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Artigo
há um mês
Ponto primordial: o caminho de volta à nossa essência
Como o filme A Odisseia e a filosofia budista nos ensinam a superar a estagnação e manter a fidelidade aos nossos valores
Redação
12/08/2026

Até que ponto conseguimos preservar nossa essência e valores na busca por nossos objetivos? Essa é uma das principais reflexões presentes em A Odisseia, dirigida por Christopher Nolan.
A obra, adaptação do clássico poema épico de Homero, acompanha a saga de Odisseu em sua tentativa de retornar para a sua terra natal, Ítaca, após a vitória na Guerra de Troia.
Contudo, sua jornada se transforma em um desafio que perdura por anos e vai além da luta contra criaturas míticas e deuses: o protagonista precisa encarar as tentações e o medo de confrontar um mundo que ele mesmo ajudou a destruir, que o levam para longe de seu propósito. Diante disso, como não nos desviar do caminho rumo aos nossos objetivos?
Viver fora da zona de conforto
Por vezes, circunstâncias externas ou ruídos internos tentam nos afastar do nosso verdadeiro propósito. No filme, essa esquiva é retratada quando Odisseu permanece enclausurado pela ninfa Calipso durante sete anos em sua ilha, além de perder suas memórias ao alimentar-se das flores de lótus. Esse esquecimento funciona como uma tentação para não encarar a culpa de ter abandonado sua família, de ter ficado ausente de sua terra por tanto tempo e tudo o que fez em Troia.
Podemos comparar esse estado de apatia à entrada na zona de conforto: um espaço em que não precisamos nos esforçar além do estritamente necessário e no qual evitamos confrontar medos e receios. No entanto, ao nos acomodarmos nessa aparente segurança, perdemos a clareza sobre onde queríamos chegar e quais eram os nossos objetivos.
Sobre essa atitude passiva diante da vida, o presidente Ikeda ponderava:
Não poderemos experimentar a “maior de todas as alegrias” (OTT, p. 212) se nutrirmos um medo descabido em relação às adversidades e relutarmos em sair de nossa zona de conforto. O Budismo de Nichiren Daishonin ensina uma maneira de viver que é o extremo oposto dessa passividade.1
Retornar ao ponto primordial
No longa-metragem, mesmo sem a memória consciente, Odisseu mantinha o olhar fixo no horizonte, como quem busca algo que lhe falta. É exatamente isso o que acontece quando nos acomodamos: a ausência de uma nobre causa pela qual lutar gera um inevitável sentimento de vazio.
Quando o protagonista finalmente resgata suas lembranças, o dever de proteger sua esposa, seu filho e o povo de Ítaca, ele parte para o mar e volta a navegar em direção ao seu propósito. O mesmo ocorre conosco quando regressamos ao nosso “ponto primordial”, isto é, quando reavivamos a decisão que nos motivou a iniciar o caminho em que nos encontramos. Nós nos sentimos vivos e fortes. Temos vontade, convicção e determinação de enfrentar tudo e qualquer coisa, assim como Odisseu fez.
O presidente Ikeda orientou: “Uma pessoa que possui um ponto primordial na vida é forte. Por isso, não se deve esquecê-lo. Enquanto mantiver esse ponto em mente, é possível seguir pelo caminho da convicção sem se perder no curso de sua existência”.2
O resgate da nossa essência
Navegar em direção aos nossos objetivos não é um percurso linear ou isento de perigos. Assim como Odisseu em sua jornada cinematográfica e mítica, somos constantemente confrontados com as tentações da estagnação e o receio de encarar nossos medos. A verdadeira vitória, portanto, não reside apenas em alcançar o destino final, mas em manter intactos a essência e os valores que definimos no início de nossa caminhada e que dão sentido ao curso de nossa existência.
Quando a zona de conforto nos acena com a ilusão do alívio, é o retorno ao ponto primordial que renova as nossas forças e nos desperta da passividade. Lembrar a razão pela qual decidimos partir é o que nos impede de naufragar diante das incertezas. Em última análise, encarar os próprios medos e recusar o desvio dos nossos propósitos é o ato supremo de fidelidade a nós mesmos. É a certeza de que, independentemente da tempestade, sempre seremos capazes de encontrar o caminho de volta para casa.
Fique ligado!
Assista ao trailer do filme e inspire-se:
Notas:
1. Brasil Seikyo, ed. 2.355, 21 jan. 2017, p. B1-B4.
2. Brasil Seikyo, ed. 1.999, 15 ago. 2009, p. A11.
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