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Na Amazônia, jovens são chamados a liderar a construção de um futuro sustentável
Encontro internacional em Manaus reúne especialistas, educadores e organizações para mostrar que a transformação do planeta começa pelas pessoas
Redação
31/08/2026

O futuro do planeta passa pela Amazônia. Mas, acima de tudo, passa pelas pessoas que vivem, estudam, pesquisam e sonham em construir um mundo melhor.
Foi com essa mensagem que o Amazonian Youth Summit 2026 reuniu, em Manaus, representantes de instituições nacionais e internacionais para discutir sustentabilidade, educação, cidadania global e o papel da juventude diante dos desafios ambientais do século 21.
Promovido pelo Instituto Soka Amazônia, o encontro mostrou que a Amazônia não é apenas uma das maiores riquezas naturais do planeta. Ela também é um espaço de conhecimento, diversidade, inovação e inspiração para novas formas de convivência entre seres humanos e natureza.
Mais do que discutir problemas ambientais, o Youth Summit buscou responder a uma pergunta que interessa especialmente aos jovens: como podemos construir um futuro mais sustentável e, ao mesmo tempo, fazer a diferença em nossa comunidade hoje?
Ao longo do evento, especialistas destacaram que a Amazônia ocupa um lugar estratégico nas discussões globais sobre mudanças climáticas, biodiversidade e desenvolvimento sustentável. Mas, segundo os participantes, olhar para a região apenas como uma floresta é insuficiente.
Para Luciano Gonçalves do Nascimento, presidente do Instituto Soka Amazônia, pensar em sustentabilidade exige compreender a conexão entre seres humanos e meio ambiente: "Precisamos desenvolver a consciência de que nossa vida está ligada à natureza. Quando aprendemos a respeitar o meio ambiente, construímos uma convivência mais harmoniosa com tudo ao nosso redor".
Um dos destaques do encontro foi a apresentação das ações desenvolvidas pelo Instituto Soka Amazônia em sua Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).
O local abriga projetos de conservação ambiental, recuperação de áreas degradadas, pesquisas científicas e programas educativos que já impactaram mais de 25 mil estudantes ao longo dos últimos anos.
Para João Carlos, diretor ambiental do Instituto Soka Amazônia, a educação acontece em cada canto da reserva: "Toda a reserva respira educação. Tudo aqui é uma sala de aula".
Na prática, isso significa aprender além dos livros. Trilhas na floresta, contato com espécies amazônicas, plantio de mudas, observação da biodiversidade e atividades interativas fazem parte da experiência oferecida aos estudantes. A proposta é transformar informação em vivência e despertar uma conexão verdadeira com a natureza.
O primeiro encontro com a floresta
Uma das histórias que mais chamaram atenção durante o Summit foi a de estudantes que, mesmo vivendo em Manaus, nunca haviam entrado em uma área de floresta.
Marcos Pereira, coordenador das hortas urbanas escolares da Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed), explicou que muitos jovens têm sua primeira experiência de imersão na natureza por meio das atividades do Instituto: "Temos alunos que vivem na Amazônia e nunca tinham tido contato direto com um fragmento de floresta. Em alguns casos, isso acontece até com professores".
Segundo ele, quando esse contato acontece, a maneira como os estudantes enxergam o meio ambiente muda completamente.
Sustentabilidade também é sobre pessoas
Outro tema forte do encontro foi a ideia de que os desafios ambientais não serão resolvidos apenas pela tecnologia ou pela ciência.
Representantes da Carta da Terra Internacional e do Clube de Roma destacaram que a construção de um futuro sustentável também depende de valores, ética e consciência coletiva.
A representante da Carta da Terra Internacional, Miriam Vilela, alertou para a necessidade de superar o chamado "analfabetismo ecológico": "Temos cada vez mais acesso à educação, mas isso não significa que compreendemos nossa responsabilidade com a vida e com o planeta".
Já Silvia Zimmermann del Castillo, do Clube de Roma, reforçou a importância da transformação humana: "Não vamos superar os desafios globais apenas com tecnologia. Precisamos desenvolver também a dimensão humana".
Juventude no centro da mudança
Um dos principais objetivos do Amazonian Youth Summit é justamente criar espaços para que os jovens participem das discussões e das decisões sobre o futuro.
A ideia que permeou todo o encontro foi clara: as próximas gerações não devem ser apenas espectadoras das mudanças que estão acontecendo no mundo, mas protagonistas da construção de soluções.
Nesse sentido, educação, diálogo e cooperação aparecem como ferramentas essenciais para formar lideranças capazes de enfrentar os desafios ambientais e sociais das próximas décadas.
Ao final do primeiro dia, uma mensagem ficou evidente entre os participantes: cuidar do planeta começa pelo diálogo. É por meio da troca de experiências, do respeito às diferentes formas de conhecimento e da colaboração entre pessoas que surgem novas possibilidades de ação.
Como resume João Carlos: "A primeira coisa é o diálogo. A partir dele, as pessoas decidem como caminhar e percebem que a Terra é única e pertence a todos”.
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