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Caderno Nova Revolução Humana
há 14 anos

A sincera amizade transforma o mundo

Volume 21, capítulo “Diplomacia do Povo”. Partes 33 a 40

01/12/2012

A sincera amizade transforma o mundo

PARTE 33

A realidade é muito complexa. Embora a paz seja o objetivo, na maioria dos casos, conflitos de interesse, antagonismo e sentimentos condicionados por fatores históricos complicam tremendamente essa questão. Por isso é essencial não se prender ao passado ou permanecer vagando num labirinto de velhos ódios e conflitos. Em vez disso, deve-se ter firme visão de um futuro pacífico e também revigorados passos nessa direção.

Shin-iti perguntou diretamente ao vice-primeiro-ministro, Deng Xiaoping:

— Tenho certeza de que existem vários fatores históricos complexos, mas acredito que é o futuro que importa. A China tem intenção de construir amizade com os Estados Unidos, a União Soviética (URSS) e todas as demais nações do mundo?

Primeiro, é necessário determinar se a instância fundamental é o desejo pela paz ou a ânsia pela guerra. Uma vez que se decide isso, o modo como se deve proceder fica claro.

Deng respondeu:

— Temos esperança de melhorar nossa relação com a União Soviética, mas ainda estamos atolados em conflitos ideológicos. No entanto, podemos restringir nossas diferenças a essa esfera e não permitir que elas prejudiquem nossas relações.

O desejo do vice-primeiro-ministro era criar um bom relacionamento com a União Soviética visando a paz. Notava-se sua boa vontade em trabalhar para esse fim. Embora a situação fosse complexa, havia um caminho a seguir: dar um passo corajoso na direção da paz.

Deng continuou:

— Em relação aos Estados Unidos, o presidente Nixon e seu conselheiro de segurança nacional, Henry Kissinger, visitaram a China em 1972, momento em que foi emitido um comunicado conjunto em Xangai. Isso levou a um grande avanço nas relações bilaterais, e esperamos continuar nos movendo nessa direção.

Shin-iti perguntou-lhe o que achava da possibilidade de uma guerra entre Estados Unidos e União Soviética. O líder chinês respondeu:

— Esse perigo existe. Essas nações falam sobre paz duradoura e relaxamento das tensões. Mas de fato essas tensões crescem e os dois lados reforçam suas forças armadas.

— Por que o senhor acha que isso acontece?, — questionou Shin-iti.

— Porque ambos tentam obter hegemonia global, — respondeu Deng.

A luta pela hegemonia alimentava a desconfiança mútua e aprofundava as divisões causadas pelo antagonismo.

PARTE 34

A desconfiança persistente entre líderes apenas aumenta a ameaça de guerra. A fonte dessa desconfiança é o que o budismo chama de escuridão fundamental. O Buda Nitiren Daishonin ensina que todos os seres humanos possuem a natureza de Buda inerente na vida e são entidades do Nam-myoho-rengue-kyo. A escuridão fundamental se refere a um estado ilusório marcado pela ignorância e descrença nesses princípios. É também a causa motriz da suspeita e da desconfiança.

O poeta e educador indiano Rabindranath Tagore advertiu: “Perder a fé (confiança) no ser humano é um crime”.

Shin-iti sentiu a importância de espalhar pelo mundo o ensinamento budista de que todos os seres humanos possuem a natureza de Buda. Ao dialogar com os líderes da União Sovié­tica e dos Estados Unidos sobre a paz, sempre se empenhou com extrema sinceridade desejando despertar a natureza de Buda inerente em cada um deles. Queria quebrar a desconfiança e o conflito que existia entre ambos para que pudessem abrir o coração para a confiança e amizade.

Depois, Shin-iti perguntou a Deng sobre a posição da China com relação à possibilidade de um tratado de paz e amizade com o Japão.

O comunicado conjunto emitido pelas duas nações em setembro de 1972 informava que ambos se opunham a qualquer país ou bloco que tentasse estabelecer a supremacia na região da Ásia-Pacífico.

Entretanto, certos grupos no Japão sentiram que essa declaração sobre a hegemonia não deveria constar no pacto bilateral. Eles afirmaram que as palavras “qualquer país” na verdade se referiam à União Soviética, e que se esse tipo de linguagem fosse incluído no tratado, prejudicaria as relações entre Japão e o país soviético.

