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há 10 dias
Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência
Redação
11/02/2026

Fotos: Getty Images | Arquivo pessoal
O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, em 11 de fevereiro, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e UNESCO em 2015 para promover o acesso e a participação plena de mulheres na ciência e tecnologia. A data reforça a importância da participação feminina na produção de conhecimento e na inovação. Nos últimos 20 anos, a participação de mulheres na autoria de publicações científicas cresceu 29%, segundo o relatório Elsevier‑Bori.
Em 2022, 49% da produção científica brasileira contou com pelo menos uma mulher entre os autores, o que posiciona o Brasil como o terceiro país com maior presença feminina na ciência. O crescimento também se reflete nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), historicamente dominadas por homens, onde a participação feminina passou de 35% em 2002 para 45% em 2022.
Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel, sendo também a primeira pessoa e a única mulher a ganhá-lo duas vezes, além de ser a única pessoa a ter ganhado o Prêmio Nobel em dois campos científicos diferentes.
Ikeda sensei, em artigo sobre ela, teceu o seguinte comentário
Quando Marie Curie estava apresentando sua tese de doutorado, também convidou suas alunas para assistirem. Entusiasmadas, elas observaram Marie respondendo com precisão e convicção às perguntas dos examinadores. As alunas ficaram muito contentes com isso, como se fosse uma realização delas próprias. Uma delas escreveu, a respeito daquela ocasião: “Que exemplo magnífico e que incentivo Marie Curie acabou de dar para outras mulheres!”1 Com o exemplo de sua própria vitória, Marie instilou a convicção e o orgulho no coração das jovens que seguiam seus passos.
Marie escreveu estas palavras: “Na vida nos laboratórios, a influência que os professores exercem sobre os alunos deve-se ao seu amor pela ciência e pelas qualidades pessoais deles, muito mais do que pela autoridade”.2 A autoridade não cativa o coração nem a mente dos jovens estudantes.
“Encontrei na pesquisa um caminho em que técnica e sentido caminham juntos”
Apresentamos o relato de Beatrice Mika Saito, cientista, pesquisadora e engenheira ambiental e urbana. Na BSGI, atua como vice-responsável pela Juventude Soka.
Sou formada pela UFABC e atualmente, trabalho e pesquiso na área de geoprocessamento, um campo que utiliza dados, mapas e tecnologia para compreender o território, analisar questões ambientais e urbanas e apoiar decisões que impactam diretamente a vida das pessoas, unindo ciência, tecnologia e compromisso social.
Minha escolha pela ciência foi guiada pela conceito do “belo, bem e benefício”, formulado pelo fundador da Soka Gakkai, o educador Tsunesaburo Makiguchi. Busquei construir uma trajetória com propósito, que gerasse benefícios reais e contribuísse para o bem da sociedade. Encontrei na pesquisa um caminho em que técnica e sentido caminham juntos, área à qual dediquei minhas iniciações científicas e o mestrado.
Os projetos de pesquisa foram fundamentais para meu crescimento acadêmico e pessoal, ajudando-me a consolidar interesses e a confirmar a pesquisa como vocação, apesar dos desafios. Persistir na área exige constância e disciplina, realidade que muitas mulheres conhecem ao ocupar e permanecer em espaços ainda pouco diversos.
Nesse percurso, contar com uma orientação comprometida fez grande diferença. Sou grata por ter um orientador que alia rigor científico, incentivo ao pensamento crítico e confiança no meu potencial, contribuindo de forma significativa para meu amadurecimento como pesquisadora.
Acredito que valorizar a ciência é essencial: produzir conhecimento é investir no futuro, enfrentar desigualdades, combater a desinformação e fortalecer uma sociedade mais crítica e consciente.
Busco refletir esses valores também na prática cotidiana. Na organização em que atuo, a sede regional desenvolve ações voltadas à sustentabilidade, como a coleta seletiva, o uso consciente da água por meio de cisterna e campanhas de arrecadação de tampinhas PET. São iniciativas que demonstram como pequenas ações coletivas podem gerar impactos reais na sociedade.
Como ensina o presidente Ikeda, o budismo se manifesta na vida concreta das pessoas, e é nesse esforço diário que buscamos transformar valores em ação.
