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Especial
há 5 anos
A vitória começa em casa
A revitalização das famílias é uma importante discussão para vencer os desafios da pandemia e criar uma sociedade de paz
A revitalização das famílias é uma importante discussão para vencer os desafios da pandemia e criar uma sociedade de paz
26/08/2021

REDAÇÃO
É fato que as esferas do contexto social tenham sofrido os impactos da pandemia do coronavírus. E uma das que mais enfrentam desafios é a familiar. Mundo afora, inúmeras famílias têm sido severamente afetadas de diferentes maneiras, a todo momento. Por outro lado, com base na filosofia do humanismo Soka, não é exagero dizer que a revitalização das famílias contribui com a reestruturação da sociedade pós-pandemia. Isso a partir da transformação positiva de cada pessoa disposta a criar a harmonia, com a convicção de não deixar ninguém para trás. A esse respeito, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, afirma:
A família e o lar são o alicerce de comunidades e sociedades prósperas. O crescimento de cada membro da família, tendo como base o respeito e o encorajamento mútuos e a construção de um ambiente de harmonia e cooperação no lar — a menor unidade social — constitui o ponto de partida para a paz.1
Desafio constante
De 2020 para cá, a crise causada pela pandemia do coronavírus redesenhou o cotidiano das famílias, e mais que isso, deixou sua marca em cada uma delas. Como parte dos primeiros desafios, veio o desemprego. Várias empresas registraram quedas acentuadas nos ganhos, resultando em demissões em massa e na significativa diminuição da renda familiar. Fala-se sobre os órfãos dessa pandemia, a respeito dos conflitos de convívio e da desestruturação de muitas famílias.
Ainda no início do distanciamento social, em abril de 2020, por exemplo, as denúncias de violência doméstica já haviam aumentado quase 40% em relação ao mesmo período de 2019.2 E o número de divórcios realizados em cartórios no Brasil foi o maior da história no segundo semestre de 2020, quando foram contabilizados 43,8 mil processos.3
Quando a sociedade está em crise, o lar é o lugar mais afetado. Uma família que perdeu sua estrutura tem mais dificuldades para enfrentar os problemas. É como se cada membro tivesse uma vida individual, focada apenas em si. No livro A Família Criativa, o presidente Ikeda traz esta questão:
No lar a pessoa se sente livre para deixar cair suas armaduras e revelar os próprios sentimentos. Consequentemente, em nenhum outro lugar o lado feio e angustiado da natureza humana é tão evidente. É inevitável que, quando as pessoas abandonam suas restrições e permitem seu lado menos atraente aparecer, o resultado seja frequentemente o conflito.4
Apesar de não existir um manual da convivência familiar, a referência parte do diálogo sincero da criatividade e do respeito entre seus integrantes para assegurar um bom relacionamento.
Ivoneth Cardoso da Silva é vice-responsável pela Divisão Feminina da Comunidade Laranjal do Jari, na Área Amapá, AP. Após ela e a família inteira terem vencido a Covid-19, no ano passado, precisaram sair da casa em que moravam no Laranjal do Jari. “O dono do imóvel que alugávamos resolveu encerrar o contrato, mas não me desesperei, pois havia determinado sair do aluguel e ir para nossa casa própria, que estava sendo construída. Tivemos de antecipar os planos.”
Nessa hora, a família se uniu e arregaçou as mangas num mutirão para terminar a obra. “Levantamos a casa junto com o pedreiro, ajudando em tudo o que era possível (risos) e encerramos o contrato do aluguel na data correta. Desde janeiro de 2021, estamos morando no nosso ‘castelo’ e ainda conseguimos instalar internet — algo muito difícil aqui no meio do mato — para participar das reuniões on-line da organização. Quanta alegria! Isso não seria possível sem nosso daimoku e nosso companheirismo. No momento de aperto, todos abraçam a causa e vencem juntos!”, explica Ivoneth.
