BS
Pelo Mundo
há 6 anos
O som da capital da música
Destemido, Rodolfo fez dos desafios o impulso para realizar o sonho de viver na Alemanha
10/09/2020

REDAÇÃO
Ainda na infância, Rodolfo demonstra amor e talento para música; e aos 10 anos, começa a tocar violino. Aos 29, ele relata os desafios e as conquistas de viver de música em Berlim, Alemanha.
Brasil Seikyo: O que fez você decidir morar na Alemanha?
Rodolfo Inokawa: Na adolescência, venci algumas audições em São Paulo, onde morava, que me garantiram bolsas de estudo. Em 2012, ao tocar em concertos no exterior integrando uma orquestra, visitei Berlim e determinei um dia viver aqui. A partir de então, meus objetivos profissionais e meu desejo de lutar pelo avanço do movimento Soka na Europa se transformaram em uma coisa só em meu coração.
BS: Naturalmente, você enfrentou desafios até chegar ao seu objetivo
RI: Sim. Pouco tempo depois de comprar a passagem de ida, meu pai perdeu o emprego. Com isso, não podia mais me ajudar financeiramente, como planejou, mas decidi vir mesmo assim. Em meu coração, havia determinado transformar qualquer dificuldade em fonte de felicidade e de inspiração para mim e para os outros. Em setembro de 2015, eu me mudei para Berlim, depois de ter vendido tudo o que tinha, com exceção do meu instrumento, das partituras e de algumas roupas.
BS: Como foi essa transição?
RI: A Alemanha tem uma grande tradição, além de estrutura e educação musical avançadas. Logo que comecei a estudar com minha nova professora, muitas vezes voltava para casa querendo chorar, pois o nível técnico e artístico dos outros alunos era extremamente alto. Além disso, meu dinheiro se esgotou e não tive escolha a não ser tocar violino em estações de trem e de metrô.
Os desafios constantes e a distância da família me levaram ao limite. Porém, os membros da SGI-Alemanha me encorajaram de tal forma que nunca me passou pela cabeça desistir. Segui me esforçando e recitando daimoku, pois percebi que na vida não existe alternativa a não ser se levantar dia após dia e continuar lutando.
BS: Qual foi o resultado dessa persistência?
RI: Um dia, quando tocava numa estação de metrô, uma jovem estudante de música me convidou para participar de um projeto com talentosos jovens músicos, sendo a primeira vez que fui pago para tocar um concerto aqui. Assim, construí uma rede de contatos que até hoje me fornece trabalho.
Dois anos mais tarde, fiz concertos na Turquia e na China com orquestras profissionais, e com a ajuda de um professor consegui um violino muito precioso; um benefício extraordinário para mim.
Meu objetivo era continuar os estudos e, depois de um ano e meio de tentativas sem sucesso, fui aceito para estudar teoria musical e literatura alemã na Universidade Humboldt, em Berlim. Continuei com as aulas particulares com meu professor e participando de cursos práticos com violinistas renomados. O dia a dia era exaustivo, pois, além disso, trabalhava em hotéis, muitas vezes limpando o chão ou polindo taças.
BS: Você conseguiu manter contato com a organização local?
RI: Entrei para o grupo de bastidores Sokahan e apoiava diversas atividades em Berlim, Frankfurt e Bingen. Motivado, ensinei o budismo para duas amigas que decidiram praticá-lo.
Em novembro de 2018, tive a chance de levar essas vitórias para o Japão ao participar de um curso de aprimoramento da Divisão dos Jovens da SGI-Europa, nesse país, algo que para sempre será uma das memórias mais bonitas da minha vida.
BS: O que mudou depois da viagem?
RI: Voltei bastante confiante. Meses depois, em abril de 2019, participei de uma audição para dar aulas no conservatório estatal de Berlim; um emprego fixo, com ótimo salário, numa instituição renomada. Durante as demonstrações de aula, senti que aquele emprego era minha missão e toquei com esse sentimento. No fim do dia, o chefe do departamento de cordas me comunicou ao telefone que eu havia sido aprovado. Chorei de alegria e de gratidão, e fiquei emocionado com o enorme poder do budismo.
Hoje, leciono para 24 jovens, incrivelmente talentosos, que se desenvolveram bastante durante a quarentena. Em maio retomamos as aulas presenciais e estou muito feliz.
Trabalhar com eles é uma honra e enorme satisfação para mim. Minha atuação como músico nunca foi tão reconhecida e valorizada, principalmente por mim, que mudei meu coração e passei a admirar ainda mais meu trabalho. Sigo sem medo do futuro. Estou determinado a me esforçar ainda mais pela felicidade das pessoas na Alemanha, meu palco do kosen-rufu.
Compartilhe
