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Educação

Brasil Seikyo

Encontro com o Mestre

“Jovens, conto com vocês!”

DR. DAISAKU IKEDA

A SGI está agora em total florescência com as belas flores de pessoas jovens e talentosas. Portanto, vamos avançar com disposição, mostrando com orgulho para aqueles que menosprezam as pessoas o brilho cintilante do nosso grandioso movimento de pessoas.

Tsunesaburo Makiguchi teve Josei Toda como discípulo, e eu fui o discípulo de Toda sensei. E vocês, jovens, que são os sucessores da nova era, são os principais dentre meus verdadeiros discípulos, pessoas a quem eu mesmo instruí e treinei. Estou muito contente em ver seus vigorosos empreendimentos. Meu mestre declarou: “Chegou a era do kosen-rufu. Avancem com coragem, segurando bem alto a nobre bandeira Soka”.

Ele sempre me dizia: “Daisaku, conto com você!”, “Divisão dos Jovens, conto com vocês!”. Para ele, eu era a Divisão dos Jovens. Trabalhei para Toda sensei e o apoiei com todo meu ser. Posso declarar com orgulho e convicção para todos os budas e bodisatvas das dez direções e das três existências do passado, presente e futuro: “O discípulo Daisaku Ikeda apoiou seu grande mestre, Josei Toda, e o serviu com todo o seu ser. Esse é o espírito da Soka Gakkai”.

Josei Toda também devotou incrível energia e diligentes esforços para me incentivar e me treinar visando o futuro da Soka Gakkai. Embora eu tivesse de deixar de estudar à noite, tornei-me aluno daquela que chamo carinhosamente de “Universidade Toda”. Eu estava determinado a estudar e a aprender nos 365 dias do ano, e ele foi um professor extraordinário.

Sempre foram os jovens que abriram a porta para uma nova era. Eu iniciei ativamente o desbravar do caminho do kosen-rufu quando estava com 19 anos. Ajudei e apoiei Toda sensei em tudo o que pude e — fosse na apresentação do budismo para outras pes­soas ou na promoção do estudo do budismo — sempre me empenhei ao máximo, ciente de que estava representando meu mestre.

Aqueles que se dedicam até o fim à causa do kosen-rufu e ao bem-estar dos outros experimentam a condição do estado de buda existência após existência, renascendo como pessoas vitoriosas cuja vida fica permeada da boa sorte dos budas.

Em todas as realizações humanas, a terceira geração é de suma importância. Josei Toda ensinou a mim, o futuro terceiro presidente, seu mais profundo estado de espírito. Pelo fato de eu ter condições de herdar o legado espiritual dele, a Soka Gakkai se desenvolveu e se tornou uma organização global e é vitoriosa no mundo inteiro.

Kosen-rufu depende de uma única pessoa

Estou contando com a Divisão dos Jovens. Estamos na era da Divisão dos Jovens. A partir de hoje, a Divisão dos Jovens será a força principal em todos os nossos empreendimentos.

Seguindo o direcionamento de Josei Toda, levantei-me sozinho. Nossos esforços de propagação haviam se estagnado e não estávamos indo a lugar algum. “Daisaku, você assumirá a liderança?”, perguntou-me Toda sensei. “Sim, assumirei!”, respondi. Como se fosse uma extensão do meu mestre, liderei uma decisiva marcha da vitória. O kosen-rufu depende de um único indivíduo que abrace o espírito de mestre e discípulo.

Os jovens são importantes; devemos realmente valorizá-los e estimá-los. Nós entramos numa época em que um jovem consegue realizar mais coisas do que cem pessoas. Não há nada mais forte que os laços de mestre e discípulo. Josei Toda construiu o alicerce para o kosen-rufu no Japão e honrou seu mestre, Tsunesaburo Makiguchi, que morreu durante a guerra, preso injustamente pelas autoridades militares japonesas. De minha parte, edifiquei as bases para o kosen-rufu mundial e cumpri o juramento que fiz ao meu mestre, Josei Toda. Fiz com que sua grandiosidade fosse conhecida em todo o mundo. Justifiquei esse grande campeão que lutou corajosamente contra a natureza maligna da autoridade.

De quem é a vez agora? É a vez de todos vocês. “É a minha vez!” — isso é algo que cada pessoa deve decidir no coração. Aqueles que conseguem fazer essa decisão interior são realmente admiráveis. Isso nada tem a ver com a idade ou função que a pessoa tem na organização. Trata-se do caminho do budismo.

Seja como for, os jovens são o que importa. Quero viver por muitos anos ainda e devotar minhas energias a realmente treinar a Divisão dos Jovens da maneira mais plena possível e fundamentar solidamente os alicerces da Soka Gakkai. Quero ver isso concretizado. Essa é minha determinação. Jovens, conto com vocês!

Espero que vocês, os radiantes jovens do nosso movimento, vivam uma juventude verdadeiramente sa­­tisfatória e de criação de valor enquanto avançam com firmes e persistentes esforços por um caminho que seja verdadeiro para vocês.

juntos

Mestre e discípulo lado a lado. O jovem Daisaku, à dir., caminha com o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, ao centro (Hokkaido, Japão, ago. 1957)

No topo: presidente Ikeda, toca trompete como forma de incentivar os membros (Auditório Memorial Toda, Tóquio, maio 2001)

Fonte:

Trechos de discurso proferido pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, na 16ª Reunião Nacional de Líderes — em comemoração do 50º aniversário do Dia 16 de Março, Dia do Kosen-rufu —, realizada no Auditório Memorial Makiguchi, Tóquio, no dia 5 de março de 2008, junto com a 6ª Reunião Nacional de Líderes da Divisão dos Jovens e com a Reunião Nacional de Líderes da Divisão Sênior. Também participaram dessa atividade 250 representantes da SGI de sessenta países e territórios. Leia íntegra no Brasil Seikyo, ed. 1.944, 21 jun. 2008.

22-7-2021

Especial

É tempo de se reinventar

REDAÇÃO

A pergunta que não quer calar é “O que você tem feito desde o início da pandemia do coronavírus?”

Não dá para negar que os impactos dessa crise global tenham sido bruscos para todos. Em especial aos jovens, ocorreu a interrupção de sonhos e projetos, a perda do primeiro emprego para uns e o improviso com trabalhos temporários para outros, assim como as dificuldades financeiras, a suspensão das aulas, os problemas de convívio em casa e os emocionais, o luto. Aparentemente, o que sobrou foi uma vida social reduzida ao sofá da sala e aos aplicativos nos celulares para a parcela que tem acesso à internet.

O tema se popularizou entre estudiosos, e no Brasil circulou até uma pesquisa especialmente elaborada sobre isso.1 Mas, calma. Apesar desses e de outros desafios da pandemia ­— que não caberiam nesta página do jornal —, Brasil Seikyo convida você a refletir a respeito do assunto da perspectiva da resiliência e a da criação de valor, características da cultura Soka.

Seja forte!

A capacidade da rápida adaptação ou de recuperação é a resiliência. Em termos práticos, significa desafiar a si mesmo, decidido a vencer, sem falta, pela própria felicidade e pela felicidade das pessoas ao redor. Acreditar que possui tal habilidade e transformar os desafios a seu favor correspondem à criação de valor e ao primeiro passo para edificar uma vida repleta de significado, ainda que surjam as dificuldades.

Na Proposta de Paz de 2021, o presidente Ikeda explica: “O poder ilimitado da criação de valor, que é intrínseco à vida, possibilita que cada um de nós transforme nossas circunstâncias em um palco no qual podemos viver nossa missão única, transmitindo esperança e segurança para todos ao redor”.2

A Divisão dos Jovens da Soka Gakkai é um exemplo de união que proporciona um aprimoramento corajoso de grande valia na construção de um eu forte. E as ações em conjunto da DJ são, além de tudo, uma chance para cultivar amizades sinceras e transformar a realidade positivamente.

Na prática

Quando as aulas da faculdade e as atividades presenciais da BSGI foram suspensas, no ano passado, Djuliane do Nascimento, sentiu bater o tédio. Ela que mora em Rio Tinto, interior da Paraíba, explica: “A realidade socioeconômica e a acessibilidade são muito difíceis por aqui. No entanto, os moradores são unidos e ajudam uns aos outros. É um hábito cultural, por exemplo, compartilhar macaxeira, banana, laranja e atualmente até mesmo a internet. Mas os dias agora pareciam todos iguais”, detalha.

Ao conversar com as líderes da organização, a jovem de 25 anos percebeu que era hora de sair da mesmice e decidiu auxiliar os membros. Logo, se tornou uma grande amiga para a responsável pela Comunidade Rio Tinto, Geangela Borges. “Ela, que em virtude de um acidente ficou com uma deficiência, estava com dificuldades para realizar atividades on-line e pediu meu apoio. Comecei a preparar os links de acesso e a apresentar os encontros. No começo, as pessoas tinham problemas com o uso dos aplicativos e com o sinal de internet, que aqui é muito ruim, e nem sequer conseguiam se conectar. Mas não desistimos! Com senso de companheirismo, criatividade e daimoku, conseguimos nos adaptar a esse novo cenário e passamos a realizar as reuniões de palestra todo mês!”.

Em paralelo, Djuliane, que cursa o último ano de antropologia na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), superou as próprias questões: “Manter o ritmo de estudo se tornou um enorme desafio. Tive crises de ansiedade e me senti perdida. Ter esse compromisso com os amigos da Gakkai foi o que me possibilitou enxergar novos horizontes. Atuar localmente me traz esperança porque lido, de fato, com as pessoas. Isso faz imaginar que é possível vencer”, finaliza.

Ampla perspectiva

Para Tarcio de Lima, que mora na zona sul de São Paulo, a pandemia foi também uma chance de romper os próprios limites e fazer a revolução humana. “No começo, estava um pouco inconformado com toda essa situação. Reclamava e tentava achar culpados. Minha postura mudou quando refleti que poderia fazer alguma diferença no local em que estava, em vez de lamentar. Isso resultou num trabalho comunitário que realizei com meus amigos. Na organização, passei a ajudar cada vez mais nas atividades virtuais, sempre pensando em facilitar o acesso aos membros e levando soluções criativas para esses encontros. Fizemos quiz, apresentações musicais e até a reprodução de um talk show!”, conta.

Além disso, ele decidiu mudar de emprego: “Para não perder o foco, iniciei um objetivo de recitação de daimoku e de estudo diários. Enviei currículos para muitos lugares e, na metade de dezembro, consegui um novo trabalho que ampliou demais meus horizontes. Com essas mudanças, passei a aproveitar melhor meu tempo, acordando um pouco mais cedo para estudar, fazer cursos que sempre adiava e ainda realizar exercícios físicos. A sensação da vitória por cumprir algo que determinamos é maravilhosa!”, comemora.

Reinventar é a palavra-chave

Avançar em meio às incertezas da pandemia não é tarefa fácil, mas é possível quando se tem comprometimento e coragem para se reinventar. Assim fizeram os grupos horizontais da BSGI logo que as atividades presenciais foram suspensas. Hoje, é comum assistir a apresentações musicais ou de dança, feitas com recursos digitais que garantem sinceros aplausos nas reuniões.

A banda da Divisão Masculina de Jovens (DMJ), Taiyo Ongakutai, replanejou a forma de ensaiar, criando amplas possibilidades de aproximar seus integrantes. “Em São Paulo, o núcleo Fernão Dias se destacou na pandemia promovendo encontros virtuais com ótimo comparecimento, pois os líderes estão sempre em contato com os membros, e o grupo tem constante evolução técnica, realizando apresentações virtuais. O núcleo sul-oeste tem um ensaio geral e um ensaio por seção todo mês. Os líderes têm realizado diversas visitas virtuais e periodicamente o núcleo faz publicações das conquistas dos membros nas redes sociais. Outro exemplo é o núcleo norte, que realiza dois ensaios por mês, e num deles os líderes estudam o romance Nova Revolução Humana. Um ponto interessante é que esse núcleo adotou o aplicativo de mensagens Discord, muito utilizado nos jogos virtuais, o que estimula a amizade entre os membros”, explica o responsável pelo Taiyo Ongakutai da BSGI, Cauê Barreira.

O grupo Cerejeira, da Divisão Feminina de Jovens, redirecionou a atuação presencial apostando no cuidado com os membros de outras maneiras. É o caso da Subcoordenadoria Centro, em São Paulo, na qual o grupo produziu um vídeo informativo sobre os cuidados de prevenção ao coronavírus: “Criamos esse conteúdo pensando na missão do grupo de proteger os membros, transmitindo-lhes calor humano. Utilizamos como fonte orientações recomendadas pelo governo do estado, e nosso intuito é que esse vídeo seja compartilhado pelos líderes nas reuniões de palestra e em outras atividades da organização. Apesar de não estarmos juntos fisicamente, estamos sempre orando pela proteção de todos”, cita a responsável pelo grupo Cerejeira da Sub. Centro, Patrícia Suzuki.

Futuro de esperança

Ser jovem é estar o tempo inteiro diante de muitas possibilidades e aprender algo novo com todas elas. Nesse caminho surge a esperança no futuro. Cada qual se desenvolve e inspira os demais a fazer o mesmo. Nesse contexto, a rede de amigos Soka representa um oásis em que as pessoas se encorajam e vencem juntas.

O presidente Ikeda declara, em recente mensagem que enviou à DJ, por ocasião de seu aniversário de fundação:

Cada passo de desenvolvimento da Divisão dos Jovens se torna a força do progresso da sociedade. Cada vitória da Divisão dos Jovens se torna a luz para a paz no mundo. Peço que tenham a forte e profunda consciência de que cada um de vocês é dotado dessa missão tão extraordinária.3

É a unicidade de mestre e discípulo, aliada a um forte senso de missão, a força capaz de eliminar a apatia diante das dificuldades. Somada à capacidade criativa dos jovens, transforma completamente a realidade. O Mestre conclui:

Vocês, que abraçaram essa Lei Mística ainda jovens, são capazes de suplantar qualquer tipo de sofrimentos e de dificuldades, e vencer na juventude. (...) Desejo que vivam até o fim com a Soka Gakkai, junto com os bons amigos, atuando no palco da missão de forma autêntica, e se desenvolvam maravilhosamente.4

Notas:

1. https://pt.surveymonkey.com/r/juventudesepandemia2 

2. Terceira Civilização, ed. 633, maio 2021, p. 4.

3. Brasil Seikyo, ed. 2.571, 10 jul. 2021, p. 3.

4. Ibidem.

22-7-2021

Relato

Avançar destemido

Nasci numa família que já praticava o Budismo de Nichiren Daishonin e, à medida que fui crescendo, comecei a refletir como me tornaria uma pessoa valorosa numa sociedade caótica, como Ikeda sensei, ao qual tenho eterna gratidão, sempre nos orienta. Assim, apesar de amar a aviação, passei a conhecer melhor a comunicação e a me apaixonar por esse universo, em especial, quando entendi o impacto social do jornalismo. Hoje, percebo que, sem a Soka Gakkai, certamente não teria tantas oportunidades de me desenvolver como profissional e como ser humano.

Cultivar a gratidão

Sou de uma família humilde, e passei a infância na periferia de Olinda, cidade da Região Metropolitana do Recife. Meus pais se separaram quando eu estava com 2 anos e, apesar dos desafios, cresci nos jardins da Gakkai, tendo total apoio da minha querida mãe, Agnelze.

Meu pai sempre foi presente. No entanto, a relação com ele era conturbada e, por isso, vivíamos discutindo. Além do mais, ele não concordava que eu participasse das atividades da organização. Sábia, minha mãe me dizia que a melhor forma de resolver aquela situação, que me causava sofrimento, seria pela mudança do meu coração e com a recitação do daimoku. No início, fui relutante. Porém, segui recitando daimoku e, aos poucos, começou a aflorar em meu coração um sentimento de gratidão pelo meu pai. Pois, mesmo sem ele ter consciência, o dinheiro da mesada que ganhava dele servia para que eu fizesse minha luta na Gakkai. Tempos depois, meu pai começou a se aproximar mais de mim e a me apoiar na prática. A primeira prova disso foi quando se ofereceu para me levar ao local da prova do Exame de Budismo que eu faria. Vitória!

Nesse período, eu estava com 14 anos e tive de ser forte para apoiar minha mãe, que passou por uma profunda depressão. As crises eram constantes e muitas vezes eu ia para os plantões do Gajokai [grupo de bastidores da Divisão Masculina de Jovens (DMJ)] com lágrimas nos olhos. Além disso, estávamos com muitas dificuldades financeiras em casa. Diante desse desafio, meus irmãos, Rhayssa e Adilson Junior, e eu tivemos o apoio das integrantes da Divisão Feminina (DF) da localidade e conseguimos superar tudo. Hoje, minha mãe atua como vice-responsável pela DF de comunidade.

Novo caminho

Em 2015, entrei para a faculdade de jornalismo e comecei a procurar estágio nessa área. Embasado no daimoku, determinei que meu trabalho transformaria para melhor a vida das pessoas. No terceiro período do curso, iniciei um estágio como produtor numa emissora de televisão, no Recife. Procurei aplicar tudo o que havia aprendido na DMJ e no Gajokai e conquistei a confiança dos gestores da empresa. Com o salário do estágio, pude participar de diversos cursos de aprimoramento da BSGI, em São Paulo, e também em atividades da Subcoordenadoria Nordeste 1.

Tenho muito orgulho de ter feito parte do desenvolvimento da organização nessa região nos últimos anos, que culminou na parceria da rede de universidades federais do Nordeste com a Universidade Soka, e também no anúncio da concessão do título de doutor honoris causa para o presidente Ikeda pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e no Encontro Cultural dos Jovens do Nordeste. em 2019. Na ocasião, proferi a leitura da Declaração dos Jovens — momento que ficou gravado em meu coração, pois, a partir dali, comecei a projetar minha vida de forma mais ampla, sonhando alto e imaginando realizar coisas grandiosas, tal como fui incentivado pelos líderes.

No primeiro semestre do ano passado, estava desempregado e tive crises de ansiedade. Com o apoio dos amigos Soka, não deixei de participar de nenhuma atividade, tendo em mente o trecho de um escrito de Nichiren Daishonin, que diz: “Eu e meus discípulos, ainda que ocorram vários obstáculos, desde que não se crie a dúvida no coração, atingiremos naturalmente o estado de buda. Não duvidem, mesmo que não haja a proteção dos céus. Não lamentem a ausência de segurança e tranquilidade na vida presente. Embora tenha ensinado dia e noite a meus discípulos, eles nutriram a dúvida e abandonaram a fé. Os tolos tendem a esquecer o que prometeram quando chega o momento crucial”.1

Na ocasião do aniversário da DMJ, determinei que sairia da minha zona de conforto. Um mês após a comemoração, fui chamado para um trabalho temporário, numa assessoria de comunicação. Algo que eu nunca tinha feito. No entanto, aproveitei todas as dicas para me desenvolver na carreira. E pouco tempo depois de ter encerrado meu contrato, recebi o convite de uma diretora de um grande grupo de comunicação para trabalhar como repórter de TV, no estado de Roraima. Seria uma mudança drástica. Mas a proposta me permitiria fazer aquilo que eu gostava. Decidi aceitar.

Recebi o apoio dos meus familiares e minhas preocupações se dissiparam quando eles me incentivaram ainda mais ao dizer que minha vitória seria também a de todos os companheiros da DMJ; e que eu deveria vencer sem medo. Quanta gratidão! Não havia espaço para dúvidas, a vitória era certa.

Assim, parti para Roraima e, ao chegar, fui acolhido pelos membros da organização. No trabalho, estou tendo a chance de me desenvolver e de ocupar espaços que jamais imaginei. E agradeço aos colegas de trabalho por estarem ao meu lado e por me impulsionarem a demonstrar meu potencial e me aprimorar como profissional. Minha decisão é contribuir cada dia mais para a sociedade local por meio do meu trabalho e dos meus esforços pelo kosen-rufu.

Ailton Alves, 23 anos. Jornalista. Membro da DMJ do Distrito Boa Vista, RE Roraima, CRE Oeste.

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Ailton com sua família

No topo: Ailton em cobertura jornalística

Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin, v. I, p. 296, 2020.

22-7-2021

Relato

Vencer pelas pessoas

Conheci o budismo no Rio de Janeiro, onde moro, numa época em que passava por problemas de relacionamento em casa, que me atormentavam. Além disso, não tinha objetivos muito claros. Mas, incentivado pelos veteranos, decidi comprovar a força do daimoku para transformar aquela condição. Assim, recebi o Gohonzon em 2004, e comecei a escrever a minha revolução humana.

Foco nos estudos

Logo que ingressei na BSGI, fui nomeado responsável pelo bloco e conciliava o tempo entre as atividades da organização, da escola e do trabalho. Ainda bem que podia contar com minha bicicleta (risos). Lembro-me de que, em 2005, participei de um curso de aprimoramento para líderes, no Centro Cultural Campestre, SP, no qual senti a unicidade com o Mestre. Foi inesquecível.

Com esse aprimoramento na Divisão Masculina de Jovens, passei a acreditar nos meus sonhos, pois até então não dava muita importância a isso. Ao procurar emprego, por exemplo, enviava currículo para qualquer lugar e, sem foco profissional, eu me contentava com a empresa que me escolhesse. No entanto, gostava de esportes. Pensava até em ser jogador de futebol.

Com os incentivos que lia do presidente Ikeda e com o apoio dos líderes da organização, aos quais sou muito grato, comecei a me atentar para o que gostava de fazer e traçar uma meta, visua­lizando um futuro melhor. Então, eu me voltei para os estudos. Fiz curso de patologia clínica e depois realizei o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), determinado a cursar educação física. Assim, em 2006, ingressei na faculdade, com bolsa de 100%.

Aquilo tudo me impulsionou a não desistir, pois enfrentei muitos desafios até concluir o curso em 2010. Para arcar com as despesas de um universitário, fazia bicos e vendia produtos de limpeza. Dava o meu máximo para manter boas notas. Em paralelo, comecei a trabalhar em projetos sociais do governo, com idosos e crianças, o que me fez despertar interesse por esse setor. Também dava aulas em academias na Baixada Fluminense buscando me aprimorar. Apesar de tantas atividades, estava feliz. Agora tinha objetivos claros e, alinhado à minha missão, determinei sempre atuar com a convicção de prezar cada pessoa, tal como aprendi no budismo.

Com esse sentimento, em 2015, participei de um curso de aprimoramento da SGI no Japão, renovando meu juramento de rea­lizar uma significativa luta pelo kosen-rufu. Viver a unicidade de mestre e discípulo nas terras do Mestre foi emocionante.

Naquele mesmo ano, dei um grande passo ao abrir minha própria academia, a partir de um acordo que fiz com os ex-proprietários, que estavam fechando o estabelecimento. Trabalhei bastante para pagar pelo espaço e até consegui comprar novos equipamentos para os alunos. Ensinei a prática budista para muitos deles e ouvia suas histórias com atenção. Foi um período de bastante aprendizado, no qual fiz vários shakubuku, que se encerrou em 2019, quando recebi uma proposta de emprego na Região dos Lagos, o qual me proporcionaria uma nova chance de crescimento profissional, alinhada ao kosen-rufu. Além disso, traria qualidade de vida para meu pai, que enfrentava problemas de saúde.

Avanço ininterrupto

Vendemos nossa casa e partimos para a nova cidade. Logo surgiram as dificuldades por conta da pandemia do coronavírus e tive o salário reduzido. Segui recitando firme daimoku e então encontrei outras oportunidades de trabalho.

Meu pai e eu compramos uma nova casa e firmei uma parceria com uma escola municipal de Cabo Frio e uma organização não governamental (ONG) local para implantar um projeto social para todas as idades, no qual os alunos contribuem com doações que são enviadas à instituição.

Fazemos ginástica numa quadra poliesportiva e, como fico num palco, posso me atentar aos participantes. Quando alguém está desanimado, eu me aproximo e procuro conversar. Tento demonstrar a essa pessoa que ela é importante para mim e para a sociedade. Já na ONG, faço atividades físicas com jovens de 12 a 17 anos, no Projeto Modelo Manequim, com objetivo de torná-los modelos profissionais.

Hoje, eu me sinto muito grato pelos trabalhos desenvolvidos na localidade e no futuro quero contribuir cada vez mais para a saúde e para o bem-estar social.

Nesse sentido, a educação física se tornou para mim uma chance de ajudar as pessoas de alguma forma. Estar perto, dialogar com elas e tocar seu coração, assim como Ikeda sensei nos incentiva. Em um trecho do romance Nova revolução Humana, ele complementa: “Temos de inspirar e motivar a todos com nossas próprias ações, entusiasmo e dedicação. Um ‘bravo general’ é aquele que acende a chama do espírito de luta e transmite alegria ao coração das pessoas”.1

Ramon Almeida Simão, 34 anos. Professor. Vice-coordenador da DMJ da Coordenadoria Serra-Mar do Rio de Janeiro.

Nota:

1. IKEDA. Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-I, p. 199, 2020.

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Ramon e seus familiares

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Ramon em curso de aprimoramento da SGI, no Japão

12-8-2021

Notícias

Estudantes do Brasil e do Japão realizam intercâmbio

REDAÇÃO

No dia 14 de agosto, o Colégio Soka do Brasil apresentou o Soka Consortium of Peace Education (Scope) — Virtual ToK Exhibition 2021, num intercâmbio com a participação de 75 alunos do ensino médio do Colégio Soka do Brasil e das Escolas Soka de Tóquio e de Kansai, no Japão. A abertura do evento foi assistida por mais de duzentas pessoas pelo YouTube, e o fundador, Daisaku Ikeda, enviou uma mensagem de felicitação na qual transmitiu suas melhores recomendações aos participantes.

Essa foi a primeira atividade do Scope, que surge da parceria firmada entre as escolas-irmãs, com o objetivo de criar um espaço virtual de intercâmbio entre os alunos Soka por meio do diálogo. A novidade é que, desta vez, as práticas tiveram como base a disciplina teoria do conhecimento [IB — Theory of Knowledge (ToK)].

O evento, realizado na língua inglesa, foi apresentado pelas alunas do segundo ano do ensino médio, Maria Eduarda Rodrigues Andrade Roan e Julia Wilson. Nas palavras de abertura, a counselor de estudos acadêmicos no exterior do Colégio Soka do Brasil, Maria Fernanda Sanchez, salientou: “O mais importante é que aproveitem essa experiência ao máximo. Todos vocês estão fazendo o que o fundador Ikeda diz ser possível que é se conectar com o mundo por meio dos valores e dos ideais Soka”.

O professor de teorias do conhecimento do Colégio Soka do Brasil Scott Bower enfatizou a importância dessa disciplina no contexto atual para os alunos Soka, considerados cidadãos globais. E numa apresentação dinâmica, Scott trouxe os conceitos da ToK, que consiste no desenvolvimento do pensamento crítico de cada indivíduo, a começar pela análise e checagem da veracidade dos acontecimentos sociais por diferentes perspectivas.

Nicolle Capecce, estudante do Colégio Soka do Brasil, compartilhou os desafios de desenvolver suas habilidades críticas a partir da teoria do conhecimento. 

O diretor do Colégio Soka de Tóquio, Yasuo Kubo, citou: “Tenho certeza de que aprenderemos muito com as nossas diferenças culturais. E acredito que essa exposição do ToK dará a todos uma grande oportunidade para descobrir um novo mundo acadêmico”.

“Certamente, o dia de hoje é o marco inicial para outros encontros. Ao lado de toda a equipe do Colégio Soka do Brasil, estamos nos esforçando para conduzir os maravilhosos cidadãos globais, com base nas eternas diretrizes de bom senso, sabedoria e esperança”, ressaltou a diretora do Colégio Soka do Brasil, Rita Kojima.

Ao final, os alunos se dividiram em grupos para apreciar os trabalhos de ToK realizados pelos colegas brasileiros, compartilhando suas experiências num clima de cooperação.

19-8-2021

Caderno Reunião de Palestra

Vencer com o estudo

REDAÇÃO

“O budismo é um ensinamento da mais suprema razão. Portanto, a força de sua fé deve se manifestar no estudo, no planejamento, na criatividade e nos esforços redobrados.”1 Essa frase do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), reflete o sentimento dos membros da organização pela concretização do kosen-rufu (felicidade e paz da humanidade, com base nos escritos de Nichiren Daishonin). O primeiro dos quatro pontos citados na frase, “estudo”, item primordial de uma reunião de palestra (RP), além de fazer parte do tripé “fé, prática e estudo”, é ação essencial para a vitória e o desenvolvimento de um praticante do Budismo Nichiren.

Por que estudar o budismo na reunião de palestra?

Para construir qualquer edifício de grande porte, são necessários pilares sólidos em sua fundação na fase de construção. Relacionando com nossa realidade, na Soka Gakkai, as reuniões de palestra e o estudo do budismo foram estabelecidos como duas das atividades mais importantes, visando ao fortalecimento de todos os membros da organização. Se as RP são consideradas “fóruns populares para infundir sabedoria e vitalidade na sociedade”2 com base no budismo, é necessário embasar-se na profunda filosofia da revolução humana para desempenhar essa nobre missão. O estudo servirá de alicerce para não sucumbirmos nem recuarmos diante dos desafios diários, conforme orienta Ikeda sensei:


O buda Nichiren Daishonin afirma no Gosho que obstáculos surgirão sucessivamente. Aqueles que se afastaram da fé durante a guerra agiram dessa forma por não terem estudado os ensinamentos de Daishonin. O estudo ilumina e esclarece o caminho da fé que devemos trilhar como discípulos budistas. Doravante, a Soka Gakkai irá se fundamentar nos dois pilares: das reuniões de palestra e do estudo do Budismo de Daishonin.3


Desenvolvimento individual e coletivo

Considerando que as reuniões de palestra são realizadas geralmente em pequenos grupos, elas constituem excelentes oportunidades de promover o desenvolvimento individual por meio do estudo do budismo. Quanto mais membros estudando e discutindo como aplicá-lo na vida diária, mais se torna possível assentar uma base sólida para o kosen-rufu. O Mestre incentiva: “Espero que gravem as frases das escrituras profundamente em seu coração e desenvolvam uma fé realmente firme e forte que não se abale diante de quaisquer obstáculos ou infortúnios — eis o objetivo do estudo do budismo”.4 Ao vencerem com base na prática budista, essas pessoas se sentirão à vontade para compartilhar sua experiência com outras. O estudo se torna um preceito básico nesse processo no qual o desenvolvimento deixa de ser somente individual e passa a ser coletivo, social.

Ensinamento profundo

Outro importante aspecto é que o estudo, feito de maneira séria — e isso se aplica a todas as linhas religiosas —, possibilita discernir ensinamentos que estejam verdadeiramente voltados para a felicidade e para o crescimento de seus praticantes. O presidente Ikeda declara:


O estudo é uma base indispensável que nos permite discernir se uma religião é profunda ou superficial e obter clara compreensão sobre quais constituem os verdadeiros ensinamentos e o espírito de Daishonin. O presidente Josei Toda declarou: “A razão origina a fé, e a fé busca a razão”. Se a sua compreensão sobre a “razão”, ou seja, sobre os princípios budistas, se aprofundar, sua fé também irá se aprofundar. Se sua fé se aprofundar, sua compreensão acerca dos princípios budistas também se aprofundará.


Convicção e juventude

A “criatividade”, mencionada no início desta matéria, é essencial para falar sobre o budismo dentro da nossa realidade atual, indo direto ao ponto de interesse dos nossos convidados nas reuniões de palestra: “Como o budismo poderá me ajudar a vencer e ser feliz?”. Com a união de boas ideias dos nossos jovens e o apoio dos veteranos da localidade, a RP se torna uma atividade acolhedora e de desenvolvimento para os participantes. Essa criatividade, além disso, precisa estar embasada no estudo dos ensinamentos do budismo, pois não utilizamos esse aprendizado apenas dentro da estrutura organizacional, mas ele também norteia nossas atitudes pelo mundo. Ikeda sensei explica: “O estudo do budismo é particularmente importante porque serve para criar um rumo para a própria vida. Se deixarem de estudar, perderão de vista a finalidade da prática da fé, serão arrastados pelo sentimentalismo e inclusive pelo egoísmo, e se tornarão pessoas movidas por meios astutos”.6

Avanço conjunto

É crucial ficarmos atentos para não perdermos de vista a chance de nos aprofundar no estudo do budismo na RP. Mesmo que talvez não sejamos diretamente a pessoa responsável pelo estudo, dedicarmo-nos previamente a ler a matéria que será discutida e refletirmos como seu conteúdo pode ser aplicado no dia a dia fazem toda a diferença. Uma passagem do romance Nova Revolução Humana, em que Shin’ichi Yamamoto, personagem que representa o presidente Ikeda na obra, direcionou as seguintes palavras para os jovens numa atividade esportiva no Japão, resume bem o assunto:


Espero que se tornem realmente fortes, tanto fisicamente como no estudo do Budismo de Daishonin, para que possam se tornar capazes de exercer uma liderança admirável. Oro também para que sempre avancem com ânimo, alegria e corajosa união, assim como fizeram hoje no encontro esportivo. Construamos aqui no Japão um mundo maravilhoso onde reinem a paz e a felicidade, nos esforçando para estabelecer um magnífico exemplo em nossa vida diária e em nossas atividades na Soka Gakkai, que sirva de inspiração para pessoas do mundo todo.7


Dica dourada do Mestre

Consta na Nova Revolução Humana o registro da 9ª Convenção da Divisão Feminina de Jovens (DFJ), em novembro de 1961, em Yokohama, Japão, com a presença de Shin’ichi Yamamoto. Ele incentivou as participantes a dedicar maior atenção ao estudo do budismo, como forma de guiá-las ao pleno desenvolvimento. Trazendo para o contexto da RP, é uma boa dica para fortalecer o conhecimento e apoiar o diálogo nessa atividade. Na obra, lemos:


O estudo do budismo é como as placas de sinalização do caminho da prática budista, pois a fé, tal como um sentimento, é volúvel. Mesmo uma ardente fé pode esfriar facilmente e se tornar vulnerável. Por essa razão, o estudo do budismo é importante para iluminar o caminho a seguir na vida e na prática budista, proporciona uma formação filosófica de como conduzir a vida como praticante. Por isso, Shin’ichi recomendou que todas as jovens ingressassem no Departamento de Estudo do Budismo para que pudessem cultivar uma sólida diretriz de vida.8


Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 237, 2019.

2. Brasil Seikyo, ed. 2.367, 15 abr. 2017.

3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 2, p. 26, 2019.

4. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 4, p. 34, 2018.

5. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 2, p. 25-26, 2019.

6. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 4, p. 132, 2018.

7. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 2, p. 133-134, 2019.

8. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 5, p. 167, 2019.

26-8-2021

Relato

Sucesso é esforço contínuo

Sinto muita gratidão por ter conhecido o budismo ainda na juventude. Com essa filosofia, pude lapidar meu caráter e absorver as palavras de Ikeda sensei, para então aplicá-las em minha vida e enfrentar os momentos de dificuldade com coragem. Assim, durante a pandemia do coronavírus, em meio a tantos desafios, tive a chance de ajudar outras pessoas e também desfrutar benefícios.

Aprimoramento constante

Iniciei a prática budista aos 8 anos. Aos 19, eu já era pai de dois filhos e, para criá-los, enfrentei muitas adversidades. Como tinha somente o nível médio de estudo, não conseguia bons empregos e meu salário apenas supria as necessidades básicas. Tentei diversas vezes fazer faculdade, porém o dinheiro não dava. Mas, após várias tentativas e desistências, com base nas orientações do presidente Ikeda, consegui finalmente entrar na universidade e concluí o curso de gestão em administração pública em 2013, aos 42 anos.

Nesse período, era funcionário público concursado numa grande indústria brasileira e, ocupando um cargo de nível médio, não tinha mais como progredir na empresa. Em consequência da minha gradua­ção, em 2014, fui convidado a trabalhar como terceirizado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), atuando num cargo de nível superior — o que me proporcionaria um salário melhor, sem precisar trabalhar em dois empregos para arcar com as despesas, como de costume.

Apesar de ter ficado em dúvida entre a estabilidade de um cargo público e um salário duas vezes maior que o atual, e das críticas que recebi, aceitei o desafio com coragem e pedi demissão. No novo emprego, eu me especializei na área de compras públicas, fiz pós-graduação e diversos cursos na área. Logo me transformei num profissional indispensável no meu setor e, em 2015, eu me tornei membro das comissões de padronização de materiais de embalagens e de insumos farmacêuticos da unidade; em 2017, entrei para o conselho deliberativo da unidade como representante dos terceirizados — atividades extras, sem remuneração.

O tempo foi passando, meus gastos foram aumentando, e o salário não. Sugeri à minha gestora que me permitisse realizar atividades a mais para justificar um salário maior, sem sucesso. Então, precisava de uma nova ideia para mudar aquela situação. Foi quando li num discurso do presidente Ikeda que o local de trabalho também é o palco para a revolução humana. “Há três critérios para se escolher um trabalho: belo, bem e benefício. O ideal de todos é obter uma ocupação de que gostem (belo), que seja financeiramente estável (benefício) e com a qual possam contribuir para a sociedade (bem)”.1

Em outro trecho ele dizia:

Simplesmente canalizem toda a sua energia no trabalho atual e sejam pessoas indispensáveis nesse local. Orando fervorosamente ao Gohonzon e continuando a se esforçar ao máximo, sem deixar que tarefas ou atribuições desagradáveis os intimidem, acabarão encontrando um trabalho que apreciem, proporcione segurança financeira e produza o bem para a sociedade. (...) Tenham o trabalho como local de aprimoramento para se desenvolver como verdadeiros seres humanos, bem como o local de exercício budista de capacitação da prática da fé. Se adotarem essa perspectiva, todas as suas queixas desaparecerão.2

Novo avanço

Eu já tinha a ocupação de que gostava e um emprego que contribuía para a sociedade, então, como tornar o meu trabalho financeiramente estável a partir do meu aprimoramento? Ikeda sensei cita:

Ao se lançarem em seu trabalho, em vez de evitá-lo, definitivamente abrirão um caminho a seguir na melhor direção possível. Even­tualmente, observarão que todos os seus esforços até então tinham significado, e tudo o que experimentaram é um tesouro para a vida”.3

Assim, decidido a contribuir para a instituição com meu conhecimento, propus criar um ofício que ainda não existia, mas que era fundamental para sua gestão.

Em 2019, enviei às chefias, inclusive à direção, um relatório anual das dificuldades encontradas no setor, referentes ao exercício anterior, com sugestões de melhorias. Além disso, fiz vários cursos voltados para gerenciamento e controle e para mapeamento de processos, e enviava os certificados a eles. Fiz esses relatórios por dois anos consecutivos, sem resposta.

Veio a pandemia do coronavírus e 50% do quadro de funcionários foi reduzido. Mas, graças ao meu aprimoramento, a postura no trabalho e as atribuições extras, fiquei fora da lista. Mesmo assim, continuei enviando os relatórios anuais, atentando-me aos assuntos da minha área e de outras também.

Em junho último, fui convidado a explicar uma sugestão de melhorias que havia enviado no início do ano, na qual propunha a criação de um setor voltado para a identificação e solução de falhas nos processos em tempo real, utilizando os programas para os quais me qualifiquei. Assim, recebi a proposta de conduzir o desenvolvimento e a implantação desse projeto e geri-lo, com aumento de salário e nova função na empresa. Que alegria!

Essa grandiosa vitória serviu para mostrar que não existe esforço sem resultados, mesmo que demorem a surgir. Ikeda sensei cita que apesar de termos conquistado mil vitórias no passado, se desistirmos no momento presente todos os esforços terão sido em vão:

A vida é uma contínua expedição ao desconhecido. Há momentos em que somos assolados por imprevisíveis tempestades. Desde que não se perca de vista os objetivos, não haverá nenhum dia em vão.”4

Luiz Claudio Vieira, 50 anos. Administrador público. Resp. pela RM Leopoldina, CCSF, CGERJ.

1

com a família

2

com a família

3

com os membros da localidade

4

com os avós

7

com os colegas de trabalho. Exceto a foto no trabalho, as demais foram tiradas antes da pandemia do coronavírus

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.331, 16 jul. 2016, p. B3.

2. Ibidem.

3. Ibidem.

4. Brasil Seikyo. ed. 2.158, 1o dez. 2012, p. B2.

 

26-8-2021

Especial

A vitória começa em casa

REDAÇÃO

É fato que as esferas do contexto social tenham sofrido os impactos da pandemia do coronavírus. E uma das que mais enfrentam desafios é a familiar. Mundo afora, inúmeras famílias têm sido severamente afetadas de diferentes maneiras, a todo momento. Por outro lado, com base na filosofia do humanismo Soka, não é exagero dizer que a revitalização das famílias contribui com a reestruturação da sociedade pós-pandemia. Isso a partir da transformação positiva de cada pessoa disposta a criar a harmonia, com a convicção de não deixar ninguém para trás. A esse respeito, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, afirma:

A família e o lar são o alicerce de comunidades e sociedades prósperas. O crescimento de cada membro da família, tendo como base o respeito e o encorajamento mútuos e a construção de um ambiente de harmonia e coopera­ção no lar — a menor unidade social — constitui o ponto de partida para a paz.1


Desafio constante

De 2020 para cá, a crise causada pela pandemia do coronavírus redesenhou o cotidiano das famílias, e mais que isso, deixou sua marca em cada uma delas. Como parte dos primeiros desafios, veio o desemprego. Várias empresas registraram quedas acen­tuadas nos ganhos, resultando em demissões em massa e na significativa diminuição da renda familiar. Fala-se sobre os órfãos dessa pandemia, a respeito dos conflitos de con­vívio e da desestruturação de muitas famílias.

Ainda no início do distanciamento social, em abril de 2020, por exemplo, as denúncias de violência doméstica já haviam aumentado quase 40% em relação ao mesmo período de 2019.2 E o número de divórcios realizados em cartórios no Brasil foi o maior da história no segundo semestre de 2020, quando foram contabilizados 43,8 mil processos.3

Quando a sociedade está em crise, o lar é o lugar mais afetado. Uma família que perdeu sua estrutura tem mais dificuldades para enfrentar os problemas. É como se cada membro tivesse uma vida individual, focada apenas em si. No livro A Família Criativa, o presidente Ikeda traz esta questão:

No lar a pessoa se sente livre para deixar cair suas armaduras e revelar os próprios sentimentos. Consequentemente, em nenhum outro lugar o lado feio e angustiado da natureza humana é tão eviden­te. É inevitável que, quando as pessoas abandonam suas restrições e permitem seu lado menos atraente aparecer, o resultado seja frequentemente o conflito.4


Apesar de não existir um manual da convivência familiar, a referência parte do diálogo sincero da criatividade e do respeito entre seus integrantes para assegurar um bom relacionamento.

Ivoneth Cardoso da Silva é vice-responsável pela Divisão Feminina da Comunidade Laranjal do Jari, na Área Amapá, AP. Após ela e a família inteira terem vencido a Covid-19, no ano passado, precisaram sair da casa em que moravam no Laranjal do Jari. “O dono do imóvel que alugávamos resolveu encerrar o contrato, mas não me desesperei, pois havia determinado sair do aluguel e ir para nossa casa própria, que estava sendo construída. Tivemos de antecipar os planos.”

Nessa hora, a família se uniu e arregaçou as mangas num mutirão para terminar a obra. “Levantamos a casa junto com o pedreiro, ajudando em tudo o que era possível (risos) e encerramos o contrato do aluguel na data correta. Desde janeiro de 2021, estamos morando no nosso ‘castelo’ e ainda conseguimos instalar internet — algo muito difícil aqui no meio do mato — para participar das reuniões on-line da organização. Quanta alegria! Isso não seria possível sem nosso daimoku e nosso companheirismo. No momento de aperto, todos abraçam a causa e vencem juntos!”, explica Ivoneth.

Família criativa

O presidente Ikeda propõe a sociedade criativa, a partir da ideia de uma rede de grupos familiares dinâmicos:

A família criativa ou lar criativo a que me refiro é como uma escola em que as pessoas se empenham para o seu próprio aprimoramento e de outros, valendo-se do amor que flui entre eles. Acredito que são as pessoas criativas que trarão a mudança ao mundo.5


Em outras palavras, cada integrante da família deve se esforçar com sinceridade mesmo nas pequenas tarefas. Nesse sentido, um lar representa o local ideal para cultivar a compaixão, o amor e a confiança, além de representar uma chance para se aprimorar, compartilhar, lapidar o caráter e exercer o diálogo. É fazer revolução humana em meio ao cotidiano. O presidente Ikeda complementa:

A família pode ser descrita como um organismo. Se pensarmos na sociedade como um corpo humano, então cada família é um grupo de células. Algumas famílias movem-se por esse corpo, enquanto outras permanecem fixas. Cada unidade familiar deve viver em harmonia com a sociedade como um todo; caso contrário, não sobreviverá. Se, por outro lado, cada uma das células não funcionar plenamente, com toda a vitalidade, não se pode esperar que a sociedade progrida. A família é como um grupo de células que se desenvolve por meio dos esforços de cada um dos integrantes. Ela é a unidade básica que determina a direção da sociedade.6



“Prática da fé para criar a harmonia familiar”

Família é tema central e recorrente nos escritos de Nichiren Daishonin. Outro exemplo está no romance Nova Revolução Humana, em que o presidente Ikeda ilustra várias histórias de famílias que venceram a partir da união, tornando-se grandes exemplos de superação.

Por isso, “Prática da fé para criar a harmonia familiar” é a primeira das “Cinco diretrizes eternas da Soka Gakkai”.

Criar harmonia na família é fundamental porque, em termos práticos, consiste no caminho infalível para a concretização do kosen-rufu. Tudo começa na família.

Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, cita:

A família compõe a base da sociedade. E a prática da fé para criar a harmonia familiar é fonte de energia para a construção de uma família sólida. Essa fé é condição indispensável para a felicidade de cada família e para o desenvolvimento da sociedade como um todo.7



Mas como consolidar a harmonia familiar, que representa um modelo em miniatura da paz mundial?

Ikeda sensei responde:

Em primeiro lugar, nós próprios devemos nos esforçar para sermos pessoas alegres e radiantes, cuja presença no lar envolva todos os familiares com a luz da compaixão. Em segundo, precisamos nos respeitar mutuamente, reconhecendo que os vínculos familiares entre pais e filhos ou entre cônjuges e parceiros consistem em laços cármicos que se estendem pelas três existências — passado, presente e futuro. Em terceiro, devemos prestar uma contribuição positiva à sociedade e trabalhar para desenvolver sucessores que também façam o mesmo.8



Família Soka

Preste atenção ao redor e verá que existem pessoas que moram sozinhas ou não são casadas. Alguns casais não têm filhos. Isso sem contar as famílias monoparentais. Enfim, existem famílias de todos os formatos e tamanhos.

A família Soka representa um excelente modelo de núcleo de criação de valorosos seres humanos, no qual cada indivíduo compartilha suas adversidades e conquistas. Um enaltece o crescimento do outro e se inspiram mutuamente. Ninguém fica para trás.

No mundo inteiro, os membros da Soka Gakkai e da SGI se esforçam para edificar a harmonia familiar, criando um oásis de paz e segurança na sociedade. Suas famílias são o sol da esperança, fruto de uma religião humanística, e a chave para a construção da paz e da coexistência harmoniosa.

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.352, 31 dez. 2016, p. B1.

2. https://www.gov.br/mdh/pt-br 

3. https://www.notariado.org.br/ 

4. IKEDA, Daisaku. A Família Criativa. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 33.

5. Ibidem, p. 24 e 25.

6. Ibidem, p. 19.

7. Brasil Seikyo, ed. 2.352, 31 dez. 2016, p. B1.

8. Idem.

26-8-2021

Notícias

Divisão dos Estudantes a todo vapor

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL

Criatividade é o que não falta quando o assunto é a Divisão dos Estudantes (DE) da BSGI. Neste mês para lá de especial, em que celebramos os 61 anos da organização e também o Dia das Crianças, diversas localidades por todo o Brasil promovem atividades comemorativas da DE; entre as localidades está a RM M’Boi Mirim (Sub. Interlagos, CNSP). No dia 2, os jovens realizaram as Olimpíadas da DE, em formato virtual, com a participação dos níveis Futuro, Esperança e Herdeiro. O objetivo da localidade era fazer um grande encontro com os membros da DE para que pudessem se conhecer, compartilhar experiências e estreitar os laços de amizade. A programação teve o diálogo como foco. Foi apresentada uma animação e, com base nela, os participantes identificaram e refletiram sobre suas características individuais. “Pensamos nessa atividade como uma oportunidade para que nossos estudantes pudessem ser eles mesmos, falar sobre isso e entender como a filosofia budista ‘entra’ na vida deles e, assim, levar o budismo para o dia a dia”, declarou Marlon Mitsunaga, responsável pela DE da RM M’Boi Mirim.

No dia 10, foi realizada na RM Fragoso (Sub. Serrana, CSMRJ), com mais de quarenta participantes, a Academia Sucessores Ikeda 2030 (ASI 2030). Organizados por nível, os estudantes da localidade interagiram virtualmente e, utilizando a concepção de games, estudaram princípios budistas como “três venenos” e “teoria do carma”, tudo com a condução impecável dos apresentadores. A atividade contou com a participação de Camila Akama, coordenadora da DE da BSGI. “Nossa atividade foi incrível, pois o apoio dos familiares, dos líderes e a participação da Camila foram muito incentivadores e fizeram total diferença”, relatou Nathalia Silva Souza, responsável pela DE da localidade. Para ela, o sucesso do encontro foi por conta do empenho conjunto de todos da organização local e da efetiva participação dos familiares, líderes de bloco, comunidade, distrito e RM.

Durante os próximos dias de outubro, outras organizações da BSGI continuarão a realizar as ASI 2030. Camila Akama reflete sobre o significado dessa atividade, lembrando que ela é realizada desde que o presidente Ikeda denominou os estudantes do Brasil de “Sucessores Ikeda 2030”. “Com essa profunda consideração e confiança do sensei, a ASI 2030 tem como ponto principal a compreensão de cada estudante em herdar o sentimento de realizar o kosen-rufu, ao mesmo tempo em que visualiza e constrói seus sonhos”, revela Camila. A coordenadora da DE da BSGI enfatiza: “Assim como a academia é um local em que treinamos e exercitamos nosso corpo para que se torne mais forte e mais saudável, essa Academia dos Sucessores Ikeda 2030 busca treinar o estudante para fortalecer seu sentimento de ‘jamais ser derrotado’, sempre junto com sensei”.


No topo: RM Fragoso (acima) e RM M’Boi Mirim (abaixo) estão entre as localidades que já promoveram atividades voltadas para a Divisão dos Estudantes

14-10-2021

Editorial

Em seu lugar

Eles desceram do carro e, enquanto caminhavam pela avenida principal, avistaram o monumento comemorativo da independência do México, O Anjo da Independência, no alto de um pilar, com tom dourado, segurando em uma mão uma coroa de louro, representação da vitória, e na outra uma corrente partida, símbolo da liberdade.

— Era aqui, não é mesmo?

— Sim, isso mesmo. (...) Hoje é dia 2, data de falecimento de Toda sensei.

— É isso mesmo. Justamente nesse dia, ao descermos do carro e caminharmos, acabamos chegando a esse local…

— Sem dúvida, deve ter sido sensei que nos trouxe até aqui.

Foi assim que o presidente Ikeda e sua esposa, Kaneko, conversaram ao avistar o monumento O Anjo da Independência, no México, durante uma visita ao país em 2 de março de 1981. Ao perguntarem um ao outro se estavam no lugar certo, eles se referiram a uma conversa que Ikeda sensei teve com seu mestre, Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, poucos dias antes de ele falecer, o qual descreveu nitidamen­te o sonho que tivera na noite anterior:

Ontem, sonhei que fui ao México. Estavam me esperando… todos estavam esperando. Ansiavam pelo Budismo de Nichiren Daishonin. Queria muito ir ao mundo. Para a jornada do kosen-rufu… Daisaku, é o mundo. Seu verdadeiro palco é o mundo… Daisaku, viva! Viva bastante! E vá para o mundo!1



O casal se emocionou ao se vir diante do cenário descrito por Josei Toda, realizando o sonho do mestre. Em seu coração, Ikeda sensei bradou: “Sensei! Estou percorrendo o mundo. Sem falta edificarei um sólido alicerce do kosen-rufu mundial, no lugar do senhor!”.²

No mês de fundação da Soka Gakkai, organização nascente do movimento mundial estabelecido pelo presidente Ikeda, vamos juntos relembrar que o que sustenta esse fluxo constante na história de 91 anos é a unicidade de mestre e discípulo, com o desejo de, a todo momento, no lugar do Mestre, com incessante esforço, tornar os sonhos dele realidade, como Ikeda sensei nos ensina: “O sonho do mestre é o sonho do discípulo. A vitória do discípulo é a vitória do mestre. Esse é o caminho Soka de mestre e discípulo. Gostaria que todos vocês (...) também seguissem esse caminho”.³

Boa leitura!


Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana, v. 30-I. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 289, 2020. 

2. Ibidem, p. 290.

3. RDez, ed. 198, jun. 2018, p. 6-10.

4-11-2021

Especial

Jornada épica rumo ao centenário em 2030

REDAÇÃO

O início

Em 1903, aos 32 anos, Tsunesaburo Makiguchi publicou, pouco antes da Guerra Russo-Japonesa, a obra Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana]. A mentalidade da sociedade japonesa da época pode ser simbolizada pela atitude de sete famosos acadêmicos do Japão, da Universidade Imperial de Tóquio, que fizeram uma petição ao governo para que endurecesse sua postura com a Rússia, inflamando ainda mais a população à guerra. Já Makiguchi, professor desconhecido, enfocava a comunidade local, mas com a consciência de cidadania global. Aos 42 anos, Makiguchi foi nomeado diretor de uma escola de ensino fundamental em Tóquio, e durante os vinte anos seguintes desenvolveu os trabalhos de algumas das mais notáveis escolas públicas de Tóquio.

Uma das maiores influências do pensamento de Makiguchi foi o filósofo americano John Dewey, em cuja ideologia ele se baseou para criar uma mudança no sistema educacional japonês. Franco defensor da reforma educacional, Makiguchi se encontrava sob constante vigilância e pressão das autoridades.

Em 1928, aos 57 anos, Makiguchi conheceu o budismo e sentiu que havia encontrado nessa filosofia os meios pelos quais poderia concretizar os ideais que buscara durante toda a vida — um movimento pela reforma social por meio da educação.

Em 18 de novembro de 1930, Tsunesaburo Makiguchi e seu discípulo, o também professor Josei Toda, publicaram o primeiro volume do livro Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor]. Eles decidiram chamar a editora de Soka Kyoiku Gakkai [Sociedade Educacional de Criação de Valor], que se tornou a instituição precursora da Soka Gakkai [Sociedade de Criação de Valor], e formaram um grupo para empreender atividades educacionais e religiosas.

Makiguchi pretendia publicar doze volumes da obra. O primeiro foi lançado em 1930; o segundo em 1931; o terceiro em 1932; e o quarto em 1934. Os oito volumes seguintes jamais foram publicados. Dez anos se passaram desde o lançamento do quarto volume até o falecimento de Makiguchi na prisão, em 1944. O ponto de vista do educador passou por uma grande mudança nesse período por ter se convertido ao Budismo de Nichiren Daishonin. Seu interesse por essa filosofia era tão grande que começou a se dedicar totalmente às atividades da Soka Gakkai. Nela, ele via a possibilidade de propagar seus ideais humanísticos em prol da educação.

Criação de valor

Em 1935, o estatuto da Sociedade Educacional de Criação de Valor ficou pronto. O artigo 1o estabelecia seu nome e o artigo 2o estipu­lava que seus objetivos estavam voltados para as pesquisas relacionadas à “criação de valor”, ao desenvolvimento de professores altamente capacitados e à reforma do sistema educacional do país.

Então, em julho de 1936, o primeiro dos seminários foi promovido pelo grupo e, em 1937, Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e mais de cinquenta pessoas realizaram uma cerimônia no Auditório Meikei de Tóquio, marcando novo começo para a organização, instituindo assim oficialmente a Soka Kyoiku Gakkai. Iniciou-se também um grande movimento de propagação do Budismo Nichiren com a realização de reuniões de palestra, que logo se tornaram uma atividade tradicional da organização.

Em 1940, foi promovido um segundo encontro. A organização havia atingido o número de quinhentas famílias, sendo necessária uma revisão em seus estatutos. Tsunesaburo Makiguchi foi nomeado presidente, e Josei Toda, diretor-geral. Nessa época, eclodiu a Segunda Guerra Mundial com a invasão da Polônia pelos nazistas. As tropas do Japão também avançavam, invadindo a China e a Coreia.

Makiguchi criticou abertamente a política dos governantes japoneses de unificar todos os ensinamentos ao xintoísmo, religião oficial do governo.

Como consequência, em junho de 1943, os líderes da Soka Gakkai foram convocados pelos clérigos a prestar esclarecimentos. Nessa ocasião, o clero sugeriu que os membros da organização acatassem a decisão do governo e abraçassem “provisoriamente” o talismã xintoísta. Makiguchi ficou indignado com essa proposta que feria totalmente o espírito do Budismo de Nichiren Daishonin. Em vista disso, todas as atividades da Soka Gakkai passaram a ser vigiadas pela Polícia Especial de Segurança.

Tsunesaburo Makiguchi não se intimidou e isso resultou na prisão dele, de Josei Toda e de vários líderes da organização, acusados de violar a Lei da Preservação da Paz e de desrespeitar os santuários xintoístas. Devido à pressão, somente Makiguchi e Josei Toda se mantiveram firmes e irredutíveis. Makiguchi foi enviado para a prisão de Sugamo e submetido a interrogatórios, sendo privado de todos os direitos, até de escolher o próprio advogado, sofrendo diversos tipos de dificuldades. Debilitado pela desnutrição, no dia 17 de novembro de 1944, ele pediu aos carcereiros que o transferissem para o ambulatório da prisão, onde logo entrou em coma e faleceu por volta das 6 horas da manhã do dia 18 de novembro de 1944, aos 73 anos.

Novo passo para a Soka Gakkai

Após ser libertado da prisão, em 3 de julho de 1945, Josei Toda deu continuidade aos ideais de Tsunesaburo Makiguchi, reformulando e construindo a base da organização, que passou a se chamar Soka Gakkai. Ele assumiu sua presidência em 3 de maio de 1951 e se engajou em amplo movimento de expansão do Budismo Nichiren no Japão, convertendo 750 mil famílias antes de falecer em 2 de abril de 1958.

Com o falecimento de Josei Toda, alguns duvidavam de que a Soka Gakkai sobrevivesse, mas a determinação e o empenho de seu discípulo, Daisaku Ikeda, fizeram com que as dúvidas se dissipassem do coração dos companheiros, devolvendo-lhes esperança e dando novo impulso à organização.

Em 3 de maio de 1960, Daisaku Ikeda assume a terceira presidência da Soka Gakkai. A data simboliza a unicidade de mestre e discípulo e o espírito primordial do Budismo Nichiren. Decidido a impulsionar o kosen-rufu mundial, no mesmo ano ele parte rumo ao exterior para estruturar a organização e estreitar os laços de amizade entre os povos — missão que vem sendo cumprida até hoje —, levando a filosofia budista para 192 países e territórios.

Em um discurso, Ikeda sensei diz:

Era 18 de novembro de 1930, uma terça-feira. Tsunesaburo Makiguchi, aos 59 anos, com o apoio de seu discípulo Josei Toda, na época, com 30 anos, publicou Soka Kyoikugaku Taikei. A criação da Soka Gakkai foi uma corajosa declaração pela eterna transmissão da Lei, revitalizando o fluxo do ensinamento correto e das doutrinas do Budismo de Nichiren Daishonin numa época em que estes se dispersaram. A unicidade de mestre e discípulo é eterna. O caminho da revolução humana ensinado pela Soka Gakkai possibilitou às pes­soas, uma após a outra, despertar e fincar vigorosamente raízes no lamaçal da sociedade como altivos budas. Essas pessoas incorporam a Lei Mística, fazendo com que a nobreza da vida desabroche com toda a magnificência.1

Neste momento em que comemoramos os 91 anos de fundação da Soka Gakkai, é hora de reconfirmarmos nossa determinação de corresponder aos ideais de Ikeda sensei e construirmos uma vida vitoriosa, contribuindo para a sociedade como pessoas valorosas, rumo ao centenário da organização em 2030.

Nota:

1. Terceira Civilização, ed. 507, nov. 2010, p. 5.



Fontes:

Brasil Seikyo, ed. 2.346, 5 nov. 2016, p. A3.

Idem, ed. 1.793, 30 abr. 2005, p. A7.

Idem, ed. 1.770, 6 nov. 2004, p. A6.

Terceira Civilização, ed. 393, maio 2001, p. 2.

Vamos escalar juntos o Monte Everest do kosen-rufu

Neste discurso, presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, comenta sobre o centenário da Soka Gakkai, a ser comemorado em 2030

Dr. Daisaku Ikeda

Na Reunião Nacional de Líderes [realizada em 25 de abril de 2001], sugeri que lançássemos nosso próximo grande objetivo para o ano 2030 — centenário de fundação da Soka Gakkai.

O pico do kosen-rufu é elevado. A Soka Gakkai chegou enfim à metade do caminho em sua escalada do Monte Everest do kosen-rufu. E sou profundamente grato pelo fato de ter chegado até aqui junto com todos vocês.

Vamos desfrutar uma longa existência e seguir para o topo dessa montanha com alegria, esperança e forte comprometimento, com o objetivo de concluir as bases do kosen-rufu. Apesar de alguns terem falecido no curso dessa jornada, eles atingirão o estado de buda e renascerão rapidamente. E como a vida e a morte são inseparáveis, eles continuarão a lutar pelo kosen-rufu como nossos eternos companheiros da fé.

A primeira difícil escarpa do século 21 está bem diante de nós. As pessoas que conseguirem subir essa escarpa, e vencerem esse desafio, serão vitoriosas em todas as batalhas. Os próximos anos serão muito importantes. Agora estou criando com seriedade o impulso para a vitória total da Soka Gakkai. Vamos deixar registrada uma história magnífica!

Gostaria que os jovens, com a força e a paixão inatas, adornassem essa ocasião conquistando uma admirável vitória pela causa do bem.

Não há felicidade maior que participar de uma significativa batalha. Essa é também uma maneira rápida de transformar o carma. Dos grandes desafios surgem os grandes benefícios. Toda sensei sempre dizia: “Gostaria que enfrentássemos perseguições maiores!”; “Será que não há alguma batalha maior para empreendermos?”. Makiguchi sensei possuía o mesmo espírito. E eu também.

A Lei budista é impressionante e insondável. Quanto maiores os esforços que empreendermos pelo kosen-rufu, maiores a força e a energia que surgem em nós. Nossa vida ficará transbordante de ricos benefícios.

Somente com esses incansáveis esforços construiremos uma base sólida e duradoura capaz de direcionar não apenas o Japão, mas também a humanidade. (...) Os que possuem um grandioso poder não são aqueles que detêm uma posição de autoridade, tampouco as pessoas famosas na sociedade. [O escritor francês] Victor Hugo (1802–1885) sempre conclamava aos seus concidadãos insistindo que não se considerassem pessoas sem importância. Ele os incentivava a demonstrar para os adversários a força colossal das pessoas despertas. (...)

Fonte:

Trechos do discurso proferido pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, na 6ª Reunião Nacional de Líderes da Soka Gakkai, realizada no dia 21 de maio de 2001 no Auditório Memorial Toda de Sugamo, em Tóquio, em conjunto com a 2ª Convenção Nacional da Divisão Feminina e com a reunião geral das regiões de Kyushu, Chugoku e Okinawa; e publicado no Brasil Seikyo, ed. 2.149, 29 set. 2012, p. B2.

4-11-2021

Notícias

1ª Semana do Empreendedor Humanista

REDAÇÃO

O Departamento de Profissionais Liberais, Empreendedores e Executivos (Depex), da Coordenadoria Cultural (CCult) da BSGI, promoveu entre os dias 18 e 24 de outubro, a 1a Semana do Empreendedor Humanista. Em formato de live, a proposta foi demonstrar que é possível utilizar aspectos da filosofia budista associados ao empreendedorismo e transformar não somente a vida do profissional, mas também a do próximo. Na programação, foram incluídas palestras sobre liderança, novos negócios, carreira e finanças, comandadas por representantes do departamento, com o apoio do Núcleo de Inclusão em Libras (NIL), também da CCult.

Segundo Alexandre Charallo, secretário do Depex, o que motivou a realização da 1a Semana do Empreendedor Humanista foi o fato de que, devido à pandemia, muitas pessoas passaram a buscar informações sobre carreira e empreendedorismo. “Foi um evento planejado desde o início do ano, direcionado aos membros da CCult. Pensamos que o Depex poderia ajudar as pessoas neste momento respondendo a essas questões, ao trazer vivências de dentro do próprio departamento. A proposta é associar informações técnicas com experiências individuais, mas principalmente sob um olhar budista”, declara Charallo.

No primeiro dia, foram debatidos fundamentos da liderança, a partir de três pontos: “liderança de si”, “liderança global” e “começa comigo, começa agora”. Já o último encontro teve como tema “Educação e Princípios Financeiros”. Para reforçar os assuntos debatidos, foram relacionados também aspectos da vida e da obra dos educadores Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda, e sobre a obra do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI).

4-11-2021

Especial

Uma vida dedicada ao ser humano

REDAÇÃO

Da infância sem perspectiva para o educador comprometido com o desenvolvimento de seus alunos e também fundador da Soka Gakkai, organização que, em 18 de novembro, completa 91 anos. Nesta edição, apresentamos o legado de Tsunesaburo Makiguchi na área da educação.

Quem foi Tsunesaburo Makiguchi?

Antes de falarmos sobre as realizações de Makiguchi sensei na área da educação, vamos conhecer sua vida. Nascido no dia 6 de junho de 1871, na Vila de Niigata, no Japão, recebeu o nome de Tyoshiti Watanabe. De família muito humilde, pouco antes dos 3 anos foi abandonado pelo pai, Tyomatsu, e depois pela mãe, Ine. O tio Tendayu Makiguchi foi quem o criou, e do qual adotou o sobrenome Makiguchi. Sempre que podia, sua mãe o visitava; até que, um dia, quando passeavam pela praia, ela tentou acabar com a própria vida junto com a vida do filho, Tyoshiti, no mar, triste por ter de viver longe dele. Os dois foram salvos, mas nunca mais ele voltou a encontrar a mãe.

Ao completar 15 anos, Tyoshiti foi morar com outro tio, chamado Shiroji Watanabe, na cidade de Otaro. O tio era muito pobre e não tinha como colocá-lo na escola. Então, desde cedo, o jovem teve de trabalhar para ajudar nas despesas da casa. Seu chefe gostou muito dele e, quando foi transferido para Sapporo, levou-o consigo. Lá, conseguiu estudar e, aos 22 anos, formou-se professor e mudou seu nome para Tsunesaburo. Em 1894, casou-se com a jovem Kuma e tiveram oito filhos, quatro meninas e quatro meninos.

Tempos depois, ele se mudou para Tóquio. Em outubro de 1903, publicou sua grande obra, Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana]. Em 1919, conheceu Josei Toda na Escola Primária Nishimachi, onde Makiguchi era diretor. Entre os anos de 1924 e 1932, Makiguchi sofreu muito, pois perdeu quatro de seus filhos. Então, em junho de 1928, com 57 anos, converteu-se ao Budismo de Nichiren Daishonin. Josei Toda se converteu junto com seu mestre e, assim, fundaram a Soka Kyoiku Gakkai em 18 de novembro de 1930 (leia matéria na edição 2.586, de 6 de novembro de 2021).

Em 1940, com o início da guerra, o governo japonês obrigou os líderes da Soka Gakkai a abandonar o budismo e a praticar o xintoísmo. Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda não aceitaram essa imposição do governo e foram presos. Na época, Makiguchi tinha 72 anos. Em 17 de novembro de 1944, sentindo o corpo muito fraco e cansado devido à desnutrição, Makiguchi pediu para ser levado à enfermaria. Colocou seu traje de cerimônias e, mesmo debilitado, caminhou até lá. Por volta das 6 horas da manhã do dia 18 de novembro de 1944, ele faleceu, aos 73 anos. Seu discípulo, Josei Toda, saiu da prisão no ano seguinte, herdando o espírito do seu mestre e reconstruindo a Soka Gakkai.



O educador Makiguchi

Em 1930, Makiguchi expressou numa carta a um amigo: “Políticas educacionais recentes, bem como professores de salas de aula, tornaram-se completamente burocráticas e indiferentes, destruindo o propósito integral da educação. Isto põe o futuro do Japão em grave risco”.1

Sempre preocupado com a educação, Makiguchi sensei visua­lizava em seus alunos o grande potencial para a transformação da sociedade. Nos dias frios do inverno, em sua época como professor de ensino fundamental em Hokkaido, Makiguchi saía para ir ao encontro dos estudantes que estavam a caminho da escola e, quando a aula terminava, ele os acompanhava até a casa deles. Observava atentamente para se certificar de que as crianças mais franzinas não ficassem para trás, carregando, algumas vezes, as mais novas nas costas e segurando a mão das mais velhas. De manhã, preparava água quente para mergulhar as mãos dos alunos rachadas pelo frio.

Depois de se mudar para Tóquio, Makiguchi tornou-se conhecido como excelente diretor de escola, mas, por se recusar a bajular aqueles que ocupavam posições de autoridade, estes se ressentiam dele. Isso o levou a ser perseguido e transferido de um posto para outro.

Durante esse período, foi alocado como diretor numa instituição escolar (Escola de Ensino Fundamental de Mikasa) frequentada inteiramente por crianças de famílias pobres — muitas delas tão pobres que não tinham condições de comprar guarda-chuvas para os filhos se protegerem. Pagando do próprio bolso, ele provia alimentos, como bolinhos de arroz, para os que não podiam trazer lanche de casa — e, ao mesmo tempo, lutava para sustentar sua numerosa família. Para não constranger os necessitados, ele deixava a comida na sala do zelador, de modo que pudessem apanhá-la sem atrair a atenção.

Quando era forçado a deixar uma escola, os alunos choravam, e até os pais e professores enxugavam as lágrimas — prova do quanto ele era amado.

Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), certa ocasião, fez o seguinte comentário sobre Makiguchi sensei:

Tsunesaburo Makiguchi começou a praticar o Budismo Nichiren aos 57 anos, em 1928, ano em que nasci. Ele não era de modo algum um homem jovem. Em relação à expectativa média de vida na época, seria considerado idoso. Ele iniciou a prática do Budismo Nichiren no capítulo final de sua existência, e mesmo assim registrou feitos imortais na história do kosen-rufu. Nos derradeiros anos de sua vida, engajou-se numa luta incessante contra as autoridades militaristas do Japão e morreu nobremente na prisão em defesa de suas crenças. Makiguchi sensei emprega a expressão “uma alegria indescritível”. Ao adotar o modo de vida fundamental do Budismo Nichiren, transformou completamente a maneira como vivera até então, e percebeu-se capaz de empreender ações na sociedade com total liberdade e energia. Suas palavras nos transmitem a intensidade do entusiasmo dele em afirmar que nada poderia se comparar à alegria dessa experiência. (...) Por essa razão, Makiguchi ensinou que não devemos permitir que algo destrua nossa alegria, nem permitir que alguém destrua nossa fé e prática budistas, a fonte de nosso alegre espírito e modo de vida. Já que é para viver, viva com convicção e coragem, dedicando-se a um propósito grandioso! — esse era o espírito do fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi.2


Makiguchi compartilhava, com frequência, suas ideias com os familiares: “No futuro, haverá um sistema escolar que aplicará os métodos da pedagogia da criação de valor. Abrangerá da pré-escola ao nível universitário. O jovem Toda assegurará a continuidade de meu trabalho”.3

Onde o movimento da educação humanística está presente

Estados Unidos: Universidade Soka da América (2001)

Ásia: Escola Soka de Educação Infantil de Hong Kong (1992); Escola Soka de Educação Infantil de Singapura (1993); Escola Soka de Educação Infantil da Malásia (1995) e Escola Felicidade Soka de Educação Infantil da Coreia do Sul (2008)

Japão: Escola Soka de Ensino Fundamental e Médio de Tóquio (Tóquio, 1968) / Escola Soka de Ensino Fundamental de Tóquio (1978); Escola Soka de Ensino Fundamental e Médio de Kansai (Osaka, 1973;) / Escola Soka de Ensino Fundamental de Kansai (1982; Osaka); Escola Soka de Educação Infantil de Sapporo (1976) e Universidade Soka (Japão, 1971)

Brasil: Escola Soka do Brasil (2001) / Colégio Soka do Brasil (2017)

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Ikeda sensei incentiva alunos da Escola Soka de Kansai (Universidade Soka, Japão, set. 2005)



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Presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, em plantio comemorativo no início das obras da Universidade Soka (Japão, maio 1967) 

No topo: ilustração retrata Tsunesaburo Makiguchi (à esq.), a Universidade Soka da América (acima) e o presidente Ikeda com alunos do sistema educacioinal Soka (abaixo)

Fontes:

https://www.daisakuikeda.org/main/educator/edu-instit/soka-schools.html 

https://www.tmakiguchi.org/ 

https://www.sokaglobal.org/about-the-soka-gakkai/at-a-glance/legacy-of-the-founding-presidents.html 


Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Educação Soka — Por uma Revolução na Educação Embasada na Dignidade da Vida. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 185, jan. 2021.

2. Brasil Seikyo, ed. 2.393, 28 out. 2017, p. B2.

3. IKEDA, Daisaku, op. cit., p. 186.

Sugestão de leitura:

“A educação é a chave da mudança do mundo.” Esse é o brado de Daisaku Ikeda, presidente da SGI. É autor de Educação Soka — Por uma Revolução na Educação Embasada na Dignidade da Vida. Na obra, ele apresenta uma perspectiva a partir da qual é possível contemplar o objetivo fundamental da educação e seus processos de transformação. O livro está na versão e-book.

 

11-11-2021

Notícias

Divisão dos Universitários em ação

REDAÇÃO

Desde que foi fundada, a Divisão dos Universitários (DUni) da BSGI vem assumindo a honrosa responsabilidade de expandir os ideais do presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, não somente para os membros da organização, mas também para a sociedade. No dia 6 de novembro, os integrantes do grupo de estudos sobre a obra do Dr. Daisaku Ikeda do Núcleo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) promoveram um encontro que abordou o ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), parte da Agenda 2030. A mesa de trabalhos contou com a presença de Eliane Jocelaine, secretária de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, pelo município de Campinas (SP), a qual iniciou suas palavras refletindo sobre a paz, não como utopia, mas como algo a ser construído e que beneficie a coletividade. “A paz deve ser um elemento de motivação, para que nos reconheçamos interdependentes e possamos, a partir disso, construir hoje propostas mais integradas e inclusivas”, declara Jocelaine.

Múltiplas possibilidades

Inclusão é um tema que vem sendo cada vez mais discutido em diferentes esferas: da acessibilidade urbana a questões educacionais e profissionais. Cientes disso, os membros da DUni da RM Jabaquara (Sub. Congonhas, CNSP) decidiram levar o assunto para a atividade da divisão, já que é comum entre eles realizar esse tipo de diálogo informativo, explorando a temática no dia a dia. Nayara Ramos, responsável pela DUni da RM, afirma: “Sempre que apresentamos temas dessa importância aos jovens, mostramos não somente dados e fatos relacionados, mas também como pôr o tema em prática de acordo com a visão budista de prezar cada ser humano. A proposta é que cada um se coloque em posição de vanguarda e, com um pouco mais de conhecimento, mude o ambiente ao redor da melhor forma possível”.

Nayara também revela que existe uma preocupação por parte da DUni em ampliar o rol de assuntos a ser discutidos nas atividades da divisão, porque é ali que eles terão a oportunidade de discuti-los da ótica dos direcionamentos do presidente Ikeda. Para ela, esse processo oportuniza uma transformação profunda em cada indivíduo: “Sabemos que é necessária uma grande mudança, porém ela acontece primeiro no coração de cada jovem, em cada família e em cada localidade até se refletir de forma grandiosa na sociedade como um todo”.

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Temas atuais são pauta constante nos encontros dos universitários da RM Jabaquara

No topo: encontro do Polo Unicamp contou com presença de Eliane Jocelaine, secretária de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, pelo município de Campinas (SP)

11-11-2021

Notícias

Divisão dos Estudantes na reunião de palestra

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL

A Divisão dos Estudantes (DE) da BSGI tem se mostrado cada vez mais decidida a construir uma história de vitórias rumo a 2030, ano em que celebraremos o centenário da Soka Gakkai e os setenta anos da BSGI. Para fechar o mês de outubro, muitos representantes se dedicaram mais efetivamente às programações da reunião de palestra (RP), principal atividade mensal da organização. Um dos exemplos foi a Comunidade Costa Barros (RM Vila Prudente, CCLP) que, com toda a criatividade, levou o clima do Halloween para a RP. Os membros da comunidade abraçaram a ideia e participaram animadamente da atividade com direito a decoração virtual, fantasias e maquiagem. Sandra Silva, responsável pela Divisão Feminina (DF) da comunidade, revela que o propósito da programação foi o de promover máxima interação. A líder nos conta que “Um membro da DE apresentou a atividade pela primeira vez junto com a minha filha, que é autista. O sentimento é de pura gratidão, e o objetivo é possibilitar que cada vez mais estudantes participem das atividades, visando o futuro”.

Para os integrantes da DE, o significado de fazer parte da programação pode ir além do treinamento, visto que muitos deles ainda não têm noção desse aspecto. Segundo Yasmin Silva Neves Mello, membro da DE-Esperança da localidade, é uma oportunidade de interagir. “A reunião de palestra, para mim, é muito importante, porque tenho contato com várias pessoas, as quais me ajudam a me expressar. Quando participo da programação, fico muito, muito feliz!”, declara Yasmin, que foi uma das apresentadoras da RP de outubro. Victor Fernandes, componente da DE-Herdeiro da Comunidade Costa Barros, considera que a força da Divisão dos Estudantes faz total diferença nas reuniões. O jovem, que também apresentou a atividade, pondera: “Nas reuniões em que temos a presença e a colaboração dos estudantes, essas atividades são carregadas de boas energias e disposição, pois é possível sentir uma grande força que somente a DE é capaz de proporcionar. Assim, creio que a DE tem papel fundamental na vida dos jovens e, com essa força, não só influencia a todos, como também propaga o budismo para mais e mais pessoas”.

11-11-2021

Matéria Grupo Coração do Rei Leão

Comunicação positiva

Muitos pais são nascidos na década de 1970 e, portanto, acompanharam o avanço da tecnologia em seu lar, com televisores, aparelhos de som, geladeiras etc. Sabidamente, nós também temos o privilégio de vivenciar o avanço tecnológico. E, num processo mais rápido e intenso, vimos quanto o telefone atualmente exerce forte influência em nossa vida.

Com certeza, em sua família ou de algum conhecido que tenha filhos na fase dos 5 aos 9 anos, eles conhecem e manuseiam perfeitamente o celular, o notebook e sabem bem a importância que tem o sinal do Wi-Fi.

Engraçado que até há pouco conseguíamos “controlar” o tempo que as crianças “passavam na internet” simplesmente desconectando o cabo do Wi-Fi. Dizíamos que a internet estava com algum problema e eles acreditavam. E o tal do problema do Wi-Fi sempre se dava no mesmo horário.

Em um diálogo sobre o avanço tecnológico, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, comenta sobre a importância de mantermos o diá­logo saudável.


À medida que a revolução na tecnologia da informação continua a avançar, é natural que o diálogo de pessoa a pessoa, em que acontece uma verdadeira comunicação de vida a vida, seja cada vez mais essencial para a saúde individual e para o desenvolvimento social.1


Devido a pandemia, a rotina de todos nós sofreu diversas altera­ções: alguns pais começaram o famoso home office, além das aulas on-line. Com a rotina de aulas virtuais, por exemplo, houve um aumento considerável do uso da tecnologia. Não que seja um fator ruim, mas cabe a nós, pais, incentivarmos nossos filhos a usar corretamente a tecnologia.


A importância do diálogo

Nosso dia é cheio de tarefas, ainda assim devemos mostrar exemplos de um convívio harmonioso em nosso lar e com nossos filhos. Lemos na Nova Revolução Humana sobre a rotina de Ikeda sensei, mesmo com várias tarefas, e o que ele fazia para estar próximo aos seus filhos.


Mesmo percorrendo todo o país, ele jamais se esqueceu de enviar cartões-postais de cada localidade para seus filhos. Os textos eram simples, muitas vezes apenas informando onde estava e aonde iria no dia seguinte. Porém, jamais enviou um cartão endereçado a todos; sempre fez questão de remeter um postal para cada um de seus filhos.2


Atitudes simples põem em ação a revolução humana individual e familiar. Pequenos gestos continuamente farão surgir verdadeiros frutos em nosso lar, como nosso mestre nos direciona por meio do seu incentivo a seguir:


A questão principal é que tudo é enfim decidido pela fé dos pais. Em particular — e digo isso com base na experiência de centenas de milhares de pessoas — a fé da mãe é crucial. É isso o que significa “consistência do início ao fim”. “Início” significa a fé dos pais e “fim”, a fé dos filhos. Essencialmente, não há separação entre as duas.3


Vamos, juntos, cada vez mais, construir as bases de nossa família com alegria e radiância.


Grupo Coração do Rei Leão




Relato familiar

Ricardo e Lívia Imai - RM Cachoeirinha, Sub. Casa Verde, CNSP


Nossos filhos, Leonardo, de 9 anos, e Yasmin, de 5, ainda são crianças, mas conhecem e manuseiam perfeitamente todas as tecnologias (celular, computador). Dividindo uma situação pessoal e interessante, nas conversas virtuais com os amigos da escola, nossos filhos comentavam que, em determinado horário, o Wi-Fi de casa “dava problema”. E logo um “sabidinho” revelou o segredo para eles. Quando descobriram, demos muitas risadas.

A luz amarela acendeu quando percebemos que eles não conseguiam ficar desconectados nem nos momentos das refeições ou recusavam um convite para um passeio. Observando essa dependência de uso dos gadgets, num momento de sabedoria (iluminação), passamos a incentivar Leonardo a estudar a utilização correta das salas de reuniões virtuais e, com isso, ele começou a se interessar pelo assunto, compartilhando os links para as atividades da comunidade. Em pouco tempo, passou a controlar o ingresso de participantes nas reuniões, abrir e fechar microfones, compartilhar telas, registrar as fotos das reuniões, enfim, fazendo bom uso da internet. Já Yasmin, por sua vez, foi incentivada a fazer desenhos enquanto as atividades estavam em andamento para, ao final, apresentá-los a todos os participantes, que, por sua vez, com muita benevolência, elogiaram seus lindos feitos.

Pode parecer pouco, mas, dessa forma, entendemos que nossos filhos estão mais próximos do mundo real e temporariamente distantes do mundo virtual. Sabidamente, nem tudo são flores, pois, vez ou outra, eles têm recaídas, e, ainda assim, nós os incentivamos a contribuir da melhor maneira.

Em algum momento, ouvimos dizer que “os filhos crescem vendo as costas dos pais” e, então, de alguma forma, precisamos nos esforçar também para dar um bom exemplo para eles.


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Ricardo e Lívia com os filhos Leonardo e Yasmin


Notas

1. Brasil Seikyo, ed. 1.579, 11 nov. 2000, p. A4.

2. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. 2, p. 214.

3. Brasil Seikyo, ed. 1.569, 26 ago. 2000, p. 3.

25-11-2021

Notícias

Clube Virtual de Leitores conclui atividades de 2021

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL


Na quarta-feira, 17 de novembro, foi realizado o último encontro do ano do Clube Virtual de Leitores (CVL) da Coordenadoria Educacional (CEduc) da BSGI. Promovido desde maio deste ano, os participantes vieram se dedicando a não somente ler, mas a refletir sobre o clássico da literatura mundial Cidade Eterna, de autoria do renomado Hall Caine. Essa obra foi uma das indicações de leitura do segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, para seu discípulo, o então jovem Daisaku Ikeda.

O encontro foi marcado por agradecimentos e perspectivas. Um dos participantes reforçou que o Clube Virtual de Leitores se tornou uma “dinâmica mágica”, enquanto outra integrante, já de posse desse livro, relatou ter sido por meio do CVL que se sentiu motivada a lê-lo. Outra comentou ainda que os recursos tecnológicos utilizados nos estudos despertaram nela a curiosidade para aprender sobre como utilizá-los e, assim, poder aplicá-los na organização de base.

“A experiência de ler a mesma obra em conjunto e discuti-la conforme a narrativa se desenvolve é sensacional, pois os leitores descobrem aspectos conjuntamente, trocam impressões e se surpreendem com as diferentes perspectivas apontadas, expandindo o horizonte literário”, destaca Sônia Kato, coordenadora da CEduc da BSGI. A líder nos revela também algumas novidades para 2022: o CVL estudará as obras 1984, de George Orwell, e a primeira parte do volume 30 da Nova Revolução Humana, do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI).

Composto majoritariamente por leitores que já participaram dos encontros da Academia Magia da Leitura (AML), o Clube Virtual de Leitores surgiu com o principal objetivo de proporcionar o convívio, compartilhar experiências e dar continuidade aos incentivos à leitura. Criado no início da pandemia, o clube se adaptou ao formato virtual, sendo disponibilizado um cronograma entre os participantes.


No topo: participantes do Clube Virtual de Leitores “de olho” nas próximas leituras

25-11-2021

Notícias

Sabedoria, coragem e compaixão

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL

Cerca de 2 mil pessoas refletiram sobre a “educação Soka” e a importância da atuação de educadores humanistas numa ação promovida pela Coordenadoria Educacional (CEduc) da BSGI. As atividades estavam programadas para os dias 4 e 5 de dezembro, porém algumas organizações as realizaram antecipadamente. Por todo o Brasil, foram promovidos o Curso de Aprimoramento da Academia Magia da Leitura e a Conferência sobre Práticas Educacionais, ambos no nível de coordenadoria — é a primeira vez que essas programações são produzidas nesse formato. Para isso, os organizadores tiveram como maior desafio vencer questões tecnológicas, e o resultado pode ser medido pelo alcance de público.

O Curso de Aprimoramento da Academia Magia da Leitura foi promovido nos dias 4 e 5, oportunidade em que foi feito um balanço dos resultados do ano e o lançamento dos planos para 2022. Já na Conferência sobre Práticas Educacionais, também realizada nos dias 4 e 5, os organizadores optaram por centralizar-se nos depoimentos sobre os resultados da aplicação da “educação Soka”, ampliando o conhecimento sobre esse tema e aprofundando-se no conceito de educação humanística, a partir da visão do Dr. Daisaku Ikeda, presiden­te da Soka Gakkai Internacional (SGI) e sua abnegada dedicação ao ramo da educação.


Do aprendizado à prática

Na CRE Oeste, Tânia Sakuma, responsável pelo Núcleo de Estudos e Aplicação da Educação Soka (Nupas) da CEduc, ressaltou alguns pontos relacionados à educação humanística como: compreender os “quatro sofrimentos da vida” (nascimento, envelhecimento, doença e morte); cultivar a força física e espiritual; conquistar felicidade; e triunfar sobre todas as adversidades da vida.

Já na Coordenadoria Norte-Sul Paulistana (CNSP), um dos destaques foram os relatos de educadores que mostraram perseverança e firme propósito em sua atuação no trabalho, aplicando o que aprenderam nas atividades da coordenadoria.

Andréia Quintiliano Amaral, mem­bro da Divisão Feminina (DF) do Bloco Jardim Dourados (Distrito Três Lagoas, Sub. Mato Grosso do Sul), compartilhou suas reflexões: “A conferência foi uma ‘abertura de mentes’ e as palavras do Dr. Ikeda nos ajudam a elevar nossa condição de vida. Estou ainda mais orgulhosa da pessoa que estou me tornando com a minha revolução humana. A ‘grande correnteza’ sou eu”.


Objetivos para 2022

Para a coordenadora da CEduc da BSGI, Sônia Kato, o objetivo lançado para 2021 de adequar as ações ao atual momento da sociedade e ao movimento da BSGI de fortalecer as organizações de base foi alcançado. “Realizamos diálogos internos visando ao fortalecimento das equipes e nos aprofundamos nos estudos sobre a “educação Soka”, diá­logos sobre a Proposta de Paz, do Dr. Ikeda, através do olhar da educação e os princípios da CEduc de ‘sabedoria, coragem e compaixão’”, declara a líder.

O que esperar da coordenadoria para 2022? Sônia Kato revela: “Desejamos unir o coração de cada integrante ao coração do presidente Ikeda na construção do ‘Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico’, como protagonistas da ‘educação Soka’ e da criação de pessoas valorosas na organização de base. E que esses indivíduos promovam uma profunda revolução na educação brasileira e contribuam assim para a prosperidade do nosso país, como dignos ‘bodisatvas da terra’ que nasceram nesta nação para conduzir o povo à felicidade”.

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CEduc da BSGI atinge número recorde de participação em atividades realizadas nos dias 4 e 5 de dezembro

16-12-2021

Encontro com o Mestre

Londres — Espírito indomável que resplandece na história

O mundo está empreendendo uma feroz batalha contra a Covid-19. A disseminação do vírus é bastante séria também na Inglaterra. Ikeda sensei visitou por sete vezes esse país e, além de realizar a série de diálogos com o maior historiador do século 20, Dr. Arnold J. Toynbee (1889–1975), veio estabelecendo profundos laços de amizade com as pessoas dessa nação. E mesmo agora, em que a Inglaterra se encontra diante de uma situação crítica nunca antes vista, sensei continua encorajando os companheiros por meio de mensagens e considerações.


DR. DAISAKU IKEDA


Espero ver

as árvores verdejantes

crescendo altivas

sem sucumbir a tempestades

rumo ao grande céu.


Londres fica a 51 graus de latitude norte. A cidade está localizada em uma latitude ainda mais alta do que Hokkaido, Japão.

No inverno, o sol se põe muito cedo e dizem que, no início dessa estação, o pôr do sol pode ser visto antes das 16 horas. A primavera também só chega em maio. Em compensação, ao longo do rigoroso inverno, os raios do sol ofuscam, o verde se revigora e tudo o que possui vida transborda de vivacidade. Não seria uma das estações mais brilhantes e luminosas do mundo?


Os ventos de março

e as chuvas de abril

trazem as

flores de maio.1


E uma das “flores de maio” muito apreciada entre os ingleses é a de hawthorn [família do espinheiro]. É uma flor que representa a Inglaterra e cujo significado é “esperança”.

Suportando as adversidades com alegria e, fazendo até dos ventos e das chuvas de provações um alimento para o vigor de sua alma, aguarda o momento certo, cria o tempo e, por fim, faz desabrochar as flores da “esperança” exalando seu perfume. Na Inglaterra, existem muitos companheiros cheios de disposição e de espírito indomável.


