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Estudo
há 2 anos

[72] Trilhem o caminho dos heróis, sem serem derrotados pelas adversidades!

À Divisão dos Estudantes, corredores da justiça — nossa esperança no futuro — Carta de Sado - Parte 2 [de 2]

Explanação do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda

Dr. Daisaku Ikeda

01/07/2024

[72] Trilhem o caminho dos heróis, sem serem derrotados pelas adversidades!

Explanação

Há melodias que ouvi repetidas e repetidas vezes em minha juventude e das quais jamais me esquecerei.

Estava trabalhando para meu mestre, Josei Toda, quando seus negócios se debatiam para continuar sobrevivendo durante o tumultuado período pós-guerra. Época angustiante. Dava o máximo de mim para encontrar uma maneira de reverter a situação, ao mesmo tempo em que lutava contra a minha condição física debilitante em decorrência da tuberculose. No meu pequeno apartamento, ouvia várias e várias vezes as obras do grande compositor Beethoven. Em especial, a Sinfonia no 5, a do Destino, e a Ode à Alegria, da Sinfonia no 9, provocavam uma forte emoção em mim.

A música empolgante de Beethoven, que dava expressão ao seu espírito de romper o sofrimento e alcançar a alegria, me inspirava a continuar lutando.

Quando fui pela primeira vez a Viena, capital da música clássica, há seis décadas, em outubro de 1961, prestei homenagem a Beethoven em seu túmulo no Cemitério Central da cidade.

Em maio de 1981, depois de visitar a Ópera Estatal de Viena e me encontrar com o vice-chanceler e ministro da Educação e Arte da Áustria, Fred Sinowatz, os membros da organização local me levaram para ver o Museu Beethoven em Heiligenstadt. Originalmente, essa foi a casa onde ele morou e redigiu seu testamento, chegando à beira do profundo desespero por lutar contra a crueldade do destino, que incluía a perda da audição, sentido tão essencial para um músico.

“Meu destino jamais me destruirá!”

No entanto, Beethoven se recusou a permitir que os ventos implacáveis do destino o derrotassem. No fim, ele presenteou a humanidade com melodias repletas de alegria que romperam a escuridão da época. Ele escreveu: “Enfrentarei intrepidamente o meu destino, o qual jamais conseguirá me destruir. Oh! Seria maravilhoso viver a vida mil vezes!”.1

Essas palavras me trazem à lembrança os incalculáveis membros da Soka Gakkai que, dando tudo de si para promover o avanço do kosen-rufu em meio às duras realidades da sociedade, transformaram seu destino e consolidaram a felicidade absoluta. Reunindo a “coragem do rei leão”, como ensina Nichiren Daishonin (CEND, v. II, p. 263), eles encararam com bravura os problemas e as adversidades e avançaram resolutamente rumo à vitória. Eles transbordam de orgulho.

Ensinando aos discípulos por meio do seu exemplo

Enfrentando grandes dificuldades, podemos expandir ilimitadamente nossa condição de vida.

Como vimos na edição anterior, Nichiren Daishonin triunfou sobre repetidas perseguições que impuseram risco à sua vida e abriu o caminho para o kosen-rufu com o intuito de aliviar os sofrimentos da humanidade para sempre. Ele também ensinou aos seus discípulos, mediante o próprio exemplo, o princípio supremo para transformar poderosamente o destino que assola nossa vida.

Nesta oportunidade, estudaremos a segunda parte da Carta de Sado, examinando juntos o auspicioso princípio da transformação do carma ou destino preconizado pelo Budismo Nichiren.

Trecho 1 do escrito

Carta de Sado

O ferro, quando aquecido e forjado, torna-se uma excelente espada. Os reverenciáveis e os veneráveis são testados com calúnias.2 Meu atual exílio não é resultado de nenhum crime secular, mas serve somente para que eu possa expiar, nesta existência, as graves faltas que cometi no passado e me libertar dos três maus caminhos na próxima.3,4 (CEND, v. I, p. 320)

Fé é a expressão máxima de espírito invencível

Nichiren Daishonin declara: “O ferro, quando aquecido e forjado, torna-se uma excelente espada” (CEND, v. I, p. 320). Ao lutarmos contra as adversidades, forjamos nossa vida, assim como uma excelente espada.

