JUVENTUDE-SOKA
Artigo
há 2 meses
Seja o timoneiro do barco da felicidade
Vamos estudar esta carta escrita por Nichiren Daishonin
Redação
28/11/2025

A reflexão sobre a vida e a morte está presente em praticamente todas as tradições religiosas. Ao tentar compreender o sentido da existência, as religiões oferecem caminhos simbólicos, éticos e espirituais que ajudam as pessoas a lidarem com o mistério do nascer, viver e partir.
Neste artigo, vamos nos aprofundar na visão budista sobre a eternidade da vida com o Gosho Um Barco para Atravessar o Mar dos Sofrimentos.
Trecho do Gosho
“O grande mestre Miaole declarou: ‘Mesmo uma única frase [do Sutra do Lótus] guardada no fundo do coração ajudará a chegar ao outro lado da margem. Ponderar sobre uma única frase e aplicá-la é exercer a navegação [para cruzar o mar dos sofrimentos do nascimento e da morte].’ Somente o barco do Nam-myoho-renge-kyo possibilita alguém a atravessar o mar dos sofrimentos do nascimento e da morte” (CEND, v. I, p. 33).
Cenário histórico
Nichiren Daishonin escreveu essa carta em 1261, em Kamakura, duas semanas antes de ser exilado em Ito, na Península de Izu. O recebedor da carta, Shiiji Shiro, viveu na província de Suruga e era amigo de dois importantes discípulos de Daishonin: Shijo Kingo e Toki Jonin. Nesse escrito, Daishonin afirma que ele e Shiro compartilham uma profunda relação cármica do passado.
Entendendo mais sobre o escrito
Imagine que você é um timoneiro e seu barco está enfrentando um mar revolto em uma grande tempestade. O barco quase vira e você tem a sensação de que vai perder o controle. Para enfrentar esse mar de sofrimentos, Nichiren Daishonin ensinou que o Nam-myoho-renge-kyo reúne todos os ensinamentos do Buda e funciona como um barco capaz de conduzir qualquer pessoa pelos sofrimentos inevitáveis da vida, simbolizados pelo “mar do nascimento e da morte”, até a felicidade e a iluminação. O daimoku permite ao praticante vencer mesmo diante das adversidades mais dolorosas.
Na carta, Daishonin explica que, em momentos de sofrimento, é comum buscarmos soluções fáceis e superficiais, mas o verdadeiro caminho exige coragem, sabedoria e benevolência para resolver os problemas na raiz. Por isso, Daishonin afirma que escolher o profundo é o caminho de uma pessoa corajosa.
Para exemplificar, imagine um dia difícil, com direito a bronca do chefe, engarrafamento a caminho da faculdade e uma nota baixa na prova. É justamente em momentos assim que se revela a importância de fazer daimoku de forma consistente, pela manhã e à noite, para agradecer o dia e fortalecer a determinação na manhã seguinte.
Ao praticarmos os ensinamentos budistas, enxergamos os desafios como oportunidades de crescimento e paramos de lamentar os problemas. E os benefícios se tornam imensuráveis quando transmitimos uma única frase do Sutra do Lótus a alguém, pois isso cria uma relação com o budismo que, no futuro, pode despertar o estado de buda nessa pessoa, independentemente da reação dela no momento.
Assim, compartilhar a fé de maneira alegre e resoluta é parte do papel dos praticantes, que se tornam emissários do Buda e ajudam a construir um grande barco de esperança para toda a humanidade.
A fé é o centro dessa prática. Nos escritos de Daishonin, vemos que ele enfrentou perseguições com alegria porque compreendia que a fé na Lei Mística é a força que permite superar qualquer dificuldade. A fé é o que dá acesso ao “barco do Sutra do Lótus”, uma embarcação que leva todos à iluminação sem distinção, mas somente quem acredita é que pode embarcar nela.
Conclusão
No escrito, Daishonin explica que recitar Nam-myoho-renge-kyo é como entrar em um barco capaz de conduzir qualquer pessoa pelos sofrimentos do nascimento e da morte até o estado de iluminação. Por isso, ele orienta Shiiji Shiro a acreditar profundamente nesse ensino, enfatizando a importância da fé, da relação de mestre e discípulo e do ato de transmitir o Sutra do Lótus aos outros, mesmo que seja apenas uma frase.
Segundo Daishonin, Nam-myoho-renge-kyo é o ensinamento essencial para que as pessoas da época atual alcancem a iluminação, pois possui a força de despertar a natureza de buda presente em todos os seres.
Referências:
Brasil Seikyo, ed. 2.284, 31 jul. 2015, p. F2/F3.
RDez, ed. 287, 3 nov. 2025, p. 9.
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