TC
Estudo
há 2 anos
[73] Prezar cada pessoa — a essência da nossa luta conjunta pelo kosen-rufu
Budismo do Sol Iluminando o Mundo
Dr. Daisaku Ikeda
01/08/2024
![[73] Prezar cada pessoa — a essência da nossa luta conjunta pelo kosen-rufu](https://meubs.com.br/assets/images/ebs-2024-08-01_15-16-00.jpeg)
Explanação
Nessa data [3 de maio], há setenta anos (1951), a Soka Gakkai realizou seu hosshaku-kempon, isto é, abandonou seu aspecto transitório e revelou sua verdadeira identidade inerente, como uma harmoniosa comunidade de bodisatvas da terra dedicada a concretizar o kosen-rufu, o grandioso empreendimento de conduzir as pessoas à felicidade. Foi o dia do ponto primordial que deu início ao desenvolvimento sem precedentes da luta conjunta de mestre e discípulo.
Hoje, o Budismo do Sol de Nichiren Daishonin lança, de forma resplandecente, sua luz de esperança sobre o planeta, iluminando sociedades de todos os lugares. Aquele dia, há sete décadas, é o ponto inicial da irrefreável correnteza do grande rio do kosen-rufu que se observa no presente — nosso grande movimento para propagar, de maneira compassiva, a Lei Mística — e da consolidação de uma era em que os “valores humanos” emergidos da terra desempenham papéis ativos no palco do mundo.
Sete década desde a posse presidencial do venerado mestre
Três de maio de 1951 estava claro e ensolarado. Naquele dia, meu mestre, Josei Toda, mantendo o grande juramento pelo kosen-rufu, foi empossado como segundo presidente da Soka Gakkai numa reunião realizada no distrito de Sumida, em Tóquio.
Tinham se passado sete anos desde que o nosso primeiro presidente, Tsunesaburo Makiguchi, morrera na prisão, no gélido fim de outono de 1944, por sua crença inabalável no Budismo Nichiren. E lá estava eu contemplando a nobre figura de Toda sensei sendo nomeado, algo que esperava presenciar havia muito tempo. Aquele dia assinalou um esplêndido triunfo de mestre e discípulo.
Havíamos lutado para abrir caminhos, rompendo dificuldades avassaladoras para chegar lá. Foi como pisar em gelo fino ou permanecer de pé à beira do precipício. No ano anterior, os negócios de Toda sensei mergulharam na crise em meio ao tumulto econômico do Japão pós-guerra, e Toda sensei renunciou ao cargo de diretor-geral da Soka Gakkai para evitar que esses problemas afetassem a organização de forma negativa.
Lidar com as duras realidades da sociedade foi extremamente desafiador. Mas não era de modo algum a derrota do budismo. Nós jamais fomos vencidos na fé e na prática do Budismo Nichiren.
Firmei o poderoso juramento de me empenhar em espírito de unicidade com meu mestre para superar aquele momento de infortúnio e abrir, sem falta, caminhos para um futuro promissor. Disse a mim mesmo: “Toda sensei foi preso com Makiguchi sensei por sua devoção ao Budismo Nichiren e agora está dando continuidade ao ideal do seu mestre. Sem ele, não podemos alcançar a ampla propagação da Lei Mística em absoluto. Proteger esse grande líder da propagação neste momento corresponde a proteger o sangue vital do kosen-rufu. É imprescindível que ele se torne presidente e lidere o nosso movimento, e eu farei tudo o que estiver ao meu alcance para assegurar que isso aconteça, para que ele possa concretizar o grande juramento seigan pelo kosen-rufu!”.
Toda sensei me disse: “A missão pela qual nasci para cumprir neste mundo também é sua”. Orando de forma intensa e lutando furiosamente tal como um asura, rompi todos os obstáculos para desobstruir o caminho para meu mestre.
“Quando um homem [uma pessoa] passou a vida inteira à beira de um precipício, os perigos mais urgentes têm pouca importância”.1
Gravei essas palavras memoráveis em minha vida durante aquele período doloroso há sete décadas. Essas palavras são de Cidade Eterna (de Hall Caine), romance com cenário em uma época de revolução que li junto com Toda sensei.
Mesmo nas circunstâncias mais desesperadoras, seguimos com essa convicção inabalável, unidos em um só espírito como mestre e discípulos.
“Eu sou um bodisatva da terra!”
A Soka Gakkai se desintegrou em virtude da opressão do governo militarista do Japão no decorrer da Segunda Guerra Mundial. Para Toda sensei, tornar-se presidente significava o desafio de reconstruí-la como uma organização popular que permaneceria firme diante de qualquer ataque das autoridades.
