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há 8 anos

Arco-íris da Esperança

09/06/2018

Arco-íris da Esperança

Olhem as estrelas e desenvolvam um coração tão grandioso quanto o universo

A Olimpíada e a Paralimpíada começarão em breve na cidade brasileira do Rio de Janeiro (respectivamente, de 5 a 21 de agosto e de 7 a 18 de setembro de 2016). Daqui a quatro anos [2020], a Olimpíada será em Tóquio, Japão. Oro para que todos vocês, meus queridos amigos da Divisão dos Estudantes, sejam medalhistas de ouro na vida, enquanto se desafiam no respectivo campo de atuação com espírito invencível, assim como os grandes atletas olímpicos.

Vocês sabem como é a bandeira do Brasil? As estrelas no centro representam o céu noturno do Rio de Janeiro do dia 15 de novembro de 1889, data em que ocorreu a Proclamação da República.

Visitei o Rio de Janeiro duas vezes. A primeira vez foi há cinquenta anos, em 1966. Inúmeras estrelas brilhavam no céu, parecendo um lindo porta‑joias. Nunca me esquecerei do Cruzeiro do Sul, uma constelação brilhante visível no hemisfério sul.

Hoje, vamos falar sobre as maravilhas do universo como se estivéssemos olhando juntos para o céu noturno e observando as estrelas.


As estrelas se movem no céu de acordo com certos padrões. Muitas delas aparecem em momento e local específicos durante o ano. É por essa razão que, desde os tempos mais antigos, as pessoas são capazes de navegar e encontrar o caminho conforme a posição das estrelas. Para os marinheiros, as estrelas são uma fonte de esperança que os guiam até o seu destino.

O astrônomo italiano Galileu Galilei (1564–1642) estudou o movimento das estrelas. Em 1609, ele se tornou a primeira pessoa a medir o movimento delas usando um telescópio. As pessoas daquela época acreditavam que as estrelas giravam ao redor da Terra. No entanto, como resultado de suas observações, Galileu declarou que na verdade era a Terra que girava ao redor do Sol. Isso causou tumulto e ele foi levado a julgamento pelas autoridades, as quais ordenaram que abandonasse sua teoria. Galileu se recusou, e há registros de que ele afirmou: “No entanto [a Terra], se move”.¹ Aqueles que buscam a verdade são pessoas de firme convicção.

Atualmente, é de conhecimento geral que a Terra não só gira em torno do próprio eixo, como um pião, mas que também gira em torno do Sol. Ainda assim, existem muitos mistérios não solucionados sobre o universo, tais como: onde o universo acaba e quão vasto ele é? Quantas estrelas existem? Há vida em outros planetas?

No mês passado [julho de 2016], a sonda espacial Juno, da Nasa, lançada em 2011, alcançou Júpiter — um dos planetas que Galileu observou —, depois de uma jornada de cinco anos. Sua missão é orbitar Júpiter e explorar alguns dos mistérios desse planeta.

Também existem fatos incríveis sobre o Sol que vemos todos os dias. Ele está a 150 milhões de quilômetros da Terra e sua luz demora aproximadamente 8min19s para chegar até nós. Isso significa que o Sol que vemos no céu é sempre o de 8 minutos atrás.

As estrelas no céu noturno estão muito mais longe que o Sol, é por isso que parecem tão pequenas. Quando as vemos brilhar, estamos olhando para a luz que tem viajado por anos — ou melhor, por milhões de anos — pelo universo!

Quando estiverem passando por uma dificuldade, olhem para o céu estrelado. A luz das estrelas, que viajou por tão longe, ultrapassando diversos obstáculos antes de chegar até nós, irá encorajá-los alegremente, como se dissesse: “Não deixem que as pequenas coisas os desanimem!”.

Durante a Segunda Guerra Mundial, quando um alarme de aviso de bombardeio soou e eu corri para um abrigo antibomba, lembro-me de prender a respiração e olhar para uma estrela cadente no céu escuro, desejando que a paz mundial fosse realizada.

Neste mês [agosto de 2016], se as condições climáticas estiverem boas, vocês poderão ver a chuva de meteoros chamada Persêidas.²


Eu me encontrei com diversos astrônomos renomados ao redor do mundo, e me tornei amigo de alguns. Um deles foi Ronaldo Mourão

(1935–2014), que nasceu no Rio de Janeiro e foi o primeiro brasileiro a ter um asteroide com seu nome. Ele e eu também publicamos um diálogo juntos.³

Os pais do Dr. Mourão o inspiraram a ser um astrônomo. Sua mãe, em particular, falava repetidamente sobre a sua empolgação ao ver o cometa Halley quando criança. Como resultado, o jovem Ronaldo desenvolveu amor pelas estrelas e por observá-las.

