marcar-conteudoAcessibilidade
Tamanho do texto: A+ | A-
Contraste
Nova Revolução Humana
há 5 meses

Florescer do budismo do povo

Capítulo “Juramento Seigan”, volume 30

Dr. Daisaku Ikeda

25/09/2025

Florescer do budismo do povo

Ilustrações: Kenichiro Uchida 

Parte 69

Em relação aos funerais, retornando ao verdadeiro significado dos ensinamentos de Nichiren Daishonin e pesquisando sobre a evolução histórica desses rituais, a Soka Gakkai passou a realizar cerimônias conduzidas por amigos e membros da organização sem a presença de sacerdotes.

Nichiren Daishonin afirmou: “Uma vez que seu amado pai recitou Nam-myoho-renge-kyo em vida, ele atingiu o estado de buda na forma que se apresentava”1 e “Uma vez que seu falecido marido foi um devoto deste sutra, certamente atingiu o estado de buda exatamente como ele era”.2

Essas passagens dos escritos indicam que o estado de buda se define pela fé e pela recitação de daimoku em vida da pessoa falecida. Não há nenhuma orientação de Daishonin de que o falecido não atinge o estado de buda se a cerimônia de funeral não for conduzida por um sacerdote.

Com relação ao costume de dar nomes póstumos ao falecido, isso se originou da tradição budista japonesa de conferir nomes às pessoas que ingressavam no sacerdócio e aceitavam os preceitos, naturalmente. Na época de Daishonin, não era usada a designação de nomes póstumos budistas. Essa prática simplesmente foi adotada depois pelo clero da Nichiren Shoshu. A designação de nomes póstumos nada tem a ver com o fato de o falecido atingir ou não o estado de buda.

O Budismo de Daishonin não é um ensinamento voltado para a realização de ritos fúnebres, mas uma religião que capacita as pessoas a viver felizes pelas “três existências” — passado, presente e futuro.

Os cemitérios parques memoriais da Soka Gakkai em diversas localidades do Japão são concebidos com senso de radiância e de igualdade de todos, embasado nessa visão budista da vida e da morte.

Cemitério Parque Memorial Toda, em Atsuta, Hokkaido

Cemitério Parque Memorial Toda, em Atsuta, Hokkaido

Quando a Soka Gakkai começou a realizar cerimônias de funerais entre leigos, elas foram recebidas favoravelmente, com elogios não apenas de seus membros, mas dos amigos não membros da organização.

Surgiram comentários:

“Os funerais costumam ser sombrios e tristes, mas as cerimônias fúnebres realizadas pela Soka Gakkai são refrescantes e radiantes, e transmitem um sentimento de esperança em relação à partida do falecido. Elas são uma expressão da atitude positiva da Soka Gakkai em relação à vida e à morte”.

“Hoje, as pessoas tendem a contratar serviços de terceiros para quase tudo. Pedir a sacerdotes para realizar a leitura de sutras em um funeral pode ser visto como exemplo disso. Mas nos funerais da Soka Gakkai, os próprios familiares e amigos recitam passagens dos sutras e daimoku para a eterna felicidade do falecido. Fiquei impressionado com a sua profunda sinceridade. Sinto que essa é a postura correta para nos despedirmos do falecido”.

Parte 70

Em relação aos funerais entre amigos e membros realizados pela Soka Gakkai, um estudioso os descreveu: “Uma mudança revolucionária nas práticas fúnebres japonesas”; “Pela sua natureza vanguardista, eles podem enfrentar resistência dos mais conservadores, mas claramente será o sistema de funerais do futuro”; e “O desenvolvimento da Soka Gakkai e a velocidade de seu avanço só podem ser chamados de milagrosos. Em apenas três décadas derrubou o sistema paroquiano budista no Japão que foi estabelecido ao longo de três séculos”.

Quando a natureza autoritária da Nichiren Shoshu ressurgiu com força total após a ocorrência da primeira problemática do clero, os membros da Soka Gakkai de todo o Japão se levantaram na reforma religiosa da era Heisei3 com base no verdadeiro significado do Budismo Nichiren.

