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Especial
há 16 anos

Poema “A Longa e Distante Correnteza do Amazonas”

Dedico aos sublimes companheiros do Brasil

Dr. Daisaku Ikeda

01/09/2010

Poema “A Longa e Distante Correnteza do Amazonas”

Foi realmente

Como uma tempestade me envolvendo...

Um turbilhão

De ardente paixão e emoção...

É pique! É pique! É pique!

É hora, é hora, é hora...

25 de fevereiro de 1984,

Ensaio Geral do Grande Festival Cultural do Brasil...

O brado audaz da vida

Dos jovens do paraíso do samba

Estremeceu o imenso Ginásio de Esportes.

Sorrisos, lágrimas vozes jubilosas

De vocês, deles e delas,

Pareciam preencher o intervalo de dezoito anos

Vividos, dia após dia, com intensa ansiedade.

Este espetáculo

Por mim jamais será esquecido.

Como um grande panorama,

No meu coração,

Que percorria a plateia,

Ressurgia vivamente os dias de

Intempéries do passado.

No ano de minha posse como terceiro presidente,

Acalentando no meu íntimo as orientações do venerado Mestre,

Lancei-me na caminhada do Kossen-rufu Mundial,

E cravei meu passo no solo de São Paulo.

O meu corpo estava desgastado e febril,

Talvez, pela longa viagem ao estrangeiro.

Houve vozes aconselhando-me

A deixar a visita para outra ocasião.

Todavia,

O Brasil seria o Pilar do Kossen-rufu da América do Sul,

O esteio do Hemisfério Sul.

Lá, encontravam-se companheiros que me

Aguardavam ansiosamente.

Encorajando e incentivando a mim mesmo,

Assinalei o primeiro histórico passo nessa terra.

No final da longa jornada aérea,

No aeroporto, às 2 horas da manhã,

Encontrei dezenas de pessoas que me

Aguardavam madrugada adentro.

Munindo-me de coragem e empregando toda a minha força,

Trocamos diálogos e incentivos mútuos,

Chegando a registrar a auspiciosa fundação de um distrito,

Com o forte desejo de fincar a cunha da Lei Mística

Firme e profundamente no vasto solo do futuro. 

A partir desse dia,

O eco da sinfonia da paz se elevou

Por todo o Brasil, a Terra do Sol

Descortinando a nova vida na história pioneira.

O tempo passou...

A nova visita ocorreu em março de 1966.

No morro do Corcovado do Rio de Janeiro,

Juventude com os saudosos companheiros,

O juramento de um futuro magnificente.

O aspecto de sua árdua luta,

Na vastidão imensa dessa terra,

Como uma joia preciosa,

Jamais se afastou da minha mente,

Nem por um momento sequer.

Oito anos depois — março de 1974.

Recebendo o convite para uma nova visita,

Parti rumo à travessia do continente americano

Acalentando no coração a alegria de, com todos,

Reencontrar-me.

Contudo, ou talvez pela providência do tempo,

Um contratempo interpôs-se a essa viagem

E a terceira visita deixou de concretizar-se.

A tristeza de vocês, exaurida de lágrimas,

Foi um sofrimento para mim também.

Ah! Quantos vales e montanhas de provações...

O tempo seguiu o seu curso, e a época amadureceu.

Veio 1984!

Naquele dia,

Estremecendo todo o ginásio,

Resplandeceu intensamente o Grande Festival Cultural.

Oh! Meu Brasil!

Céu e terra que tanto amo!

Solo da paixão,

Nação da esperança e

País do futuro.

Neste grandioso e rico chão

Diferentes raças e

Variadas culturas,

Diversos costumes e

Diversificada natureza e clima exuberantes.

Esses variados fatores mesclam-se em harmonia

Neste Brasil — República Federativa.

As pessoas denominam isto:

Unidade dentro da diversificação.

