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Entrevista
há 3 meses

Enxergar as oportunidades e viver cada dia com leveza

Redação

01/07/2026

Enxergar as oportunidades e viver cada dia com leveza

No mês da Juventude Soka, a entrevista é com a coordenadora da Divisão Feminina da BSGI, Selma Inoguti. Ela compartilha experiências e incentivos de como construir uma vida pautada pela esperança. Com base em sua trajetória de mais de trinta anos na Juventude Soka, Selma também discorre sobre a importância de acolher, incentivar e acompanhar cada jovem em seus sonhos, desafios e objetivos. Uma conversa inspiradora sobre coragem, relação de mestre e discípulo e missão.

BS+ Entrevista: Desde a fundação da BSGI, a Divisão Feminina exerce importante papel no crescimento da organização. Qual é a missão da Divisão Feminina? O que significa ser “rainha da felicidade”?

Selma Inoguti: A missão da Divisão Feminina é ser esse sol da família, esse sol da localidade, esse sol da sociedade. Mas não é aquele sol que queima. É ser aquela pessoa que, onde estiver, fará a diferença, acolherá as pessoas.

E, para mim, ser “rainha da felicidade” e cumprir essa missão é ser aquela pessoa que cria harmonia no local em que estiver, na família, no ambiente em que vive.

Para criar essa força e harmonia, essa rainha da felicidade ora muito. E, por meio da oração, consegue manifestar sensibilidade, amor e compaixão, fazendo com que isso se expanda para o local em que vive.

Quando ouvimos falar hoje em “rainha da felicidade”, podemos sentir: “Nossa, não me enquadro nisso”. Muitas pessoas já vieram conversar comigo dizendo: “Selma, não entendo esse termo ‘rainha da felicidade’. Você pode me explicar?”. Porque “rainha” remete a reino, castelo... E, às vezes, nosso castelo se desmorona, né?

Estudando as palavras do nosso mestre, na ocasião em que ele expressou essa consideração de que fôssemos rainhas da felicidade, entendi que sermos rainhas da felicidade é sermos o que somos. Não existem diferenças entre nós.

Mas essa rainha é aquela pessoa que busca a felicidade e a sabedoria por meio da prática da fé. No momento em que Ikeda senseitrouxe essa denominação para nós, desejou que nos tornássemos as mais felizes do mundo.

Então, ao se referir a “rainhas”, é para que sejamos mestras da felicidade, doutoras da felicidade; pessoas muito felizes, que tenham o melhor da vida. É dessa forma que sinto essa consideração. Nossa missão é justamente criar essa grande união no local em que vivemos.

BS+: Como conciliar nossos afazeres — família, trabalho, organização — com alegria?

Selma: Olha, eu tenho uma vida muito corrida. Certa vez, conversando com uma grande veterana, falei: “Como vou conseguir conciliar minha vida, participar das atividades, fazer minha prática, trabalhar, cuidar da família?”.

Ela me incentivou com base na Nova Revolução Humana, volume 21 [de autoria do presidente Ikeda]. Li tanto que sei até as páginas: 273 e 274.

Nessa orientação contida na obra, nosso mestre dialoga com uma jovem. Ela pergunta como poderia conciliar tudo isso. Ikeda senseiresponde citando o exemplo de uma mulher da União Soviética: cosmonauta, professora, mãe, filha..., cheia de responsabilidades. Ela dizia o seguinte: “Tudo o que faço, faço com gratidão. E, no que estiver fazendo, dê o seu melhor”.

Traduzindo isso para mim: se estou aqui na entrevista, vou dar o meu melhor. Se estou com minha família, vou dar o meu melhor. Se estou trabalhando, vou dar o meu melhor.

Por meio da prática, vamos manifestando sabedoria para compreender o que é urgente, o que é importante, qual é a prioridade.

Ao darmos o nosso melhor naquilo que fazemos, não sentimos que estamos devendo algo ou deixando alguma coisa para trás, justamente por empregarmos tudo de nós.

Essa é a minha consideração.

BS+: Há uma frase que todos nós conhecemos: “O inverno nunca falha em se tornar primavera”.1 Mencionamos aqui sobre ser esse sol da esperança. O que você pode compartilhar sobre enxergar a primavera da nossa vida mesmo vivendo problemas e dificuldades?

Selma: Adoro ler, então vou deixar uma dica: o livro Pode Haver História Mais Maravilhosa que a Sua? Nele, há um estudo sobre o trecho “O inverno nunca falha em se tornar primavera”.

Há um ponto que nosso mestre incentiva muito e que ponho em prática: a importância de ter o espírito de jamais ser derrotado. O que é isso? [Ser derrotado] não é lançar um objetivo e não conseguir concretizá-lo. É lançar o objetivo e recuar diante daquilo que foi determinado. Dentro disso, é importante ter paciência e perseverança. Muitas vezes lançamos nossos objetivos e desistimos no “quase”. É preciso acreditar, não duvidar.

