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Encontro com o Mestre
há 9 anos
As cinco diretrizes eternas da Soka Gakkai - “Prática da fé para conquistar a felicidade”— edificar uma vida feliz para nós e para os outros
Qual o propósito do Budismo de Nichiren Daishonin? Nascemos neste mundo para sermos felizes. Certamente ninguém deseja ser infeliz. Por isso, desde a antiguidade a felicidade representa uma das questões centrais da filosofia. A felicidade humana também é o desígnio original da religião. Depois da Segunda Guerra Mundial, com o Japão devastado, meu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, levantou-se sozinho para reconstruir a Soka Gakkai, que estava praticamente extinta em virtude da perseguição do governo da época. Naqueles anos pós-guerra, tudo o que se podia fazer era sobreviver dia após dia. As pessoas estavam em estado de desolação espiritual, sem esperança ou sonhos em relação ao futuro. Viam-se diante de provações como escassez de alimentos, dificuldades financeiras, pobreza, doença, desconfiança e tumultos. As cicatrizes da guerra eram profundas, e a geração mais jovem perdera totalmente a esperança. Foi um período de grande sofrimento, miséria e infortúnio. A atitude proativa de “conquistar a felicidade” Esses males ainda são questões prementes da humanidade no século 21. Pobreza, epidemias e guerras continuam a privar as pessoas de dignidade, orgulho, independência e alegria de viver, atirando-as ao precipício do mais escuro desespero e resignação. Como podemos encontrar sentido na vida ao presenciarmos esse padrão recorrente no qual se rouba do indivíduo o próprio direito de existir? Uma religião realmente viva, preocupada com o bem-estar de todos, deve lidar de frente com essa questão. Em meio à confusão extrema que imperava na época, o Sr. Toda se empenhou incansavelmente para transmitir a filosofia da felicidade do Budismo Nichiren. Não importando as profundezas do sofrimento e do desespero em que possamos estar mergulhados neste exato momento, o poder da fé na Lei Mística nos permite abrir o caminho para uma vida de felicidade genuína. Essa convicção inabalável proporcionou imensa esperança aos membros da Soka Gakkai em relação ao futuro, e foi o alicerce de sua determinação para suportar e desafiar as adversidades da vida. Toda sensei salientou a “prática da fé para conquistar a felicidade”. A escolha da palavra “conquistar” expressa uma profunda filosofia de vida. Felicidade não é alguma coisa que os outros nos dão nem algo que ficamos aguardando e que, de repente, surge em nossa vida, independentemente de nossa vontade e esforço. Em última análise, cada um precisa conquistar a felicidade por si mesmo. A fé no Budismo de Nichiren Daishonin nos assegura que podemos fazer isso. O propósito da nossa prática budista é edificar um estado de felicidade que perdure eternamente em nossa própria vida, e ajudar os outros a fazer o mesmo. Para tanto, estudaremos a segunda das cinco diretrizes eternas da Soka Gakkai —“Prática da fé para conquistar a felicidade”.
14/01/2017

A Felicidade neste Mundo
Não há felicidade maior do que manter a fé no Sutra do Lótus. Esse é o significado de “paz e segurança na presente existência e boas circunstâncias nas existências futuras” [LSOC, cap. 5,
p. 136]. Ainda que surjam problemas seculares, nunca permita que estes o perturbem. Ninguém pode evitar problemas, nem mesmo veneráveis ou reverenciáveis.
Beba saquê somente em casa com sua esposa e recite Nam-myoho-renge-kyo. Sofra o que tiver de sofrer, desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento quanto a alegria como fatos da vida e continue recitando Nam-myoho-renge-kyo, independentemente do que aconteça. Que outro significado isso poderia ter senão a alegria ilimitada da Lei? Fortaleça o poder de sua fé mais do que nunca. (CEND, v. I, p. 713)1
Edificar um estado de felicidade absoluta
Qual o tipo de felicidade que buscamos por meio da fé? O presidente Josei Toda resumiu a visão budista de felicidade em dois pontos básicos.
