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Na prática
há 2 anos
Plantar sementes de diálogo e cultivar árvores da paz
Redação
14/01/2025

— Permita-me inquirir-lhe com franqueza, a quem consagra sua lealdade no que se refere às potências mundiais?
— Não somos filiados nem ao Bloco Ocidental nem ao Oriental. Tampouco somos aliados da China, da União Soviética ou dos Estados Unidos. Somos uma força de paz, e aliados da humanidade.1
Essa foi a resposta do presidente Ikeda à pergunta de Henry Kissinger, secretário de Estado dos Estados Unidos na época, no diálogo que tiveram poucos dias antes da fundação da SGI, em 26 de janeiro de 1975.
Celebrando os cinquenta anos de fundação da SGI, a seção Na Prática reflete sobre as bases para ser promotor da paz e, por meio do diálogo, criar relações harmoniosas e um mundo pacífico.
Melhor colheita para todos
Em certa ocasião, um agricultor cultivou milhos que receberam prêmios. Quando lhe perguntaram o segredo do seu sucesso, ele explicou que foi devido ao fato de ter compartilhado suas melhores sementes com os outros fazendeiros da região.
O Dr. Adolfo Pérez Esquivel contou esse episódio para Ikeda sensei e esclareceu: “O pólen da planta do milho é carregado para todos os lados pelo vento. Se meus vizinhos cultivam um milho ruim, seu pólen voará com o vento para o meu milho e o tornará ruim também. Para cultivar o melhor milho, devo ajudar todos ao meu redor a criar o melhor milho possível”.2
Os membros da Soka Gakkai são como aquele agricultor e se dedicam à felicidade de seus vizinhos, das pessoas à sua volta, como construtores da paz, convictos de que essa ação é um caminho de prosperidade mútua.
O caminho para esse intento não é outro senão o diálogo.
Rede de cultivadores da paz
Antes mesmo de fundar a SGI, Ikeda sensei se empenhou no diálogo com personalidades de diferentes países com o objetivo de estabelecer a paz. Ele empreendeu esforços para aproximar o Japão e a China, a China e a União Soviética, e Cuba e os Estados Unidos.
O presidente Ikeda visitava um país e dialogava com seus líderes, buscando entender suas reais intenções diante de situações de conflito. Então, ele ia ao encontro dos líderes de outro país e, como um verdadeiro mensageiro da paz, transmitia sua conversa anterior e estabelecia uma ponte de amizade entre as nações.
Era uma época marcada por conflitos que polarizavam o mundo e havia uma crescente tensão com iminência de guerra. Enquanto fazia essa ação diplomática entre os países, Ikeda sensei também edificava a organização que temos hoje. Ele esclarece:
Nesse cenário, aguardei o momento certo, criei o tempo certo, enquanto construía uma rede de cidadãos globais comprometidos com a paz que abraçavam a filosofia de respeito pela dignidade da vida.
Todos esses esforços culminaram, de forma esplêndida, com o magnífico ensejo, no início de 1975, durante a última etapa da minha visita de três dias aos Estados Unidos, no qual os membros de 51 países e territórios se reuniram comigo em Guam e juntos fundamos a Soka Gakkai Internacional (SGI) no dia 26 de janeiro.3
Fazer semear a Lei Mística
Ikeda sensei revela que, quando passava pelos países, recitava daimoku com a decisão de impregnar o solo com o Nam-myoho-renge-kyo e assim semeasse as sementes da Lei Mística.
Nós somos as pessoas que brotaram do solo cultivado por ele e agora temos a missão de dar continuidade à expansão dessa rede solidária por meio do diálogo pela paz.
Para isso, precisamos exercitar nossa habilidade como diplomatas. Vamos seguir o passo a passo para tal preparação:
1. Coragem
Todos os dias pela manhã e à noite reafirmamos nosso juramento de nos “empenhar com coragem e vigor” (yumyo shojin),4 quando recitamos essa frase no gongyo.
Ikeda sensei afirma:
“Coragem” (yumyo) significa enfrentar bravamente as dificuldades e reunir nossa sabedoria e criatividade para tornar possível o impossível. O grande mestre Miaole explica shojin (“diligência”) da seguinte maneira: “Sho (‘puro’) significa não adulterado e imaculado; e jin (‘empenho’), indica esforço incessante”. Portanto, shojin consiste em avançar, sempre em frente, sem se distrair com outras coisas. O Sutra do Lótus declara que o próprio Buda atingiu a iluminação por meio da “coragem e vigor” ou empenhando-se com bravura e diligência” ao longo de muitas existências.5
2. Compaixão
A outra qualidade de um diplomata que devemos cultivar é a compaixão.
Nossa atuação pelo kosen-rufu é em prol da felicidade de todas as pessoas, sem qualquer discriminação. Assim, a empatia pelo outro está na essência da propagação dos ensinamentos do Budismo de Nichiren Daishonin.
Enquanto nutrimos a compaixão na nossa vida, plantamos esse mesmo espírito no outro quando ensinamos a filosofia do budismo.
