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há 2 meses
Poema Brasil, Seja Monarca do Mundo!
Poema completa 25 anos. Leia na íntegra
Dr. Daisaku Ikeda
08/08/2026

Poema do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda
Brasil, Seja Monarca do Mundo!
A cada 22 de julho, comemoramos o aniversário do poema Brasil, Seja Monarca do Mundo!. Este poema, enviado em 2001 pelo presidente Ikeda para a ocasião da outorga do título de cidadão honorário do município de Itapevi — cuja cerimônia foi realizada no Auditório Memorial Makiguchi de Tóquio —, representa o sentimento que o Mestre expressou a todos nós, brasileiros.
Em Brasil, Seja Monarca do Mundo!, o presidente Ikeda manifesta sua profunda relação com o Brasil e retrata diversos aspectos de sua quarta visita ao país, em 1993. Os esforços dedicados para finalizar este poema demonstra a imensa consideração e o profundo vínculo do Mestre com os membros brasileiros.
Na mensagem enviada para a Convenção Brasil Monarca do Mundo, realizada em Manaus, AM, em novembro de 2010, ele disse:
Julho de 2001 — dias de intenso calor do verão japonês. Revivendo em minha mente os sorrisos contagiantes dos meus amados membros do Brasil, pensava profundamente no que fazer para transmitir um pouco mais de alegria e esperança aos senhores e, então, decidi transferir para o papel tudo aquilo que estava em meu coração. Escrevi e reescrevi os versos por incontáveis vezes, até que nasceu um longo poema: Brasil, Seja Monarca do Mundo!.
(Brasil Seikyo, ed. 2.062, 4 dez. 2010, p. A2)
Esperamos que, com este poema, seu coração se conecte ainda mais com o coração de Ikeda sensei.
Que seja uma leitura revigorante e inspiradora!
***
Brasil, Seja Monarca do Mundo!
Um tributo aos meus companheiros, exemplos de harmonia para o futuro da humanidade
Oh! Brasil!
Terra natal do meu coração,
amigo que me aquece a alma,
chão celestial da minha vida!
Oh! Brasil!
És minha vida!
Teu levantar impávido
abriu o caminho glorioso
do kosen-rufu mundial!
Viva Brasil!
Meu amado Brasil!
Sublime nação do ser humano!
Ainda se aconchega em meu peito
a doce luz do verão de 1993
que banhava Itapevi,
cidade vizinha de São Paulo.
Ali, por fim, conheci
o castelo do tesouro,
o Centro Cultural Campestre
com seu exuberante jardim.
A filosofia e a amizade
ali são flores
banhadas pelo orvalho da sinceridade.
O fulgor dourado das acácias,
quaresmeiras roxas e rosadas,
vitórias-régias em flor,
brancos lótus tropicais,
mais de cem mil cosmos,
hibiscos, begônias, girassóis...
Todos plantados com dedicação
nos bosques e nas colinas
florescem radiantes
com todo o esplendor do verde louro.
Ainda me recordo quando sugeri
aos jovens a quem confiei o futuro:
— Vamos dar nome a estas colinas
e àquelas montanhas.
Eles responderam com sabedoria:
— Montanha Mestre e Discípulo!
— Colina Pôr do Sol!
Foi um momento de perfeita harmonia.
Com a beleza de uma obra de arte,
a Colina Pôr do Sol se acendeu
escarlate naquela tarde.
Puro esplendor era o poente,
enquanto a
Montanha Mestre e Discípulo
mostrava orgulhosa
seu aspecto majestoso.
Foi quando escrevi:
“Sol e bosque são radiantes
na Montanha Mestre e Discípulo
que observa nossa felicidade!”.
“Vejo na Montanha Soka
o permanente alicerce
do futuro que nunca se acaba.”
Nada mais belo
do que o reino luminoso
da confiança entre os homens.
Nada mais respeitável
do que o juramento eterno
entre mestre e discípulo.