Em primeiro lugar, existe diferença entre felicidade relativa e felicidade absoluta. O Budismo de Nichiren Daishonin não rejeita a felicidade relativa de uma vida confortável ou de possuir boa saúde. Ter bom emprego e melhorar o padrão de vida são fatores importantes. Ao mesmo tempo em que empreendemos esforços positivos para alcançá-los, salientou Toda sensei, também devemos nos desafiar, por meio da prática budista, para atingirmos um estado de felicidade absoluta que nada é capaz de destruir — um estado em que viver seja em si uma alegria, e nossa vida, imbuída das quatro virtudes — eternidade, felicidade, verdadeiro eu e pureza.2
O segundo aspecto da visão budista de felicidade destacado pelo presidente Josei Toda é que todos nós nascemos neste mundo para desfrutar a vida. O Sutra do Lótus ensina que este mundo é um lugar “onde os seres vivos vivem felizes e tranquilos” (LSOC, cap. 16, p. 272).3 Porém, não conseguiremos apreciar a vida neste mundo saha,4 repleto de sofrimento, se nossa energia vital for fraca. Por isso, precisamos nos empenhar na prática budista para evidenciar nosso estado de buda interior e fortalecer nossa energia vital. Assim, podemos subir a íngreme estrada da vida com agradável tranquilidade e satisfação. As dificuldades e os desafios incalculáveis que enfrentamos se transformarão em algo que agregue alegria à nossa existência, como uma pitada de sal enriquece o sabor do doce.
O desejo mais acalentado pelo presidente Josei Toda era que todos descobrissem o supremo prazer de viver.
“Os seres vivos vivem felizes e tranquilos”
A Felicidade neste Mundo é uma carta de Nichiren Daishonin para Shijo Kingo e sua esposa, Nichigen-nyo, endereçada quando o casal atravessava grande adversidade.5 Nela ele ensina como atingir um estado de total segurança e paz mental, e inicia com as palavras:
“Não há felicidade maior para os seres humanos do que recitar o Nam-myoho-renge-kyo” (CEND, v. I, p. 713).
Ele afirma que este é o caminho supremo de uma vida para que possamos desfrutar livremente. Com base nisso, declara:
“Não há felicidade maior do que manter a fé no Sutra do Lótus [Nam-myoho-renge-kyo]” (Ibidem).
Uma vida dedicada à fé na Lei Mística constitui, em si, a condição de estado de buda, o que nos permite desfrutá-la com plena satisfação. Temos a garantia de “paz e segurança na presente existência e boas circunstâncias nas existências futuras” (cf. LSOC, cap. 5, p. 136).
Certamente, o mundo é um caos sem fim. Mesmo aqueles que mantêm uma vida admirável não conseguem escapar de ataques e críticas. Entretanto, sobre tais problemas, Daishonin diz: “Nunca permita que estes os perturbem” (CEND, v. I, p. 713). Depois acrescenta: “Beba saquê somente em casa com sua esposa” (Ibidem).
Shijo Kingo tinha sua esposa, Nichigen-nyo, em quem confiar; e nós, além da família, também temos nossos amigos da organização, companheiros de fé, para compartilharmos nossos problemas. Não há necessidade de tentar suportá-los sozinhos e em silêncio. Além do mais, o Gohonzon está ciente de tudo. Não importando o que o outro possa dizer, devemos simplesmente viver com firmeza, da maneira que escolhemos. Com isso, Daishonin está nos ensinando a importância de recitar Nam-myoho-renge-kyo e de nos empenharmos juntos, com bons amigos ao nosso lado nos apoiando e nos encorajando.