Ao fundar a SGI, Ikeda sensei esclareceu que essa característica estava no seu âmago:
Para consolidar a paz perene para a humanidade, precisamos instilar no coração das pessoas o espírito de compaixão pelos seres vivos, de acordo com o princípio budista da “inviolabilidade da vida”, que se baseia no reconhecimento de que todas as formas de vida possuem inerentemente a condição de vida inigualável e supremamente nobre do estado de buda. A esse processo denominamos kosen-rufu.6
3. Perseverança
Quando travamos uma conversa com alguém e surge uma discordância, é natural ficarmos apreensivos. Mas isso não pode nos fazer desistir.
Um grande símbolo da perseverança é o bodisatva Jamais Desprezar, descrito no capítulo 20, “Jamais Desprezar”, do Sutra do Lótus.
Ele louvava todas as pessoas, curvando-se respeitosamente diante daquelas com quem se encontrava. O comportamento respeitoso do bodisatva Jamais Desprezar e sua propagação dos ensinamentos budistas despertavam a ira de algumas delas que o atacavam com insultos e até fisicamente. Ele tomava distância dessas pessoas para se proteger, mas mesmo de longe continuava a reverenciá-las.
Nosso mestre nos incentiva a adotar essa mesma perseverante postura:
Bodisatvas genuínos nunca desistem. Continuam tentando até conquistar a vitória. Eles se empenham para cumprir sua missão, determinados a edificar um mundo onde as pessoas possam desfrutar uma vida vitoriosa.7
Da semente a árvore
Na fundação da SGI, Ikeda sensei solicitou que nos juntássemos a ele:
O sol do Budismo Nichiren começou a despontar no horizonte. Em vez de buscarem aclamação ou glória pessoal, espero que dediquem sua nobre vida a plantar as sementes da paz da Lei Mística no mundo. Farei o mesmo.8
Com esse propósito, os membros da SGI engajam-se em diálogos para estabelecer a paz, com base nos ensinamentos do Budismo Nichiren.
Para que esse diálogo floresça plenamente, precisamos de coragem, compaixão e perseverança. Em uma conversa é natural que haja divergência de opiniões, mas confiantes de que somos “uma força de paz e aliados da humanidade”, encontraremos uma saída pelo bem de todos.
Iniciemos o novo ano cultivando as relações e fazendo germinar diálogos pela paz, como Ikeda sensei incentiva:
Empenhar-se consistentemente no diálogo compassivo constitui a essência da prática do juramento seigan do bodisatva de ajudar todas as pessoas a atingir a iluminação. É o caminho certo para elevar nossa condição de vida fundamental e a dos outros. (...)
Ao nos empenhar para cumprir nosso juramento seigan como bodisatvas da terra, com a consciência de discípulos do Buda, efetuemos, cada um de nós, esforços tenazes no diálogo para concretizar um mundo pacífico e próspero para todos por meio do ensinamento humanístico da Lei Mística. Desse modo, plantaremos as sementes, cultivaremos os brotos e cuidaremos do crescimento de magníficas árvores da paz no mundo inteiro.9
Soka Gakkai Internacional (SGI)
Há cinquenta anos, em 26 de janeiro de 1975, foi realizada a Primeira Conferência para a Paz Mundial na ilha de Guam. Esse evento marcou a fundação da Sok a Gakkai Internacional (SGI).
Guam é uma ilha dos Estados Unidos situada a noroeste da Oceania e ao sul das Ilhas Marianas do Norte. Ikeda sensei, que assumiu a liderança da SGI nessa data, optou por esse local devido às intensas batalhas entre tropas japonesas e norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial. A escolha foi feita com a intenção de transformar aquele evento em um marco para o grandioso avanço da organização, que se dedicaria à promoção da paz mundial.
Representantes de 51 países e territórios, incluindo nações da África e da América Latina, se reuniram, com grande entusiasmo, com o presidente Ikeda para a fundação da SGI. Atualmente, a organização está presente em 192 países e territórios.
Saiba mais
Confira sobre a fundação da Soka Gakkai Internacional no capítulo “SGI”, volume 21, do romance Nova Revolução Humana, de autoria do presidente Ikeda, acessando aqui.
No topo: Getty Images
Notas:
1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 20, p. 294, 2019.
2. ESQUIVEL, A. P.; IKEDA, D. La Fuerza de la Esperanza [O Poder da Esperança]. Buenos Aires: Emecé, 2011. p. 157. Tradução do espanhol.
3. Terceira Civilização, ed. 677, jan. 2025, p. 51.
4. Cf. The Lotus Sutra and Its Opening and Closing Sutras [Sutra do Lótus e seus Capítulos de Abertura e Conclusão]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, cap. 2, p. 56.
5. Terceira Civilização, ed. 677, jan. 2025, p. 54.
6. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 21, p. 9, 2019.
7. Terceira Civilização, ed. 677, jan. 2025, p. 57-58.
8. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 21, p. 38, 2019.
9. Terceira Civilização, ed. 677, jan. 2025, p. 63.
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