Daishonin também afirma: “Os reverenciáveis e os veneráveis são testados com calúnias” (Ibidem). Podemos identificar um verdadeiro venerável ou uma pessoa de sabedoria pelo fato de terem suportado críticas e calúnias. Aqueles cuja história aclama como grandiosos quase invariavelmente enfrentaram perseguição e oposição.

A experiência de resistir a adversidades e dificuldades pode ser acatada como um teste da nossa força subjacente. Enfrentar as situações mais árduas com inabalável determinação e perseverança, recusando-se a recuar um único passo, habilita-nos a cultivar um espírito forte, que se torna uma força propulsora essencial para conduzir uma vida vitoriosa. A fé no Budismo Nichiren constitui a expressão máxima desse espírito invencível.

A religião para tornar as pessoas fortes, boas e sábias

Na palestra “O Budismo Mahayana e a Civilização do Século 21” que proferi na Universidade Harvard,5 levantei as seguintes questões: “A religião torna as pessoas mais fortes ou as enfraquece?”; “Estimula o que há de bom ou de mal dentro delas?”; “Elas se tornam mais sábias ou menos por intermédio da religião?”

Tornar as pessoas fortes, boas e sábias é a essência do Budismo Nichiren. Nesta era da desumanidade generalizada, a necessidade dessa religião em prol do ser humano é maior que nunca.

Tudo começa com a transformação interior do próprio ser humano. Ao praticarmos o Budismo Nichiren diligentemente, despertamos para a dignidade e o valor da nossa vida. Ativamos nossa sabedoria e força inerentes e nos empenhamos para criar o valor mais elevado, contribuindo para o bem-estar e a felicidade do próximo e da sociedade. A Soka Gakkai é a organização que constrói e expande essa rede solidária da revolução humana por todo o mundo.

Dez anos se passaram desde o terremoto devastador seguido de tsunami ocorrido em Tohoku em março de 2011. Apesar de terem vivenciado adversidades sem precedentes, os membros da organização daquela localidade avançaram com firme decisão, não permitindo que nada os derrotasse.

Nichiren Daishonin escreve: “Mesmo que calamidades possam vir a ocorrer, elas podem ser transformadas em boa sorte” (WND, v. II, p. 669); “Quando um grande mal ocorre, um grande bem o sucederá” (CEND, v. II, p. 387); e “O inverno nunca falha em se tornar primavera” (CEND, v. I, p, 560).

Acatando as asserções de Daishonin, os membros de Tohoku demonstraram a força inerente ao espírito humano de jamais desistir e acumularam ilimitado “tesouro do coração” (CEND, v. II, p. 112).

O indômito “espírito de Tohoku” inspirou as pessoas do Japão e do mundo todo, e o exemplo desses membros reluz como um farol de grande esperança para o século 21.

Nobre condição de vida idêntica à do Buda

Em Carta de Sado, Nichiren Daishonin afirma: “Meu atual exílio não é resultado de nenhum crime secular” (CEND, v. I, p. 320). Ele esclarece que a verdadeira razão para ter de passar por aquela provação residia em transformar o próprio carma. Em seguida, explana o princípio de transformar o destino com base nos mecanismos de causa e efeito, conforme ensinados no Budismo Nichiren.

A teoria da causa e do efeito exposta pelo escolas de budismo tradicionais da época de Daishonin tendia a ser pessimista. Concentrava nas causas que a pessoa havia criado em existências passadas, resultando em infelicidade e infortúnio na presente existência. Ensinava que o presente é fixo e imutável.