Durante sua primeira viagem à URSS em setembro do ano anterior (1974), Shin-iti recebeu uma visita de Ivan Kovalenko, que estava no comando dos assuntos relacionados ao Japão no Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética. Quando se encontraram no hotel em que o presidente Yamamoto estava hospedado, Kovalenko enfatizou a visão de seu país de que a cláusula anti-hegemonia representava um ato de antagonismo à União Soviética e ordenou que qualquer referência a ela fosse removida do pacto. Naquela ocasião, Shin-iti confidenciou:

— É realmente necessário que a União Soviética se preocupe com o tipo de acordo que o Japão e a China estão negociando? Tudo o que a União Soviética precisa fazer é concluir seu próprio acordo com o Japão, que forme uma relação mais próxima e forte que a existente entre a China e o Japão. Se os líderes da União Soviética agirem com mente aberta, ganharão a confiança das pessoas no mundo todo.

PARTE 35

O processo de elaboração de um tratado de paz e amizade entre o Japão e a China esbarrou em algumas dificuldades. A fim de abrir o caminho para um pacto mutuamente aceitável, Shin-iti queria mais uma vez confirmar o pensamento que havia por trás da insistência dos chineses a respeito da inclusão de uma cláusula anti-hegemonia no tratado.

O diálogo é aprofundado ainda mais quando uma das partes obtém conhecimento e compreensão corretos do pensamento da outra parte.

O vice-primeiro-ministro Deng Xiaoping começou a articular a posição chinesa num tom confiante:

— A cláusula anti-hegemonia no tratado de paz e amizade está de acordo com os desejos do povo da China e do Japão. O termo anti-hegemonia tem dois significados. Primeiro, nem a China nem o Japão alcançarão a supremacia na região da Ásia-Pacífico. A esse respeito, a China pretende impor restrições sobre suas próprias ações. Ou seja, assumirá, por conta própria, a responsabilidade de não buscar a hegemonia na localidade. Isso não é uma coisa ruim para as nações desta região, incluindo o Japão. Além disso, no século passado, e durante a Segunda Guerra Mundial, a imagem do Japão foi seriamente manchada. Incorporar a cláusula anti-hegemonia no tratado é uma maneira de demonstrar que o país reconhece a verdade sobre a sua história. Assim, isso se destaca como uma declaração benéfica e necessária para ajudar a nação a restaurar a confiança e melhorar as relações com os vizinhos.

E com mais ênfase, o líder chinês continuou:

— O segundo significado da cláusula anti-hegemonia é expressar oposição para tentativas de qualquer país ou grupo de países de alcançar a soberania na localidade.

Deng acrescentou que, enquanto os críticos no Japão discutiam se a inclusão dessa cláusula prejudicaria as relações com a União Soviética, uma declaração com o mesmo efeito já estava no comunicado conjunto emitido pela China e pelo Japão.

O chefe da Secretaria de Assuntos Asiáticos do Ministério das Relações Exteriores do Japão também estava na reunião.

O presidente Yamamoto, em vez de compartilhar suas próprias opiniões, focou em investigar as opiniões do vice-primeiro-ministro. Ele acreditava que era essencial para o lado japonês obter uma compreensão completa e correta da posição da China, antes de considerar sua resposta. Talvez, pelas questões terem sido colocadas por Shin-iti, um cidadão comum, o líder chinês respondeu de forma irrestrita.

Uma habilidade essencial na condução do diálogo é a capacidade de extrair o máximo de pensamentos e pontos de vista do interlocutor.

PARTE 36

Após Deng afirmar categoricamente sobre a importância de incluir uma cláusula anti-hegemonia claramente redigida em qualquer tratado bilateral de paz e amizade, ele confiou ao presidente Yamamoto uma mensagem para ser entregue ao primeiro-ministro japonês, Takeo Miki (1907–1988):

— Quando voltar para o Japão, por favor, diga ao primeiro-ministro Miki que ele deve reunir coragem e determinação. Entendo que o senhor Miki está sob pressão de várias forças que querem impedir esse processo, mas esperamos que ele demonstre determinação. Se dermos um passo para trás em vez de um passo à frente a partir da postura articulada no comunicado conjunto, não ficará bem para o primeiro-ministro também. Esta é minha opinião como amigo, falo pela consideração que tenho por ele.