Resposta ao desafio

[Nota do Editor: Quem convidou o presidente Ikeda para conhecer Londres foi o Dr. Arnold J. Toynbee. O diálogo entre ambos ocorreu em maio de 1972 e de 1973, na residência de Toynbee, em Londres. Além de falar a respeito da trajetória de vida do grande historiador e de sua esposa, Veronica, apresenta histórias de vitórias de companheiros que se empenharam nos bastidores para o sucesso desse diálogo. Ele declara que o “coração como sol” das mulheres possui a força de transformar tristezas em esperança.]


Juntos,

partamos agora

para a jornada das

flores desta era.


O Dr. Toynbee, que foi pioneiro e original no desenvolvimento dos horizontes da história da civilização, a começar pela sua grande obra Um Estudo da História, e da discussão a respeito da paz e da fé na humanidade, foi exposto a inúmeras pressões. Ele também perdeu o amado filho num terrível acidente.

Contudo, o Dr. Toynbee, que defende a visão histórica de que o avanço da humanidade reside na “resposta” diante do “desafio” a diversas questões, manteve até o fim a convicção de que ele próprio encontraria sentido mesmo a partir do sofrimento.

Sua esposa o apoiou sempre, com o mesmo coração. Com certeza, deve ser por isso que ele pôde afirmar: “Para alguém que tem uma companheira tão próxima, mesmo o exílio deixa de ser exílio. Qualquer que seja o lugar, onde está o amor da esposa se torna a sua pátria”.2

Numa vida dedicada a abrir novos caminhos, adversidades da mesma grandeza estão à espreita. À medida que nos incentivamos diante de cada uma delas e as superamos, acredito que aprofundam, fortalecem e dignificam o amor e a confiança da família, fazendo desabrochar belas flores da alegria de viver.

Tenho amigos que me apoiaram diariamente com toda a seriedade nos trabalhos do meu diálogo com o Dr. Toynbee. Quando o diálogo do dia se encerrava, ouviam novamente as gravações para transcrevê-las, datilografando o conteúdo. Sem esse árduo trabalho nos bastidores, a coletânea de diálogos entre o Dr. Toynbee e eu jamais seria concluída.

Uma mulher, que também ajudava nesse processo, estava envolvida com uma peça teatral. Ela se esforçava ao máximo para datilografar tudo antes de correr para o teatro onde trabalhava. Ela evidenciou sua força jovem com alegria e coragem fazendo desses dias árduos um tesouro da história de sua juventude.

Posteriormente, ela se tornou diretora de palco do mundo do teatro, posição essa que ainda era dominada pelos homens.

Em uma passagem de um drama de Shakespeare, que honra a Inglaterra, consta: “De agora em diante, vamos suportar qualquer sofrimento, até o sofrimento gritar ‘eu desisto’ e morrer”.3

Como mãe solteira, ela trabalhou arduamente para criar os filhos e também se engajou ativamente a fim de contribuir para o bem-estar da comunidade. Foi uma luta indescritível contra a ansiedade e a insegurança diante de vários problemas, entre eles a dificuldade financeira.

No entanto, ela decidiu em seu coração que não culparia ninguém pelas dificuldades, não reclamaria e teria autoconfiança. Ela transformou tudo em palco para a própria revolução humana. Ela assumiu um alto cargo executivo de uma das escolas de teatro musical mais importantes do país e ainda atua como diretora do departamento de teatro de uma universidade, contribuindo para o desenvolvimento de muitos jovens.

Nada poderia deixar minha esposa e eu mais felizes que o drama de vitória de uma mulher que se empenhou arduamente na luta nos bastidores. Nós dedicamos a ela uma grande salva de palmas com gratidão e respeito.

Já no século 18, Mary Wollstonecraft (1759–1797), pioneira do movimento em defesa dos direitos das mulheres, afirmava que as mulheres eram o sol.4 O “coração como sol” das mulheres, seja no teatro da vida ou no palco do mundo real, está repleto da força que transforma a escuridão em luz, o sofrimento em alegria, a tristeza em esperança e a desunião em harmonia.


De hoje, rumo ao amanhã

[Nota do Editor: Ao final, o presidente Ikeda conclama para que todos tenham uma existência sem arrependimentos munidos de compaixão e de coragem, mencionando a história de Londres, que moveu a história do mundo e veio observando o transcorrer das épocas.]

Historicamente, foi o povo de Londres que acendeu a chama do espírito pela independência e buscou fortemente os direitos dos seres humanos e sua dignidade enquanto superava incontáveis dificuldades como sujeição e grandes incêndios.

Durante a Segunda Guerra Mundial, nunca foram dominados pelo medo, mesmo diante dos ferozes bombardeios nazistas. Assim como o rio Tâmisa, sempre caudaloso e sereno, fluindo calmamente, tanto a cidade como as pessoas de Londres nunca se deixaram derrotar pelas adversidades e seguiram adiante.

O Centro Cultural de Taplow Court, onde conheci muitos dos meus amigos britânicos, era originalmente a residência do Sir Desborough, que se empenhou para o sucesso dos primeiros Jogos Olímpicos de Londres (1908). É um local famoso também por ter sido frequentado por diversas figuras do mundo da cultura.

Um deles, o dramaturgo Oscar Wilde (1854–1900), escreveu: “A vida não pode ser compreendida sem compaixão. Não se pode viver sem uma profunda compaixão”.5

Hoje, mais que ontem, amanhã, mais que hoje, deve agir em prol das pessoas e dos mais novos, passo a passo, a seu modo. As marcas desses esforços é que resplandecerão como uma existência sem arrependimentos.

Por isso mesmo, vamos lutar “agora” e viver ao máximo “hoje”, com ardente coragem e compaixão no coração!

Os céus bradam:

não seja derrotado

em sua jornada!


47

Jardins do Centro Cultural de Taplow Court da SGI-Inglaterra, local muito apreciado pelos cidadãos da comunidade para o lazer (foto tirada pelo presidente Ikeda, maio 1989)


48

Rio Tâmisa, que corre sereno por Londres, e o Palácio de Westminster, onde fica o Parlamento do Reino Unido (foto tirada pelo presidente Ikeda, maio 1989)

No topo: presidente Ikeda dialoga com o maior historiador do século 20, Dr. Arnold J. Toynbee (segundo à esq.). Eles são acompanhados pela Sra. Veronica (canto direito) e pela Sra. Kaneko (residência do Dr. Toynbee, em Londres, maio 1972)


Publicado no Seikyo Shimbun do dia 27 de abril de 2020.


Notas:

1. Uma passagem de Mother Goose é Mother Goose 3. Tradução: Shuji Terayama. Shinshokan.

2. Palavras de Toynbee. In: Toynbee History and Dialogue with Contemporary / Future GR Urban. Tradução: Kosaku Yamaguchi. Social Thought. A Study of History. v. 14. MATSUNAGA, Yasuzaemon (superv.). Tradução: Muraji Shimojima e outros.

3. Publicação A Study of History; Shakespeare. In: Shakespeare Complete Works II. Tradução: Yushi Odashima. Hakusuisha.

4. WOLLSTONECRAFT, Mary. A Vindication of the Rights of Women. Tradução: Takako Shirai Miraish.

5. WILD, Oscar. Oscar Wild Complete Works III. Tradução: Koji Nishimura. Seidosha.

16-12-2021

Colunista

Sociedade conjugal e regime de bens

Em seu livro Kaneko, Seu Sorriso, sua Felicidade,1 a Sra. Kaneko Ikeda relata que, na cerimônia do seu casamento com o então jovem Daisaku Ikeda, em 3 de maio de 1952, o segundo presidente da Soka Gakkai, professor Josei Toda, fez duas solicitações, sendo uma delas que ela mantivesse rigorosamente um caderno com anotações do orçamento familiar.

O casamento constitui entre o casal o vínculo conjugal, a família e gera a sociedade conjugal. Um dos efeitos jurídicos do matrimônio é de natureza patrimonial.

Nesse sentido, o regime de bens é que estabelece o conjunto de regras patrimoniais dessa sociedade. Vejamos, muito resumidamente, cada um desses regimes e seus efeitos:

a) Comunhão universal de bens. Os bens adquiridos anteriormente e os adquiridos na constância do casamento, por um ou outro cônjuge, bem como as dívidas, tornam-se dos dois, na base de metade para cada um. Alguns bens não se comunicam, por exemplo, os recebidos por doação ou testamento, apenas em nome de um dos cônjuges, se houver previsão de cláusula de incomunicabilidade em relação ao outro cônjuge.

b) Comunhão parcial de bens. Nele, não se comunicam os bens de cada cônjuge adquiridos antes do casamento. Comunicam-se os bens adquiridos na constância do casamento; mas nem todos. Por exemplo, os adquiridos por doação exclusivamente feita em favor de um dos cônjuges ou por herança não se comunicam.

c) Separação de bens. Os bens anteriores e os havidos durante o casamento não se comunicam com o outro cônjuge. O rigor dessa regra poderá ser flexibilizado pelo juiz, em relação aos bens adquiridos na constância do casamento.

d) Participação final nos aquestos. Trata-se de um regime que não caiu no gosto dos brasileiros. Cada cônjuge possui patrimônio próprio, e os administra e os aliena livremente durante o casamento. Extinguindo o casamento, pelo divórcio ou por morte, a partilha é feita com regras semelhantes às do regime da comunhão parcial.

Desde 1977, o regime legal de bens é o da comunhão parcial, e é nele que de regra se casam os nubentes; porém, o casal tem liberdade para escolher outro. Mas, para isso, terá de realizar previamente o “pacto antenupcial”, por escritura pública, indicando a opção.

Essa liberdade de escolha, contudo, não é absoluta. Se um ou ambos os cônjuges tiverem menos de 16 anos ou, mesmo tendo 16 anos (e menos de 18 anos), não contarem com consentimento dos pais, esse casamento obrigatoriamente será realizado sob o regime da separação de bens. O mesmo ocorrerá se um dos contraentes ou ambos tiverem mais de 70 anos.

Na união estável, havendo documento escrito entre os companheiros, poderão escolher o regime de maior agrado, entre os já mencionados. Não havendo contrato ou escritura, o regime aplicado será o da comunhão parcial de bens.

Na separação, no divórcio, ou vindo a falecer um dos cônjuges, a partilha será feita de acordo com as regras do regime de bens respectivo.

No caso de falecimento, o cônjuge sobrevivente recolhe a sua parte do patrimônio, de acordo com o regime. Já a parte do cônjuge falecido é levado a inventário, e será destinado aos seus herdeiros legítimos (descendentes, ascendentes, cônjuge e colaterais) e testamentários. O regime de bens também poderá definir se o cônjuge, além de recolher a sua parte, herdará ou não parte dos bens deixados pelo falecido, concorrendo com os descendentes dele.

Enquanto o Código Civil anterior priorizava o aspecto patrimonial do direito de família, o atual Código tem por foco o afeto a reger esse ramo do direito. Mesmo assim, a questão patrimonial é uma parte importante da sociedade conjugal.

Josei Toda orientava:


Um lar sem disciplina e sem controle das finanças é infeliz; jamais prosperará. Uma família que se preocupa com a estabilidade econômica valorizará a vida e pode desfrutar segurança e saúde. Por essa razão, é importante controlar minuciosamente os gastos diários em um caderno.2

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Notas:

1. IKEDA, Kaneko. Kaneko, Seu Sorriso, sua Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2006.

2. Brasil Seikyo, ed. 1.688, 15 nov. 2003, p. A3.

13-1-2022

Especial

Alvorecer da paz para a humanidade

REDAÇÃO

Em busca de concretizar os sonhos do seu mestre, Josei Toda, no ano de 1974, Daisaku Ikeda se esforçava para visitar vários países envolvidos diretamente na Guerra Fria. Seu objetivo era dialogar com os líderes e criar uma corrente de paz.

Em meio a esses esforços, em 26 de janeiro de 1975, no Centro do Comércio Internacional, na ilha de Guam, 158 representantes de 51 países participaram da fundação da Soka Gakkai Internacional (SGI). Ikeda sensei, então com 47 anos, assumia como presidente da organização.

Nesse dia, foi realizada a Primeira Conferência para a Paz Mundial, e a finalidade daquela fundação era a contribuição da organização para uma sociedade baseada no movimento pela paz, cultura e educação.

Ao chegar ao local da conferência, o presidente da SGI subiu até o salão no nono andar para assinar o livro de registros dos participantes. Na primeira página ele escreveu seu nome e na coluna do país de origem colocou “O Mundo”.

A ilha de Guam foi escolhida para assinalar o primeiro passo em direção à paz da humanidade por haver sido palco de sangrentas batalhas entre tropas nipônicas e norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial. Logo depois do ataque a Pearl Harbor, no Havaí, tropas japonesas ocuparam Guam, dando início, no fim de julho de 1944, a uma violenta batalha de três semanas, após a qual as forças norte-americanas recuperaram a ilha. Cerca de 1.400 soldados americanos perderam a vida, e os japoneses, vinte mil. Os habitantes de Guam suportaram terríveis sofrimentos e muitos cidadãos também morreram.

Na época da fundação da SGI, o mundo vivia a tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética, e à Guerra Fria se somavam as conflitantes relações entre os líderes chineses e soviéticos. A hostilidade entre os países era grande e o risco de uma Terceira Guerra Mundial se fazia presente. Se a guerra acontecesse, seria o fim da humanidade pelas armas nucleares.


Conferência pela paz

Durante a solenidade, foi aprovada o Manifesto pela Paz. Em seu documento, diz: “A vida é um direito inalienável de todo ser humano, independentemente da etnia, nacionalidade, idioma ou costume. Como budistas que almejam sinceramente restaurar esse direito a todas as pessoas do mundo de hoje e ampliá-la, estamos decididos a efetuar com afinco as seguintes atividades, com o intuito de assegurar a paz perene para a humanidade”.1 O manifesto apresenta três pontos embasados na valorização do ser humano. A carta termina com os seguintes dizeres: “Por termos suportado os horrores de duas guerras mundiais neste século, devemos compreender que nossa maior responsabilidade em relação às gerações futuras é fazer do século 21 que se aproxima o “século da vida”, a era dourada do humanismo, na qual as pessoas valorizem a dignidade da vida.”2

No discurso de fundação, o presidente Ikeda declarou: “O sol do Budismo Nichiren começou a despontar no horizonte. Em vez de buscarem aclamação ou glória pessoal, espero que dediquem sua nobre vida a plantar as sementes da paz da Lei Mística no mundo. Farei o mesmo”.3 E ainda salientou: “Talvez se possa dizer que se trata de uma pequena conferência, uma reunião de pessoas anônimas de vários países e territórios. Entretanto, acredito que o encontro de hoje resplandecerá intensamente na história por séculos no futuro, e o nome de vocês, sem dúvida, ficará gravado não apenas na saga da propagação mundial do budismo, mas também na história da humanidade”.4

A fundação da SGI marcou um avanço fundamental na expansão do movimento pelo kosen-rufu em todo o mundo, fazendo com que o Budismo de Nichiren Daishonin, anteriormente conhecido como uma “religião japonesa”, se tornasse real­mente uma religião mundial, sem fronteiras ou nacionalidade. Com sua fundação, as organizações no mundo inteiro realizaram, de maneira mais efetiva, atividades voltadas para a paz, cultura e educação em sua respectiva sociedade. Em meio a tudo isso, Daisaku Ikeda empenhou-se pela paz, visitando e dialogando com líderes de diversas áreas e de vários países.

Em 1981, a SGI foi oficializada como organização não governamental (ONG), filiada à Organização das Nações Unidas (ONU). E engajou-se em uma série de ações, dentre elas a fundação de universidades, centros culturais e museus e a realização de intercâmbios.

O Budismo de Nichiren Dai­shonin se expandiu para 192 países e territórios, nos quais os integrantes da SGI em sua respectiva localidade têm herdado o bastão de mestre e discípulo e se empenhado na divulgação dos ideais humanísticos e pacíficos do líder da organização, Daisaku Ikeda, como ele tem feito dia após dia durante todos esses anos, incansavelmente, para tornar realidade o sonho do seu mestre, Josei Toda.

Todo dia 26 de janeiro de cada ano, desde 1983, além de promover a cultura e o diálogo, o presiden­te Ikeda se dedica a escrever e apresentar propostas de paz à ONU. O objetivo é conceder uma estrutura que visa ao humanismo e ao respeito à dignidade da vida. Assim, essas propostas de paz têm servido para gerar forte diálogo humanístico sobre importantes temas globais entre as pessoas do mundo todo.


De Guam para o mundo

Desde a Primeira Conferência para a Paz Mundial da SGI, em 26 de janeiro de 1975, um encontro que marcou a fundação da SGI, seus membros (hoje mais de 12 milhões) se esforçam para tornar realidade os ideais humanísticos.

O líder da SGI afirma:


Encontramos nossa inspiração da fé inabalável que os presidentes [Tsunesaburo] Makiguchi e Josei Toda depositaram na força da educação para unir os homens em sua bondade, certos de que este é o caminho correto e infalível para a eterna vitória da humanidade.5


A Soka Gakkai Internacional atua em várias frentes para ajudar a solucionar diversas questões ao redor do mundo. Seu enfoque está voltado para a transformação de cada indivíduo, ou seja, a revolução humana de cada pessoa, e para um planeta melhor.

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em 192 países e territórios, membros da SGI se empenham para criar os alicerces da paz em sua localidade. Acima, participantes de um curso de aprimoramento no Japão


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reunião de palestra, uma das principais atividades da organização

No topo: presidente Ikeda discursa durante a cerimônia de fundação da Soka Gakkai Internacional, lançando as bases da organização mundial


Leia mais
na seção Rede da Felicidade nesta edição.


Fontes:

Brasil Seikyo, ed. 2.355, 21 jan. 2017, p. A8.

Brasil Seikyo, ed. 2.403, 20 jan. 2018, p. A6.


Notas:

IKEDA, Daisaku. SGI. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 21, p. 30.

2. Ibidem, p. 32.

3. Ibidem, p. 38.

4. Ibidem, p. 36.

5. Terceira Civilização, ed. 441, maio 2005, p. 28.

13-1-2022

Especial

Soka é criação de valor

REDAÇÃO

Todos nós temos nossas lembranças do frio que sentimos na barriga no primeiro dia de aula, do esforço para compreender uma matéria, das aulas de educa­ção física; enfim, ao sermos questionados sobre o ambiente escolar, teremos uma infinidade de memórias, lembranças que fazem parte da nossa vida e nos moldam como pessoas.

O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, inicia o prefácio do livro Educação Soka — Por uma Revolução na Educação Embasada na Dignidade da Vida falando sobre o propósito da educação e seu objetivo. Ele comenta:


Qual é o propósito fundamental da educação? Tsunesaburo Makiguchi, pai da educação Soka — educação para a criação de valor —, afirmou que é a felicidade do aluno.1 (...) A educação é minha missão como sucessor dos ideais de Makiguchi e Toda. Além disso, acredito que a paz e a prosperidade da humanidade nos séculos vindouros só poderão ser construídas sobre a base da educação.2


Herdando o espírito do primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, e do segundo presidente, Josei Toda, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, expandiu o amplo caminho da educação humanística Soka para o mundo. No Brasil, a Escola Soka foi inaugurada em São Paulo em 2001, oferecendo inicialmente apenas educação infantil. Posteriormente, abriu o ensino fundamental anos iniciais e o ensino fundamental anos finais e, dessa forma, veio se desenvolvendo como uma escola de educação continuada. Hoje, o Colégio Soka possui turmas do ensino médio e o programa International Baccalaureate (IB), qualificação educacional reconhecida internacionalmente que prepara os estudantes para o ingresso nas melhores universidades do mundo.

Com amplo desenvolvimento, no último dia 19 de janeiro, comemoraram-se os cinco anos de inauguração do edifício-sede do Colégio Soka do Brasil, localizado em São Paulo.

Para a ocasião, o presidente Ikeda enviou uma mensagem, na qual ele destaca:


Tenho absoluta convicção de que a partir desta sede da educação humanística, meus extraordinários cidadãos do mundo que amo incondicionalmente, alçarão voo rumo ao grandioso palco do Brasil e, mais além, de toda a sociedade planetária.3


Ações para o futuro

Em outro trecho da mensagem, Ikeda sensei salienta a importância dos estudantes, afirmando:


Um dos provérbios populares brasileiros de que mais gosto é “enquanto há vida, há esperança”. E com base nele, quero declarar: “Os estudantes Soka são a minha vida. Enquanto eles se desenvolverem, a esperança da humanidade será infinita”.4


Nesses cinco anos, o Colégio Soka alçou voos internacionais como os intercâmbios realizados na Universidade Soka da América, o Study Tour, que acontece desde 2015, onde os alunos viveram momentos únicos. Devido ao isolamento social, todos os intercâmbios, nos últimos anos, foram promovidos de forma virtual.

Quais são os próximos passos do Colégio Soka? Rita Kojima, diretora da instituição, compartilha: “Soka é a força para criar um grandioso valor tornando os sonhos realidade, assim direcionou nosso fundador. Portanto, nossa caminhada é longa e recheada de grandes objetivos. Buscaremos cumprir as diretrizes de ensino da Base Nacional Comum Curricular, fortalecendo também o ensino internacional em todos os segmentos da escola. Seguiremos com os intercâmbios entre os Colégios e Universidades Soka ao redor do globo e demais instituições estrangeiras, para consolidar inúmeros cidadãos globais, nossos preciosos protagonistas do amanhã. Baseados nas diretrizes contidas na mensagem do fundador, Dr. Daisaku Ikeda, em comemoração dos 20 anos do Colégio Soka, ‘Como próxima meta o 30º aniversário de fundação, em 2031, vamos, enfim, irradiar um novo brilho da educação e da criação de valor, a partir do honroso Colégio Soka, para nossa amada terra brasileira e para o mundo!’, rumo ao futuro, o Colégio Soka do Brasil continuará promovendo uma educação humanística que desperte o potencial de criação de valores de cada indivíduo, dando continuidade à construção de uma brilhante jornada de avanços. Com a consciência de que a educação é a base para o desenvolvimento da humanidade, o fundamento da paz e da felicidade, este legado Soka será transmitido para todas as gerações futuras!”.

A base da educação humanística Soka está alicerçada no ensino de respeito e dignidade da vida, assim como a missão do colégio:

Torne-se cidadão de Bom Senso, com um sólido caráter para a consolidação de uma sociedade justa e humana.

Torne-se cidadão de Esperança, despertando em si e no outro o desejo pela paz, fortalecendo laços de amizade sem fronteiras.

Torne-se cidadão de Sabedoria, para o desenvolvimento e a sustentabilidade da comunidade local e internacional.


Vitórias conquistadas pelo Colégio Soka

Na ocasião da inauguração [19 de janeiro de 2017], o Colégio Soka incluiu o ensino médio internacional, preparando-se para receber alunos de todo o Brasil com a implantação do Programa Homestay. Em 2018, foi oficializado como uma escola internacional pelo IB e também se tornou associado à Unesco.



Depoimentos

Raio de esperança
Antes de estudar no Colégio Soka, passei por uma situação traumática no meu antigo colégio, que me fez temer o contato externo, isolar-me de tudo e de todos e até duvidar de que conseguiria voltar a estudar e me relacionar com as pessoas. Ao estudar no colégio, senti-me verdadeiramente abraçada pela educação Soka, e pelos alunos e funcionários da instituição. A cada dia no Soka, tive a chance de crescer e de me fortalecer, superar meus temores, voltar a me relacionar de maneira saudável com professores e colegas.

Quanto ao que aprendi como aluna Soka, hoje não sou a mesma garota que uma vez entrou no colégio, cujos medos amea­çavam os sonhos, pois aprendi a ser eu mesma sem nenhum receio. Agora, preparo-me para estudar na Inglaterra, uma das minhas maiores metas. Quero estudar astrofísica e trabalhar na área de pesquisa científica, contribuindo para uma era de inovação e de criação baseada na ciência.


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Larissa Ramos Rocha, 19 anos, formanda do ensino médio



Eterna gratidão
O Colégio Soka do Brasil representa minha própria vida, sempre digo que sinto uma alegria tão grande de ir ao colégio todos dias, que não considero como um trabalho ou uma obrigação, e sim um sonho conquistado com muita determinação e convicção. Lembro-me de que, quando fui cursar pedagogia, todos os dias dizia a mim mesma: “Estou estudando e me aprimorando para atuar no Colégio Soka”. Esse sempre foi meu desejo, para representar e pôr em prática os objetivos do fundador, Dr. Daisaku Ikeda. Com o lema “Ser feliz enquanto estuda”, sou feliz enquanto exerço minha missão de educadora Soka e procuro tornar os dias dos alunos felizes, divertidos, sempre despertando os valores de cada um na singularidade e acreditando em um futuro melhor.


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Valéria Gomes Pires Januário, professora de educação infantil



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fachada da instituição (São Paulo, 19 jan. 2017)

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Promovendo intercâmbios culturais, 34 alunos do quinto ano do ensino fundamental anos iniciais do Colégio Soka do Brasil e Thurgood Marshall Academy Lower School (TMALS) da cidade de Nova York se reuniram virtualmente para um diálogo e intercâmbio cultural (15 abr. 2021)

No topo: alunos do Colégio Soka do Brasil em apresentação no dia da inauguração do prédio



Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Educação Soka — Por uma Revolução na Educação Embasada na Dignidade da Vida. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2017. p. 11.

2. Ibidem, p. 14.

3. Brasil Seikyo, ed. 2.356, 28 jan. 2017, p. A7.

4. Idem, ed. 2.356, 28 jan. 2017, p. A7.

20-1-2022

Grupo Coração do Rei Leão

“Ser o exemplo”

“Quando eu crescer, quero ser igual a você.” Quem em algum momento não ouviu essa frase, na maioria das vezes dita por uma criança, nosso filho ou não, que, por algum motivo, nos admira e projeta seu futuro naquilo que vê?

Sabemos que a primeira referência para as crianças são os pais, por isso não é incomum que os copiem em atitudes e até mesmo em hábitos do dia a dia. Elas observam com olhares atentos a expressão da mãe, do pai e dos demais integrantes da família.

Por essa razão, o famoso “ser o exemplo” se faz necessário e muito importante, principalmente quando se fala em convívio familiar. Talvez isso possa nos deixar muito preocupados, mas a questão é “Que pessoa estou sendo ou que conduta estou tendo para que meu filho sinta o desejo de se inspirar em quem eu sou?”.

Precisamos ensinar aos nossos filhos a importância da prática da fé. E, mais que falar, comprovar na vida os resultados dessa prática é essencial para que eles observem e se sintam incentivados a acompanhar a fé exercida no lar.

Realizar a prática assídua é necessário. Fazer gongyo e daimoku diariamente, estudar o budismo e pôr em prática as preciosas orientações de Ikeda sensei são atitudes necessárias e cruciais para um bom início de ensinamento de valores que nortearão a vida daqueles que mais amamos.

É fundamental que tenhamos consciência do nosso valor e o que queremos ensinar, contribuir e ajudar a fortalecer esses seres humanos para que possam fazer o mesmo por outras pessoas.

A relação que criamos com nossos filhos nos mantém ligados para sempre, e o ideal é que ocorra uma troca positiva, na qual os bons gestos prevaleçam e os resultados sejam cultivados a partir desses exemplos.

Para que isso se torne realidade, observemos as atitudes que estamos tendo em relação à vida. Qual a nossa conduta diante das dificuldades, dos desafios, das atitudes escolhidas e do modo de vida que escolhemos.

Ikeda sensei ensina:


Descobrir, desenvolver e lapidar os “valores humanos” é o foco das atividades promovidas pela Soka Gakkai Internacional (SGI). Sem esses esforços, não há como concretizar o objetivo maior — a paz mundial. Se a humanidade almeja um futuro brilhante, deve, como primeiro passo, cuidar, com carinho e atenção, das crianças.1


Ao longo dos anos, aprendemos com Ikeda sensei a importância de evidenciar uma vida que cultive o desejo de criar pessoas valorosas capazes de mudar o destino da humanidade. Assim, é imprescindível que entendamos que esse ideal se inicia no lar, na família, preservando suas diferenças, mas, acima de tudo, que nos respeitemos.

A realidade de inúmeras famílias é de extremo sofrimento, contudo, a prática da fé o remove e faz surgir a esperança. Daí a importância de os membros da família serem indivíduos proativos e que tenham um objetivo grandioso. O ideal do kosen-rufu é a concretização de famílias decididas a vencer seus dramas e que sejam, de fato, felizes e busquem fazer com que mais e mais pessoas também sejam.

O presidente Ikeda afirma:


A capacidade de “criar valores humanos” não depende do tempo de prática. A paixão de uma pessoa pelo ideal do kosen-rufu é o que move o coração de outras e é a partir disso que se inicia a “criação de valores humanos”.2


Nos últimos meses, vivemos uma situação de distanciamento social jamais imaginada. Famílias inteiras nessa condição. Mas com que olhar observamos esse panorama?

Para aquela pessoa que compreende tudo como uma preciosa oportunidade, seu olhar e seu sentimento se traduzem em “Que maravilha! Poderemos conversar mais; fazermos as refeições juntos; recitarmos gongyo e daimoku em família; estudarmos o budismo e nos aprimorar na fé. Essa é a real conduta de quem quer harmonia em seu lar e, consequentemente, na sociedade, pois, por meio de seu exemplo, comprova que há, sim, como mudar o que estamos vivendo, e assim tudo se torna uma grandiosa oportunidade para transformar seja o que for.

Sejamos, então, o exemplo!


Grupo Coração do Rei Leão da BSGI


Notas:

1. Terceira Civilização, ed. 480, ago. 2008, p. 24.

2. Idem, ed. 531, nov. 2012, p. 14.

3-2-2022

Notícias

Por mais esperança e mais ações

REDAÇÃO

Com o objetivo de acelerar o desenvolvimento do setor empresarial amazonense por meio de parcerias, porém, de maneira sustentável, foi lançado no dia 17 de fevereiro o HUB ODS Amazonas. O programa é resultado da união entre o Instituto Soka Amazônia (ISA) e a Rede Brasil do Pacto Global, idealizadora do projeto. Os HUB ODS são pensados como uma importante frente regional para potencializar os impactos positivos das empresas, para que elas se engajem e atuem dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Estiveram presentes ao evento Akira Sato, presidente do Instituto Soka Amazônia; Carlo Pereira e Helen Pedroso, respectivamente, diretor-executivo e diretora de relações institucionais da Rede Brasil do Pacto Global; e Thiago Terada, diretor-presidente de Águas de Manaus (AM) e Águas do São Francisco (PA). O Dr. Phelippe Daou Júnior, CEO da Rede Amazônica, participou enviando seus comentários em vídeo.

Sementes da Esperança e Ação

Durante a apresentação do HUB ODS Amazonas, foi lançada a exposição virtual e interativa Sementes da Esperança e Ação: Transformando os ODS em realidade. Criada pela Soka Gakkai Internacional (SGI) e pela Carta da Terra Internacional, com apoio do Instituto Soka Amazônia, que liderou o desenvolvimento da versão virtual em português, a mostra tem como propósito promover a meta 4.7 dos ODS, que relaciona educação e sustentabilidade a aspectos como direitos humanos e igualdade de gênero.

A nova versão foi exposta fisicamente na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas 2021 (COP 26) e explica sobre cinco pontos: inspirar, aprender, refletir, empoderar e agir/liderar. A versão virtual, pensada pelo ISA, traz algumas novidades, entre elas a interatividade. Além de compartilhar em suas redes sociais, ao “transitar” pela exposição virtual, o público acumulará pontos e, ao final, esses visitantes serão certificados como embaixadores Sementes da Esperança e Ação. Para conferir a exibição, basta acessar ao site oficial do ISA (institutosoka-amazonia.org.br). Veja mais detalhes sobre ela na próxima edição do BS.

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No topo: representantes de instituições parceiras participam do lançamento do HUB ODS Amazonas, ocasião em que é apresentada a exposição virtual Sementes da Esperança e Ação

17-2-2022

Notícias

Sementes da Esperança e Ação

REDAÇÃO

No dia 17 de fevereiro, como parte do lançamento do projeto HUB ODS Amazonas, foi aberta a exposição virtual Sementes da Esperança e Ação, Transformando os ODS em Realidade. Criada pela Soka Gakkai Internacional (SGI), em parceria com a organização Carta da Terra Internacional, a iniciativa teve o apoio do Instituto Soka Amazônia (ISA), que desenvolveu a versão virtual brasileira.

Entre seus propósitos fundamentais, a mostra se propõe a promover a meta 4.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), relacionada a aspectos entre os quais estão direitos humanos e igualdade de gênero. A primeira versão dessa exibição, Sementes da Esperança — Visões de Sustentabilidade, Passos rumo às Mudanças”, foi realizada por todo o país e vista por mais de 200 mil pessoas.

Dividida em cinco eixos temáticos (1. Inspirar, 2. Aprender, 3. Refletir, 4. Empoderar e 5. Agir e liderar) a exposição virtual Sementes da Esperança e Ação traz conteúdos em forma de imagens, textos, áudios e vídeos. Seu caráter interativo permite que, durante o “tour vir­tual”, ao explorar o conteúdo extra disponível, o “visitante” acumule pontos e, ao final, se torne embaixador Sementes da Esperança e Ação. Isso possibilita a criação de multiplicadores de ideias sustentáveis preconizadas por ativistas e especialistas ambientais, aliadas ao pensamento de ícones da humanidade. E, como parte do conteúdo, constam depoimentos de personalidades ligadas ao tema. Entre elas estão Nyuon Susan Sebit William, advogada dos direitos humanos no Sudão do Sul (norte da África); e Jomber Chota Inuma, educador peruano, especialista em reflorestamento de terras indígenas do Brasil, voluntário do Instituto Soka Amazônia. É possível, ainda nesse trecho, conhecer mais sobre as ações do ISA. Permeiam ainda a exposição textos de Rabindranath Tagore, poeta, romancista, músico e dramaturgo indiano, e Tsunesaburo Makiguchi, educador japonês criador do sistema pedagógico da criação de valor.

Apresentada em versão física na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021 (COP-26), tem como base as ideias defendidas pelo Dr. Daisaku Ikeda, presidente da SGI e fundador do ISA, como forma de inspirar as pessoas comuns para o nobre propósito da coexistência harmônica.

A exposição Sementes da Esperança e Ação, Transformando os ODS em Realidade pode ser acessada por meio do site oficial (https://sementesdaesperancaeacao.com.br/) ou através do site do Instituto Soka Amazônia (https://institutosoka-amazonia.org.br/).

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Algumas das telas que compõem a exposição virtual e interativa Sementes da Esperança e Ação

24-2-2022

Matéria do Grupo Coração do Rei Leão

Crianças aprendem o valor do dinheiro com o exemplo dos pais

Um dos principais objetivos da educação financeira para crianças é fazer com que elas entendam que, como já diziam nossos pais e avós, “dinheiro não dá em árvore”. Isso significa que devemos lhes ensinar que os recursos são escassos e devem ser gerenciados.

Educar-se financeiramente parece muito simples, basta saber ganhar, planejar e gastar. Mas muitas famílias enfrentam dificuldades quando o assunto é a forma de se relacionar com o dinheiro. Pais que se esforçam para planejar e ter o controle do orçamento tendem a influenciar positivamente os filhos, que levam esse exemplo para a vida adulta. Por outro lado, famílias que tratam o dinheiro como problema e brigam por conta das finanças podem influenciar negativamente a visão das crianças.

Segundo pesquisa mais recente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil em parceria com a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CDNL), 48% dos casais brasileiros brigam por causa das finanças. Na mesma linha, um estudo da empresa Slater & Gordon no Reino Unido feito com mais de 2 mil adultos descobriu que as preocupações com o dinheiro são o principal motivo de divórcio no país.

Ensinar os filhos a lidar com as finanças é uma atitude fundamental para que a noção de economia e a disciplina sejam assimiladas desde cedo, assim como a importância de não desperdiçar e cuidar do dinheiro. Planejar-se financeiramente é uma lição que pode e deve ser aprendida em casa. Conforme especialistas, controlar gastos e aprender a se planejar financeiramente é algo que deve saber desde os primeiros anos de vida e no ambiente familiar. Educação financeira é um desafio e requer o esforço de todos os envolvidos.

Listamos oito dicas de como introduzir a educação financeira no dia a dia da criança:

1. Explique como se usa o dinheiro

Ensinar para as crianças que muitas coisas custam dinheiro é o primeiro passo da educação financeira. Uma dica é apresentar, aos pouquinhos, o valor das coisas, de forma bem direta e fácil. Por exemplo, no supermercado, mostre uma nota de R$ 10,00 para as crianças. Então, ensine-as que é possível comprar alguns itens com esse valor. Também é importante enfatizar o que não se pode comprar com essa mesma quantia. A ideia é que a criança entenda, gradualmente, que as coisas que consumimos e compramos têm um custo. A partir daí, é possível introduzir conceitos como “caro” e “barato”.

2. Ensine de onde vem o dinheiro

Para as crianças pequenas, a fonte do dinheiro pode ser bastante utópica. Aliás, é bem comum os pequenos acreditarem que o cartão de crédito seja uma fonte infinita de dinheiro. No entanto, é essencial que os pais expliquem que eles ganham dinheiro por meio do trabalho e só assim conseguem comprar as coisas de casa. Além disso, devem ensinar sobre o valor do trabalho e das nossas responsabilidades.

3. Mostre que usar o dinheiro exige escolhas

Um dos pontos principais para que as crianças entendam mais sobre o dinheiro é compreender que são necessárias concessões. Ou seja, certa quantia permite apenas determinada compra. Portanto, se a criança deseja adquirir um doce, terá de escolher entre o sorvete e a barra de chocolate, por exemplo. Agora, se ele ou ela quiser um brinquedo, precisará juntar dada quantia. E, nesse momento, entra também o conceito de “poupança”. Assim, aos poucos, apresente as opções para que as crianças façam as próprias escolhas. E ainda, ensine-as a fazer planos para conseguir comprar as coisas que desejam.

4. Cofrinho ajuda!

Para incentivar as crianças a juntar moedas e poupar dinheiro, é uma ótima ideia usar um potinho ou um cofrinho. Melhor ainda se esse objeto for transparente, pois os pequenos podem ver o dinheiro se acumulando. Em seguida, incentive seu pequeno a estabelecer objetivos para aquela quantia. Dessa maneira, a criança pode guardar dinheiro para comprar um brinquedo ou realizar um passeio, por exemplo. Então, quando o objetivo for atingido, comemore o esforço. Juntar não é fácil, ainda mais para crianças pequenas, que ainda estão desenvolvendo a noção de tempo. Vale ressaltar todo o empenho!

5. E as mesadas?

As mesadas podem ser uma boa oportunidade para que as crianças maiores aprendam a juntar dinheiro e a gastá-lo com responsabilidade. Contudo, é importante definir um valor que seja condizente com a idade. Alguns profissionais recomendam a mesada apenas a partir dos 6 ou 7 anos, quando o pequeno ou pequena já possuem uma boa noção dos números e está iniciando o estudo de matemática na escola. No entanto, crianças menores podem ter alguma renda. Novamente, o ideal é definir um valor de acordo com a idade.

6. Ensine seus filhos a doar

Com a responsabilidade financeira vem também a responsabilidade social. Ensinar seu filho ou filha a doar certa quantia é bastante importante para que desenvolva a consciência social, a empatia e também para que aprenda a dividir. Além disso, a doação pode acontecer por meio do dinheiro ou não. Afinal, uma possibilidade é doar brinquedos, roupas e livros. De qualquer forma, toda doação auxilia também a educação financeira.

7. Cumpra o combinado

Por vezes, pode ser difícil ver seu filho ou filha chorando por querer um presente ou um doce. Porém, é fundamental cumprir o combinado. Explique, de forma gentil e firme, que o dinheiro exige escolhas. Pode parecer duro, mas é realmente importante que seu filho ou filha siga o combinado. E mais: entenda que, principalmente o dinheiro, não é infinito.

8. Inclua as crianças em alguma decisão financeira

Sabemos que é possível incluir as crianças no cotidiano da casa, pela divisão de tarefas domésticas, por exemplo. E que tal fazer o mesmo nas decisões financeiras da família? Inclua as crianças nas idas ao mercado, peça a opinião delas na hora de escolher um passeio ou até a assinatura de um produto. O importante é incluir os pequenos e pequenas nas decisões, explicando como funciona o orçamento familiar. Dividir as responsabilidades é uma maneira de as crianças se sentirem parte atuante da família. E não se esqueça de abrir espaço para perguntas.

Assim, como nosso mestre orienta:

Já que temos de viver, vamos viver alegremente com todas as pessoas. Vamos viver felizes com os pais e em harmonia com os irmãos. (...) A vida real pode ser muito difícil, mas cada um deve agir como um excelente protagonista da própria vida. Construam uma vida maravilhosa por meio de seu coração e de sua atuação.1

Vamos, juntos, fortalecer os protagonistas do século 21 com coragem, alegria e respeito.

Forte abraço!

Grupo Coração do Rei Leão da BSGI

Nota:

1. Brasil Seikyo, ed. 1.942, 7 jun. 2008, p. A2.

3-3-2022

Colunista

Rescisão consensual do contrato de trabalho

Um fim consensual para uma relação trabalhista, eis uma das grandes novidades e benesses trazidas pela reforma trabalhista, que ocorreu em 2017. Pois bem, atual­men­­te, tanto empregado como empregador podem, em comum acordo, rescindir o contrato de trabalho, cada uma das partes assumindo parcialmente o ônus das verbas rescisórias.

Antigamente, era tudo ou nada: ou o empregado pedia demissão e perdia quase todas as verbas indenizatórias ou a empresa dispensava o empregado e teria de pagar as verbas rescisórias completas para ele. Isto é, sempre o fim da relação de emprego era muito oneroso para uma das partes do pacto.

No caso de pedido de demissão, o empregado tem direito apenas ao recebimento dos dias trabalhados, férias vencidas e proporcionais, com o acréscimo do terço legal e décimo terceiro proporcional ou integral, além de ter de pagar o aviso prévio ao empregador. Na hipótese de o empre­gador dispensar o empregado, a empresa precisa pagar ao trabalhador saldo de salário, aviso prévio, férias vencidas e proporcionais, com o acréscimo do terço legal, décimo terceiro proporcional ou integral e ainda a multa de 40% sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O acordo de rescisão contratual representa um meio-termo para empregado e empregador, por meio do qual ao empregado é assegurado receber 20% da multa sobre o saldo de FGTS e ainda o valor referente à metade do aviso prévio. A par disso, o empregado tem direto a movimentar até 80% do seu saldo de FGTS, além de receber o décimo terceiro salário e as férias integrais ou proporcionais. Nesse tipo de rescisão, o empregado não receberá o seguro-desemprego, sendo esta a única perda real que surge como “prejuízo” ao trabalhador.

Essa questão da subtração do seguro-desemprego é uma dúvida muito comum no dia a dia, mas se trata de uma verba que foi pensada para proteger quem é surpreendido com uma rescisão do contrato de trabalho, fato este que não está presente quando o fim da relação empregatícia se formaliza por vontade também do trabalhador. Isso porque, pela lógica, se acordou o encerramento do contrato, provavelmen­te, e já tem como esperada e até desejada a ruptura com a empresa.

Na realidade, a modalidade de rescisão por mútuo acordo veio regulamentar uma prática considerada ilícita no passado, que consistia numa simulação de dispensa sem justa causa, na qual o empregado devolvia parte das verbas rescisórias ao empregador e recebia a chave para levantamento do FGTS e as guias para acesso ao seguro-desemprego. Até hoje, muitos pensam ser este um acordo legal, mas não há previsão em lei para tal tipo de pacto, que era e ainda é bem comum.

Como a rescisão por mútuo acordo ainda é uma prática muito tímida no mercado, recomenda-se que o pedido desse tipo de rescisão seja escrito de próprio punho pelo empregado, com a justificativa do pleito e a transcrição das verbas que serão devidas.

Todo cuidado deve ser tomado para que seja tudo registrado e, por prudência, colhida a assinatura de, pelo menos, duas testemunhas. Pela falta de previsão, o entendimento majoritário entre os juristas é de que os empregados afastados por doença, em período de férias, entre outros afastamentos, não poderão ter seu contrato rescindido por essa modalidade.

É evidente que as rescisões contratuais, sejam trabalhistas ou não, guardam em si desconfortos naturais do final de um vínculo. Dessa forma, a previsão legal de uma modalidade de encerramento do contrato de trabalho por acordo entre as partes se apresenta como excelente ferramenta para mitigar as perdas que são costumeiramente suportadas tanto pelo empregado como pelo empregador quando do rompimento do pacto laboral.   

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10-3-2022

Especial

Vencer a si mesmo, uma vez mais!

Reconfirmando o espírito do Dia 16 de Março, líderes da Divisão dos Jovens (DJ) da BSGI respondem a perguntas de representantes da juventude Soka brasileira com o objetivo de construir seu futuro e o da BSGI a partir de agora

Líderes participantes:

Monique Tiezzi, coordenadora da Divisão dos Jovens da BSGI; Edjan Santos, coordenador da Divisão Masculina de Jovens da BSGI; Livia Endo, coordenadora da Divisão Feminina de Jovens da BSGI e Camila Akama, coordenadora da Divisão dos Estudantes da BSGI

Carla Lorena, Amazonas: Livia, como nós, jovens líderes, podemos incentivar os membros e amigos mesmo lutando contra nossas próprias frustrações? E como podemos usar as redes sociais para conscientizar as pessoas sobre o futuro 2030 sem banalizar os temas?