Toda sensei saiu da prisão com a consciência de que “Eu sou um bodisatva da terra”, reconhecendo que a luta pelo kosen-rufu inevitavelmente voltaria a enfrentar perseguições por parte dos “três poderosos inimigos”.2
Durante a guerra, Makiguchi sensei declarou rigorosamente várias vezes que a Soka Gakkai deveria “abandonar o transitório e revelar o verdadeiro” — referindo-se ao conceito budista que significa descartar a condição transitória e demonstrar a verdadeira identidade ou potencial iluminado mais elevado.
Levando avante as aspirações do seu mestre, Toda sensei concluiu que isso significava que a Soka Gakkai deveria emergir como uma comunidade harmônica de praticantes unidos com o espírito de unicidade de mestre e discípulo. Deveria ser uma coletividade de pessoas despertas para sua identidade como bodisatvas da terra e que compartilham do juramento seigan e da missão de trabalhar pelo kosen-rufu.
A partir de então, todo 3 de Maio tem sido o dia em que renovamos a determinação e o juramento de prosseguir com a eterna jornada do kosen-rufu da luta conjunta de mestre e discípulo.
Trecho do escrito 1
Abertura dos Olhos
No que diz respeito ao entendimento do Sutra do Lótus, minha capacidade de compreensão corresponde a apenas uma pequena fração da vasta capacidade que Tiantai e Dengyo [grandes mestres budistas da China e do Japão, respectivamente]3 possuíam. Todavia, considerando minha capacidade de enfrentar perseguições e minha enorme compaixão pelas pessoas, creio que eles ficariam muito admirados.4 (CEND, v. I, p. 252)
A perseverança e a compaixão são a essência da prática
O primeiro excerto que estudaremos nesta oportunidade consta em Abertura dos Olhos. Trata-se de uma importante passagem na qual Nichiren Daishonin expõe seu estado de espírito como devoto, ou praticante, do Sutra do Lótus nos Últimos Dias da Lei. Essas palavras mais uma vez destacam o profundo significado do advento da Soka Gakkai no mundo [como uma organização personificando as mesmas qualidades extraordinárias da perseverança e da compaixão demonstradas por Daishonin].
Tiantai e Dengyo, mestres de épocas anteriores, prestaram contribuições inestimáveis à promoção de um entendimento correto do Sutra do Lótus, elucidando sua sabedoria universal com lógica e razão. No entanto, afirma Daishonin, há um fator ainda mais importante para propagar o Sutra do Lótus na era maléfica dos Últimos Dias da Lei — ou seja, a perseverança e a compaixão para ajudar a conduzir à felicidade aqueles que estão dominados pelo sofrimento. Essas duas qualidades são essenciais para os devotos do Sutra do Lótus. Ao mesmo tempo, são os atributos que habilitaram Daishonin a proclamar o estabelecimento de seu ensinamento do Nam-myoho-renge-kyo (no vigésimo oitavo dia do quarto mês de 1253) e a dar início à sua grande luta para propagá-lo nesta era maléfica dos Últimos Dias da Lei para todo o Jambudvipa [o mundo inteiro].
A solene luta espiritual de Daishonin antes de estabelecer seu ensinamento
Em um trecho anterior de Abertura dos Olhos, Nichiren Daishonin descreve seus pensamentos antes de declarar seu ensinamento.
Ele diz que ponderou seriamente se deveria dar esse passo. Se pregasse o Sutra do Lótus, sofreria perseguições. Mas, se não o fizesse, por temor, “não estaria agindo com compaixão” (cf. CEND, v. I, p. 249). Por fim, concluiu que o caminho que deveria escolher era falar, e falar sem medo, em vez de permanecer calado: “Contudo, se, diante da perseguição do soberano, a minha determinação enfraquecesse, seria melhor que eu não me pronunciasse. Enquanto pensava nessa questão, lembrei-me dos ensinamentos do capítulo ‘Torre de Tesouro’ sobre os seis atos difíceis e os nove atos fáceis”5 (Ibidem, p. 249-250).
Os “nove atos fáceis” abrangem façanhas impossíveis como levantar o Monte Sumeru6 e arremessá-lo longe, carregar um fardo de palha nas costas e, ainda assim, não se queimar no meio de um imenso fogaréu, e ler e memorizar tantos sutras quanto os grãos de areia do Ganges” (cf. Ibidem, p. 250).
Os “seis atos difíceis”, por sua vez, incluem abraçar o Sutra do Lótus e ensiná-lo até para uma única pessoa na era posterior à morte do Buda, algo descrito como infinitamente mais difícil do que qualquer dos aparentemente impossíveis nove atos fáceis (cf. Ibidem).
Por que é tão difícil, então, ensinar o Sutra do Lótus até para uma única pessoa? Um dos motivos é o fato de ser incrivelmente difícil produzir uma mudança interna na vida de uma pessoa. Demanda compromisso tenaz. Nos Últimos Dias da Lei, em especial, tais esforços enfrentarão resistência e oposição. Por isso, é necessária perseverança. E o poder do nosso juramento seigan pelo kosen-rufu nos habilita a suportar essas provações e romper os obstáculos e as dificuldades que encontramos.