Shin-iti perguntou sobre a posição da China com relação ao Japão concluir algum tipo de tratado com a União Soviética. Ele sentiu que essa questão teve um impacto significativo sobre a capacidade do Japão em promover relações amistosas tanto com a China quanto com a União Soviética.

Deng respondeu:

— Isso é um problema para o governo japonês decidir.

Apesar de a resposta estar aberta a várias interpretações, ela indicava que a China não necessariamente se opunha ao Japão e à União Soviética concluírem um tratado entre eles.

Shin-iti colocou outra questão:

— Há mais uma questão que eu gostaria de fazer. Seria aceitável ter uma declaração sobre anti-hegemonia não como uma cláusula no tratado, mas parte do preâmbulo do documento?

Shin-iti acreditava firmemente que, para o futuro de ambos os países, era indispensável concluir com êxito um pacto de paz e amizade. Assim, sentiu que a discussão deveria fornecer orientações específicas para que o governo japonês considerasse o tratado. Diálogo responsável é concreto; novos progressos não são gerados a partir de conclusões vagas.

Escolhendo suas palavras com cuidado excepcional, Deng respondeu:

— Há espaço para considerar várias maneiras de como abordar essa questão dentro do tratado.

Com isso, pensou Shin-iti, a posição chinesa com relação ao pacto estava clara em sua maior parte.

Ele também tinha grandes esperanças de paz e amizade entre a China e a União Soviética. Desejando abordar o tema, comentou:

— Acredito que a atitude da União Soviética em relação à China e seus oitocentos milhões de pessoas sem dúvida mudará gradualmente também.

PARTE 37

O vice-primeiro-ministro Deng Xiaoping mostrou-se interessado nas palavras de Shin-iti Yamamoto, dizendo:

— Sempre houve boas relações entre o povo da China e o da União Soviética. O problema é com os líderes. Tudo depende de quem serão os novos líderes. Porém, não estamos preocupados que a União Soviética invada a China.

Sem dúvida, o vice-primeiro-ministro, que repetidamente tinha

PARTE 37

Xiaoping mostrou-se interessado nas palavras de Shin-iti Yamamoto, dizendo:

— Sempre houve boas relações entre o povo da China e o da União Soviética. O problema é com os chefes de governo. Tudo depende de quem serão os novos líderes. Porém, não estamos preocupados com a invasão da União Soviética.

Sem dúvida, o vice-primeiro-ministro, que repetidamente havia direcionado à União Soviética duras críticas, tinha acatado em seu coração a mensagem entregue por Shin-iti ao líder chinês com relação à declaração do primeiro-ministro soviético Aleksey Kosygin afirmando que a União Soviética não invadiria a China.

No final da reunião, o vice-primeiro-ministro Deng manifestou sua sincera gratidão pelas contribuições de Shin-iti, destacando que a promoção da amizade em nível pessoal seria extremamente importante para maior desenvolvimento das relações sino-japonesas. O presidente Yamamoto comentou:

— O futuro da China repousa sobre seus ombros. Por favor, mantenha-se firme e forte pelo bem dos chineses e das boas relações entre a China e o Japão.

Shin-iti apertou vigorosamente a mão do vice-primeiro-ministro antes de partir do Grande Salão do Povo.

De volta ao hotel, ele comentou com sua esposa, Mineko:

— Parece que o primeiro-ministro Zhou Enlai tem a intenção de confiar o futuro ao vice-primeiro-ministro Deng. Quando encontrei Zhou no ano passado, ele comentou que sabia de minha conversa com o vice-primeiro-ministro. Assim sendo, não havia necessidade de eu repetir todos os detalhes do diálogo. Entendo isso como um sinal da sua genuína confiança em Deng.

O primeiro-ministro acreditava que a China não teria futuro se a Gangue dos Quatro, uma proeminente força por trás da Revolução Cultural em andamento, manifestasse poder irrestrito depois de sua morte. Como forma de impedir isso, ele empenhou esforços para que Deng tomasse a liderança como seu sucessor.

Zhou Enlai e Deng Xiaoping começaram sua longa amizade em 1922, quando os dois moravam na França como estudantes estrangeiros (imagem capa). Zhou tinha vinte e quatro anos, e Deng, dezoito. Eles trabalharam juntos no alojamento de Zhou para publicar materiais revolucionários e frequentemente falavam sobre o futuro da China. Como companheiros e amigos, encararam numerosas dificuldades e desafios incluindo a Longa Marcha, a guerra da resistência contra a agressão japonesa e o estabelecimento da República Popular da China.

