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Estudo
há 5 anos
[8] Esperança
Departamento de Estudo do Budismo
15/12/2020
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Capítulo 1: Trechos do Gosho
Aprendendo com os escritos de Nichiren Daishonin: fonte inesgotável de esperança - Matéria atualizada a partir da revista Terceira Civilização, ed. 487, mar. 2009, p. 58
Explanação do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda
A manifestação do grande poder da fé: a convicção monumental e a força inspiradora de Daishonin
[6] O Inverno Nunca Falha em se Tornar Primavera
Trecho do escrito
Seu falecido marido tinha um filho doente e uma filha. Não posso deixar de pensar na angústia que ele sentiu, sabendo que partiria deste mundo e que teria de abandonar os filhos, bem como a esposa idosa, frágil como uma árvore seca. Além disso, ele deve ter se preocupado com Nichiren. Como as palavras do Buda não são de forma alguma falsas, o Sutra do Lótus com toda a certeza propagar-se-á amplamente. Em relação a isso, talvez seu marido deva ter sentido que algo iria realmente acontecer e que este sacerdote passaria a ser muito respeitado. Quando fui exilado, contrariando as expectativas de seu marido, ele deve ter questionado por que o Sutra do Lótus e as dez filhas demônios deixaram isso ocorrer. Se ainda estivesse vivo, ficaria feliz em ver que Nichiren recebeu o indulto! Ele se sentiria satisfeito em ver que as predições foram cumpridas, agora que o império mongol atacou o Japão e o país está em crise. Assim são os sentimentos das pessoas comuns.
Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno, mas o inverno nunca falha em se tornar primavera. Desde os tempos antigos, nunca alguém viu ou ouviu dizer que o inverno tenha se convertido em outono ou que uma pessoa que tem fé no Sutra do Lótus tenha se tornado uma pessoa comum. No sutra consta: “Se houver quem ouça a Lei, então ninguém deixará de atingir o estado de buda”.1
Seu marido deu a vida pelo Sutra do Lótus. A única fonte de subsistência dele era um pequeno feudo que foi confiscado por causa da fé no Sutra do Lótus. Sem dúvida, isso equivale a dar a vida pelo Sutra do Lótus. O menino Montanhas de Neve ofereceu o corpo em troca da metade de um verso de um ensinamento budista, e o bodisatva Rei dos Remédios queimou os braços como um oferecimento ao Buda porque ambos eram veneráveis, e para eles esse ato era como derramar água sobre o fogo. Mas o marido da senhora era uma pessoa comum, assim, para ele foi como pôr papel no fogo. Portanto, deve ter a convicção de que os benefícios que ele obteve foram tão grandes quanto os que aqueles veneráveis receberam.
Provavelmente, a cada instante do dia e da noite, ele está observando sua esposa e seus filhos através dos espelhos celestiais do Sol e da Lua. Como a senhora e seus filhos são pessoas comuns, não podem vê-lo nem ouvi-lo; assim como o surdo não consegue ouvir o trovão e o cego não enxerga o Sol. Porém, jamais duvide de que seu marido está protegendo vocês. E mais, ele pode inclusive estar bem perto de vocês.
Justamente quando pensava que deveria ir vê-la, de alguma forma, a senhora me enviou este manto. Foi algo totalmente inesperado. Uma vez que o Sutra do Lótus é o mais nobre de todos os sutras, é possível que nesta existência eu chegue a obter certa influência. Se isso ocorrer, tenha certeza de que cuidarei de seus filhos esteja a senhora viva ou acompanhando tudo debaixo da relva. Enquanto estive na província de Sado e durante minha permanência aqui [em Minobu], a senhora enviou seu serviçal para me ajudar. Como poderia esquecer o que a senhora tem feito por mim? Saldarei esta dívida de gratidão servindo-lhe na próxima existência. (CEND, v. I, p. 560)
Explanação
“Ouvi sobre uma magnífica expressão budista”, disse sorrindo Jutta Unkart-Seifert, ex-subsecretária do Ministério da Educação, Artes e Desportos da Áustria, cuja amizade minha esposa e eu desfrutamos há muitos anos. Ela então citou a passagem dos escritos de Nichiren Daishonin: “O inverno nunca falha em se tornar primavera”.2 A Dra. Unkart-Seifert explicou que na Áustria existiam muitos ditos similares, como: “Depois da chuva vem o sol”. Disse que aprendera a viver com otimismo para transmitir esperança aos demais, observando o exemplo dos pais, ambos cegos.
As palavras de Daishonin continuam a encorajar pessoas do mundo inteiro. São inúmeros os indivíduos que se sentem renascer, que avançam com energia e determinação, inspirados pela benevolência e convicção contidas nessas palavras.
Em suas explanações sobre o Sutra do Lótus, meu mestre e segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, costumava nos dizer que, se aplicássemos na própria vida uma única frase ou passagem dos 28 capítulos do Sutra do Lótus, conseguiríamos entender o sutra na totalidade. Do mesmo modo, as pessoas que põem em prática uma única frase que seja dos escritos de Nichiren Daishonin comprovam a veracidade do ensinamento, desenvolvem profunda convicção nele e, consequentemente, se tornam fortes.
Naturalmente, também é importante conhecer outros tratados e cartas de Daishonin, em particular, os cinco principais escritos,3e estudar os ensinamentos e doutrinas a fundo. Espero que os jovens desenvolvam o espírito de procura em relação ao estudo dos escritos de Nichiren Daishonin e que se lancem ao desafio nesse sentido. Tenham uma passagem ou um trecho dos escritos gravado no coração. Façam desse trecho parte da vida, recitem daimokusempre com base nessas palavras inspiradoras e se esforcem para pô-las em prática enquanto lidam com os problemas da vida e lutam contra as várias adversidades. Essa é a quintessência do estudo na Soka Gakkai: um estudo com relevância prática na vida diária.
Fonte inesgotável de alento e de inspiração, as palavras douradas de Daishonin incentivam os membros da SGI do mundo todo a transformar a vida e a conquistar vitórias. Uma dessas famosas passagens dos escritos é a que estudaremos nesta ocasião, que diz: “Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno, mas o inverno nunca falha em se tornar primavera”.4 Não considero exagero dizer que essas palavras sintetizam a filosofia da esperança que forma a base do Budismo de Nichiren Daishonin.
Juntos, vamos estudar esse escrito, intitulado O Inverno Nunca Falha em se Tornar Primavera, com o propósito de compreender profundamente o coração de Daishonin.
