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Estudo
há 5 anos

[3] Harmonia familiar 1

Departamento de Estudo do Budismo

19/11/2020

[3] Harmonia familiar 1

Capítulo 1: Trechos do Gosho

Aprendendo com os escritos de Nichiren Daishonin — os ensinamentos para a vitória

Matéria atualizada a partir da revista Terceira Civilização, ed. 536, abr. 2013, p. 46

Explanação do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda

União harmoniosa e revolução humana são a chave para a vitória em nossos esforços pelo kosen-rufu

[14] Um Pai Abraça a Fé

Trecho do escrito

Estava bastante preocupado, já que não recebia notícias suas [Munenaga Ikegami] há muito tempo. Não há nada mais esplêndido do que o ocorrido a Tayu no Sakan [seu irmão mais velho, Munenaka Ikegami] e ao senhor. É realmente maravilhoso!

Lemos nos sutras que é costumeiro, quando uma era começa a declinar, veneráveis e reverenciáveis se retirarem do mundo e a terra se encher de caluniadores, aduladores, hipócritas sorridentes e de pessoas de princípios desonestos. Para dar um exemplo, quando o nível da água baixa, o lago se altera, e quando o vento sopra, o mar se agita. Também lemos que quando a última era se iniciar e ocorrerem secas, epidemias, chuvas fortes e vendavais, até as pessoas de grande coração se tornarão mesquinhas, e até os que aspiram ao caminho adotarão ideias errôneas. Em consequência, os sutras dizem que a discórdia reinará entre pai e mãe, entre marido e mulher e entre irmãos mais velhos e mais novos, que se enfrentarão como caçador e cervo, como gato e rato, como gavião e faisão; para não falar da relação entre estranhos.

Certos sacerdotes possuídos pelo demônio celestial, como Ryokan e outros, enganaram seu pai, Saemon no Tayu [Yasumitsu Ikegami], e tentaram destruir você e seu irmão; porém, como você tem um coração sábio, soube escutar as advertências de Nichiren. Por essa razão, assim como duas rodas sustentam uma carruagem, como duas pernas sustentam uma pessoa, como duas asas permitem um pássaro voar, como o Sol e a Lua ajudam todos os seres vivos, os esforços de vocês dois, irmãos, levaram seu pai a abraçar a fé no Sutra do Lótus. Este desfecho dos acontecimentos foi possível totalmente graças a você, Hyoe no Sakan [Munenaga].

De acordo com os ensinamentos do sutra verdadeiro, quando a última era começar e o budismo cair em completa desordem, um grande venerável fará seu advento no mundo. Por exemplo, o pinheiro é chamado de rei das árvores porque resiste à geada, e o crisântemo é conhecido como uma planta sagrada porque continua a florir mesmo quando todas as demais plantas já murcharam. Quando o mundo está em paz, é difícil distinguir os reverenciáveis. Mas em época de turbulência, tanto os veneráveis como os tolos evidenciam sua natureza. É lamentável que Hei no Saemon e o senhor feudal de Sagami não tenham me ouvido! Se tivessem me ouvido, com certeza, não teriam decapitado os emissários do império mongol que estiveram aqui alguns anos atrás. Estou certo de que agora se arrependem disso. (CEND, v. II, p. 106)

Explanação

A união faz a força. A união baseada na fé na Lei Mística constitui o mais nobre, belo e duradouro elo do bem neste mundo, e é uma poderosa força para a vitória.

Um notável drama da vitória obtida por meio dessa união se desenrolou na vida de Nichiren Daishonin. Refiro-me à inspiradora transformação das circunstâncias conquistada pelos irmãos Ikegami — Munenaka e Munenaga. Por estarem firmemente unidos na fé, eles e as esposas não só superaram a longa oposição à crença deles por parte de seu pai Yasumitsu — que resultou no fato de o irmão mais velho, Munenaka, ser deserdado —, mas, por fim, conseguiram levá-lo a se juntar a eles no ato de abraçar a fé na Lei Mística. O brilhante triunfo deles sobre a adversidade reluz como um eterno modelo de fé para os praticantes do Budismo Nichiren.

A experiência dos irmãos Ikegami nos ensina a importância da fé — a “espada afiada” que pode romper todos os obstáculos — e a natureza essencial da união. Também ilustra a importância da continuidade em nossa prática budista, assim como Daishonin ensina. Além disso, fornece um guia para alcançar a harmonia familiar. Outro ponto vital que essa carta destaca é a admirável fé das esposas dos irmãos Ikegami, que apoiaram sinceramente Munenaka e Munenaga durante suas batalhas.

Referindo-se a essa experiência de fé dos irmãos Ikegami e suas esposas, Nichiren Daishonin dedica-lhes as seguintes palavras de admiração: “Poderia haver uma história mais maravilhosa do que a de vocês [que será transmitida às futuras gerações]?” (CEND, v. I, p. 522) e “Mesmo que outros homens e mulheres se tornem meus seguidores no futuro, eles não substituirão vocês em meu coração” (CEND, v. I, p. 525). As intrépidas batalhas e a incansável prática budista desses sinceros discípulos continuam a ser uma fonte de inspiração para todos até hoje.

Nós, da SGI, reavivamos a história dos irmãos Ikegami, em tempos contemporâneos. Nossos membros seguiram o exemplo desses valentes pioneiros e hastearam altivamente a bandeira da vitória em sua vida. Suas experiências narram incontáveis dramas individuais de superação das dificuldades e a conquista da felicidade, abrindo o caminho da harmonia familiar, da vitória absoluta, e de uma vida longa, saudável e gratificante — tudo com base na firme prática do budismo de acordo com os escritos de Nichiren Daishonin. Há inumeráveis “irmãos Ikegami” modernos em nossa organização no Japão e em todo o mundo.

Uma pessoa que defende o Budismo Nichiren e se ergue na fé com profunda consciência de sua missão pode evidenciar o imenso potencial que reside dentro dela. Sua transformação interior infalivelmente influenciará a vida dos demais ao seu redor, provocando alegres ondas do desenvolvimento do potencial humano. As experiências dos membros da SGI são uma eloquente prova da verdade que, quando se muda, o mundo à nossa volta também se modifica.

O propósito da fé no budismo é fazer cada um vencer na vida e conduzir uma existência de máximo valor e significado. E a essência da nossa prática budista voltada para esses fins está em continuar aprofundando nossa fé.

Nesta edição, vamos estudar sobre a fé necessária para superarmos as adversidades, baseados na história de vitórias dos irmãos Ikegami. O escrito de Nichiren Daishonin que explanarei agora é Um Pai Abraça a Fé. Nessa carta, escrita em resposta à notícia de que o pai dos irmãos Ikegami finalmente abraçara a fé na Lei Mística, Daishonin elogia a inabalável dedicação dos dois irmãos na prática do budismo.