Acredito que as mulheres ainda precisam de mais reconhecimento e espaço na ciência. Tenho orgulho de ser cientista e pesquisadora, e sigo convicta de que, quanto mais diversas forem as vozes na produção do conhecimento, mais humana e transformadora será a ciência.
Produzir ciência é resistir, educar e transformar.
Mika Saito em sala de aula
Algumas cientistas brasileiras
✅ Bertha Lutz (1894-1976) - Descobriu uma nova espécie de sapo
Bertha Lutz foi uma cientista e bióloga especializada em anfíbios. Filha de Adolfo Lutz, Bertha estudou na Universidade de Paris e foi referência da zoologia médica no Brasil. Descobriu uma nova espécie de sapo, o Paratelmatobius lutzii e, em 1919, se tornou pesquisadora do Museu Nacional do Rio de Janeiro.
Para além da ciência, participou da Conferência das Nações Unidas em São Francisco, em 1945, onde lutou para que a igualdade de gênero fosse incluída na Carta das Nações Unidas. Bertha foi a principal líder na luta pelos direitos políticos das mulheres brasileiras, tendo atuado diretamente para a conquista do voto feminino, em 1932.
✅ Elisa Frota Pessoa (1921-2018) foi uma física experimental brasileira. Pioneira da ciência no Brasil, foi uma das fundadoras do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Elisa também foi uma das primeiras mulheres a se formar em física no Brasil, em 1942.
✅ Elza Furtado Gomide (1925 2013) foi uma matemática brasileira, primeira doutora em matemática pela Universidade de São Paulo em 1950, e a segunda no Brasil.
✅ Enedina Alves Marques (1913 1981) foi uma professora e pioneira engenheira brasileira. Formou-se em Engenharia Civil em 1945 pela Universidade Federal do Paraná, entrando para a história como a primeira mulher a se formar em engenharia no estado e a primeira engenheira negra do Brasil.
✅ Jaqueline Goes e Ester Sabino - Sequenciamento do genoma do novo coronavírus em 24 horas
A biomédica Jaqueline Goes de Jesus e a imunologista Ester Sabino ficaram conhecidas por terem sequenciado o genoma do novo coronavírus 24 horas após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Brasil.
Jaqueline desenvolve pesquisas na área de arboviroses emergentes e faz parte de um projeto de mapeamento genômico do vírus Zika no Brasil. Ester é pesquisadora do Laboratório de Parasitologia Médica, com trabalhos sobre HIV, doença de Chagas e anemia falciforme.
Ikeda sensei e diálogos com cientistas
Elise Boulding: Conhecida como a "matriarca" do movimento de pesquisa para a paz do século XX, ela fez contribuições significativas nos campos da educação para a paz, estudos futuros, feminismo e sociologia da família, além de servir como líder proeminente no movimento pela paz e no Sociedade de Amigos. Ikeda sensei cita alguns discursos com Elise.
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Hazel Henderson, cientista econômica e ativista social
Além dos discursos, publicou o livro Cidadania Planetária — Seus Valores, Suas Crenças e Suas Ações Podem Criar um Mundo Sustentável, junto com Ikeda sensei. Saiba mais.
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Sarah Wider é professora emérita de Inglês e Estudos de Gênero na Universidade Colgate, em Hamilton, Nova York, e ex-presidente da Sociedade Ralph Waldo Emerson. Com Ikeda sensei, publicou o livro A Arte das Relações Autênticas. Saiba mais.
Notas:
1. Eugénie Cotton, Les Curie (Os Curies). Paris, Éditions Seghers, 1963, p. 48.
2. Susan Quinn, Marie Curie: A Life (A Vida de Marie Curie). Cambridge, Massachusetts, Perseus Books, 1995, p. 99.
Referências
1. https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2025/02/mulheres-ja-sao-maioria-nas-bolsas-de-mestrado-e-doutorado-mas-ocupam-apenas-35-5-das-bolsas-de-produtividade Acessado em: 09 fev.2026 às 16:30
2. https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/noticias/brasil-se-destaca-como-3-colocado-na-participacao-feminina-na-ciencia Acessado em: 10 fev.2026 às 17:00
3. https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/participacao-feminina-na-ciencia-brasileira-cresce-29-em-20-anos-diz-relatorio/ Acessado em: 10 fev.2026 às 18:00
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