“Considere tanto o sofrimento quanto as alegrias como fatos da vida”
“Sofra o que tiver de sofrer, desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento quanto as alegrias como fatos da vida e continue recitando Nam-myoho-renge-kyo, independentemente do que aconteça” (CEND, v. I, p. 713), escreve Daishonin. Incontáveis membros da SGI gravaram esta passagem no coração e recitaram Nam-myoho-renge-kyo para ultrapassar seus problemas. Por mais dolorosa ou árdua que seja nossa situação, se continuarmos recitando daimoku ao Gohonzon com uma oração concentrada, nós infalivelmente a superaremos.
Uma oração assim lapida um caráter indômito, acende a chama da esperança infinita, traz a paz espiritual absoluta e aciona o progresso resoluto. É uma fonte de felicidade inigualável e um dos atos mais nobres que podemos realizar como seres humanos.
Na sequência, Daishonin alude à “alegria ilimitada da Lei” (Ibidem).6 Ser capaz de desfrutar livremente a “alegria ilimitada da Lei” é a condição de vida do estado de buda. Podemos, definitivamente, viver feliz com base na convicção inabalável na fé e de acordo com a lei suprema do universo.
Uma religião para transformar a vida
Em dezembro de 1955, a Sede Regional de Kansai, a primeira grande instalação da Soka Gakkai em Osaka, foi fundada [num prédio que passara por reforma recente]. Na reunião realizada para celebrar a ocasião, com um sorriso caloroso, o presidente Josei Toda incentivou os membros a vencer doenças e obter fortuna instigando-os a “perseverarem na fé e se tornarem exemplos de felicidade”.7
E, em fevereiro do ano seguinte (1956), no Centro Cívico de Nakanoshima, um lugar impregnado de lembranças, ele disse com uma pitada de humor: “Nunca ouvi falar de buda pobre, nunca ouvi falar de buda com tuberculose, nunca vi um buda ser caçado por cobradores de dívidas”.8 O propósito da nossa prática budista é sermos felizes. Toda sensei explicou a grandiosidade dos benefícios da Lei Mística afirmando que os benefícios que ele havia conquistado por meio da fé no Gohonzon eram tão enormes que não caberiam naquele centro cívico.9
Dois meses depois (em abril de 1956), durante uma atividade no estádio de Osaka realizada sob chuva, declarou estar determinado a fazer o necessário para garantir que não restasse uma única pessoa doente ou pobre em Kansai.10 Ele canalizou todo o seu ser para encorajar aquelas pessoas simples, que se empenhavam para fazer o dinheiro ser suficiente para cobrir as despesas, decidido a ajudá-las a se libertarem das profundezas do desespero e desalento.
“Praticando o Budismo de Nichiren Daishonin, infalivelmente obteremos benefícios, demonstraremos provas reais do poder da fé e nos tornaremos felizes!” — imbuídos desta convicção, prosseguimos compartilhando ativamente os ensinamentos de Daishonin com os outros. Nisso, alguns ridicularizavam a Soka Gakkai, apontando-a como um “bando de pobres e doentes” e desdenhavam arrogantemente do nosso budismo, denominando-o de religião que só se importa com benefícios mundanos.
“Por acaso não precisamos de benefícios neste mundo?”, retrucávamos seguramente a essas alegações, afirmando que uma religião efetiva é aquela que melhora a vida dos praticantes e opera transformações positivas na forma como vivem.
Acima de tudo, nossos associados se mostravam entusiasmados com a vida, com a alma revigorada, e sentiam a alegria de trilhar o caminho para romper, de fato, os grilhões do destino. Os companheiros de Kansai, homens e mulheres comuns que entravam em ação com toda a sua energia, sabiam instintivamente que aqueles que os desprezavam eram indivíduos arrogantes e equivocados, que desdenhavam os outros e desconheciam o verdadeiro propósito da religião.
Nada fala mais alto que a transformação das nossas circunstâncias de vida. Não há prova mais eloquente que a mudança do nosso destino.
Exatamente como observou nosso presidente e fundador, Tsunesaburo Makiguchi, o budismo é um ensinamento para a vida. É a força que precisamos para navegar por mares turbulentos, é o caminho que conduz à felicidade suprema.
