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há 11 horas

O primeiro encontro do jovem Ikeda com Toda sensei

14 de agosto de 1947 marca o início da relação de mestre e discípulo

Redação

14/08/2026

O primeiro encontro do jovem Ikeda com Toda sensei

Jovem Daisaku em conversa com seu amigo na praia de Morigasaki. Pouco antes do dia 14 de agosto de 1947, Ikeda escreveu o poema que transformou numa canção em que ele descreve a cena. Com seu amigo, sentados nesta praia, conversam sobre os significados e os caminhos da vida. Ilustração: Kenichiro Uchida

Sensei, afinal, que tipo de vida é o modo correto de viver? Quanto mais penso, menos consigo compreender.1

Há 79 anos, na noite de 14 de agosto de 1947, o jovem Daisaku Ikeda participou, convidado por amigos, do que seria uma palestra sobre “filosofia de vida”. Era uma atividade da Soka Gakkai e lá se encontrou com Josei Toda e essa data se eternizou como o dia do encontro entre mestre e discípulo Soka.

Seu desejo pelo aprendizado e a promessa feita aos amigos em comparecer fizeram Daisaku desafiar seu estado febril e ir a essa reunião que mudaria o rumo de sua vida. Ele foi acompanhado de dois amigos, mas somente ele tornou-se membro da Soka Gakkai.

Daisaku Ikeda tinha 19 anos de idade ao conhecer Josei Toda ao participar da sua primeira reunião de palestra. Ao ouvir a explanação de Josei Toda, confiou completamente naquele homem que havia sido preso por convicções pacifistas. Nasceu ali a união entre mestre e discípulo.

Em 1947, Daisaku Ikeda era mais um jovem do pós-guerra no Japão preocupado em sobreviver, recomeçar a vida e achar um novo sentido para viver.

Em relação à época, encontramos no livro Minhas Recordações 2

Na época, reunindo o pouco dinheiro que consegui guardar, decidi comprar uma escrivaninha e uma cadeira nova. Isso certamente foi a expressão do meu desejo de saciar a fome do meu coração em aprender e adquirir conhecimentos com toda dedicação. Na nossa casa em Morigasaki, eu dividia o quarto de 6 tatames [1 tatame = 1,62 metros quadrados] com meu irmão um pouco mais velho. A escrivaninha que coloquei ali meio que imponentemente, com certeza, deve ter invadido bastante o “território” de meu irmão.

O encontro ideal

Ao chegar e ouvir à palestra de Josei Toda, percebeu nitidamente que “o Sr. Toda não apresentava um budismo antigo nem ultrapassado”.

Ele relembra:

O primeiro encontro que tive com Toda sensei ocorreu numa reunião de palestra realizada no dia 14 de agosto de 1947 , véspera do segundo aniversário do término da Segunda Guerra Mundial.(...) Não posso dizer que compreendi toda a difícil terminologia budista que ele empregou, mas seu entusiasmo e comprometimento em ajudar as pessoas que estavam sofrendo em meio à desolação com a derrota do Japão na guerra causou profundo interesse em meu coração de 19 anos. Naquela noite, ele disse: ‘Quando penso em nosso país e em nosso mundo tumultuado, quero eliminar toda a miséria e sofrimento da face da terra!'".

Na atividade, recita um poema comovente para aquele que seria seu futuro e eterno mestre.

Ó viajante!

De onde vens?

E para onde irás?

A lua desce

no caos da madrugada,

mas vou andando

antes de o Sol nascer

à procura de luz.

No desejo de varrer

as trevas de minh’alma,

a grande árvore

eu procuro

que nunca se abalou

na fúria da tempestade.

Neste encontro ideal,

sou eu quem

surge da terra!

A pergunta que iniciamos essa matéria foi feita pelo jovem Ikeda e, o fato de Toda sensei ter respondido de forma clara e convicta a todos os questionamentos sobre a natureza da vida e da morte, fez com que Ikeda se sentisse muito satisfeito. Josei Toda respondeu a essa e a outras questões, fazendo com que aquele jovem, sem perspectivas, pudesse ressignificar a sua vida.

O jovem Ikeda converteu-se ao Budismo de Nichiren Daishonin dez dias depois, em 24 de agosto de 1947.

Impressões do jovem Ikeda ao participar da reunião de palestra em 14 de agosto

Vivo cada dia sustentando como minha maior honra o fato de que, se eu for encontrar com meu mestre em algum momento das três existências, orgulhosamente me apresentarei perante ele como seu principal discípulo.
Triunfei. Não fui derrotado. Um discípulo deve triunfar resolutamen­te. Essa é a essência do Budismo Nichiren, da Soka Gakkai e também do espírito de unicidade de mestre e discípulo.
Brasil Seikyo, ed. 2.614, 2 jul. 2022, p. 10.

***

Esse dia [14 de agosto de 1947] foi o dia mais decisivo em minha vida. Foi quando jurei ao presidente Toda unir-me à Soka Gakkai. Dez dias depois, em 24 de agosto, converti-me ao Budismo Nichiren.
Na época desse inesquecível primeiro encontro eu tinha 19 anos. O Sr. Toda parecia um pai afetuoso que estava à minha espera. Foi um momento solene, eterno, que abarcou as três existências. Foi o dia do juramento de um discípulo — de minha promessa de tornar-me discípulo do Sr. Toda e de devotar minha vida ao kosen-rufu.
Terceira Civilização, ed. 412, dez. 2002, p. 29.


***

Deixei o local por volta das 22 horas. Era uma noite abafada e quente de verão. Minha mente estava tensa, misturava uma agradável empolgação e um estado de espírito complexo. Pode-se dizer que nada poderia ser mais distante dos jovens da época do que uma religião e, ainda por cima, o budismo. Para ser sincero, não foi porque eu compreendi a religião ou o budismo que aceitei segui-lo. Decidi trilhar o caminho da fé por ter ouvido as palavras de Toda sensei e observando a sua postura, pois senti que nele eu poderia confiar.
IKEDA, Daisaku. Minhas Recordações. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 97, 2022.

Praia de Morigasaki

A ilustração desta matéria representa o jovem Daisaku em conversa com seu amigo na praia de Morigasaki. Pouco antes do dia 14 de agosto de 1947, Ikeda escreveu o poema que transformou numa canção em que ele descreve a cena. Com seu amigo, sentados nesta praia, conversam sobre os significados e os caminhos da vida.

Ouça podcast da Nova Revolução Humana, volume 5

Notas:

1.IKEDA, Daisaku. Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo , v. 2, p. 197, 2022.

2. Idem. Minhas Recordações. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 91, 2022.

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