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Crônica
há 2 meses
Jovens que lutam pela paz
Ricardo Miyamoto
31/07/2026

Há exatamente vinte e cinco anos, eu era um jovem tentando encontrar um lugar no mundo. Vivendo o último ano da faculdade, dividia meus dias entre trabalho e estudo. Em casa, os desafios familiares, as dificuldades financeiras e a falta de perspectivas tornavam meu futuro incerto, como se estivesse encoberto por uma névoa.
Nessas circunstâncias, fui selecionado para uma oportunidade que mudaria minha vida. No fim de agosto de 2001, junto com 34 jovens, embarquei para o Japão com um propósito grandioso: participar do Curso de Aprimoramento dos Jovens da SGI e selar um compromisso eterno com o Mestre.
Aqueles dias foram marcados por encontros inesquecíveis, orientações, incentivos e momentos que jamais saíram da minha memória. Contudo, ninguém imaginava que, em meio àquela jornada, testemunharíamos um dos acontecimentos mais impactantes da história contemporânea.
Em 11 de setembro de 2001, ainda em Tóquio, assistimos estarrecidos às imagens dos atentados contra as Torres Gêmeas, em Nova York, Estados Unidos. O mundo parecia ter parado. A insegurança tomava conta das pessoas, e nosso retorno ao Brasil, previsto para o dia seguinte, foi cancelado.
Éramos jovens, estávamos longe de casa e não tínhamos condições de custear os dias adicionais no Japão. Porém, essa situação me levou a aprender uma das maiores lições da minha vida.
O presidente Ikeda pediu que reunissem todos os jovens brasileiros e, por meio de um secretário, transmitiu uma mensagem: a partir daquele momento, éramos seus convidados pessoais no Japão. Ele assumiu integralmente nossa permanência e ainda providenciou cartões telefônicos para que pudéssemos ligar e tranquilizar nossas famílias.
No dia seguinte, fomos convidados para acompanhar um encontro com o embaixador da Mongólia, realizado no Salão Nobre do antigo prédio do Seikyo Shimbun. Autoridades de alto escalão compunham a delegação visitante. Nós, jovens brasileiros, estávamos ali ao lado do nosso mestre.
Durante as apresentações, ouvi palavras que ecoam em minha vida até hoje. Apontando para nós, o presidente Ikeda declarou: “Estes são jovens que, junto comigo, lutam pela paz do mundo”.
Naquele instante, aquelas palavras tocaram profundamente meu coração. Até então, eu me via apenas como um jovem comum, cercado de limitações, dúvidas e problemas. Porém, o Mestre enxergava algo que eu ainda não conseguia. Para ele, não éramos jovens definidos por nossas circunstâncias, e sim por nossa missão.
Ali, compreendi que a verdadeira grandeza não está na posição que ocupamos ou nas circunstâncias externas, mas no propósito que abraçamos na vida.
Naquele salão, silenciosamente, fiz meu eterno juramento seigan: tornar-me uma pessoa capaz de contribuir para a felicidade dos outros e dedicar minha vida para corresponder às expectativas do meu mestre.
Passados vinte e cinco anos, continuo me empenhando, dia após dia, para que a chama daquele encontro continue a iluminar o caminho que escolhi seguir.
Por fim, compartilho a grande lição que aprendi com Ikeda sensei: não importa de onde viemos, quais dificuldades enfrentemos ou quão improváveis pareçam nossos sonhos. Aos olhos de um verdadeiro mestre, cada pessoa possui uma dignidade infinita e uma missão insubstituível.
Ricardo Miyamoto
Coordenador da Divisão Sênior da BSGI
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