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há 10 meses

Diálogos transformadores

Redação

20/12/2025

Diálogos transformadores

Para começar...

Você se recorda de algum diálogo que teve e que foi marcante para você? Quais fatores contribuíram para que fosse marcante?

E você se lembra de ter dialogado com alguém com opiniões totalmente diferentes das suas? Quais pontos considera que deram certo e quais poderiam melhorar?

Ao falar sobre a essência do diálogo, Ikeda sensei vai na sua origem, na palavra grega dialogos, que significa “compartilhar por meio do discurso”. Ele diz:

O diálogo não é simplesmente duas pessoas afirmando suas opiniões, tampouco se trata de uma simples troca de palavras. Por meio da conversa, conseguimos compartilhar o mesmo discernimento dos pontos de vista e das intenções das outras pessoas. É também um processo de criação de algo de valor novo e positivo.1

Por meio do diálogo, construímos novos sentidos junto com a pessoa com quem estamos dialogando. Em vez de simplesmente transmitir nossas ideias, precisamos ouvir o que outro tem a dizer, valorizando e nos esforçando para compreender suas perspectivas. A experiência do outro, assim como a nossa, é única e, por isso mesmo, valiosa.

Ikeda sensei menciona o escrito de Nichiren Daishonin Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra e explica que o fato de o Buda ter escolhido escrevê-lo em formato de diálogo não é por acaso. Um viajante e seu anfitrião começam compartilhando as preocupações que têm sobre a situação caótica da época, cada um com suas convicções. O anfitrião vai esclarecendo as dúvidas do viajante, uma por uma, com empatia e sempre se dispondo a ouvir o outro. O presidente Ikeda diz:

O viajante fica irritado em vários momentos quando suas afirmações são refutadas pelo anfitrião (…). Quando [ele] fica enraivecido, o anfitrião aceita tranquilamente sua ira e, com isso, conquista o coração dele, elevando assim o diálogo para outro nível. Consequentemente, o viajante compreende e aprecia a posição do anfitrião e ambos decidem seguir juntos pelo caminho da paz.2

Por que dialogar?

No escrito de Daishonin mencionado, embora o viajante e o anfitrião se preocupem com a situação da sua nação, eles divergem quanto às causas das calamidades e aos meios para solucioná-las. De início, o viajante tem somente a disposição de lamentar a situação, mas o anfitrião, por meio do diálogo — dando espaço para o viajante se expressar, procurando compreender o coração dele e demonstrando seu ponto de vista de forma benevolente e construtiva —, consegue abrir caminho para que ambos cheguem a um entendimento e construam algo positivo a partir disso.

A essência está na motivação presente no coração do anfitrião ao dialogar. Ikeda sensei diz: “Por que dialogamos? É para tornar feliz a pessoa que está diante dos nossos olhos. Esse é o espírito primordial do budismo desde a época de Shakyamuni”.3

De fato, Nichiren Daishonin não escreveu Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra em forma de diálogo por acaso: ele queria nos indicar que a paz verdadeira é construída por meio desse tipo de diálogo.

Na conclusão da conversa entre o viajante e o anfitrião, o viajante decide parar de se lamentar e se levanta com o anfitrião para construir ativamente um mundo de paz. Essa mudança no coração dele só foi possível porque o anfitrião se dispôs a dialogar convicto na capacidade inata do viajante para a paz, ou seja, convicto no seu estado de buda. O presidente Ikeda afirma:

Esse tipo de diálogo aberto está repleto da convicção de que todos possuem a natureza de buda, mesmo aqueles que de início não concordem com nossas opiniões. Quando buscamos o diálogo fundamentado nos princípios do budismo, não enfocamos essas diferenças. Nossos principais objetivos são despertar a natureza de buda da outra pessoa e unir os indivíduos na causa da concretização da paz e da felicidade para todas as pessoas com base em princípios humanísticos. Esse é o propósito do diálogo para nós.4

Para concluir

O verdadeiro diálogo multiplica em vez de dividir: os envolvidos saem dele com algo positivo e criativo — uma nova perspectiva, uma esperança, uma conexão fortalecida.

O diálogo abre espaço para as pessoas serem elas mesmas e contribuírem com o que têm de melhor.

Quando nos envolvemos num diálogo com o propósito de tornar a pessoa feliz e com a convicção no estado de buda inerente à vida dela, não há barreiras que nos impeçam de tocar o coração dela, mesmo que a princípio o resultado não seja visível.

Notas:

1. BS, ed. 2.014, 5 dez. 2009, p. A3.

2. Ibidem.

3. TC, ed. 617, jan. 2020, p. 50.

4. BS, ed. 2.014, 5 dez. 2009, p. A3.

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