Nichiren Daishonin escreve: “Jurei manter uma poderosa e inabalável determinação de salvar todos os seres vivos, sem jamais esmorecer em meus esforços” (CEND, v. I, p. 250). Com esse juramento inabalável, ele se lançou intrepidamente à sua luta monumental, declarando que “Assim como as montanhas se erguem em sucessão e as ondas se levantam uma após a outra, as perseguições provocarão mais perseguição e críticas fomentarão mais críticas” (Ibidem, p. 251).
No processo de suportar aquelas várias perseguições, ele estabeleceu o sublime ensinamento para a iluminação de toda a humanidade, um budismo com foco nas pessoas mediante o qual todos podem transformar seu destino em missão, desfrutar a vida à plenitude e se tornar felizes.
Kosen-rufu, o empreendimento mais difícil de todos
Outro nome para Buda é “Aquele que Consegue Suportar”.
Sem a capacidade de suportar, a pessoa não pode ensinar e praticar o Sutra do Lótus no conturbado mundo saha7 dos Últimos Dias da Lei, uma era mais repleta de ódio e de inveja que a época em que Shakyamuni viveu.8
Nós, da Soka Gakkai, plenamente conscientes da inevitabilidade dessa perseguição, levantamo-nos com Toda sensei no comando, como um inigualável líder da propagação. Nossos esforços pelo kosen-rufu estão diretamente conectados com a grande luta de Daishonin para propagar a Lei Mística em meio a incessantes adversidades.
Certa vez, no aniversário do estabelecimento do ensinamento de Nichiren Daishonin, discorri sobre os seis atos difíceis e nove atos fáceis para explicar por que o kosen-rufu constitui um esforço tão desafiador.
O Sutra do Lótus é o ensinamento para a iluminação de todas as pessoas. Extingue a ignorância fundamental9 que reside dentro de nós, habilita-nos a aprimorar e a elevar nossa condição de vida interior e nos desperta para nossa dignidade e nosso potencial ilimitado. As ações de cada indivíduo que passou por esse despertar infalivelmente criam ondas de transformação de uma infinidade de formas — ondas completamente diferentes daquelas arraigadas nos poderes constituídos que buscam apenas preservar o tradicionalmente estabelecido. O resultado, embora não intencional, são atritos e conflitos, que podem se transformar em opressões.
Mesmo que tenhamos as melhores intenções e sejamos totalmente sinceros em nossa relação com a sociedade, buscando estabelecer a verdade para a paz da nação (rissho-ankoku) com o espírito de amizade com todos, não podemos escapar dessa tensão inerente. Por isso, o espírito indômito de perseverança é indispensável para realizar o kosen-rufu no mundo saha.
Estender a mão amiga para as pessoas
Um atributo indissociável da perseverança é a compaixão.
Compaixão significa ficar ao lado daqueles que mais estão sofrendo e são infelizes. A palavra sânscrita que representa compaixão tem o mesmo radical que a palavra “amizade”. A compaixão genuína consiste em ser um amigo verdadeiro daqueles que estão sofrendo e estender a mão para apoiá-los e auxiliá-los a aliviar seus sofrimentos. Significa jamais abandoná-los, não importando o que aconteça.
Há uma parábola do Sutra do Nirvana à qual Daishonin atribuía grande relevância. Trata-se da história de uma mulher pobre que realiza uma viagem percorrendo trajetos perigosos com seu bebê. A mãe e a criança são arrastadas durante a travessia do rio Ganges, mas ela se recusa a soltar o bebê. Por seu “terno amor” — ou compaixão — pelo filho diante de todos os obstáculos, ela renasce no céu de Brahma (cf. CEND, v. I, p. 295).
Daishonin salienta que a firmeza, tal como a demonstrada por essa mãe compassiva e magnânima da parábola, que suporta pacientemente o sofrimento por um longo tempo, com a determinação de não abandonar a fé, é o fator essencial para atingir o estado de buda. Em uma famosa passagem de Abertura dos Olhos nesse sentido, ele escreve: “Eu e meus discípulos ainda que ocorram vários obstáculos, desde que não se crie a dúvida no coração, atingiremos naturalmente o estado de buda” (Ibidem, p. 296). É um trecho que os membros do mundo todo, unidos em espírito de unicidade de mestre e discípulo, leram com a vida, triunfando sobre todas as espécies de adversidades.
Pensar nessas passagens me lembra que 3 de maio é o Dia das Mães da Soka Gakkai e o mês seguinte (junho de 2021) assinala o 70º aniversário da Divisão Feminina. Gostaria de expressar minha sincera gratidão e louvor às integrantes da Divisão Feminina, nobres sóis Soka, que nutrem a vida, trabalham pela paz e vivem com alegria e otimismo, recusando-se a permitir que qualquer adversidade ou tormenta do destino as derrotem.
