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Juventude Soka
há 5 meses
Percorrer o mundo
Redação
25/09/2025

Anna Gabriella Segundo Cerqueira, responsável pela Juventude Soka da Comunidade Nova Iguaçu, RM Nova Iguaçu, CBSF
Segundo o Fórum Econômico Mundial (FEM), organização internacional responsável por realizar debates sobre cenários econômicos, chegamos à era da Globalização 4.0,1 uma fase marcada pela troca acelerada de informações, produtos e serviços por conta da tecnologia digital.
Com isso, a cultura mundial está cada vez mais interconectada, possibilitando um jovem no Brasil assistir a aulas on-line em outro país ou conversar simultaneamente com um amigo em outro fuso horário, por exemplo.
Nesse cenário, a Juventude Soka tem cada vez mais possibilidades de atuar como promotora da paz. Além disso, adotar uma postura pautada na cidadania global é assumir o legado do presidente Ikeda, criando as condições favoráveis para o desenvolvimento do kosen-rufu.
Mudar a si mesmo
Em meio aos desafios enfrentados pela comunidade global, de que maneira eu, como jovem, posso contribuir para a concretização da paz? Certamente, lapidar o próprio caráter, mesmo um pouco todos os dias, determinado a criar soluções para as questões pessoais e a transmitir esperança àqueles que sofrem, é uma grande contribuição para a edificação de um mundo melhor. Mas o que isso significa?
Você já ouviu a frase “pensar globalmente e agir localmente”? Ela foi dita pela futuróloga Dra. Hazel Henderson, economista e ambientalista internacional, com quem o Dr. Daisaku Ikeda publicou uma coletânea de diálogos sobre os problemas ambientais do mundo.
É possível dizer que o significado dessa afirmação indica que precisamos iniciar ações no local em que nos encontramos neste exato momento, com as ferramentas que possuímos ou podemos desenvolver — manifestar consideração e respeito pelo próximo; utilizar a escuta ativa; ser resiliente diante dos desafios etc. A respeito disso, Ikeda sensei orienta:
Tornar-se um cidadão global começa, antes de tudo, na família, no local de trabalho e na comunidade (...). Seja onde for que nos encontremos no momento presente, esse é o local para entrarmos em ação, com ardente senso de compromisso, paixão e esperança. Quando avançamos com nova vitalidade como se estivéssemos totalmente rejuvenescidos, nossa organização e também a comunidade onde moramos igualmente começarão a realizar um dinâmico e renovado crescimento.2
Assim, tornar-se cidadão do mundo significa desenvolver a si mesmo e agir cotidianamente em prol da felicidade das pessoas no local em que vive.
Cultivar amizades pelo mundo
A Soka Gakkai está presente em 192 países e territórios. A organização é uma rede humanística global que promove a expansão da cultura de paz. Portanto, a atua-ção da Juventude Soka do Brasil ocorre em paralelo à da Juventude Soka do mundo — e com o mesmo ideal. Isso é maravilhoso!
Realizar os sonhos do mestre
Há 65 anos, com uma refrescante brisa de outono, os céus de Tóquio testemunharam um grande marco na trajetória do kosen-rufu mundial. Na ocasião, o terceiro recém-nomeado presidente da Soka Gakkai, Daisaku Ikeda, embarcava pela primeira vez em viagem rumo à sua jornada pela paz fora do Japão. O primeiro capítulo dessa missão idealizada por Toda sensei se tornou possível pela sincera determinação do discípulo de cumprir seu juramento ao mestre.
Em suas ações, o presidente Ikeda desbravou o cenário internacional e pavimentou o caminho para criar uma rede de solidariedade em prol da paz ao enviar anualmente, desde 1983, propostas de paz para a Organização das Nações Unidas (ONU); realizar discursos em universidades; dialogar com inúmeras personalidades e promover o intercâmbio cultural entre diferentes povos.
Agora, temos a missão de contribuir, à nossa maneira, exatamente no local onde estamos, para a construção da paz.
Empreender grandes iniciativas
Como morador de uma comunidade periférica do Rio de Janeiro, em seu cotidiano, Gustavo viveu experiências que o fizeram desenvolver um olhar crítico em relação às vivências sociais e despertou seu interesse pelas ciências sociais, área em que desenvolve uma compreensão sobre as diferentes formas de organização das sociedades.