Aplausos à maravilhosa fé dos irmãos Ikegami

Estava bastante preocupado, já que não recebia notícias suas [Munenaga Ikegami] há muito tempo. Não há nada mais esplêndido do que o ocorrido a Tayu no Sakan [seu irmão mais velho, Munenaka Ikegami] e ao senhor. É realmente maravilhoso! (CEND, v. II, p. 106)

Mais do que ninguém, Nichiren Daishonin ficou muito feliz com o comunicado de vitória enviado pelos irmãos Ikegami. O empenho deles enfrentando o fato de Munenaka ser deserdado perdurou por muitos anos. O pai exigiu que eles abandonassem a fé no Sutra do Lótus como discípulos de Nichiren Daishonin, e, como parte de sua estratégia, deserdou o irmão mais velho, Munenaka, em duas ocasiões.[1]

O clã Ikegami pertencia à classe guerreira e servia ao governo militar de Kamakura. Era uma família de habilidosos construtores e engenheiros, servindo mais provavelmente como empreiteiros em projetos de construção. Ser deserdado significava que Munenaka perderia não só sua posição social, mas também seu meio de sustento e suas economias. No entanto, ele respondeu a essa adversidade com inabalável determinação, escolhendo dar continuidade à prática dos ensinamentos de Nichiren Daishonin.

Isso colocou Munenaga, o irmão mais novo, numa posição muito difícil. De um lado, seu irmão mais velho ser deserdado significava que ele, Munenaga, se tornaria o herdeiro de seu pai. Do outro, se analisarmos sob a luz dos valores da sociedade da época, caso Munenaga contrariasse a vontade do pai, seu comportamento seria considerado um ato de deslealdade e ingratidão muito grande. Compreendendo totalmente a complexa situação que Munenaga enfrentava, Daishonin o incentivou repetidamente e o alertou que o caminho para a verdadeira felicidade e prosperidade se encontrava em se unir a seu irmão e ambos permanecerem firmes na fé.

Sem dúvida, o pai finalmente reconheceu a profundidade da sincera preocupação que os filhos nutriam por ele. E revogou a deserdação de Munenaka e começou a praticar o Sutra do Lótus como discípulo de Nichiren Daishonin.

No início da carta, Daishonin expressa sua alegria com a notícia dessa dramática vitória, exclamando para Munenaga: “É realmente maravilhoso!” (CEND, v. II, p. 106).

Vamos reconfirmar os pontos essenciais da fé para alcançar a vitória que Nichiren Daishonin ensina aos irmãos Ikegami, pois eles são a fórmula pela qual também podemos ser absolutamente vitoriosos na vida.

Inicialmente, permanecer firmes na fé com o espírito de jamais abandoná-la é o mais importante na prática do Sutra do Lótus. Nichiren Daishonin adverte que é por meio das manobras do rei demônio do sexto céu[2] — isto é, a escuridão fundamental ou ignorância fundamental — que o impulso negativo para abandonar a fé na Lei Mística surge no coração das pessoas.

A escuridão fundamental significa ignorar o fato de que somos entidades da Lei Mística. É a incapacidade de aceitar verdadeiramente o ensinamento de que possuímos dentro de nós o nobre estado de buda e temos o poder de superar todas as dificuldades. Como resultado, nosso coração permanece sombrio, com medo, dúvidas e permeado por resignação e desespero. É o poder da fé ou a crença na Lei Mística que dissipam essa escuridão fundamental. Como Daishonin orienta: “A simples palavra ‘crença’ [ou ‘fé’] é a espada afiada com a qual se enfrenta e vence a escuridão ou a ignorância” (OTT, p. 119-120) e “A fé é a base do budismo” (CEND, v. II, p. 93).

Assim como muitas vezes é reconfirmado por nossos membros em suas experiências na fé, é precisamente quando pensamos que não podemos continuar, quando nos sentimos se esperança e incapazes de encontrar uma saída, que devemos abrir os escritos de Nichiren Daishonin, estudar as orientações da SGI e procurar o incentivo dos nossos companheiros, a fim de despertarmos e renovarmos nossa fé.

Quando cultivamos uma profunda fé na Lei Mística em nossa vida e continuamos sinceramente nossa prática budista da recitação do Nam-myoho-renge-kyo diante do Gohonzon, definitivamente algo começa a mudar dentro de nós. Nossa natureza de buda vai se manifestar; alegria e confiança preencherão nosso coração; e a coragem para desafiar a nós mesmos surgirá do nosso interior. A ilimitada sabedoria e o poder do Buda para alcançarmos a vitória absoluta também fluirão em nossa vida.

Como membros da SGI que se esforçam diligentemente na fé, na prática e no estudo, somos capazes de desenvolver um forte e invencível eu por meio de nossas experiências de superação de todos os tipos de dificuldades e obstáculos com o poder da Lei Mística. Com certeza, ninguém representa melhor o estado de buda que nossos convictos pioneiros absolutamente destemidos.

Somos todos originalmente entidades da Lei Mística. Portanto, é essencial que acreditemos firmemente no princípio da “transformação da fé em sabedoria”[3]— isto é, que sejamos capazes de manifestar a sabedoria e a coragem de que precisamos para sermos vitoriosos baseando nossa vida na recitação do Nam-myoho-renge-kyo. Essa é a chave para a fé sem retrocessos ensinada no Budismo Nichiren.

Sempre pronto para combater as funções da maldade

O que há de mais assustador e traiçoeiro nas influências negativas — ou no que o budismo se refere como “maus amigos”[4] — é o fato de elas se manifestarem de diversas formas na tentativa de destruir nossa fé.

Depois de ser deserdado uma vez e ter sua posição restabelecida, o irmão mais velho Munenaka Ikegami foi então deserdado por seu pai pela segunda vez. Mas sua decisão era inabalável, e ele se negou terminantemente a retroceder. Seu comprometimento com a prática budista permaneceu firme, sendo merecedor dos elogios de Nichiren Daishonin: “Uemon-no Sakan Tayu [Munenaka] haverá de ser um dos devotos deste sutra [Sutra do Lótus]” (CEND, v. I, p. 666).

Mas a determinação do irmão mais novo Munenaga foi testada por repetitivos ataques de influências negativas. Prevendo que Munenaka seria provavelmente deserdado pela segunda vez, Daishonin pediu à esposa do irmão mais novo para se preparar para aquele acontecimento, pois estava apreensivo sobre como isso afetaria Munenaga (cf. CEND, v. I, p. 665).

Nichiren Daishonin constantemente lembrava os irmãos que eles precisavam encarar os obstáculos que estavam enfrentando como uma luta contra a escuridão fundamental e as funções da maldade. O alicerce para uma fé inabalável reside na construção de um forte eu capaz de reconhecer as funções da maldade e de não se deter por influências negativas, ou “maus amigos”.

A fé é uma batalha incessante contra os obstáculos e as funções da maldade. A resoluta mensagem de Nichiren Daishonin aos irmãos Ikegami era claramente no sentido de perceberem os “três obstáculos e quatro maldades”[5] e para que seguissem em frente destemidamente. O medo destrói a fé. Se retrocedermos na fé, nossa vida será inundada pelas funções da maldade. A chave para a vitória se resume nessa advertência de Daishonin: “Fortaleçam sua fé dia após dia e mês após mês” (CEND, v. II, p. 263).

