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há 16 horas

Entre pousos e decolagens na "Kansai do Sertão"

Ricardo Miyamoto

26/05/2026

Entre pousos e decolagens na "Kansai do Sertão"

Nos dias 22, 23 e 24, tive a honra de participar de encontros com líderes e membros da BSGI de São José do Rio Preto e região, juntamente com os líderes da Sub. Noroeste Paulista, CNOP. Foram dias de intensos diálogos, reflexões e, acima de tudo, de renovação da decisão de avançar.

Carinhosamente, chamamos essa região de “Kansai do Sertão”. E Kansai, para nós, significa muito mais do que uma localidade geográfica. Kansai representa uma organização de contínuas vitórias. Uma terra onde as pessoas se levantam repetidamente diante dos desafios, transformando lágrimas em determinação e dificuldades em vitórias e desenvolvimento.

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Ao longo daqueles dias, em cada encontro, visita, reunião e diálogo, pude perceber algo muito especial no coração dos companheiros: um sincero compromisso com o avanço do kosen-rufu e o desejo genuíno de corresponder às expectativas do nosso eterno mestre, Ikeda sensei.

Foram diálogos de coração a coração. Uma mãe compartilhava seu desafio familiar enquanto mantinha firme sua oração pela felicidade de todos os membros de seu bloco. Um pai relatava sua decisão de lutar pela harmonia dentro de casa, mesmo diante de circunstâncias difíceis. Jovens falavam sobre sonhos e inseguranças, mas também sobre sua decisão de vencer. Veteranos relatavam batalhas travadas ao longo de décadas com o orgulho de quem jamais abandonou sua missão.

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E foi justamente nesse contexto que, junto com todos os líderes e membros de São José do Rio Preto, refletimos sobre a missão dos bodisatvas da terra.

Segundo o Sutra do Lótus, os bodisatvas da terra são aqueles que, desde tempos sem início, decidiram surgir neste mundo ao lado do mestre para concretizar o kosen-rufu. São pessoas que escolheram voluntariamente sua missão e assumiram o “carma apropriado” [ganken ogo] para, por meio da Lei Mística e do Gohonzon, lutar, vencer e comprovar a grandeza da vida humana.

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Juventude Soka de São José do Rio Preto

Refletimos juntos que as circunstâncias que vivemos hoje não sejam mero acaso. São justamente os desafios que nós próprios escolhemos enfrentar para transformar o carma e missão. É justamente essa é a missão dos bodisatvas da terra. São aqueles que surgem bailando em sua terra. Que se levantam mesmo diante das dificuldades. Que transformam uma história aparentemente infeliz em uma história de vitórias.

E então, para surpresa de todos nós, presenciamos uma cena que parecia materializar exatamente o princípio que havíamos acabado de estudar. Naquela noite, durante o jantar comemorativo após essa significativa partida da organização, também celebrávamos o aniversário de uma jovem líder da Juventude Soka. Como é próprio da juventude, os jovens cantavam alegremente o Parabéns a Você, manifestando amizade, pureza, descontração, coragem e uma alegria genuína. O ambiente foi tomado por uma energia incontida.

As mesas ao redor observavam com curiosidade. Algumas pessoas sorriam discretamente. Outras apenas contemplavam aquela cena incomum: jovens felizes, unidos, cantando com brilho no olhar e alegria sincera. Foi então que uma senhora se aproximou da mesa e, de maneira muito simples e emocionada, fez um pedido:

— “Será que vocês poderiam cantar parabéns para o meu neto? Ele está aniversariando naquela mesa…”

Era uma avó que celebrava a vida do neto junto da família. E aqueles jovens, sem hesitar, levantaram-se imediatamente.

Caminharam até aquela outra mesa e cantaram alegremente para aquele menino como se o conhecessem há muitos anos. Talvez tenha sido apenas um pequeno gesto.

Mas, naquele instante, todos nós entendemos profundamente o significado do que havíamos acabado de estudar: Os bodisatvas da terra surgem assim.

Eles surgem quando jovens se levantam alegremente. Quando levam esperança aos ambientes. Quando despertam sorrisos nas pessoas. Quando fazem alguém sentir calor humano em meio à frieza do cotidiano. Quando transformam um restaurante comum em um espaço de amizade e felicidade e, naquele instante, parecia que todo o ambiente havia sido iluminado.

O mais marcante tenha sido perceber que, silenciosamente, as pessoas aguardam esse surgimento. Aguardam pessoas sinceras e corajosas.

Aquela avó, talvez sem conhecer profundamente os princípios budistas, manifestou espontaneamente o desejo de aproximar seu neto daquela alegria, daquela energia e daquele brilho juvenil.

E isso nos mostrou algo muito profundo: quando os bodisatvas da terra se levantam, as pessoas naturalmente desejam estar próximas deles. Porque a verdadeira felicidade possui brilho próprio.

Ao retornar dessa viagem, levo comigo uma convicção ainda mais forte sobre os próximos dez anos da juventude de São José do Rio Preto. Se esses jovens continuarem avançando com essa pureza, amizade, coragem e espírito de mestre e discípulo, então a “Kansai do Sertão” continuará sendo uma terra de contínuas vitórias, porque o kosen-rufu nasce nesses pequenos instantes que transformam o coração humano.

Nasce quando alguém decide se levantar e uma outra pessoa também se levanta.

Nasce quando jovens bailam alegremente em sua terra de missão. E, naquele restaurante, entre pousos e decolagens, naquela noite simples do interior paulista, os bodisatvas da terra surgiram diante dos nossos olhos.

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