Seu falecido marido tinha um filho doente e uma filha. Não posso deixar de pensar na angústia que ele sentiu, sabendo que partiria deste mundo e que teria de abandonar os filhos, bem como a esposa idosa, frágil como uma árvore seca. Além disso, ele deve ter se preocupado com Nichiren. Como as palavras do Buda não são de forma alguma falsas, o Sutra do Lótus com toda a certeza propagar-se-á amplamente. Em relação a isso, talvez seu marido deva ter sentido que algo iria realmente acontecer e que este sacerdote passaria a ser muito respeitado. Quando fui exilado, contrariando as expectativas de seu marido, ele deve ter questionado por que o Sutra do Lótus e as dez filhas demônios5 deixaram isso ocorrer. Se ainda estivesse vivo, ficaria feliz em ver que Nichiren recebeu o indulto! Ele se sentiria satisfeito em ver que as predições foram cumpridas, agora que o império mongol atacou o Japão e o país está em crise. Assim são os sentimentos das pessoas comuns. (CEND, v. I, p. 560)
O budismo é o principal aliado dos que sofrem
Nichiren Daishonin escreveu essa carta no Monte Minobu, no quinto mês de 1275, um ano depois de ter regressado do exílio na Ilha de Sado. A monja leiga Myoichi, que vivia em Kamakura, foi quem a recebeu.
Quatro anos antes (em 1271), Daishonin havia sido alvo da Perseguição de Tatsunokuchi e exilado na Ilha de Sado (onde permaneceu dois anos e meio, até o terceiro mês de 1274). Esses fatos culminaram na cruel investida contra seus seguidores em Kamakura. Entre eles, estavam Myoichi e o marido, que tiveram as terras confiscadas. Não obstante, eles mantiveram firme fé no Sutra do Lótus. Foram discípulos genuínos que, em todos os momentos, se mantiveram solidários a Daishonin.
Infelizmente, a morte do marido da monja leiga ocorreu antes de Nichiren Daishonin obter o perdão que pôs fim ao exílio. A Myoichi coube criar dois filhos, um dos quais estava doente. Ela própria se encontrava com a saúde extremamente debilitada. Mesmo em meio a circunstâncias tão adversas, a monja leiga continuou a prestar sincero apoio a Daishonin. Enviou, por exemplo, um criado para ajudá-lo durante a permanência em Sado e também quando ele se retirou em Minobu. Daishonin escreveu a carta em resposta ao presente de um manto que recebera dessa fiel seguidora.
O budismo é o principal aliado das pessoas que sofrem. Existe para que essas pessoas, que enfrentam dificuldades extremas, experimentem a felicidade suprema. Por essa razão, é responsabilidade dos líderes budistas oferecer apoio nesse processo.
O Inverno Nunca Falha em se Tornar Primavera é uma carta de alento extraordinário. Não há dúvida de que Myoichi perseverava com bravura na prática budista. Enquanto muitos seguidores de Nichiren Daishonin, e a sociedade japonesa em geral, haviam sido influenciados pelo caos, na época posterior ao exílio em Sado (em 1271) e ante a invasão mongol (ocorrida no ano anterior, 1274), a carta parece indicar que a monja leiga não vacilou o mínimo e continuou a praticar com o coração puro, sempre junto com Daishonin.
Myoichi enfrentava circunstâncias adversas que poderiam ser comparadas a um rigoroso inverno. Foi com o profundo desejo de que ela fosse feliz e atingisse o estado de buda, sem falta, que Daishonin escreveu essa carta. Por meio dela, o Buda procurou dispersar quaisquer sentimentos de pesar e de aflição que a monja leiga pudesse abrigar.
Como afirma Nichiren Daishonin, “o que importa é o coração”.6Apesar das circunstâncias, Myoichi havia mantido até então firme fé e espírito de procura pelo Buda. Daishonin queria acender, nas profundezas da vida de Myoichi, uma chama inextinguível de esperança, alimentada com o combustível da fé, de forma que, não importando a situação, ela continuasse a avançar com coragem e convicção.
O Inverno Nunca Falha em se Tornar Primavera é um escrito repleto de benevolência. Cada palavra e cada frase estão imbuídas do ardente desejo de Daishonin de encorajar seus discípulos.
O último desejo de Shakyamuni: conduzir Ajatashatru à iluminação
No início da carta, Nichiren Daishonin considera as preocupações do marido de Myoichi, à medida que ele se aproximava da morte, com relação à família que teria de deixar. Imagino que os pensamentos dele devem ter focado na pequena filha, no filho doente e nas dificuldades que a esposa teria de enfrentar para criá-los sozinha. É provável que Daishonin, ao conjecturar os sentimentos do marido de Myoichi, desejasse dar voz às próprias inquietudes e aflições da monja leiga.
Porém, não há sentimentalismo ou pessimismo no budismo. Essas reflexões sobre o marido da seguidora, seguramente, infundiram paz de espírito e tranquilidade a ela, e a levaram a compreender que Daishonin sabia perfeitamente o que ela estava passando, e que ele zelava a todo instante pelo bem-estar dela e dos filhos.
Na primeira metade da carta, Nichiren Daishonin relata que Shakyamuni também sentiu essa inquietude no coração, conforme se aproximava da morte. Em especial, preocupava-se com a sorte do rei Ajatashatru.7Shakyamuni estava muito apreensivo com o monarca [que, influenciado pelo perverso Devadatta, havia cometido faltas graves contra a Lei e, em decorrência disso, agonizava com a doença]. Naturalmente, a preocupação de Shakyamuni por todos os seres vivos é imparcial, livre de discriminação. Porém, assim como os pais que, apesar de amar os filhos igualmente, se preocupam mais com o que está doente, o Buda não deixa de se afligir com as pessoas destinadas a experimentar os maus caminhos. Nessa carta, Daishonin utiliza o exemplo de Shakyamuni para ilustrar a preocupação do marido com o futuro da família depois de ter falecido.
No transcorrer da análise, Nichiren Daishonin utiliza certas expressões para se referir a Myoichi: “idosa” e “frágil como uma árvore seca”. Porém, elas não devem ser interpretadas literalmente. É provável que ele tenha utilizado esses termos para expressar o pensamento do falecido marido acerca da situação da esposa sem ele ao lado para protegê-la, ou para externar os próprios sentimentos de insegurança e falta de confiança de Myoichi em si mesma.