Nichiren Daishonin instruiu os irmãos Ikegami: “...cerrem os dentes e jamais esmoreçam na fé” (CEND, v. I, p. 520). Ele também os encorajou a lutar destemidamente tal como ele o fez (cf. CEND, v. I, p. 520).[6]

Pelo fato de a fé ser uma luta implacável contra as funções da maldade, que tentam abalar nosso coração e nos desviar do caminho, é que precisamos lapidar nosso interior continuamente e despertar a coragem. É por isso que Daishonin brada repetidamente: “...jamais esmoreçam na fé” (CEND, v. I, p. 520) e “Você não deve afrouxar o mínimo” (WND, v. II, p. 597). A genuína fé é construída por meio do avanço constante imbuído do espírito de se empenhar com mais força e determinação, para progredir hoje mais que ontem e amanhã ainda mais que hoje.

O mais importante em nossa batalha contra os três obstáculos e as quatro maldades é permanecermos sempre na ofensiva, prontos para vencer as funções negativas quando elas aparecerem. Em suas cartas para os irmãos Ikegami, Daishonin escreve: “Sejam corajosos... ” (CEND, v. I, p. 520), “Você não deve afrouxar o mínimo” (WND, v. II, p. 597) e “Não deve sentir o menor medo em seu coração” (CEND, v. I, p. 666). Quando ficamos passivos e retrocedemos, as funções da maldade se intensificam, mas, quando nos colocamos na ofensiva e nos mantemos firmes contra elas com um poderoso daimoku, elas se dissiparão ao som do nosso rugido de leão destemido.

Em última análise, uma corajosa fé é indispensável na luta contra as funções da maldade. Estar sempre pronto para se manter em ação — com uma firme e inabalável determinação — é importante. É por isso que Daishonin instruiu o irmão mais novo Munenaga Ikegami: “Em última análise, deve buscar o caminho do buda com uma atitude pura e sincera, da mesma forma que seu irmão [mais velho]” (CEND, v. I, p. 666), “...decida-se e pense seriamente em sua felicidade na próxima existência” (Ibidem, p. 668), “Você precisa levantar ainda mais a voz e repreender [aqueles que caluniam]” (WND, v. II, p. 597) e “...confronte seu pai e declare [a ele sua posição]” (CEND, v. I, p. 666).

A luta contra as funções da maldade nos permite polir e aprofundar nossa fé. E com a “espada afiada da fé”, que polimos por meio desses desafios, podemos triunfar sobre os obstáculos e as funções negativas. Essa forte fé, esse espírito destemido, é a própria essência do estado de buda. Com nossos esforços em cultivar um eu convicto e inabalável por meio de nossa prática budista e em realizar nossa revolução humana, adquirimos experiências brilhantes e indestrutíveis na fé, que inspirarão nossos amigos em todo o mundo, e continuarão a ser contadas e passadas de geração a geração.

Quando os três obstáculos e as quatro maldades surgem? Nichiren Daishonin diz que eles se manifestam quando nossa “prática avança e a compreensão aumenta” (CEND, v. I, p. 524).[7] Eles surgem quando estamos avançando no caminho para atingir o estado de buda. Daishonin escreve:

Há algo definitivamente extraordinário no fluxo e refluxo da maré, no nascer e pôr da Lua, e na maneira como o verão, o outono, o inverno e a primavera sucedem um ao outro. Algo inusitado também ocorre quando uma pessoa comum atinge o estado de buda. Nesse momento, os três obstáculos e as quatro maldades aparecem infalivelmente; e quando isso ocorre, o sábio se alegra, ao passo que o tolo recua. (CEND, v. I, p. 666)

Quando compreendemos que o aparecimento dos três obstáculos e das quatro maldades é um sinal de que estamos prestes a conseguir uma profunda transformação no interior de nossa vida, então estamos prontos e ficamos ávidos por enfrentar os desafios que se apresentam, nosso coração se enche de coragem e de autoconfiança.

Em contrapartida, se nos deixarmos intimidar e formos derrotados por esses obstáculos e funções da maldade, acabaremos sucumbindo ao desespero e à dúvida e retrocederemos no caminho que conduz ao estado de buda. A declaração de Nichiren Daishonin de que “o sábio se alegra, ao passo que o tolo recua” (CEND, v. I, p. 666) representa uma máxima eterna para nossa prática budista.

Os irmãos Ikegami triunfaram porque seguiram fielmente a orientação de Nichiren Daishonin, que escreveu uma série de cartas, incluindo esta, Um Pai Abraça a Fé, que reunidas apresentam um retrato vívido do caminho que os conduziu à sua última e importante vitória de mestre e discípulo. Todos esses escritos oferecem orientações e percepções perspicazes e valiosas para ser vitorioso na vida.

Harmonia familiar — um direcionamento eterno aos praticantes do Budismo Nichiren

Lemos nos sutras que é costumeiro, quando uma era começa a declinar, veneráveis e reverenciáveis se retirarem do mundo e a terra se encher de caluniadores, aduladores, hipócritas sorridentes e de pessoas de princípios desonestos. Para dar um exemplo, quando o nível da água baixa, o lago se altera, e quando o vento sopra, o mar se agita. Também lemos que quando a última era se iniciar e ocorrerem secas, epidemias, chuvas fortes e vendavais, até as pessoas de grande coração se tornarão mesquinhas, e até os que aspiram ao caminho adotarão ideias errôneas. Em consequência, os sutras dizem que a discórdia reinará entre pai e mãe, entre marido e mulher e entre irmãos mais velhos e mais novos, que se enfrentarão como caçador e cervo, como gato e rato, como gavião e faisão; para não falar da relação entre estranhos. (CEND, v. II, p. 106)

Os sutras budistas em geral afirmam que, quando os Últimos Dias da Lei chegam, as pessoas sábias e dignas desaparecerão, e, ao contrário, caluniadores, aduladores, hipócritas sorridentes e aqueles de princípios desonestos proliferarão na terra (cf. CEND, v. II, p. 106). Em outras palavras, trata-se de uma era maléfica invadida por conspiradores interesseiros que semeiam a desconfiança entre as pessoas.

Nichiren Daishonin enfatiza também que uma característica especial dessa época degenerada é que conflitos e discórdias se intensificarão não somente entre a população em geral, mas mesmo entre aqueles que têm relações estreitas, como entre pai e filho, marido e mulher, e irmãos.

Em suas primeiras cartas endereçadas aos irmãos Ikegami, Daishonin mostrou que o pai deles — enganado por influências negativas como Ryokan,[8] líder sacerdotal do templo Gokuraku-ji — estava manifestando as funções dos três obstáculos e das quatro maldades em suas ações para coagir os dois a abandonar sua fé. Compreendendo profundamente a verdadeira natureza dessa situação com base na Lei Mística, Daishonin lutou incansavelmente contra as insidiosas tramoias de Ryokan e outros.