Daishonin, no entanto, estabeleceu o princípio da transformação do destino com base numa compreensão mais fundamental e ampla de causa e efeito, conforme ensinado no Sutra do Lótus.

Basear-nos no Sutra do Lótus significa reconhecer que cada um de nós e todas as pessoas possuem uma nobre condição de vida idêntica à do Buda. Quando o sol nasce, dissipa a escuridão e ilumina o mundo radiantemente. De modo semelhante, quando recitamos Nam-myoho-renge-kyo, fazemos o sol do nosso estado de buda inerente desde o tempo sem início brilhar dentro de nós. Consequentemente, a escuridão da ignorância fundamental6 se extingue, o carma passado se transforma e nos tornamos plenos de poder básico para vencer os sofrimentos e as adversidades.

Nesse momento, o significado do destino muda. Nossa vida de sofrimento originado do destino passa por uma importante transformação. Ela se torna uma vida que desafia o mau destino e começa a demonstrar nosso genuíno valor e dignidade humana. Essa é a essência do Budismo Nichiren, que ensina o princípio da transformação do destino.

Encontramos aí a chave para revitalizar nossa vida e edificar um futuro mais promissor.

O modo de vida da transformação do destino em missão

Toda sensei observou que o Sutra do Lótus ensina que, por vezes, o Buda também padecia de doenças. Desejando libertar todos os seres vivos do sofrimento, afirmou Toda sensei, o Buda precisava experimentar doenças assim como eles; do contrário, não poderiam estabelecer conexão com ele ou prestar atenção ao que tinha a dizer. Dessa maneira facilmente compreensível, o Buda explanou sobre a profunda filosofia de vida e sobre o budismo.

Em outras palavras, lidando com doenças e problemas e ultrapassando-os, podemos proporcionar um exemplo inspirador para os outros, oferecendo-lhes esperança e coragem.

Há um episódio no Sutra do Lótus, no qual os bodisatvas juram surgir numa época futura repleta de maldades para ajudar a conduzir as pessoas à felicidade. Ou seja, escolhem por vontade própria assumir o carma de nascer numa era problemática e, mediante seu exemplo de lutar contra esse carma, encorajar outros que estejam sofrendo. Trata-se do princípio de “carma adotado por desejo próprio”.7

Observando o exemplo desses bodisatvas, as pessoas encontram coragem para se levantar e fazer o mesmo. Esses bodisatvas descobrem e despertam para o fato de que o poder para superar as adversidades é inerente à própria vida. Por meio dessa força interior decorrente da fé na Lei Mística, eles repelem o sofrimento cármico que os assola e, então, tornam-se capazes de inspirar e encorajar a todos ao seu redor.

Esse é o modo de vida alicerçado em transformar destino em missão, ou, em linguagem atual, o trabalho de empoderar os outros e cultivar a própria capacidade de resiliência.

Esse é o poder do juramento seigan de bodisatva.

No ano passado (novembro de 2020), Adolfo Pérez Esquivel, argentino ativista dos direitos humanos e recebedor do Prêmio Nobel da Paz, enviou uma mensagem congratulando a Soka Gakkai pelo 90º aniversário de fundação. Nela, disse que a pandemia da Covid-19 demandaria que a humanidade demonstrasse grande força de espírito.

“Não deixem de sorrir para a vida”, exortou. “Nos momentos mais difíceis, precisamos seguir em frente. Sempre seremos capazes de construir um mundo melhor por meio do poder da esperança. (...) Como membros da Soka Gakkai, vocês estão transmitindo o significado da vida, e penso que isso seja muito importante. Longo e incessante é o empreendimento a que vocês se dedicam. (...) Vocês estão abrindo o caminho para outros seguirem no futuro”.8

Os membros da Soka Gakkai do mundo inteiro mantêm resolutamente a auspiciosa convicção de que podemos transformar nosso destino em missão. O Dr. Pérez Esquivel manifestou seu profundo apoio às ações dos membros da Soka Gakkai, que se empenham constantemente em encorajar os outros.