Disse-me Athayde,
o defensor dos direitos humanos:
— Tanto no Ocidente como no Oriente,
a mais preciosa virtude
é a confiança no ser humano
cultivada a cada instante pela crença na relação
entre mestre e discípulo.
A verdadeira crença
eleva e une os homens, abre e une os corações.
Mestre e discípulo —
a solidariedade verdadeira
entre os seres humanos.
Eis por que a relação
entre mestre e discípulo
é espírito de procura,
desenvolvimento constante
e uma relação eterna.
Kosen-rufu é batalha
de mestre e discípulo.
Buda é quem vence, infalível,
e Brasil é esperança absoluta.
Oh! Brasil!
De tua filha, a índia Iracema,
e do português Martim
nasceu o valente Moacir.
Diz a lenda que desse casal
descende multidão de brasileiros.
Comunhão de raças,
convivência humana,
sonho da democracia racial —
são ideais que fincaram
raízes no Brasil.
Quanto mais te conheço,
quanto mais te visito,
mais palpitante fica meu coração
perante teu poderoso encanto.
O samba, a alma de teu povo.
O Carnaval, a energia de tua gente.
Todas as raças cantam
e dançam juntas
na maior festa popular do mundo.
Por que no Brasil
surgiu uma cultura popular
tão autêntica e cheia de paixão?
Ela é a flor e o fruto
de sua turbulenta história
de quinhentos anos.
O anti-humanismo,
o terror da opressão,
a fibra de seu povo soube vencer.
Essa é sua origem.
Nasceu do sofrimento
e da perseverança que venceu
a cobiça secular em busca do ouro.
Por isso, proclama orgulhoso:
— Sou teu povo heroico e imbatível!
Por maior que seja o poder,
por mais forte que seja a violência,
nada poderá dominar
a alma altiva do homem.
Um povo autêntico
pode até ser humilhado,
mas nunca destruído.
Quanto mais escarnecido,
mais forte se levanta.
A história da humanidade
aguarda perseverante,
como aurora que se ergue,
a vitória de um povo
sobre seus opressores.
Sua gente heroica move a história
e é a força que abrirá o futuro.
Jorge Amado,
o mestre da literatura brasileira,
enaltece a convivência harmoniosa
das raças
como a dádiva mais rica dos brasileiros
para a causa do humanismo.
Qual o bem fundamental
que pode o homem deixar
para o futuro da humanidade?
Tão simplesmente o rumo,
o claro e seguro rumo,
para a conquista mais digna
da condição humana:
a convivência solidária das raças.
Oh! Brasil!
Amigos que tanto amo!
A jornada que escolhemos
não é de sossego nem de mágoas.
É o caminhar seguro e valente
desfraldando a bandeira da esperança,
do otimismo e da convicção!
Não faz mal que seja pouco,
o que importa é que o avanço de hoje
seja maior que o de ontem.
Que nossos passos de amanhã
sejam mais largos que os de hoje.
Que sejam humanistas
de braços fortes
em luta solidária
com as pessoas deserdadas.
Atuem agora e vivam o presente
com a certeza de que neste exato
instante
está se erguendo o futuro.
Deixem seus méritos gravados
na história de suas
contínuas vitórias!
A dificuldade no momento presente
será a glória em seu futuro!
O desbravar do
caminho do novo século
será proporcional à sua caminhada!
Jamais esquecerei
o amigo que luta pela paz,
a amiga que incentiva
os companheiros
e o nobre labor compenetrado
no palco sem desejo de
palmas e ovações.
Oh! Filhos do leão!
Os que, no Brasil, jamais se abalaram
ante a covardia e a ingratidão
de animais disfarçados em
mantos clericais,
larápios que usurparam a nobreza
do budismo.
Bonzos decadentes lá em cima
e, embaixo, os membros fiéis
que caminham na retidão —
heresia que profana
o sonho brasileiro
da igualdade entre os homens.
Oh! Brasil!