Ao mesmo tempo, porém, Nichiren Daishonin instruiu os irmãos a demonstrar fiel devoção filial, pois o pai havia sido desviado por um mestre errado, e que persistissem em seus esforços para guiá-lo ao caminho da iluminação por meio do poder da Lei Mística. Isso estava baseado na crença de Daishonin de que a melhor maneira de serem bons filhos era eles atingirem o estado de buda — mesmo que isso por um tempo aparentasse desobediência ao pai, porque permitiria que eles os conduzissem à felicidade no sentido mais verdadeiro e profundo. Daishonin nunca perdeu de vista essa mais importante questão de os irmãos orientarem seu pai para o ensinamento do Sutra do Lótus.

Por diversas vezes nas cartas endereçadas aos irmãos Ikegami, Nichiren Daishonin citou a história dos irmãos Acervo Puro e Visão Pura,[9] que conduziram seu pai, o rei Adorno Magnífico, a abraçar a fé no ensinamento do budismo. Ele pede aos irmãos Ikegami para seguir esse exemplo e, em última instância, criar uma família harmoniosa, dizendo: “Seu pai é como o rei Adorno Magnífico, o senhor e seu irmão são como os príncipes Acervo Puro e Visão Pura. A época é diferente, mas o princípio do Sutra do Lótus permanece exatamente o mesmo” (CEND, v. I, p. 666).

Meu mestre e segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, por diversas vezes também se referiu à história dos irmãos Acervo Puro e Visão Pura para incentivar os jovens cujos familiares não praticavam o Budismo Nichiren. Certa vez, ele disse:

Os irmãos Acervo Puro e Visão Pura convenceram seu pai a abraçar a fé no ensinamento do budismo, demonstrando o poder da Lei Mística na própria vida. Da mesma forma, não há necessidade de vocês se apressarem e começarem a ensinar a seus familiares os princípios do budismo. Mesmo que leve algum tempo, primeiro se esforcem para se tornarem boas pessoas, deixando seus pais tranquilos. Quero que sejam pessoas que realmente se importam, respeitam e apreciam seus pais.[10]

A orientação de Toda sensei sobre a “Prática da fé para a harmonia familiar” expressa um de nossos objetivos mais fundamentais como praticantes do Budismo Nichiren. Ele também afirmou que não devemos permitir que nossa prática budista se torne fonte de discórdia ou de conflitos em nossa família. A sinceridade é primordial. Devemos sempre ser sinceros e respeitosos em nosso relacionamento com os outros. E devemos assumir o papel principal sendo alegres e otimistas, e manifestar sabedoria e benevolência para apoiar e abraçar calorosamente os que nos cercam. Nossos contínuos esforços para cultivar essas relações harmoniosas em nosso ambiente são a chave para a vitória na fé, e brilham com a sabedoria do budismo.

Quando a revolução humana e a revolução familiar das pessoas que praticam a Lei Mística difundirem a ideologia do Sutra do Lótus de que todos somos budas e dignos do maior respeito, será possível realizar uma grande transformação do carma de conflitos incessantes dos Últimos Dias da Lei. E, por fim, essa filosofia cheia de esperança se propagará por toda a sociedade e para o mundo inteiro, restaurando uma calorosa corrente de benevolência em nossa época maléfica.

A vitória conquistada por lutar

Certos sacerdotes possuídos pelo demônio celestial, como Ryokan e outros, enganaram seu pai, Saemon no Tayu [Yasumitsu Ikegami], e tentaram destruir você e seu irmão; porém, como você tem um coração sábio, soube escutar as advertências de Nichiren. Por essa razão, assim como duas rodas sustentam uma carruagem, como duas pernas sustentam uma pessoa, como duas asas permitem um pássaro voar, como o Sol e a Lua ajudam todos os seres vivos, os esforços de vocês dois, irmãos, levaram seu pai a abraçar a fé no Sutra do Lótus. Este desfecho dos acontecimentos foi possível totalmente graças a você, Hyoe no Sakan [Munenaga].(CEND, v. II, p. 106)

Nichiren Daishonin enfatiza novamente que a união demonstrada pelos irmãos Ikegami foi vital para frustrar os planos do rei demônio do sexto céu. Ele escreveu a Munenaga: “...como você tem um coração sábio, soube escutar as advertências de Nichiren” (CEND, v. II, p. 106). Esses elogios destacam, em particular, o papel central desempenhado por Munenaga na conquista dos dois irmãos, que unidos conduziram seu pai ao ensinamento do Sutra do Lótus. Aqui, Daishonin esclarece o importante princípio de que a realização do kosen-rufu depende do poder da união.

Numa carta anterior, Daishonin realmente instruiu Munenaga a declarar a seu pai: “Por isso, decidi (...) seguir meu irmão. Se renegá-lo, saiba que estará renegando a mim também” (CEND, v. I, p. 666). Essa postura resoluta foi, sem dúvida, uma forma de provocar avanços na situação em que seu pai se encontrava. Enquanto os dois irmãos permanecessem firmemente unidos, as funções da maldade que procuravam dividi-los seriam incapazes de ganhar espaço na vida deles. Mas se os irmãos entrassem em discórdia, permitindo brechas em sua união, essas funções negativas facilmente tirariam proveito.

Em suas cartas para os irmãos Ikegami, Nichiren Daishonin repetidamente enfatiza a importância da união. Todas as histórias e contos que ele cita na segunda metade de Carta para os Irmãos, por exemplo, chamam a atenção para esse ponto (cf. CEND, v. I, p. 521).

E, no escrito Os Três Obstáculos e as Quatro Maldades, ele diz a Munenaga: “Mesmo que abandone seu irmão e ocupe o lugar dele no coração de seu pai, não conseguirá prosperar em mil ou em dez mil anos” (CEND, v. I, p. 668).

Além disso, em Filhos Dedicados, escrito após a morte do pai dos irmãos Ikegami, Daishonin insta mais uma vez que se “certifiquem em manter boas relações um com o outro” (WND, v. II, p. 815). Além do mais, em Irmãos Unos em Mente, ele os adverte contra a desarmonia:

Se [vocês dois] deixarem de agir em harmonia, serão como a narceja [batuíra, espécie de pássaro] e o marisco que, por estarem concentrados em lutar um contra o outro, [ambos] se tornaram presas do pescador. Recitem Nam-myoho-renge-kyo e tomem cuidado sobre como se comportam! Tomem cuidado sobre como vocês se comportam! (WND, v. II, p. 914).

Como se sabe, Daishonin não só incentivou os irmãos Ikegami a permanecer unidos, como também fez o mesmo apelo às suas esposas. No final da Carta para os Irmãos, Nichiren Daishonin dirigiu estas palavras especificamente para as duas mulheres: “Se vocês duas se unirem para encorajar a fé dos maridos, seguirão o caminho da filha do rei dragão[11] e se tornarão exemplos de mulheres que atingiram o estado de buda nesta última era maléfica” (CEND, v. I, p. 525). Ambas as mulheres atenderam ao apelo de Daishonin e, sem dúvida, também se esforçaram para manter a melhor das relações com o sogro.