Foto tirada por Ikeda sensei em junho de 1996 (Parque em Denver, Estados Unidos)
Trecho do escrito 2
A Escolha da Essência do Sutra do Lótus
O capítulo “Rei dos Remédios” afirma: “Após eu [Shakyamuni] ter entrado em extinção, no último período de quinhentos anos [Últimos Dias da Lei], deve propagá-lo [o Sutra do Lótus] amplamente, em todo o Jambudvipa [o mundo inteiro], e jamais permitir que ele deixe de existir” [LSOC, cap. 23, p. 330]. E o mesmo capítulo diz: “Este sutra provê um bom remédio para os males dos habitantes de Jambudvipa” [Ibidem].
O Sutra do Nirvana declara: “Suponha que um casal tenha sete filhos e um deles caia doente. Apesar de os pais amarem todos os filhos igualmente, eles se preocupam mais com o que está doente”. (...) E entre todos os remédios, o mais eficaz é o Nam-myoho-renge-kyo.10 (WND, v. II, p. 487)
O Sutra do Lótus é um ensinamento para os Últimos Dias da Lei
Examinemos agora a passagem de A Escolha da Essência do Sutra do Lótus aqui apresentada. No trecho imediatamente anterior a esse, Nichiren Daishonin questiona para quem foi ensinado o capítulo 16, “A Extensão da Vida”, que revela a eternidade da vida do Buda. Respondendo, Daishonin declara que foi ensinado exclusivamente para as pessoas que vivem no mundo após a morte de Shakyamuni, e, em particular, para ele e seus discípulos. E expressa categoricamente: “[O capítulo ‘A Extensão da Vida’] foi exposto para Nichiren e seus seguidores, que estão vivendo hoje nos Últimos Dias da Lei” (WND, v. II, p. 487).
Na sequência desse trecho, anterior ao que estamos estudando, Daishonin cita passagens dos capítulos 15 e 16, “Emergindo da Terra” e “A Extensão da Vida”, respectivamente, do Sutra do Lótus. E nessa parte que estamos nos concentrando, ele oferece provas documentais extraídas do capítulo 23, “Rei dos Remédios” [do Sutra do Lótus] e do Sutra do Nirvana.
A passagem do capítulo “Rei dos Remédios” citada nesse trecho representa as verdadeiras palavras com as quais Shakyamuni confia a seus discípulos a tarefa de propagar amplamente o Sutra do Lótus pelo mundo inteiro na era maléfica dos Últimos Dias da Lei, posterior à sua morte, e de libertar todos os seres vivos do sofrimento. Trata-se de uma prova documental de que o kosen-rufu mundial é a intenção e o decreto do Buda. Os bodisatvas da terra são aqueles que abraçam como missão e juramento essa tarefa de realizar a ampla propagação nos Últimos Dias da Lei.
O bom remédio para curar os males da humanidade
Na sequência, Nichiren Daishonin cita uma passagem do capítulo “Rei dos Remédios”, declarando que o Sutra do Lótus é o “bom remédio para os males dos habitantes de Jambudvipa [o mundo inteiro]” (LSOC, cap. 23, p. 330). Isso nos mostra que, ao se propagar amplamente o Sutra do Lótus, o verdadeiro foco não consiste meramente em propagar suas doutrinas, mas em ajudar, de fato, aqueles que estão enfrentando problemas na vida real a se tornar felizes.
Da perspectiva de profunda compaixão do Buda, conhecido como o “grande rei dos médicos”,11 os seres vivos dos Últimos Dias da Lei não são apenas vulneráveis à ameaça das doenças físicas de origem externa, como epidemias; eles também são iludidos pela escuridão fundamental, atormentados por doenças espirituais decorrentes da virulência dos “três venenos” — avareza, ira e estupidez. O Nam-myoho-renge-kyo é o grande remédio eficaz para superar tais sofrimentos e habilitar as pessoas dos Últimos Dias da Lei a atingir a iluminação.
O foco fundamental do Sutra do Lótus, o ensinamento da iluminação universal, é como aliviar os sofrimentos de cada pessoa na vida real.
Em seguida, Daishonin menciona outra alegoria do Sutra do Nirvana — a parábola dos sete filhos: “Suponha que um casal tenha sete filhos e um deles caia doente. Apesar de os pais amarem todos os filhos igualmente, eles se preocupam mais com o que está doente” (WND, v. II, p. 487).
O filho doente, no contexto do Sutra do Nirvana, é uma metáfora para o rei Ajatashatru,12 que, no começo, via Shakyamuni com inimizade. Aqueles que parecem ser os mais difíceis de ajudar muitas vezes são, na realidade, os que mais estão sofrendo. Para Daishonin, o filho doente não é ninguém além das pessoas que vivem nos Últimos Dias da Lei, período extremamente difícil para guiá-las à iluminação. Tanto Shakyamuni como Nichiren Daishonin estendem a mão para aqueles que se encontram na maior infelicidade e desespero.