E hoje, um fluxo contínuo de jovens sucessores, “corredores da justiça”, prossegue emergindo na Divisão dos Estudantes. Cada um de vocês é um valor humano que inspira imensas esperanças. Muitas pessoas de bom discernimento do mundo solidárias ao nosso movimento aguardam ansiosamente o crescimento de vocês.

Desenvolver e engrandecer as asas da juventude

Estou certo de que vocês, meus jovens amigos da Divisão dos Estudantes, passam pelos mais diversos tipos de problemas e preocupações. Mas aqueles que sofreram conseguem compreender os sofrimentos dos outros e encorajá-los. Superar a dor e as adversidades os torna mais fortes desenvolvendo e engrandecendo as asas da juventude para que possam voar alto. Nada jamais é desperdiçado.

O segredo é continuar avançando com paciência e coragem, consultando e trocando ideias com bons amigos e veteranos na fé que se importam com vocês.

Acima de tudo, permaneçam firmes na prática da fé budista por toda a vida, sem nunca a abandonarem. A passagem da Carta de Sado que consta a seguir expõe a importância de possuir o “coração de um rei leão” para agir exatamente dessa forma.

Trecho 2 do escrito

Carta de Sado

Além dessas pessoas, havia aquelas que pareciam acreditar em mim, mas começaram a criar dúvidas ao me verem ser perseguido. Elas não só abandonaram o Sutra do Lótus como também acreditaram que eram sábias o bastante para me orientar. O triste fato é que essas pessoas perversas deverão sofrer no inferno Avichi9 por um tempo ainda mais longo que os seguidores da Nembutsu. (...) “Embora o sacerdote Nichiren seja nosso mestre, ele é enérgico demais. Nós propagaremos o Sutra do Lótus de maneira mais branda.” Com tal declaração, eles demonstram ser tão ridículos quando um vaga-lume que ri do Sol e da Lua, um formigueiro que despreza o Monte Hua,10 poços e riachos que zombam dos rios e dos oceanos ou uma gralha que imita a fênix. (CEND, v. I, p. 322-323)

A grandiosidade do mestre que propaga o Sutra do Lótus

Quando Daishonin escreveu essa carta, seus discípulos em Kamakura também estavam sendo perseguidos. Consequentemente, alguns começaram a duvidar dos ensinamentos e abandonaram a fé por medo.

À luz das escrituras budistas, era inevitável que surgissem aqueles que perseguiriam Nichiren Daishonin, o devoto do Sutra do Lótus. Porém, quando Daishonin foi exilado na Ilha de Sado, infelizmente, alguns de seus discípulos não só abandonaram os ensinamentos dele, como também alegaram saber mais que ele e começaram a criticá-lo.

Esses indivíduos arrogantes não aceitavam genuinamente os ensinamentos de Nichiren Daishonin. Em vez disso, apresentaram suas alegações arbitrárias. Daishonin afirma que eles eram como o asura que tentou superar o Buda expondo dezenove elementos quando o Buda havia ensinado apenas dezoito,11 ou os mestres não budistas que afirmaram possuir noventa e cinco maneiras de atingir a iluminação,12 enquanto o Buda oferecia somente um caminho (cf. CEND, v. I, p. 322). Do mesmo modo, alguns dos discípulos de Daishonin dessa época criticaram-no, dizendo: “Embora o sacerdote Nichiren seja nosso mestre, ele é enérgico demais. Nós propagaremos o Sutra do Lótus de maneira mais branda” (CEND, p. 322-323).

No entanto, Daishonin reagiu com serenidade e autoconfiança, descrevendo tais indivíduos como “tão ridículos quando um vaga-lume que ri do Sol e da Lua, um formigueiro que despreza o Monte Hua, poços e riachos que zombam dos rios e dos oceanos ou uma gralha que imita a fênix” (Ibidem, p. 323).

