o jovem Daisaku Ikeda. 1950: Um sonho Toda sensei compartilha o sonho do seu mestre Tsunesaburo Makiguchi: fundar uma universidade com os princípios de criação de valor. 1968: Concretização O terceiro presidente da Soka Gakkai, Daisaku Ikeda, funda a Escola Soka de Ensino Fundamental II e Médio em Tóquio. 1971: Realização A cristalização do sonho dos Três Mestres: a fundação da Universidade Soka no Japão. 2001: Expansão Fundação da Universidade Soka da América (SUA). 2017: Brasil Inauguração do primeiro Colégio Soka fora do Japão, em 19 de janeiro (a Escola Soka do Brasil inicialmente foi inaugurada em 2001). Existem 14 instituições Soka em sete países.

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Meus momentos e valores como educadora soka

Making of “Bom senso”, “Sabedoria” e “Esperança” — essas três palavras são a dedicatória enviada pelo fundador Dr. Daisaku Ikeda que fica no hall de entrada do moderno prédio. Um ambiente amistoso e alegre reflete a satisfação dos alunos em estudarem num local onde o desenvolvimento humano e a confiança entre aluno e professor são a base para um ensino de qualidade que visa a criação pessoas de valor. Fomos calorosamente recepcionados por sorrisos e abraços de alguns estudantes que se divertiam no intervalo das aulas. Encontramos Mafe na aconchegante biblioteca onde ela compartilhou um pouco do seu sonho de criança, e comentou que se esforça diariamente para se tornar uma professora que ajuda a desenvolver verdadeiros valores nos alunos para que sejam futuros cidadãos globais. Mafe nasceu em Caracas, Venezuela, e aos 6 anos sua mãe se associou à SGI do país, e a partir daí teve contato com a organização. Ela sempre achou que a educação era somente para a pessoa ir à faculdade e encontrar um bom trabalho. Isso mudou aos 16 anos, quando se surpreendeu ao ler o livro sobre a teoria educacional do professor Tsunesaburo Makiguchi. Foi uma honra para a nossa equipe. Aprendemos muito: uma aula de paixão e humanismo da Mafe. Esperamos que gostem! Equipe RDez Como foi decidir desbravar e sair do seu país para estudar na primeira turma da Universidade Soka da América? Aos 16 anos, ao ler um livro sobre a filosofia de Makiguchi de criar valor quis aprender mais sobre a educação Soka; e, quase na mesma época, vi um cartaz na sede em Caracas que anunciava a fundação da primeira Universidade Soka fora do Japão. Naquele momento disse para mim mesma que deveria estudar lá, e decidi, com minha irmã, ir aos Estados Unidos e conhecer onde seria o campus. Eu me inscrevi no processo para ingressar na universidade, porém, somente minha irmã havia passado na primeira lista. Fiquei chateada por ter sido comunicada que estaria na fila de espera, mas determinei que se não passasse tentaria no próximo ano sem desistir. Foi então que desafiei muito daimoku, cinco horas por dia, e enviei uma carta para o reitor renovando minha decisão com o desejo de estudar nessa instituição. Recebi uma ligação dizendo que havia sido selecionada e que poderia ingressar junto com minha irmã na primeira turma da SUA em 2001. Poderia compartilhar um dos momentos mais especiais enquanto aluna da SUA? Como parte da grade acadêmica estudávamos um segundo idioma (japonês, chinês, espanhol ou francês). Optei pelo japonês e passei quatro meses na Universidade Soka do Japão. Por sermos a primeira turma, a sensação era de abrir caminhos para a Universidade Soka da América; e éramos representantes de oito países diferentes. Escrevíamos constantemente para sensei, e até os alunos não associados, mesmo sem compreender a relação de shitei funi (mestre e discípulo), apreciavam muito o presidente Ikeda como fundador por ele sempre incentivar e orientar a todos. O intercâmbio no Japão foi minha primeira experiência no país, mas jamais imaginaria que teria uma forte ligação com as terras do Mestre voltando para trabalhar em mais duas ocasiões. No Japão, você teve a oportunidade de se encontrar com sensei. Poderia nos relatar um pouco sobre esse encontro? Por sermos alunos da primeira turma da SUA e os primeiros intercambistas no Japão, tudo era um grande desafio: o aspecto acadêmico, a adaptação aos costumes da cultura japonesa, e mesmo em relação à nossa alimentação. Por essa razão o fundador Ikeda se preocupava e enviava considerações constantemente. O momento que com certeza mais marcou minha vida foi em dezembro de 2003, no final do intercâmbio, quando fomos convidados para participar da Reunião Nacional de Líderes com a presença do presidente Ikeda. Durante seu discurso, para nossa