Nichiren Daishonin também cita a parábola dos sete filhos e a história do Ajatashatru de forma mais detalhada numa carta enviada à monja leiga Myoichi, na qual constam estas palavras inspiradoras: “O inverno nunca falha em se tornar primavera” (CEND. v. I, p. 560).
O incentivo incansável de Daishonin a seus discípulos
A essência do Budismo Nichiren reside em interagirmos com as outras pessoas, tentarmos entendê-las, valorizando cada uma delas, e fazermos tudo o que pudermos para conduzi-las à felicidade.
Enquanto abria o caminho para estabelecer a verdade visando à paz da nação, visualizando a concretização do kosen-rufu de Jambudvipa [o mundo inteiro] no longínquo futuro, Daishonin também ficava muito próximo da vida de cada um de seus discípulos e os encorajava continuamente.
Com seu juramento seigan de realizar o kosen-rufu no Japão e na Ásia, Toda sensei consolidou o processo conhecido como “retorno do budismo para o oeste”.13 Ao mesmo tempo, abraçava e oferecia orientação individual aos membros da Soka Gakkai que o visitavam dia após dia, procurando conselhos em relação a problemas cotidianos, desde doenças até dificuldades financeiras, desavenças familiares e vários outros assuntos.
Não se trata simplesmente de preconizar o ato de aliviar o sofrimento da humanidade como um princípio geral abstrato. O que importa é aliviar o sofrimento no dia a dia das pessoas no mundo real. Essa é a dimensão do juramento seigan de conduzir as pessoas à iluminação; é o que define a vitória ou a derrota citada no budismo. Em outras palavras, como indica o provérbio “um é mãe de dez mil” (CEND, v. I, p. 135), por meio de ações concretas para estender a mão para auxiliar uma única pessoa, impactamos todos os seres vivos. Ajudar a aliviar o sofrimento de alguém que você conhece acarreta alívio dos sofrimentos de todas as pessoas.
Mahatma Gandhi (1869–1948) declarou que seu desejo era “enxugar todas as lágrimas de todos os olhos”.14 Essas palavras me trazem à lembrança o semblante compassivo de Toda sensei cujo mais sincero desejo era eliminar a miséria e o sofrimento da face da Terra.
Uma alegoria ensinada por Gandhi
Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi, em uma ocasião, contou-me uma alegoria que ouviu do avô.
Certa manhã, um homem caminhava pela praia e descobriu várias estrelas-do-mar arrastadas pelas ondas do mar e deixadas sobre a areia. Sabendo que, assim que o sol raiasse, elas ressecariam e morreriam, o homem começou a apanhá-las e a atirá-las de volta ao mar. Outro homem se aproximou e disse rindo: “Veja quantas são! Não poderá salvar todas elas!”. O primeiro homem, arremessando uma estrela-do-mar na água, respondeu: “Não, mas pelo menos fará uma grande diferença para esta!”.
Arun Gandhi resumiu a moral da história do avô: “Se pudermos tocar a vida de uma única pessoa e salvá-la, essa será a grande mudança que podemos realizar”.15
O que realmente importa é interagirmos sinceramente com cada pessoa em nossa vida, sem nos deixar influenciar ou nos distrair pela noção abstrata de quantidade inumerável.
Todos são verdadeiramente importantes e preciosos
Durante a Guerra Fria, quando as forças do nacionalismo e do militarismo estavam em ascensão, o psicoterapeuta Carl Jung (1875–1961) alertou sobre o dano de se perceber as pessoas como uma massa sem rosto na qual o indivíduo é impotente: “Como unidade social, [o indivíduo] perdeu sua individualidade e tornou-se mero número abstrato. (...) Ele só pode desempenhar o papel de uma unidade intercambiável de importância infinitesimal”.16 Quando isso acontece, lamentou ele, “o respeito ao indivíduo” e o valor ou significado do indivíduo” se perdem.17
Jung enfatiza que o indivíduo não é insignificante e que devemos ajudar cada pessoa a perceber “que [o indivíduo] é o único fator importante e que a salvação do mundo consiste na salvação da alma individual”.18
São palavras que realmente identificam o ponto crucial.
A vida e os sofrimentos de cada pessoa são únicos. Cada pessoa possui dignidade inigualável e valor insubstituível.
O kosen-rufu avança por meio do diálogo de pessoa a pessoa
Em Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Nichiren Daishonin expressa: “Os diversos sofrimentos pelos quais os seres vivos passam — todos eles são sofrimentos do próprio Nichiren” (OTT, p. 138).
E em uma de suas cartas, Daishonin declara: “Os vários sofrimentos (compartilhados) a que os seres vivos são submetidos (...) — são todos sofrimentos do próprio Nichiren” (WND, v. II, p. 934).