Livia:
Suas perguntas são ótimas e de muita relevância para a época atual. Muito obrigada! Ikeda sensei compara o coração dos jovens à sensibilidade de um termômetro. Às vezes, os jovens sentem uma alegria imensa e acham que tudo à sua volta é maravilhoso. Em outros momentos, caem em profunda tristeza e chegam a pensar que são inadequados. Isso é mais comum na juventude, mas a verdade é que a vida das pessoas é feita de altos e baixos, com momentos de felicidade e de tristeza. Já a nossa decisão de atuar em prol da felicidade de todos, ou seja, cumprir nosso juramento, é constante e sólida.

Ikeda sensei nos incentiva:

Ao contribuir para a felicidade de outras pessoas, nós nos tornamos felizes. Este também é um princípio da psicologia. Como aqueles que estão sofrendo nas profundezas do inferno, a ponto de perder a vontade de viver, podem se levantar novamente? Se ficarem apenas pensando em seus próprios problemas, mergulharão ainda mais no desespero. Porém, o simples ato de ir ao encontro das pessoas que também estão sofrendo e oferecer apoio possibilita-lhes reaver a vontade de viver. A ação que empenhamos para ajudar o outro nos permite fortalecer nossa própria vida.1


Agora, vou responder à segunda pergunta. As redes sociais são um efetivo meio de comunicação e podem contribuir para o desenvolvimento humano, pela quantidade de conteúdo, abrangência e velocidade com que as ideias e opiniões chegam às pessoas. Por outro lado, pelas mesmas razões, podem ser fonte de disseminação de desinformação e até de discriminação. Acredito que a melhor forma de lidarmos com as redes sociais como ferramenta para a conscientização sobre temas que achamos importantes é fazer tudo com responsabilidade, perguntando a nós mesmos se aquilo que vamos postar ou compartilhar contribuirá para a vida daqueles que verão a mensagem. Esse não é um comportamento diferente do que deveríamos ter fora do mundo vir­tual. Ikeda sensei ensina sobre esse comportamento com seu exemplo. Ele conta que um dos fatores que fizeram com que ele tivesse sucesso em uma luta foi se perguntar “O que Toda sensei faria, o que diria se me visse agora?”, “Estaria me comportando de uma maneira que ele pudesse se orgulhar de mim, caso estivesse me observando?”.2

Vamos, juntas, rumo a 2030, nos perguntar constantemente se estamos deixando Ikeda sensei orgulhoso com nosso comportamento.

Gabriel Miranda, Rio de Janeiro: Ikeda sensei fala muito sobre 2030, confiando principalmente na Divisão dos Jovens. Quando olhamos para a sociedade atual, vemos várias questões negativas. Pensando nisso, pergunto como e qual seria a forma ideal de aplicarmos na prática os incentivos do Mestre visando esse futuro?

Edjan: Agradeço sinceramente à pergunta. Como um círculo vicioso, o que vem ocorrendo na sociedade causa angústias e aflições em nossa vida. Esses sentimentos parecem nos levar a um poço sem fundo em que acreditamos não ter como mudar. Entretanto, praticamos a filosofia do ilimitado potencial humano e quando conseguimos mudar a nós mesmos, de forma genuína, visualizamos transformar a sociedade e todo o mundo.

No capítulo “Coragem e Sabedoria”, da Nova Revolução Humana, Ikeda sensei orienta:

[...] O movimento da Soka Gakkai conecta a busca indivi­dual da felicidade com os ideais da revolução, de forma harmoniosa e sem contradições, assim como a Terra faz a rotação em torno de seu próprio eixo ao mesmo tempo em que realiza a translação em torno do Sol.3


Exatamente um ano atrás, Ikeda sensei nos orientou, em mensagem alusiva à reunião de partida da Divisão dos Jovens da BSGI:

Cada dia vivido com esse nobre desafio se tornará o drama da juventude da nossa revolução humana. Tenham a absoluta convicção de que este desafio se expandirá como uma rede solidária de jovens capaz de transformar até mesmo a história do mundo.4


Acredito que a forma ideal de aplicar os incentivos do Mestre na prática visando 2030 é vencer em nossa revolução humana, diariamente, por meio de uma luta coletiva em nossa organização de base, transformando o próprio núcleo familiar, o bairro, a cidade e toda a sociedade. Onde existe um jovem com esse coração, existe esperança.

Carlos Eduardo, Minas Gerais: Camila, nossos pais e líderes falam muito sobre a relação de mestre e discípulo. Como tornar realidade essa relação tanto em minha vida como na organização? E qual o seu sonho para a Divisão dos Estudantes?
Camila:
Carlos, obrigada pela pergunta. Tudo o que foi construí­do na Gakkai teve como base a relação do discípulo com seu mestre. Quando nosso Ikeda sensei conheceu Josei Toda, ele não sabia nada sobre a filosofia budista em si, mas vendo a postura e o ideal de vida dele e ser humano de grande integridade, sentiu que poderia confiar nele.

O primeiro encontro de Josei Toda com o presidente Ikeda completa 75 anos em 2022. Posso dizer que foi um marco que mudou o rumo da humanidade, Carlos. Hoje, nós, como discípulos de Ikeda sensei, podemos seguir nesse caminho junto com ele. Respondendo à sua questão, acredito que podemos tornar real essa relação de mestre e discípulo nos tornando pessoas de caráter excepcional, inspirando e influenciando positivamente outras pessoas ao redor. Não só as pes­soas da nossa localidade, como todas aquelas com as quais nos relacionamos e que ainda não conhecem a filosofia budista, a Soka Gakkai e os Três Mestres Soka.     

E respondendo à sua última pergunta, meu sonho para Divisão dos Estudantes é que cada um, o Sucessor Ikeda 2030 deste Brasil, cresça de forma íntegra, muito feliz e forte junto com sua família e seus amigos, enquanto cria sonhos para o futuro. E que desfrute grande boa sorte pelo aprendizado com Ikeda sensei, que sempre nos incentiva a viver com o espírito de jamais sermos derrotados, dedicando-nos à recitação do gongyo e daimoku todos os dias.

Eduarda de Oliveira, Paraná: Monique, o dia 16 de março marca o ponto primordial da Divisão dos Jovens. Como manter vivo, no dia a dia, o espírito de juramento dessa data tão especial? E como transmitir esse sentimento para as futuras gerações?

Monique: Duda, quero agradecer à pergunta e a necessária reflexão que ela nos provoca neste significativo mês de março. Muito obrigada! O dia 16 de março é uma data histórica da Soka Gakkai e representa a transmissão do bastão espiritual do kosen-rufu do mestre para seus discípulos.

Ikeda sensei afirma:

O propósito do kosen-rufu (...) é uma batalha espiritual fundamentada no diálogo para unir pessoas, construir redes de esperança e do bem entre cidadãos do mundo e concretizar assim o ideal de uma família humana global pacífica.5

Nesse sentido, o 16 de Março representa o levantar das pessoas comuns, em especial dos jovens, com o compromisso de combater os males da época e promover a paz a partir de uma ação embasada no humanismo budista, no exato local em que se encontram. E essa é a essência a ser transmitida às futuras gerações.

Mais que uma data a ser comemorada, é o momento de realizar uma profunda reflexão sobre as ações cotidianas e renovar o juramento pelo kosen-rufu. Conforme aprendemos com os Três Mestres Soka, a força desse juramento é capaz de não apenas transformar o mundo, mas ser a fonte de energia, coragem e esperança tão necessária para que cada um de nós conduza o dia a dia com significado, produzindo valor em direção a uma mudança positiva da humanidade. Esse é o espírito que Ikeda sensei nos ensina ao longo de seus 94 anos: todos os dias são 16 de Março! Com esse mesmo espírito, chegou a vez de a geração atual da juventude Soka do Brasil se levantar e cumprir seu juramento ao mestre!

Por isso, convido você e aos jovens de cada canto do país a se unir a nós nesse movimento, levantando-nos no exato local em que estamos para despertar as pessoas ao redor para o caminho da felicidade. Vamos, juntos, escrever as próximas páginas da história da Divisão dos Jovens do Brasil?

Bruno Gujev, São Paulo: No ano que Ikeda sensei denominou “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”, como o jovem de 2022 pode se inspirar a ter esse progresso dinâmico em sua vida?

Monique: Excelente pergunta, Bruno! Como jovens, é muito importante refletirmos sobre como encarar cada dia deste ano de profundo significado. A vida de Nichiren Daishonin e a luta dos Mestres Soka nos ensinam que o progresso dinâmico acontece quando superamos grandes dificuldades. Se refletirmos sobre a situação da maioria das pessoas, em especial dos jovens em decorrência do cenário atual, viver cada dia é uma grande batalha contra impasses e preocupações. Acredito que a denominação “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico” seja exatamente por essa razão, pois os incomparáveis desafios da época são o combustível necessário para avançarmos grandes distâncias em nossa vida e na sociedade.

Em resumo, acredito que promover o progresso dinâmico, enquanto jovens, é dar significado a cada novo dia, manifestando a decisão de lutar contra as dificuldades, sem recuar um único passo, com base na prática da fé e nos incentivos de Ikeda sensei. Assim, nossos dias se tornam passos concretos para expandir nosso potencial ilimitado da vida e garantir a vitória em todos os aspectos.

Desejo que possamos viver este “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico” de forma intensa e com grande significado, fazendo dele o melhor ano da nossa vida.

 

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No topo: representantes da DJ em atividade no Centro Cultural Campestre da BSGI (foto tirada antes da pandemia da Covid-19)

 

Notas:

1. Terceira Civilização, ed. 540, ago. 2013, p. 14)

2. Brasil Seikyo, ed. 2.410, 10 mar. 2018, p. B3.

3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 14, p. 73, 2020.

4. Brasil Seikyo, ed. 2.556, 20 mar. 2021, p. 3.

5. Idem, ed. 2.394, 4 nov. 2017.

10-3-2022

Livros

Crescer puro e forte

REDAÇÃO

Quando o professor de Daigo pergunta para onde ele gostaria de ir, o menino é pego de surpresa e aponta a área mais espaçosa, bem no meio da Ásia. O educador explica que ali fica a China e que naquele momento não seria possível viajar até lá por conta de uma guerra que acontecia naquele território. Diz ainda que, com certeza, um dia Daigo poderia ir àquele lugar. Conta também que a região apontada ficava no meio do deserto de Dunhuang, onde maravilhosos tesouros foram descobertos.

Surpreso, o garoto se lembra de que haviam lhe dito que seu querido irmão mais velho, Koichi, convocado pelo exército, estaria indo para aquela região. Seu coração se enchia de grandes sonhos ao ouvir as histórias do professor e ele pensa: “Quando eu crescer irei viajar para muitos países! Farei amizade com muitas pessoas, e construirei um mundo pacífico onde todos possam viver felizes, em harmonia”.

  Esse é um dos episódios inspiradores contados no livro infantojuvenil Pé de Romã: Contos Infantis, que será lançado pela EBS em abril e, por enquanto, estará disponível somente aos assinantes do Clube de Incentivo à Leitura, CILE.

São catorze contos vividos pelo personagem Daigo e que retratam momentos da infância do presiden­te da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, selecionados por seu filho, Hiromasa Ikeda, vice-presidente da organização. O conteúdo da obra foi, originalmente, publicado em série na revista Daibyakurenge, do Japão, com o título Poesias de um Pé de Romã — Histórias Infantis Fictícias, em 2010, comemorando o 50o aniversário da posse de Ikeda sensei como terceiro presidente da Soka Gakkai.

O texto original recebeu tratamento de Yukio Araya, membro da Associação dos Escritores Juvenis do Japão, e a edição brasileira conta com belíssimas ilustrações de Melany Sue Toda.

Daigo pertence a uma família que trabalha na colheita de algas e possui uma saúde frágil. No quintal de sua casa, existe um pé de romã e sua mãe, com sabedoria, incentiva o menino dizendo que, apesar das intempéries, a árvore continua crescendo de maneira grandiosa, dando frutos anualmente, representando que ele também deveria crescer forte e com coragem.

A romã é uma fruta que surgiu na região da Pérsia e chegou ao Japão, passando pela Rota da Seda, que cruzava o deserto de Dunhuang.

Hiromasa Ikeda registra suas considerações como supervisor da obra:

Podemos notar como um singelo sonho de infância, acalentado persistentemente, é capaz de abrir até mesmo as portas de um futuro distante. Desejo, do fundo do coração, que por meio da leitura deste livro, pais e filhos possam promover alegres diálogos. Só de imaginar a cena desse momento, me faz imensamente feliz. Sinto-me realizado em contribuir para o desenvolvimento das preciosas gerações que liderarão o futuro. 
Por mais que se fale em “espírito de mestre e discípulo” em prol da paz mundial, esse espírito nasce e é herdado somente em meio ao diálogo entre pais e filhos.
Desejo sinceramente que os preciosos “tesouros do futuro”, as crianças, possam herdar o espírito de Ikeda sensei de dedicar-se em prol da felicidade das pessoas e que se tornem dignos sucessores.1

 

Nota:

1. ARAYA, Yukio. Pé de Romã: Contos Infantis. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 132.

O Clube de Incentivo à Leitura (CILE) da Editora Brasil Seikyo traz todos os meses lançamentos de obras do Dr. Daisaku Ikeda e de diversos autores que compartilham da filosofia do humanismo Soka.

No mês de abril próximo, os assinantes do CILE recebem com exclusividade o livro

Pé de Romã: Contos Infantis.

Assine até 31/03/22 e receba em abril o kit em sua casa! 


Confira o vídeo no portal

www.cile.com.br 

17-3-2022

Especial

Caloroso abraço

REDAÇÃO

Uma das principais características da Soka Gakkai é o diálogo encorajador que estimula e respeita a outra pessoa. Ao estudarmos sobre o budismo, vemos que Nichiren Daishonin caminhava longas distâncias para incentivar uma única pessoa. Tsunesaburo Makiguchi, educador que fundou a nossa organização, também se dedicou às visitas familiares, não poupando esforços para se encontrar com membros e amigos, até nas localidades distantes do Japão. A mesma conduta se observa nas ações de Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, e de Daisaku Ikeda, seu sucessor imediato e nosso mestre, que, aos 94 anos, segue firme em seu propósito de abraçar o coração das pessoas com suas palavras. Mas você já parou para se perguntar como surgiu essa preocupação de incentivar outra pessoa?

O presidente Ikeda refletiu sobre essa pergunta da seguinte maneira:

Makiguchi sensei adotou o método de dialogar sinceramente com todos com quem se encontrava, e ia pessoalmente visitar cada um em sua própria residência. Ele concluiu que essa era a única maneira de propagar o ensinamento de Nichiren Daishonin (...). E começou encontrando um pequeno número de pessoas que compartilhavam suas preocupações e aspirações. A partir de então, seus esforços de propagação se desenvolveram consideravelmente. Antes, ele “falava com milhares de pessoas, e depois não restava ninguém”. Com seus novos esforços para dialogar individualmente, o resultado de participantes nas reuniões logo chegou a mais de quinhentas pessoas. Os membros fortaleciam a fé em pequenas reuniões de palestra, atuavam e recebiam grandes benefícios. Isso deu início a uma reação em cadeia em que outras pessoas, inspiradas pelos relatos sobre a prática da fé, também começaram a praticar. O presidente Makiguchi acreditava na experimentação. Ele sempre testava suas teorias ou conceitos para verificar se funcionavam na prática e invariavelmente chegava à conclusão correta.1


Jamais desprezar

Atualmente, devido ao isolamento social em razão da Covid-19, os encontros que antes eram realizados pessoalmente ganharam uma nova “roupagem”. O movimento não parou: a visita pelo celular ou por computador fez-se útil para o momento, sem perder de vista o objetivo central, o de não deixar ninguém para trás.

Ao recebermos uma visita, abrimos nosso coração para trocas de ideias e de incentivos mútuos. Nelas é que comprovamos a força da prática da fé e todos aprendem, abrindo o caminho da esperança. Essa atitude lembra a do bodisatva Jamais Desprezar [Fukyo, em japonês.], personagem fictício que dá título ao capítulo 20 do Sutra do Lótus, conforme Ikeda sensei comenta:

O buda Nichiren Daishonin afirma que o Sutra do Lótus é a essência dos ensinamentos da vida de Shakyamuni. Diz ainda que a chave da prática ensinada no Sutra do Lótus está no comportamento do bodisatva Jamais Desprezar. Esse comportamento consta no capítulo “Bodisatva Jamais Desprezar” e mostra como viver de acordo com a fé na iluminação universal.2


Qualquer que fosse o ser huma­no, o bodisatva Jamais Desprezar o tratava com total respeito. Ele o abordava dizendo sinceramente: “Eu o reverencio profundamente e jamais ousaria tratá-lo com desprezo ou arrogância. Por quê? Porque você praticará o caminho do bodisatva e com certeza atingirá o estado de buda”. A postura desse bodisatva é um modelo de caráter de um praticante do budismo adotado na Soka Gakkai.

Em outro incentivo, Ikeda sensei nos apresenta o que é ter a postura do bodisatva Jamais Desprezar neste exato momento. Ele frisa:

Cada pessoa é digna de respei­to pela virtude de sua própria humanidade. Isso é o que o bodisatva Jamais Desprezar revela com sua vida por meio de sua prática de reverenciar outros. [...] Atingir o estado de buda se parece com atingir um objetivo, mas não é o mesmo. Esse caminho é um equívoco. Estado de buda é a própria esperança em si — esperança de avançar eternamente rumo ao autodesenvolvimento, a maior realização e uma crescente serenidade e satisfação na vida.3


O objetivo principal da visita é criar um ambiente para aprendermos, juntos, como transformar em realidade nossos sonhos. A visita aquece o coração. E não existe receita, basta ser você e pôr em ação os direcionamentos e o exemplo de vida de Ikeda sensei.

Imagine um vaso de planta. Cada espécie precisa de determinado cuidado: umas pedem mais sol (outras não), quantidade de água e diversos componentes. No caso da visita, podemos interpretar também assim. Cada visita é única, para quem a realiza e para quem a recebe.

Façamos do “Há quanto tempo” o “Vamos vencer juntos!”, realizando calorosas visitas.


Visita inesquecível

A equipe do Brasil Seikyo dialogou com dois membros que receberam recentemente uma visita. Eles falam sobre a sua experiência:

“A visita em si foi muito especial porque eu me aproximei ainda mais de pessoas incríveis e também consegui tirar diversas dúvidas com elas. Como agir no distrito em que sou líder e todo o aprendizado adquirido foram de grande significado, sem contar os incentivos que recebi e que me deram mais ânimo. Só tenho a agradecer por tudo o que eles me falaram, me mostraram e pelas ótimas risadas. Diversão não pode faltar nessas horas. Foi um incrível diálogo! Acho que é importante receber e realizar visitas, saber que podemos contar com pessoas extraordinárias no nosso dia a dia, trocar conhecimentos e histórias e nos tornar parte da história de alguém. Muito obrigado.”


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Dablouan Silvio Gonçalves (na foto, no alto, à dir.), vice-resp.pela Divisão Masculina de Jovens (DMJ) de distrito, RM Bauru, CNOP


“Recebi com muita alegria e satisfação a visita virtual das amadas rainhas. Apesar da distância geográfica, senti quanto é maravilhoso fazer parte da família Gakkai. Meu coração transbordou de gratidão ao compartilhar momentos da minha vida. São corações sublimes repletos de benevolência ao nos ouvir e a nos incentivar. Fortalecer laços de amizade é o que realmente importa. Durante a visita, uma das orientações que recebi foi “Jamais deixar alguém para trás”. Sendo assim, tenho me esforçado para pôr em prática esse direcionamento. Muito obrigada pela oportunidade. Gratidão infinita ao presidente Ikeda e a essas maravilhosas rainhas da felicidade.”


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Edvania Pimentel Guerreiro (na foto, embaixo, à esq.), consultora da Divisão Feminina (DF) da RM Roraima, CRE Oeste

 

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Integrantes da Divisão Feminina (DF) durante visitas virtuais realizadas na Sub. Amazônia Oriental em intercâmbio comemorativo do dia do ponto primordial do kosen-rufu da Amazônia, que marca o encontro de representantes da região com o presidente Ikeda, em São Paulo, durante a sua visita ao Brasil em 1984

 

No topo: Presidente Ikeda (ao fundo) em visita à residência de um membro vinte anos após tomar posse como terceiro presidente da Soka Gakkai (Fukuoka, maio 1980)


Notas:

  1. Brasil Seikyo, ed. 1.724, 22 nov. 2003, p. C2.
  2. Terceira Civilização, ed. 520, dez. 2011, p. 50.
  3. Brasil Seikyo, ed. 2.282, 4 jul. 2015, p. C2.

 

17-3-2022

Colunista

Sobre a herança, o herdeiro e o direito das sucessões (parte 1)

Construídas há cerca de 4.500 anos, as pirâmides do Egito antigo guardavam o corpo mumificado dos faraós, com seus bens, tesouros, servos e pessoas de confiança, com base na crença de que retornariam da morte.

A crença religiosa na eternidade da vida foi a base das regras para a transferência dos bens da pessoa falecida para seus herdeiros, e remonta a quase 1.800 anos a.E.C, habitual não apenas ao povo egípcio, mas também ao hindu e babilônico, bem como aos povos da Roma antiga, Grécia e Índia.

No nosso sistema jurídico, com a morte se extingue a titularidade do “direito de propriedade”, e por isso os bens do falecido devem ser transferidos aos seus sucessores. É disso que cuida o direito das sucessões.

Falecendo uma pessoa, a sucessão dos seus bens poderá ser feita de duas formas: a primeira, chamada testamentária, se o falecido deixa testamento informando como deseja que seja feita a distribuição dos seus bens. A segunda forma é a chamada “legítima”, ou seja, seguindo uma ordem de preferência estabelecida pela lei, entre os entes familiares, se o falecido não deixa testamento. É possível que parte dos bens seja atribuída por testamento e parte de acordo com o que dispuser a lei.

A partilha dos bens pode ser feita por meio de inventário judicial ou por inventário extrajudicial em tabelionato de notas, por instrumento de escritura pública. Só será possível optar-se pela partilha extrajudicial, que independe do valor do patrimônio deixado, se todos os herdeiros forem maiores de 18 anos, capazes, e se estiverem de acordo quanto à forma da partilha. Nas duas modalidades, a presença do advogado é obrigatória.

Em que comarca deve ser feito o inventário judicial? No último domicílio do falecido, determina a lei. Caso ele não tivesse domicílio fixo, então será onde seus bens se localizam. No caso de inventário extrajudicial, pode ser realizado em cartório de notas de qualquer cidade. Há prazo máximo para dar entrada no inventário. Deve ser iniciado no prazo de dois meses, a contar da data do óbito, e terminado dentro de um ano.

Toda pessoa que tenha 16 anos ou mais pode deixar testamento em vida, dispondo de seus bens para depois de sua morte, destinando-os a uma pessoa física ou jurídica. É a designada “sucessão testamentária”. O testamento público, aquele feito em cartório de notas, é o mais seguro, pois o tabelião conhece as formalidades da lei e o risco de extravio será mínimo. Se o testamento for bem elaborado, mas sem observar a forma exigida pela lei, o documento será nulo, não produzindo o efeito desejado.

Se a pessoa se arrepender do testamento que fez, ou quiser modificá-lo, poderá revogá-lo ou fazer outro diferente, sem necessidade de consentimento dos beneficiários que dela constem, pois o testamento só produz efeito com a morte do testador, sempre valendo o último realizado.

O testador pode dispor de todos os seus bens, exceto se tiver familiares das categorias de descendentes, ascendentes ou cônjuge (que são nomeados “herdeiros necessários”). Havendo tais familiares, será possível testar somente até a metade dos bens.

Na Soka Gakkai, a palavra “herdeiro” refere-se “à pessoa que entrou no caminho da unicidade de mestre e discípulo”. O presidente Ikeda se lembra das palavras do seu mestre: “O presidente Josei Toda dizia com frequência que ‘um aprendiz de ferreiro é um ferreiro; um aprendiz de peixeiro é um peixeiro’. Da mesma forma, o discípulo do Buda é um buda. Isso tudo é muito nítido’’.1

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No topo: A herança representa o acervo patrimonial — conjunto de bens, direitos e obrigações — deixado por alguma pessoa após o falecimento



Nota

1. Brasil Seikyo, ed. 2.085. 28 maio. 2011, p. A6.

17-3-2022

Notícias

Soka Gakkai e BSGI realizam ações humanitárias

REDAÇÃO

No dia 10 de março, a Soka Gakkai doou 30 milhões de ienes (US$ 258.617,00) ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur); valor destinado para assistência humanitária aos ucranianos que foram obrigados a sair de casa devido ao conflito com a Rússia.

A representante do Acnur no Japão, Karen Farkas, visitou a sede da Soka Gakkai em Tóquio para se encontrar com o presidente Minoru Harada. Ela expressou sua gratidão pela doação e afirmou que há necessidades urgentes, como cobertores, alimentos e apoio psicológico.

Em Petrópolis

No último dia 11, a Associação Brasil SGI (BSGI) entregou donativos na sede da Cruz Vermelha na cidade de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, atingida por fortes temporais em fevereiro que deixaram mais de 230 mortos e outros desaparecidos.

A entrega foi feita pelo gerente do escritório da BSGI na capital fluminense, Wallace Moura, para o pre­siden­te da Cruz Vermelha do Estado do Rio de Janeiro, Victor Marcelo, e representantes da localidade.

Na ocasião, eles dialogaram sobre o movimento internacional da Cruz Vermelha e ouviram relatos emocionantes de voluntários. Também enfocaram a história da Soka Gakkai e a relação da Soka Gakkai Internacional (SGI) com a Organização das Nações Unidas (ONU).

Após a troca de ideias, o grupo da BSGI visitou as dependências da sede da Cruz Vermelha e ouviu explicações sobre a parte operacional da entrega de donativos às famílias necessitadas.


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presidente da Cruz Vermelha do Estado do Rio de Janeiro, Victor Marcelo, à dir., com o gerente do escritório da BSGI no Rio de Janeiro, Wallace Moura

No topo: representante do Acnur no Japão, Karen Farkas, com o presidente da Soka Gakkai, Minoru Harada

17-3-2022

Matéria Grupo Coração do Rei Leão

Coração gigante dos pais e mães do Brasil

Nichiren Daishonin escreveu: “Se o senhor se importa realmente com a segurança pessoal, deve primeiro orar pela paz e segurança nos quatro quadrantes da terra”.1

Com essa frase, podemos refletir quanto são importantes nossas ações agora, visando criar nossos filhos nos jardins da Soka Gakkai para o bem do país e do planeta. Os valores absorvidos na infância e adolescência formarão o cidadão consciente do espírito de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra” (rissho ankoku).

O presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, nos ensina a olhar o futuro de forma diferente, não apenas quanto às expectativas, mas enxergando as realizações positivas das próximas gerações:

Por estar firmemente decidido a dar continuidade a esse espírito do meu mestre, sem perda de tempo, estabeleci as Divisões dos Estudantes Primário, Ginasial e Colegial (correspondendo aos níveis Futuro, Esperança e Herdeiro da BSGI) — que juntas hoje compreendem a Divisão dos Estudantes — assim que assumi como terceiro presidente da Soka Gakkai. Na época, alguns dos líderes centrais da Soka Gakkai sugeriram que havia prioridades maiores, mas declarei: “Se não plantarmos mudas, não crescerão árvores. Se esperarmos para plantá-las quando necessitarmos de árvores robustas e altas, será tarde demais. Não devemos deixar escapar a hora certa de agir!”. O momento oportuno não é aquele em que se fica aguardando; é o que se cria! A época do plantio de mudas exige máximo cuidado e esforço da nossa parte.


Cultivar sucessores capazes é espalhar sementes e plantar brotos do kosen-rufu mundial. Significa construir um futuro no qual toda a humanidade possa realmente desfrutar a felicidade. Contanto que haja um fluxo de membros da Divisão dos Estudantes, aprimorando-se e se tornando excelentes pessoas, o futuro da humanidade estará assegurado.

Visando ao centenário da Soka Gakkai em 2030 e ao futuro muito mais longínquo, vamos nos unir agora e devotar todas as nossas forças para promover o desenvolvimento dos integrantes da DE, na qual todos, sem exceção, possuem uma profunda missão. Esse esforço também garantirá que o caudaloso rio do kosen-rufu perdure e flua eternamente.2

Em outro incentivo, podemos ler:

Nós falamos sobre o kosen-rufu como um movimento a ser promovido na sociedade, mas seu verdadeiro eixo encontra-se em nosso lar, na família. A prova mais convincente para desenvolver o kosen-rufu é a felicidade que estabelecemos em casa.3


Imbuir-se do espírito de inspirar os filhos para que revelem seu potencial máximo, encorajando-os e lhes oferecendo apoio ainda maior do que recebe. Aqui, encontramos o eixo da Soka Gakkai: criar pessoas valorosas e capazes.

Família é tema habitual nos escritos de Nichiren Daishonin. Dessa forma, a “Prática da fé para criar a harmonia familiar” é a primeira das “Cinco diretrizes eternas da Soka Gakkai”.

Recebemos no BS+, do dia 27 de março de 2022, este direcionamento do nosso mestre: “Os pontos principais para criar herdeiros na prática da fé são: recitar gongyo em família, criar os filhos nos jardins da Soka Gakkai e orar acreditando sempre neles. Torçam pelos preciosos sucessores!”.

Forte abraço

Grupo Coração do Rei Leão

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 24, 2014.

2. Brasil Seikyo, ed. 2.368, 22 abr. 2017, p. B1-B3.

3. Idem, eds. 2.452 e 2.453, 26 jan. 2019.

31-3-2022

Notícias

Impulsionar a criação de sucessores

REDAÇÃO

O bairro da Liberdade, na capital paulista, é muito conhecido pela influência da cultura oriental em sua arquitetura, nos produtos do comércio, na culinária dos restaurantes e nos costumes de seus moradores. Ali foi realizada a reunião de fundação do Distrito Brasil, em 20 de outubro de 1960, durante a primeira visita do presidente Ikeda ao país, dando origem à BSGI. Atualmente, na Liberdade, encontram-se a sede central da BSGI, o Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda e outras importantes edificações da organização.

A Comunidade Taguá, pertencente à RM Liberdade (CCLP), situa-se no coração do bairro e seus integrantes têm se dedicado, entre outras iniciativas, ao incentivo e à criação de jovens valorosos. Há meses, vieram se empenhando nos preparativos e, finalmente, no dia 24 de março, realizaram seu 1o Encontro da Divisão dos Jovens.

A atividade, feita em formato virtual, contou com a participação de 21 pessoas, a maioria composta por membros e convidados da Divisão dos Jovens (DJ).

Roberto Shimoda, responsável pela DMJ de RM, e Carla Anzai, responsável pela DFJ de regional, relataram suas experiências e incentivaram todos a comprovar também os benefícios da prática budista na vida.

Uma característica marcante da comunidade é a participação ativa dos convidados nos preparativos das atividades. E desta vez não foi diferente. A jovem Andressa Unger Lino, que confeccionou um vídeo sobre uma das matérias da reunião com ilustrações próprias, comenta: “Sou tímida e falar em público sempre é um problema para mim. Com o vídeo, consegui me expressar. Fiz mais de vinte desenhos e levei bastante tempo para prepará-los. Mas fiquei feliz com o resultado e também aprendi sobre o budismo fazendo isso. Adorei o encontro!”. A matéria se baseou no escrito de Nichiren Daishonin, Carta para Niike, que fala sobre a importância da continuidade na prática budista.

A apresentação de uma pesquisa com incentivos de Ikeda sensei para os jovens contidos no romance Nova Revolução Humana (NHR) foi feita por Carmen Corrêa, responsável pela DF do Bloco Siqueira Campos. Ela enfatiza: “Estudamos a NRH publicada constantemente e com ela aprendemos o espírito de realizar o kosen-rufu no local em que estamos”.

Outro ponto alto do evento foi o diálogo, quando todos se conheceram melhor e dividiram experiências, ideias e sugestões.

Paulo Vítor Colares Santos tornou-se membro da DMJ há poucos meses, participa ativamente das reuniões e expressa que se sentiu muito feliz com o encontro: “Foi muito interessante saber como as pes­soas transformam sua vida praticando o budismo, sem esperar somente que outros resolvam suas questões”.

Já Mariana Corrêa, responsável pela DF do Bloco Taguá, revelou sua grande alegria pela oportunidade de apoiar os jovens: “Na comunidade, temos convidados que estão apresentando o budismo aos seus amigos. O formato on-line das atividades permite que recebamos pessoas de outros estados e até de alguns países. Um ponto fundamental é que todas as ações são planejadas em conjunto, ouvindo-se a opinião de todos”.

No final, os participantes sugeriram nomes para o grupo presente na reunião e escolheram Grupo Fênix. E objetivaram realizar mais encontros, como aquele, bimestralmente, incentivando a criação de jovens de grande valor cada vez mais.

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Artes confeccionadas para as atividades da comunidade por convidados e integrantes da Divisão dos Jovens


No topo: A reunião virtual da Comunidade Taguá contou a participação de membros e convidados da Divisão dos Jovens e representantes de outras divisões

31-3-2022

Especial

A maior das alegrias

REDAÇÃO

O budismo surgiu na Índia há cerca de 2.500 anos com Shakyamuni que, preocupado com a felicidade das pessoas, desejou incessantemente descobrir o caminho para uma existência sem sofrimentos. Com essa busca, ele despertou para a verdade de que existe uma lei fundamental, a qual permeia o universo, inclusive a vida das pessoas.

No século 13, no Japão, Nichiren Daishonin, aos 12 anos, começou a estudar os principais ensinamentos budistas. Após muito empenho e dedicação, na idade adulta chegou à conclusão de que o Sutra do Lótus continha o ensinamento mais profundo do buda Shakyamuni. Ele havia despertado para a mais ampla lei da vida revelada no Sutra do Lótus. Essa Lei fundamental denomina-se Nam-myoho-renge-kyo e reside no interior da vida de todas as pessoas.

Ao meio-dia de 28 de abril de 1253, Nichiren Daishonin recitou pela primeira vez em público o Nam-myoho-renge-kyo, e assim deixou sua oração como um legado para a humanidade. Ele também expôs a um grupo de pessoas o Sutra do Lótus e revelou ser este o ensinamento supremo capaz de conduzir as pessoas à iluminação.

Sua declaração aconteceu no templo Seicho-ji, com a presença do seu mestre, Dozen-bo, e de outros sacerdotes. Daishonin afirmou nesse dia que o daimoku (recitação do Nam-myoho-renge-kyo) é a essência do Sutra do Lótus. Foi a partir dessa data que ele começou a propagar seus ensinamentos.

O presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, declara:

O ponto-chave que distingue o Budismo Nichiren de outras escolas budistas foi o estabelecimento desse meio concreto para atingir o estado de buda. Desde que recitou pela primeira vez o Nam-myoho-renge-kyo até o momento de sua morte, Nichiren Daishonin dedicou-se incansavelmente em ensinar esse supremo caminho da iluminação a todas as pessoas da nação japonesa.1


Daishonin dedicou a vida a uma luta de compaixão e de juramento para propagar a Lei Mística, visando revelar o estado de buda das pessoas e eliminar a infelicidade da humanidade. Ao mesmo tempo, combateu durante toda a sua vida as funções malignas que tentavam obstruir a felicidade das pessoas comuns. Nesse processo, ele enfrentou grandes obstáculos e perseguições, empenhando-se para que seu ensinamento fosse transmitido às futuras gerações por meio de seus discípulos e de seus escritos, denominados Gosho.



Prática do
daimoku

Os praticantes do Budismo Nichiren fazem orações que consistem na recitação do Sutra do Lótus (gongyo) e do Nam-myoho-renge-kyo (daimoku).

Nichiren Daishonin estabeleceu a prática da recitação do daimoku ao agregar a palavra nam (devotar a vida) à verdade universal de Myoho-renge-kyo (título do Sutra do Lótus, em japonês). Recitar daimoku representa a determinação e o juramento de dedicar a vida à verdade de Myoho-renge-kyo.

Esse é o meio para que todos manifestem a força da Lei Mística concretamente na vida.

Entretanto, Ikeda sensei salienta:

Nichiren Daishonin também adverte que se buscarmos a Lei Mística fora de nós mesmos, por mais daimoku que recitemos, não poderemos atingir a iluminação. Ao contrário, ele adverte que nossa prática budista só se converterá em algo “austero, angustiante e sem fim”. Diz, também, claramente: “Mesmo que recite e acredite no Myoho-renge-kyo, se pensa que a Lei existe fora de seu coração, o senhor não está abraçando a Lei Mística, mas um ensinamento inferior”.2


Com a prática da fé, evidenciamos energia vital, sabedoria, benevolência, ilimitada capacidade e boa sorte, possibilitando que nossa vida brilhe de plena felicidade, expandindo e influenciando positivamente o nosso ambiente.


Cada pessoa é o próprio Nam-myoho-renge-kyo

Todos possuem inerente a condição de buda, pois cada um é o Nam-myoho-renge-kyo. Mas, sem a percepção dessa verdade da vida, muitos não conseguem extrair a força e as funções dessa Lei fundamental.

Quando nos conscientizamos do nosso valor e missão, manifestamos força para nos levantar com iniciativa própria e recitamos Nam-myoho-renge-kyo. Dessa forma, nossa vida é envolta por uma grande alegria capaz de superar quaisquer adversidades.

Nichiren Daishonin declara:

Grande alegria é aquela que uma pessoa experimenta quando compreende pela primeira vez que, desde o início, é um buda. O Nam-myoho-renge-kyo é a maior das alegrias.3


Em sua época, o buda Nichiren Daishonin levantou-se só esforçando-se para propagar ao maior número de pessoas a grandiosidade da Lei. Porém, durante aproximadamente sete séculos, seu ensinamento ficou confinado a um número reduzido de pessoas que se reuniam em templos.

Somente com o surgimento da Soka Kyoiku Gakkai, organização que antecedeu a Soka Gakkai, fundada e liderada pelo seu presidente Tsunesaburo Makiguchi e pelo jovem discípulo, Josei Toda, em 18 de novembro de 1930, é que o Budismo Nichiren passou a ser amplamente propagado com o propósito essencial de salvar as pes­soas e construir uma sociedade de paz e de harmonia. Após 3 de maio de 1960, com a posse de Daisaku Ikeda como terceiro presidente da Soka Gakkai, o budismo se expandiu para fora do Japão. A partir daí, sob a liderança do jovem Ikeda, na ocasião com 32 anos, o Budismo Nichiren foi estabelecido em várias regiões, consolidando-se como uma religião mundial.

Atualmente, os milhões de membros da SGI em 192 países e territórios se dedicam para pôr em prática os ensinamentos de Nichiren Daishonin na própria vida, edificando uma existência repleta de felicidade. Convictos de que todos têm o direito de desfrutar paz e felicidade e se esforçam para compartilhar este maravilhoso ensinamento com os demais ao redor, unindo corações e contribuindo com sua nobre vida para um mundo melhor.


Significado dos ideogramas


Nam
— devotar

Nam (ou namu) é a reprodução fonética dos ideogramas em chinês da palavra original em sânscrito namas, que significa “reverenciar”. O termo foi traduzido a partir do significado dos ideogramas em chinês “devotar a própria vida”, e tem o sentido de fazer da Lei Mística a base da vida.


Myoho – Lei Mística

É assim chamado porque o mistério da vida é de inimaginável profundidade e está além da compreensão comum.


Renge
— flor de lótus

O budismo vê a simultaneidade de causa e efeito em todos os fenômenos do universo. Essa dinâmica é simbolizada pela flor de lótus, que produz a flor (causa) e fruto/semente (efeito) simultaneamente.


Kyo — sutra ou ensinamento do Buda

Significa também a transformação do destino, representando a continuidade da vida pelas “três existências” — passado, presente e futuro.


Flor de lótus

É possível compreender a característica da Lei Mística ao observarmos a flor de lótus.

O lótus cresce em meio à água lamacenta e, mesmo nesse habitat hostil, não perde suas características, produzindo uma flor bela com agradável fragrância. Diferentemente de outras plantas, a flor e o fruto crescem de forma simultânea. A flor (causa) e o fruto/semente (efeito) germinam ao mesmo tempo e ilustram a simultaneidade da lei de causa e efeito.

Mesmo diante das mais desafiadoras situações, todos podem desfrutar plena felicidade e mudar o ambiente para melhor. Nosso valor não se modifica conforme a situação que enfrentamos ou o ambiente em que nos encontramos. O importante é saber que boas causas dão bons efeitos.

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Atualmente o Nam-myoho-renge-kyo é recitado na maioria dos países do mundo pelos membros da SGI



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Na imagem, o sol (símbolo do Budismo de Nichiren Daishonin) nasce por trás do Monte Fuji.

No topo: ilustração retrata o Buda, que viveu no século 13
 


Fontes:

Os Fundamentos do Budismo Nichiren para a Nova Era do Kosen-rufu Mundial. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. p. 12.

Brasil Seikyo, ed. 2.177, 27 abr. 2013, p. A1 e A7.

Idem, ed. 2.419, 12 maio 2018, p. C2 e C3.

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Atingir o Estado de Buda nesta Existência. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. p. 15.

2. Ibidem, p. 19.

3. Gosho Zenshu [Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, p. 788.

31-3-2022

Grupo coração do rei leão

Nossa missão é apoiar os jovens

Caros integrantes do Grupo Coração do Rei Leão! Desejamos que todos estejam desfrutando excelente saúde e disposição e que, sem exceção, possamos usufruir os verdadeiros benefícios da prática budista. Junto com Ikeda sensei, vençamos em todos os aspectos da nossa vida e da nossa organização.

O tema deste mês é: “Os Jovens e o Mercado de Trabalho”. Sabemos que passamos por um momento instável e de incertezas, e esse tópico serve para uma reflexão sobre “Qual a nossa postura diante dos nossos filhos ou com os jovens da organização que estão desanimados ou perdidos?”. O objetivo principal desta matéria é criar uma onda de diálogo em nosso lar, bem como na organização, e, com essa postura, estabelecer laços de confiança com os jovens.

A juventude é uma fase de diversas incertezas, e a questão profissional faz parte deste “combo” de insegurança e de medo. De acordo com a Pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus,1 a população jovem brasileira chega a cerca de 47 milhões de pessoas, entre 15 e 29 anos. Dados dessa pesquisa indicam que, entre os anos 2012 e 2020, o percentual de jovens que não estudam e trabalham aumentou drasticamente.

Diante desse cenário, como podemos incentivar os jovens? O primeiro ponto é conquistarmos a confiança deles por meio do diálogo e do incentivo. Sabemos como o estudo é fundamental. Então, sem cobranças, pois qualquer palavra fora do contexto pode criar uma bagunça e alterar o tom de diá­logo para cobrança. Com acesso a informações, os jovens podem buscar cursos profissionalizantes gratuitos e até palestras que apresentam as finalidades de cada função profissional.

Encontre a sua missão

Nosso mestre transmitiu, certa vez, o seguinte incentivo:

É importante que encontrem algo, não importa o quê, para desafiarem a si próprios enquanto são jovens. Considerem a juventude como a época do estudo e autoaprimoramento. Cada pessoa tem uma missão que somente ela pode cumprir. Mas isso não significa que vocês devem ficar sentados esperando que os outros lhes digam o que fazer. É fundamental que vocês próprios descubram qual é sua missão.2


E para os jovens que não estão seguros de sua capacidade, Ikeda sensei orientou:

Sem dúvida, vocês possuem sua própria joia, seu próprio talento em seu interior. A questão é como podem descobrir esse talento. A única maneira é empenharem-se ao máximo. Seu verdadeiro potencial emergirá quando derem tudo de si aos estudos, aos esportes ou a outras atividades.3


O presidente Ikeda sempre enfatiza a importância de o jovem consolidar seu caráter em primeiro lugar, porque vasto conhecimento não garantirá o sucesso na vida. Somente aqueles que tiverem forte caráter e espírito de vencer as limitações conseguirão se adequar às mudanças sociais. Nossa missão, como integrantes do Grupo Coração do Rei Leão e pais, é ser essa ponte com os jovens.

Na organização, falamos muito sobre como o diálogo é essencial. Os jovens possuem o dinamismo e desejam fazer tudo. Uma hora desejam ser médicos, em outra querem percorrer o mundo. Isso é fantástico, desde que esse jovem se sinta confortável e confiável com suas escolhas.

O sério comprometimento dos jovens com o trabalho tem o poder de promover um desenvolvimento dinâmico em seu local de trabalho. A contribuição desses jovens talentosos, que representam a nova geração, são o tesouro e a esperança da sociedade.4


Como nosso mestre enfatiza acima, vamos, a partir da nossa atua­ção, conquistar a confiança dos jovens e criar um elo de amizade inabalável e que possamos nos incentivar sobre qualquer assunto com união e sincero laço de amizade.

Forte abraço!

Grupo Coração do Rei Leão

Notas:

1. https://www.futura.org.br/jovens-no-mercado-de-trabalho-pandemia-e-o-ensino-profissionalizante/  

2. Brasil Seikyo, ed. 1.421, 12 jul. 1997, p. 3.

3. Ibidem.

4. Brasil Seikyo, ed. 2.461, 30 mar. 2019.

12-5-2022

Notícias

Ikeda sensei recebe título acadêmico de número 400

REDAÇÃO

A Universidade Nacional Chungbuk, da Coreia do Sul, outorgou ao Dr. Daisaku Ikeda, fundador da Universidade Soka, o título de doutor honoris causa em pedagogia durante a cerimônia realizada no dia 28 de abril, no auditório da universidade coreana, localizada na cidade de Cheongju. É um reconhecimento às contribuições de Ikeda sensei para o avanço da paz no mundo e dos direitos humanos, como também da criação de pessoas valorosas, que se devotam em prol da humanidade. Trata-se do 400o (quadringentésimo) certificado acadêmico recebido pelo Dr. Ikeda.