surpresa, ele nos chamou ao palco, pois queria olhar nos nossos olhos. Nós não conseguimos conter as lágrimas e este encontro se tornou meu ponto de partida. Senti a confiança do Mestre nos jovens; todos voltaram ainda mais comprometidos para a universidade. Ao longo de meus estudos na SUA, o sonho de abrir uma Escola Soka na Venezuela se tornou meu juramento para sensei e por isso decidi que me tornaria uma educadora que orgulhasse o fundador da minha alma mater. Como foi sua experiência como educadora na Escola Soka do Japão? E como é o ensino do inglês como segundo idioma num país de cultura oriental? Iniciei logo depois meus trabalhos como professora na Escola Soka de Tóquio; a experiência foi enriquecedora e ao mesmo tempo cheia de muitos desafios. O que mais me tocou foram o espírito de gratidão e a determinação de saldar essa gratidão. O estudo do inglês para os jovens japoneses foi um desafio, como também é para nós, ocidentais, pois o ensino de um idioma está produndamente conectado ao aspecto cultural. Em minhas aulas sempre tentava incorporar essa consciência de que o inglês é uma ferramenta para compreender e operar num mundo multicultural. Enquanto muitos fazem planos para sair do Brasil, você se mudou para cá. O que a motivou trabalhar num país completamente diferente do Japão? O Brasil é uma grande inspiração para muitos membros da SGI na América Latina, no Japão e no mundo inteiro. Minha grande motivação em vir ao Brasil é a de aprender e ser parte da luta pelo kosen-rufu da BSGI e da educação Soka neste lado do mundo. Pela minha experiência como estudante da SUA, sinto que o mundo é meu palco como jovem Soka: sem limites geográficos. Você esteve na posição de aluna e agora está na de professora. Qual o seu sentimento? Percebi a importância de confiar nos estudantes assim como confiaram em mim. Então determinei fazer a minha revolução humana enquanto professora para estar em desenvolvimento contínuo. Busco despertar a autoconfiança neles, para que vejam que têm o potencial de serem sempre melhores e que o aprendizado não para ao se formarem. Admiro meus professores pela paciência que tiveram e por nunca desistirem de mim. Sabemos que seu país [Venezuela] está passando por um momento difícil social e economicamente. Diante dessa realidade, quais suas perspectivas de expandir a educação Soka no país? Justamente pela realidade em que passa a Venezuela, sinto que é um ótimo momento para difundir os valores da educação Soka. Por meio de relatos dos três presidentes da Soka Gakkai, podemos compreender que nossa prática budista nos permite transcender as dificuldades e nos converter em protagonistas de uma cultura de paz. São os momentos difíceis que nos dão a grande oportunidade de demonstrar o poder de tornar o impossível em possível através desta prática. Como você tenta aplicar os valores Soka na sua vida? Resiliência, o espírito de não se dar por vencido e sempre seguir avançando. De que modo podemos aplicar a educação Soka no dia a dia? Compreender com a vida por meio da luta e dos livros do nosso mestre. Compreender quem é Daisaku Ikeda. A fé é uma forma de experimentar o que é educação Soka. Além disso, temos a boa sorte de pertencer à Gakkai e estabelecer essa conexão com sensei. O que Ikeda sensei representa na sua formação e na formação dos alunos que não eram membros? A relação de mestre e discípulo é mais importante, e na SUA entendi que vai muito além disso. É incrível quando se encontra um mestre como Ikeda sensei. Como fundador, dá exemplo do que é cuidar do ser humano. Via seu cuidado com administradores, professores e estudantes e me dedicava com mais gratidão. Por isso, ter como fundador Ikeda sensei vai além de estudar apenas para trabalhar; todos os estudantes sentem essa conexão de vida a vida, pois ele confia nos jovens e vê a importância de todos se tornarem verdadeiros cidadãos globais; assim, os estudantes sentem a sua missão. Estudei por alguns meses em outra universidade e senti na pele a diferença de conhecer e ter a conexão com o fundador da instituição. O que você diria para o Estudante que não gosta muito de estudar? Tente encontrar o que gosta de fazer, sua paixão. O que garante uma vida feliz e de contribuição é identificar o que gosta de fazer e mergulhar nessa paixão. Quando você encontra o que gosta de fazer, tudo é muito divertido; encontre o que o conecta. Quando era criança, sempre dizia que queria ser professora, e hoje sonho em ser uma educadora global e romper os limites.

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