Em seguida, com relação ao fato de o marido de Myoichi ter morrido antes de o Buda obter o perdão do exílio, Daishonin escreve:
Como as palavras do Buda não são de forma alguma falsas, o Sutra do Lótus com toda a certeza propagar-se-á amplamente. Em relação a isso, talvez seu marido deva ter sentido que algo iria realmente acontecer e que este sacerdote passaria a ser muito respeitado. Quando fui exilado, contrariando as expectativas de seu marido, ele deve ter questionado por que o Sutra do Lótus e as dez filhas demônios deixaram isso ocorrer. Se ainda estivesse vivo, ficaria feliz em ver que Nichiren recebeu o indulto! Ele se sentiria satisfeito em ver que as predições foram cumpridas, agora que o império mongol atacou o Japão e o país está em crise. Assim são os sentimentos das pessoas comuns.8
Nichiren Daishonin encoraja Myoichi várias vezes, decidido a tocar o coração da seguidora e a dissipar a escuridão e a ilusão sem deixar uma única sombra de dúvida. É um trecho que denota a luta séria e apaixonada de um mestre determinado a zelar pela discípula.
Na frase “Assim são os sentimentos das pessoas comuns”, Nichiren Daishonin observa que o marido de Myoichi certamente lamentava o exílio do mestre, e teria a satisfação em ver cumprida a profecia da invasão mongol. Daishonin diz que isso é natural, já que o coração e os sentimentos das pessoas costumam oscilar da alegria à tristeza, em função das circunstâncias mutáveis. Devemos, no entanto, recordar que o sentimento do marido estava imbuído da fé na Lei Mística, do desejo do kosen-rufu, da alegria em propagar o Sutra do Lótus, como também do sentimento de um fiel discípulo comprometido com o mesmo ideal do mestre, o devoto do Sutra do Lótus.
Se observarmos com os olhos do Buda a frase “Assim são os sentimentos das pessoas comuns” — ou seja, os sofrimentos e as alegrias do discípulo em relação ao mestre — podemos dizer que o marido de Myoichi lutou corajosamente ao lado do seu mestre até o fim, e concluiu sua existência de forma triunfante, sem nenhum arrependimento.
Na passagem seguinte, Nichiren Daishonin diz: “O inverno nunca falha em se tornar primavera”. Ele esclarece que o marido de Myoichi, sem falta, atingiria o estado de buda.
Analisando os comentários de Daishonin sobre “os sentimentos das pessoas comuns”, notamos que ele procurava louvar a fé desse seguidor, que abrigava tais sentimentos, e também tranquilizar Myoichi, garantindo-lhe que o marido se encontrava numa condição iluminada.
O coração humano é mutável por natureza. Por exemplo, Myoichi provavelmente teria se sentido triste ao pensar que o marido não vivera o suficiente para ver o mestre ser perdoado do exílio. É natural que as pessoas abriguem esses sentimentos melancólicos. Porém, o problema é que esse modo de pensar dá lugar a dúvidas e ilusões que atrapalham a fé. Por essa razão, Daishonin assegura a Myoichi que o marido havia atingido o estado de buda, já que ele manteve a fé até o fim da vida. Queria se certificar de que Myoichi não perderia a convicção na fé necessária para continuar vivendo com esperança.
Os sentimentos de lamentação e de descontentamento podem facilmente nos levar à estagnação na fé. É fundamental que mantenhamos a coragem e a pureza de continuarmos avançando sempre. Como declara Daishonin: “A poderosa espada do Sutra do Lótus deve ser manejada por alguém corajoso na fé”.9Se nos desafiarmos na realização da revolução humana com a convicção de que obteremos a vitória final na vida, expandiremos enormemente nosso estado interior. Poderemos atingir uma condição de liberdade ilimitada que nos permitirá abarcar todas as dificuldades e sofrimentos como um grande oceano. Sem falta, chegará o momento em que veremos com absoluta clareza o sentido ou o significado de cada uma das experiências pelas quais tivemos de passar.
Por esse motivo, é fundamental que nosso avanço se baseie na recitação do daimoku, tanto em momentos de sofrimento como nos de alegria. Se agirmos assim, em tempos de dificuldade, encontraremos a sabedoria necessária para transformar o veneno em remédio, e nos momentos felizes, avançaremos com otimismo e esperança ainda maiores. Seremos grandes “pessoas comuns”, com uma condição de vida sublime, capazes de incorporar na vida real as palavras de Daishonin: “Sofra o que tiver de sofrer, desfrute o que existe para ser desfrutado”.10
Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno, mas o inverno nunca falha em se tornar primavera. Desde os tempos antigos, nunca alguém viu ou ouviu dizer que o inverno tenha se convertido em outono ou que uma pessoa que tem fé no Sutra do Lótus tenha se tornado uma pessoa comum. No sutra consta: “Se houver quem ouça a Lei, então ninguém deixará de atingir o estado de buda”.11 (CEND, v. I, p. 560)
O inverno nunca falha em se tornar primavera: a certeza de que atingiremos o estado de buda
“Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno, mas o inverno nunca falha em se tornar primavera”, diz Daishonin. Para celebrarmos a chegada da primavera, antes, precisamos suportar o inverno. Atingir o estado de buda nesta existência implica uma luta atroz para transformar nosso carma e superar os inúmeros desafios no curso da prática budista. Desafios estes na forma dos “três obstáculos e quatro maldades”,12e dos “três poderosos inimigos”.13As provações do inverno são necessárias se desejarmos alcançar uma brilhante primavera baseada na fé.
Essa célebre frase — “Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno, mas o inverno nunca falha em se tornar primavera” — transborda de benevolência e, ao mesmo tempo, da rigorosidade de um pai que nos aconselha a seguir o caminho seguro para a iluminação, lutando contra todos os impedimentos cármicos e triunfando sobre eles. A consecução do estado de buda se resume nestas palavras: “O inverno nunca falha em se tornar primavera”.
O inverno se transforma em primavera, não em outono. É um princípio imutável da natureza. Do mesmo modo, Nichiren Daishonin diz que, os que praticam a Lei Mística, o grande ensinamento da iluminação, com certeza se tornarão budas e não ficarão no estado ilusório de uma pessoa comum, não iluminada. Como promete o Buda no Sutra do Lótus, os que ouvem e abraçam a Lei Mística atingirão, sem exceção, o estado de buda.14 Esse é um princípio universal da vida.
Da perspectiva do Buda, todos têm direito à felicidade. Cada pessoa tem o potencial para conduzir uma vida de júbilo. Porém, os praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin sabem como manifestar a força da Lei Mística na vida. Por essa razão, eles não têm apenas o direito à felicidade, mas possuem a importante missão de ajudar outros a atingir essa felicidade.