Na jornada do caos para o cosmo — nossa

Meta comum,

Promovendo o aprimoramento recíproco e

Restituindo a vida a cada indivíduo,

Eis a terra das potencialidades do Século XXI,

Que encerra a vitalidade

Juvenil, mas ígnea como o magma.

Ah! Meus pais e minhas mães dos tempos iniciais

Que descerraram o alvorecer magnífico

Do Kossen-rufu deste Brasil.

Levantando-se dessa terra de crises,

Acreditando, sempre, um ver a aurora de glórias

Acionando silenciosamente a enxada do desbravamento.

Oh! Meus respeitosos senhores e senhoras.

A espessa parede do idioma,

O profundo abismo das raças,

Por vezes, impedindo o diálogo de mútuo incentivo.

Certamente, houve dias em que, perplexos,

Ficavam tão somente a fitar o extenso campo

Sob o sol ardente,

Segurando a enxada da propagação dos ensinos.

Houve também longos dias de perseverança

À espera do céu azul do Kossen-rufu,

Uns amparando o corpo de outros

Da chuva cruel e impetuosa.

Entretanto,

Estimulando a si mesmo e erguendo-se decididamente,

Nutrindo no coração o Sol do Monarca,

Os senhores iniciaram a marcha da convicção

A fim de executar a sinfonia da felicidade.

Nas vilas das íngremes cadeias de montanhas,

Nas aldeias das florestas de profundo silêncio e

Nas agitadas cidades onde ressoam as marteladas

Das construções,

Ponto a ponto, a luz da Lei Mística foi acesa,

E, esta luz da felicidade estendeu-se para todo o Brasil.

Em toda a eternidade, essa história jamais

Haverá de ser destruída.

Oh! Meus desbravadores do Kossen-rufu,

O caminho aberto com lágrimas

Tornou-se, hoje, a inabalável e imensa estrada da paz.

A planta cultivada com suor

Tornou-se, hoje, uma grande árvore de frutos

Da felicidade.

Esse labor e tormento

Haverão de se converter em ilimitada boa sorte

Beneficiando eternamente gerações e mais gerações

Com o radiante luzir dos raios ofuscantes.

E os jovens companheiros,

Herdeiros desse sublime espírito,

Dispõem-se a desbravar ainda mais amplamente

Esse caminho,

E percorrem triunfantemente pelo Brasil — o paraíso da Esperança.

Ouçam!

Ouçam os passos de avanços dos jovens,

Que ao ritmo do dinâmico samba

Ecoando pela vastidão do céu

Fazem estremecer esta grande terra.

Vejam!

Vejam o ardor dos jovens de salvar este mundo,

Resplandecendo e transformando no sol da paixão,

Anunciam o despontar no horizonte

O amanhã do Infinito Passado.

Meus jovens e minhas jovens,

Conforme as parábolas da “Madeira flutuante” e da

“Flor de Dongue”,

Nós compartilhamos uma profunda relação

E juntos comparecemos à fileira dos filhos do Buda.

O ensino de Daishonin é o “Budismo do Sol”.

Assim,

A nossa crença também deve ser como o Sol.

O movimento do Sol

É uma continuidade cotidiana

Dia após dia, ano após ano.

Ao amanhecer, ele desponta com seu aspecto imponente

E cruza o céu proporcionando luz e calor

Para depois se pôr no oeste.

Ontem, hoje e amanhã,

Sendo observado ou não

Ele continua sua órbita simples e regular

Jamais quebrando o ritmo de sua evolução.

Da mesma forma,

A nossa jornada da “prática da fé é a

Própria vida diária”

Na contínua construção do eterno Kossen-rufu

Também deve seguir o mesmo ritmo.

Ilimitados e abundantes,

O brilho e a magnanimidade do Sol

São a fonte da força do crescimento de tudo.

Sem esta energia.

As plantas, os animais e inclusive o homem

Não poderão viver nem mesmo por um dia.

Tudo o que manifesta vida tem como mãe, o Sol.