A cerimônia contou com a presença do reitor Su-Kab Kim e do diretor de graduação Dal-Young Chun. O título acadêmico foi entregue ao reitor da Universidade Soka, Masashi Suzuki, representante do homenageado. Também participaram do evento o diretor-geral da SGI-Coreia do Sul Kim In Soo e membros representantes da organização.

Na cerimônia, o diretor de graduação Dal-Young Chun apresentou o perfil de Ikeda sensei. Na sequência, o reitor Kim entregou o diploma ao representante do homenageado, o reitor Suzuki. O auditório foi tomado por estrondosa salva de palmas. Após as palavras de felicitações do reitor Su-kab Kim, o reitor da Universidade Soka leu as palavras de agradecimento do presidente Ikeda. A cerimônia foi concluída com apresentação comemorativa da orquestra de cordas.

A Universidade Nacional Chungbuk nasceu em meio aos conflitos da Guerra da Coreia, em setembro de 1951. Com base em seus princípios de fundação, “verdade, justiça e pioneirismo”, já formou cerca de 160 mil estudantes, acalentando os ideais de “esforços para a criação da cultura local”, “exaustiva dedicação ao desenvolvimento sustentável da humanidade” e “devoção para abrir o futuro da sociedade”. Atualmente, na instituição estudam cerca de 20 mil jovens.

Em junho de 2019, realizou-se a exposição Um Passo para a Mudança — O Poder da Educação em Direitos Humanos, organizada pela Soka Gakkai Internacional (SGI), da qual o Dr. Ikeda é presiden­te, em cooperação com outras entidades, no campus da instituição. Na ocasião, o reitor Kim sentiu profundo respeito e admiração por Ikeda sensei e seu empenho ininterrupto pela paz, cultura e educação com base na filosofia budista de respei­to à dignidade da vida. Posteriormente, ao dar continuidade ao intercâmbio com os membros da SGI-Coreia do Sul, aprofundou a compreensão sobre o pensamento e as ações do presidente Ikeda.

E em janeiro de 2020, o reitor visita a Universidade Soka na ocasião da cerimônia de assinatura do convênio de intercâmbio acadêmico entre as instituições de ensino. Ele sentiu profunda admira­ção pelo ambiente educacional que encontrou e comenta que fortaleceu ainda mais sua decisão de construir uma universidade em prol dos alunos. E afirma: “Conceder o título acadêmico ao grandioso Ikeda sensei é um ato mais que natural para a Universidade Nacional Chungbuk”. O certificado foi aprovado por unanimidade pelo conselho universitário da instituição.


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Participantes da cerimônia de entrega do título de doutor honoris causa em pedagogia outorgado pela Universidade Nacional Chungbuk a Ikeda sensei, realizada no auditório da instituição, na cidade de Cheongju. O reitor Su-Kab Kim é o quinto da dir. para a esq., na fila da frente (Coreia do Sul, 28 abr. 2022)


Fonte:
Seikyo Shimbun, edição do dia 29 de abril de 2022.

12-5-2022

Colunista

O direito animal e a tutela jurídica dos animais não humanos (1)

Apura-se que um dos efeitos do período da pandemia decorrentes da Covid-19 foi o estreitamento de laços afetivos entre os tutores e seus bichos de estimação. Isso fez com que o “mercado pet” crescesse de 15% a 18% em 2021, chegando a um faturamento superior a R$ 51 bilhões,2 com quase 23 mil novas empresas, entre 2019 e 2021. Em agosto do ano passado, apurou-se que o Brasil tem quase 140 milhões de animais de estimação, dos quais 54,2 milhões são cães; 23,9 milhões são gatos; 19,1 milhões são peixes; e 39,8 milhões são aves.3

Em julho de 2020, Sansão, um cão da raça pit bull, após ser torturado, teve as patas traseiras decepadas por dois homens.

A notícia viralizou na internet e, junto com a história de uma cadela de rua espancada e envenenada, fez com que, a partir de setembro de 2020, começasse a valer a Lei nº 14.064/2020, apelidada por isso de Lei Sansão. Essa lei aumentou as penas previstas na Lei nº 9.605/1998, para crime de maus-tratos aos animais, quando se tratar de cão ou gato, podendo a pessoa ser condenada a reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição de nova guarda. Antes, a pena era de detenção de três meses a um ano e multa.

Para entender melhor, a Lei Federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, regula em seu artigo 32 ser crime a conduta de uma pessoa que resulte em ato de abuso, maus-tratos, e de ferir ou mutilar animais silvestres ou domesticados, nativos ou exóticos. Os nativos fazem parte da fauna brasileira; e os exóticos são originários de outros países. Inclusive, com a Lei Sansão, passa a incorrer nas mesmas penas também aquele que impuser ao bicho “experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos”. Se dessas práticas resultar a morte do animal, a pena poderá ser aumentada de um sexto a um terço.

No estado de São Paulo, em dezembro do ano passado, foi sancionada e entrou em vigor a Lei Estadual nº 17.497/2021, criando o Programa de Proteção e Bem-Estar dos Animais Domésticos, que altera alguns critérios do Código de Proteção Animal do Estado de São Paulo (Lei nº 11.977/2005).

Esse programa, que tem por objetivo combater e prevenir a prática de maus-tratos aos animais domésticos, determina que os municípios paulistas promovam políticas públicas de proteção dos animais, ações educativas e fiscalização dos órgãos.

Também criou o Registro Único do Tutor (RUT) no estado, que é o registro para identificação dos tutores de cães e gatos. Também, entre as novidades, houve um agravamento das penas e multas para os donos que maltratarem seus animais de estimação. Inclusive, eles poderão ser proibidos de adquirir novos animais pelo prazo de cinco anos.

Enquanto o direito evolui lentamente nessa área, o budismo demonstra milenar respeito aos animais. O Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), conta sobre a lenda japonesa de uma raposa que havia caído num lago gelado.

Fadada à morte, foi resgatada por Hikozaemon, chefe da vila, que a aqueceu e a secou, alimentando-a antes de soltá-la. Na manhã seguinte, dois faisões foram deixados na varanda externa da casa do protetor. Vendo as pegadas de raposa na neve, ele soube que era uma expressão da gratidão do animal. “Os seres humanos também precisam aprender com este exemplo”,4 conclui o presidente Ikeda.

A propósito, o cachorro Sansão passa bem; ganhou uma prótese e já voltou a andar.

22

 

Jorge Kuranaka

Procurador do Estado, mestre em direito. É vice-coordenador da Coordenadoria Norte-Oeste Paulista (CNOP) e consultor do Departamento de Juristas da BSGI

Notas:

1. A nomenclatura “direito animal”, para os que a defendem, surge da disciplina jurídica autônoma, distinta do direito ambiental, a partir do art. 225, § 1º, VII, parte final, da Constituição Federal, reconhecendo o direito fundamental animal à existência digna, havendo inclusive cursos de pós-graduação em torno do tema.

2. Divulgado em matéria intitulada Mercado Pet Cresce de Forma Vertiginosa no Brasil Durante a Pandemia, vídeo exibido em 21 de fevereiro de 2022. Link: https://globoplay.globo.com/v/10323384/ 

3. Dados da Revista Ecotour News & Negócios. Link: https://portal.comunique-se.com.br/253692-mercado-pet-apresentou-um-crescimento-expressivo-durante-a-pandemia/

4. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-I, p. 134, 2020.

12-5-2022

RDez no BS

Passatempo

Escreva o número da peça que completa a figura abaixo

1




Vamos brincar com o idioma inglês

2

26-5-2022

Notícias

Vivências com a natureza e a alegria do cuidar da vida

Uma programação pensada para exercitar reflexão e boas práticas ambientais. Na última semana, comemorando o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Instituto Soka Amazônia, idealizado pelo presiden­te da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, cria renovadas pontes de esperança. Com sede em Manaus, AM, reuniu parceiros, instituições afinadas à causa, e movimentou voluntários em um conjunto de ações voltadas para sensibilizar quanto ao papel indutor de cada pessoa na garantia de futuro para as gerações. A iniciativa ganha reforços, com conhecimento, alegria em fazer parte e compromisso cidadão.

A programação foi aberta no dia 30 de maio, com palestra sobre sustentabilidade, no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), com participação de cerca de setenta pessoas entre magistrados, servidores e jurisdicionados. A desembargadora presidente do Tribunal, Ormy da Conceição Dias Bentes, destacou os laços que unem o TRT-11 ao Instituto Soka Amazônia desde março passado, quando foi assinado um acordo de cooperação técnica, seguindo-se a adesão do tribunal ao Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), bem como ao Hub ODS Amazonas. Logo depois, Jean Dinelly, gestor da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Dr. Daisaku Ikeda, e Tamy Kobashikawa, coordenadora de pesquisa e relações institucionais, promoveram uma palestra com o tema “Sustentabilidade — Carta da Terra, ODS e Pacto Global”, no qual foram apresentados os valores do instituto e as ações que o TRT-11 pode realizar por meio da Carta da Terra e dos ODS.

No dia 31, foi a vez da ação voluntária de paisagismo no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), reunindo empre­sas parceiras e um público de oitenta participantes.

O dia 1º foi reservado para a exploração das belezas naturais da RPPN Dr. Daisaku Ikeda, onde se edifica o Instituto Soka Amazônia. O local foi reconhecido por seus três sítios arqueológicos, em 1995, e concentra muita história e origens do ambiente. Dentro da programação do Portas Abertas desse dia, foram organizadas visitas guiadas a vários pontos da região.

Duas atividades tomaram o dia 2 de junho, envolvendo mais de cem pessoas no total. A primeira, pela manhã, reuniu interessados na vivência de observação de pássaros e de espécies, utilizando uma plataforma digital. À tarde, houve uma oficina sobre mudas, coordenada por gestores do instituto, iniciada com uma palestra, seguindo-se para a parte prática.

Nos dias 3 e 4 de junho, foram rea­lizados plantios comemorativos em empresas parceiras e também palestra conduzida pelo gestor Jean Dinelly.

Foram diversas iniciativas que sensibilizaram os participantes para a causa ambiental e conscientizaram sobre o papel de cada um no futuro do planeta.

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Oficina de mudas e observação de espécies da fauna e da flora

 

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Oficina de mudas e observação de espécies da fauna e da flora


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Palestra sobre sustentabilidade realizada em parceria com o TRT-11



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Visita à RPPN Dr. Daisaku Ikeda


No topo: ação voluntária de paisagismo


Fotos: Instituto Soka Amazônia

Veja vídeo com a Dra. Paula Sauer Diehl, chefe da seção de Gestão Socioambiental do TRT-11:

9-6-2022

RDez no BS

O aprendizado contínuo na juventude abre o caminho para a vitória

Este ano [2021] marca o 150o aniversário de nascimento do presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi. Ele nasceu no dia 6 de junho [de 1871].

Makiguchi sensei era um rei leão da justiça e do aprendizado constante. Mesmo quando foi perseguido pelo governo militar japonês, durante a Segunda Guerra Mundial, ele se recusou a ser derrotado. Enquanto estava preso, dedicou-se aos estudos com espírito invencível. Ele dizia que aquela, na verdade, era uma grande oportunidade para se debruçar sobre os livros que ele desejava ler desde a juventude.

Gostaria que cada um de vocês, nossos “corredores da justiça” da Divisão dos Estudantes, herdasse o espírito de procura corajoso e apaixonado de Tsunesaburo Makiguchi.

Não importa quão difíceis sejam as circunstâncias, sempre podemos continuar a aprender. Aprender não se refere apenas aos estudos acadêmicos. Inclui lidar com preocupações e sofrimentos, experiências que fazem parte da vida real e nos ajudam a aprimorar nosso coração e expandir nossa mente. Quão admirável é isso!

Desejo que continuem aprendendo durante a juventude, especialmente neste momento em que a humanidade enfrenta desafios sem precedentes. Tenham orgulho de ser nobres leões Soka e abram o caminho para a vitória com esperança e otimismo.

Fonte:

Traduzido da série “Rumo a 2030 — Dedico aos Meus Jovens Sucessores Corredores da Justiça”, publicada na edição de junho de 2021 do jornal Mirai (Futuro), periódico mensal da Soka Gakkai voltado para a Divisão dos Estudantes Esperança e Herdeiro.

Ilustração: Getty Images

9-6-2022

Notícias

Festival Literário Soka

Mais de quinhentas pessoas participaram do 4º Festival Literário, promovido pelo Colégio Soka do Brasil no dia 28 de maio. Assim como em 2021, foi proposto formato on-line, este ano tendo como tema: “Ler para Transformar o Mundo: Educação Humana na Criação de Valores”. Trabalhos de todos os segmentos da escola representaram a visão dos alunos sobre as obras clássicas, entre elas A Hora da Estrela e Capitães da Areia, bem como a leitura de Pé de Romã, inspirado na história do fundador do Colégio Soka, Dr. Daisaku Ikeda. Momento especial para os alunos ficou marcado pela entrevista com a escritora Vanessa do Carmo, autora do livro Cecília, A Cientista. Ela reforçou a importância dos sonhos e o papel das mulheres na ciência.

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A escritora Vanessa do Carmo, entrevistada pelos alunos

 

No topo: registro de um dos momentos do evento literário no Colégio Soka do Brasil

Fotos: Colaboração local 

9-6-2022

Mensagem

Mensagem de congratulações do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda

Excelentíssimo professor doutor Antônio Celso Alves Pereira,

Magnífico reitor professor doutor José Rogério Moura de Almeida Neto,

E senhoras e senhores,

Envio minhas mais sinceras felicitações pelo lançamento do livro Direitos Humanos — Cátedra Daisaku Ikeda, publicado pelo Centro Universitário de Valença, uma das instituições acadêmicas de maior importância do Rio de Janeiro.

Tomei conhecimento de que esta é a primeira edição da Cátedra Daisaku Ikeda, que leva o meu nome. Sinto-me profundamente honrado! Manifesto minha mais sincera gratidão a todos os senhores que dedicaram diligentes esforços para a publicação desta obra, em especial, aos autores dos textos e ao organizador do livro. Muito obrigado!

Recordo-me, como se fosse ontem, do dia em que conheci o Dr. Pereira em sua visita ao distante Japão, em abril de 1998. Embora tenha se passado quase um quarto de século, o fato de manter uma amizade que compartilha o mesmo ideal educacional no Brasil, localizado no lado oposto do planeta, faz meu coração transbordar de alegria.

Quero externar minha mais elevada estima ao Dr. Antônio Celso Pereira por sua admirável vida dedicada à educação acadêmica.

Seguindo os passos desta grandiosa trajetória educacional, o Dr. José Rogério Almeida Neto tomou posse como reitor do Centro Universitário de Valença. Sinceros parabéns!

Tenho a firme convicção de que, sob a liderança do Dr. Almeida Neto, a instituição alcançará um desenvolvimento ainda maior.

Meu sincero desejo é que a Cátedra Daisaku Ikeda e seu primeiro fruto sejam fontes de inspiração para que o Centro Universitário de Valença alcance ainda mais sucesso no mundo acadêmico do Brasil e abra um futuro de esperança para o país formando incontáveis defensores da cultura de paz.

Com respeito em

27 de maio de 2022


Daisaku Ikeda

Presidente da Soka Gakkai Internacional

9-6-2022

Editorial

Um futuro melhor para todos

REDAÇÃO

Quando está prestes a fazer uma compra, você se questiona se aquele produto é, de fato, necessário; se é reutilizável; ou se há o descarte correto das embalagens? Em geral, essas são indagações que podem ser feitas pelo consumidor que tem interesse em contribuir para a redução do impacto ambiental.

Ao mesmo tempo em que as pessoas precisam satisfazer suas necessidades básicas para so­breviver e se desenvolver, os recursos que precisam para isso são “bens comuns globais”.

No mês em que é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, Brasil Seikyo faz importantes reflexões sobre o tema e apresenta a cobertura completa das ações e dos eventos da Semana do Meio Ambiente, promovida pelo Instituto Soka Amazônia em Manaus.

Esse é um tema que não deve ser debatido apenas em certo dia, semana ou mês. Por isso, a Soka Gakkai Internacional (SGI) também tem atividades que fomentam o enfrentamento das questões ambientais, como a exposição Sementes da Esperança e Ação, uma iniciativa em conjunto com a Carta da Terra Internacional e o Instituto Soka Amazônia. Essa mostra, que já tem sua versão digital, foi inaugurada fisicamente no dia 6 de junho, durante a 1ª Conferência sobre Emergência Climática e Justiça Climática do Poder Judi­ciário, realizada em São Paulo. Saiba mais nesta edição.

Além da sua preocupação com a crise do clima, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, também acredita que a busca por soluções deve acontecer em torno do pensamento dos jovens. Em coletiva de imprensa ocorrida em 2021, quando do lançamento oficial dessa exibição para o mundo, a SGI fez a seguinte declaração: “Ouvir a voz dos jovens não é opcional; é o único caminho lógico à frente se estamos verdadeiramente preocupados com o futuro do mundo”.1

É natural questionar-se: “E eu, o que posso fazer?”.

Logo no início de sua Proposta de Paz deste ano, Ikeda sensei fala sobre as percepções das pessoas nesses dois anos de pandemia: o valor da profunda relação com os outros, os problemas do mundo estão conectados e o sofrimento comum das pessoas. Então, ele esclarece o que devemos fazer:

O ponto mais crucial, então, é construir laços de solidariedade a partir da consciência dessa conexão obtida por nós de forma tão profunda e intensa durante a crise, e fazer dela a base de nossos esforços compartilhados a fim de encontrarmos um caminho a salvo dessa tempestade.2


Esperamos que os incentivos e as reflexões propostas neste BS apoiem seu engajamento na sua localidade; e, em torno dos jovens, crie um desenvolvimento ainda maior por um mundo em que todos desfrutem o direito de viver em segurança e felizes.

Ótima leitura!


Notas:

1. Sowing Seeds of Hope [Plantando as Sementes da Paz]. Soka Gakkai.

2. Terceira Civilização, ed. 645, maio 2022, p. 16.

9-6-2022

Especial

Parcerias para um mundo melhor

A Soka Gakkai estabeleceu suas raízes no Budismo Nichiren, que, à frente do tempo, já defendia a “unicidade da vida e seu ambiente”, princípio ao qual é dado o nome de esho-funi, em japonês. Ele ensina que a vida ou o ser (sho) e seu ambiente (e) são inseparáveis (funi). Funi significa “dois mas não dois”. Isso quer dizer que, apesar de as pessoas perceberem os fenômenos separadamente, um ser vivo e seu ambiente são, essencialmente, unos em sua existência fundamental. Por isso, ao ingressar na Soka Gakkai, esse é o primeiro paradigma que se aprende a quebrar. “A culpa não é do outro?” Com a expressão “quando eu mudo, o mundo se transforma”, fortalece-se o senso comum de responsabilidade diante das questões cotidianas, bem como de liberdade, pois, se isso só depende de nós, vamos à ação! O budismo praticado na Soka Gakkai é libertador, dependendo de cada um construir uma vida de vitórias.

Em seu livro A Vida Secreta das Árvores, o engenheiro florestal alemão Peter Wohlleben fala sobre a rede que se forma no subterrâneo das florestas. As árvores se entrelaçam e aderem às raízes das vizinhas, criando uma comunicação que as ajuda na sobrevivência, uma grande rede de proteção entre elas. A tese do autor de que as árvores compartilham diversas características dos humanos traz à luz importantes reflexões sobre a forma como enxergamos (e lidamos com) a natureza.

Mês de junho, novamente no auge das atenções o papel de cada cidadão na construção de um mundo sustentável, iniciativa de alerta à conscientização trazida pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5. Instituído em 1972, pela Organização das Nações Unidas (ONU), propõe-se a unir a sociedade nos debates e conscientização para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais, que até então eram considerados, por muitos, inesgotáveis.

No intento de contribuir efetivamente para esse esforço mundial, o presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, envia anualmente à ONU propostas de paz, em que constam, na maioria delas, pontos de atenção sobre os desafios diante da crise climática, educação e revitalização do ser humano, com impacto direto nas soluções que a humanidade busca. Uma delas, a de 2012, pouco antes da Conferência Rio+20 rea­lizada no Brasil, ele alertava:

O que é a sustentabilidade? Em termos bem simples, penso que possa ser descrita assim: um modo de vida em que a conquista da minha felicidade não custe o sacrifício de outro; a determinação de não deixar para a próxima geração a nossa comunidade e o nosso planeta mais danificados do que eram quando chegamos.1



Na expansão de raízes dessa consciência estão os membros da SGI em 192 países e territórios, com ações práticas de engajamento nessa rede solidária que já alcança 12 milhões de pessoas.

Neste especial, separamos algumas ações em movimento pelos membros da Associação Brasil SGI (BSGI), bem como destaques de nossas instituições e parceiros estratégicos do humanismo Soka. Fomento de boas práticas, educa­ção ambiental e mão na massa dos que desejam um mundo melhor, sem ficar de braços cruzados. Orgulho Soka! Acompanhe!

 

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Edificado em terras antes degradadas, o Instituto Soka Amazônia foi idealizado por Ikeda sensei, constituindo-se hoje no celeiro de projetos de educação ambiental, banco de sementes e apoio social. Localiza-se em uma área de 52 hectares, às margens do Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões, em Manaus, AM. É do instituto a iniciativa da Semana do Meio Ambiente (realizada de 30 de maio a 6 de junho último), incluindo exposição presencial e participação em conferência, com cobertura nas p. 12 e 13.



 

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O Parque Ecológico Dr. Daisaku Ikeda, situado a cinco quilômetros do centro de Londrina, PR, foi inaugurado em setembro de 2000. Pelo Decreto Municipal nº 581, de 24 de novembro de 1999, ficaram estabelecidos a denominação e o espaço, abrangendo uma área total de 50.848 alqueires (1 alqueire = 24.200 m2), em que 10.385 correspondem à área útil, tombada como Patrimônio Público. Entre os projetos parceiros estão a recomposição vegetal da flora e o aproveitamento do espaço para a educação ambiental.

 

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O ano de 2022 trouxe aos alunos do Colégio Soka do Brasil o desafio de unir forças em torno da Campanha da Solidariedade Soka, em sinergia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Eles coletaram mais de 3 mil tampinhas de garrafa destinadas a dois projetos: “Tampinha Legal”, considerado o maior programa socioambiental de caráter educativo em economia circular da América Latina. “Tampinhas que Curam”, cujos recursos levantados após a venda são destinados ao apoio de crianças com câncer.

A iniciativa integra o esforço da direção em basear-se nos direcionamentos do fundador, Dr. Daisaku Ikeda: “O Colégio Soka tem como ideal formar pessoas valorosas, que assumem a responsabilidade pelo futuro do Brasil e do mundo e contribuem para a promoção da paz e da cultura da humanidade”.

A sede própria do Colégio Soka do Brasil foi inaugurada há cinco anos, em São Paulo, atendendo aos alunos do Educação Infantil e Ensino Médio.

O projeto arquitetônico e as instalações foram auditadas pela Fundação Vanzolini, da USP, obtendo selo de excelência em sustentabilidade.

Tudo foi pensado para evitar desperdício: ar-condicionado com sistema inteligente de distribuição de energia, elevador autogerador de energia que distribui excedente para uso do prédio, e sistema de iluminação eficiente. O prédio também possui um reservatório de 55 mil litros de água da chuva.

 

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O Centro Cultural Campestre da BSGI (CCCamp), em Itapevi, SP, é um oásis de paz e natureza. Sua finalidade é servir como centro das atividades culturais e educacionais dos membros, seus familiares e amigos desde a sua fundação, em fevereiro de 1990. E sete anos depois, em junho de 1997, também idealizado por Ikeda sensei, é inaugurado o Palácio Memorial da Paz Eterna no CCCamp. Em local privilegiado, abriga um cenário em meio à exuberante natureza, dignificando a memória dos membros da BSGI falecidos. Uma extensa área de mata preservada, denominada Parque Ecológico Dr. Daisaku Ikeda, circunda o Palácio Memorial.

 

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O fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, defendia sempre que “a criança deve ser feliz enquanto estuda”. Seus ideais ganham eco nessa homenagem feita a ele pela Escola Estadual Eça de Queiroz, em Diadema, SP. O espaço de convivência Professor Tsunesaburo Makiguchi, que completa um ano em junho. Assim, um local antes vazio abriga agora horta, playground, fonte com peixes e espaço para círculo de leitura, favorecendo contato com a natureza e hábitos saudáveis. Em suas palavras, o diretor Edimicio Flaudisio Silva afirma: “A transformação do espaço com o nome do educador que é referência na educação. O principal objetivo da vida é ser feliz, então a educação precisa dialogar com esse princípio. Estamos tendo essa oportunidade aqui na escola”.

 

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Ter afinidade e disposição para mergulhar nas questões socioambientais, da ótica do estudo do budismo e dos direcionamentos de Ikeda sensei. Na BSGI, há chance de aprendizado e atuação para membros, especialistas ou não, todos em caráter voluntário. O Departamento Ambiental (Depam) da BSGI se divide em dois núcleos: o de agentes ambientais (membros em geral) e o de gestão e pesquisa, integrado por especialistas e estudantes na área. Contam com parceria dos agentes ambientais do Departamento de Cientistas (Depac) do Rio de Janeiro. São realizadas atividades de estudo, diálogo e oficinas criativas.

Pela Divisão Feminina de Jovens (DFJ), há o Grupo Flora, que atua em monitorias de visitações ao Centro Cultural Campestre, contando com uma trilha de aprendizado passando pelos pontos marcantes do local. As jovens se reúnem também em encontros mensais, de estudo e diálogo de temas socioambientais.

Na foto, uma especial parceria: em várias atividades, como a Festa da Cerejeira, realizada no CCCamp da BSGI, Depam e Flora se unem e surpreendem.

Nota:

1. IKEDA, Daisaku. Segurança Humana e Sustentabilidade: Compartilhar o Respeito pela Dignidade da Vida. Proposta de Paz. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2012. p. 24 [Enviada à Organização das Nações Unidas (ONU) por ocasião do 37º aniversário da SGI, em 26 de janeiro de 2012].

 

Fotos: BS / Colaboração local

Ilustrações: Getty Images

9-6-2022

Notícias

Acessibilidade no portal EBS


O portal da Editora Brasil Seikyo (EBS) tem uma plataforma de acessibilidade tanto para pessoas com deficiência visual quanto com deficiência auditiva e alfabetizados em libras. A plataforma de acessibilidade voltada para o público com deficiência visual compreende ferramentas de aumento de fonte e mudança de contraste, para pes­soas com baixa visão, bem como navegação por teclado, para pessoas cegas. As matérias mais recentes também possuem descrição de imagem. Para os surdos alfabetizados em libras há a opção da tradução pela aplicação Hand Talk, a mais premiada do Brasil.

Para interagir com o público, ali estão os personagens Hugo, pelo portal, e Maya, no acesso ao Clube de Incentivo à Leitura (CILE), que se apresentam e conduzem os usuários. A iniciativa é fruto de pesquisa feita pela EBS com público sensível para analisar suas necessidades e expectativas, visando oferecer uma experiência cada vez melhor a todos.

 

 

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Personagem Hugo

No topo: personagem Maya

Acesse, convide os amigos: https://www.brasilseikyo.com.br 

Imagens: Reprodução 

9-6-2022

Notícias

União para o enfrentamento da emergência climática

O Instituto Soka Amazônia participou da 1ª Conferência sobre Emergência Climática e Justiça Climática do Poder Judiciário, realizada no Fórum Ruy Barbosa do Tribunal Regional do Trabalho da 2a Região, em São Paulo, no dia 6 de junho. Durante o evento, foi inaugurada a versão física da exposição Sementes da Esperança e Ação — Transformando os ODS em Realidade. O instituto foi representado pelo seu diretor-presidente, Edison Akira Sato, e pelo gestor da Reserva Particular de Patrimônio Natural Dr. Daisaku Ikeda, Jean Dinelly.

Especialistas da área climática e jurídica criaram um ambiente de exposição e troca de ideias na conferência, que reuniu participantes presenciais e por transmissão on-line.

A abertura contou com as participações do presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª região (TRT-2), desembargador Luiz Antonio Moreira Vidigal; da diretora da Escola Judicial do TRT-2 (Ejud-2), desembargadora Maria José Bighetti Ordoño; do desembargador Ricardo Cintra Torres de Carvalho, representando a Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; e do advogado e consultor da União no Estado de São Paulo, Luiz Carlos de Freitas.

Fechando a parte introdutória da conferência, a coordenadora da Carta da Terra Internacional (ECI) no Brasil, Cristina Moreno, reforçou o caráter colaborativo já mantido com a Soka Gakkai em iniciativas anteriores, como a da exposição Sementes da Esperança e Ação. “É uma forma concreta de pôr a Carta da Terra em ação”, ressaltou.

O painel sobre mudanças climáticas, biodiversidade e justiça climática reuniu especialistas como Carlos Afonso Nobre, renomado cientista climático, com mais de quarenta anos de atividades profissionais, em especial de pesquisas na Amazônia. Ele apresentou estudos e projeções revelado­res do grau de comprometimento da vida no planeta, e a busca de soluções sustentáveis.

Também palestraram a jornalista Andreia Coutinho Louback, especialista em justiça climática; o advogado pleno em justiça climática e direitos humanos do Instituto Alana, Danilo Farias; a juíza Rafaela Santos Martins da Rosa; e a ex-conselheira do Conselho Nacional de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes.


Abertura da exposição

Durante o encerramento da conferência, foi aberta exposição Sementes da Esperança e Ação — Transformando os ODS em Realidade, em sua versão física, instalada na Praça da Justiça do fórum.

Na ocasião, Paula Sauer Diehl, chefe da seção de Gestão Socioambiental do TRT-11, proferiu suas palavras, seguidas da mensagem em vídeo da desembargadora Ormy da Conceição Dias Bentes, do TRT-11 do Amazonas e de Roraima. O diretor-presidente do Instituto Soka Amazônia, Edison Akira Sato, que apresentou os trabalhos da instituição e os objetivos da mostra, frisou: “No ato de plantar uma árvore ou apreciar uma exposição, abrem-se renovada consciência e esperança de que a mudança de uma única pessoa contribui para a transformação social do presente e do futuro”. E o Dr. Marcelo Freire, desembargador do TRT-2, agradeceu aos presentes, abrindo oficialmente a exibição.

A exposição Sementes da Esperança e Ação compõe-se de 24 painéis e propõe um modo de vida sustentável com a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU). Foi criada pela Soka Gakkai Internacional (SGI), em conjunto com a Carta da Terra Internacional. Em sua edição brasileira, tem rea­lização conjunta com o Instituto Soka Amazônia.

A mostra traz a ideia de “Inspirar, Aprender, Refletir, Empoderar, Agir e Liderar”, retratada nas propostas do presidente da SGI, Dr. Daisa­ku Ikeda, sobre educação para o desenvolvimento sustentável e é um recurso para a iniciativa da Educa­ção para o Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Nos painéis expostos estão disponíveis códigos QR que fornecem links para vídeos e mais informações, além de propostas de interatividade aos visitantes.


Exposição Sementes da Esperança e Ação

6 a 23 de junho

Segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.

Fórum Ruy Barbosa do TRT2 — Térreo

Rua Marquês de São Vicente, 235

Barra Funda, São Paulo, SP

A versão digital da exposição, lançada em março de 2021, pode ser acessada em:

https://sementesdaesperancaeacao.com.br 

Depoimentos

 

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“A parceria entre a Carta da Terra e a Soka Gakkai é antiga, e cada vez mais se torna fortalecida. Estamos todos conjugados nessa trajetória de cuidar da vida, despertando para a consciência de que como seres humanos, somos capazes de rever os estragos que estamos fazendo. E corrigir. É um compromisso efetivo pela paz, que começa na plenitude consigo mesmo, com outras pessoas e a Terra.” Cristina Moreno, coordenadora da Carta da Terra Internacional no Brasil

Veja vídeo do depoimento de Cristina Moreno:

 

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“Estudos mostram que 95% dos brasileiros são a favor da proteção da Amazônia. Mas quando se observa o percentual dos brasileiros que sabem como proteger a Amazônia, esse número cai bastante. As ações do Instituto Soka Amazônia são muito importantes, nesse enorme esforço de capacitar, vamos assim dizer, centenas de milhares de brasileiros. Não adianta só a gente ter a vontade de salvar a Amazônia; são necessárias ações sociais e econômicas para salvar a Amazônia.” Carlos Afonso Nobre, cientista climático

Veja vídeo com o depoimento do prof. Carlos Afonso Nobre:

 

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Corte da fita inaugural da exposição temática.


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Visitante aprecia os painéis



No topo: em São Paulo, especialistas em meio ambiente e justiça climática criam espaço de debates e projetos


Fotos: BS

9-6-2022

Notícias

Cátedra Daisaku Ikeda de Direitos Humanos lança livro

Passados 47 anos da outorga do primeiro título de doutor honoris causa ao presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda (veja quadro), mais uma vez, ele teve a sua abnegada dedicação em prol da paz reconhecida pela comunidade acadêmica e pela sociedade.

No dia 27 de maio, o Centro Universitário de Valença (Unifaa) lançou o livro Direitos Humanos — Cátedra Daisaku Ikeda no auditório da universidade, na cidade de Valença, RJ.

A obra reúne mais de 25 artigos científicos, resultados de pesquisa e trabalhos de conclusão de curso na área da educação e dos direitos humanos desenvolvidos por professores e alunos da graduação, pesquisadores da Cátedra Daisaku Ikeda de Direitos Humanos.

Cleyson de Morais Mello, coor­denador do curso de direito do Unifaa e organizador do livro, enalteceu as iniciativas da cátedra, em especial, a publicação: “Temos a certeza de que as atividades acadêmicas desenvolvidas na Cátedra Daisaku Ikeda de Direitos Humanos, desde a sua fundação, impactam de forma invulgar a vida dos nossos alunos e a formação de valores humanos de solidariedade, cooperação, ética e respeito”.

O atual reitor do Unifaa, Dr. José Rogério Almeida Neto, também manifestou sua alegria pelos trabalhos desenvolvidos pela cátedra. Ele falou sobre a união de propósitos da instituição educacional e a filosofia humanística Soka: “O Dr. Daisaku Ikeda é uma inspiração. Junto com a BSGI, somos mais fortes. Mãos estendidas, corações alinhados e conhecimento em prol da cultura de paz nos anima a prosseguir instigando nossos estudantes a valores maiores”.

Na mensagem enviada pelo Dr. Daisaku Ikeda para o lançamento da obra, ele citou sua relação com Antônio Celso Alves Pereira, primeiro reitor do Unifaa e idealizador da Cátedra Daisaku Ikeda de Direitos Humanos, e discorreu sobre a força e a beleza dessa amizade: “Recordo-me, como se fosse ontem, do dia em que conheci o Dr. Pereira em sua visita ao distante Japão, em abril de 1998. Embora tenha se passado quase um quarto de século, o fato de manter uma amizade que compartilha o mesmo ideal educacional no Brasil, localizado no lado oposto do planeta, faz meu coração transbordar de alegria”.

Ele afirmou sua convicção de que o atual reitor, José Rogério Almeida Neto, seguindo a trajetória educacional de Antônio Celso, fará com que o Unifaa alcance um desenvolvimento ainda maior (leia a mensagem na íntegra clicando aqui). 

O referido encontro também está marcado na história de Antônio Celso. Na ocasião da inauguração da Cátedra Daisaku Ikeda de Direitos Humanos, em 26 de outubro de 2018, ele declarou: “Um dos momentos mais significativos e marcantes da minha vida foi quando, como reitor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), estive no Japão para fazer a entrega do título de doutor honoris causa ao Dr. Ikeda. [...] O Dr. Ikeda é uma das pessoas predestinadas que nasceram com o objetivo maior de servir à humanidade. Com o núcleo de pesquisa, vamos estudar sua obra, seus trabalhos, pesquisar e buscar informações sobre seu pensamento filosófico, político, humanitário e poético e transmitir aos nossos alunos por meio da cátedra”.

Miguel Shiratori, presidente da BSGI, foi o representante do Dr. Daisaku Ikeda na cerimônia e proferiu a leitura da mensagem enviada pelo homenageado. O presidente da BSGI enalteceu a feliz coincidência da data do evento, que marca a primeira outorga do título de doutor honorário ao Dr. Daisaku Ikeda, feita pela Universidade Estatal de Moscou.

Miguel Shiratori e Cleyson de Morais Mello participaram da sessão de autógrafos no final da solenidade. Além das quarenta pessoas presentes no auditório, o evento teve a audiência de 680 conexões na transmissão ao vivo.

Emocionado, o reitor José Neto disse no encerramento: “O exemplo do Dr. Daisaku Ikeda deve nortear nossos estudantes de direito e de todos os que lutam por uma sociedade melhor, que acreditam em um mundo melhor, um mundo mais equilibrado e feliz. [Temos] muito a agradecer a essa figura ímpar nos nossos dias, uma grande inspiração”.

Após a cerimônia, o professor Cleyson de Morais Mello manifestou: “O Dr. Daisaku Ikeda é uma pessoa visionária. A educação é a grande mola propulsora para o desenvolvimento de qualquer sociedade. E a cátedra foi criada para que os alunos vivenciem, desde o início dos estudos, como são importantes a educação, a pacificação e as diferentes vertentes dos direitos humanos”.


Há 47 anos

No dia 27 de maio, ocorreu o lançamento do livro Direitos Huma­nos — Cátedra Daisaku Ikeda, publicado pelo Centro Universitário de Valença, no Rio de Janeiro. Misticamente, no dia 27 de maio de 1975, no auge da Guerra Fria, o presidente Ikeda recebeu seu primeiro título, o de doutor honorário da Universidade Estatal de Moscou.

A homenagem pioneira foi realizada na ocasião da segunda visita do presidente Ikeda a Moscou, na qual ele também doou livros à biblioteca da Universidade Gorky. No momento da cerimônia, ele apresentou o discurso Uma Nova Estrada para o Intercâmbio Cultural entre Oriente e Ocidente, no qual afirmou que a cultura popular que desabrochara na União Soviética deveria contribuir para o intercâmbio da humanidade e citou como exemplo o Caminho da Seda, considerado uma ponte entre o Oriente e o Ocidente, para ressaltar que é na ressonância entre as pessoas que existe o ponto primordial do intercâmbio cultural.

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Acima, da esq. para a dir.: presidente do Conselho Curador da Fundação Dom André Arcoverde, prof. Miguel Pelegrini; presidente da BSGI, Miguel Shiratori; reitor do Centro Universitário de Valença, prof. José Rogério Moura de Almeida Neto; e coordenador do curso de direito e organizador do projeto da cátedra, prof. Cleyson de Morais Mello


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Exemplares do livro Direitos Humanos — Cátedra Daisaku Ikeda



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Vista da aprazível cidade fluminense




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Campus do Centro Universitário de Valença



No topo: presidente da BSGI, Miguel Shiratori, discursa durante o evento e transmite as felicitações do presidente Ikeda.


Fontes: Terceira Civilização, ed. 589, set. 2017, p. 4. / Brasil Seikyo, ed. 2.174, 6 abr. 2013, p. D2. / Terceira Civilização, ed. 627, nov. 2020, p. 40-45.

Assista vídeo com entrevistas dos representantes da Unifaa:


Leia matéria do Brasil Seikyo em:

https://app.brasilseikyo.com.br/conteudo/999560575/primeiro-titulo-de-doutor-honoris-causa-foi-entregue-ha-47-anos  

Saiba mais sobre a inauguração da Cátedra Daisaku Ikeda em:

https://app.brasilseikyo.com.br/conteudo/36934/centro-de-ensino-em-valenca-rj-institui-nucleo-de-pesquisa-e-catedra 

Fotos: BS

9-6-2022

Livros

Criar ondas de coragem

“Você deve viver! Você deve realizar plenamente o seu destino!” — essas palavras repletas de incentivo da mãe do jovem Charles Chaplin inflaram o peito dele de confiança para vencer as terríveis dificuldades pelas quais a família passava durante a sua infância. O brado materno não só impulsionou mais tarde a vida e a carreira do famoso ator, mas também encontrou eco em sua obra, inspirando incontáveis pessoas ao redor do mundo a concretizar seus sonhos e nutrir bons valores.

Essa bela passagem da vida do criador do personagem Carlitos é citada pelo presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisa­ku Ikeda, no prefácio do livro de sua autoria Seja a Esperança, lançamento da Editora Brasil Seikyo (EBS) a ser entregue aos assinantes do Clube de Incentivo à Leitura (CILE) em julho. Aquele episódio retrata o sentimento do autor:

Nada me deixará mais feliz do que o fato de encontrarem neste livro mesmo que seja uma única palavra que alcance o coração de vocês, que desafiam em seu palco de atuação, hoje e amanhã.1

Jovens (de todas as idades) vão encontrar na obra a visão de Ikeda sensei sobre diversos temas como estudo, felicidade, gratidão, caráter, amizade, bullying, trabalho, amor, sonhos. O olhar também se volta para o passado — com singelas e marcantes histórias da juventude do autor — e para o futuro — falando a respeito de direitos huma­nos, pobreza, armas nucleares e a força da mulher.

O Mestre conclama o leitor a fazer a diferença:

Se não houver esperança a sua volta, você deve criá-la com suas próprias mãos. O coração, tal como um exímio artista, possui a habilidade de expressar livremente a esperança.2

E ressalta o infindável potencial dos jovens para a tão necessária transformação social, numa época em que a humanidade enfrenta tantos e tão difíceis desafios, pois a chave para as questões da vida, em seus diversos planos, passa por dedicar não somente aos objetivos pessoais, mas também ao bem das outras pessoas.

Temas do dia a dia e questões cruciais da humanidade vão sendo costurados pelo autor com linguagem simples e visão profunda, tendo sempre o coração humano como ponto de partida, como ele comenta:

O poder das palavras é definido pelo coração.
As palavras têm vida por haver, no fundo, o coração.
Mesmo que a mesma palavra seja dita,
o poder que ela emana será totalmente diferente de acordo com a profundidade do coração de quem
a expressa.3

Diálogo entre corações e gerações, Seja a Esperança carrega sentimentos e expectativas de Ikeda sensei em relação à força da juventude para o bem do futuro.


O Clube de Incentivo à Leitura (CILE) da Editora Brasil Seikyo traz todos os meses lançamentos de obras do Dr. Daisaku Ikeda e de diversos autores que compartilham da filosofia do humanismo Soka. No mês de julho próximo, os assinantes do plano Diamante do CILE recebem com exclusividade o livro Seja a Esperança! Garanta o seu! Assine até 30/06/22 e receba o kit em sua casa! Confira no portal: www.cile.com.br 


Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Seja a Esperança. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 12.

2. Ibidem, p. 53.

3. Ibidem, p. 50.

No topo: Obra traz ensaios do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, com preciosas orientações para os jovens em relação a diversos temas da vida diária e da sociedade atual

Foto: BS

23-6-2022

RDez no BS

Fique por dentro da edição de julho!

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Você sabe se é um bom ou mau amigo? A matéria do ABC do Budismo explica as características de cada um. Bora conferir?

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A matéria preparada para os Estudantes da DE-Futuro fala sobre futebol e a relação desse esporte com os brasileiros e a saúde. A DE-Esperança explica como transformar o veneno em remédio e mostra como somos capazes de vencer, independentemente dos desafios. Já a DE-Herdeiro trata de um tema muito importante e atual: a diversidade.

30-6-2022

Grupo coração do rei leão

Criar um filho é criar a si próprio

O amor dos pais por seus filhos é o amor mais profundo do mundo e, no entanto, não visa a nenhuma recompensa. Isso é especialmente verdadeiro com relação à mãe, que carrega uma nova vida dentro dela por quase nove meses e então suporta as dores do parto para dar à luz. Portanto, é natural que o amor da mãe por seus filhos seja maior que o do pai. (...) Para que as pétalas de uma flor possam se abrir e para que uma árvore possa atingir a sua altura máxima, são necessários água, nutrientes do solo e luz solar. O ser humano também, para vencer os desafios da vida e se desenvolver até a fase adulta, requer nutrientes. Além de alimentação, uma pessoa precisa receber outros elementos a fim de amadurecer como um ser humano. Um desses nutrientes é a educação, um processo que começa na infância e continua por toda a vida. Os anos pré-escolares são o período mais importante. (...). Embora o amor e a afeição das mães não tenham mudado, os métodos de criação se modificaram. Isso é perfeitamente natural porque os tempos mudaram, como também o ambiente e as condições sociais. Os métodos antigos baseavam-se em sua maioria na experiência; eles sustentam certos aspectos que não se ajustam ao presente.1


Esse trecho do livro Família Criativa, que contém vários incentivos e orientações de Ikeda sensei, preenche nosso coração ainda de mais amor e gratidão, por nossa mãe e nosso pai. Mãe é única e fundamental, biológica ou não, em qualquer etapa da vida. Nos momentos mais difíceis, é nela que muitas pessoas pensam, mesmo que ela já tenha falecido. Mãe é um consolo universal, pois é forte o pensamento de que ninguém nos ama ou nos amou tanto quanto ela. Ao mesmo tempo, é muito bom ver que os pais estão cada vez mais participativos, atuantes, afetivos e fundamentais na criação dos filhos. E mais, a sociedade vem evoluindo de modo que estamos conseguindo nos libertar de antigos padrões e, ao pensarmos em família, temos variados modelos e configurações. Assim, nossos sucessores também vêm desenvolvendo uma postura mais humanizada em relação a questões importantes da vida.