Daishonin fez um esforço especial para incentivar a esposa do irmão mais novo, Munenaga.

Um marido e uma esposa que dedicam a vida ao kosen-rufu são companheiros praticantes da Lei Mística e companheiros numa luta compartilhada. Esse é um princípio atemporal, aplica-se tanto à época de Daishonin como aos dias atuais. A vitória dos irmãos Ikegami também foi a vitória de suas esposas.

As mulheres possuem a sabedoria de ver as coisas pela ótica dos princípios fundamentais do respeito ao ser humano e à dignidade da vida.

Sem dúvida, a sábia mulher de Munenaga respeitava sinceramente Nichiren Daishonin por seus singulares esforços para iluminar a escuridão dos Últimos Dias da Lei e abrir o caminho para a felicidade de todas as pessoas, e o encarava como seu mestre na fé enquanto desafiava a si mesma em suas batalhas.

Esse espírito de unicidade de mestre e discípulo foi o que permitiu aos irmãos Ikegami e suas esposas triunfarem.

A união dos amigos desde o remoto passado

O kosen-rufué uma batalha entre as forças do buda e as funções da maldade. Enquanto permanecermos unidos com o espírito de “diferentes em corpo, unos em mente”, podemos derrotar todas as funções da maldade e promover a propagação da Lei Mística. A união é o eixo eterno e fundamental do kosen-rufu. Daishonin empreendeu um grande esforço para garantir que seus discípulos trabalhassem juntos e em harmonia.

“Unos em mente”, como praticantes do Budismo Nichiren, refere-se a compartilhar o espírito ou o juramento de fazer o kosen-rufu avançar com energia. Isso descreve o coração das pessoas unidas pelo grande objetivo de realizar o desejo do Buda da ampla propagação da Lei Mística. “Unos em mente” significa, essencialmente, cada um fazer do coração ou da intenção do Buda nosso próprio coração ou nossa intenção, dando origem à verdadeira união.

As forças negativas se unem para se opor ao Sutra do Lótus e aos seus praticantes, mas essa união é sempre frágil e fugaz, porque seu objetivo não é duradouro nem universal. Quando as forças do bem que protegem a eterna Lei Mística são fortes, tais alianças negativas sempre se desintegram no final.

Ao iluminarmos nossa natureza de buda por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo e despertarmos para nosso juramento pelo kosen-rufu que existe desde o remoto passado, nós, que protegemos a Lei Mística, podemos demonstrar a verdadeira união dos bodisatvas da terra.

Toda senseicerta vez comentou sobre os profundos laços que compartilhamos como membros:

Quando observamos nossa existência, vemos que [no remoto passado do tempo sem início] vivíamos com total liberdade num reino brilhante de pureza e alegria. Tínhamos o belo espírito de uma única mente. Nós que já moramos nesse mundo reluzente agora surgimos juntos nesse mundo saha cheio de conflitos.

Olhando para trás, sinto como se fosse ontem que vivemos naquele reino, puro e agradável. Como poderíamos esquecer esse lugar radiante? Como esquecer os amigos com quem passamos nossa vida alegremente em absoluta liberdade? E como poderíamos esquecer o juramento que fizemos juntos na assembleia na qual o Sutra do Lótus foi exposto?

Este mundo sahatambém foi originalmente habitado por amigos, todos alegres e puros, inteligentes e que conviviam muito bem uns com os outros. Não é, portanto, lamentável e triste que, depois de terem sido forçados a beber o veneno da cobiça, da raiva e do ciúme pelos proponentes dos ensinamentos não budistas,[12]Mahayana provisório e Hinayana, as pessoas tenham se tornado como crianças transtornadas e tenham esquecido tudo sobre o remoto passado?[13]

Somos todos amigos em união de “diferentes em corpo, unos em mente” desde o remoto passado. Vamos despertar para a essência verdadeira e original da nossa vida e avançar como bodisatvas da terra, lutando juntos para cumprir nosso juramento de um tempo sem início.

Um grande sábio transforma e era maléfica dos Últimos Dias da Lei

De acordo com os ensinamentos do sutra verdadeiro, quando a última era começar e o budismo cair em completa desordem, um grande venerável fará seu advento no mundo. Por exemplo, o pinheiro é chamado de rei das árvores porque resiste à geada, e o crisântemo é conhecido como uma planta sagrada porque continua a florir mesmo quando todas as demais plantas já murcharam. Quando o mundo está em paz, é difícil distinguir os reverenciáveis. Mas em época de turbulência, tanto os veneráveis como os tolos evidenciam sua natureza. É lamentável que Hei no Saemon e o senhor feudal de Sagami não tenham me ouvido! Se tivessem me ouvido, com certeza, não teriam decapitado os emissários do império mongol que estiveram aqui alguns anos atrás. Estou certo de que agora se arrependem disso. (CEND, v. II, p. 106)

O Sutra do Lótus declara que nos Últimos Dias da Lei, uma época na qual o mal é crescente e os ensinamentos budistas tornam-se distorcidos e confusos, um grande venerável (Daishonin, em japonês) surgirá[14] (cf. CEND, v. II, p. 106).

No início da carta Um Pai Abraça a Fé, Nichiren Daishonin observa, nesta última era maléfica: “veneráveis e reverenciáveis se retirarem do mundo” (CEND, v. II, p. 106). Então, ele continua dizendo que durante o período em que o próprio budismo cair em completa desordem, um grande venerável fará seu advento no mundo e conduzirá todas as pessoas à iluminação (cf. CEND, v. II, p. 106).

A geada não mata o pinheiro, e as flores de crisântemo desabrocham no frio depois de as outras flores terem murchado. Da mesma forma, numa época na qual discórdias lançaram a sombria mortalha do inverno sobre todo o mundo, a existência de um grande venerável que realmente possa aliviar o sofrimento das pessoas brilha intensamente. Essa passagem se refere, evidentemente, ao surgimento de Nichiren Daishonin como o mestre que conduz as pessoas à iluminação na era impura dos Últimos Dias da Lei.

Numa época de confusão, a capacidade de julgamento das pessoas fica distorcida e elas são incapazes de discernir aqueles que falam a verdade — isto é, os verdadeiros sábios e os heróis — e muitas vezes os perseguem. Mas, numa época turbulenta sem precedentes, quando a sociedade está num beco sem saída, como resultado de juízos errados, a diferença entre o genuíno e o impostor se torna evidente, tal como Daishonin observa quando escreve: “Tanto os veneráveis como os tolos evidenciam sua natureza” (CEND, v. II, p. 106). No final desse trecho, ele diz que isso eventualmente se tornaria evidente se as autoridades do governo militar de Kamakura tivessem tomado a decisão correta sobre quais escolas budistas depositariam sua confiança para garantir a proteção da nação (cf. CEND, v. II, p. 106). Então, ficaria óbvio quem era realmente o venerável e quem era o tolo, afirma Daishonin.