A frase “O inverno nunca falha em se tornar primavera” significa que as pessoas comuns, que triunfam sobre todos os desafios no curso da prática budista, sem falta, se tornarão budas. Tal qual um poderoso rugido de leão, Daishonin proclama que seus discípulos, cuja vida é dedicada a possibilitar outros a manifestar o estado de buda inerente, não falharão em atingir a iluminação.
As provações do inverno fazem com que as flores da vitória desabrochem
Há nesse trecho um princípio importante: o que torna genuína a alegria da primavera é o rigor do inverno que a precede. Somente quando superamos as provações do inverno por meio do poder da fé é que conseguimos desfrutar a primavera de triunfo.
Tomemos como exemplo as flores de cerejeira que desabrocham no inverno. Os botões das flores se formam no verão, e permanecem em estado latente durante o outono. Esses botões necessitam experimentar o frio do inverno porque esse clima ativa o processo de crescimento que os levará a florescer, etapa conhecida como “quebra da latência”. O frio é necessário para o desenvolvimento dos brotos. Estes, uma vez que despertam do estado latente, começam a se dilatar com a elevação da temperatura na primavera e então florescem.
O inverno pode funcionar para ativar o poder inerente ou o potencial latente. Esse princípio se aplica tanto à vida como à prática budista. Todos os seres vivos possuem a semente do estado de buda, também conhecida como natureza de buda. Essa semente contém um potencial tão vasto e ilimitado quanto ao do universo. O despertar do estado latente e a fruição pela fé no Sutra do Lótus é o que nos possibilita vencer as provações do inverno. Em outras palavras, atingimos a iluminação em meio à nossa própria luta contra os obstáculos que surgem no transcorrer da nossa prática budista, ou seja, os “três obstáculos e quatro maldades”, e os “três poderosos inimigos”. Quando resistimos e superamos as dificuldades do inverno e saímos vitoriosos por meio da nossa prática da Lei Mística, podemos fazer com que as flores brilhantes da vitória se abram radiantes em nossa vida.
Se, em meio ao rigor do frio, deixarmos de lutar ou de avançar na fé, se duvidarmos do poder da Lei e negligenciarmos a prática, terminaremos com resultados incompletos. Dizem que, mesmo no caso das cerejeiras, se o clima frio, necessário para romper o ciclo de latência, for mais curto, a floração dos botões atrasará ou ocorrerá de modo irregular. A chave para nossa vitória se encontra na intensidade e na paixão com que nos desafiamos no inverno, na sabedoria com que utilizamos esse período, e em quão significativamente vivemos cada dia com a convicção de que a primavera chegará, sem falta.
Ter fé no Sutra do Lótus significa avançar pelo caminho do inverno de adversidades. Quando enfrentamos a árdua tarefa de transformar nosso carma, podemos celebrar a chegada da primavera e edificar a boa sorte e a felicidade em nossa vida. Não nos esquivemos, portanto, do rigor do inverno. Se tivermos a coragem de enfrentar os desafios do frio, avançaremos ilimitadamente para a esplêndida primavera que é a consecução do estado de buda e o kosen-rufu.
O Sutra do Lótus ensina a importância de superar os “invernos da vida”. Nichiren Daishonin nos assegura: “O inverno nunca falha em se tornar primavera”. Nossos constantes esforços para transformar o inverno em primavera é o caminho essencial para um crescimento insuperável e uma vida plena. Se avançarmos por este caminho, dedicando-nos ao máximo, ativaremos o estado de buda nesta existência e desfrutaremos uma gloriosa primavera, repleta de boa sorte e benefícios pelas “três existências” — passado, presente e futuro.
Seu marido deu a vida pelo Sutra do Lótus. A única fonte de subsistência dele era um pequeno feudo que foi confiscado por causa da fé no Sutra do Lótus. Sem dúvida, isso equivale a dar a vida pelo Sutra do Lótus. O menino Montanhas de Neve15 ofereceu o corpo em troca da metade de um verso de um ensinamento budista, e o bodisatva Rei dos Remédios16 queimou os braços como um oferecimento ao Buda porque ambos eram veneráveis, e para eles esse ato era como derramar água sobre o fogo. Mas o marido da senhora era uma pessoa comum, assim, para ele foi como pôr papel no fogo. Portanto, deve ter a convicção de que os benefícios que ele obteve foram tão grandes quanto os que aqueles veneráveis receberam.
Provavelmente, a cada instante do dia e da noite, ele está observando sua esposa e seus filhos através dos espelhos celestiais do Sol e da Lua. Como a senhora e seus filhos são pessoas comuns, não podem vê-lo nem ouvi-lo; assim como o surdo não consegue ouvir o trovão e o cego não enxerga o Sol. Porém, jamais duvide de que seu marido está protegendo vocês. E mais, ele pode inclusive estar bem perto de vocês. (CEND, v. I, p. 560)
Grandes “pessoas comuns” dedicadas à Lei Mística
Os que sempre se baseiam na fé e na prática com a atitude de não poupar a própria vida [em prol do kosen-rufu] são grandes “pessoas comuns”.
Nesse trecho, Daishonin compara os esforços do menino Montanhas de Neve aos de uma pessoa comum. Ele observa que, embora não seja tão difícil que uma figura venerável como Montanhas de Neve dar a vida em troca da verdade eterna, é extremamente difícil que uma pessoa comum realize uma prática altruística e sacrifique algo de extremo valor, como havia feito o marido de Myoichi ao suportar o confisco das terras, que equivaliam à fonte de sobrevivência. Assim, Daishonin diz que não há diferença entre o benefício obtido por Montanhas de Neve, que deu a vida pela Lei, e o benefício do marido de Myoichi, que perseverou na fé sem poupar a vida.
O presidente Josei Toda costumava empregar o termo “mortal comum iluminado desde o tempo sem início”. Em outras palavras, a pessoa comum que dedica a vida à Lei Mística pode entrar no “reino do tempo sem início”; ou seja, na condição eternamente ativa do estado de buda.
O marido de Myoichi manteve a fé sem vacilar mesmo depois de perder as terras das quais ele e a família dependiam para sobreviver. O benefício infinito que obteve como resultado dessa fé sincera e abnegada seguramente significou que, na morte, sua vida entrou em fusão com o estado de buda do universo — um estado mencionado por Daishonin nos escritos como “terra pura do Pico da Águia” — e habitou livremente numa condição de vida vasta e ilimitada. Isso é claro se observarmos da perspectiva dos escritos de Nichiren Daishonin. Este também nos diz que, desse estado eterno, o marido sempre estaria zelando pela esposa e pelos filhos, protegendo-os, como o Sol e a Lua no firmamento.