Família criativa
O presidente Ikeda propõe a sociedade criativa, a partir da ideia de uma rede de grupos familiares dinâmicos:
A família criativa ou lar criativo a que me refiro é como uma escola em que as pessoas se empenham para o seu próprio aprimoramento e de outros, valendo-se do amor que flui entre eles. Acredito que são as pessoas criativas que trarão a mudança ao mundo.5
Em outras palavras, cada integrante da família deve se esforçar com sinceridade mesmo nas pequenas tarefas. Nesse sentido, um lar representa o local ideal para cultivar a compaixão, o amor e a confiança, além de representar uma chance para se aprimorar, compartilhar, lapidar o caráter e exercer o diálogo. É fazer revolução humana em meio ao cotidiano. O presidente Ikeda complementa:
A família pode ser descrita como um organismo. Se pensarmos na sociedade como um corpo humano, então cada família é um grupo de células. Algumas famílias movem-se por esse corpo, enquanto outras permanecem fixas. Cada unidade familiar deve viver em harmonia com a sociedade como um todo; caso contrário, não sobreviverá. Se, por outro lado, cada uma das células não funcionar plenamente, com toda a vitalidade, não se pode esperar que a sociedade progrida. A família é como um grupo de células que se desenvolve por meio dos esforços de cada um dos integrantes. Ela é a unidade básica que determina a direção da sociedade.6
“Prática da fé para criar a harmonia familiar”
Família é tema central e recorrente nos escritos de Nichiren Daishonin. Outro exemplo está no romance Nova Revolução Humana, em que o presidente Ikeda ilustra várias histórias de famílias que venceram a partir da união, tornando-se grandes exemplos de superação.
Por isso, “Prática da fé para criar a harmonia familiar” é a primeira das “Cinco diretrizes eternas da Soka Gakkai”.
Criar harmonia na família é fundamental porque, em termos práticos, consiste no caminho infalível para a concretização do kosen-rufu. Tudo começa na família.
Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, cita:
A família compõe a base da sociedade. E a prática da fé para criar a harmonia familiar é fonte de energia para a construção de uma família sólida. Essa fé é condição indispensável para a felicidade de cada família e para o desenvolvimento da sociedade como um todo.7
Mas como consolidar a harmonia familiar, que representa um modelo em miniatura da paz mundial?
Ikeda sensei responde:
Em primeiro lugar, nós próprios devemos nos esforçar para sermos pessoas alegres e radiantes, cuja presença no lar envolva todos os familiares com a luz da compaixão. Em segundo, precisamos nos respeitar mutuamente, reconhecendo que os vínculos familiares entre pais e filhos ou entre cônjuges e parceiros consistem em laços cármicos que se estendem pelas três existências — passado, presente e futuro. Em terceiro, devemos prestar uma contribuição positiva à sociedade e trabalhar para desenvolver sucessores que também façam o mesmo.8
Família Soka
Preste atenção ao redor e verá que existem pessoas que moram sozinhas ou não são casadas. Alguns casais não têm filhos. Isso sem contar as famílias monoparentais. Enfim, existem famílias de todos os formatos e tamanhos.
A família Soka representa um excelente modelo de núcleo de criação de valorosos seres humanos, no qual cada indivíduo compartilha suas adversidades e conquistas. Um enaltece o crescimento do outro e se inspiram mutuamente. Ninguém fica para trás.
No mundo inteiro, os membros da Soka Gakkai e da SGI se esforçam para edificar a harmonia familiar, criando um oásis de paz e segurança na sociedade. Suas famílias são o sol da esperança, fruto de uma religião humanística, e a chave para a construção da paz e da coexistência harmoniosa.
Notas:
1. Brasil Seikyo, ed. 2.352, 31 dez. 2016, p. B1.
2. https://www.gov.br/mdh/pt-br
3. https://www.notariado.org.br/
4. IKEDA, Daisaku. A Família Criativa. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 33.
5. Ibidem, p. 24 e 25.
6. Ibidem, p. 19.
7. Brasil Seikyo, ed. 2.352, 31 dez. 2016, p. B1.
8. Idem.
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