Falando nisso, no ano passado, recebemos a comitiva da SGI. Em uma reunião com Tanigawa, diretor-geral da SGI, ele deixou um incentivo sobre a prática que nunca esqueci.

Ele disse: “Quando você estiver orando diante do Gohonzon, não pense: ‘Será?’”.

Sempre brinco com aquela música: “Será, só imaginação...”.

Cantar pode. Mas, diante do Gohonzon, fazendo oração, e vier o “será?”. Tire o “será” da sua vida. Pense: “Eu vou conseguir. Já consegui”. Não duvide daquilo que deseja concretizar.

Desde 2020, venho fazendo um exercício de positividade comigo mesma: lamentar menos e diminuir os pensamentos negativos. Porque precisamos focar o positivo. Quanto mais focamos o negativo, mais a vida se afunda. Peguei também uma orientação que dizia: “A lamentação destrói a boa sorte”. E quando você ora com gratidão, constrói sua felicidade.

Também, desde 2020, venho fazendo vários objetivos. Imagino que todo mundo já deva ter ouvido sobre o “Desafio dos Cem Dias de Daimoku” — que é determinar, por exemplo, “Quero concretizar um objetivo! Então, recitarei cinco minutos de Nam-myoho-renge-kyo por cem dias”. Duvido que alguém faça esse tipo de desafio e não perceba uma mudança.

Há três pontos que venho pondo em prática e que funcionam muito para mim:

1. O que preciso mudar?

2. O que preciso melhorar?

3. O que não posso mais adiar?

Isso nos ajuda bastante a fazer uma prática deter­minando “Não posso ficar para trás. Eu tenho que mudar!”.

Recebemos também um “superdirecionamento” do presidente Miguel Shiratori, baseado em uma orientação de Ikeda sensei, que diz o seguinte: “Vamos realizar uma luta de Cinquenta anos em cinco”. Com certeza, cada ano até 2030 está valendo no mínimo por dez.

Mas é preciso coragem para encarar, coragem para estabelecer objetivos.

Antes de tudo, até de determinar, manifeste coragem! Essa é a dica que quero deixar. Deixei mil dicas! [risos].

BS+: Selma, falando da relação de mestre e discípulo, qual é a sua relação com sensei? O que você pode compartilhar sobre isso?

Selma: Para mim, houve um divisor de águas na minha vida.

Desde 18 de novembro de 2023, quando soubemos oficialmente do falecimento do nosso mestre — ocorrido no dia 15 — tudo mudou. Ao receber a notícia, pensei: “Sensei, o senhor vai morrer justo agora?”. Porque não queremos que as pes­soas morram. Mas chega um momento em que cada pessoa cumpre a sua missão.

No dia seguinte, acordei pensando: “Hoje é o primeiro dia sem meu mestre em vida”. Contudo, naquele momento, selei um juramento com ele. Disse: “Sensei, conte comigo! Vou cumprir esse juramento. Conte comigo para ser feliz e fazer as pessoas felizes!”.

Minha relação já era me encontrar todos os dias com o Mestre por meio da oração, das atividades, da leitura. Para mim, ser discípula é ser a mesma Selma em todos os lugares: no budismo, no trabalho, na vida. Sinto-me muito feliz por me esforçar bastante para ser essa Selma que realmente se empenha para cumprir a missão. Esse é meu objetivo: ser feliz, fazer as pessoas felizes e contribuir para um mundo melhor.

Minha relação com Ikeda sensei é assim: todos os dias, falo com ele. Quando obtenho uma conquista no trabalho, digo: “Sensei, sua discípula está vencendo. Ofereço-lhe essa vitória!”.

Sei que a morte é uma questão bem delicada em nossa vida. Porém, o budismo nos ajuda a ter outra visão. Porque [a existência] transcende o físico. Sensei estará sempre em nosso coração. Então, para mim, estaremos eternamente sempre juntas com o Mestre. Esse é meu sentimento.

BS+: Você poderia compartilhar algum episódio de um encontro com sensei?

Selma: Sim. Em 9 de janeiro de 2005, o primeiro “Ano dos Jovens” da SGI — todo ano tem uma denominação —, eu fazia parte de um grupo de aprimoramento e tive a oportunidade de participar de um jantar.

Lembro-me de que nosso mestre entrou usando uma roupa de cowboy, muito feliz, dizendo: “Sejam bem-vindos! Sejam bem-vindos!”. Ao olhar para [a mesa do] Brasil, falou: “Pessoal do Brasil, sejam bem-vindos! Por favor, quando retornarem ao seu país, enviem minhas melhores recomendações”. Então, recebam também essas melhores recomendações de Ikeda sensei.