Era inquestionável que o marido de Myoichi havia atingido o estado de buda. Portanto, a preocupação de Daishonin não era com o discípulo falecido, mas com a esposa que havia permanecido. Com benevolência, Nichiren Daishonin diz a Myoichi, que cuidava do filho enfermo e desafiava circunstâncias extremamente difíceis, que ela não precisava se desesperar, pois o marido, sem falta, estaria zelando por ela da terra pura do Pico da Águia. Podemos sentir, nessas palavras, a sincera consideração de Daishonin a envolver Myoichi e os filhos dela como uma suave brisa primaveril. Nichiren Daishonin também pede à monja leiga que não abrigue nenhuma dúvida no coração.
Tenho certeza de que não sou o único a ficar comovido com a profunda benevolência de Daishonin, evidente nessas palavras de encorajamento. É nítido o desejo ardente de Daishonin de compartilhar a felicidade com todas as mães e filhos, com todas as pessoas que sofriam. O calor de sua benevolência é como o sol de primavera capaz de derreter a neve do inverno.
Daishonin queria louvar a firme fé do casal, e oferecer apoio à Myoichi que ficara viúva e aos filhos dela. Desejava que esses seguidores que haviam enfrentado momentos cruciais avançassem com esperança e orgulho até o fim, e atingissem uma condição de vida de grandes vitórias e gratidão pela prática budista. Com esse espírito, Daishonin continua a encorajar seus discípulos, imbuído de convicção e benevolência.
Justamente quando pensava que deveria ir vê-la, de alguma forma, a senhora me enviou este manto. Foi algo totalmente inesperado. Uma vez que o Sutra do Lótus é o mais nobre de todos os sutras, é possível que nesta existência eu chegue a obter certa influência. Se isso ocorrer, tenha certeza de que cuidarei de seus filhos esteja a senhora viva ou acompanhando tudo debaixo da relva. Enquanto estive na província de Sado e durante minha permanência aqui [em Minobu], a senhora enviou seu serviçal para me ajudar. Como poderia esquecer o que a senhora tem feito por mim? Saldarei esta dívida de gratidão servindo-lhe na próxima existência. (CEND, v. I, p. 560)
Os laços de mestre e discípulo são eternos
Os verdadeiros discípulos sempre procuram saldar a dívida de gratidão que os une ao seu mestre, ao longo de toda a existência. Tenho passado minha vida assim, para saldar minhas dívidas com Toda sensei.
Myoichi, por sua vez, enviou um criado para assistir Nichiren Daishonin, e também ofereceu um manto, como mencionado no escrito. Em resposta, ele diz a essa mãe, que consagrara a vida ao kosen-rufu e enfrentara grandes adversidades sempre junto dele, que se dedicará a saldar a dívida de gratidão com ela, não só nesta existência, mas também na próxima. Declara ainda que, se algo lhe ocorresse, ele cuidaria dos filhos da monja leiga. As palavras de Daishonin envolveram toda a família com infinita benevolência.
No budismo, nada se equipara à boa sorte de ter um mestre. Nenhuma relação é mais sincera que a compartilhada entre mestre e discípulo, entre os companheiros que dedicam a vida à Lei Mística. Os laços de mestre e discípulo perduram pelas três existências. Essa relação eterna é criada pelos discípulos que lutam junto com o mestre para superar grandes obstáculos e se empenham em realizar o kosen-rufu— ou seja, empreendem uma luta para vencer as provações do inverno.
Em fevereiro de 1951, os negócios de Josei Toda entraram em falência. Passávamos pelo pior momento. Olhando alguns brotos verdes rompendo da terra gélida do inverno, num canto do pequeno jardim do lado de fora do modesto escritório, meu mestre observou: “Finalmente, a primavera! Quando chega a primavera, uma nova força, como esta, irrompe. O inverno nunca falha em se tornar primavera. A fé no Sutra do Lótus é, da mesma forma, como o inverno”.
Nessa época, escrevi em meu diário:
Primavera — logo chegará a primavera, a estação que brilha de esperança. Minha paixão e minha grande convicção irão crescer como as árvores e a relva.
Jovens, levantem-se!
Jovens, avancem!
Jovens, entrem em ação!
Avante, sempre avante!
Sem temer os precipícios e as ondas bravias.
(...)
Hoje, o Sr. Toda e a Gakkai estão sendo difamados e criticados de forma maldosa. No entanto, um sentimento poderoso brota do fundo do meu coração. Que nos vejam depois de dez ou vinte anos, quando tivermos crescido!17
Com esse espírito, edifiquei a Soka Gakkai na organização que ela é atualmente. Por ter vivido toda a minha existência com base na unicidade de mestre e discípulo, hoje, recebo, com o mestre Toda, a primavera do kosen-rufu. Pessoas de todas as partes do mundo expressam louvor e depositam elevadas expectativas em nossos esforços. Nós triunfamos em tudo. A SGI desfruta uma gloriosa primavera de benefícios, com inúmeros valores humanos florescendo no mundo inteiro.
Nesta segunda fase do kosen-rufu, destacadas personalidades de todos os campos observam atentamente nosso movimento, que prenuncia uma nova primavera para a humanidade. Elas confiam em nossos esforços e nos consideram uma brilhante força de mudança, que impulsionará a humanidade em direção a uma primavera de paz e de felicidade para todos, afastando-a de um inverno de guerras e de sofrimento.
Com convicção e otimismo, com alegria e vitalidade, vamos conversar com os demais sobre esta grande filosofia da esperança sintetizada nas palavras “O inverno nunca falha em se tornar primavera”. Vamos iluminar a humanidade com a luz da benevolência e da sabedoria do Budismo de Nichiren Daishonin para, dessa forma, abrir as portas de uma primavera de paz, de cultura e de humanismo.
Em todo o mundo,
o sol se eleva
brilhante —
a Lei Mística,
chave da felicidade
radiante.
(Daibyakurenge, edição de fevereiro de 2008)
Capítulo 2: Trechos da Nova Revolução Humana
NRH, cap. “Jovens Herdeiros”, v. 9, p. 89-90
Foi uma nova adversidade em sua vida. Sentiu-se como se estivesse no fundo de um abismo. Foi nessa circunstância que recebeu uma carta do presidente Yamamoto: “O inverno nunca falha em se tornar primavera. Manifeste o grande poder da fé e desbrave com esperança um novo curso em sua vida”. Ao ler a carta de incentivo, lágrimas fluíram de seus olhos. Ele decidiu prontamente: “Não serei derrotado. Hei de vencer essas circunstâncias para comunicar minha vitória o mais rápido possível ao presidente Yamamoto!”.