O filósofo suíço Carl Hilty (1833–1909) declarou certa vez que “Não existe laço mais forte que o sofrimento suportado junto por verdadeiros e leais amigos”. Quando as pessoas compartilham dificuldades, elas conhecem o verdadeiro caráter de cada uma. A adversidade testa o valor de uma pessoa, trazendo à tona o real aspecto.

PARTE 38

Durante a Revolução Cultural, Deng Xiaoping foi denunciado como “seguidor capitalista” e punido. Para ele, foi um momento de grande infortúnio e abuso, forçado a confessar seus erros diante do povo, sofrendo tanto prisão domiciliar e o cárcere. Também foi enviado para trabalhar no campo por mais de três anos.

A perseguição se estendeu até mesmo a seus familiares. Seu filho mais velho acabou paraplégico após um assalto. Seu segundo filho foi enviado a um vilarejo rural e forçado a trabalhar exaustivamente. Todos consideraram a carreira política de Deng finalizada.

Porém, o primeiro-ministro Zhou Enlai protegeu Deng discretamente, aguardando pela oportunidade de inseri-lo outra vez aos círculos internos do governo. Foi um ano após a reabilitação política de Deng que Shin-iti Yamamoto conheceu Zhou e o vice-primeiro-ministro.

Em 23 de dezembro de 1974, dezoito dias após seu encontro com Shin-iti, o primeiro-ministro viajou a Changsha, província de Hunan, para se encontrar com o presidente Mao Tsé-tung. Zhou procurou obter o consentimento do presidente para conceder autoridade ainda maior a Deng.

Doente, o primeiro-ministro arriscou a vida fazendo essa longa viagem. Ele mal podia ficar de pé e suas mãos tremiam. Precisava de ajuda até mesmo para embarcar no avião.

Estava tão fraco que teve dificuldades em remover as embalagens dos doces servidos durante o voo. No entanto, o primeiro-ministro estava determinado a se encontrar com o presidente Mao e fazer o possível para interromper a ação da Gangue dos Quatro pelo bem do futuro.

Zhou Enlai recebeu a aprovação do presidente e, no Quarto Congresso Popular Nacional, realizado no mês seguinte (janeiro de 1975), Deng foi nomeado vice-primeiro-ministro executivo do Conselho do Estado e vice-presidente da Comissão Militar Central. Agindo em nome do primeiro-ministro acamado, Deng assumiu total responsabilidade e trabalhou incansavelmente.

O primeiro-ministro foi operado em setembro de 1975, quatro meses antes de seu falecimento. Pouco antes do procedimento, chamou por Deng que correu ao seu encontro. Zhou fitou-o e fez um grande esforço para alcançar a mão de Deng. Reunindo suas últimas reservas de energia, disse:

— Você foi muito bem este ano. Agora está mais forte que eu.

Deng foi tomado pela emoção.

Uma famosa passagem de Registros do Grande Historiador diz: “O homem virtuoso morrerá pelo bem daquele que o conheça verdadeiramente”.

PARTE 39

Em janeiro de 1976, Zhou Enlai faleceu. A Gangue dos Quatro atacou Deng Xiaoping que, outra vez, foi expulso do poder. Porém, um mês após o presidente Mao morrer, em setembro do mesmo ano, a Gangue dos Quatro foi presa. Em julho de 1977, Deng retornou ao seu partido e em sua posição no governo. Mais uma vez, voltou à ativa como vice-presidente do Partido Comunista e vice-primeiro-ministro.

Quando algo verdadeiro e justo é derrotado, é rotulado como errado e ruim. É triste, mas é uma realidade social que pode ser observada ao longo da história. Portanto, aqueles que seguem o caminho da justiça não podem ser derrotados.

Em agosto de 1978, o Tratado de Paz e Amizade entre o Japão e a China foi assinado em Pequim pelos respectivos ministros do exterior dos dois países.

Em outubro, Deng Xiaoping e o ministro do exterior Huang Hua visitaram o Japão para participar de uma cerimônia na qual foram trocados instrumentos de ratificação pelos ministros do Exterior. O Japão foi representado na cerimônia pelo primeiro-ministro, Takeo Fukuda, e pelo ministro de Relações Exteriores, Sunao Sonoda (1913–1984). Finalmente, o tratado foi selado.