Nichiren Daishonin está dizendo que assume como seus tanto os sofrimentos individuais de cada ser humano — os “vários sofrimentos” — como confronta e ora pela solução dos sofrimentos fundamentais comuns a todos os seres vivos — os “sofrimentos compartilhados”. Com esse espírito de compaixão, ele estende a mão para todas as pessoas.
Em seu discurso de posse ao se tornar presidente da Soka Gakkai há sete décadas, Toda sensei anunciou seu objetivo de expandir o quadro de membros para 750 mil famílias — numa época em que contavam apenas com 3 mil. Tratava-se de uma meta surpreendente que parecia estar num futuro muito distante. Em uma explanação que proferiu naquela ocasião, ele também disse: “Kosen-rufu hoje significa realizar shakubuku nas pessoas de todo o país, compartilhando o Budismo Nichiren, e ajudá-las a abraçar o Gohonzon (...). O kosen-rufu só pode ser alcançado por meio do diálogo de pessoa a pessoa, de coração a coração”.19
O foco deve ser sempre valorizar e cultivar a amizade com uma única pessoa, encorajando-a e auxiliando-a a revitalizar a vida no âmbito mais profundo. Esforços constantes como esse possibilitaram que nosso movimento popular de bodisatvas da terra se disseminasse por 192 países e territórios. Eles são a força propulsora do desenvolvimento da Soka Gakkai como religião mundial.
Coragem e sinceridade para estreitar laços de coração a coração
Toda sensei apontou: “Nunca se esqueçam de que mudanças incríveis podem ocorrer no coração das pessoas se você interagir com elas com base na profunda compaixão. Acima de tudo, é essencial demonstrar máxima cortesia e paciência em seu relacionamento com os outros”.
Certa ocasião, quando liderava uma iniciativa para expandir nosso movimento como coordenador de staff da Divisão dos Jovens, disse a alguns membros com quem conversava: “Nas profundezas do nosso ser, estamos todos conectados à ilimitada vida do universo. Portanto, por meio da recitação do daimoku com seriedade e do diálogo de pessoa a pessoa, individualmente, com aqueles ao nosso redor, podemos transformar sem falta a nossa família, o ambiente de trabalho, a comunidade local e, por extensão, o mundo inteiro”.
Essa fórmula para o kosen-rufu permanece inalterada, sendo hoje herdada por membros do mundo todo.
De uma pessoa para outra, e, então, dessa pessoa para aquela e para a seguinte — mediante esse elo de coragem e de sinceridade ligando coração a coração, novos horizontes do kosen-rufu, pujantes e repletos de esperança, se estenderão de forma infindável.
Rumo ao triunfal topo da montanha do centenário da Soka Gakkai
Como discípulo de Toda sensei, continuo avançando com ele agora e sempre em nossa jornada conjunta para propagar a Lei Mística.
Não deixe a cargo dos outros; o que importa são o entusiasmo e a ardente paixão em seu coração. As chamas do espírito de luta de um leão, que se levanta sozinho, abrirão o grande caminho da revolução humana que é, em si, o kosen-rufu.
Visando ao triunfal topo da montanha do centenário da Soka Gakkai (em 2030), prossigamos desafiando persistentemente a cada dia, atuando nas tarefas iminentes de modo que possamos concretizar o ideal de Nichiren Daishonin de estabelecer a verdade para a paz da nação e do mundo todo. Façamos isso com intrépida determinação, fiéis ao nosso juramento seigan pelo kosen-rufu!
Resumo
Estudo — Agosto 2024
Principais tópicos estudados
Missão da Soka Gakkai e de seus integrantes
“Levando avante as aspirações do seu mestre, Toda sensei concluiu que isso significava que a Soka Gakkai deveria emergir como uma comunidade harmônica de praticantes unidos com o espírito de unicidade de mestre e discípulo. Deveria ser uma coletividade de pessoas despertas para sua identidade como bodisatvas da terra e que compartilham do juramento seigan e da missão de trabalhar pelo kosen-rufu.”
Compaixão budista
“Compaixão significa ficar ao lado daqueles que mais estão sofrendo e são infelizes. A palavra sânscrita que representa compaixão tem o mesmo radical que a palavra “amizade”. A compaixão genuína consiste em ser um amigo verdadeiro daqueles que estão sofrendo e estender a mão para apoiá-los e auxiliá-los a aliviar seus sofrimentos. Significa jamais abandoná-los, não importando o que aconteça.”
Ajudar quem está diante de mim
“O foco deve ser sempre valorizar e cultivar a amizade com uma única pessoa, encorajando-a e auxiliando-a a revitalizar a vida no âmbito mais profundo. Esforços constantes como esse possibilitaram que nosso movimento popular de bodisatvas da terra se disseminasse por 192 países e territórios. Eles são a força propulsora do desenvolvimento da Soka Gakkai como religião mundial.”