Ao terminar o jantar, aconteceu esse episódio impactante, principalmente para os dias atuais após o seu falecimento. É muito forte. Quando ele estava indo embora, todos bradavam se despedindo de Ikeda sensei.

Então, nesse momento, eu o chamei: “Sensei!”.

Ele olhou para mim. Pensei, “Agora tenho de falar com ele”, e disse: “Sensei, nós, jovens do Brasil, lutaremos pelas três existências da vida”.

E ele olhou para mim e respondeu: “Se estamos juntos nesta existência, é porque nos encontraremos em todas as próximas”. Assim, nós temos essa relação com nosso mestre. “Se estamos juntos com ele nessa existência, nós nos encontraremos em todas as próximas.” É muito forte. Ofereço esse brado a todos.

BS+: A Divisão Feminina possui cinco diretrizes de atuação. Vamos focar uma delas: “Desenvolver jovens sucessores”. Como alguém que já pertenceu à Divisão dos Jovens — hoje, Juventude Soka —, o que você pode compartilhar conosco para que todos nós desenvolvamos os jovens sucessores?

Selma: Sempre digo: “Onde há jovens, há futuro”. Nossa missão, como irmãos ou irmãs mais velhos, pais e avós, é acolher cada jovem. E, principalmente, entender o seguinte: precisamos desenvolver os Sucessores Ikeda 2030, precisamos desenvolver esses estudantes, esses jovens, apoiando-os. Não somente estar ao lado deles ou fazer-lhes oferecimentos, apesar de ser também uma forma de os acolher. Mas poder realmente aconselhar, estar junto com eles ao enfrentarem alguma questão.

Uma dica que deixo aos jovens: tenham um veterano ou veterana, um irmão ou irmã mais velhos com quem possam dialogar, para ajudar em suas questões.

Fiz parte da Divisão dos Jovens por mais de trinta anos. Participei do Grupo 2001, equivalente à Divisão dos Estudantes e aos Sucessores Ikeda.

Com essa experiência aprendi que uma pessoa que possui um mestre tem a oportunidade de cultivar valores que a sustentará por toda a sua vida. Com o Mestre, aprendi a ter gratidão às pessoas, aos pais. Com o Mestre, também aprendi: “Vá em busca dos seus sonhos!”. Sonhos de es­tudar, trabalhar, qualquer sonho, vá em busca deles.

Nosso mestre ensinava que no budismo as pessoas podem ter qualquer tipo de profissão. Então, por exemplo, a pessoa pode ser astronauta — não po­derá estar em todas as reuniões, mas não há problema. O importante é realmente praticar, fazer a diferença na sociedade e ser uma pessoa melhor.

Meu desejo é que todos os jovens façam um grande juramento, conforme nosso mestre orientou. Se a pessoa tem um juramento, não há como se desviar desse caminho da prática. E também que compreendam que ser feliz e fazer as pes­soas felizes é um dos propósitos de estarmos aqui. É uma prática que não é egoísta.

E, ainda dentro desse contexto de desenvolver os jovens e estar ao lado deles, desejo que possam compreender toda a diversidade. Em tempo, quero aproveitar — pondo em prática a empatia com toda a diversidade — e me apresentar: sou neta de japoneses. Tenho cabelo castanho-escuro de comprimento médio, com algumas mechas. Estou usando um blazer rosa — meus amigos dizem que é da “Pink Penelope”, não sei o que é isso [risos] —, camiseta preta e calça preta. Sou uma pessoa com muitos desafios, mas feliz e grata aos meus pais, ao Mestre e a todos aqui. Essa é também uma forma que eu trouxe em minha fala para acolher a todos.

Posso dizer que hoje meu sentimento é de pura gratidão em realizar esta entrevista e levar estas palavras às pessoas. Desejo que, após lerem, sintam-se transformados, pensando: “Eu vou ter esperança. Vou mudar minha vida. Vai dar tudo certo”. A prática do Nam-myoho-renge-kyo é realmente transfor­madora. Então [que determinem]: “Vou ser feliz. Vou fazer as pessoas felizes”.

Deixo também o slogan da Divisão Feminina: “Façam de todos os dias os melhores da sua vida e vivam mais um dia feliz”. Com uma “superpitada”, ou melhor, um caminhão de SAL (sabedoria, alegria e leveza). De tudo o que eu falei e do que cada um está passando, busquem essa leveza. Que possam compreender, sentindo: “Puxa vida, tudo o que estou passando é o que eu escolhi. São oportunidades!”. Não enxergue os problemas, suas questões, como um fardo. Enxergue com uma grande oportunidade da transformação. Esse é o budismo da lei de causa e efeito, da revolução humana e da felicidade.

Confira o vídeo da série BS+ Entrevista publicado no canal do YouTube Brasil Seikyo TV. 

Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 560, 2020.

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