BS
Relato
há 2 anos
Nas asas da esperança
Ao assumir o ideal de honrar a história de sua família e agir no local em que o Mestre não pode estar, Aline aprimora a arte do voo pela paz e segue sua jornada com segurança e alegria
Redação
11/07/2024

Meu nome é Aline Yukari Oda Fugimoto, tenho 31 anos, moro em São Bernardo do Campo, SP, e sou da terceira geração de praticantes da família. Observando a luta deles, compreendi o que é ter um mestre na vida.
Aos meus 7 anos, minha avó materna, Izaura Oda, sofreu um AVC hemorrágico. Contrariando os prognósticos da equipe médica, ela sobreviveu, mas ficou com sequelas que a limitavam nas atividades mais básicas. Não reconhecia as pessoas, nem mesmo os próprios filhos. Então, ela veio morar conosco, e lembro-me do dia em que chegou do hospital. Como esperado, não me reconheceu nem os demais familiares. Porém, ao avistar o oratório, ela recitou Nam-myoho-renge-kyo.
Comecei a auxiliar nos cuidados diários da minha avó que, aos poucos, recuperou o movimento e algumas lembranças. Gradativamente, ela foi reconhecendo a todos e se mostrando mais lúcida. Em meio a uma rotina desafiadora, sempre a via cantarolando a música Mais um Dia Feliz, da Divisão Feminina (DF) da BSGI, o que me fez perceber que, mesmo nas situações mais adversas, ainda existia alegria. Ela se foi em junho de 2022, com 86 anos. A partir de então, realizo meu encontro com ela todos os dias em minha oração.
Os avós maternos da relatante
Meus pais, Lilian e Sérgio Fugimoto, sempre me incentivaram a participar das atividades da Gakkai. Aos 5 anos, passei a integrar a banda Asas da Paz Kotekitai do Brasil, grupo no qual permaneci por vinte anos e pelo qual tive a oportunidade de fazer um curso de aprimoramento (kenshukai) no México, ao lado de representantes da banda e do Grupo Arco-Íris (GAI). Foi com a Kotekitai que pude me fortalecer como discípula Ikeda e, assim, realizar cada um dos meus sonhos.
Com as companheiras da banda Asas da Paz Kotekitai do Brasil
Missão universitária
Um dos meus sonhos era estudar na Universidade de São Paulo (USP). Em 2018, formei-me em terapia ocupacional nessa renomada instituição, em um curso denso com carga horária integral. Para arcar com os custos de transporte e outros gastos, busquei uma bolsa de iniciação científica. Paralelamente, produzia tortas e as vendia na faculdade. Era com esse dinheiro que eu fazia o Kofu (contribuição financeira voluntária).
Como integrante da Divisão dos Universitários (DUni) da BSGI, eu me dividia entre a responsabilidade pela minha localidade e a atuação como secretária do polo USP, que reúne alunos da universidade membros da Gakkai. Um período desafiador para conciliar tudo. O trajeto até a faculdade era longo e eu utilizava esse tempo para a leitura dos periódicos da Editora Brasil Seikyo. Em um desses momentos, li um trecho no jornal Brasil Seikyo no qual Ikeda sensei compartilhava seu sentimento ao escrever a obra Nova Revolução Humana:
Encontro do polo USP da DUni
Se fosse possível, queria enviar cartas de agradecimento e de incentivo a todos os companheiros, a cada um. No entanto, meu corpo é apenas um. Então, empenho-me no romance Nova Revolução Humana com o sentimento de estar escrevendo cartas todos os dias.1
Naquele momento refleti sobre como poderia contribuir com minha atuação para os grandiosos esforços do Mestre. Estava no último ano da faculdade e com o trabalho de conclusão de curso (TCC) já iniciado. No entanto, com esse sentimento, retomei o estudo da Proposta de Paz, de autoria do presidente Ikeda, daquele ano e ajustei o trabalho final, abarcando um dos principais temas abordados no documento: a população refugiada. Naquele mesmo ano, fui convidada a apresentar meu TCC no Departamento de Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia e Fisioterapia da USP, ocasião em que eu tive a chance de falar sobre Ikeda sensei e de transmitir seus ideais de paz para alunos e professores.
Graduei-me e me aprimorei. Em julho do ano passado, conquistei a oportunidade de trabalhar na empresa que melhor reconhece minha profissão na América Latina dentro da minha área de atuação.
Chegou 2024 e estamos como?
Na RM São Bernardo, onde atuo, avançamos no movimento dos cem jovens por distrito por meio do engajamento das cinco divisões, coroando a grandiosa vitória na Convenção Juventude Soka Esperança do Mundo.
Um mês depois, participei de um curso de aprimoramento dos jovens no Japão, uma conquista em meio aos desafios do trabalho e com o desejo de representar os universitários da BSGI neste significativo ano em que a DUni completa quarenta anos de fundação.
Diante das negativas que recebi sobre a possibilidade de obter uma licença do trabalho, minha avó paterna, Maria Fugimoto, comentou que, ao rever os pertences do meu avô, Hideo Fugimoto, que faleceu quando eu estava com 9 anos, havia encontrado uma orientação do sensei que ele sempre carregava no bolso da camisa. Segundo contam, meu avô possuía uma forte relação com Ikeda sensei, trazendo consigo o intenso estudo dos escritos de Nichiren Daishonin. Era um porta-cartão: de um lado, havia uma foto do sensei e, do outro, uma orientação. Atrás, continha uma anotação do meu avô na qual ele falava da sua convicção em realizar e atrair tudo o que precisava e desejava, com base na prática da fé. Retornei para minha casa, coloquei seu escrito em meu oratório e determinei a vitória ao lado do meu companheiro, Otávio Santos. No significativo 3 de maio, recebi a confirmação da BSGI da minha ida ao Japão. Após a notícia, recitei daimoku em gratidão: “Ba (vó), Ji (vô), estamos indo ao Japão! Espero que estejam felizes”.
Momentos em família. A partir da esq., à frente, com a avó paterna, Maria Tamiko; ao lado, o namorado de Aline, Otávio; ao fundo, o irmão da jovem, Victor; e os pais Lilian e Sergio
Tenho plena consciência de que todos os desafios até então me prepararam para que hoje eu tivesse a exata condição de ir às terras do Mestre, representando a DUni e a Juventude Soka. Trago no coração a missão de dar um renovado passo para agir no lugar de Ikeda sensei, em meio às pessoas do povo, sendo exemplo na sociedade, na família e na organização, atuando com paixão ainda maior em prol do movimento pela paz que abraçamos. Que venha o que vier!
Segura a bandeira da Divisão dos Universitários (DUni) à frente de um dos prédios da Universidade Soka nas terras do Mestre.
Aline Yukari Oda Fugimoto, 31 anos. Terapeuta ocupacional. Na BSGI, é responsável pela Divisão Feminina de Jovens da RM São Bernardo (CGSP) e secretária da Divisão dos Universitários (DUni) da BSGI.
Nota:
1. Brasil Seikyo, ed. 2.363, 18 mar. 2017, p. A3.
Fotos: BS | Arquivo pessoal
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