Os irmãos Ikegami foram os discípulos de Nichiren Daishonin desde a época inicial, e permaneceram fiéis a seus ensinamentos, mesmo quando a sabedoria e a benevolência dele não foram compreendidas pela população, e ele se tornou alvo de críticas e de abusos. Como resultado, enquanto a época ficava cada vez mais desordenada, os irmãos se armaram de forte convicção de que havia chegado o momento no qual a validade dos ensinamentos de Daishonin seria provada.

O venerável e o tolo tornam-se facilmente distinguíveis, como afirma Daishonin, por causa do surgimento de pessoas dignas e sábias que expõem uma filosofia eficaz para aliviar o sofrimento numa era impura.

Exatamente pela época estar tão conturbada, cheia de desconfianças e de desrespeito entre as pessoas, o verdadeiro valor do Sutra do Lótus, com o seu inigualável ensinamento de respeito por todos os seres humanos, é revelado. Os ensinamentos anteriores ao Sutra do Lótus, que não contêm o princípio da “possessão mútua dos dez mundos”,[15] são como as plantas que murcham quando chegam as geadas ou o outono avança, eles não têm o poder essencial de conduzir as pessoas à iluminação. Nesse contexto de impotência, a existência de um verdadeiro sábio que propaga o Sutra do Lótus brilhará no final.

Esse princípio se aplica também aos dias de hoje. Toda sensei sempre dizia: “A filosofia é essencial para despertar as pessoas”.[16] Ele também afirmou que, quando nossa sociedade materialista entrasse num beco sem saída, necessitaríamos de uma filosofia fundamental da vida. Filosofia e valores espirituais são a força motriz da época em seu nível mais fundamental. As atenções se voltarão cada vez mais para a visão humanística, o senso de propósito e a natureza espiritual oferecidas por diferentes filosofias. O professor Tsunesaburo Makiguchi, fundador da Soka Gakkai, declarou que, se não soubéssemos nosso objetivo final ou nossa finalidade, não poderíamos decidir nada. Ele disse que isso seria como caminhar até um policial e pedir não pelas indicações de direção, mas por informações sobre qual seria seu próprio destino.[17]

O mundo de hoje aguarda ansiosamente pelo surgimento de pessoas de espírito elevado e profundo humanismo. Precisamos de pessoas que reconheçam e procurem aproveitar plenamente o potencial que existe dentro de si e dos outros, e que aspirem à felicidade de todos, baseadas no respeito a cada indivíduo. Chegou o tempo do surgimento de vibrantes multidões de bodisatvas da terra, como descrito no Sutra do Lótus.

No século 21, as religiões do mundo vão, sem dúvida, focar a suprema dignidade interior do ser humano. A essência da mensagem do Sutra do Lótus é a descoberta de uma nobre e transcendente espiritualidade dentro de cada um. Com profunda confiança, Daishonin declara que “um grande venerável fará seu advento no mundo” (CEND, v. II, p. 106). Na verdade, o surgimento de uma grande força de sábios e de pessoas comuns sagazes que incorporam a visão da vida e do ser humano exposta no Sutra do Lótus, certamente, servirá como um farol a iluminar a escuridão do nosso tempo.

Estamos entrando numa época em que as religiões do mundo competirão de forma amigável para se tornar fonte de inspiração e de esperança para a humanidade, para dar sentido à vida, e para criar alianças que conduzirão todos em nosso planeta a um caminho de paz e de felicidade.

Na era obscura dos Últimos Dias da Lei, Nichiren Daishonin estabeleceu os meios para todas as pessoas evidenciarem seu potencial e despertar sua dignidade interior. As experiências na fé dos irmãos Ikegami e de suas esposas e de inúmeros outros discípulos iguais a eles abriram o caminho para a felicidade tanto deles mesmos como dos outros, comprovando o verdadeiro valor dos ensinamentos de Nichiren Daishonin na vida e na sociedade. Seguindo os passos desses praticantes da época de Nichiren Daishonin, os membros da SGI estão se esforçando ativamente em meio à sociedade para demonstrar o poder inerente à vida por meio da prática do Budismo Nichiren.

As experiências na fé de nossos membros — bodisatvas da terra que assumiram a missão de cumprir o grande desejo do Buda de fazer todos despertarem seu potencial para o bem — são fonte de grande esperança para as pessoas nos Últimos Dias da Lei. Nossos membros estão escrevendo maravilhosas histórias de prática budista, que serão transmitidas por gerações e gerações. Está iniciando uma era em que, por seus dedicados esforços, nossos membros recebem constantes elogios de pessoas de todos os lugares, como inestimáveis tesouros do nosso mundo.

A revolução humana de cada indivíduo é um magnífico esforço para transformar o destino da humanidade.

Para criar uma era de alegres vitórias em nosso movimento, vamos protagonizar triunfantes dramas juntos, enquanto avançamos rumo ao centenário da Soka Gakkai em 2030. Dedicando a vida ao grandioso e sublime objetivo do kosen-rufu, vamos avançar vitoriosamente envolvidos por um espírito de amizade e de confiança mútua, em união de “diferentes em corpo, unos em mente”!

Unida, sempre unida —

Esta é a família Soka

pelas três existências do

passado, presente e futuro.

(Daibyakurenge, edição de abril de 2011)

Com a colaboração/revisão do Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da BSGI

Capítulo 2: Trechos da Nova Revolução Humana

NRH, cap. “Retorno do Budismo para o Oeste”, v. 3, p. 58

— Manter a decisão de fazer que seu marido venha a praticar é muito natural. Porém, não deve criar conflito por causa disso. A senhora deve ser uma boa esposa e manter a vida conjugal com amor. No caso dos homens, devido à posição na empresa ou por concepções sobre a vida, não se convertem facilmente. Contudo, vendo a esposa mais alegre e os filhos crescendo saudáveis com a prática budista, virá sem falta a abraçar a fé. Mais do que qualquer argumento, a conversão de familiares é decidida pela comprovação real, principalmente no aspecto do desenvolvimento humano. Tudo depende de a senhora tornar-se uma boa mãe e esposa prestativa. A base fundamental de tudo isso é a oração. O importante é ter um objetivo de recitação de daimoku e orar com firmeza.

NRH, cap. “Longa Jornada”, v. 6, p. 96

— Eu tenho cinco filhos. Lamentavelmente, um filho e uma filha não são praticantes. Isso me incomoda porque não consegui realizar a “harmonia familiar na prática da fé” conforme uma orientação do presidente Josei Toda.

— Quantos anos têm os seus filhos?

— Todos já passaram da maioridade.

Shin’ichi explicou-lhe então:

— O senhor se engana em pensar que, pelo simples fato de ser pai, seus filhos irão seguir suas recomendações. A crença religiosa é algo que deve ser abraçado livremente.

— É mesmo?

Shingo mostrou-se surpreso com essa inesperada resposta.