Uma condição de vida de ilimitada compaixão moldada pelas dificuldades

Nesse trecho, Nichiren Daishonin destaca a enorme diferença na condição de vida que há entre ele e seus detratores, comparando os vaga-lumes com o Sol, um formigueiro com uma montanha e poços e riachos com rios e oceanos.

A partir do dia em que proclamou o estabelecimento de seus ensinamentos, Daishonin iniciou sua resoluta batalha para aliviar, infalivelmente, o sofrimento das pessoas, por toda a eternidade. Ele declarou que não havia abandonado seu juramento seigan nesse sentido, nem mesmo após ser exilado na Ilha de Sado, tampouco o abandonaria no futuro.

Daishonin continuou travando sua luta compassiva pela paz e felicidade das pessoas. Nesse processo, sua visão se ampliou daqueles ao seu redor para todos os integrantes da sociedade, de um único país para o mundo inteiro, e do presente para o eterno futuro.

Nichiren Daishonin descreveu sua vida como uma infindável série de obstáculos e dificuldades: “Assim como as montanhas se erguem em sucessão e as ondas se levantam uma após outra, as perseguições provocarão mais perseguições e críticas fomentarão mais críticas” (CEND, v. I, p. 252). Ninguém se igualava a ele a esse respeito. Contudo, Daishonin estava preparado para encontrar obstáculos dessa magnitude e, por mais que indivíduos arrogantes o atacasse, eles jamais conseguiriam destruir sua vasta condição de vida.

Aqui, vemos Daishonin tentando transmitir aos seus discípulos sua condição de vida de ilimitada compaixão, a qual era una com o seu juramento seigan de conduzir todas as pessoas à felicidade. Ao tomarem conhecimento do espírito de Daishonin, os discípulos que enfrentavam perseguições em Kamakura devem ter sentido a coragem brotando em seu coração.

A comunidade de companheiros de prática de Nichiren Daishonin, com seu emblemático espírito de unicidade de mestre e discípulo, foi construída quando seus discípulos se levantaram com o mesmo juramento seigan e compromisso inabalável que ele.

A Soka Gakkai avança com o “coração de um rei leão”

Coragem é o fator essencial para perseverar na fé, sem abandoná-la.

Arrogância e covardia são as duas faces da mesma moeda. Com o coração covarde, não é possível romper as maldades existentes no seu interior. Por isso, é tão importante reunir o corajoso “coração de um rei leão” e lutar dando o máximo de nós.

Nosso primeiro e segundo presidentes, Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda, ultrapassaram os obstáculos e as dificuldades com que se depararam, com o “coração de um rei leão, precisamente como Daishonin ensinou, para abrir o grande caminho para o kosen-rufu.

Makiguchi sensei afirmou: “Quanto mais arduamente lutamos, mais fortes nos tornamos, e mais rápido conseguimos demonstrar a grandiosidade do Budismo Nichiren”. Ele também disse: “Ponha em prática em sua vida o princípio de ‘transformação de veneno em remédio’”.13

Membros da Soka Gakkai do Japão e do mundo todo vêm avançando com vibrante coragem exatamente com esse espírito.

Valorizando cada palavra da Carta de Sado, os mestres e discípulos Soka levantaram-se com o mesmo espírito de Daishonin e vêm realizando uma grande luta pelo kosen-rufu.

O mundo inteiro é o palco de vocês

Com base nesse espírito Soka, estamos dedicando a vida ao nobre propósito de concretizar o kosen-rufu mundial, que é, em si, a própria paz mundial. Não há modo de vida mais admirável. Vocês, integrantes da Divisão dos Estudantes, que tomam parte nesse esplêndido esforço durante a sua juventude, estão presentes em todos os continentes. O mundo inteiro é o palco de vocês.

Não obstante que problemas possam surgir, continuem reunindo o “coração de um rei e leão” e ultrapassem todos os obstáculos com o espírito de dedicação sem poupar a própria vida à propagação da Lei Mística. Se possuir uma fé com tamanha determinação, o brilho da vitória e da honra emanará de sua vida.