Toda sensei afirmou com um sorriso confiante: “O que há de errado em ser um bando de pobres e doentes? Afinal, uma religião de verdade estende a mão àqueles que mais estão sofrendo e os ajuda! A Soka Gakkai é a maior aliada do povo”. Esse rugido de leão do meu mestre foi uma poderosa declaração dos direitos humanos, um juramento de erradicar da vida das pessoas a causa da miséria e de infortúnios como pobreza, doença e discórdias.
Vamos possibilitar que aqueles que mais sofreram desfrutem maior felicidade que possa existir! Todos têm o direito de ser felizes. O Budismo de Nichiren Daishonin é o maior aliado daqueles que vivenciam o sofrimento mais profundo.
A Soka Gakkai está sempre ao lado do povo. Essa é a prova de seu compromisso com a luta contínua para combater o mal fundamental que reside na raiz de todo sofrimento e miséria humana — a tendência de desrespeitar e desvalorizar a vida — e ajudar as pessoas a alcançar a felicidade.
“A pessoa mais rica do mundo”
Estabelecer os Quatro Bodisatvas como Objeto de Devoção
De uma perspectiva mundana, eu [Nichiren] sou a pessoa mais pobre do Japão, mas à luz do budismo, sou a pessoa mais rica de todo o Jambudvipa [o mundo inteiro]. Ao ponderar que tudo isto se deve ao fato de a época ser apropriada, sou tomado de imensa alegria e não consigo conter minhas lágrimas. É impossível saldar minha dívida de gratidão para com o buda Shakyamuni, o senhor dos ensinamentos. Talvez até mesmo as recompensas dos vinte e quatro sucessores do Buda11 sejam inferiores às minhas, e nem as de grandes mestres como Tiantai, Zhizhe e Dengyo12 se comparam às minhas. (WND, v. I, p. 977)13
A vida de Nichiren Daishonin foi ameaçada em várias ocasiões. Ele foi exilado duas vezes, denunciado e difamado por pessoas de todo o país. “De uma perspectiva mundana”, em suas próprias palavras ele poderia ser “a pessoa mais pobre do Japão” (WND, v. I, p. 977). Mas pela ótica do budismo, era a “pessoa mais rica de todo o Jambudvipa” (Ibidem) — ou seja, a pessoa mais rica do mundo.
“Sou tomado de imensa alegria e não consigo conter minhas lágrimas” (Ibidem), prossegue, descrevendo a realidade de sua felicidade indestrutível, imune às funções diabólicas das autoridades mais poderosas.14
Como associados da SGI devotados à concretização do kosen-rufu — missão confiada a nós por Daishonin —, edificamos uma condição de felicidade inabalável por meio de nossas atividades diárias. Em outras palavras, acumulamos os tesouros mais valiosos: “os tesouros do coração”.
Daishonin expressa: “Mais valiosos que os tesouros num cofre são os tesouros do corpo, e os tesouros do coração são os mais valiosos de todos” (WND, v. I, p. 851). Aqueles que acumulam os “tesouros do coração” pela fé dedicada ao kosen-rufu são realmente as pessoas mais ricas e felizes de todas.
Toda sensei continuou vencedor em seu espírito, mesmo enquanto esteve preso, em virtude de suas crenças durante a Segunda Guerra Mundial, prosseguindo em sua luta implacável para defender o ensinamento correto do budismo. Com base na profunda convicção de que era verdadeiramente “rico”, assegurou aos seus familiares que eles estavam bem. Numa carta que lhes enviou da prisão declarou: “Por mais difícil que seja a vida e por mais pobres que vocês sejam, sempre tenham a certeza de que são ‘pessoas ricas’, pois eu também estou vivendo [com todas as minhas forças aqui na prisão]”.
Como discípulo desse grande mestre, completamente unido a ele em espírito, venho avançando diante de todas as tempestades de adversidades em minha luta em prol do kosen-rufu. Venho dedicando minha vida à Lei Mística, a meu mestre e aos nossos membros. Estou totalmente preparado para enfrentar dificuldades colossais. Sobrepujando todos os obstáculos, considerando cada provação uma honra, abri o caminho para o kosen-rufu mundial junto com nossos nobres pioneiros.