Antes, a preocupação com as “aparências” era muito grande: criar os filhos para estudar, ter um bom trabalho, casar-se, ter filhos. Hoje, o mundo começa a entender que cada pessoa é única, tem sua individualidade, e devemos ampliar nossa compreensão e permitir que nossos filhos sejam livres para expressar seus pensamentos, sentimentos, opiniões. Para tanto, é necessário dedicar tempo para olhar nos olhos, ouvir e acolher. Isso acontece a qualquer momento, por exemplo, no café da manhã ou durante o jantar, sem nos preo­cupar com horários, e chegará o dia em que, naturalmente, eles falarão, de maneira espontânea, sobre amizades, angústias, amores, profissão, sociedade e futuro. Precisamos sair do piloto automático, pois o tempo não passa, o tempo voa! Nossa vida é feita de fases e já aprendemos que os primeiros anos de vida exigem mais atenção e carinho no cultivo, como uma pequena árvore, até que se torne grande, forte e inabalável.

No livro Ensaio sobre as Mulheres consta:

O professor Tsunesaburo Makiguchi disse que a individualidade de uma criança é como uma gema preciosa, ou seja, a joia da realização dos desejos, em um lar. A vida de uma criança é uma joia preciosa capaz de criar infinito e imensurável valor.
Portanto, é fundamental acreditar plenamente nesse inestimável potencial, para que essa “joia do século 21” brilhe livremente conforme as suas características familiares. (...)
Durante a criação dos filhos, a todo momento os pais se confrontam com eles, e é justamente nesse processo que os pais são lapidados e um esplêndido brilho interno resplandece. Podemos dizer que isto é a criação de si próprio.2


Não é maravilhoso sentir que, além da imensa alegria de nos permitir ser mãe e pai, esse precioso sucessor Ikeda está nos polindo e nos “criando” também? Dessa maneira, reconhecendo-nos como joias preciosas, vamos incentivá-los para que desenvolvam a autoconfiança, a esperança, a coragem e muitas qualidades, conforme sensei continua a incentivar:

O budismo expõe quatro tipos de retribuições, que contribuem para a sociedade e são parâmetros de conduta a serem ensinados aos filhos pelos pais por meio da própria conduta; são elas: primeiro, fazer um oferecimento a alguém (doação); segundo, proferir palavras gentis que transmitam consideração ao outro (palavras gentis); terceiro, dedicar-se a outras pes­soas (ações altruísticas); quarto, rea­lizar ações em conjunto em meio às pessoas (ações comunitárias).3

Um carinhoso abraço!

Grupo Coração do Rei Leão

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Família Criativa. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2009. p. 87-89.

2. Idem. Ensaio sobre as Mulheres. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 69-70.

3. Idem, p. 70.


Foto: GETTY IMAGES

30-6-2022

RDez no BS

O poder para realizar sonhos

Série de incentivos escrita pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, para a Divisão dos Estudantes Futuro

O dia 7 de julho marca o início do Festival Tanabata no Japão, quando as pessoas tradicionalmente escrevem seus pedidos em tiras coloridas de papel e as penduram em galhos de bambu. Colocar nossos desejos em palavras nos enche de esperança!

Todos vocês, meus jovens amigos, na verdade, já sabem como fazer para que seus desejos, suas esperanças e seus sonhos para a escola, a família e o futuro se tornem realidade. Estou falando sobre a nossa prática diária do gongyo e da recitação do Nam-myoho-renge-kyo, a Lei fundamental do universo.

Tente escrever seus sonhos do modo mais claro e específico possível e então ore para cada um deles. Ao fazer isso, sentirá a coragem brotar de dentro de si e se tornará capaz de se desafiar vigorosamente. Você também poderá obter apoio das pessoas ao seu redor.

A oração é a mais poderosa força motriz para realizar seus sonhos.

Espero que orem também pelo nosso grande sonho compartilhado do kosen-rufu (“paz mundial”) e expressem seu excelente potencial!

Fonte:

Traduzido e adaptado da série “Rumo a 2030: Dedico aos Radiantes Faróis da Esperança” da edição de julho de 2021 da Boys and Girls Hope News, publicação mensal da Soka Gakkai voltada para a Divisão dos Estudantes Futuro.



Você encontra na edição de julho:

 

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Este mês, quem compartilhou sua vitória com a RDez foi Leonardo Naoki Morais, que ganhou um concurso internacional de ciência! Como prêmio, ele terá a oportunidade de visitar a Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos.

 


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Na Cápsula do Tempo, queremos testar seus conhecimentos sobre a fundação da DMJ e da DFJ. Será que você consegue acertar todas as perguntas?

RDez no BS

Na matéria do mês, Consciência Financeira, falamos sobre dinheiro, como gastá-lo com sabedoria e como economizá-lo. Há ainda um vídeo com dicas de um especialista em finanças.

 

Confira esses e outros conteúdos acessando a RDez de julho:

www.brasilseikyo.com.br/home/rdez 

Ilustrações: BS / Getty Images

Foto: Colaboração local

14-7-2022

RDez no BS

Corredores da Justiça

Um verão de desafios rumo à criação de uma era de paz

Série de incentivos escrita pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, para a Divisão dos Estudantes Esperança e Herdeiro

Agosto é o mês em que renovamos nossos votos pela paz. No dia 6 de agosto de 1993, 48 anos depois de uma bomba atômica ter sido jogada sobre a cidade de Hiroshima, comecei a escrever o romance Nova Revolução Humana.

O livro inicia com a seguinte passagem: “Nada é mais precioso do que a paz. Nada traz mais felicidade do que a paz. A paz é o primeiro passo para o avanço da humanidade”.1 Essa é a convicção dos mestres e discípu-los Soka que desejo confiar a vocês, meus queridos amigos da Divisão dos Estudantes.

Cada um de vocês sustenta a fé na Lei Mística. Ao basear a vida nesse ensinamento, pode aumentar sua força em cem ou até mil vezes! Pode fazer a vida brilhar como o radiante sol da esperança que iluminará o século 21, o século da paz.

Vocês e seus amigos possuem a missão de espalhar amizade e confiança ao redor do planeta. Com essa finalidade, espero que se divirtam encontrando formas de aprimorar outros idiomas e se mantenham firmes nesse propósito. Por favor, tentem também ler livros neste verão2 que falem sobre a guerra e a paz.

Cada passo à frente é um nobre desafio rumo à criação de uma nova era de paz.

Fonte:

Traduzido da série “Rumo a 2030: Dedico aos Meus Jovens Sucessores Corredores da Justiça”, da edição de agosto de 2020, do jornal Mirai (Futuro), publicação mensal da Soka Gakkai voltada para a Divisão dos Estudantes Esperança e Herdeiro.

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Alvorecer. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 9, 2019.

2. No Japão, o verão começa no dia 21 de junho e vai até 22 de setembro.

Fique por dentro da edição de agosto!

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Este mês, comemoramos o primeiro encontro entre Daisaku Ikeda e Josei Toda e a conversão do jovem Daisaku ao Budismo de Nichiren Daishonin. Por isso, preparamos muitos conteúdos legais, como um quiz sobre essas datas na Cápsula do Tempo, a conexão entre mestre e discípulo na Matéria do Mês e um vídeo especial com o presidente da BSGI, Miguel Shiratori.

Você é uma pessoa organizada? Saiba mais sobre o assunto com a DE-Futuro. A DE-Esperança traz um tema muito especial — família — e a DE-Herdeiro fala sobre o princípio budista esho-funi.



Passatempo



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Respostas

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11-8-2022

Matéria Grupo Coração do Rei Leão

Como aproveitar da melhor forma as mudanças constantes da sociedade?

Ao longo da história, as sociedades e suas instituições procuraram se adaptar às novas e inevitáveis reconfigurações sociais e culturais que se apresentam de forma sucessiva no decorrer do tempo, com cada momento guardan­do as próprias especificidades e gerando respostas únicas para novos “problemas” que se impõem ao coletivo. A era atual se caracteriza pelo surgimento de uma sociedade pós-industrial, uma sociedade que valoriza a informação e a tecnologia tanto quanto o desejo pelo consumo. Na chamada era da informação, as transformações acontecem em ritmo acelerado. E a corrida tecnológica que torna os produtos descartáveis e obsoletos também movimenta rapidamente as engrenagens sociais, responsáveis pelas mudanças significativas na sociedade.

O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, nos orienta a viver com na base na filosofia budista, independentemente de qualquer situa­ção. Ao acompanharmos as mudanças sociais, devemos manter como ponto central o ser humano e continuar a elevar nossa condição de vida. Ele afirma:

Estarmos sós apenas intensifica nossa tristeza e é ainda mais difícil aliviar a dor. Os seres humanos são seres sociais. Nossa intera­ção com outras pessoas é o que nos torna plenamente humanos; enriquece-nos mutuamente.1


Diante das atuais circunstâncias, nas quais os seres humanos, apesar de um desenvolvimento tecnológico nunca visto na história humana, vivem um sentimento de desesperança, causado por uma natureza humana voltada para o egoísmo, e um sentimento de impotência perante os desafios das doenças e das guerras, precisamos pôr em ação as palavras do presidente Ikeda, que ressalta:

Dada a incerteza da vida e de nossa incapacidade de controlá-la, é importante que lutemos para manifestar o estado de buda nesta existência, consolidando um estado de vida interior de ilimitada liberdade, que perdure por toda a eternidade. Esse é o propósito da fé. Nossa vitória nesta existência depende de estabelecermos tal condição de vida. Não podemos mudar nosso estado de vida por intermédio da ciência, da política nem da economia — isso só pode ser efetuado pela prática dos ensinamentos do Budismo de Nichiren Daishonin. E possuímos a imensa boa sorte de ter encontrado este budismo na presente existência.2



Sensei continua:

A prática budista é repleta de difíceis desafios, mas nos permite experimentar a grandiosa alegria da revolução humana, que jamais seria possível numa vida de completa comodidade. Essa é a razão pela qual Daishonin nos adverte rigorosamente a não nos esquecer, num momento crucial, das promessas que firmamos em relação à fé”.3



Dessa maneira, vamos acompanhar as mudanças como forma de estarmos lado a lado com a sociedade e, com elevada consciência, transmitir a todos ao nosso alcance a grandiosidade da filosofia budista.

Cuidem-se!


Grupo Coração do Rei Leão da BSGI

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.272, 18 abr. 2015, p. B3.

2. Ibidem.

3. Ibidem.

Foto: Getty Images

11-8-2022

Encontro com o Mestre

Dar continuidade ao invencível espírito Soka!

Em 30 de junho, celebramos o 65º aniversário da Divisão dos Universitários [DUni], nobre grupo de jovens bodisatvas Mérito Universal — pessoas de ampla sabedoria. Este ano também assinala o 60º aniversário do início da série de preleções sobre o Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmen­te que ministrei a representantes da DUni [a partir de 31 de agosto de 1962].

Que alegria inigualável tem sido lutar pelo kosen-rufu, unidos como mestre e discípulo, ao lado dos sinceros membros da DUni, ao longo de décadas até agora, para “compartilharmos os anos de cabelos grisalhos”.1 Todos eles são meus companheiros existência após existência.

Numa das explanações de seis décadas atrás, alguém perguntou se os líderes precisavam ser otimistas. Era esse tipo de perguntas que nossos brilhantes e inquiridores membros da DUni faziam.

Respondi no seguinte sentido:

Líderes devem exercitar a cautela e decidir vencer em todas as lutas. Otimismo sem esse espírito é a marca de um líder que não pensa realmente com seriedade no sentimento das pessoas. O verdadeiro otimismo consiste em continuar sorrindo e seguindo em frente corajosamente pelo kosen-rufu e pela felicidade e vitória das pes­soas, mesmo ao ser difamado ou se deparar com obstáculos.


Hoje, incorporando o princípio “do índigo, um azul ainda mais forte”,2 os membros da DUni estão se aplicando intensamente aos estudos. Dispostos a dar o máximo de si, empenham-se incansavelmente em meio ao povo pela paz e por um futuro melhor para todos. Eles são brilhantes faróis de esperança para a humanidade e, com certeza, se tornarão extraordinários líderes de intelecto e de sabedoria, uma perspectiva que me enche de entusiasmo.

* * *

Nosso intrépido progresso sempre é acompanhado das orações dos nossos preciosos membros da organização do mundo inteiro, unidos na fé na Lei Mística.

Recentemente, como um gesto de caloroso apoio de suas companheiras da Divisão das Mulheres do Japão, as integrantes da Divisão Feminina (DF) da SGI-Itália enviaram um vídeo apresentando sua inspiradora canção Messaggere di Pace [Mensageiras da Paz] que contém o refrão:

Vamos unir corações,

Unir vozes,

Criando ondas,

Ondas de paz e de felicidade



Lembro-me da minha primeira visita a Florença, capital da Renascença, há três décadas (em junho de 1992). Na ocasião, fui presenteado com uma coletânea de vibrantes decisões das integrantes da DF da Itália. Com profundo apreço, escrevi na parte interna do livro a seguinte mensagem:


Aqueles que

não são derrotados

são vitoriosos.

Aqueles que oram sinceramente conhecerão a

felicidade duradoura.

Aqueles que dedicam a vida ao kosen-rufu irradiarão o brilho da virtude e boa sorte eternas.


O canto e o rosto sorridente das componentes da DF italiana nesse vídeo são realmente sublimes. Sei que essas inspiradoras mulheres Soka estão se dedicando com dinamismo na Itália, mantendo o otimismo, sem ser derrotadas pelos desafios da época.

Numa carta datada de 3 de julho de 1278, Daishonin escreve para a monja leiga Myoho:


Como o Sutra do Lótus define nosso corpo como o corpo do Darma d’Aquele que Assim Chega; nossa mente, como o corpo da recompensa d’Aquele que Assim Chega; e nossas ações, como o corpo manifesto d’Aquele que Assim Chega, todas as pessoas que mantiveram a fé em uma única frase ou um único verso que seja deste sutra serão dotadas com os benefícios desses três corpos.3


Hoje, as mulheres Soka — com seu corpo e mente transbordantes de ilimitada energia vital do estado de buda — estão produzindo ondas de paz e de felicidade, demonstrando respeito pelo valor e pela dignidade de todas as pes­soas por meio de seu comportamento e de suas ações.

Minha esposa, Kaneko, e eu recitamos daimoku todos os dias para que vocês, nossos preciosos membros — sobretudo nossos radiantes e experientes veteranos do Grupo Muitos Tesouros —, desfrutem proteção e segurança, vida longa e saudável, infinita boa sorte e benefícios, e pela concretização de suas orações. Peço-lhes que cuidem com especial zelo de sua saúde durante o calor intenso do verão (Japão).

* * *

Julho, mês em que Nichiren Daishonin apresentou seu tratado Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra às autoridades no poder [em 16 de julho de 1260]. Este também é o “mês de mestre e discípulo”, o “mês dos jovens” e o “mês de Kansai”.

Em 3 de julho de 1945, meu mestre, Josei Toda, foi libertado da prisão depois de suportar a dura provação de dois anos de encarceramento a que foi subme­tido pelo governo militarista do Japão. Encontrei-me pela primeira vez com ele dois anos mais tarde [em agosto de 1947]. Josei Toda estava explanando o escrito Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra numa reunião de palestra, durante a qual declarou: “Quero livrar a terra de todo o sofrimento e miséria. É disso que se trata o kosen-rufu. Não querem se juntar a mim?”. Em agosto,4 farão 75 anos desde que firmei o juramento de tomar parte nessa luta conjunta de mestre e discípulo e de dedicar a vida ao nosso movimento pela paz — um movimento baseado em realizar nossa revolução humana e propa­gar os princípios de afirmação da vida preconizados pelo Budismo Nichiren para concretizar um mundo seguro e próspero para todos.

Em 3 de julho de 1957, uma década depois do meu primeiro encontro com Toda sensei, fui detido e encarcerado por acusações forjadas em Osaka — episódio que passou a ser conhecido como Inciden­te de Osaka.5 Lutei com a determinação de impedir que as autoridades estendessem sua perseguição a meu mestre, abraçando o espírito que Daishonin buscava em discípulos genuínos: “Se sentissem e compreendessem suas dívidas de gratidão, então, de dois golpes que desferissem em mim, receberiam um em meu lugar”.6 Por meio da fé alicerçada na unicidade de mestre e discípulo, consegui mudar positivamente aquela situação adversa, transformando o veneno em remédio.

* * *

Dez anos depois do Incidente de Osaka, tive a oportunidade de fazer um retrospecto dessa história de luta conjunta com meus amigos de Kansai — companheiros do distante passado — numa convenção de líderes de Kansai em junho de 1967.

Conversei com os membros de Osaka, Hyogo e de outras localidades de Kansai que se reuniram entusiasticamente para aquele encontro no Ginásio Municipal de Osaka.

Lembrei-os de quão profun­damen­te Toda sensei amava Kansai, considerando-a tão vital para nosso movimento quanto Tóquio, com os dois centros funcionando juntos “como um par de olhos ou de pulmões”. Na sequência, observei que, durante a Campanha de Osaka7 de 1956, os membros de Kansai obtiveram um resultado de propagação recordista, seguido de uma grande vitória que surpreendeu o Japão todo,8 mediante a união de “diferentes em corpo, unos em mente” abraçada por eles como lema.

Então, passei a discorrer sobre o Incidente de Osaka que ocorreu em 1957 e como, durante as duas semanas de detenção sob falsas acusações, mantive a determinação de proteger Toda sensei de qualquer mal nas mãos das autoridades. Recordei o Encontro de Osaka,9 realizado em 17 de julho, dia de minha soltura, no auditório do Auditório Cívico Central de Osaka,10 onde declarei que o ensinamento do Budismo Nichiren prevaleceria no final.

Encerrando minhas palavras, falei sobre o desfecho que se deu em janeiro, quando, após quatro anos e meio de batalha judicial referente ao Incidente de Osaka, obtive a absolvição e provei minha inocência.

Foi um discurso transferindo a tocha do espírito invencível e destemido de Kansai, com o desejo de que a garra, a luta e a gloriosa tradição de Kansai continuassem vivas para sempre.

Compartilhando o desejo de Toda sensei de tornar Kansai um lugar onde ninguém sofresse de doenças ou pobreza, declarei:

Não obstante o que os outros possam dizer, aqueles que permanecerem firmes na fé infalivelmente irão saborear a verdadeira felicidade e a verdadeira vitória, e terão uma vida na qual todas as orações serão concretizadas!


E os membros de Kansai e eu selamos juntos o juramento de nunca desistir de nossa luta contra a injustiça e de continuar seguindo avante resolutamente, personificando o emocionante brado da Daishonin: “Nem uma única vez pensei em recuar”.11

* * *

Nessa reunião, ratificamos o lema: “Kansai de Contínuas Vitórias!”. Depois de visitar Hyogo e Osaka no início daquele ano [1967], lancei-me vigorosamente a encorajar os membros ao redor do país. Também dediquei lemas a cada região, onde nossos membros, hoje, fazendo máximo uso de suas qualidades singulares, estão se empenhando juntos pela vitória Soka com uma união de propósitos “inseparáveis como o peixe e a água”.12

* * *

Falando em lemas, durante o diálogo com o historiador britânico Arnold J. Toynbee há meio século, perguntei-lhe qual era seu lema. O erudito de 83 anos respondeu sem hesitar “Laboremus”, que, em latim, significa “mãos à obra!”.

Quando voltei ao Japão, as primeiras pessoas com quem compartilhei esse lema inspirador foram meus companheiros da Divisão Sênior (DS), num curso de verão repleto de ânimo. Eu disse: “Esforcemo-nos novamente hoje! Prossigamos o trabalho do Buda!”.

Recordo-me ternamente de jurarmos juntos viver como pessoas dotadas de sabedoria, transbordando vibrante energia e com espírito eternamente jovem, cuidando, ao mesmo tempo, muito bem da nossa saúde.

Em determinada ocasião, o professor Toynbee ofereceu o seguinte conselho aos jovens colegas: “O momento certo para começar o seu próximo trabalho não é amanhã ou a semana que vem; é (...) ‘agora’”.13 Esse é o espírito dos nossos pilares de ouro, membros da Divisão Sênior — os Shijo Kingos Soka!

* * *

O diálogo descrito em Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra, tratado de Nichiren Daishonin em admoestação às autoridades, enviado em 6 de julho de 1260, inicia-se com o anfitrião dizendo: “Vamos analisar minuciosamente a questão”14 e termina com o viajante prometendo se empenhar no diálogo para propagar o ensinamento do Sutra do Lótus.

“Em prol da nação, da Lei e das demais pessoas”15 — sentimo-nos compelidos a compartilhar os princípios de afirmação da vida do Budismo Nichiren. Desejamos ensinar ao máximo de pessoas possível a respeito da sabedoria e do espírito do caminho do meio exposto no budismo. Buscamos enviar para a sociedade “valores humanos” de genuíno compromisso, dedicados a servir ao povo. Essa grandiosa e arrebatadora paixão é a força motriz dos nossos esforços.

Julho é o glorioso Mês dos Jovens, em que comemoramos os aniversários da Divisão Masculina de Jovens e da Divisão Feminina de Jovens16 cujos integrantes, nutrindo o juramento como bodisatvas da terra, se empenham atualmente criando um intrépido bailado de ações arrojadas plenas de alegria.

Eles estão discutindo com seriedade os desafios que sua geração enfrenta e os diversos problemas da sociedade; ouvindo com empatia as preocupações sobre as aflições de seus amigos; e estão se levantando para entrar em ação ao lado de membros da organização e de não membros que coadunam com seus propósitos e valores. Não há maneira mais nobre de viver a juventude.

Na mesma carta endereçada à monja leiga Myoho que mencionei, Nichiren Daishonin também expressa: “A luz de uma lamparina [pode iluminar] um lugar que permaneceu na escuridão durante cem, mil, ou dez mil anos”.17

Nosso mundo envolto na escuridão está sedento de sabedoria do radiante Budismo do Sol. Com nossos fidedignos jovens sucessores na liderança, iluminemos o coração de todos ao nosso redor com a calorosa amizade e confiança, empatia e inspiração, e inovação e solidariedade de nossa família Soka!

Em conformidade com as palavras de Daishonin, “Quando o céu está límpido, a terra se ilumina”.18

Vamos iluminar nossa terra com a sabedoria do Budismo do Sol e abrir o caminho para a criação de um futuro radiante e auspicioso para o nosso mundo!

 

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Refrescante, vigoroso, como uma torrente — vários pilares de água jorram ao redor do chafariz. Foto tirada por Ikeda sensei em Port Island Minami Park, Kobe, Hyogo (Japão, jun. 1986)



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Caligrafia dedicada por Ikeda sensei com os caracteres Yumai (Intrépido Bailado)



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Presidente Ikeda, à dir., dialoga com o historiador Arnold J. Toynbee, ao centro (Londres, maio 1973)


No topo: A solidariedade das jovens vidas é esperança ilimitada. Casal Ikeda deposita profunda expectativa na atuação das integrantes da Divisão Feminina de Jovens (Shinanomachi, Tóquio, Japão, 4 jun. 2009)


Publicado no Seikyo Shimbun de 30 de junho de 2022.

Notas:

1. The Writings of Nichiren Daishonin [Os Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, v. II, p. 500.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Dai­shonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 478, 2014.

3. O corpo do Darma é a verdade fundamental, ou a Lei, para a qual o Buda se iluminou. O corpo da recompensa indica a sabedoria para perceber a Lei. O corpo manifesto são as ações benevolentes que o Buda efetua para conduzir as pessoas à felicidade (cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo v. II, p. 187, 2019).

4. O presidente Ikeda se encontrou com Toda sensei pela primeira vez em 14 de agosto de 1947, e, dez dias depois, em 24 de agosto, ingressou na Soka Gakkai e deu início à sua jornada de fé.

5. Incidente de Osaka: Episódio em que presiden­te Ikeda, na época coordenador da Secretaria da Divisão do Jovens, foi detido e indevidamente acusado de violação da lei eleitoral num pleito complementar da Câmara Alta em Osaka, em 1957. Ao final do processo judicial, que se arrastou por mais de quatro anos, ele foi totalmente inocentado das acusações em 25 de janeiro de 1962.

6. Coletânea dos Escritos de Nichiren Dai­shonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 88, 2019.

7. Campanha de Osaka: Em maio de 1956, os membros de Kansai, unindo-se em torno do jovem Daisaku Ikeda, que havia sido enviado pelo segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, para apoiá-los, obtiveram a adesão de 11.111 famílias à prática do Budismo de Nichiren Daishonin em um único mês. 

8. Num pleito eleitoral nacional para Câmara dos Conselheiros (Câmara Alta), realizado em julho de 1956, um candidato apoiado pela Soka Gakkai no distrito de Kansai conquistou uma cadeira pela primeira vez, um feito que a opinião pública considerava praticamente impossível.

9. Encontro de Osaka: Manifestação da Soka Gakkai para protestar contra a detenção injusta do presidente Ikeda, na época coordenador da Secretaria da Divisão dos Jovens da Soka Gakkai, pela Promotoria do Distrito de Osaka, num episódio relacionado com o Incidente de Osaka. Deu-se no Auditório Cívico Central de Osaka, no dia 17 de julho de 1957, data da libertação do presidente Ikeda após ser submetido pelas autoridades a duas semanas de interrogatórios.

10. A denominação anterior, auditório do Centro Cívico de Nakanoshima, foi atualizada para Auditório Cívico Central de Osaka.

11. The Writings of Nichiren Daishonin [Os Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, v. II, p. 465. 

12. Coletânea dos Escritos de Nichiren Dai­shonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 226, 2014.

13. TOYNBEE, Arnold J. Experiences. Londres: Oxford University Press, 1969. p. 103.  

14. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 6, 2014.

15. Ibidem, p. 172.

16. A Divisão Masculina de Jovens e a Divisão Feminina de Jovens foram fundadas, respectivamente, em 11 e 19 de julho de 1951.

17. Cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 188, 2019.

18. Em O Objeto de Devoção para Observar a Mente, Daishonin escreve: “Quando o céu está límpido, a terra se ilumina. De maneira semelhante, quando uma pessoa conhece o Sutra do Lótus, ela compreende o significado de todas as questões seculares” (Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 395, 2014).

Fotos: Seikyo Press

 

11-8-2022

Terceira Civilização

Na prática

Suas ações transformam o mundo!

Alicerce do movimento Soka

A expressão “Pensar globalmente, agir localmente” foi cunhada pelo cientista francês e importante pensador das questões ambientais René Dubos (1901­–1982) e difundida pela futuróloga norte-americana Hazel Henderson, com quem o presidente Ikeda publicou em coautoria o livro Cidadania Planetária — Seus Valores, Crenças e Ações Podem Criar um Mundo Sustentável. O conceito tem se destacado há décadas, sobretudo nos temas relacionados ao meio ambiente, mas também nos campos acadêmicos, de inovação, desenvolvimento socioeconômico e dos direitos humanos.

Ikeda sensei diz no livro que o alicerce do movimento em prol da paz, promovido pela SGI, está em sintonia com o pensamento de Dubos. “O Sr. Makiguchi [primeiro presidente da Soka Gakkai] ensinou a importância de compreender que cada ser humano é mais do que um cidadão de seu próprio país. Todos nós somos integrantes da região onde vivemos e, ao mesmo tempo, somos cidadãos de todo o mundo”.2

Em sua obra Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana], Makiguchi sensei destacou que os indivíduos devem ter consciência em três níveis de cidadania. O primeiro é a consciência de nossas raízes e compromissos locais, baseados em nossa comunidade. O segundo é o senso de pertencermos a uma comunidade nacional. E o terceiro é compreender que todos nós somos cidadãos do mundo e que o mundo é o palco onde representamos o drama da nossa vida.3

Desse modo, entendemos que a humanidade e seu meio estão entrelaçados em um único corpo — assim como apresentado no conceito de “origem dependente” — e nada existe de maneira isolada. A partir dos ensinamentos budistas e dos incentivos do presidente Ikeda, os membros da SGI compreendem que seus esforços não são apenas para o progresso pessoal, mas principalmente para o bem-estar da sociedade.

Sobre isso, Ikeda sensei ressalta: “Vocês estão dando um maravilhoso exemplo do que é ser um bom cidadão na comunidade, estão trabalhando pela felicidade das pessoas e se empenhando para contribuir por uma sociedade melhor e um futuro brilhante”.4 Para elucidar como esse tema ocorre na prática, destacamos algumas ações que a organização e seus membros promovem em prol da transformação da humanidade.

Ação local — impacto global

Os praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin da Soka Gakkai são estimulados a assumir a responsabilidade de criar um mundo melhor. Para tanto, recitam diariamente Nam-myoho-renge-kyo (daimoku) e trechos do Sutra do Lótus (gongyo) para fortalecer a energia vital, e compartilham os ensinamentos do budismo com o sincero desejo de que outras pessoas consigam superar seus desafios. Além disso, participam das reuniões de palestra — atividade mensal dos membros da organização de um pequeno núcleo —, nas quais iniciantes e veteranos da prática budista trocam incentivos para que o potencial de cada um seja despertado, reverberando também para as pessoas ao seu redor.

Em inúmeros países em que a SGI está presente, seus integrantes promovem movimentos que impactam de forma positiva a localidade e, em âmbito maior, a sociedade, fazendo valer o conceito tema desta matéria: “pensar globalmente, agir localmente”. Em paralelo a essas iniciativas locais, a SGI também promove diversas frentes de impacto social com base nos ensinamentos humanísticos do Budismo Nichiren, das quais veremos alguns exemplos a seguir.

Educação que transforma

As ações institucionais nas áreas da educação têm por objetivo desenvolver pessoas conscientes de seu papel social transformador. Por essa razão, o presidente Ikeda se empenhou para criar um pujante sistema educacional no Japão e em vários países — desde a educação infantil até a universidade —, assentado na educação humanística idealizada pelo professor e também fundador da Soka Gakkai Tsunesaburo Makiguchi. Além disso, organizações constituintes da SGI ao redor do mundo promovem iniciativas para o desenvolvimento educacional em sua respectiva localidade.

Um grande exemplo são os jovens da SGI-Camboja. Eles estão ajudando a melhorar a alfabetização e proporcionando aos alunos das áreas rurais acesso às alegrias da leitura. Nessas áreas, poucas escolas públicas disponibilizam bibliotecas e os alunos muitas vezes não têm acesso a outros materiais de leitura além de livros didáticos. O projeto teve início em 2014, quando foram doados livros infantis em khmer, idioma oficial do país, para duas escolas do ensino fundamental.

“Quando nós, jovens da SGI-Camboja, nos reunimos para discutir como contribuir com nossas comunidades locais, decidimos doar livros para escolas públicas e batizamos a iniciativa de ‘Luz do Aprendizado’”, diz Socheth Sok, coordenadora da Divisão dos Jovens do país.5

A Coordenadoria Educacional (CEduc) da BSGI desenvolve em todo o Brasil inúmeros projetos na área educacional fundamentados na “teoria da criação de valor”6 de Makiguchi sensei. Uma das atividades é a Academia Magia da Leitura, cujo intuito é aperfeiçoar as habilidades de oralidade, leitura e escrita dos participantes, além de despertar neles o desejo de ampliar conhecimento por meio da análise textual de obras memoráveis da literatura brasileira e estrangeira, dos livros de autoria do presidente Ikeda e dos periódicos da Editora Brasil Seikyo.

Cultura em benefício das pessoas

Em sua atuação pelo bem-estar da sociedade, a SGI também promove atividades e iniciativas culturais ensejando que seus membros evidenciem força capaz de transformar positivamente o meio em que vivem.

Sobre a importância da cultura e da arte, o presidente Ikeda disse certa ocasião:

A arte é uma arma poderosa na luta pela paz; é uma das expressões mais elevadas do triunfo humano. Os esforços daqueles que se dedicam a aperfeiçoar sua arte servem para edificar a paz e a cultura em benefício de toda a humanidade.7

Para tanto, várias instituições foram idealizadas por ele, como a Associação de Concertos Min-On, fundada em 1963, e o Museu de Arte Fuji de Tóquio, aberto em novembro de 1983, em Hachioji, ambos no Japão. Este último abriga um acervo de valor inestimável, com itens originários do Oriente e do Ocidente, incluindo quadros, esculturas, cerâmicas, porcelanas, armaduras e espadas medievais, medalhas e fotografias. Apresentações culturais, palestras e exposições são alguns dos eventos promovidos pela SGI com o intuito de desenvolver o potencial de cada integrante e aproximar o povo das variadas formas de arte.

Já no Brasil, são inúmeros projetos promovidos pela Coordenadoria Cultural (CCult) da BSGI, dos artísticos aos inclusivos. Destacamos aqui o Núcleo de Inclusão em Libras (NIL) cujo objetivo é expandir o entendimento do Budismo de Nichiren Daishonin para os surdos por meio da Língua Brasileira de Sinais.

Meio ambiente

Depoimento de Jean Dinelly Leão, engenheiro ambiental no Instituto Soka Amazônia

Sou engenheiro ambiental e trabalho no Instituto Soka Amazônia (ISA) desde 2016. Minha atuação se concentra na gestão da Reserva Particular Dr. Daisaku Ikeda, em todas as áreas que envolvem o relacionamento com parceiros institucionais e na atenção à legislação que ampara nossas atividades.

No instituto, estamos empenhados em pôr em prática os conceitos filosóficos propostos por nosso fundador, Dr. Daisaku Ikeda, nos quais seres humanos e o meio ambiente são unos e, ao mesmo tempo, exercem influência um sobre o outro.

Os principais projetos desenvolvidos pelo ISA são:

Academia ambiental — aulas de educação ambiental promovidas pelo instituto para jovens da rede municipal de ensino sobre a importância da conservação das espécies, o manejo da biodiversidade e a interação com o meio ambiente.

Conservação da natureza — conjunto de ações que permitem à comunidade local contribuir com a proteção da Amazônia a partir da coleta de sementes, da produção de mudas nativas em risco iminente de extinção e do plantio de mudas junto com a sociedade.

Apoio à pesquisa — parcerias com as principais universidades locais e centros de pesquisa, disponibilizando as áreas da Reserva Particular Dr. Ikeda para obtenção de conhecimentos científicos.

Os projetos desenvolvidos pelo Instituto Soka Amazônia têm beneficiado diversos setores da sociedade local, com destaque para a classe acadêmica, a indústria e, principalmente, as comunidades ribeirinhas. Em muitas oportunidades, os trabalhos realizados pela equipe do instituto provocam reflexão e, por vezes, mudança no comportamento dos moradores locais. Certa vez, ao visitarmos uma comunidade ribeirinha que vivia do extrativismo e do corte da madeira, mostramos que, para obter as sementes de determinadas árvores, era necessário pagar por elas. Um dos integrantes afirmou não imaginar que existia valor nas sementes, e que daquele momento em diante sua conduta seria a de preservar aquelas espécies.

Temos muito a fazer pela Amazônia enquanto instituto. Creio que, nos próximos anos, mais avanços serão obtidos em parceria com a comunidade da região, levando ao mundo a certeza de que na Amazônia existem pessoas e instituições preocupadas com a integridade ecológica local e seu impacto global, traduzidas em ações socioambientais.

Orgulho de pertencer à SGI

Em todos os lugares, membros da Soka Gakkai Internacional dedicam-se incessantemente à autorreforma — com a prática contínua e diária de gongyo e daimoku, do estudo do budismo, da relação de companheirismo estabelecida com os integrantes da organização local e dos incentivos do presidente Ikeda, além da participação e do apoio a projetos específicos em diversos setores, do educacional ao ambiental. Com esses esforços constantes, a consciência de serem agentes transformadores se expande, e uma energia positiva e vibrante se instaura na vida deles, irradiando vivacidade para os membros da família, da comunidade e a sociedade. Ikeda sensei diz:

Não temos artifícios secretos, nossos membros se encorajam mutuamente e aceitam os desafios impostos pela reforma individual de seu caráter. A vitória de cada pessoa sobre seu “eu menor” impulsiona o desenvolvimento social e, por fim, influencia a história da humanidade. Esse é o âmago do nosso movimento da revolução humana.8

Um dos grandes estudiosos do Budismo de Nichiren Daishonin Richard Hughes acompanha há décadas os trabalhos realizados pela Soka Gakkai e a SGI em prol da paz, da cultura e da educação. Ele ressaltou:

O Budismo de Nichiren Daishonin é uma das linhas budistas mais tradicionais do Japão e, na Soka Gakkai, ele assumiu a forma de um dos movimentos mais vibrantes, modernos e dedicados que existe. (...) Estudiosos começaram a reconhecer a Soka Gakkai como uma força positiva no mundo e como um excelente modelo daquilo que é chamado de “budismo de engajamento social” e essa é uma contribuição que atrai o mundo contemporâneo.9

Assim como observado pelo Dr. Seager, as atividades da SGI são um movimento efetivo de pessoas engajadas não somente pela felicidade de si, mas também para a felicidade de toda a humanidade. Compreender que cada integrante da organização e das instituições Soka cooperam verdadeiramente para a construção de um mundo melhor enche o coração de orgulho e de alegria. Simples ações na vida cotidiana, firmadas no humanismo budista, têm potencial transformador incalculável. Então, lembre-se: por meio de suas ações no local em que está, você pode mudar o mundo!

Notas:

1. Brasil Seikyo, 1.793, 30 abr. 2005, p. A5.

2. IKEDA, Daisaku; HENDERSON, Hazel. Cidadania Planetária — Seus Valores, Crenças e Ações Podem Criar um Mundo Sustentável. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. p. 95.

3. Cf. Brasil Seikyo, ed. 1.718, 4 out. 2003, p. A3.

4. Brasil Seikyo, ed. 1.607, 9 jun. 2001, p. A3.

5. Disponível em: https://www.sokaglobal.org/in-society/initiatives/cambodia-light-of-learning.html. Acesso em: 6 ago. 2021.

6. Tsunesaburo Makiguchi desenvolveu os princípios da educação humanística baseado em sua “teoria da criação valor”, que abarca: “belo, benefício e bem”.

7. Brasil Seikyo, ed. 1.742, 3 abr. 2004, p. A3.

8. Brasil Seikyo, ed. 2.361, 25 fev. 2017, p. B4.

9. Terceira Civilização, ed. 405, maio 2002, p. 2.

1-9-2021

Especial

[11] Universidade George Mason

Educação que espalha “sementes da paz”

Por que as pessoas lutam umas com as outras? O que é necessário fazer para edificar a paz? — desde os tempos antigos, do leste ao extremo oeste, essas são perguntas que a humanidade vem se deparando continuamente.

Mediante o acúmulo de inúmeros conhecimentos e de esforços, após a guerra, desenvolveram-se estudos sobre a paz no campo acadêmico. Com o tempo, à medida que eles foram se generalizando e abarcando outras questões, como problemas ambientais, pobreza e discriminação, surgiu um estudo voltado para o conflito armado, que havia sido o objeto de pesquisa original: o “Estudos de Solução de Conflitos”.

Com uma curta história na área de especialização e diante de conflitos frequentes que ocorriam em diversos locais, ainda eram muitas as questões a ser resolvidas.

Através de seu Centro de Pesquisa de Estudos e Meios de Solução de Conflitos, a Universidade George Mason, dos Estados Unidos, é a primeira no cenário mundial a criar programas de mestrado e doutorado nessa área. A partir de então, vem formando especialistas da construção da paz que atuam em todas as partes do mundo.

A instituição também é pioneira em vários outros setores, como os da oferta de novas graduações e da criação de instalações dentro do ambiente educacional.

Ao buscar a origem desse espírito empreendedor, encontramos George Mason, um dos líderes fundadores dos Estados Unidos da América, cujo nome honra a universidade. A Declaração de Direitos da Virgínia, redigida por ele e promulgada em 1776, codificou, pela primeira vez no mundo, os conceitos de direitos humanos que influenciaram a Declaração da Independência dos Estados Unidos, estabelecida no mesmo ano, e, posteriormente, a Declaração dos Direitos Humanos da França.

Ações concretas para a paz

No dia 28 de junho de 2010, a Universidade George Mason concedeu ao Dr. Daisaku Ikeda o título de doutor honorário em letras, em uma solenidade de entrega realizada na Universidade Soka, em Hachioji, Tóquio. A cerimônia contou com a presença do então reitor da Universidade George Mason Dr. Peter Stearns e comitiva, que incluía o Dr. Andrea Bartoli, diretor do Centro de Pesquisa de Estudos e Meios de Solução de Conflitos.

Em suas palavras de cumprimento, o Dr. Stearns enfatizou:

“O Dr. Ikeda não só é merecedor desse título, oferecido pela nossa universidade, como também é a pessoa mais digna de ser agraciada com todos os títulos e homenagens que já lhe foram outorgados”.

Uma das características dos conflitos modernos é que a guerra entre as nações foi substituída por confrontos internos de grupos pró e contra o governo e por conflitos armados entre várias potências.

Os Estudos para Solução de Conflitos, além de elucidar as causas principais dessas guerras internas e de aprofundar as teorias e técnicas para a pacificação, propõe que se visite, de fato, as áreas de enfrentamento e se envolva nas negociações e mediações entre as partes.

Teoria e prática — na ausência de um deles, tanto a paz como a solução dos conflitos não passam de rumores.

Como ponto primordial da luta pela paz do presidente Ikeda está o brado do seu venerado mestre, presidente Josei Toda:

“Para o progresso e a paz da humanidade, são importantes propostas e ações concretas”; “Teorias impraticáveis são totalmente inúteis, mas propostas concretas se tornam pilares para a sua concretização e também ‘cobertura’ para proteger a humanidade”.

Com essas palavras gravadas em seu coração, o presidente Ikeda fundou o Instituto Toda para a Paz Global e Pesquisa Política em 1996. Seu atual diretor, Kevin Clements, é um estudioso da paz de primeira categoria que já atuou como diretor do Centro de Pesquisa de Estudos e Meios de Solução de Conflitos da Universidade George Mason.

Ter empatia e consideração pelo outro

Em meio ao diálogo com o presidente Ikeda, o Dr. Stearns disse: “Para evitar que o conflito se torne cada vez mais sério, é importante pensar no impacto que seus atos provocarão no sentimento e nas ações do outro e ter empatia”.

Ikeda sensei também defendeu que, para fomentar o altruísmo e a empatia, é necessário assentar a ideia da dignidade da vida na base fundamental da sociedade.

Assim como existem relatos de que metade dos países que saíram dos conflitos armados acabou retornando novamente a uma situação de guerra, mesmo que se assinem acordos de paz, se o “desarmamento do coração” — de parar de enxergar o outro com hostilidade — não se espalhar, será difícil evitar a volta de confrontos.

Como ambos disseram, embora se fale em “solução dos conflitos”, o elemento principal disso é o ser humano. Porque, como o ser humano é quem provoca o conflito, quem constrói a paz também é o ser humano.

O presidente Ikeda, ao mesmo tempo em que propõe ideias concretas para a solução de vários problemas globais em suas propostas de paz anuais comemorativas do Dia da SGI, veio espalhando as “sementes da paz” na vida das pessoas por meio da força da educação e dos incentivos de vida a vida. E, por essa rede de solidariedade humana, vem estabelecendo a “cultura de paz” na sociedade.

Nada mais são que ações para aprofundar tanto a “teoria” como a “prática”.

O Dr. Andrea Bartoli é um ativista que visitou áreas de conflito do mundo e esteve envolvido na prevenção de assassinatos em massa e em processos de paz. Ele tomou conhecimento das contribuições para a paz do Dr. Ikeda por intermédio das obras do líder pacifista.

Em junho de 1996, o presidente Ikeda proferiu uma palestra comemorativa na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, quando o Dr. Bartoli dava aulas nessa instituição.

O Dr. Bartoli ouviu profundamente emocionado o discurso em que o presidente Ikeda enfatizou, como requisitos básicos para um cidadão do mundo, a sabedoria, a coragem e a compaixão. Ele diz que sentiu que esses três requisitos podiam ser perfeitamente substituídos pelas condições para a solução dos conflitos.

O fato de enaltecer o presidente Ikeda levará a universidade a patamares acadêmicos ainda mais elevados — essa convicção do Dr. Bartoli e dos membros da cúpula da Universidade George Mason culminou na outorga do título de doutor honorário em letras ao líder da SGI, aprovada por unanimidade pelo conselho diretor da instituição.

Por ocasião da concessão da homenagem, houve a assinatura de um convênio de intercâmbio acadêmico entre a Universidade Soka e a Universidade George Mason. Desde essa ocasião, o fluxo entre as duas universidades tem beneficiado mais de oitenta universitários.

“Nossa universidade está formando estudantes que possuem um campo de visão internacional. Essa é uma crença consonante com a educação Soka”, disse o Dr. Stearns durante a solenidade.

Em meio ao seu contato com universitários e estudantes da Universidade Soka e da Escola Soka, ele viu a educação para o cidadão do mundo, tema de pesquisa para o qual dedicou longos anos de sua vida, sendo colocada em prática vividamente.

O Dr. Stearns é um grande mestre da história mundial que possui mais de 135 livros editados. Mais que ninguém, ele sabia que a história da humanidade era uma história de guerras.

Ao entrar em contato com a filosofia do presidente Ikeda, contudo, o Dr. Stearns aprofundou sua convicção de que qualquer pessoa pode contribuir para a paz, e ele sente fortemente que propagar esse pensamento é uma responsabilidade como educador.

Afastando-se da opinião popular de que “a paz é algo momentâneo, um intervalo entre as guerras”, ele passa a aprofundar seus estudos com uma nova visão histórica de que “a paz é o ‘normal’”. E começa a inserir esse conteúdo também nas aulas da Universidade George Mason.

Em 2014, o Dr. Stearns publicou o livro Peace in World History (Paz na História Mundial) contendo o resultado de suas pesquisas. Em suas aulas e nos livros, ele também fala a respeito do movimento pela paz promovido pela Soka Gakkai.

