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Reflexões Sobre a NRH
há 7 anos
[51] Meus discursos em universidades
15/06/2019
![[51] Meus discursos em universidades](https://extra2.bsgi.org.br/media/impressos/TC/610/sensei-paris.jpg)
O tempo passa com uma rapidez incrível. Foi há 25 anos,1 num magnífico dia primaveril em 1974, que me dirigi à tribuna do Auditório de Conferências do Dickson Plaza da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. A convite dessa instituição, proferi o discurso “Rumo ao Século 21”. Era fim de tarde do dia 1º de abril e, no Japão, manhã do dia 2, aniversário de falecimento do meu mestre Josei Toda.
Dezesseis anos haviam se passado desde o seu falecimento. Eu, seu discípulo, estava com 46 anos. O principal desejo de Toda sensei era a paz mundial e ele devotou a vida à edificação de uma fortaleza da paz no coração das pessoas. Abraçando o espírito e os sonhos do meu mestre, expressei naquele dia minha determinação de tornar o século 21 o “século do humanismo”.
Essa foi a primeira vez que discursei num centro de aprendizado reconhecido mundialmente.
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Meu segundo discurso ocorreu no extraordinário mês de maio do ano seguinte, 1975, na Universidade Estatal de Moscou, na ex-União Soviética. Nessa ocasião, recebi meu primeiro título de doutor honoris causa, concedido por uma universidade estrangeira. O discurso que proferi intitulava-se “Um Novo Caminho para o Intercâmbio Cultural entre o Oriente e o Ocidente”.
Na época, o muro de gelo da Guerra Fria, que separava o Oriente e o Ocidente, era rígido e espesso. Uma profunda desconfiança dividia os dois blocos. De que forma esse muro de gelo poderia ser derretido? Cheguei à conclusão de que os intercâmbios culturais e o diálogo entre as pessoas eram as únicas formas possíveis para transcender as barreiras ideológicas. Nós precisávamos construir um “caminho da seda” espiritual.
Jamais me esquecerei da forma premente com que expus as razões da necessidade de abrir uma porta para esse tipo de diálogo para um público de mil pessoas no Palácio da Cultura da Universidade Estatal de Moscou. Empenhei-me de corpo e alma para transmitir minha mensagem como se estivesse engajado num diálogo de pessoa a pessoa.
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O professor Leon A. Strijak atuou como meu intérprete na ocasião. Ele se empenhou noite adentro para traduzir meu desajeitado manuscrito num russo perfeito. E, apesar de exausto pelos esforços, realizou um esplêndido trabalho de interpretação. Soube mais tarde que havia solicitado a um dos seus alunos que ficasse próximo à tribuna a fim de assumir seu lugar no caso de se sentir cansado demais para continuar.
Muitos dos seus alunos presentes ao auditório naquele dia, incluindo o substituto do professor Strijak, estão desempenhando papel importante na promoção dos intercâmbios de paz e de amizade entre Rússia e Japão.
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As universidades são os centros do aprendizado e do intelecto. Em suas consagradas paredes, o futuro do mundo é criado. Não raro as conferências realizadas em universidades possuem um valor histórico fundamental. Por exemplo, o famoso discurso que o filósofo Ralph Waldo Emerson proferiu na Universidade Harvard, em 1837, intitulado “O Intelectual Norte-Americano”, foi considerado “uma declaração intelectual de independência” pela cultura americana, e permanece ainda hoje como um importante marco do saber. Tive a honra de discursar em Harvard em duas ocasiões, em 1991 e em 1993. Os discursos que fiz foram “A Era do Soft Power e da Filosofia Interiormente Motivada” e “O Budismo Mahayana e a Civilização do Século 21”.
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Além desses, proferi discursos em diversas instituições de ensino, incluindo a Faculdade de Pedagogia, em Nova York, filiada à Universidade de Colúmbia; a Faculdade Claremont McKenna, na Califórnia; a Univer-sidade de Havana, em Cuba; e a Universidade de Guadalajara, no México. Discursei na Universidade de Pequim, na Universidade Fudan, na Universidade de Shenzhen, na Universidade de Hong Kong e na Universidade de Macau, na China. Também discursei em outras universidades asiáticas, como a Universidade das Filipinas, em Manila, e a Universidade Tribhuvan, no Nepal, como também na Universidade de Ancara, na Turquia, no limiar entre o Oriente e o Ocidente. Na Europa, proferi discursos na Universidade de Bolonha, a instituição de ensino superior mais antiga do continente europeu; na Universidade Saint Kliment Ohridski de Sofia, na Bulgária; e na Universidade de Bucareste, na Romênia.
Discursei também em várias outras instituições, centros de pesquisas e organizações de direitos humanos, como o Instituto da França, em Paris; o Gandhi Smriti e Darshan Samiti e o Instituto Rajiv Gandhi de Estudos Contemporâneos, ambos na Índia; a Academia Chinesa de Ciências Sociais, em Pequim; o Museu da Tolerância do Centro Simon Wiesenthal, em Los Angeles; o Centro Oriente-Ocidente, no Havaí; e a Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.
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Durante um de meus discursos, o microfone falhou duas vezes. “Vamos dar uma breve parada”, brinquei, “acho que não paguei minha conta de luz”. A plateia respondeu com acalorados risos.
Quando discursei na Universidade de Havana, choveu torrencialmente com raios e trovoadas. Iniciei minha palestra dizendo: “O ribombar dos trovões — que magnífica melodia dos céus! Os céus batem seus tambores prenunciando o progresso da humanidade rumo ao triunfo da paz. É uma grande sinfonia em nosso louvor”.
Fico feliz por minhas palestras terem sido tão bem recebidas. O cientista mundialmente aclamado Linus Pauling mostrou-se plenamente de acordo com a benevolência do bodisatva em minha palestra na Faculdade Claremont McKenna. Ele declarou que agir com o espírito do “número nove” — ou seja, do mundo dos bodisatvas, o nono dos “dez mundos” — é o verdadeiro dever como seres humanos.
Lembro-me também com carinho de ter apertado a mão de muitos estudantes que foram ao meu encontro após uma das palestras. Cumprimentei tantas pessoas que minhas mãos ficaram doloridas. Muitos estudantes que ouviram minha palestra na Universidade de Pequim ficaram curiosos para conhecer a Soka Gakkai e foram ao Japão realizar uma pesquisa sobre a organização. Nada me proporciona maior satisfação do que saber que meus discursos conseguiram estimular a compreensão e despertar o interesse das pessoas.
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Devemos fazer do novo século um século de paz, de vida e de humanismo. Para atingir esse fim, precisamos pavimentar os caminhos do entendimento cultural, do diálogo, da amizade e da esperança, unindo as civilizações e os povos do mundo inteiro. Eis por que continuo a dialogar e a proferir discursos clamando às pessoas para que abracem a tarefa de unir o mundo.
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