Em ti floresceu a justiça da Lei
Suprema,
porque aprendeste o ensino sagrado:
“Quando bonzos hereges incitam
milhares de seres a banir o sábio,
aquele que mantém em seu coração
o espírito do rei leão
certamente se tornará um buda”.
Oh! Brasil!
Venceste!
Venceste em tudo!
Impávido triunfo conquistaste!
Em Curitiba,
a primeira Praça Makiguti do mundo!
No estado de São Paulo,
a primeira Rua Toda do mundo!
Em Londrina,
o honroso Parque Ecológico Ikeda!
Do Rio de Janeiro, a homenagem em
louvor à Soka tomando
a vanguarda do mundo.
E na poética terra do Amazonas
se expande profunda amizade
e confiança.
Em todo o mundo
se distingue o Brasil
com mais de cem homenagens.
Aqui e ali, em todos os recantos,
desponta o esplendor de mestre e
discípulo Soka exaltando o alto valor
de Makiguchi e Toda.
Uma pessoa disse admirada:
— No mundo inteiro,
o Brasil é o maior
Castelo dos Três Mestres!
Eis a prova inabalável
que espelha orgulho:
a dedicação de meus companheiros,
cidadãos de bem,
estreitando os laços da
convivência confiante.
Não tenho sombra de dúvida
de que a boa sorte desse labor
se estenderá por todas as existências
de geração a geração.
Quem decidiu a vitória colossal
do kosen-rufu mundial no século 20
foram meus companheiros do Brasil.
E o descortinar do triunfo no século 21
foi abrilhantado também
com galhardia
por meus gloriosos companheiros
do Brasil.
O sábio Darcy Ribeiro conclui
em O Povo Brasileiro:
“Estamos nos construindo na luta
para florescer amanhã
como uma nova civilização,
mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma.
Mais alegre porque mais sofrida.
Melhor porque incorpora em si
mais humanidade.
Mais generosa porque aberta
à convivência
com todas as raças
e todas as culturas,
e porque assentada na mais bela e
luminosa província da Terra”.
Meus amigos!
No futuro do Brasil não cabe
nem pessimismo nem desilusão.
No horizonte de sua jornada
fulgura sem fim
o azul do céu profundo de glórias e esperanças.
“A voz executa o trabalho do Buda.”
Eis nossa poderosa arma —
o diálogo sincero,
o rugido corajoso do leão.
A sagrada escritura exalta:
“A Lei não se propaga por si mesma.
Por ser propagada pelas pessoas,
tanto a Lei como as pessoas
tornam-se dignas de respeito”.
Oh! Meus amigos!
Por mais distantes que estejamos,
nunca estamos separados,
mais próximo está nosso coração.
Percorramos juntos eternamente,
sublimes companheiros do kosen-rufu,
pela grande estrada dourada
de paz e felicidade.
“À minha existência, viva!
Sou eu de vitórias mil!”
Levantemos este brado retumbante
pela glória do trabalho triunfante.
Avancemos juntos
na marcha alegre e vitoriosa
ao compasso de união incomparável
rumo a 2010 — cinquentenário do
kosen-rufu do Brasil!
Que haja saúde em ti,
vanguardista do novo milênio!
Que haja vitória em ti,
monarca do kosen-rufu mundial!
Que haja perene prosperidade
na terra natal do meu coração,
Brasil que se ergue soberbo!
Em 22 de julho de 2001.
Na data da honrosa outorga do título de
cidadão honorário da
cidade de Itapevi, SP,
no Memorial Makiguchi de Tóquio.
Oro do fundo do meu coração
pela felicidade,
saúde e longevidade
cada vez mais abundantes
de todos os companheiros do Brasil,
meus tão preciosos amigos.
Ofereço também minhas
profundas orações
a todos os respeitáveis beneméritos
que faleceram durante a jornada do kosen-rufu do Brasil.
Espelhando minha maior alegria e a
mais intensa esperança na expectativa de
novamente visitar a amada terra
do Brasil,
junto as mãos em oração.
Do poeta laureado do mundo
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