A editora da Universidade George Mason e o Centro Ikeda para a Paz, a Aprendizagem e o Diálogo (da cidade de Cambridge, estado de Massachusetts, Estados Unidos) lançaram uma publicação conjunta da obra Peacebuilding Through Dialogue (Construção da Paz por meio do Diálogo), em 2018. É um livro de pesquisa com treze artigos escritos por acadêmicos como o Dr. Bartoli sobre as possibilidades e aplicabilidades do diálogo.

O Dr. Stearns, responsável pela edição, escreveu na introdução: “Cada um dos artigos deste livro endossa a crença do Dr. Ikeda de que a mudança de uma única pessoa transformará o destino de toda a humanidade”.

Fazer do século 21 o século da paz — no horizonte futuro desse desafio da humanidade aguardam muitas questões difíceis. No entanto, o intercâmbio com a Universidade George Mason tem ensinado que a chave para abrir o futuro nada mais é que a propagação da ideia da dignidade da vida que se inicia a partir de si próprio.

Palavras de Peter Stearns, ex-reitor da Universidade George Mason

Até o momento, nossa universidade tem concedido o título de doutor honorário relativamente a poucas pessoas. Por que outorgamos o título de doutor honorário? Para que a vida daquele que será homenageado se torne grande inspiração para alunos, professores, funcionários e para a própria universidade. Também tem o significado de fazer da própria solenidade de concessão uma importante recordação para todos e um parâmetro para um aprimoramento ainda maior.

Além disso, nossa universidade procura ampliar sua perspectiva internacional por meio desse reconhecimento a personalidades que contribuem globalmente, e penso que a outorga do título ao Dr. Ikeda seja o exemplo mais proeminente. O que nossa instituição exalta é a maravilhosa contribuição dele em prol da paz; em especial, o que suas ações almejam está profundamente interligado e tem pontos em comum com o programa de solução de conflitos da nossa universidade.

A outorga do título de doutor honorário é a expressão da decisão de nossa universidade de participarmos e nos juntarmos ao nobre empreendimento do Dr. Ikeda e da nossa gratidão. Além do mais, é a manifestação da nossa determinação de absorver a mensagem que ele transmitiu ao longo de sua vida e difundi-la amplamente por meio de nossas ações.

Penso que a existência do Dr. Ikeda em si seja um grandioso épico heroico e uma história que nos mostra de que maneira os seres humanos deveriam viver. Cada uma das pessoas com quem eu me encontrei, alunos da Escola Soka ou estudantes da Universidade Soka, tinha assimilado o pensamento e a filosofia do Dr. Ikeda para si e procurava pô-los em prática, além de se esforçar para compartilhar esse valor com outras pessoas. Senti que a atitude de cada um condensava o “pensamento Ikeda”.

Primeira universidade do mundo a oferecer curso de graduação para a resolução de conflitos
A instituição nasceu como filial da Universidade da Virgínia em 1957. Em 1972, decidiu-se separar a faculdade da Universidade de Virgínia, que recebeu o nome de George Mason, em homenagem ao líder fundador dos Estados Unidos da América e redator do Código de Direitos da Virgínia, evoluindo até a atual Universidade George Mason.
Além do seu campus principal, localizado no município de Fairfax, no estado da Virgínia, possui outros quatro campus adicionais, incluindo uma filial em Incheon, na Coreia do Sul, inaugurada em 2014. Oferece mais de duzentos programas de graduação e são 37 mil estudantes matriculados vindos de mais de 130 países.
Em seu corpo de professores figura personalidades renomadas das mais variadas áreas, incluindo ganhadores do Prêmio Nobel e do prêmio Pulitzer.

Nota:

1. Trechos de matéria publicada no jornal Seikyo Shimbun datado de 28 de fevereiro de 2012.

1-10-2021

Crônica

Castelo Takiyama

Histórias de samurai cativam a minha imaginação desde a infância, por meio de livros, filmes, mangás e animes. Entretanto, há algumas semanas, deparei-me com uma delas, diferente de todas as outras que conhecia.

O ano era 1569, e um dos mais renomados samurais da história do Japão, Takeda Shingen, enviara mais de 20 mil soldados para conquistar o Castelo Takiyama. Sem grandes muralhas ou fortes bastiões, essa construção medieval erguia-se em meio às colinas da região de Musashi e era defendida pelo general Ujiteru e seus 2 mil guerreiros. Contra todas as possibilidades, “sob a brava liderança de Ujiteru, suas tropas defenderam a fortaleza com muita competência e impediram que caísse nas mãos do inimigo”,1 conta o Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI).

Mais de 450 anos já se passaram desde que ocorreu essa batalha, e terremotos, ventos e o tempo fizeram o Castelo Takiyama desaparecer. Entretanto, em um fim de tarde, saí do laboratório em que estudo aqui na Universidade Soka do Japão e caminhei, curioso, por cerca de 15 minutos, até chegar às ruínas dessa fortificação.

Era um dos raros dias de céu claro no verão japonês. Contemplei a vista do Monte Fuji do local em que Ujiteru e seus guerreiros fizeram história e li o poema dedicado por Ikeda sensei aos estudantes da Universidade Soka, intitulado As Ruínas do Castelo Takiyama:

As ruínas do Castelo Takiyama

e a Universidade Soka

são como amigas, irmãs.

Os laços duradouros

dessas duas colinas vizinhas

permanecerão por toda a eternidade na história.2

Minha mente então viajou pelos três anos que já se passaram desde que vim ao Japão. Em meu coração, revivi as emoções que senti assim que desembarquei nas terras de Ikeda sensei, e fui tomado por um enorme sentimento de gratidão.

Como um castelo, construído para proteger aqueles que residem dentro de suas muralhas, eu me senti abraçado e protegido aqui desde o momento em que fui recepcionado no aeroporto. Com o cuidado, o carinho, a cordialidade e a atenção demonstrados pelos funcionários da Universidade Soka, senti o coração do Mestre.

Em certa ocasião, Ikeda sensei comentou:

A firme determinação e forte liderança de Ujiteru devem ter sido uma fonte de coragem e inspiração para os soldados. (...) Se um líder for realmente dedicado, suas tropas também serão. Espero que os alunos da Universidade Soka se tornem grande líderes, que trabalhem pelo bem-estar das pessoas.3

Por isso, fazendo da fé meu alicerce, sem nunca me esquecer dos esforços de todos que tornaram possível eu estar aqui hoje, seguirei me dedicando para poder corresponder às expectativas de Ikeda sensei e expandir as fronteiras do “castelo do kosen-rufu” ao propagar o budismo e a filosofia humanística, conforme ensinado pelo Mestre, para o maior número de pessoas possível, e trabalhar em prol da sociedade e pelo bem-estar de cada ser humano.

Luiz Mormille

Divisão de Tecnologia e Inovação

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 15, p. 138, 2019.

2. Tradução livre de trecho do poema As Ruínas do Castelo Takiyama, de autoria do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda. Disponível em:

https://www.daisakuikeda.org/sub/resources/works/poet/takiyama-castle.html. Acesso em: 20 ago. 2021.

3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 15, p. 138-139, 2019.

1-10-2021

Série

O princípio humanístico (capítulo 3, parte 3)

A paz começa em casa

Ikeda: Acredito que “século das mulheres” seja sinônimo de “século da paz”. Isso porque as mulheres não só podem, como devem desempenhar papel essencial na criação de uma cultura de paz. É claro que me oponho a uma delimitação rigorosa do papel com base no gênero. O importante é que tanto homens como mulheres sejam igualmente felizes. Atribuir alguns papéis exclusivamente aos homens e outros às mulheres causa infelicidade e representa prioridades erradas.

Unger: Tenho grandes expetativas quanto à atuação das mulheres no trabalho relacionado à paz. E concordo com o senhor que é um erro atribuir papéis só com base no gênero. Em essência, homem e mulher constituem a humanidade como um todo e formam a base para o futuro. A Sagrada Escritura não define de forma adequada o papel da mulher. Apesar disso, os ensinamentos cristãos sustentam que Deus criou a humanidade masculina e feminina e confiou-lhes tanto a autoinstrução como a instrução das outras pessoas. Ambos os sexos possuem incomparável dignidade e devem contribuir para o valor da dignidade de toda vida.

Ikeda: Concordo. Embora Shakyamuni tenha vivido numa época em que as mulheres eram tratadas com cruel desprezo, nunca as discriminou. Ele as admitiu na Ordem, na qual, mesmo após a morte dele, as mulheres continuaram desempenhando papel ativo. Há mais de sete séculos, Nichiren Daishonin expressou-se contra a desigualdade de gênero, acreditando que tanto homens como mulheres possuem nobre missão: “Não deve haver discriminação entre os que propagam os cinco ideogramas do Myoho-renge-kyo nos Últimos Dias da Lei, sejam homens, sejam mulheres”.1 O sistema mais valioso é, sem dúvida, aquele em que homens e mulheres fazem pleno uso de suas características individuais no lar, no local de trabalho e na comunidade, por meio do respeito mútuo e da igualdade.

O preâmbulo da Carta de Tolerância de sua academia lamenta a situação atual em que “a família também fica em perigo, e se vê cada vez menos capaz de desempenhar sua principal tarefa, de ser um núcleo estável de comunidades humanas”.2 A experiência pessoal me ensinou que a família e os amigos proporcionam a energia motivadora para que o indivíduo se engaje no convívio social de forma vigorosa. O lar é a base das relações humanas na qual as mulheres desempenham papel fundamental.

Unger: Sem o convívio familiar, a solidariedade social vibrante se torna inalcançável. Mas, hoje em dia, a família e o lar estão perdendo seu poder de estabilizar a sociedade e criar solidariedade.

Ikeda: A família é a menor unidade social e a mais importante. A estabilidade social é impossível sem a estabilidade familiar. O psicólogo Erich Neumann (1905–1960) escreveu que homens e mulheres estão ligados por elementos de confronto: dia e noite, consciência patriarcal e consciência matriarcal, e assim por diante. Embora manifestem suas produtividades distintas, esses elementos se complementam de maneira recíproca e ajudam uns aos outros a frutificar e a se unir.3 Por meio desse processo, é possível construir um lar estável. As crianças passam a ver o convívio familiar como um porto seguro quando os pais tentam compreender a visão delas e partilham tanto de seus problemas como de suas alegrias. As atitudes otimistas e abertas dos pais em relação à comunidade e à sociedade são absorvidas pela mente das crianças e se tornam uma força motriz para a coesão social.

Eleanor Roosevelt afirmou que os direitos humanos universais começam em pequenos lugares perto de casa.4 De fato, o lar é onde o senso de tolerância e a consciência dos direitos humanos se formam e florescem.

Unger: As mulheres desempenham o papel essencial de estabilizar o lar se sustentando em suas características únicas. Embora nos últimos anos os homens tenham começado a ajudar, a educação dos filhos sempre foi um campo em que as mulheres vêm realizando a mais notável contribuição social. Pergunto-me, com frequência, por que o extraordinário trabalho da mulher na educação dos filhos e na estabilização do lar não obtém o reconhecimento que merece.

Ikeda: Quando conheci família do senhor em 1997, sua esposa, Monica, me proporcionou um vislumbre da importância do papel do parceiro quando disse que era mãe há mais de vinte anos e nunca se sentiu vitimizada. Pode ser que os filhos de mães que se sentem vítimas da maternidade se considerem igualmente vítimas.

A futuróloga americana Hazel Henderson, com quem publiquei um diálogo intitulado Cidadania Planetária, é bem conhecida por seu conceito da “economia do amor”. As mulheres apoiam a economia empresarial mantendo a casa, criando filhos, cuidando de doentes e prestando serviços comunitários. Embora sua produtividade real seja metade da total, seus esforços não são calculados num Produto Interno Bruto (PIB) nem remunerados. A Dra. Henderson insiste que essa economia do amor seja adotada como índice em substituição ao PIB. Sua teoria lança luz sobre as contribuições sociais das mulheres, até agora ignoradas pela economia, e sobre a importância de cuidar, partilhar e valorizar a vida e a natureza.

Unger: Muitas mulheres hoje em dia têm de harmonizar suas obrigações maternais com o trabalho fora [do lar]. Entretanto, à parte do papel biológico de gerar vida, seus papéis sociais permanecem subdesenvolvidos.

Ikeda: Devemos avaliar de modo justo o poder das mulheres e louvar suas opiniões e seus papéis. O poeta indiano Rabindranath Tagore (1861–1941) declarou que as mulheres superam os homens em vitalidade5 e que sua força é indispensável para moldar uma civilização espiritual.6 Levando em conta a civilização contemporânea dominada à força pelo homem, ele nutria a esperança de que o poder das mulheres cultivasse uma “civilização da alma” alicerçada na compaixão. Ele escreveu que “a esperança é de que a próxima civilização seja baseada não apenas na competição e exploração econômica e política, mas na cooperação social mundial, sustentada por ideais espirituais de reciprocidade, e não em ideais econômicos de eficiência. Então as mulheres terão o seu verdadeiro lugar”.7

Gandhi também expressou com clareza e sem rodeios sua convicção de que as mulheres têm a chave para a criação de um mundo não violento. Como ele afirmou: “Se força indica poder moral, então a mulher é imensamente superior ao homem (...). Se a não violência é a lei de nossa existência, o futuro está com a mulher”.8

As mulheres estão mais bem capacitadas para compreender e aliviar o sofrimento, pois, ao longo da história, em se tratando de inquietação social, guerras, violência, repressão de direitos humanos, fome e peste, foram elas que mais sofreram. O senso de responsabilidade pela proteção das crianças no futuro confere uma grande força à voz delas. Acredito que, no século 21, as atividades e contribuições das mulheres em muitos campos reformarão, primeiro, a sociedade e, então, o próprio tecido da civilização. Em essência, as mulheres são pacifistas, emocionalmente dotadas da capacidade de proteger e ter compaixão pela vida.

A escritora austríaca e ativista pela paz Bertha von Suttner (1843–1914) mostra a que proporção podem chegar as grandes realizações históricas de uma mulher sinceramente dedicada à paz. Seu romance antiguerra Die Waffen nieder (Abaixo as Armas, 1889) causou grande impacto no público leitor. Apesar dos mal-entendidos e das calúnias, ela continuou firme em seus escritos e palestras, promovendo a união pela causa da paz. Sua influência sobre Alfred Nobel foi fundamental para instituir o Prêmio Nobel da Paz. Quando um debatedor, que participava numa conferência de paz na Universidade de Viena — a alma mater dela —, argumentou que os indivíduos são incapazes de alterar a história, ela afirmou com fervor o contrário. E foi uma testemunha viva dessa reivindicação.

Com certeza, qualquer adulto, independentemente do gênero, que tenha senso de responsabilidade pelo futuro e deseje fazer algo a esse respeito, pode se tornar uma força motriz para impedir a cultura de guerra e cultivar a cultura de paz.

Unger: Verdade. Em nome da paz e da prosperidade geral, e ao considerarmos o papel do homem e o da mulher, devemos pensar no mundo todo. Nossa existência é o resultado dos esforços de cooperação de ambos. Cada homem e cada mulher têm funções a desempenhar. Quando cada pessoa cumpre o papel que lhe cabe, pode desfrutar o desenvolvimento pessoal e o triunfo.

Educação humanística

Ikeda: A educação humanística é a base para uma cultura de paz. Nestes últimos anos, um motivo de grande preocupação no Japão é o aumento do número de crimes atrozes perpetrados por indivíduos cada vez mais jovens. Um fator que contribui em grande parte para essa tendência é a crescente desvalorização da vida numa sociedade que prioriza a eficiência e o materialismo. O poder da educação é fundamental para atingirmos o objetivo imperativo de deter essas tendências inquietantes de crimes hediondos e da violência prevalente.

Unger: A situação na Europa é semelhante. Como já mencionei, estamos experimentando forte secularização, que marginaliza e tolhe a Igreja. As pessoas se esqueceram do “Não matarás”. Os critérios de valor partilhados por todas as religiões estão se perdendo e sendo substituídos pela priorização de valores materialistas. E a globalização dos meios de comunicação de massa e a homogeneização do mundo inflamam o ímpeto a essa tendência. O resultado é o desrespeito pelo valor da vida e as frequentes matanças. Tudo isso está relacionado com a educação.

Ikeda: Concordo. A educação possibilita aos jovens, à comunidade e a nações inteiras construir o futuro. Porém, a educação japonesa enfrenta hoje questões montanhosas como evasão e abandono escolares e o colapso do sistema de educação formal. Esses impasses são provavelmente comuns em diversas partes do mundo. O que o senhor pensa sobre isso?

Unger: Como estudioso da medicina, tenho uma abordagem bem simples com respeito à educação. Penso nos meus alunos como meus filhos. Pais e mães querem que seus filhos usufruam as melhores experiências possíveis em tudo. Portanto, o papel principal deles é ajudar as crianças a vivenciar situações que nutram seu crescimento.

Ikeda: Considero a abordagem do senhor, de ver seus alunos como filhos, a atitude primordial da educação. Os melhores tipos de experiências envolvem brincar ao ar livre e criar laços com outras crianças. No entanto, nas nações industrializadas modernas, as crianças passam demasiado tempo dentro de casa, absorvidas em computadores e videogames.

Unger: É verdade. Na atual sociedade da informação, em particular, nos meios de comunicação social, tudo exerce um impacto tremendo nas crianças. A repetição diária de cenas televisivas de intensa violência com certeza tem seu peso educativo. Os atos terroristas e assassinatos em série mostrados na televisão viraram clichês.

Ikeda: É evidente que existem programas de alta qualidade que cultivam e enriquecem a sensibilidade das crianças. Por outro lado, ao evocar agressividade e hostilidade, a estimulação visual violenta entorpece a imaginação e a empatia. A atitude de permitir que as crianças se confinem em ambientes onde nada mais fazem do que receber imagens de forma passiva enfraquece suas habilidades de pensar, julgar, amar e simpatizar de maneira ativa.

A vida familiar e a boa leitura, incluindo os clássicos, podem formar uma barreira de proteção para as crianças contra as influências deturpadoras da realidade virtual predominante. A leitura em muito enriquece o mundo espiritual das crianças. Como desafio intelectual, ela ajuda os pequenos a selecionar entre a infinidade de informações que a mídia disponibiliza, e desenvolve neles a habilidade crítica inata e a imaginação voltada para a empatia.

Unger: As crianças da atualidade experimentam uma sociedade de intolerância, guerra e agressão. Em contraponto a essas influências, nunca será demasiada a ênfase na importância do contato com bons livros, que cultivam o julgamento saudável e o poder da imaginação. Um meio para reduzir a má influência dos meios de comunicação de massa é o fortalecimento da família. Pelo fato de a mídia, de certa forma, ser mais influente que os pais e familiares, meu comentário pode parecer irreal. Mas os pais devem servir de modelo e continuar nutrindo esperança na educação.

Ikeda: As crianças são o espelho da sociedade; elas são a era numa escala menor. Os problemas atuais com comportamentos juvenis anormais estão enraizados no enfraquecimento da influência educativa que a família, a comunidade e a escola devem exercer. Ao ponderarmos as questões educacionais, nós, adultos, devemos ver a nós próprios refletidos nesse espelho e estar sempre atentos a como nos corrigir. Como o senhor disse, os bons exemplos de adultos podem influenciar na melhoria do poder da educação.

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 404, 2020.

2. Disponível em: https://www.yumpu.com/en/document/read/19558765/charter-of-tolerance-europaische-akademie-der-wissenschaften-. Acesso em: 22 jun. 2021.

3. Traduzido do alemão. NEUMANN, Erich. Zur Psychologie des Weiblichen [Sobre a Psicologia do Feminino]. Frankfurt am Main: Fischer Taschenbuch Verlag, 1983. p. 101.

4. Cf. WINNER. David. Eleanor Roosevelt. San Diego, CA: Blackbirch Press, 2003. p. 52.

5. Cf. TAGORE, Rabindranath. The English Writings of Rabindranath Tagore [Os Escritos de Rabindranath Tagore]. DAS, Sisir Kumar (ed.). Nova Délhi: Sahitya Akademi, v. 2,
p. 413, 1996.

6. Ibidem, p. 416.

7. Ibidem.

8. GANDHI, Mahatma. All Men Are Brothers [Todos os Homens são Irmãos]. Nova York: Continuum, 2000. p. 148.

1-10-2021

Série

O princípio humanístico (capítulo 3, parte final/ capítulo 4, parte 1)

A origem da educação Soka

Unger: Quais são as origens da educação Soka?

Ikeda: A educação Soka (de criação de valor) começou com as abordagens educacionais humanísticas propostas por Tsunesaburo Makiguchi. Ele as pôs em prática quando era diretor de uma escola de educação básica e, com isso, desenvolveu um sistema de pedagogia de criação de valor. Sempre enfatizava que o objetivo da educação deve ser a felicidade das crianças. Esse brado foi no apogeu do militarismo japonês, que mobilizara as instituições educacionais para a formação de jovens que servissem ao nacionalismo imperialista e militarista. No entanto, Makiguchi queria evitar que as crianças fossem sacrificadas em benefício das necessidades sociais, e ansiava ajudar cada criança a desfrutar uma existência feliz, desenvolvendo seu potencial de modo amplo e ilimitado. Esse desejo é a base de todos os aspectos da pedagogia de criação de valor.

Makiguchi escreveu:

O importante é definir objetivos de bem-estar e proteção para todas as pessoas, incluindo a si mesmo, mas não apenas por interesse pessoal. Em outras palavras, é propiciar a melhora do outro e, ao fazer isso, a pessoa escolherá caminhos para a produção de benefícios para si e também para as demais. É um esforço consciente de criar uma vida em comunidade mais harmoniosa.1

Assim, o objetivo fundamental da educação Soka poderia ser descrito como promover a felicidade tanto de si como do outro e cultivar indivíduos que também sejam capazes de realizar esse propósito.

Unger: Entendo. Makiguchi, fundador da Soka Gakkai, defendeu uma educação de criação de valor e demonstrou como a fé pode vencer os problemas da vida. O tipo de educação humanística que ele propôs é essencial para cultivar cidadãos do mundo; isto é, aqueles que pensam e agem em âmbito global.

Como a rede mundial de educação Soka promove essa educação?

Ikeda: A Escola Soka de Ensino Fundamental 2 e Médio, ponto de partida da atual rede educacional Soka, iniciou em 1968. Nessa ocasião, sugeri cinco princípios para a educação humanística:

1. Sejam pessoas de sabedoria e paixão, sempre buscando a verdade e criando valor.

2. Jamais causem problemas aos outros e sejam responsáveis pelas próprias ações.

3. Sejam gentis e educados com os demais, rejeitando a violência, e valorizem a confiança e a harmonia.

4. Expressem e ajam com coragem, com base em suas convicções, em prol da justiça.

5. Cultivem um espírito empreendedor e cresçam como líderes respeitados no Japão e no mundo inteiro.

Depois, para o bem do século 21, propus outros cinco princípios:

1. Reconheçam a dignidade única inerente a cada vida.

2. Respeitem o caráter.

3. Mantenham a profunda amizade ao longo de toda a existência.

4. Rejeitem a violência.

5. Protejam o intelecto e a necessidade de ser intelectual.

Para minha profunda satisfação, graças aos esforços incansáveis dos nossos professores e funcionários, bem como à conscientização dos nossos estudantes, esses preceitos e princípios estão sendo postos em prática.

Unger: São todos direcionamentos importantes.

Ikeda: Desde as primeiras turmas, os alunos da Escola Soka de Ensino Fundamental 2 e Médio de Tóquio têm entoado a canção da instituição cuja letra indaga sobre os propósitos:

Com que propósito refinamos nossa sabedoria?

Com que propósito cultivamos a paixão?

Com que propósito amamos os outros?

Com que propósito nos esforçamos por glória?

Com que propósito trabalhamos pela paz?

Se os profundos princípios contidos nesses objetivos forem ignorados, os seres humanos e a sociedade enveredarão por um caminho de insanidade. A tradição das escolas Soka implica o aprofundamento da filosofia de cada pessoa pela constante indagação sobre o seu propósito, criando uma história pessoal por meio das ações empreendidas durante a juventude, e desbravando novos caminhos na vida.

Na cerimônia de abertura da Escola Soka de Ensino Fundamental 2 e Médio de Kansai, que haviam começado como colégios femininos, firmei outra diretriz: “Jamais se deve construir a própria felicidade sobre a infelicidade dos outros”. Disse também que, em comparação com o vasto mundo, as escolas Soka podem ser tão pequenas como uma semente de papoula, mas, se nossos alunos se mantiverem fiéis a esse ideal e porem em prática as diretrizes escolares, poderemos impactar todo o globo. A razão disso é que o princípio para uma paz duradoura é único e universal. Disse isso porque meu desejo é que nossos estudantes se tornem pessoas fortes e sábias e contribuam, onde quer que estejam, para a construção da felicidade e da paz de todos.

Unger: Eu me identifico genuinamente com isso.

Ikeda: Minhas expectativas com relação aos educadores das escolas Soka e da Universidade Soka é que sejam pessoas de primeira categoria, tanto em caráter como na atuação acadêmica, determinadas a se tornar um ser humano melhor. Espero também que criem uma instituição educacional onde os estudantes sejam prioridade. Do ponto de vista dos estudantes, os docentes constituem a maior parte do ambiente educacional. Um ponto fundamental da educação Soka é que, como líderes da educação humanística, os professores prezem os alunos da mesma forma que o fazem com os próprios filhos. Meu desejo é que sejam educadores dos quais os estudantes se lembrem com carinho, tenham gratidão por sua cordialidade e sejam pessoas para as quais eles demonstrem dedicação e atribuam as próprias realizações.

Em 1970, pouco depois do início das primeiras turmas, o conde Richard Coudenhove-Kalergi visitou a Escola Soka de Ensino Fundamental 2 e Médio para dialogar com os alunos e encorajá-los. Certa vez, ele escreveu que, para o indivíduo, o ato de conhecer pessoas boas e nobres era mais útil para seu processo de enobrecimento e desenvolvimento do que qualquer outra coisa.2

Unger: Com base em minha própria experiência, sei como é importante ter professores maravilhosos para a educação humanística dos jovens estudantes. Uma interação plena e imersiva entre as personalidades de educador e criança, feita por bons educadores, refina o equilíbrio das crianças no que diz respeito ao cérebro, corpo e coração delas.

Ikeda: Thomas Arnold (1795-1842), diretor da famosa escola pública inglesa de rúgbi, escreveu que não era um nome, mas a qualidade do corpo docente que fazia uma escola se destacar ou fracassar. Ele também acreditava que a influência do professor e a influência mútua entres os estudantes estimulada pelos educadores determinam a personalidade dos alunos.3

A educação humanística é destinada à formação e ao aperfeiçoamento do caráter como resultado das interações pessoais entre estudantes e educadores que consideram suas responsabilidades com um afeto tão grande como ao dedicado aos próprios pais. Como os educadores definem a educação, a revolução educacional requer uma revolução do corpo docente.

Unger: As palavras do senhor me ajudaram a compreender por que os olhos dos alunos das escolas Soka e da Universidade Soka irradiam um brilho de esperança. Por serem as crianças nossos tesouros mais preciosos, necessitamos escolher educadores para elas com muito cuidado. Hoje em dia, as escolas se mostram muito negligentes a esse respeito.

Se eu ocupasse uma posição de autoridade, daria máxima ênfase às escolas. Precisamos educar as crianças para que adotem uma visão global. A educação humanística lhes possibilita perceber o mundo inteiro com perspicácia. Isso significa uma visão que não só alcança o material, visível entre o céu e a terra, mas também sente de modo intuitivo os valores espirituais. As crianças que desenvolvem a compreensão com base numa perspectiva holística podem aprender a contribuir para o bem-estar de toda a humanidade. A educação humanística confere novo significado às ideias fundamentais da educação científica, tornando assim a ciência mais útil à humanidade.

Ikeda: Concordo. Se o conhecimento mais sofisticado for destituído da sabedoria que lhe torna útil para a felicidade humana, ele não só é inútil, como também um perigo potencial. Josei Toda costumava dizer que a maior ilusão da humanidade moderna é confundir conhecimento com sabedoria. O conhecimento sozinho pode levar às armas de destruição em massa. Por outro lado, é uma verdade inegável que também pode levar a enorme comodidade e riqueza industrial. A educação humanística é uma demanda altamente necessária para orientar o conhecimento na direção da felicidade e da paz. Nos próximos anos, será cada vez mais essencial a tarefa de desenvolver a sabedoria para empregar imensos conhecimentos e informações em prol da felicidade humana por meio da educação humanística.

Em todo caso, a reforma interior de um único indivíduo, sem dúvida, inspirará uma transformação naqueles que o rodeiam, desencadeando essa força transformadora entre os cidadãos comuns para guiar e moldar a opinião pública mundial. À medida que isso culminar numa onda de paz, uma nova cultura de paz florescerá em rica profusão. O ano 2007 comemora o cinquentenário da declaração de Josei Toda contra as armas nucleares. Nós, da SGI, estamos determinados a provocar uma grande maré de mudança nos tempos, de uma cultura de guerra para uma cultura de paz, sem poupar esforços para promover a educação pública sobre desarmamento e direitos humanos.

Capítulo 4, parte 1

O meio ambiente e a educação (parte 1)

Ikeda: As questões ambientais com as quais nos deparamos exigem medidas urgentes. Somos constantemente alertados sobre o efeito destrutivo do aquecimento global causado pelas emissões de dióxido de carbono por parte da indústria e de outras fontes. Além disso, a poluição atmosférica está esgotando a camada de ozônio que protege a Terra dos raios cósmicos nocivos. O desequilíbrio entre a natureza e a humanidade leva a raça humana e todo o planeta a entrar em crise.

Unger: Nossa relação com nossa Terra é chocante. Precisamos compreender a proporção em que nosso planeta está sendo explorado, quanto desperdiçamos nossos recursos naturais e quanto poluímos a água e contaminamos o ar. Temos apenas uma Terra — um único ambiente para viver —, e todos nós compartilhamos uma preocupação sobre a sua possível destruição.

Ikeda: Isso é pura verdade. Na segunda metade do século 20, quando o problema tinha tomado graves proporções que afetaram o planeta inteiro, finalmente compreendemos a magnitude do seu alcance. Também compreendemos que os recursos naturais que vínhamos desperdiçando não são de maneira alguma ilimitados.

Unger: A conscientização mais ampla da crise global pode apurar nosso senso de responsabilidade com o futuro. Salvar o planeta significa salvar todas as vidas. Nesse sentido, isso representa a maior de todas as justiças, a qual não devemos sabotar. A justiça nos obriga a recordar que, ao longo dos últimos quinze anos, as realizações na Europa têm sido tremendas. Tenho em mente a despoluição da água. Águas que outrora se encontravam em sério nível de poluição agora estão limpas o suficiente para os seres humanos se banharem.

Ikeda: Exemplo de grande importância simbólica. Recentemente, no Japão, a qualidade da água também melhorou a ponto de os peixes terem retornado a muitos rios que antes estavam poluídos.

Unger: Ato igualmente simbólico é a maior atenção dedicada ao bem-estar dos animais. Porém, ainda temos uma preocupação gigantesca: a pobreza em todo o ambiente global. E a única forma de combatê-la é eliminar as dívidas e acabar com a exploração daqueles que carecem de bens e recursos. A propósito, esse é um antigo ensinamento bíblico.

Ikeda: Um dos obstáculos ao impedimento da destruição ambiental global é a questão de como confrontar o desmatamento impensado em países em desenvolvimento e o crescente esgotamento de terras aráveis. E um agravante disso são os conflitos de interesses entre as nações em desenvolvimento e as industrializadas.

Na Cúpula da Terra de 2002, em Johanesburgo, as nações em desenvolvimento questionaram o direito de as nações industrializadas promoverem uma cultura de consumo ao mesmo tempo em que as pressionavam a combater a pobreza. Em outras palavras, surgiu um conflito sobre as formas de se estabelecer um equilíbrio entre o crescimento econômico e a conservação ambiental.

Unger: O que me causa ira profunda é a enorme ruptura entre o Norte afluente e o Sul carente. A África é uma tragédia humana para a qual o Ocidente tem contribuído. Como a cúpula de Johanesburgo indicou, as promessas de fazer algo a esse respeito permanecem vazias, enquanto a exploração excessiva prossegue de maneira irrestrita.

Ikeda: O único modo de resolver o problema do desequilíbrio entre desenvolvimento e meio ambiente seria as nações industrializadas olharem além dos próprios interesses e adotarem um ponto de vista global.

Unger: Concordo. No entanto, as opiniões hegemônicas e autoritárias que o Ocidente tem mantido impedem as nações industrializadas de ter uma visão global no sentido de melhorar o ambiente e de lidar com a reconstrução econômica das nações em desenvolvimento. Algumas nações ocidentais ainda desejam dominar tudo o que resta do período colonial.

Ikeda: Com certeza, enquanto as nações industrializadas não mudarem a sua forma de agir, o problema ambiental global só vai piorar.

Unger: Sim. Mas acredito que uma mudança de paradigma fundamental terá lugar no século 21 para transformar nossos valores: da ânsia de poder e de dominação à disposição de agir de forma significativa. Agir de forma significativa seria ultrapassar o apego aos interesses imediatos e ao desejo materialista e empenhar-se para construir os alicerces humanos por meio de esforços conscientes a fim de disciplinar e aprimorar a si próprio.

Ikeda: Em vez de sermos controlados pelo desejo, devemos, como indivíduos, adotar valores mais elevados e buscar a reforma e o aperfeiçoamento da própria vida.

Unger: Quando as nações industrializadas abraçarem esses valores e tratarem, em escala global, os problemas ambientais e a recuperação econômica das nações em desenvolvimento, o ambiente mundial experimentará uma melhora significativa.

Ikeda: A chave para a solução é a mudança nos critérios de valor. O Budismo Nichiren ensina que o tesouro do cofre (riqueza econômica) tem menos importância que o tesouro do corpo (talento e posição social), que, por sua vez, vale menos que o tesouro do coração (virtudes). E o acúmulo deste último, por meio de ações altruísticas, torna-se um tesouro insuperável. A afluência individual e a posição social não trazem a verdadeira felicidade. Nosso objetivo deve ser a felicidade tanto de si como de todos os demais. Podemos promover isso aperfeiçoando e elevando nossas características humanas e superando a ânsia de poder, de posição social e de desejos materiais.

Em Jinsei Chirigaku [em inglês, A Geography of Human Life (A Geografia da vida humana)], publicado em 1903, Tsunesaburo Makiguchi já visualizava um século à frente quando propôs que a humanidade avançasse de uma competição militar, econômica e política para uma era de competição humanitária. O que ele tinha em mente ressoa com a mudança de paradigma de valores que o senhor mencionou.

Notas:

1. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. A Geography of Human Life [Geografia da Vida Humana]. BETHEL, Dayle (ed.). São Francisco: Caddo Gap Press, 2002. p. 286.

2. COUDENHOVE-KALERGI, Richard N. Ethik und Hyperethik [Ética e Hiperética]. Leipzig: Verlag der Neue Geist, 1922. p. 115. Tradução do alemão.

3. Cf. STANLEY, Arthur. Stanley’s Life of Thomas Arnold [A Vida de Tomas Arnold por Stanley]. Londres: J. Murray, 1901. p. 94.

1-11-2021

RDez

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Valores Soka

Imagine-se num debate. Você acredita que sua ideia é correta. Em contrapartida, seu amigo usa todos os argumentos para convencê-lo de que a dele está correta. Esse exemplo nos mostra que as pessoas possuem diferentes valores e formação e a sociedade se cresceu de maneira que, independentemente dos valores de cada indivíduo, todos conseguem conviver e se relacionar.

Durante toda a vida, recebemos informações, adquirimos conhecimento, aprendemos uns com os outros; assim formamos nosso próprio caráter. E ao nos relacionarmos com pessoas, há um valor intrínseco tão natural que por vezes nem o percebemos, mas ele é responsável por permitir nossa convivência pacífica: a educação.

Ao falarmos de educação, a primeira imagem que surge em nossa mente é a da escola, 

onde o aluno aprende com o professor. No entanto, sua influência é muito mais profunda; não só representa todo o conhecimento adquirido, como também a capacidade de socialização, seja no modo de lidar com as adversidades, com situações e até mesmo como encaramos as responsabilidades, como o estudo. 

A Soka Gakkai promove ações em prol da "paz, cultura e educação" e, para isso, iniciou suas atividades em 1930 com o intuito de promover a criação de seres humanos de valor por meio da educação. Qualquer valor a ser aplicado na sociedade se inicia com base na educação de cada um.

Pare e observe...

Você sabe ligar a televisão, mudar os canais e, por fim, assistir um programa favorito, mas sabe construir um aparelho de TV? Dependendo de sua formação, não a ponto de transformar petróleo em plástico, confeccionar uma placa ou tornar este objeto capaz de transmitir imagens por um cabo ou satélite. Não seria possível construí‑lo sem escolas técnicas, universidades e laboratórios de pesquisa. Indo mais além, a própria humanidade não teria dado os primeiros passos sem a educação, e talvez ainda estivéssemos só assistindo às peças de teatro ao ar livre como na Grécia antiga.

A evolução da educação

Por que a educação se tornou tão essencial? Em meados do século 19, a economia era cada vez mais urbana, exigindo especialistas para suprir a demanda de progressos em diversas áreas da sociedade moderna, e foi aí que começou a educação em massa.

Dessa forma, o desenvolvimento socioeconômico aconteceu e continua até hoje somente porque existe a educação. Assim, tudo o que achamos supercomum no dia a dia, como tecnologia, transporte, estrutura hospitalar e até mesmo um canal de culinária no YouTube, não existiria . O que temos hoje é graças à educação. 

Infelizmente, nem tudo é perfeito — ideias e conceitos de educação surgiram conforme a evolução do ser humano e, conscientes ou não, prejudicaram outros fatores, como a transformação da educação numa "indústria" de ensino escolar.  

Surgimento da educação Soka

Foi em meio a essa realidade de uma educação "vazia" que surgiram os valores e princípios da educação Soka, mostrando que o real ensino ultrapassa os limites das salas de aula, devendo ser fundamentados no respeito à humanidade e na felicidade do indivíduo. 

No livro Educação Soka consta: “O verdadeiro objetivo da educação deveria ser o cultivo das qualidades individuais fundamentadas no respeito pela humanidade. (...) O objetivo da educação não deve ser definido por eruditos nem para fins específicos de outros grupos. Deve ser o mesmo que o objetivo da vida. De capacitar o aluno a alcançar uma vida feliz” (Educação Soka, p. 142-143). 

 “No futuro, certamente construirei uma escola baseada na pedagogia de criação de bons valores na vida de cada estudante. Se isso não for possível enquanto estiver vivo, será na época de Toda. Haverá um sistema educacional do ensino fundamental até o superior e terá na pedagogia de criar valor seu principal fundamento”.

Tsunesaburo Makiguchi

(Educação Soka, p. 19)

4-11-2017

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Educação Soka no mundo

1930: Fundação

 A Soka Kyoiku Gakkai (Sociedade Educacional de Criação de Valor), predecessora da Soka Gakkai (Sociedade de Criação de Valor), 

foi fundada no dia 18 de novembro. 

Tsunesaburo Makiguchi publica seu livro Soka Kyoikugaku Taikei (Sistema Pedagógico de Criação de Valor, que explora a teoria de que a felicidade é alcançada quando se vê o aluno como personagem central da educação).

1939–1945: Segunda Guerra Mundial

Durante esse período, Makiguchi sofreu inúmeras perseguições, sendo encarcerado e falecendo na prisão, porém sua filosofia e princípios se mantiveram vivos por seu discípulo, Josei Toda, que esperou o momento ideal para compartilhar com o jovem Daisaku Ikeda.

1950: Um sonho

Toda sensei compartilha o sonho do seu mestre Tsunesaburo Makiguchi: fundar uma universidade com os princípios de criação de valor. 

1968: Concretização

O terceiro presidente da Soka Gakkai, Daisaku Ikeda, funda a Escola Soka de Ensino Fundamental II e Médio em Tóquio.

1971: Realização

A cristalização do sonho dos Três Mestres: a fundação da Universidade Soka no Japão.

2001: Expansão

Fundação da Universidade Soka da América (SUA).

2017: Brasil

Inauguração do primeiro Colégio Soka fora do Japão, em 19 de janeiro (a Escola Soka do Brasil inicialmente foi inaugurada em 2001). Existem 14 instituições Soka em sete países.

4-11-2017

Matéria de Capa

Meus momentos e valores como educadora soka

Making of

“Bom senso”, “Sabedoria” e “Esperança” — essas três palavras são a dedicatória enviada pelo fundador Dr. Daisaku Ikeda que fica no hall de entrada do moderno prédio. Um ambiente amistoso e alegre reflete a satisfação dos alunos em estudarem num local onde o desenvolvimento humano e a confiança entre aluno e professor são a base para um ensino de qualidade que visa a criação pessoas de valor.

Fomos calorosamente recepcionados por sorrisos e abraços de alguns estudantes que se divertiam no intervalo das aulas. Encontramos Mafe na aconchegante biblioteca onde ela compartilhou um pouco do seu sonho de criança, e comentou que se esforça diariamente para se tornar uma professora que ajuda a desenvolver verdadeiros valores nos alunos para que sejam futuros cidadãos globais.

Mafe nasceu em Caracas, Venezuela, e aos 6 anos sua mãe se associou à SGI do país, e a partir daí teve contato com a organização. Ela sempre achou que a educação era somente para a pessoa ir à faculdade e encontrar um bom trabalho. Isso mudou aos 16 anos, quando se surpreendeu ao ler o livro sobre a teoria educacional do professor Tsunesaburo Makiguchi. 

Foi uma honra para a nossa equipe. Aprendemos muito: uma aula de paixão e humanismo da Mafe. Esperamos que gostem!

Equipe RDez

 

Como foi decidir desbravar e sair do seu país para estudar na primeira turma da Universidade Soka da América?

Aos 16 anos, ao ler um livro sobre a filosofia de Makiguchi de criar valor quis aprender mais sobre a educação Soka; e, quase na mesma época, vi um cartaz na sede em Caracas que anunciava a fundação da primeira Universidade Soka fora do Japão. Naquele momento disse para mim mesma que deveria estudar lá, e decidi, com minha irmã, ir aos Estados Unidos e conhecer onde seria o campus. 

Eu me inscrevi no processo para ingressar na universidade, porém, somente minha irmã havia passado na primeira lista. Fiquei chateada por ter sido comunicada que estaria na fila de espera, mas determinei que se não passasse tentaria no próximo ano sem desistir. Foi então que desafiei muito daimoku, cinco horas por dia, e enviei uma carta para o reitor renovando minha decisão com o desejo de estudar nessa instituição. Recebi uma ligação dizendo que havia sido selecionada e que poderia ingressar junto com minha irmã na primeira turma da SUA em 2001.

 

Poderia compartilhar um dos momentos mais especiais enquanto aluna da SUA?

Como parte da grade acadêmica estudávamos um segundo idioma (japonês, chinês, espanhol ou francês). Optei pelo japonês e passei quatro meses na Universidade Soka do Japão. Por sermos a primeira turma, a sensação era de abrir caminhos para a Universidade Soka da América; e éramos representantes de oito países diferentes.

Escrevíamos constantemente para sensei, e até os alunos não associados, mesmo sem compreender a relação de shitei funi (mestre e discípulo), apreciavam muito o presidente Ikeda como fundador por ele sempre incentivar e orientar a todos. O intercâmbio no Japão foi minha primeira experiência no país, mas jamais imaginaria que teria uma forte ligação com as terras do Mestre voltando para trabalhar em mais duas ocasiões.

 

No Japão, você teve a oportunidade de se encontrar com sensei. Poderia nos relatar um pouco sobre esse encontro?

Por sermos alunos da primeira turma da 

SUA e os primeiros intercambistas no Japão, tudo era um grande desafio: o aspecto acadêmico, a adaptação aos costumes da cultura japonesa, e mesmo em relação à nossa alimentação. Por essa razão o fundador Ikeda se preocupava e enviava considerações constantemente. 

O momento que com certeza mais marcou minha vida foi em dezembro de 2003, no final do intercâmbio, quando fomos convidados para participar da Reunião Nacional de Líderes com a presença do presidente Ikeda. Durante seu discurso, para nossa surpresa, ele nos chamou ao palco, pois queria olhar nos nossos olhos. Nós não conseguimos conter as lágrimas e este encontro se tornou meu ponto de partida. Senti a confiança do Mestre nos jovens; todos voltaram ainda mais comprometidos para a universidade. 

Ao longo de meus estudos na SUA, o sonho de abrir uma Escola Soka na Venezuela se tornou meu juramento para sensei e por isso decidi que me tornaria uma educadora que orgulhasse o fundador da minha alma mater. 

 

Como foi sua experiência como educadora na Escola Soka do Japão? E como é o ensino do inglês como segundo idioma num país de cultura oriental?

Iniciei logo depois meus trabalhos como professora na Escola Soka de Tóquio; a experiência foi enriquecedora e ao mesmo tempo cheia de muitos desafios. O que mais me tocou foram o espírito de gratidão e a determinação de saldar essa gratidão. 

O estudo do inglês para os jovens japoneses foi um desafio, como também é para nós, ocidentais, pois o ensino de um idioma está produndamente conectado ao aspecto cultural. Em minhas aulas sempre tentava incorporar essa consciência de que o inglês é uma ferramenta para compreender e operar num mundo multicultural.

 

Enquanto muitos fazem planos para sair do Brasil, você se mudou para cá. O que a motivou trabalhar num país completamente diferente do Japão? 

O Brasil é uma grande inspiração para muitos membros da SGI na América Latina, no Japão e no mundo inteiro. 

