TC
Crônica
há 6 meses
As raízes invisíveis e os frutos da amizade
Fernando Mendonça
02/04/2026

Nichiren Daishonin diz que, mesmo que soprem ventos violentos, uma árvore não tombará se ela tiver uma firme estaca para mantê-la em pé.1
Dentre algumas amizades que o grupo horizontal me proporcionou, cultivei uma delas que me marcou profundamente, da qual tenho muito orgulho. Esse amigo, dono de uma personalidade ímpar, era conhecido por ser uma companhia para qualquer hora, escutar os outros sem julgamento e falar e agir sempre com máxima sinceridade.
Logo após as reuniões de conselhos que realizávamos entre a liderança, costumávamos comer e dar muitas risadas juntos. Nos dias de clássico do futebol, como torcíamos por times diferentes, era comum fazer uma graça antes, durante e depois dos jogos.
Infelizmente, na ocasião da pandemia, em razão de algumas fragilidades de saúde, ele faleceu serenamente. A extensão do nosso carma é realmente insondável. Embora jovem, sei que lutou bravamente até o último instante de sua vida.
Ao longo de sua existência, ele teve a oportunidade conhecer e interagir com milhares de pessoas e ainda não conheci alguém que tenha tido uma experiência ou lembrança ruim com seu contato.
Até hoje, a voz embarga ao saber que um encontro físico nunca mais será possível. Constantemente, no encerramento do gongyo que recito, lembro-me desse querido amigo e desejo do fundo do coração que ele seja feliz e que sua família esteja bem e forte.
Há pessoas que vivem por tantos anos, mas que só são capazes de gerar mal-estar e frustrações nas pessoas com quem convivem.
Penso que as pessoas mais preciosas são aquelas que, independentemente do tempo com quem temos uma relação, conseguem deixar uma marca indelével em nossa vida, assim como retratado pelo poeta Fernando Pessoa: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momen-tos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”.2
Sinto imensurável boa sorte e gratidão eterna em poder ter contato, ainda que breve, com um ser humano de tamanha grandeza que, por meio de seu exemplo, confirma o conceito de bons amigos que aprendemos no budismo.
(...) Se sempre forem sinceros com os outros, um dia ficarão naturalmente cercados de bons amigos. E, entre essas pessoas, tenho certeza de que criarão uma amizade que durará a vida inteira e que será tão forte e inabalável quanto uma enorme árvore.3
Que este mês de abril seja um momento propício para plantarmos novas amizades e regarmos as antigas, cientes de que a melhor maneira de nos cercamos de uma floresta de bons amigos é, em primeiro lugar, nos tornar essa grande árvore que as pessoas gostariam de ter por perto!
Fernando Mendonça
Colaboração
Notas:
1. Cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 625, 2020.
2. Frase amplamente divulgada na internet atribuída a Fernando Pessoa, sem fonte.
3. IKEDA, Daisaku. Juventude: Sonhos e Esperanças. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 69-70, 2020.
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