Desde então, ele se empenhou na recitação do daimokucom todo o fervor.
Em pouco tempo, conseguiu curar a tuberculose e voltou a trabalhar normalmente. Com relação à dívida deixada por seu padrasto, contou com o apoio de parentes e conseguiu parcelar o pagamento.
Com essa comprovação, Masaya empenhou-se ainda mais vigorosamente no palco das atividades do kosen-rufu.
NRH, cap. “Atsuta”, v. 26, p. 44-45
Shin’ichi deu continuidade às suas palavras citando uma passagem dos escritos de Nichiren Daishonin:
— “Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno, mas o inverno nunca falha em se tornar primavera. Desde os tempos antigos, nunca alguém viu ou ouviu dizer que o inverno tenha se convertido em outono” (CEND, v. I, p. 560). Essas palavras possuem especial relevância para a Vila Atsuta. Sem dúvida, como expressei num poema dedicado à terra natal do meu mestre, Atsuta é um lugar de temperaturas glaciais e implacáveis ventos do norte. Mas o Sutra do Lótus é um ensinamento de desafios a adversidades comparáveis às do inverno. Exatamente por isso amo Atsuta, a terra natal do meu mestre. O parâmetro da verdadeira dimensão de um ser humano é sua condição de vida. Ter uma existência indolente, sem nenhuma preocupação ou problemas, em um ambiente confortável, não contribui para o crescimento interior. Em vez de alcançar a revolução humana, a pessoa se tornará cada vez mais preguiçosa e estagnada. Em contraste, poderíamos afirmar que as adversidades são a mãe da transformação interior. Pôr nossa vida em movimento, repletos de esperança e recusando-nos a desanimar, por mais tensa ou árdua que sejam nossas circunstâncias — aí reside o verdadeiro valor na vida. Por isso, Atsuta, com seus invernos gelados e as ondas indóceis do mar do norte, é um ponto de partida simbólico em minha vida. Estou determinado a retornar sempre aqui para refletir sobre minha atitude na fé. O budismo ensina que os “sofrimentos de nascimento e morte conduzem ao nirvana”, ou à iluminação. Quanto mais profunda a escuridão do sofrimento, mais radiante será a luz da imensa alegria que se seguirá. A chegada da primavera num lugar de clima frio traz uma esperança e felicidade diferente do advento dessa estação em qualquer outro lugar. Estejam firmemente convictos de que é como se aqueles que têm fé no Sutra do Lótus estivessem no inverno, que sempre se torna primavera, e continuem desafiando obstinadamente as dificuldades da vida. Aí se encontra o caminho essencial para uma vida de profícua realização. Unamos nossas forças para tornar Atsuta, a terra natal do presidente Josei Toda, como um ponto de partida na vida, um lar espiritual, uma “cidade eterna” da “unicidade da vida e morte!”
NRH, cap. “Atsuta”, v. 26, p. 75-76
Como responsável de distrito pela Divisão Feminina de Jovens, sua agenda de atividades era extremamente intensa. Na época, seus pais ainda estavam lutando contra problemas de saúde e sua irmã estava acamada. Yoshiko era quase inteiramente responsável pelo sustento financeiro da família, e o dinheiro era tão apertado que ela não tinha condições de comprar nenhuma roupa nova. Certa ocasião, uma integrante da Divisão Feminina de Jovens disse-lhe: “Srta. Urushibara, você sempre veste o mesmo conjuntinho preto, não é?”.
No entanto, Yoshiko era ocupada demais para se preocupar com essas questões secundárias. “Agora é hora de transformar meu carma. Devo continuar dando o melhor de mim!”, refletia.
Nichiren Daishonin escreve: “Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno, mas o inverno nunca falha em se tornar primavera. Desde os tempos antigos, nunca alguém viu ou ouviu dizer que o inverno tenha se convertido em outono ou que uma pessoa que tem fé no Sutra do Lótus tenha se tornado uma pessoa comum” (CEND, v. I, p. 560). Yoshiko desejava se tornar alguém que tivesse vivenciado o significado dessa passagem na própria vida, pois estava certa de que essa era a maneira de aprofundar de fato a compreensão sobre o budismo.
Quando pensava na situação de sua família, sentia-se como se estivesse tateando às cegas para encontrar uma saída em meio a uma violenta nevasca. Por mais estranho que pareça, porém, ela não tinha pena de si mesma. Em seu coração, havia uma alegria e um calor que iluminavam um futuro de esperança.
Em seu coração daqueles que se dedicam ao kosen-rufuarde uma felicidade que nem as mais severas rajadas de vento de adversidade conseguem apagar. Na verdade, quanto mais fortes sopram os ventos, mais resplandecente se torna essa alegria, fazendo a esperança brilhar de forma ainda mais intensa. Desde que tenhamos fé, teremos esperança.
Capítulo 3: Trechos de mensagens do presidente Ikeda
BSGI é o sol da esperança: mensagem do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, para as comemorações dos sessenta anos de fundação da BSGI (Brasil Seikyo, ed. 2.535, 10 out. 2020)
Neste momento em que provações sem precedentes persistem, os senhores estão irradiando o brilho da esperança, da coragem e da amizade para as pessoas por meio de incentivos mútuos diários imbuídos de uma fé invencível. E, com a promissora Divisão dos Jovens da BSGI do “azul mais azul que o anil” na vanguarda, estão desbravando a nova era com espírito juvenil.
Não há dúvida de que Nichiren Daishonin está louvando a admirável dedicação dos senhores!
Nichiren Daishonin afirma: “Um único ideograma do Sutra do Lótus é como a grande terra, que a tudo origina; é como o grande oceano, que contém a água de todos os rios; e é como o Sol e a Lua, que iluminam os quatro continentes” (CEND, v. II, p. 356).
A Lei Mística é a grande terra da felicidade que cria valor incalculável e imensurável.
A Lei Mística é o grande oceano da paz que a tudo envolve, dá vida e cria harmonia.
A Lei Mística é o sol e a lua da esperança a iluminar o futuro da vida, da sociedade e do mundo.
Os senhores que abraçam esta grande filosofia do respeito à vida vieram prestando extraordinárias contribuições para a sociedade como bons cidadãos na cidade e no país. Em contato com a postura sincera dos membros da BSGI, muitos intelectuais do Brasil demonstram profunda confiança e admiração pelo movimento de paz, cultura e educação da SGI. Eles manifestam a expectativa de que ampliemos ainda mais a filosofia de paz da Soka Gakkai para a sociedade e para o mundo.
