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há 16 horas

Da Escuridão à Esperança

A transformação de vida através da prática da fé

Redação

03/07/2026

Da Escuridão à Esperança

Na foto, Joelma, ao centro, com seus filhos Fabrico e Andressa. Fotos: Arquivo pessoal

Após anos enfrentando a dependência química, dificuldades financeiras e a responsabilidade de criar sozinha dois filhos e uma sobrinha, Joelma tornou-se protagonista da sua história ao conhecer o Budismo de Nichiren Daishonin por meio de um encontro inesperado dentro de um ônibus. Leia a história completa abaixo.

Criei praticamente sozinha, e enfrentando muitas dificuldades, meus dois filhos e uma sobrinha. Na época, eu era dependente química. O vício entrou na minha vida por influência do padrinho do meu filho mais velho.

As drogas me traziam uma sensação momentânea de alívio e me faziam esquecer os problemas. Mas, quando o efeito passava, a falta de dinheiro e as dificuldades continuavam ali, intocadas.

Eu estava acostumada a depender da ajuda de outras pessoas quando faltava algo em casa. O apartamento onde vivíamos não tinha piso, e as janelas eram de madeira. Grande parte do pouco dinheiro que eu conseguia acabava sendo consumida pelo vício, e mal sobrava para o básico.

Foi dentro de um ônibus que conheci a organização e o Budismo de Nichiren Daishonin. Eu saía de uma consulta no Hospital do Fundão quando uma senhora se sentou ao meu lado. Naquele momento, pensei: “Nossa, com tantos lugares vazios, ela escolheu justamente sentar aqui?”

Muito educada, ela me cumprimentou. Eu, de mau humor, respondi apenas:

— Bom dia.

Então ela perguntou:

— Você conhece o Budismo de Nichiren Daishonin? Por meio dessa prática, acumulamos muita boa sorte.

Respondi que não conhecia.

Aquela senhora começou a contar sua própria história. Disse que havia perdido o filho vítima de um assassinato, mas que ele deixara um neto. Contou também que, graças à prática budista, havia conseguido superar a profunda tristeza que sentia. Mesmo diante de uma perda tão dolorosa, ela se considerava feliz e havia decidido dedicar sua vida a fazer outras pessoas felizes.

Enquanto a ouvia, eu me perguntava: “Como alguém pode falar com tanta serenidade sobre uma tragédia dessas?”

Fiquei profundamente admirada. Eu jamais imaginava que seria capaz de falar sobre a morte de um filho com tanta força e naturalidade. Fui me envolvendo tanto na conversa que acabei perdendo meu ponto e só percebi quando o ônibus chegou ao final da linha.

Com os incentivos que recebi e o início da prática budista, meu coração se encheu de esperança. Pouco tempo depois, decidi receber o Gohonzon.

Em 2005, cerca de um ano após receber o Gohonzon, meu filho mais velho, Luiz Alberto, decidiu morar comigo. Ele tinha 19 anos e chegou a participar das atividades. Eu estava feliz por tê-lo por perto novamente. Infelizmente, ele acabou se envolvendo com más companhias e desapareceu após sair para um baile.

Lembro-me claramente da despedida naquele dia. Nunca imaginei que seria a última vez que veria meu filho.

Procurei por toda parte, mas ninguém tinha notícias dele. Desafiei horas de daimoku para que retornasse em segurança. No entanto, esse daimoku acabou se tornando uma luta para que eu continuasse firme na prática, pois descobri que meu filho e um amigo haviam sido acusados de roubo, capturados, assassinados e tiveram seus corpos carbonizados.

Naquele momento, lembrei-me da senhora que conheci no ônibus e percebi que aquele encontro não havia sido por acaso.

Passei a enxergar com mais clareza a tendência cármica presente em minha família. O pai do meu filho também havia sido assassinado; minha irmã morreu em decorrência do uso de drogas; eu mesma lutava contra a dependência. Ainda assim, mesmo em meio a tantas limitações, havia encontrado um caminho para transformar esse carma familiar.

Com a prática budista, fui vencendo gradualmente minha relação com o vício. Porém, no Carnaval de 2006, tive uma recaída. Mesmo estando com as crianças, aceitei um convite para beber e usar drogas mais uma vez.

Quando recobrei a consciência da situação, as crianças haviam desaparecido.

Desesperada, fui à delegacia de Madureira. Lá, informaram-me que provavelmente elas haviam sido encaminhadas para alguma instituição de acolhimento. Foram horas de angústia, culpa e arrependimento.

Somente no dia seguinte descobri que elas estavam em um abrigo em Ramos e consegui levá-las de volta para casa. Naquele instante, tomei uma decisão definitiva: nunca mais passaria por uma situação como aquela. Nunca mais usaria drogas. Era o momento de transformar o veneno em remédio.

Por meio do daimoku, dos incentivos recebidos na organização e das orientações de Ikeda sensei, encontrei forças e sabedoria para reconstruir minha vida. Voltei a estudar, concluí o Ensino Médio e me formei em dois cursos: Técnico em Enfermagem e Cuidadora de Idosos.

Depois do estágio, conquistei o primeiro emprego formal da minha vida. Contudo, durante o trabalho, adquiri tuberculose ao cuidar de um paciente sem os equipamentos de proteção adequados.

Mais uma vez, determinei minha vitória. Em meio ao tratamento, realizei shakubuku em meu irmão Joelson, que testemunhou toda a minha transformação. Após dois anos de tratamento, recebi a notícia de que estava curada.

Lembram do apartamento no Quitungo, com chão sem piso e janelas de madeira?

Hoje ele está completamente reformado, com piso, janelas de alumínio e móveis. Moram comigo meu filho Fabrício e minha filha-sobrinha, Virgínia. Além disso, consegui adquirir um segundo imóvel na planta.

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Na foto, Joelma com sua sobrinha, Virgínia e seu filho, que carinhosamente chama Joelma de vovó

Atualmente, meus filhos praticam o budismo e mantemos um diálogo aberto e sincero sobre as escolhas da vida. Temos dois apartamentos, uma vida muito mais estável e um lar que está sempre aberto para acolher atividades da organização.

Olhando para trás, vejo que cada uma dessas vitórias foi construída por meio da prática deste budismo, das orientações e incentivos de Ikeda sensei, do apoio da minha família e da atuação constante na organização de base. Minha história é a prova de que é possível transformar o veneno em remédio e criar uma vida de esperança.

Finalizo meu relato com um trecho do escrito A Felicidade neste Mundo, 1que guardo no meu coração: “Sofra o que tiver de sofrer, desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento quanto a alegria como fatos da vida e continue recitando Nam‑myoho‑renge‑kyo, independentemente do que aconteça”.

Muito obrigada, Ikeda sensei por trazer este maravilhoso budismo para o nosso país e me dar a oportunidade de transformar a minha vida.

Joelma Miranda Luiz, converteu-se ao Budismo Nichiren em agosto de 2004. Atua como responsável pela Divisão Feminina da Comunidade Quitungo, RM Irajá, Rio de Janeiro.

Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 713, 2024.

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