A chegada da “Recomendação para Dissolução da Soka Gakkai” [em 8 de novembro de 1991] da Nichiren Shoshu estimulou a determinação dos membros da organização em lutar pelas reformas. Iniciou-se o movimento de abaixo-assinado exigindo a renúncia de Nikken Abe do posto de sumo prelado pela tentativa de destruir a Ordem budista harmoniosa em prol do kosen-rufu, violando os ensinamentos corretos de Nichiren Daishonin.

Às vésperas do dia 18 de novembro, Dia da Fundação da Soka Gakkai, em menos de dez dias foram coletados cerca de 5 milhões de assinaturas. Era o testemunho da tamanha indignação dos membros contra a ação totalmente irracional tomada pelo clero em relação à Soka Gakkai.

Paralelamente, os membros possuíam um forte sentimento de que havia chegado o momento de o budismo do povo, de Nichiren Daishonin, florescer ao mundo. Os ditos dourados de Daishonin — “Os três poderosos inimigos vão se levantar sem falta”4 — se tornaram realidade.

Antes de 1991, a Soka Gakkai sofrera numerosos ataques de calúnias e difamações por parte do primeiro dos “três poderosos inimigos” — leigos arrogantes — por ignorarem o budismo. Também sofrera ataques do segundo — sacerdotes arrogantes, que não buscam os verdadeiros ensinamentos do budismo, permanecendo apegados às próprias opiniões.

Até então, não experimentara o terceiro — ataques dos sacerdotes respeitados como sábios, que ocupam alto escalão no sacerdócio e, com maldade no coração, perseguem os devotos do Sutra do Lótus. E agora, com Nikken, o sumo prelado, surgia a opressão contra a Soka Gakkai, organização que promove o kosen-rufu — a ordem e o desejo do Buda. Era prova clara de que a Soka Gakkai estava praticando o Sutra do Lótus na atualidade em exato acordo com os ditos dourados de Nichiren Daishonin.

Parte 71

Em 29 de novembro, três semanas após a organização ter recebido a “Recomendação para Dissolução da Soka Gakkai” da Nichiren Shoshu, chegou outro documento intitulado “Notificação de Excomunhão da Soka Gakkai”. Esse documento afirmava que a Nichiren Shoshu excomungava a Soka Gakkai porque a organização não havia cumprido as exigências especificadas em sua notificação anterior de sua dissolução. Informava também que a excomunhão se estendia a todas as organizações da SGI, àquelas que aceitam e seguem o direcionamento da Soka Gakkai.

Os líderes pioneiros que haviam se convertido na época do primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, e após a Segunda Guerra Mundial lutaram na reconstrução da organização em torno do segundo presidente, Josei Toda, e vieram observando a real natureza do clero, e a partir de então condenaram a ardilosa estratégia de Nikken. Eram o presidente do conselho de orientação Hiroshi Izumida, e o presidente e a vice-presidente do conselho consultivo Hisao Seki e Katsu Kiyohara, entre outros.

Totalmente indignado, Izumida manifestou:

— Quem eles excomungaram? Normalmente, a excomunhão é uma ação contra indivíduos, mas eles dizem que estão excomungando as organizações da Soka Gakkai e da SGI. Afirmam que os membros mantêm sua posição como crentes leigos da Nichiren Shoshu, e clamam para que estes abandonem a organização. O motivo real de “roubar nossos membros” e torná-los paroquianos dos templos da Nichiren Shoshu é descaradamente óbvio.

— O autoritarismo, o interesse próprio, a covardia e a desonestidade do clero não mudaram nada desde o passado. Os sacordotes não têm fé. É por isso que durante a Segunda Guerra Mundial eles aceitaram o talismã xintoísta e excluíram trechos do Gosho de Nichiren Daishonin. E sempre que surge alguma questão entre o clero e a Soka Gakkai, recusam-se a conceder o Gohonzon aos nossos membros, usando o objeto de devoção como ferramenta para manipular os adeptos leigos.

— Também devemos notar que eles tentaram romper os laços de mestre e discípulo da Soka Gakkai.