“Soka” é a essência da criação de valor. É o desafio de justiça para edificar uma comunidade local e uma sociedade global melhores, criando o valor da paz, da cultura e da educação em solidariedade com as pessoas de bem.
Agora, em uma época de incertezas no mundo todo, o movimento popular Soka, diretamente conectado com o buda Nichiren Daishonin, está se tornando a crescente fonte de luz segura para o futuro.
A BSGI é o sol dessa esperança. Solicito aos senhores do Brasil que, por favor, registrem um avanço exemplar para o mundo inteiro ainda com mais alegria, harmonia e vivacidade.
Meu venerado mestre, Josei Toda, afirmava com frequência: “Quando oramos com fervorosa fé, a extraordinária condição de vida de Nichiren Daishonin se manifesta em nossa vida. A pura e persistente compaixão de ajudar os outros e a energia vital de conduzir nossa vida com total confiança emergem de forma ilimitada”.
Avancem com o majestoso coração Soka rumo ao centenário de fundação: mensagem do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, para a 47ª Reunião Nacional de Líderes da Nova Era do Kosen-rufu Mundial, comemorativa do 90º aniversário de fundação da Soka Gakkai (Brasil Seikyo, ed. 2.538, 7 nov. 2020)
Meu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, ao referir-se sobre a “alegria de viver em um tempo auspicioso”, afirmou: “O fato de vivermos em uma auspiciosa época e corresponder a ela faz com que valha a pena ter nascido”.
Vivermos hoje em uma maravilhosa e auspiciosa época do 90º aniversário de fundação, e celebrarmos juntos essa ocasião é motivo de orgulho e de máxima alegria.
(...)
Em uma época turbulenta de guerra, miséria e doenças, Makiguchi sensei clamou: “Se não transformar fundamentalmente o espírito humano por meio da revolução religiosa, eternamente, não será possível remediar o caos da sociedade humana”. E, ao proclamar a verdade do Budismo Nichiren, ele fez emergir o sol da infindável coragem, sabedoria e compaixão no coração das pessoas, uma após a outra.
Mesmo encarcerado em uma pequena e fria cela solitária pelas autoridades militaristas japonesas, Makiguchi senseiregistrou: “Dependendo de sua mente, até mesmo o inferno pode ser agradável”. Era uma grande luta em perfeito acordo com a passagem dos escritos de Nichiren Daishonin: “Quanto piores forem as adversidades que recaírem sobre o devoto, maior será a alegria que ele sentirá devido à forte fé” (CEND, v. I, p. 33).
(...)
E, ainda, o próximo ano será́ o 800º aniversário natalício do buda Nichiren Daishonin. Ele declarou: “Mesmo que alguém errasse ao apontar para a terra, ou fosse capaz de atar o firmamento; mesmo que o fluxo e o refluxo da maré cessassem; e o Sol nascesse no oeste, jamais ocorreria de as orações do devoto do Sutra do Lótus ficarem sem resposta” (CEND, v. I, p. 362).
Como herdeiros da linhagem legítima de Daishonin, com “majestoso coração” capaz de abraçar a Terra, o firmamento, o oceano, o Sol e até o grande universo, vamos cumprir nosso juramento seiganperseverando na mais sublime e elevada oração chamada kosen-rufu e rissho ankoku. Quanto lutamos com árduos esforços e muita preocupação em prol da Lei, dos companheiros e da sociedade nos leva ao grandioso acúmulo do tesouro do coração. Essa conquista da majestosa condição de vida de “maior das alegrias” (OTT, p. 212) de si próprio e de outras pessoas é o próprio drama da revolução humana.
Com união de “diferentes em corpo, unos em mente”, que ilumina e incentiva cada pessoa com suas próprias características, tal como o princípio da “cerejeira, ameixeira, pessegueiro e damasqueiro”, nós, mestre e discípulos Soka, vamos decidir mutuamente a avançar corajosa e imponentemente rumo à “grande vitória do coração” denominada “mudança do destino da humanidade”, oferecendo a “grande esperança” à sociedade global, que enfrenta sofrimentos e dificuldades!
Capítulo 4: Trechos do Diálogo sobre Religião Humanística
DRH, cap. “Atingir o Estado de Buda nesta Existência: Viver a Grande Esperança com Forte Fé”, v. 1, p. 130-132
Pres. Ikeda: A condição de vida de Daishonin durante seu exílio em Sado era totalmente livre de aflição ou confusão. Essa é a condição de vida iluminada do Buda.
A incomensurável condição de vida de Daishonin é atribuída a mais que um simples pensamento positivo. Deriva de sua sabedoria para perceber a verdadeira natureza da realidade enquanto enfrenta difíceis circunstâncias.
Morinaka: Ele enfrentou grandes perseguições e jamais recuou um passo sequer, como um grande lutador de sumô que enfrenta um oponente extraordinário.
Pres. Ikeda: O mais admirável ainda é que no exílio na Ilha de Sado Daishonin conseguiu escrever, imperturbável diante das circunstâncias, importantes obras como Abertura dos Olhos, que descreve o objeto de devoção no que se refere à Pessoa, e O Objeto de Devoção para Observar a Mente, que elucida o objeto de devoção no que diz respeito à Lei. Foi no exílio que ele revelou claramente o meio para conduzir todas as pessoas à iluminação nos dez mil anos e mais dos Últimos Dias da Lei. Daishonin abriu resolutamente o caminho para todas as pessoas atingirem o estado de buda.
Quando visto da perspectiva da condição de vida de Daishonin, não havia nenhuma brecha para que a aflição e a confusão se instalassem, por piores que fossem as perseguições que recaíssem sobre ele. Por mais que as autoridades tentassem atacá-lo, não conseguiam abalar o mínimo sua imensa condição de vida de buda. Daishonin incorporou perfeitamente sua vida à Lei Mística que compreende todo o universo e estabeleceu o caminho certo para transmitir a alegria dessa condição infinita e ilimitada a todas as pessoas. Este é um exemplo da grande alegria experimentada por Daishonin, uma alegria que supera todos os outros tipos de satisfação. Ele ainda nos ensinou o meio pelo qual podemos atingir essa mesma condição de vida.
O presidente Toda resumiu a condição de vida de Daishonin a uma única palavra — “esperança”. Ele disse:
Quando observamos a vida das pessoas grandiosas do passado, verificamos que elas permaneceram inabaláveis diante das adversidades da vida, das ondas devastadoras, e que nutriram esperanças que aos olhos de muitos eram sonhos fantásticos. Elas também não permitiram que nada as impedisse e as desencorajasse de realizar suas aspirações. Acredito que essas pessoas foram capazes de fazer isso porque suas esperanças não se limitavam à vontade pessoal ou ao interesse próprio, mas por basearem-se em um desejo pela felicidade da humanidade. Isso proporcionou-lhes uma extraordinária convicção e confiança.