O acordo é composto por um preâmbulo e cinco artigos. O preâmbulo afirma que o tratado foi celebrado com a esperança de contribuir para a paz e estabilidade na Ásia e no mundo e seu objetivo é solidificar e desenvolver as relações de paz e amizade entre o Japão e a China.

A cláusula anti-hegemônica faz parte do segundo artigo, idêntica em conteúdo ao comunicado conjunto anterior: “As partes contratantes declaram que nenhuma delas deve buscar a hegemonia na região da Ásia-Pacífico ou em qualquer outra região e que cada uma se opõe aos esforços de qualquer país ou grupo de países de obter tal hegemonia”.

E o quarto artigo declara: “O presente Tratado não deve afetar a posição das partes contratantes nas suas relações com outros países”. Essa declaração foi incluída levando-se em consideração a União Soviética.

Em abril de 1975, Shin-iti voltou ao Japão após sua terceira visita à China e se reuniu com o então vice-primeiro-ministro, Takeo Fukuda, informando-o da posição chinesa sobre o Tratado de Paz e Amizade. Fukuda expressou seu profundo agradecimento ao presidente Yamamoto por seus esforços.

O Tratado de Paz e Amizade entre o Japão e a República Popular da China foi concluído quase uma década depois da primeira menção de Shin-iti, em junho de 1969, da importância de tal pacto em seu romance Revolução Humana [no capítulo “Guerra e Paz”, volume 5]. A história estava sendo construída.

PARTE 40

Após seu encontro com o vice-primeiro-ministro Deng, na tarde de dezesseis de abril, Shin-iti e comitiva visitaram a Escola de Quadros 7 de Maio, nos arredores de Pequim. No dia seguinte, eles receberam a visita do presidente da Associação pela Amizade Sino-Japonesa, Liao Chengzhi, e sua esposa.

Na época, o presidente Liao passava por um tratamento de saúde. Mas seus médicos lhe deram permissão para sair do hospital por um dia e ele foi ver Shin-iti.

O presidesnte Yamamoto ficou emocionado e feliz quando soube que o presidente Liao queria visitá-lo. Isso porque havia sido informado que seu amigo estava doente e teve receio que não pudesse encontrá-lo durante essa viagem. Porém, imediatamente após concordar com a visita, refletiu com arrependimento. Afinal, o presidente Liao estava doente, e fazê-lo deixar o hospital para realizar a visita certamente não seria bom para sua saúde. Pensou se deveria encontrar uma forma educada para recusar o pedido. Por fim, decidiu ir em frente com a reunião, mas que fosse a mais breve possível. Consideração genuína com os outros é sempre manifestada em expressões concretas de reflexão.

Durante o reencontro com o presidente Liao, a primeira desde a sua segunda viagem à China quatro meses antes, Shin-iti notou que ele parecia um pouco abatido. No entanto, Liao exibiu seu caloroso sorriso característico e disse:

— Na verdade, estou muito melhor agora. Estive muito doente para ir ao seu encontro no aeroporto quando chegou aqui. Mas agora, estou muito melhor.

Ficou claro que, apesar da doença, ele tinha a intenção de estar lá pessoalmente para receber Shin-iti Yamamoto, o qual estava tocado por sua sinceridade.

— Isso não é necessário, comentou. — Eu não esperava que viesse me receber no aeroporto. Por favor, não se preocupe com isso. O importante é a sua saúde.

Foi um momento sincero de preo­cupação mútua. Shin-iti também presenteou Liao com a edição japonesa do livro Escolha a Vida, seu diálogo com o historiador britânico Arnold J. Toynbee (1889–1975). Nele, escreveu uma dedicatória: “Querido Liao Chengzhi, estou orando única e exclusivamente para a sua saúde e para o bem do futuro da China e do Japão”.

Shin-iti explicou:

— Este livro foi publicado recentemente e o senhor é a primeira pessoa na China a quem estou presenteando. É um líder importante no seu país. Por favor, fique bem e viva por longo tempo.

Liao assentiu alegremente.

Naquela noite, no hotel, Shin-iti e sua esposa ficaram até tarde recitando Daimoku para a saúde do presidente Liao.

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