Apesar de observar as mesquinhas discórdias e

Hostilidades dos homens

Ele os aquece

E espera o tempo, cria a época e

Adianta altivos passos de gigante.

A ardente fé põe em evidência

A nobre personalidade e o humanismo.

O nosso caminho de monarcas da confiança

Como homens soberanos

Assim deve ser.

O sol jamais desfaz o sorriso de sua face.

Há ocasiões que espessas nuvens cinzentas,

Talvez, por ódio ou temor,

Tentam esconder esse sorriso e seus raios benevolentes.

Há também momentos em que

Chuvas e tempestades nos atacam violentamente.

Porém, ninguém é capaz de roubar

O seu sorriso fecundo e o seu calor.

Da mesma forma como o ímã atrai o ferro,

Em sua volta multiplicam-se grandes botões de flores

De sorrisos e mais sorrisos,

Dos quais ele é sempre o mensageiro.

Na terra do exílio em Sado,

Ante a voraz perseguição,

Com um sorriso, disse serenamente:

“Não posso conter o meu grande júbilo.”

A nossa atitude como discípulos do Buda Original

Assim deve ser.

Meus jovens,

Pioneiros da vanguarda

Que exultam no paraíso do futuro,

Amem as pessoas e

Estendam a boa vontade a todos.

Colham assim valentemente

A felicidade reunida de além das mil milhas.

A verdadeira religião

É a religião para o ser humano.

A verdadeira religião

É a religião para a paz.

A verdadeira religião

Tem como princípio

Contribuir para a prosperidade social.

Assim,

Nós, budistas,

Devemos nos tornar exemplos para a sociedade,

Como excelentes cidadãos

Visando à paz e prosperidade perenes

Deste Brasil, pátria que tanto amamos.

Esse é o propósito de nossa crença.

Uma pessoa de crença

Imbui-se de autodisciplina.

No centro da bandeira de sua Pátria,

De verde exuberante,

Destacam-se claramente as palavras

“Ordem e Progresso”.

Progresso sem ordem

É sinônimo de tumulto.

E ordem sem progresso

É estagnação.

“Ordem e Progresso”

“Regra e Liberdade”

“Dever e Negligência”

Essas palavras são conjuntos de antagonismo —

Vetores eternos quando abandonados.

Entretanto,

A força motriz

Da prosperidade e do progresso saudáveis da sociedade

Que cria o equilíbrio entre as partes,

Não é senão a autodisciplina —

A força verdadeira da crença.

Além disso, exatamente aí,

Sabemos que existe o desígnio do dito sagrado

“Myo é o princípio da revivescência”.

Oh! Grande e Majestoso Amazonas,

Em seu leito corre abundante volume d´água.

E essa correnteza, nascida de uma gota,

Atravessa montanhas e vales,

Transformando terras ressequidas

Em solos verdes e floridos.

Lavando a selva de suas margens,

Abarca incontáveis afluentes.

Esse volume d´água ilimitado,

Percorre uma longa jornada.

O avanço do nosso Kossen-rufu

Sereno e magnificente,

É como esse grande rio.

Juntando inúmeras correntes de pessoas,

Abrindo extensos campos e vales e

Dominando ondas bravias,

A sua meta é o grande oceano da benevolência.

Oh! Meus jovens heróis de sublime missão,

Que bailam em chão brasileiro,

Sejam Majestosos como o Amazonas!

Sejam Imponentes como o Amazonas!

E construam o grande rio do eterno Kossen-rufu

Como o Amazonas, que nunca conheceu a interrupção.

Além disso, regando a grande terra do povo

E fazendo soprar ventos da paz e tranquilidade,

Cultivem o jardim da perene felicidade.

Em 21 de fevereiro de 1987,

Às 13 horas e 24 minutos,

Em Miami, Estados Unidos.

Dedico este poema, orando pela felicidade dos

companheiros e pela prosperidade do Brasil. 

Daisaku Ikeda

Presidente da Soka Gakkai Internacional

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