“Confio o kosen-rufu totalmente a vocês”

Vocês, nossos jovens “corredores da justiça”, são nossa esperança para o futuro. Encerrando, gostaria de lhes dedicar algumas palavras que transmiti aos membros da DE-Herdeiro com quem estudei a Carta de Sado no passado: “Espero que jamais se esqueçam, enquanto viverem, de que o espírito da Soka Gakkai consiste no puro espírito de realizar o kosen-rufu. E espero que compartilhem isso com os membros mais jovens que vocês também. Confio o kosen-rufu totalmente a vocês!”.

(Daibyakurenge, edição de abril de 2021)

Com a colaboração/revisão do Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da BSGI

Resumo Estudo — Julho 2024

Principais tópicos estudados

Transformação do carma ou destino

Enfrentar as situações mais árduas com inabalável determinação e perseverança, recusando-se a recuar um único passo, habilita-nos a cultivar um espírito forte, que se torna uma força propulsora essencial para conduzir uma vida vitoriosa.

Causa e efeito

Quando o sol nasce, dissipa a escuridão e ilumina o mundo radiantemente. De modo semelhante, quando recitamos Nam-myoho-renge-kyo, fazemos o sol do nosso estado de buda inerente desde o tempo sem início brilhar dentro de nós. Consequentemente, a escuridão da ignorância fundamental se extingue, o carma passado se transforma e nos tornamos plenos de poder básico para vencer os sofrimentos e as adversidades.

“Carma adotado por desejo próprio”

[Os] bodisatvas descobrem e despertam para o fato de que o poder para superar as adversidades é inerente à própria vida. Por meio dessa força interior decorrente da fé na Lei Mística, eles repelem o sofrimento cármico que os assola e, então, tornam-se capazes de inspirar e encorajar a todos ao seu redor.

Frases marcantes

“O inverno nunca falha em se tornar primavera.”

“Enfrentarei intrepidamente o meu destino, o qual jamais conseguirá me destruir. Oh! Seria maravilhoso viver a vida mil vezes!”

“Mesmo que calamidades possam vir a ocorrer, elas podem ser transformadas em boa sorte.”

“Quando um grande mal ocorre, um grande bem o sucederá.”

“Quando o sol nasce, dissipa a escuridão e ilumina o mundo radiantemente. De modo semelhante, quando recitamos Nam-myoho-renge-kyo, fazemos o sol de nosso estado de buda inerente desde o tempo sem início brilhar dentro de nós.”

“Não deixem de sorrir para a vida. Nos momentos mais difíceis, precisamos seguir em frente. Sempre seremos capazes de construir um mundo melhor por meio do poder da esperança.”

“Espero que jamais se esqueçam, enquanto viverem, de que o espírito da Soka Gakkai consiste no puro espírito de realizar o kosen-rufu. E espero que compartilhem isso com os membros mais jovens que vocês também. Confio o kosen-rufu totalmente a vocês!”

Personalidades e personagens budistas citados

- Josei Toda

- Tsunesaburo Makiguchi

- Nichiren Daishonin

- Ludwig van Beethoven, compositor e pianista alemão

- Fred Sinowatz, vice-chanceler e ministro da Educação e Arte da Áustria

Perguntas-guia para as atividades de estudo

O que acontece quando praticamos diligentemente o Budismo Nichiren?

Despertamos para a dignidade e valor de nossa vida. Ativamos nossa sabedoria e força inerentes e nos empenhamos para criar o valor mais elevado, contribuindo para o bem-estar e a felicidade do próximo e da sociedade.

Qual o significado do princípio de “carma adotado por desejo próprio”?

Há um episódio no Sutra do Lótus, no qual os bodisatvas juram surgir numa época futura repleta de maldades para ajudar a conduzir as pessoas à felicidade. Ou seja, escolhem por vontade própria assumir o carma de nascer numa era problemática e, mediante seu exemplo de lutar contra esse carma, encorajar outros que estejam sofrendo. Trata-se do princípio de “carma adotado por desejo próprio”.