— Pensar que seus filhos irão aceitar a prática budista porque o senhor está praticando é superestimar a condição de pai. Se eles são maiores de idade, já possuem seus próprios pensamentos e vivem com base neles. Cabe ao senhor, de um lado, respeitar a opinião deles. De outro, se deseja realmente que eles compreendam e aceitem a prática do budismo, o senhor próprio deve provar em sua vida diária o quanto a prática budista é extraordinária. Em todo caso, o senhor deve esforçar-se em tornar-se alvo do orgulho e do respeito de seus filhos. Por convivermos intimamente, não há como enganar nossos familiares. Eles nos avaliam com muito rigor. Por exemplo, se uma mãe fica reclamando e criticando os companheiros e líderes diante de seus filhos, apesar de se empenhar assiduamente na prática budista e nas atividades da Gakkai, eles jamais irão pensar em seguir a crença de sua mãe. Por outro lado, se o senhor deseja a felicidade de seus filhos e ora sinceramente para concretizá-la, esse sentimento atingirá o coração deles e certamente despertarão para a prática da fé. Além disso, essa oração irá produzir benefícios e boa sorte para proteger seus familiares. Por isso, não há nenhuma necessidade de ficar aflito, nem de impor a prática do budismo.

NRH, cap. “Alto-Mar”, v. 22, p. 221

Dando continuidade, Shin’ichi Yamamoto disse com um sorriso caloroso:

— Hoje estão reunidas aqui pessoas de todas as idades. Este ambiente agradável, pacífico e harmonioso é o verdadeiro retrato da Soka Gakkai. Peço-lhes que tornem sua família o microcosmo desse ideal. Muitas integrantes da Divisão Feminina de Jovens eventualmente podem vir a se casar e talvez morem com os pais do marido. Caso isso aconteça, sejam boas com seus sogros e os considerem como seus benfeitores e preciosos veteranos na vida. Se tratarem bem os idosos, no futuro vocês é que serão bem tratadas. É assim que funciona a lei de causa e efeito. Toda sensei apresentou três diretrizes eternas da prática da fé: 1) Prática da fé para criar a harmonia familiar; 2) Prática da fé para conquistar a felicidade; e 3) Prática da fé para vencer as dificuldades. Vivam de forma plena, sem arrependimentos, com essas diretrizes como lema.

NRH, cap. “Fortaleza de Pessoas Capazes”, v. 25, p. 315-316

Um jovem esbelto de terno cinza e óculos levantou-se.

— Meu nome é Tatsuji Nogi e sou aluno do quinto ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Kumamoto. Também sou líder de distrito da Divisão dos Universitários. Venho falando sobre o Budismo Nichiren aos meus amigos estudantes de medicina e, até o momento, quatro amigos iniciaram a prática budista.

— Entendi. Isto é maravilhoso. Aguardarei com grande expectativa notícias sobre suas realizações futuras. Em Kitakyushu, encontrei-me com vários estudantes de odontologia. Parece que há um grande número de médicos na Soka Gakkai em Kyushu. Seus pais estão bem?

— Sim, os dois estão bem. Minha mãe pratica o Budismo Nichiren, mas meu pai é contra. Essa é a minha batalha.

Shin’ichi respondeu:

— Muitos jovens se preocupam pelo fato de os pais não praticarem este budismo, mas não há, absolutamente, nenhuma necessidade de apressar o processo e tentar forçar os pais a começar a praticar. No seu caso, em particular, você pode cursar a faculdade de medicina em virtude dos esforços de seu pai. Portanto, deve ser especialmente grato a ele. Essa é a perspectiva budista. A próxima vez que se encontrar com seu pai, diga-lhe: “Pai, gostaria de lhe agradecer por possibilitar que eu estude na universidade”. Tente expressar sinceramente sua gratidão. Será capaz de fazer isto?

— Sim!

— Nesse caso, faça de conta que seu pai está aqui neste exato momento e faça um teste. Se não conseguir falar aqui, será ainda mais difícil quando estiver de verdade cara a cara com seu pai.

Nogi concordou e, depois de respirar fundo, começou a falar com a voz tensa:

— Pai, gostaria de lhe agradecer, por possibilitar que eu estude na universidade. Sou realmente grato por isso. Prometo me tornar o melhor médico e budista de todos.

Shin’ichi imediatamente observou:

— Não mencione o budismo; não é necessário. Você é a prova deste budismo; você é a prova do poder benéfico do Gohonzon. É o que Daishonin escreve, não é? O que importa são suas ações demonstrando verdadeira gratidão e carinho por seus pais.

NRH, cap. “Frescor”, v. 29, p. 248

Quando Shin’ichi surgiu no salão dizendo essas palavras, o responsável pelo distrito, Shotaro Nakazawa, e sua esposa Miyoko, a responsável pela Divisão Feminina do distrito, o cumprimentaram em uníssono: “Muito obrigado, sensei!”.

Esse casal vinha exercendo as funções de responsáveis pelo Distrito Ono por sete anos. A luta deles havia começado com a oração persistente pela felicidade de cada membro do distrito, visando criar a localidade mais alegre e repleta de benefícios de todo o Japão. Oravam intensamente pelos sofrimentos dos membros como se fossem seus próprios, tais como da pessoa que lutava contra a enfermidade, do senhor com estagnação de sua empresa, da senhora que orava pela conversão do marido, e outros. Logo, criou-se a reputação de que “o responsável e a responsável pela Divisão Feminina do distrito estão sempre recitando daimoku”.

NRH, cap. “Frescor”, v. 29, p. 249-250

Nessa noite, no diálogo com os líderes de área e de província, Shin’ichi perguntou:

— A começar pelo casal Nakazawa do Distrito Ono, aqui em Aomori há realmente muitos casos de líderes em que o casal ocupa a mesma função, por exemplo, de responsável e de responsável pela Divisão Feminina do distrito. Penso que esse fato é maravilhoso para conduzir o kosen-rufu da localidade. Essa tendência foi criada aproximadamente em que época?

O líder da província respondeu:

— É desde o primeiro responsável pelo Distrito Aomori, Tadashi Kaneki. Quando uma senhora decidia se converter, ele costumava visitar o marido diversas vezes dizendo para ela: “É melhor seu esposo iniciar a prática junto. Vou conversar com ele”. Ele afirmava frequentemente que “Como a prática da fé é para criar harmonia familiar, é importante que o casal se converta juntos”. De fato, entre os casais que iniciaram a prática juntos, pouca gente se afastava da fé, e muitos desenvolviam-se como líderes da organização juntos.

Meneando a cabeça, Shin’ichi disse:

— Naturalmente, nem sempre é possível o casal praticar juntos. Mas, o importante é que o apresentador e os líderes procurem apoiar a pessoa recém-convertida de diversas formas para que ela consiga fazer a prática da fé sólida e estável depois da conversão. Ao realizar shakubuku somente com a preocupação do resultado numérico, tende-se a negligenciar esse ponto básico e, como consequência, acaba não havendo a criação de novos “valores humanos”. De toda forma, o mérito do casal Kaneki em Aomori é realmente grandioso.