Durante a graduação, enquanto conciliava os estudos com o trabalho em um shopping center, ele ingressou com empenho e dedicação em uma vaga como educador social no projeto “Núcleo Deixa Eu Ser Criança” em um bairro nobre na zona sul da cidade, oportunidade que marcou profundamente sua trajetória profissional e humana.
No exercício dessa função, Gustavo se deparou com um cenário complexo em que crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social viviam conflitos familiares, evasão escolar e práticas delituosas, incluindo o envolvimento com drogas, além de muitas vezes serem alvo de violência e de discriminação. Mesmo enfrentando desafios semelhantes durante a própria infância e adolescência, ele teve a boa sorte de nascer em uma família budista e ter Ikeda sensei como mestre da vida, contando também com a orientação dos seus pais.
Ele compartilha um trecho da Nova Revolução Humana, volume 1, capítulo “Outono Dourado”, sobre a postura de Shin’ichi Yamamoto (nome do presidente Ikeda na obra) ao observar um menino negro sendo excluído e oprimido por pessoas em um parque: “Como uma sociedade podia admitir tamanha injustiça contra uma criança?”.3
A leitura foi uma das fontes que o ajudou a perceber que seu papel como educador social é intervir e garantir que os direitos de crianças e dos adolescentes sejam respeitados, oferecendo acolhimento, escuta e equipamentos adequados.
“Assim, compreendi que minha atuação vai além de orientar, mas proteger, apoiar e dar voz a quem é silenciado, assegurando que possa acessar a cidade de maneira digna. Essa experiência consolidou minha vocação como agente humanista, reforçando a importância de unir prática profissional, sensibilidade social e compromisso ético no enfrentamento das desigualdades”, diz ele.
Ao dedicarmos nossa vida a uma causa, com o propósito de promover a felicidade e o bem-estar das pessoas, fortalecemos a rede de humanismo Soka que envolve o mundo e cria uma sociedade de paz.
Gustavo Souza Ciqueira, integrante do grupo Sokahan e vice-responsável pela Juventude Soka da RM Cidade Nova, CRC
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Vencer como cidadã global
Ao saber do processo seletivo para participar de uma simulação diplomática na Assembleia Geral das Nações Unidas como delegada da República de Malta, Anna teve a convicção da vitória: foi aprovada e recebeu uma bolsa com as condições financeiras para uma estada de quatro dias. Passou por entrevistas em inglês e reuniões semanais, preparando-se para o Conselho Geral que ocorreu em Nova York.
Ao relembrar o evento, ela relata: “Atuar nas Nações Unidas foi uma experiência essencial para minha caminhada como estudante de relações internacionais, professora de inglês e discípula de Ikeda sensei, pois pude me conectar com jovens do mundo todo que têm o mesmo propósito que eu: vencer por meio da educação e construir um mundo onde exista respeito e paz”.
Além disso, enquanto vivia esse sonho, Anna estava passando por um câncer raro, chamado carcinoma mucoepidermoide (CME), com cirurgia marcada quando voltasse para o Brasil. Após a segunda cirurgia, mais vitória: o médico disse que ela estava de alta do tratamento. Afinal, “O Nam-myoho-renge-kyo é como o rugido do leão. Que doença pode, portanto, ser um obstáculo?”.4
Na trajetória de viver seu sonho e encarar os desafios como jovem vivendo por um ideal, Anna sempre teve o exemplo e direcionamento do presidente Ikeda:
Ter fé no Budismo Nichiren não significa que todas as dificuldades desaparecerão. Estar vivo implica enfrentar problemas de uma espécie ou outra. Entretanto, não obstante o que aconteça, é importante que permaneçamos firmes no coração. A Lei Mística é o ensinamento de que “desejos mundanos são iluminação”5 e “os sofrimentos de nascimento e morte são nirvana”6.7
Quando não temos barreiras para os nossos sonhos, nem limites para aprender, e quando nos desafiamos imbuídos da certeza da vitória, semeando o humanismo, agimos como verdadeiros cidadãos do mundo, independentemente de onde estamos.
Anna Gabriella Segundo Cerqueira, responsável pela Juventude Soka da Comunidade Nova Iguaçu,
RM Nova Iguaçu, CBSF
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