Minha grande motivação em vir ao Brasil é a de aprender e ser parte da luta pelo kosen-rufu da BSGI e da educação Soka neste lado do mundo. Pela minha experiência como estudante da SUA, sinto que o mundo é meu palco como jovem Soka: sem limites geográficos.

 

Você esteve na posição de aluna e agora está na de professora. Qual o seu sentimento? 

Percebi a importância de confiar nos estudantes assim como confiaram em mim. Então determinei fazer a minha revolução humana enquanto professora para estar em desenvolvimento contínuo. Busco despertar a autoconfiança neles, para que vejam que têm o potencial de serem sempre melhores e que o aprendizado não para ao se formarem. Admiro meus professores pela paciência que tiveram e por nunca desistirem de mim.

 

Sabemos que seu país [Venezuela] está passando por um momento difícil social e economicamente. Diante dessa realidade, quais suas perspectivas de expandir a educação Soka no país?

Justamente pela realidade em que passa a Venezuela, sinto que é um ótimo momento para difundir os valores da educação Soka. Por meio de relatos dos três presidentes da Soka Gakkai, podemos compreender que nossa prática budista nos permite transcender as dificuldades e nos converter em protagonistas de uma cultura de paz. 

São os momentos difíceis que nos dão a grande oportunidade de demonstrar o poder de tornar o impossível em possível através desta prática.

 

Como você tenta aplicar os valores Soka na sua vida? 

Resiliência, o espírito de não se dar por vencido e sempre seguir avançando.

 

De que modo podemos aplicar a educação Soka no dia a dia?

Compreender com a vida por meio da luta e dos livros do nosso mestre. Compreender quem é Daisaku Ikeda. A fé é uma forma de experimentar o que é educação Soka. Além disso, temos a boa sorte de pertencer à Gakkai e estabelecer essa conexão com sensei.

 

O que Ikeda sensei representa na sua formação e na formação dos alunos que não eram membros?

A relação de mestre e discípulo é mais importante, e na SUA entendi que vai muito além disso. É incrível quando se encontra um mestre como Ikeda sensei. Como fundador, dá exemplo do que é cuidar do ser humano. Via seu cuidado com administradores, professores e estudantes e me dedicava com mais gratidão. Por isso, ter como fundador Ikeda sensei vai além de estudar apenas para trabalhar; todos os estudantes sentem essa conexão de vida a vida, pois ele confia nos jovens e vê a importância de todos se tornarem verdadeiros cidadãos globais; assim, os estudantes sentem a sua missão. Estudei por alguns meses em outra universidade e senti na pele a diferença de conhecer e ter a conexão com o fundador da instituição. 

 

O que você diria para o Estudante que não gosta muito de estudar? 

Tente encontrar o que gosta de fazer, sua paixão. O que garante uma vida feliz e de contribuição é identificar o que gosta de fazer e mergulhar nessa paixão. Quando você encontra o que gosta de fazer, tudo é muito divertido; encontre o que o conecta. Quando era criança, sempre dizia que queria ser professora, e hoje sonho em ser uma educadora global e romper os limites.

4-11-2017

Matéria de Capa

Ler é um treinamento diário

Ao se esforçar diariamente no exercício da leitura, Ikeda sensei nos mostra com seu exemplo que “encontrar um bom livro é encontrar um grande mestre”

Desde a infância, Ikeda sensei devota cada minuto à leitura. Para ele, livro é como um tesouro. Mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, houve ocasiões em que ele levou seus livros para o abrigo antiaéreo para protegê-los dos bombardeios.1

Com o fim da guerra, os jovens buscavam desesperadamente o verdadeiro significado da vida, e os livros eram o meio mais confiável para isso.

O jovem Ikeda circulava pelos sebos do seu bairro como se estivesse numa biblioteca e com frequência economizava o pouco dinheiro que tinha com o objetivo de comprar algum livro que estava de olho. Ao comprá-lo, devorava-o escrevendo suas conclusões num papel.

Seu hábito de leitura se tornou mais forte ao ser treinado diretamente por Josei Toda na juventude. Nomeadas como “Universidade Toda”, as aulas ministradas por Toda sensei ocorriam antes do horário de trabalho, começavam às 8 horas e iam até as 9 horas da manhã, durando menos de uma hora. Nelas, as matérias estudadas eram economia, direito, química, astronomia e ciências da vida, história do Japão e mundial, bem como chinês clássico e, por fim, ciências políticas.

No livro Juventude: Sonhos e Esperanças, o presidente Ikeda recorda com gratidão:

O Sr. Toda também sempre me perguntava: “O que você está lendo agora?” Se eu respondesse que estava lendo Emílio, ou Da Educação, de Rousseau, por exemplo, ele me pedia que comentasse o seu conteúdo. Não havia como fingir!

(Juventude: Sonhos e Esperanças, v. 1, p. 190)

Mesmo em meio à rotina atribulada na empresa administrada pelo presidente Josei Toda, o jovem Ikeda se desafiava todos os dias na leitura. Esse treinamento desenvolveu sua enorme capacidade: “Eu me orgulhava de ser treinado por meu mestre a ter um espírito invencível capaz de suportar qualquer forma de adversidade possível” (Brasil Seikyo, ed. 2.413, 31 mar. 2018, p. B1).

60 anos de posse do presidente Ikeda

Ao assumir como terceiro presidente da Soka Gakkai aos 32 anos, em 3 de maio de 1960, Ikeda sensei lutou bravamente contra as adversidades construindo uma base sólida de pessoas que atuam em prol da paz, cultura e educação.

Naquele dia, em frente ao palco da Universidade Nihon, ele declarou: “Apesar de jovem, a partir deste dia, assumirei a liderança como representante dos discípulos do presidente Josei Toda e avançarei com vocês rumo à substancial concretização do kosen-rufu”. (Brasil Seikyo, ed. 2.413, 31 mar. 2018, p. B1)

Por ser um ávido leitor e devido ao seu treinamento na juventude, essas ações se converteram em força, determinação, sabedoria sempre renovadas com o compromisso de propagar a Lei Mística e de empreender todos os esforços para concretizar a paz mundial. Assim, a cada encontro com membros ou personalidades, Ikeda sensei inspira a todos, incentivando-os com suas palavras e com sua postura.

O presidente Ikeda relembra uma passagem do escrito Abertura dos Olhos, de Nichiren Daishonin, o qual abraçou como decisão pessoal na ocasião de sua posse presidencial: “Não importa que os deuses me abandonem. Não importa que eu tenha de enfrentar todas as perseguições. Ainda assim, darei a vida em prol da Lei” (CEND, v. I, p. 293).

Assim como nosso mestre, vamos nos levantar imponentemente nos esforçando na leitura diária, na prática da fé e na ação, inspirando e levando felicidade a todos ao nosso redor.

RDEZ indica

Além de ávido leitor, o presidente Ikeda é um exímio escritor. Confira abaixo as obras que o inspiraram em sua juventude e alguns de seus livros publicados no Brasil

- Cidade Eterna

Daisaku Ikeda, em sua juventude, recebeu esse livro de Josei Toda com a orientação de lê-lo e compartilhá-lo com os jovens de sua confiança. Com temas sobre o companheirismo e amizade, a obra conta a história de David Rossi e seu amigo Bruno Rocco.

- Be Brave

Primeiro livro da EBS no formato bilíngue — inglês e português. Com uma linguagem simples, aborda diversos assuntos relacionados com as questões que surgem na juventude e é fonte de vários incentivos de Ikeda sensei para crianças e jovens.

- Nova Revolução Humana

Finalizada em 2018, os trinta volumes abordam a luta do jovem Shin’ichi Yamamoto [pseudônimo de Daisaku Ikeda na obra] diante das adversidades e registra o espírito da Soka Gakkai através da história do kosen-rufu.

- Juventude Sonhos e Esperanças

A obra trata das principais preocupações, dúvidas e desafios enfrentados pelos jovens. Amizade, amor, cultura, liberdade, estudos são alguns dos temas abordados neste livro.

NRH na vida

“Minha juventude, como sabem, desenrolou-se num período de guerra e havia poucos livros disponíveis. Um que, de fato, li na época continha uma passagem que penetrou em meu coração: ‘Uma sala sem livros é como um corpo sem alma’. Senti uma profunda afinidade com essa afirmação, e sempre valorizei os livros como a alma da civilização.”

(Nova Revolução Humana, v. 18, p. 279)

4-5-2020

Matéria de Capa

“Literature-se” - Challenge yourself

Com diversos tipos, formatos, tamanhos e conteúdos, os livros se desenvolveram de acordo com as necessidades da época, porém sem perder sua essência: informar, inspirar e gerar conhecimento. Embarque nesta viagem criativa e atemporal sobre a leitura

O livro, com enorme valor cultural e histórico, foi inventado no século 14. Mas, para entendermos sua real importância, precisamos voltar um pouco mais no tempo.

Você se lembra da aula em que o professor explicou sobre desenhos feitos na pedra no período da pré-história? Tudo começa nessa época, quando as pessoas passaram a registrar os acontecimentos do seu cotidiano. Isso foi há cerca de 3.300 a.e.c., pelos sumérios, com a escrita cuneiforme que, com uma cunha (ferramenta de entalhe), gravavam símbolos em plaquinhas de cerâmica.

Não muito longe da Suméria, os egípcios criaram os hieróglifos, um tipo de escrita baseada em símbolos e desenhos. Essa atividade artística era dominada pelos escribas, responsáveis pela leitura e produção de textos no papiro, espécie de planta utilizada como papel.

Avançando no tempo, em 105 e.c., os chineses criaram com a mistura de uma pasta com fibras vegetais, o papel que conhecemos hoje. Essa invenção se espalhou por toda a Ásia e chegou à Europa pelo Império Romano.

Havia a necessidade de se preservar o conhecimento e transmiti-lo de geração em geração, porém foi somente no século 14, com o alemão Johannes Gutenberg, que surgiu o primeiro livro impresso, permitindo rápida produção e distribuição na sociedade.

Vamos refletir...

Já brincou de telefone sem fio? Quando uma pessoa fala uma palavra ou frase no ouvido de outra, esse termo acaba se alterando parcial ou totalmente quando chega ao último participante. Assim ocorreria se as histórias, ideias filosóficas, estudos, bases religiosas, política, conhecimentos gerais só fossem contados oralmente.

Todos os princípios se alterariam tanto que já não seriam iguais aos do início. Sem os princípios originais, impérios, guerras, colonizações, tecnologias e transformações nunca teriam acontecido. Ou seja, a história do mundo seria completamente diferente.¹

Não só a história do mundo seria outra, mas a mentalidade humana também seria diferente: a leitura envolve várias funções cerebrais, incluindo processos visuais e auditivos, consciência fonêmica, fluência, compreensão, experiência, comportamento e muito mais.

A realidade no Brasil...

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro e Itaú Cultural sobre o perfil dos frequentadores da Bienal Rio e FLUP 2019, os brasileiros leem em média apenas sete livros por ano.² E um estudo realizado pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2018 revela que 68,1% dos estudantes brasileiros com 15 anos têm um nível baixo de proficiência em relação à leitura.³

E você, já aprendeu a gostar de ler? Leu quantos livros este ano? Que tal mudar esses números? Se você chegou até aqui, além de mostrar que se interessou pelo assunto (rs), já está desenvolvendo sua prática de leitura. Para descobrir como aprofundar mais o gosto pelos livros, fique ligado na próxima página!

Amor = roma

Se perguntassem a você como é ler o termo “amor” ao contrário, conseguiria imaginar isso sem a escrita? 

Seria impossível, afirma Augusto Buchweitz, doutor e pesquisador do Instituto do Cérebro e professor da Escola de Ciências da Saúde da PUC do Rio Grande do Sul.⁴ Ele explica que uma pessoa não alfabetizada não seria capaz de fazer essa brincadeira, pois ela ouve um som e não tem, para esse som, uma representação visual, e por isso não consegue ler de trás para a frente.

Com base em que podemos afirmar que a palavra “amor”, de trás para a frente, se torna “Roma”? Imaginamos a palavra e a lemos. Reconfiguramos a linguagem, que passa a ter uma nova configuração de sons associados a símbolos que inventamos.

Durante a leitura, é preciso decodificar as palavras, compreender o texto, e a partir disso podemos imaginar muita coisa aguçando nosso sentimento e até relembrar momentos parecidos com aqueles que acabamos de ler. E tudo em poucos segundos! 

Quanto mais lemos, mais “abrimos” nossa mente, e com isso não apenas aprendemos coisas novas, mas nosso psicológico também se transforma.⁵ Temos mais empatia, aprendemos a ouvir mais, expressamo-nos com mais desenvoltura, e isso tudo com a leitura. Imagine então se lêssemos bastante todos os dias?

4-5-2020

Nas Asas dos Seus Sonhos

Educadores — a nobre tarefa de desenvolver pessoas - Parte 1 de 2

Sinopse

Neste texto, o presidente Ikeda fala sobre seus mestres, também educadores, Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda. Ele comenta sobre o papel importante que os professores têm na vida das pessoas e se recorda de alguns dos que definiram o rumo de sua existência.

Representante do Comitê Editorial: Novembro, mês de fundação da Soka Gakkai, é um período para se tomar novas decisões. 

Membros da Divisão dos Estudantes, incluindo aqueles que estão estudando para os exames de admissão na escola,1 se esforçam sinceramente para ser vitoriosos em seus respectivos desafios.

Presidente Ikeda: A verdadeira luta para os que estão se preparando para os exames está por vir. Tenho certeza de que será difícil, mas sei que é um desafio que podem superar. 

Por favor, sejam otimistas e deem o seu melhor, cuidando bem da saúde.

– Os integrantes da Divisão dos Estudantes atualmente [2017] estudam a história do 18 de Novembro, Dia da Fundação da Soka Gakkai. Nessa data, em 1930, o primeiro presidente, Tsunesaburo Makiguchi, e seu discípulo, Josei Toda, publicaram o primeiro volume da obra Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor], aliado ao nome da organização Soka Kyoiku Gakkai [Sociedade Educacional de Criação de Valor], precursora da Soka Gakkai [Sociedade de Criação de Valor], que aparece impresso pela primeira vez nas informações da editora. A Soka Gakkai começou com um encontro de educadores.

Sim, está correto. Ambos foram grandes educadores humanistas. Com a firme convicção de que o propósito da educação é permitir que as crianças sejam felizes, eles faziam evidenciar em cada aluno a habilidade de aprimorar o próprio caminho na vida.

Na escola de ensino fundamental 1, onde lecionava, em Hokkaido, na parte norte e fria do Japão, Tsunesaburo Makiguchi frequentemente ia ao encontro dos alunos que vinham para a instituição em dias de neve, às vezes carregando os menores nas costas, enquanto conduziam os mais velhos pela mão. Se uma de suas mãozinhas ficasse rachada pelo frio, ele a lavava suavemente com a água aquecida no fogão da sala de aula. Mais tarde, quando foi diretor de escola em Tóquio, levava almoço para as crianças que eram muito pobres.

Ele também fundou uma associação que oferecia educação por correspondência para mulheres jovens. Isso foi numa época em que era bastante difícil para as mulheres obterem educação. No seu auge, o programa tinha mais de 20 mil alunas. Eu fundei a Divisão de Ensino a Distância, da Universidade Soka, e a Faculdade Feminina Soka, porque herdei o espírito de Makiguchi sensei.

Enquanto isso, Josei Toda, como professor do ensino fundamental, se empenhou com a convicção de que poderia capacitar qualquer aluno para que se destacasse como excelente estudante. Mais tarde, ele fundou a Jishu Gakkan, uma escola para alunos do ensino fundamental que oferecia aulas exclusivas, e assim proporcionou o desenvolvimento de muitos indivíduos talentosos.

Durante uma aula em que discutiam um conto de fadas japonês, uma aluna perguntou: “Quando lavam as roupas no palácio do dragão, no fundo do mar, como eles as secam?”.

A sala toda caiu na gargalhada, mas Toda sensei disse “Ah, essa é uma excelente pergunta”, e a elogiou por seu pensamento criativo. Então, respondeu com bom humor que talvez não houvesse roupas sujas para lavar no palácio do dragão.

Fazer perguntas, em si, exige coragem. Ele valorizava o desejo de aprender das crianças acima de tudo. Explorar e desenvolver o potencial ilimitado de cada criança com abundante compaixão são o ponto de partida da educação Soka.

– Nosso tema hoje são os educadores. Muitos membros da Divisão dos Estudantes estão interessados em se tornar professores. Quando perguntados sobre o motivo, a resposta é, muitas vezes, que desejam ser como os professores que os incentivaram.

Eu também tinha muito interesse em lecionar. Ter um bom professor é um dos grandes tesouros da juventude. Ainda me recordo dos meus maravilhosos professores com profunda gratidão.  

Lembro-me do meu professor do primeiro ano elogiando um pequeno texto que havia escrito. Isso desempenhou papel importante no meu desenvolvimento e no amor pela escrita. 

No sexto ano, meu professor ficou na frente do mapa-múndi na parede da sala de aula e nos perguntou para onde gostaríamos de viajar. Apontei para um lugar no meio do vasto continente asiático, na parte ocidental do nosso país vizinho, a China. Meu professor disse: “Essa é a localização de Dunhuang, onde há muitos tesouros maravilhosos”. A partir daquele dia, fiquei fascinado por essa cidade.

Muitos anos depois, tornei-me amigo do artista Chang Shuhong (1904–1994), diretor honorário da Academia Dunhuang e “guardião” dos tesouros dessa localidade. O Museu de Arte Fuji de Tóquio, que fundei, também realizou uma exposição de pinturas de parede e de tesouros preciosos de Dunhuang.

Atualmente, a exposição intitulada O Sutra do Lótus — Uma Mensagem de Paz, Harmonia e Coexistência, organizada pelo Instituto de Filosofia Oriental, afiliado à Soka Gakkai, em cooperação com a Academia Dunhuang, está circulando pelo mundo.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, com o desejo de continuar meus estudos enquanto trabalhava durante o dia, entrei para o Colégio Comercial Toyo (atual Colégio Toyo).

Meu professor de inglês de lá nos ensinava com grande energia e entusiasmo. Ele disse que estava determinado a dar tudo de si para o nosso aprendizado e que deveríamos nos sentir livres para nos manifestar nas aulas.

O professor da minha aula de ábaco2 (disciplina comumente ensinada nas escolas japonesas), na qual eu não estava indo muito bem, convidou-me para tomar uma xícara de café e ter uma conversa amigável. “Você deve estar frustrado com seu progresso na aula de ábaco, já que está se saindo tão bem em todas as outras disciplinas”, disse ele. Ainda me lembro de sua bondade.

É graças a esses professores que construí uma base sólida para minha vida. Sou infinitamente grato a eles e ao meu encontro com Josei Toda, extraordinário professor, pois isso decidiu a direção da minha existência.

– O senhor dialogou com muitos educadores em todo o mundo, inclusive publicou um diálogo com o renomado educador dinamarquês Hans Henningsen. Ele foi diretor do famoso Colégio Askov Folk, que possui uma história de 150 anos [2017], e também presidente da Associação de Faculdades de Formação de Professores da Dinamarca.

Desde sua época como professor no Colégio Askov Folk, o Sr. Henningsen sempre tratou a educação como um esforço compartilhado por alunos e professores. Ele acredita que não se deve apenas ensinar aos alunos, mas também aprender com eles. E também valoriza o diálogo de professores e alunos que interagem no mesmo nível, aprendendo uns com os outros por meio do processo de comunicação na verdadeira linguagem do dia a dia.

A educação é um processo mútuo de pessoas aprendendo juntas, crescendo juntas e criando um futuro vitorioso juntas. O Sr. Henningsen e eu estávamos em completo acordo quanto a esse ponto.

 Continua na próxima edição

3-12-2020

Entrevista

Uma vida dedicada à educação

Márcia Macêdo fala sobre a sua relação com o ensino e a aprendizagem como educadora e compartilha suas experiências, incluindo o título de doutor honoris causa oferecido ao presidente Ikeda e sua viagem ao Japão

- O que a levou a escolher a profissão?

Creio que foi o bom exemplo dos meus pais, que também eram professores. Eles sempre me incentivaram a ler bons livros e, com isso, segui o caminho das letras. Constantemente, ajudava meus irmãos mais novos nas tarefas da escola. Acho que eu tinha duas características para a coisa: vocação e paciência.

- Como foi sua formação acadêmica? 

Diria que foi precoce. Aos 17 anos ingressei na graduação em educação física, e aos 19 já estava com meu primeiro diploma pela Universidade Federal do Amazonas. Aos 20 anos, eu me formei em letras/português/francês. Ingressei na pesquisa acadêmica sobre a linguagem do seringueiro e, após dois anos de formada, em 1992, entrei para o mestrado em linguística na Unicamp, em Campinas, SP. Porém, retornei ao Acre, pois era difícil ficar distante do meu filho, Venícius, na época com 7 anos. Fiz duas especializações, e em 2003 iniciei o mestrado na Universidade Federal de Rondônia (Unir), concluindo-o em 2005. Em 2007, ingressei no doutorado na UFBA; e em 2018 parti para o pós-doc em estudos linguísticos na UFMG. Desse modo, levei cerca de quinze anos dedicados aos estudos. Não foram dias fáceis. Sem bolsa de estudo, a dificuldade financeira era constante. Mas nunca desisti, e tive total apoio da família, de bons amigos, dos companheiros da organização e incentivos do meu mestre, Daisaku Ikeda.

- Desde quando atua como docente? Como é sua relação com seus alunos?

Atuo desde os 18 anos na docência. Sou professora e quero trabalhar para sempre como professora. Amo minha profissão! Meu primeiro emprego foi na Secretaria de Educação do estado. Um ano depois, passei num concurso e, após dois anos, fiz outro concurso para a prefeitura da capital, Rio Branco, e então fui contratada. Por fim, prestei o último concurso para a Universidade Federal do Acre, na qual estou trabalhando há dezesseis anos. 

Minha relação com meus alunos é de mãe, psicóloga, amiga, professora, carrasca, durona, exigente, aquela “com quem se aprende”, mas adequada a cada situação. Na minha sala de aula digo que sou a estrela porque planejo, organizo a aula, distribuo tarefas e funções; e muito exigente. Sempre brinco dizendo: “Não reprovo ninguém, você é que se reprova”. Nesses 38 anos de magistério, a relação com os alunos foi de respeito, carinho e admiração, e, sobretudo, de humanismo. Amo todos os meus alunos por igual. Até sentem ciúmes deles lá em casa (risos).

- Das suas experiências no ramo da educação, qual gostaria de destacar?

Da pesquisa acadêmica. Fui bolsista de aperfeiçoamento científico em 1991 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Orientei, a partir de então, muitos trabalhos de iniciação científica acerca da linguagem do seringueiro, do pescador e das variações regionais. Olhar para um corpus1 e descobrir dados, curiosidades na pesquisa de campo realizada, quebrar a cabeça, fazer e refazer, tudo isso é prazeroso.

- Pode compartilhar um pouco dos projetos que desenvolveu? 

Entre os inúmeros projetos tive um com o título O Ensino e o Discurso Ideológico: A Deformação da Imagem do Outro (1993, era substituta na Ufac). Versava sobre a imagem dos negros nos livros didáticos. Fui a primeira bolsista/pesquisadora da Ufac e a experiência me tornou a pesquisadora que sou hoje, sem preconceitos e com simplicidade e disposição para ouvir e respeitar a cultura desconhecida.

- Quais os maiores desafios da profissão? E os maiores prazeres?

Sem dúvida o maior desafio da profissão de professora/educadora é ter valorização profissional de acordo com a formação e ser respeitada pelos órgãos. Apesar de termos uma estrutura adequada de trabalho, ainda falta valorização. 

O maior prazer é conhecer alunos novos, de cem a duzentos a cada semestre, e contribuir para a formação deles, vê-los bem, no futuro. Tenho ex-alunos médicos, enfermeiros, juízes, professores; isso dá um prazer danado.

- Como o fato de ser membro da BSGI influencia sua vida?

Ser membro da BSGI foi uma oportunidade que agarrei com unhas e dentes. Desde o início, nosso mestre, Daisaku Ikeda, me direcionou para todas as conquistas que obtive. Penso que se você tem graduação, deve fazer uma pós; se tem mestrado, então faça doutorado. Aprenda uma língua estrangeira. Aprendi francês, espanhol e italiano. Por isso, lutei para honrar e proporcionar mais um o título de doutor honoris causa ao sensei em 2017.

- Tem algum incentivo que goste bastante e queira compartilhar?

No início da minha prática, sempre ouvi dizer que no mundo existem três tipos de pessoas: a primeira é aquela que entra no seu ambiente e você nem percebe (a presença dela é indiferente); a segunda pessoa entra e todos fazem de conta que não a veem (a indesejável); e a terceira, quando chega, todos fazem festa para ela (é uma pessoa indispensável e muito querida). Eu decidi ser do terceiro tipo. Um dos incentivos que mais gosto é: “Seja como for, a grandiosa revolução humana de uma única pessoa irá, um dia, impulsionar a mudança total do destino de um país e, além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade” (Revolução Humana, v. 1, p. 9).

- Qual conselho você daria para quem planeja seguir essa carreira?

Digo que deva ser uma pessoa dedicada aos estudos, pois a formação continuada é uma obrigação e não um desejo. O mundo mudou, as pessoas mudaram, o método, as técnicas e as ferramentas de ensino também se transformaram. Logo, estudem sempre!

- Qual o seu sonho? 

Vários, mas o que mais acalento é acabar com o analfabetismo no Brasil e nos países subdesenvolvidos. Sonho também com a paz e a harmonia entre as famílias. 

- Gostaria de compartilhar alguma coisa que não perguntamos? 

Sim. Sobre meu subprojeto do programa de Iniciação à Docência da Capes/Ufac. Orientamos graduandos em letras/português a iniciar a docência em escolas públicas no tocante à produção do texto dissertativo‑argumentativo, ajudando os alunos do terceiro ano do ensino médio a entrar na faculdade. Dois deles foram aprovados para medicina. Atendemos mais de 2 mil alunos, e nos encaixamos no ODS 11,2 o de incluir alunos de periferia na universidade.

Gostaria de frisar que, por gratidão, fui autora do ofício de solicitação da homenagem de doutor honoris causa ao presidente Daisaku Ikeda pela Ufac, em 2017. Levei o título junto com o Magnífico Reitor Minoru Kinpara. Foram dias inesquecíveis em Tóquio, Quioto e Osaka. Recebi vários recados do presidente Ikeda, dos quais o mais marcante foi que deveria ter grandes sonhos e objetivos, defender uma causa e que, pela minha alegria, viveria o dobro da minha idade (tinha 52 na época, risos). Nunca vi o Mestre, mas sonhei com ele quando estive no Japão. Oro por ele e pela Sra. Kaneko, que estão, profundamente, em meu coração. Gratidão, gratidão.

Gostaria de finalizar com a seguinte frase: “Sofra o que tiver de sofrer, desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento quanto a alegria como fatos da vida e continue recitando Nam‑myoho‑renge‑kyo, independentemente do que aconteça. Que outro significado isso poderia ter senão a alegria ilimitada da Lei? Fortaleça o poder de sua fé mais do que nunca” (CEND, v. I, p. 713). 

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são planos de ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar paz e prosperidade. 

Os dezessete objetivos são integrados e indivisíveis, e mesclam, de forma equilibrada, as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental. São como uma lista de tarefas a serem cumpridas pelos governos, sociedade civil, setor privado e todos cidadãos na jornada coletiva para um mundo sustentável.

Fonte: www.agenda2030.com.br

3-12-2020

Nas Asas dos Seus Sonhos

Educadores — a nobre tarefa de desenvolver pessoas - Parte 2 de 2

Aconteceu na parte 1...

Presidente Ikeda enaltece a missão crucial dos profissionais da educação, relembrando os importantes encontros com educadores desde a sua infância.

Já na segunda parte, o Mestre afirma que a educação é o caminho para a concretização da paz e fruto do esforço conjunto de toda a sociedade.

Representante do Comitê Editorial: Em seu diálogo com o educador dinamarquês Hans Henningsen citou as qualidades de um bom educador, entre elas a de “respeitar todos os alunos como pessoas, independentemente de talento, habilidade ou maneira de pensar”, e a de “se esforçar para ajudar todos os alunos a exibir suas melhores habilidades e qualidades especiais”.1

Presidente Ikeda: Toda criança é um indivíduo único e precioso que possui o tesouro interior de um potencial ilimitado. O papel da educação é iluminar esse tesouro e fazê-lo brilhar ao máximo.

Um membro formado pela Divisão dos Estudantes, que persistiu em seu sonho de se tornar educador, sofreu tanto bullying nos ensinos fundamental e médio que parou de frequentar a escola. Naquela época, foram seus companheiros da Soka Gakkai que o apoiaram e o encorajaram calorosamente dia após dia.

Ter amigos que acreditavam nele provou ser um poderoso apoio espiritual, e ele ganhou força para triunfar sobre os seus sofrimentos. Motivado pelo desejo de ajudar outras pessoas que enfrentavam o mesmo problema, decidiu ser professor do ensino fundamental. Hoje já alcançou esse objetivo e está dando tudo de si para apoiar e incentivar cada um dos seus alunos.

A Soka Gakkai é uma universidade de felicidade aberta a todos. Muitos dos seus pais e avós que praticam o Budismo Nichiren estendem as mãos às pessoas que estão sofrendo. Acreditando no potencial, eles ajudam as pessoas a descobrir seu tesouro interior, as encorajam, levantam-se com elas e seguem juntos no caminho da felicidade. Não é exagero dizer, portanto, que todos eles são educadores humanistas incomparáveis que defendem a filosofia do respeito à dignidade da vida.

Como jovens sucessores que praticam o Budismo Nichiren, espero que vocês se juntem aos seus veteranos na prática da fé que estão lhes ensinando esse correto caminho, acreditem em seu próprio tesouro interior e se esforcem para revelá-lo e poli-lo.

Nichiren Daishonin escreve: “O ideograma myo [de myoho, Lei Mística] significa ‘abrir’. Se uma pessoa tem uma arca cheia de tesouros, mas não tem a chave, ela não poderá abri-la, e se não puder abri-la, tampouco poderá ver os tesouros em seu interior” (CEND, v. I, p. 151).

Uma das chaves para explorar infinitamente nosso tesouro interior é o encorajamento caloroso em que se reconhece e elogia os pontos fortes de cada um. Quero que encontrem o máximo de pontos positivos possíveis em seus amigos e nas pessoas ao redor. 

Ter essa atitude em relação às pessoas promove conquistar verdadeiras amizades. Quando vemos os pontos positivos em outra pessoa, também podemos ver os nossos próprios pontos positivos. 

Se procurarem os pontos positivos dos demais, permitirão que saibam quais são e assim aprenderão uns com os outros, conduzindo uma juventude de alegria e realização.

– O dia 18 de novembro é também o aniversário de fundação das escolas Soka, e este ano [2017] marca seus cinquenta anos.

Enquanto isso, a Universidade Soka, do Japão, que continua a se desenvolver como uma das melhores universidades em nível global, possui uma orgulhosa tradição de treinamento de professores. Desde a sua abertura, cerca de 7.100 graduados da Universidade Soka passaram no exame nacional de licenciamento de professores. 

Tanto Tsunesaburo Makiguchi como Josei Toda ficariam absolutamente encantados com isso.O empreendimento mais importante dos meus últimos anos foi, e continuará sendo, a educação.

Os membros do Departamento Educacional da Soka Gakkai estão se dedicando a incentivar os jovens com o mesmo espírito dos três primeiros presidentes. 

Na linha de frente da educação, eles se envolvem com firmeza, sinceridade e tenacidade com cada aluno e percorrem o caminho do aprendizado junto com eles. Também estão mantendo registros de seus nobres esforços para compartilhá‑los com outros educadores como fonte de conhecimento e de inspiração.

– Em junho de 1996, o senhor fez um discurso intitulado “Pensamentos sobre Educação para a Cidadania Global”, na Faculdade de Professores da Universidade de Colúmbia, em Nova York. Nele, descreveu sua visão de um futuro pacífico e pediu que os educadores de todo o mundo trabalhem juntos para esse fim.

Em junho de 2016, no vigésimo aniversário daquela ocasião, uma Conferência Mundial de Educadores foi realizada na Universidade Soka da América, fazendo de sua proposta uma realidade.

Sim, fiquei encantado ao ver isso acontecer.

A educação é a nobre tarefa de desenvolver pessoas. As pessoas constroem a sociedade e o futuro. Pode parecer o caminho mais longo, mas a educação tem o poder de criar a paz. Um esforço conjunto para promover a educação aproximará as pessoas, elevará a humanidade e iluminará nosso planeta como um todo.

Toda sensei costumava dizer: 

A palavra japonesa sensei, ou “professor”, é escrita com o ideograma chinês que significa “primogênito”. Confúcio, no entanto, quando disse “Deve-se considerar a juventude com reverência”,2 usou ideogramas para “juventude” que significam “nascido depois”. Confúcio está dizendo que vocês, jovens “nascidos depois”, estão destinados a superar seus professores “primogênitos”. 

Desenvolver aqueles que vêm depois de nós em pessoas mais capazes do que somos são a chave para um futuro brilhante para a humanidade e a vitória do século da educação.

Meus amados sucessores, tornem-se indivíduos notáveis e imensamente capazes! Esta é a minha oração enquanto os protejo rumo ao futuro. 

10-1-2021

Matéria de Capa

A relação do Mestre com a escrita

Mesmo em meio a épocas turbulentas ou enfrentando questões de saúde, Ikeda sensei jamais recuou e perseverou na escrita para incentivar os companheiros do mundo

Autor e coautor de mais de cem livros, Ikeda sensei compôs milhares de poemas — incluindo diálogos, ensaios, propostas de paz, poesias e artigos.¹ Grande parte, no entanto, foi escrita quando ele estava dentro de carros, trens e aviões, ou entre atividades e até durante as refeições.

Ikeda sensei também escreve para crianças, e isso teve início em sua juventude como editor de uma revista infantil. As histórias infantis criadas foram traduzidas para diversos idiomas e apresentadas ao mundo. Várias foram transformadas em filmes de animação e aclamadas por sua influência positiva no desenvolvimento dos jovens.

No Brasil, o conto O Menino e a Cerejeira foi apresentado como peça teatral. Pela RDez, inúmeros artigos foram escritos pelo nosso mestre especialmente para os Estudantes (atualmente, são publicadas as séries Nas Asas dos seus Sonhos e O Tesouro das Quatro Estações).

Houve momentos em que, mesmo com febre de 38 graus, pegava a caneta e continuava a escrever para incentivar os membros. Ele afirma:

Dizem que a escrita revela o caráter da pessoa, reflete seu sentimento, seu espírito, seu estado de ser. De fato, a realidade interior da vida manifesta-se na escrita da pessoa. É por essa razão que a escrita que nasce da dor e da batalha e que flui com ardente paixão mexe com a vida de quem lê o que foi escrito nessas circunstâncias. O mesmo vale para nossas interações com outras pessoas — elas são tocadas por nossa sinceridade e seriedade, por nossos apelos honestos e entusiásticos.

(Nova Revolução Humana, v. 14, p. 132)

O presidente Ikeda relembra seu mestre, Josei Toda, que enfrentava uma batalha das palavras. A preocupação de Ikeda sensei é transmitir correta e diretamente o espírito Soka aos amados discípulos pelo Seikyo Shimbun. E fazendo do coração do seu mestre o dele próprio, dedica seu tempo até hoje para redigir diversos artigos para os companheiros do mundo.²

Registrando o espírito Soka para a eternidade

Com o sentimento de transmitir o espírito do venerado mestre pelo eterno futuro, em 1965, o presidente Ikeda publicou o primeiro volume da obra Revolução Humana e, em 1993, inicia a escrita e publicação da Nova Revolução Humana. Somados, os dois romances tiveram um total de mais de 7 mil partes publicadas.³ 

Composto por trinta volumes, editado em treze idiomas em 23 países⁴ considerado pelo Fórum Mundial dos Escritores como uma das maiores obras-primas da literatura do século,⁵ o romance Nova Revolução Humana foi uma batalha desafiadora contra o limitado tempo da própria vida.

Sim, acredite, o presidente Ikeda encerrou essa coletânea aos 90 anos.

Mais que contar a história da organização, os volumes da Nova Revolução Humana são “livros didáticos da prática da fé”, afinal, não importa qual capítulo estamos lendo, extraímos o aprendizado e nos fortalecemos para superar quaisquer adversidades. Além disso, esse romance é o portal do diálogo com o Mestre.

Com o sentimento de nos conectar e de dialogar com sensei, desafiemo-nos a ler todos os dias, mesmo algumas páginas, esse brilhante registro que o Mestre dedicou a todos nós, discípulos e sucessores Ikeda.

Chegou a vez de escrever a sua história!

Todos os dias, ao se lembrar dos companheiros do mundo todo que se empenhavam incansavelmente, Ikeda sensei extraía as palavras do âmago da própria vida e as dedicava com o sincero desejo de incentivar cada um deles.

Se fosse possível, gostaria de dedicar uma carta de agradecimento e de incentivo a cada um dos membros. Mas o meu corpo é somente um. Então, todos os dias, com o sentimento de redigir essa carta, dedico‑me a escrever o romance Nova Revolução Humana

(Brasil Seikyo, ed. 2.431, 11 ago. 2018, p. A3)

No posfácio da Nova Revolução Humana, com o sentimento de que cada um possa se levantar como “Shin’ichi Yamamoto”, o Mestre clama e convida a todos para que, sem exceção, escrevam sua brilhante história da revolução humana, empenhando-se em prol da felicidade das pessoas.

Assim como o Mestre, que dedica a vida e enfrenta diversas batalhas para registrar a história, enquanto cria o futuro, vamos escrever os próximos capítulos triunfando sobre as adversidades com uma história de vitórias até 2030!

NRH na vida

“Meu profundo desejo é que os membros da Soka Gakkai façam da conclusão do romance Nova Revolução Humana um novo ponto de partida, levantando‑se como 'Shin’ichi Yamamoto', e escrevam sua própria história brilhante da revolução humana, empenhando‑se pela felicidade dos amigos por meio de ininterruptas ações indomáveis.” 

(Nova Revolução Humana, v. 30-II, p. 359)

1-7-2021

Matéria de Capa

Treinar, treinar e treinar mais um pouquinho

Escrever é uma habilidade, e portanto, todas as pessoas estão aptas a desenvolvê-la. Para isso, exige-se treino diário para o aprimoramento nessa arte de se conectar com o mundo. Para ajudar, ligue-se nas dicas:

Ser curioso

Vale a pena observar atentamente o mundo ao redor, fazer perguntas, buscar o significado das palavras no dicionário ou procurar pessoas que tenham conhecimento daquilo que desconhece: adquirir informações automaticamente aumenta o conhecimento e amplia o vocabulário.

Bons hábitos de leitura

Ler bons livros enriquece o vocabulário e, assim, a escrita fica límpida e descomplicada, pois você terá muitas opções de palavras e ideias na mente. Consequentemente, seu texto se tornará de fácil leitura e entendimento. Se não sabe por qual livro começar, o jornal Brasil Seikyo selecionou cem livros essenciais. Saiba mais na edição 2.067, 15 jan. 2011, p. B4.

Destravando a escrita

Para ultrapassar aquele branco que dá ao começar a escrever, coloque tudo o que sabe sobre o assunto de forma livre e sem julgamentos. Nesse primeiro momento, concentre-se na essência e na lógica da matéria em questão, atentando-se para a coerência ou concordância, se não há ambiguidade, e apenas escreva.

Revisar uma, duas, três vezes

Releia o texto com olhar analítico várias vezes e limpe-o até que fique o mais conciso e objetivo possível. Não se preocupe tanto em escrever corretamente, primeiro coloque suas ideias no papel e depois revise com atenção.

Treino diário

Para melhorar a escrita, a palavra-chave é praticar todos os dias, mesmo que seja por uma hora apenas. E praticar aquilo que se aprende na escola ligando assuntos que lê no decorrer do dia facilita muito o próprio aprimoramento. Aproveite para treinar a escrita por mensagem para perder alguns vícios que geralmente se ganha ao escrever palavras abreviadas.

Leitor sensível

Vai abordar algum assunto que não domina e tem medo de errar no tom? Procure alguém que conheça o conteúdo e peça que o leia; com certeza, seu texto vai ser mais assertivo.

Desenvolva um olhar analítico

A má escrita pode fazer com que as pessoas não compreendam a mensagem que está sendo transmitida. Muitas vezes o que é perceptível para quem escreve não é para o outro que lê. Por isso, é preciso escolher bem as palavras para ser claro ao transmitir a ideia. Para entender melhor, segue o exemplo de um diálogo entre Maria Júlia e Robôzap, o corretor inteligente:

Maria Júlia — Falei com minha prima que estava triste.

Robôzap — Quem estava triste? Você ou a sua prima?

Maria Júlia — Eu! Mas não entendi, Robôzap. Poderia me explicar?

Robôzap — Maria Júlia, a ambiguidade da frase, ou o duplo sentido, pode, muitas vezes, atrapalhar as intenções de quem comunica, pois ela decorre da má disposição das palavras na frase. Dependendo de onde as colocamos, ou até uma vírgula, isso pode gerar ambiguidade. Nesse caso, é o adjetivo triste. Alguém já lhe falou “que falta faz uma vírgula”?

A forma correta para essa sentença, caso a sua prima estivesse triste, seria: “Falei com minha prima, que estava triste".

Maria Júlia — Ah, entendi! Então se fosse no meu caso, ficaria assim: “Eu, triste, falei com minha prima”.

Robôzap — Isso mesmo, Maria Júlia! Esse é só um exemplo, mas, com certeza, você já se deparou com alguma mensagem e bateu a dúvida na leitura. 

Não importa se é uma propaganda, uma redação, uma legenda num post, o importante é pôr todas as dicas em ação, estando sempre atento e revisando os textos. 

1-7-2021

Matéria da DE-Futuro

Valores Soka nos estudos

Certo dia, os amigos João e Yasmin estavam assistindo à tevê e ouviram a seguinte notícia:1 “As pessoas valorosas da educação Soka estão se destacando no mundo todo. A cada dia, surgem mais jovens líderes que transformam positivamente a realidade em que se encontram.”

João: Uau, Yasmin! Soka é de Soka Gakkai, nome da nossa organização, né? Você sabe o que é educação Soka?

Yasmin: Soka significa criação de valor. O nosso mestre, Daisaku Ikeda, realizou o sonho de Tsunesaburo Makiguchi, primeiro presidente da Soka Gakkai, que foi professor e desejava criar um sistema educacional que prezasse a felicidade do aluno. Foi assim que ele instituiu a educação Soka. Não é incrível poder basear os estudos em princípios humanísticos?

João: Que demais! Então, além de tirar boas notas, temos que buscar a felicidade enquanto estudamos e nos esforçar para ajudar outras pessoas a serem felizes também?

Yasmin: Isso mesmo! Com esse pensamento, vamos conquistar nossos sonhos e transformar nossa realidade, assim como as pessoas que vimos na tevê.

João: Falando nisso, Yasmin, como está o seu retorno às aulas presenciais?

Yasmin: Está muito legal. Todos estão tomando as medidas de proteção necessárias, por isso, me sinto segura na escola, mas algumas aulas ainda estão sendo on-line. Estava muito ansiosa para voltar. Os desafios da pandemia me ajudaram a ter mais empatia com os outros e vontade de ajudar meus amigos.

João: É verdade, Yasmin. Pensando bem, nós podemos trazer os princípios da educação Soka para a escola. Podemos conversar com os professores sobre as ideias que temos para tornar nosso ambiente de estudo ainda mais legal. Com diálogo e criatividade, podemos construir a escola que sonhamos!

Yasmin: Que ideia ótima, João. Como membros da Divisão dos Estudantes, vamos nos esforçar para expressar nossas ideias, contribuir para o desenvolvimento de todos e aprender com alegria. O meu sonho é estudar na Universidade Soka do Japão, bem pertinho do sensei. Mas você sabia que existe uma Universidade Soka nos Estados Unidos? Além disso, temos o Colégio Soka aqui no Brasil.

João: Não sabia, vou pesquisar mais. Estou muito feliz em saber que o desejo do nosso mestre é que sejamos felizes enquanto estudamos para, assim, transformarmos nosso ambiente.

Sensei na Universidade Soka. DE-Futuro nov. 2021 ed. 239

Daisaku Ikeda visita alunos na Universidade Soka do Japão (out. 1973)

Frase de Tsunesaburo Makiguchi: “No futuro, certamente construirei uma escola baseada na pedagogia de criação de bons valores na vida de cada estudante. Se isso não for possível enquanto estiver vivo, será na época de [Josei] Toda. Haverá um sistema educacional do ensino fundamental até o superior e terá na pedagogia de criar valor seu principal fundamento” (Educação Soka, p. 19).

Quiz

1. O que significa educação Soka?

a. Criar valor a partir das características de cada aluno

b. Ir para a escola todos os dias

c. Deixar a lição de casa para depois

2. Quem teve a brilhante ideia de fundar a educação Soka?

a. Daisaku Ikeda

b. Tsunesaburo Makiguchi

c. Josei Toda

3. Em quais países existe a Universidade Soka?

a. Nos Estados Unidos e no Japão

b. No Brasil e no Japão

c. Ainda não existe

***

Respostas:

1. A

2. B

3. A

Nota:

1. Esta é uma situação fictícia.

19-10-2021

Podcasts

Vídeos

Documentário

11:22

Universidade Soka da América

Documentário

09:42

50 anos da Universidade Soka

BS+ Entrevista

09:31

Puneh Ala'i | A educação transforma o mundo

Documentário

04:25

Formatura 1ª turma do Ensino Médio | Colégio Soka do Brasil | 15 de março de 2020