Aos 16 anos, Nichiren Daishonin, o Buda dos Últimos Dias da Lei, despertou para o grande desejo de conduzir todas as pessoas à felicidade. Iluminado para a profunda verdade universal, até os 32 anos de idade ele devotou-se a estudar os sutras budistas visando fortalecer sua convicção. Até falecer, aos 61 anos, ele manteve-se sinceramente comprometido com as esperanças e os sonhos de sua juventude. É como se ele tivesse estabelecido um magnífico palácio de esperança em sua vida.
Daishonin viveu com essa grande esperança desde a juventude até o último instante de sua vida. Isso exemplifica a verdadeira conduta de um buda.
O presidente Toda fez essas observações no início de 1957, um ano antes de seu falecimento. Embora estivesse falando de Daishonin, de uma vida dedicada ao grande juramento, o presidente Toda também viveu a última metade de sua vida repleto de esperança.
Morinaka: Foi durante esse ano que o presidente Toda cumpriu seu juramento de concretizar 750 mil famílias.
Pres. Ikeda: O presidente Toda também dizia que manter a fé no Gohonzon nos proporciona vitalidade para viver com esperança. Certa ocasião, o Sr. Toda disse encorajando seus companheiros a viver com grande esperança da mesma forma que ele:
Não importa se são jovens ou velhos, gostaria que nutrissem uma grande esperança e que vivessem comprometidos com essa esperança. É importante lembrar que essa energia que nos possibilita viver com esperança é encontrada no Gohonzon, a entidade da unicidade de Pessoa e Lei e a própria vida de Nichiren Daishonin — o Buda dos Últimos Dias da Lei.
Vamos firmar nossos pés no chão e viver com grande esperança. Ao mesmo tempo, vamos ajudar os outros a desenvolver essa sólida confiança e possibilitá-los viver com infinita esperança.
Notas:
1. LSOC, cap. 2, p. 75.
2. CEND, v. I, p. 560.
3. Cinco principais escritos: São os cinco escritos mais importantes de Nichiren Daishonin, segundo a classificação de Nikko Shonin, seu sucessor imediato: Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra; Abertura dos Olhos; O Objeto de Devoção para Observar a Mente Estabelecido no Quinto Período de Quinhentos Anos Após a Morte d’Aquele que Assim Chega; A Seleção do Tempo; e Saldar as Dívidas de Gratidão.
4. CEND, v. I, p. 560.
5. Dez filhas demônio: São descritas no capítulo 26, “Dharani”, do Sutra do Lótus. Elas juram proteger os devotos do Sutra do Lótus, declarando em uníssono ao Buda: “[Aos que ... perturbarem e atacarem aqueles que os propagam a Lei] terão a cabeça partida em sete pedaços, como os ramos da árvore arjaka” [LS, cap. 26, p. 310] (CEND, v. I, p. 291).
6. CEND, v. II, p. 214.
7. Rei Ajatashatru: Rei de Magadha, na Índia, contemporâneo de Shakyamuni. Ele ascendeu ao trono matando o próprio pai, o rei Bimbisara — seguidor de Shakyamuni, instigado por Devadatta. Também por influência do último, Ajatashatru tentou matar o Buda e seus discípulos soltando uma manada de elefantes embriagados na direção deles. Atormentado pela culpa de ter matado o pai, Ajatashatru teve o corpo totalmente tomado por feridas virulentas. A conselho do médico e ministro Jivaka, procurou Shakyamuni que lhe ensinou as doutrinas do Sutra do Nirvana. Dessa forma, Ajatashatru erradicou o carma negativo e prolongou a vida (cf. CEND, v. I, p. 533).
8. CEND, v. I, p. 560.
9. Ibidem, p. 431
10. Ibidem, p. 713
11. LSOC, cap. 2, p. 75.
12. “Três obstáculos e quatro maldades’: Vários obstáculos e adversidades que tentam impedir a prática budista. Os “três obstáculos” são: (1) obstáculo dos desejos mundanos; (2) obstáculo do carma, que pode se manifestar na forma de oposição do cônjuge ou dos filhos; e (3) obstáculo da retribuição, também interpretado como obstáculos causados pelas pessoas às quais o praticante deve obediência, como governantes e pais. As “quatro maldades” são: (1) maldade dos cinco componentes; (2) maldade dos desejos mundanos; (3) maldade da morte; e (4) maldade celestial.
13. “Três poderosos inimigos”: Três tipos de pessoas arrogantes que perseguem os que propagam o Sutra do Lótus na era maléfica posterior à morte do buda Shakyamuni. São descritos no verso de vinte linhas contido no capítulo 13, “Encorajamento à Devoção”, do Sutra do Lótus. O grande mestre Miaole, da China, resume esses três tipos de indivíduos como leigos arrogantes, sacerdotes arrogantes e sábios falsos e arrogantes.
14. Cf. LSOC, cap. 2, p. 41.
15. Menino Montanhas de Neve: Nome de Shakyamuni numa existência prévia, quando praticava austeridades nas Montanhas de Neve em busca da iluminação. O menino dominava todos os ensinamentos não budistas, mas ainda desconhecia o budismo. Para testar a determinação do garoto, a divindade Shakra se disfarça de demônio e começa a recitar a primeira metade de um sutra budista. Ao ouvir a recitação, o menino suplica ao demônio que lhe exponha a metade restante, mas este lhe exige em troca a carne e o sangue. Depois de ouvir a outra parte do sutra, o garoto sobe no alto de uma árvore e se atira em direção à boca do demônio. Nesse momento, o demônio retoma a forma verdadeira e o acolhe nos braços. Shakra elogia então Montanhas de Neve pela disposição de dar a vida pela Lei e prediz que, sem falta, ele atingirá o estado de buda
16. Bodisatva Rei dos Remédios: Bodisatva que, segundo os sutras, possuía o poder de curar as doenças físicas e mentais. No capítulo 23, “Os Feitos Iniciais do Bodisatva Rei dos Remédios”, do Sutra de Lótus, são descritas as austeridades que ele realizava em uma de suas existências passadas, quando vivia sob a identidade do bodisatva Visto com Alegria por Todos os Seres Vivos, ressaltando-se sua dedicação abnegada à Lei.
17. IKEDA, Daisaku. Diário da Juventude: A Jornada de um Homem Dedicado a um Nobre Ideal. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2015. p. 107-108.
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