Qual era a postura de Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda, primeiro e segundo presidentes da Soka Gakkai, quando se deparavam com os obstáculos e as dificuldades na vida?

Ultrapassaram os obstáculos e as dificuldades com que se depararam, com o “coração de um rei leão, precisamente como Daishonin ensinou, para abrir o grande caminho para o kosen-rufu. Makiguchi sensei afirmou: “Quanto mais arduamente lutamos, mais fortes nos tornamos, e mais rápido conseguimos demonstrar a grandiosidade do Budismo Nichiren”. Ele também disse: “Ponha em prática em sua vida o princípio de ‘transformação de veneno em remédio’”.

No topo: Exibição artística na Convenção Juventude Soka Esperança do Mundo (São Paulo, maio 2024) Foto: BS

Notas:

1. BEETHOVEN, Ludwig van. Beethoven’s Letters (1790–1826): From the Collection of Dr. Ludwig Nohl (Cartas de Beethoven (1790-1826): Coleção do Dr. Ludwig Nohl). Tradução: Grace Jane Wallace (ed.). v. 1. Cambridge, Massachusetts: Cambridge University Press, 2014. p. 35.

2. “Calúnia”, nesse contexto, significa “insulto verbal”.

3. “Três maus caminhos”: Também conhecidos como os “três maus caminhos da existência”. Estados de sofrimentos nos quais as pessoas caem como resultado de suas más ações. Os “três maus caminhos” são: mundo do inferno, mundo dos espíritos famintos e mundo dos animais.

4. Redigida no vigésimo dia do terceiro mês de 1272, em Tsukahara, na Ilha de Sado, essa carta foi endereçada a todos os discípulos de Nichiren Daishonin. Nela, Daishonin busca dissipar quaisquer dúvidas que pudessem ter surgido no coração deles em virtude da Perseguição de Tatsunokuchi e subsequente exílio na Ilha de Sado, aproximadamente seis meses antes, e oferecer-lhes orientação e incentivo.

5. O presidente Ikeda proferiu duas palestras na Universidade Harvard: “A Era do Soft Power” (26 de setembro de 1991) e “O Budismo Mahayana e a Civilização do Século 21” (24 de setembro de 1993).

6. “Escuridão fundamental” ou “ignorância fundamental”: Ilusão inerente à vida mais profundamente arraigada, que dá origem a todas as demais ilusões e desejos mundanos. Consiste na incapacidade de ver ou de reconhecer a verdade suprema da Lei Mística, bem como os impulsos negativos que surgem dessa ignorância.

7. “Carma adotado por desejo próprio”: Refere-se ao fato de os bodisatvas, apesar de qualificados a receber as puras recompensas da prática budista, abrem mão delas e selam o juramento de renascer num mundo impuro para salvar os seres vivos.

8. Artigo publicado na edição do Seikyo Shimbun de 26 de novembro de 2020.

9. Inferno Avichi: O inferno de incessantes sofrimentos.

10. Monte Hua: Uma das cinco montanhas sagradas da China.

11. Dezoito elementos: Conceito abrangente de três categorias inter-relacionadas: os seis órgãos sensoriais (olhos, orelhas, nariz, língua, pele e mente), e as seis consciências (visual, auditiva, olfativa, gustativa, tátil e mental), que se manifestam por meio da interação dos seis órgãos sensoriais com seus respectivos objetos.

12. Baseado em uma passagem de Tratado sobre Grande Perfeição da Sabedoria. Os “noventa e cinco” caminhos podem ser atribuídos ao fato de haver noventa e cinco escolas não budistas na época de Shakyamuni.

13. “Transformação de veneno em remédio” indica empregar o poder da Lei Mística para transformar uma vida de sofrimento em uma vida repleta de sabedoria e das virtudes do Buda.

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