Frases marcantes
“Nossos esforços pelo kosen-rufu estão diretamente conectados com a grande luta de Daishonin para propagar a Lei Mística em meio a incessantes adversidades.”
“Os bodisatvas da terra são aqueles que abraçam como missão e juramento essa tarefa de realizar a ampla propagação nos Últimos Dias da Lei.”
“O foco fundamental do Sutra do Lótus, o ensinamento da iluminação universal, é como aliviar os sofrimentos de cada pessoa na vida real.”
“Não deixe a cargo dos outros; o que importa são o entusiasmo e a ardente paixão em seu coração. As chamas do espírito de luta de um leão, que se levanta sozinho, abrirão o grande caminho da revolução humana que é, em si, o kosen-rufu.”
“A essência do Budismo Nichiren reside em interagirmos com as outras pessoas, tentarmos entendê-las, valorizando cada uma delas, e fazermos tudo o que pudermos para conduzi-las à felicidade.”
Personalidades e personagens budistas citados
- Josei Toda
- Hall Caine, escritor britânico (1853-1931)
- Tsunesaburo Makiguchi
- Nichiren Daishonin
- Tiantai
- Dengyo
- Shakyamuni
- Parábola da mãe e seu bebê
- Parábola dos sete filhos
- Rei Ajatashatru
- Monja leiga Myoichi
- Mahatma Gandhi
- (1869–1948)
- Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi
Perguntas-guia para as atividades de estudo
Por que é tão difícil ensinar o Sutra do Lótus até para uma única pessoa?
Um dos motivos é o fato de ser incrivelmente difícil produzir uma mudança interna na vida de uma pessoa. Demanda compromisso tenaz. Nos Últimos Dias da Lei, em especial, tais esforços enfrentarão resistência e oposição. Por isso, é necessária perseverança. E o poder do nosso juramento seigan pelo kosen-rufu nos habilita a suportar essas provações e romper os obstáculos e as dificuldades que encontramos.
Qual o objetivo de propagar o budismo?
Ao se propagar amplamente o Sutra do Lótus, o verdadeiro foco não consiste meramente em propagar suas doutrinas, mas em ajudar, de fato, aqueles que estão enfrentando problemas na vida real a se tornar felizes.
Da perspectiva de profunda compaixão do Buda, conhecido como o “grande rei dos médicos”, os seres vivos dos Últimos Dias da Lei não são apenas vulneráveis à ameaça das doenças físicas de origem externa, como epidemias; eles também são iludidos pela escuridão fundamental, atormentados por doenças espirituais decorrentes da virulência dos “três venenos” — avareza, ira e estupidez. O Nam-myoho-renge-kyo é o grande remédio eficaz para superar tais sofrimentos e habilitar as pessoas dos Últimos Dias da Lei a atingir a iluminação.
Devemos desistir daquelas pessoas “mais difíceis” de ajudar?
Daishonin menciona [uma] alegoria do Sutra do Nirvana — a parábola dos sete filhos: “Suponha que um casal tenha sete filhos e um deles caia doente. Apesar de os pais amarem todos os filhos igualmente, eles se preocupam mais com o que está doente” (WND, v. II, p. 487).
O filho doente, no contexto do Sutra do Nirvana, é uma metáfora para o rei Ajatashatru, que, no começo, via Shakyamuni com inimizade. Aqueles que parecem ser os mais difíceis de ajudar muitas vezes são, na realidade, os que mais estão sofrendo. Para Daishonin, o filho doente não é ninguém além das pessoas que vivem nos Últimos Dias da Lei, período extremamente difícil para guiá-las à iluminação. Tanto Shakyamuni como Nichiren Daishonin estendem a mão para aqueles que se encontram na maior infelicidade e desespero.
No topo: Posse de Toda sensei como segundo presidente (Japão, maio 1951). Foto: Seikyo Press
Notas:
1. CAINE, Hall. Cidade Eterna. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. p. 171.
2. “Três poderosos inimigos” (jap. sanrui-no-goteki): Três tipos de pessoas arrogantes que perseguem aqueles que propagam o Sutra do Lótus na era maléfica após a morte do buda Shakyamuni, descritos na parte em verso que conclui o capítulo 13, “Encorajamento à Devoção”, do Sutra do Lótus. O grande mestre Miaole, da China, resume-os como leigos arrogantes, sacerdotes arrogantes e falsos sábios arrogantes.
3. Tiantai (538–597), também conhecido como Zhiyi, Tiantai Zhizhe, grande mestre Tiantai e grande mestre Zhizhe. Propagou o Sutra do Lótus na China. Escreveu o tratado Grande Concentração e Discernimento e estabeleceu a doutrina dos “três mil mundos num único momento da vida”. Dengyo (767–822), também conhecido como Saicho, propagou os ensinamentos do Sutra do Lótus no Japão e escreveu obras como Princípios Extraordinários do Sutra do Lótus e Esclarecimento dos Preceitos.
