JUVENTUDE-SOKA
Artigo
há um mês
Quem cuida da mente cuida da vida
Redação
23/01/2026

Você já sentiu cansaço ou desânimo mesmo sem ter feito nada demais? Uma explicação para isso é que, hoje em dia, nossa mente está constantemente sobrecarregada e a pressão para darmos conta de tudo só aumenta.
Pesquisas recentes mostram que os índices de ansiedade, depressão, esgotamento emocional e sensação de vazio entre os jovens, especialmente de 18 a 24 anos, cresceram de forma preocupante.1
É justamente para falar sobre isso que, em 2014, foi criada a campanha Janeiro Branco, um movimento social e cultural sobre saúde mental e emocional.
A cada campanha, muitos voluntários, profissionais e instituições se mobilizam para sensibilizar a sociedade e influenciar políticas públicas por meio de educação emocional, comunicação estratégica e ações que estimulam diálogos.
Usam-se símbolos, materiais digitais, eventos e parcerias para inspirar a reflexão.2
A campanha se torna ainda mais relevante se considerarmos dados de 2025 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que apontam que os jovens de 18 a 24 anos são os que mais sofrem psicologicamente, entretanto, são os que menos procuram ajuda médica.3
Em momentos de dificuldade emocional, uma das maiores armadilhas é o isolamento. Acreditar que precisamos resolver tudo sozinhos só aumenta o problema. Sobre isso, o presidente Ikeda fez um alerta:
Em termos concretos, é imprescindível que vocês tenham bons veteranos na fé e bons amigos, pessoas com quem possam conversar sobre qualquer coisa. Não se isolem dessas excelentes pessoas. Não sofram sozinhas com seus problemas, tomando decisões imprudentes e acabando no caminho errado.4
Juventude de desafios, escolhas e esperança
A fase entre os 18 e 24 anos é conhecida como um tempo de descobertas, mas, para muitos jovens, tem sido marcada por uma pressão constante. Existe a sensação de precisar dar conta de tudo ao mesmo tempo: estudar, trabalhar, decidir o futuro e ter boa aparência.
As redes sociais ampliam esse peso ao mostrar apenas recortes felizes e gerar comparação, frustração e baixa autoestima. Somam-se a isso a instabilidade do mercado de trabalho, o medo de errar ou tentativas que não dão certo, as mudanças de planos e as expectativas familiares. Tudo isso cria um cenário de insegurança emocional.
Além disso, muitos jovens aprendem que demonstrar fragilidade é sinal de fraqueza, por isso, guardam para si. O resultado desse acúmulo de pressões aparece no aumento de quadros de ansiedade, depressão e crises emocionais.
No budismo, aprendemos no princípio da “cerejeira, ameixeira, pessegueiro e damasqueiro” que cada pessoa tem seu próprio ritmo e jeito, e isso deve ser respeitado e resolvido sem pressa nem comparações. O presidente Ikeda nos deixou a seguinte reflexão:
Aqueles que passam por esses problemas psicológicos devem buscar ajuda profissional e receber o devido tratamento sem se preocupar com o tempo. A situação de cada um é diferente. Não existe uma prescrição ou remédio universal que irá curá-los. No entanto, há um ponto que quero deixar claro e enfatizar: vocês, que vivem em prol da Lei Mística, estão destinados a serem felizes! [...] Quanto mais uma pessoa sofre, mais grandiosa ela se torna. Por terem vivenciado as mais severas adversidades, essas pessoas ajudam os que sofrem. Elas possuem extraordinária missão e, por esse ser o ensinamento do Budismo Nichiren, sua vida representa o comportamento de um bodisatva.5
Se eu estiver passando por isso, por onde começar?
Algumas atitudes simples podem fazer diferença no dia a dia:
- Falar sobre o que sente com alguém de confiança alivia o peso emocional. Guardar tudo para si só aumenta a dor. Não enfrente tudo sozinho, busque apoio de amigos, familiares, na organização ou ajuda profissional.
- Criar momentos de pausa ajuda a descansar a mente.
- Lembrar-se que não precisa resolver sua vida inteira agora. Avançar um passo por vez é o suficiente.
- Aumentar a energia vital e a clareza mental por meio do daimoku.
- Criar o hábito de refletir sobre as próprias emoções; isso ajuda a entender como a semana foi vivida e o que pode ser melhorado.
- Anotar sentimentos, observar o que trouxe alegria ou dificuldade e manter um diário da gratidão, registrando diariamente ao menos três coisas positivas, contribuem para vida mais equilibrada.
Falar sobre saúde emocional não é sinal de fragilidade. Ter esperança e coragem não significa ignorar as dificuldades, mas, sim, acreditar que elas não definem quem somos nem determinam nosso futuro.
Cada jovem carrega dentro de si um potencial único, capaz de se fortalecer por meio do diálogo, do apoio mútuo e do cuidado consigo mesmo. Ao nutrirmos a mente com compreensão, empatia e propósito, abrimos espaço para uma vida mais equilibrada e significativa.
Notas:
1. https://www.conass.org.br/covitel-2023-apresenta-resultados-sobre-a-saude-dos-jovens-brasileiros/. Acesso em: jan. 2026.
2. https://janeirobranco.org.br/campanha-janeiro-branco/. Acesso em: jan. 2026.
3. https://vidasimples.co/saude-emocional/por-que-pedir-ajuda-ainda-e-tao-dificil-para-os-jovens/. Acesso em: jan. 2026.
4. IKEDA, Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 2, p. 336-337, 2023.
5. Brasil Seikyo, ed. 2.148, 22 set. 2012, p. B2.
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