— Há o incidente envolvendo Jiko Kasahara, mau sacerdote que durante a Segunda Guerra Mundial defendeu a doutrina herética da superioridade da divindade xintoísta sobre o Buda. Em 1952, durante a peregrinação comemorativa dos 700 anos de fundação do Budismo de Nichiren Daishonin, os jovens da Soka Gakkai fizeram-no pedir desculpas diante do túmulo de Makiguchi sensei. Naquela ocasião, o conselho do clero da Nichiren Shoshu determinou a exoneração do cargo de representante dos adeptos leigos de Toda sensei e a proibição de sua peregrinação ao templo principal. Assim, punindo apenas o presidente Josei Toda, os reverendos tentaram criar uma divisão entre ele e os membros da organização, cortando os laços de mestre e discípulo Soka e tentando levar os membros sob o controle do clero.

Parte 72

A Soka Gakkai é uma reunião de bodisatvas da terra comprometidos com a missão de realizar o kosen-rufu cuja linha vital é a relação entre mestre e discípulo. É por isso que o demônio do sexto céu, cujo intento é destruir o movimento pelo kosen-rufu, utiliza as mais variadas estratégias para cortar a relação de mestre e discípulo Soka.

Líderes praticantes desde os primórdios da Soka Gakkai como Hiroshi Izumida conheciam muito bem a natureza corrupta e de desprezo aos adeptos leigos da Nichiren Shoshu. Sentindo que agora era o momento de confrontar e lutar, eles assumiram a liderança dos protestos contra as ações do clero.

Para transmitir o espírito da Soka Gakkai para as gerações mais jovens, não há outra forma senão os veteranos experientes demonstrarem o exemplo por meio das próprias ações. A criação de sucessores é a missão e a responsabilidade dos veteranos.

Izumida declarou resolutamente:

— Com estas recentes ações, ficou claro que o clero da Nichiren Shoshu pisoteou o Budismo de Daishonin e se tornou uma escola de caluniadores da Lei. Eles não podem escapar da severa repreensão de Nichiren Daishonin e de Nikko Shonin!

Os membros estavam radiantes. O coração de todos era de que agora poderiam avançar alegremente rumo ao kosen-rufu mundial sem se preocupar com o clero sombrio e autoritário.

Em 29 de novembro, o dia em que a “Notificação de Excomunhão” chegou à Soka Gakkai, foi realizada no Centro Internacional da Amizade em Sendagaya, Tóquio, a cerimônia para conferir um certificado de reconhecimento pelas contribuições em prol da educação, cultura e humanismo ao presidente da SGI, Shin’ichi Yamamoto. Essa homenagem foi apresentada pela Associação de Diplomatas da África que representava 26 países africanos que mantinham embaixada em Tóquio. Na cerimônia de premiação, estiveram presentes embaixadores e representantes de dezenove embaixadas africanas, além do representante no Japão do Congresso Nacional Africano (ANC, sigla em inglês). Era um fato extremamente raro que tantos embaixadores africanos e representantes diplomáticos realizassem uma visita desse tipo em conjunto.

Em seu discurso na cerimônia, o embaixador de Gana, líder da associação, reconheceu os esforços de Shin’ichi e da SGI pela paz mundial, citando seu apoio ao movimento antiapartheid e à promoção do intercâmbio educacional e cultural entre Japão e África por intermédio da Universidade Soka, da Associação de Concertos Min-On e de outras organizações afiliadas da Soka Gakkai. Ele enfatizou que a SGI é um encontro de cidadãos globais que compartilham os mesmos ideais humanísticos e disse:

— Estou convencido de que fizemos a escolha certa ao selecionar a SGI como nossa parceira na busca da realização de ideais comuns.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 332, 2017.

2. Ibidem, p. 479.

3. Era Heisei: Período do reinado imperial japonês, que começou oficialmente em 8 de janeiro de 1989 e continuou até 30 de abril de 2019, quando o imperador anterior abdicou.

4. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 414, 2020.

Compartilhe

Copy to clipboard