Notas:

[1] Recente pesquisa sugere que Nichiren Daishonin se refere à primeira deserdação em Carta para os Irmãos, datada do décimo sexto dia do quarto mês de 1276, e à segunda deserdação em Os Três Obstáculos e as Quatro Maldades, datada do décimo sétimo dia do décimo primeiro mês de 1277. Pelo fato de o presente escrito ser datado do nono dia do nono mês do 1278, pode-se supor que os irmãos Ikegami estivessem em meio à luta contra a deserdação nesse período.

[2] Rei demônio do sexto céu: Também conhecido como rei demônio ou demônio celestial. Soberano das funções maléficas que, na mitologia budista, habita o mais elevado céu ou no sexto céu do mundo do desejo. É chamado ainda de Demônio que se Regozija em Manipular Livremente as Pessoas e em Usurpar o Fruto dos Esforços Delas. Servido por inúmeros subordinados, ele impede a prática budista e se satisfaz em consumir a energia vital de outros seres. Personifica a tendência negativa de impor a própria vontade aos outros a qualquer custo.

[3] “Transformação da fé em sabedoria”: É o princípio de que a fé é a verdadeira causa para se obter a suprema sabedoria, e somente a fé conduz à iluminação. Em geral, o budismo descreve a suprema sabedoria como a causa da iluminação. De acordo com o Sutra do Lótus, no entanto, mesmo Shariputra, que entre os dez discípulos principais do Buda foi reverenciado como o mais sábio, poderia atingir a iluminação apenas por meio da fé, e não da sabedoria. Em outras palavras, enquanto o Buda despertou para a verdade por meio da sabedoria, podemos alcançar o mesmo estado de iluminação pela fé e prática dos ensinamentos do Buda.

[4] “Mau amigo”: Também conhecido como “mau companheiro” ou “mau mestre”. Refere-se àquele que faz as pessoas caírem nos maus caminhos enganando-as em relação ao budismo. Um mau amigo ilude as pessoas com falsos ensinamentos a fim de impedir a prática budista correta.

[5] “Três obstáculos e quatro maldades”: Vários obstáculos e adversidades que impedem a prática budista. Os “três obstáculos” são: (1) obstáculo dos desejos mundanos; (2) obstáculo do carma; e (3) obstáculo da retribuição. As “quatro maldades” são: (1) maldade dos cinco componentes; (2) maldade dos desejos mundanos; (3) maldade da morte; e (4) maldade celestial.

[6] Em Carta para os Irmãos, Nichiren Daishonin escreve: “Sejam corajosos como Nichiren, que agiu e advertiu Hei no Saemon-no-jo [o oficial mais poderoso na Terra]” (CEND, v. I, p. 520).

[7] Nichiren Daishonin cita a seguinte passagem da obra Grande Concentração e Discernimento, do grande mestre Tiantai: “À medida que a prática avança e a compreensão aumenta, os três obstáculos e as quatro maldades surgem de forma desconcertante disputando entre si para interferir... Uma pessoa não deve ser influenciada nem amedrontada por essas ações. Aquela que cai na influência dessas ações é desviada para os maus caminhos. E aquela que as teme será impedida de praticar o ensinamento correto” (CEND, v. I, p. 524).

[8] Ryokan (1217–1303): Também conhecido como Ninsho, foi um sacerdote da escola Preceitos-Palavra Verdadeira no Japão. Com o patrocínio do clã Hojo, Ryokan tornou-se sumo sacerdote do templo Gokuraku-ji em Kamakura, e exercia enorme influência tanto sobre os funcionários do governo como sobre o povo. Era hostil a Daishonin e conspirava com as autoridades para que ele e seus seguidores fossem perseguidos. O senhor feudal Ema e o pai dos irmãos Ikegami estavam entre os seguidores dele.

[9] Dois príncipes mencionados no capítulo 27 , “Os Feitos Iniciais do Rei Adorno Magnífico”, do Sutra do Lótus. O pai deles era o rei Adorno Magnífico, e sua mãe, a Virtude Pura. Os dois irmãos manifestaram vários poderes sobrenaturais para convencer o pai, um seguidor dos ensinamentos não budistas, a aceitar o Sutra do Lótus

[10] Traduzido do japonês. TODA, Josei. Toda Josei Zenshu [Obras Completas de Josei Toda]. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, v. 2, p. 317-318, 1982.

[11] Filha do rei do dragão: Também chamada de menina-dragão. É a filha de 8 anos de Sagara, um dos oito grandes reis dragões que dizem habitar um palácio no fundo do mar. De acordo com o capítulo 12, “Devadatta”, do Sutra do Lótus, a menina-dragão manifesta o desejo de atingir a iluminação ao ouvir o bodisatva Manjushri pregar o Sutra do Lótus no palácio do rei dragão. Então, ela aparece diante da Assembleia do Sutra do Lótus e instantaneamente atinge o estado de buda, mantendo sua forma física. A iluminação da menina-dragão é um modelo para a iluminação das mulheres e revela o poder do Sutra do Lótus para permitir igualmente que todas as pessoas atinjam o estado de buda na forma que se apresentam.

[12] Ensinamentos não budistas, Mahayana provisório e Hinayana: Referem-se aos ensinamentos predominantes no Japão daquela época e são o oposto do ensinamento do Sutra de Lótus, ou Mahayana verdadeiro, que revela a verdade definitiva da iluminação do Buda.

[13] Traduzido do japonês. TODA, Josei. Toda Josei Zenshu [Obras Completas de Josei Toda]. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, v. 1, p. 342, 1981.

[14] Refere-se ao capítulo 21, “Os Poderes Sobrenaturais d’Aquele que Assim Chega”, do Sutra do Lótus, em que o buda Shakyamuni transfere a essência do Sutra do Lótus para o bodisatva Práticas Superiores a ser propagada nos Últimos Dias da Lei. A essência do Sutra do Lótus, ou a Lei Mística, floresce e se propaga mesmo na era maléfica dos Últimos Dias, quando os outros ensinamentos budistas caírem em declínio.

[15] “Possessão mútua dos dez mundos”: O princípio de que cada um dos “dez mundos” possui o potencial para todos os outros dez dentro de si. “Possessão mútua” significa que a vida não permanece em um ou em outro dos “dez mundos”, mas pode se manifestar em qualquer um dos “dez mundos” — do estado de inferno ao estado de buda — a qualquer momento. O ponto importante desse princípio é que todos os seres em qualquer um dos nove mundos possuem a natureza de buda. Isso indica que a condição (estado) de vida de uma pessoa pode mudar e que todos os seres vivos dos “nove mundos” possuem o potencial da iluminação, enquanto um buda também possui os nove mundos e, nesse sentido, não é separado ou diferente das pessoas comuns.

[16] Traduzido do japonês. TODA, Josei. Josei Toda Zenshu [Obras Completas de Josei Toda]. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, v. 3, p. 406, 1983.

[17] Traduzido do japonês. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. Makiguchi Tsunesaburo Zenshu [Obras Completas de Tsunesaburo Makiguchi]. Tóquio: Daisanbunmei-sha, v. 10, p. 6, 1987.

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