Quando tinha 6 anos, ele estava com o pai quando viu um cometa pela primeira vez. Isso abriu seu mundo e ele estudou muito para entender os mistérios do universo. Por fim, conseguiu realizar o sonho de se tornar astrônomo.

O Dr. Mourão disse: “Nada é possível de ser realizado sem coragem e paixão. São os homens de coragem que abrem novas páginas da história” (Astronomia & Budismo, p. 75).

Espero que cada um de vocês, repleto de vibrante coragem, siga suas próprias estrelas brilhantes da esperança.


No dia 20 de julho de 1969, três astronautas voaram na espaçonave Apollo 11, da Nasa, e foram as primeiras pessoas a pisar na Lua. Ao redor do mundo, muitos assistiram à cobertura ao vivo pela televisão, aplaudindo essa conquista extraordinária. Esse momento uniu o coração de toda a humanidade.

O astrônomo e físico norte-americano Robert Jastrow (1925–2008) foi uma das figuras centrais para o sucesso da aterrissagem na Lua por parte do programa espacial Apollo.

Em 1993, encontrei-me com o Dr. Jastrow, que na época era diretor do famoso Observatório Mount Wilson, em Pasadena, Califórnia. Ele me disse que estava trabalhando num programa educacional que ligava o telescópio do observatório às escolas, e solicitou que as Escolas Soka do Japão fizessem parte desse projeto. Concordei imediatamente com essa ideia, reconhecendo quanto isso seria importante para o futuro. No ano seguinte [1994], as escolas Soka começaram a oferecer aulas de astronomia como parte desse programa.

Em fevereiro de 2000, as escolas Soka de Kansai foram as primeiras escolas do Japão a participar do programa da Nasa chamado EarthKAM (Earth Knowledge Acquired by Middle School Students — Conhecimento da Terra Adquirido por Alunos de Ensino Médio). Uma câmera inicialmente acoplada em naves espaciais e agora a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), que orbita a Terra muitas centenas de quilômetros acima do solo, permite que os estudantes observem o nosso planeta. Usando a internet, eles podem controlar a câmera e tirar fotos da superfície terrestre.

Até agora, as escolas Soka de Kansai participaram desse programa cinquenta vezes — um recorde contínuo dentre todas as escolas do mundo envolvidas nesse projeto.

Por meio do programa EarthKAM, os alunos podem ver tanto a beleza da Terra como seus sinais de destruição ambiental.

Eu me lembro das palavras do meu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda: “No futuro, será necessário haver mais aulas focadas em astronomia. Aprender astronomia na escola e na sociedade fortalecerá a luta pela paz”.

Quando vemos a Terra do espaço, percebemos que ela não tem fronteiras — somos todos “terráqueos”, habitantes do mesmo planeta, independentemente se somos brasileiros, norte‑americanos, japoneses ou de qualquer outra nacionalidade.

O Sr. Toda, que acreditava no ideal de civilização global, enxergava a humanidade como uma única família dividindo o mesmo planeta, e disse que todos devemos viver juntos em paz e harmonia. Vista do espaço, fica claro que a Terra é nosso lar em comum.


Em 1991, eu me encontrei com o astrônomo britânico Fred Hoyle (1915–2001). Ele descobriu que a maioria dos elementos naturais, como carbono e oxigênio, que formam a vida na Terra, são de fato formados dentro de estrelas e distribuídos pelo espaço.

Nesse sentido, todas as formas de vida — pessoas, pássaros, insetos, flores e árvores — são feitas de poeira estelar. Somos, portanto, um só corpo com o universo.

É por isso que machucar animais e danificar flores e árvores, para não mencionar importunar e agredir as pessoas, são o mesmo que machucar a si próprio.

Um dos estudantes do Dr. Hoyle é o astrônomo britânico Chandra Wickramasinghe, que também publicou um diálogo comigo. O Dr. Wickramasinghe disse que, ao contemplar o universo, os seres humanos podem superar seu egocentrismo.⁴

Nichiren Daishonin escreveu: “O Sol, a Lua e as miríades das estrelas também existem na vida de todos os seres” (CEND, v. I, p. 657). O Sol, a Lua e as estrelas, tudo isso reluz dentro de você. Quando você brilha, pode trazer esperança para os outros resplandecerem também. Somos todos estrelas‑guia da esperança.

Por isso, mantenham-se de cabeça erguida, sejam corajosos e olhem para as estrelas no céu. Quando fizerem isso, seu coração se tornará tão grande quanto o universo. Não há limites para seu crescimento e brilhantismo!

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