4. Abertura dos Olhos foi concluída em Tsukahara, na Ilha de Sado, no segundo mês de 1272 e é endereçada a todos os discípulos de Nichiren Daishonin. Revela que Daishonin é o Buda dos Últimos Dias da Lei, que incorpora as três virtudes de soberano, mestre e pai.
5. “Seis atos difíceis e nove atos fáceis” (jap. rokunan-kui): Comparações expostas no capítulo 11, “Surgimento da Torre de Tesouro”, do Sutra do Lótus, para ensinar às pessoas como seria difícil abraçar e propagar o sutra nos Últimos Dias da Lei. Os “seis atos difíceis” são: (1) propagar amplamente o Sutra do Lótus; (2) copiá-lo ou levar alguém para copiá-lo; (3) recitá-lo mesmo durante curto tempo; (4) ensiná-lo mesmo que seja para uma única pessoa; (5) ouvi-lo ou aceitá-lo e perguntar sobre o seu significado; e (6) manter a fé nele. Os “nove atos fáceis” abrangem façanhas como: ensinar inumeráveis sutras diferentes do Sutra do Lótus, atravessar uma pradaria em chamas carregando um fardo de feno nas costas sem se queimar, e chutar um grande sistema de mundos para outro quadrante.
6. Monte Sumeru: Na cosmologia indiana da antiguidade, montanha que se localizava no centro do mundo.
7. Mundo saha: Este mundo, o mundo dos seres humanos, marcado por sofrimentos. Em sânscrito, saha significa terra; deriva-se do radical “suportar” ou “resistir”. Por essa razão, nas versões chinesas dos textos budistas, a palavra saha é traduzida como “resistência”. Nesse contexto, o mundo saha indica um lugar no qual as pessoas devem resistir a todos os tipos de sofrimentos.
8. Uma passagem do Sutra do Lótus afirma: “Como o ódio e a inveja por este sutra proliferam mesmo quando Aquele que Assim Chega [buda Shakyamuni] vive neste mundo, quão piores serão depois de sua morte!” (LSOC, cap. 10, p. 203).
9. “Ignorância fundamental ou escuridão fundamental” (jap. gampon-no-mumyo): A ilusão inerente à vida mais profundamente arraigada, que dá origem a todas as demais ilusões e desejos mundanos. Consiste na incapacidade de ver ou reconhecer a verdade suprema da Lei Mística, bem como os impulsos negativos que surgem dessa ignorância.
10. Nichiren Daishonin concluiu A Escolha da Essência do Sutra do Lótus no quinto mês de 1274, imediatamente após seu retorno de Sado, e endereçou o escrito a Toki Jonin. Nessa obra, Daishonin examina a superioridade relativa dos sutras expostos por Shakyamuni, concluindo que o Sutra do Lótus é supremo entre todos os sutras e que o capítulo “A Extensão da Vida”, do Sutra do Lótus, em particular, foi exposto para o próprio Daishonin nos Últimos Dias da Lei. Ele explica também que o Nam-myoho-renge-kyo das “três grandes leis secretas” é a essência da grande Lei a ser propagada nos Últimos Dias.
11. Extraído de Tratado sobre Grande Perfeição da Sabedoria.
12. Ajatashatru: Rei do estado de Magadha, na Índia, na época de Shakyamuni. Induzido por Devadatta, ele subiu ao trono prendendo e depondo o pai, o rei Bimbisara. Mais tarde, converteu-se ao budismo por remorso pelos maus atos e apoiou o Primeiro Concílio Budista, que compilou os ensinamentos de Shakyamuni.
13. Retorno do budismo para o oeste: Nichiren Daishonin predisse que o seu Budismo do Sol seguiria do Japão para o oeste, retornando aos países através dos quais o budismo havia sido transmitido inicialmente e se propagaria para o mundo inteiro (cf. CEND, v. I, p. 421).
14. NEHRU, Jawaharlal. Selected Works of Jawaharlal Nehru [Coletânea de Obras de Jawaharlal Nehru]. v. 3. Nova Délhi: Jawaharlal Nehru Memorial Fund, 1985. p. 136.
15. SHIODA, Jun. Gandi o Tsuide [Dando Continuidade ao Legado de Gandhi]. Tóquio: Nihon Hoso Kyokai, 1998. p. 201.
16. JUNG, Carl. The Undiscovered Self [O Eu Desconhecido]. Tradução: R. F. C. Hull. Nova York: Mentor Book, 1958. p. 24.
17. Ibidem.
18. Ibidem, p. 69.
19. TODA, Josei. Toda Josei Zenshu. [Obras Completas de Josei Toda]. v. 3. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, 1991. p. 430-431.
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