Agora é hora de meus companheiros da Divisão Sênior (DS) e da Divisão Feminina (DF) e meus sucessores da Divisão dos Jovens (DJ) avançarem triunfantemente por essa estrada grandiosa e honrada, com a convicção de que vocês são as pessoas mais felizes do mundo.
“Tanto a própria pessoa como as outras, juntas, experimentam alegria”
Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente
“Alegria” significa que tanto a própria pessoa como as outras, juntas, experimentam alegria (...) Então, tanto a própria pessoa como as outras sentirão alegria pela posse da sabedoria e compaixão. Quando Nichiren e seus seguidores recitam Nam-myoho-renge-kyo, eles expressam alegria pelo fato de que, de forma inevitável, se tornarão budas eternamente dotados dos três corpos. (OTT, p. 146)
No Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente [Ongi Kuden], Nichiren Daishonin discute sobre a frase que consta no (18º) capítulo “Os Benefícios por Responder com Alegria” do Sutra do Lótus, dizendo: “‘Alegria’ significa que tanto a própria pessoa como as outras, juntas, experimentam alegria” (OTT, p. 146). Essa alegria compartilhada, vivenciada tanto pela própria pessoa como pelos outros, assegura Daishonin, representa a verdadeira alegria e felicidade.
Felicidade é algo que cada um de nós deve alcançar por si e experimentar na própria vida. Porém, sua felicidade individual em detrimento da felicidade das demais pessoas não consiste em felicidade genuína. Simplesmente se satisfazer com o próprio bem-estar, sem a mínima preocupação com o próximo, é egoísmo. Pela mesma razão, deixar de lado a própria felicidade e se importar somente com a de outras pessoas também não basta. A verdadeira felicidade é uma condição em que tanto nós como os outros somos felizes.
O filósofo francês Jean-Jacques Rousseau (1712–1778) também identificava a essência da felicidade como algo existente no espírito expansivo da felicidade compartilhada. Ele escreveu: “Demova o exclusivismo dos prazeres. Quanto mais os lega e divide com [as pessoas], mais puro o seu sabor”.15 A felicidade só existe quando compartilhada.
Quando algo bom acontece, queremos compartilhar o fato com os outros — com a família, os amigos, os membros, com nosso mestre. A felicidade se expande e amplia dentro dessa rede de relacionamentos na qual dividimos nossas alegrias e tristezas.
Desejar a felicidade para todos
Nichiren Daishonin declara: “Se o senhor se importa realmente com a segurança pessoal, deve primeiro orar pela paz e segurança nos quatro quadrantes da terra, não é verdade?” (CEND, v. I, p. 24). Essa famosa afirmação expressa o espírito fundamental com que devemos orar para concretizar uma sociedade realmente pacífica e próspera.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Makiguchi sensei rejeitou a noção de autossacrifício em nome do país que as autoridades militaristas japonesas da época estimulavam pela propaganda nacionalista: “Autonegação é uma mentira. O correto é buscar felicidade tanto para si como para todos os demais”.16
Toda sensei dizia: “Tornar-se feliz sozinho não é difícil, é relativamente simples. Mas a essência do Budismo de Nichiren Daishonin se resume em ajudar as outras pessoas a se tornarem felizes também”.17
Não podemos tirar a felicidade de alguém ou obtê-la mediante o sacrifício dos outros em nosso próprio benefício. É algo que deve ser compartilhado — esse é o motivo que me leva a insistir sempre que nossa felicidade não deve ser construída sobre o infortúnio de outrem.
Adiante, em Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Nichiren Daishonin aponta: “Então, tanto a própria pessoa como as outras sentirão alegria pela posse da sabedoria e compaixão” (OTT, p. 146). “Sabedoria e compaixão” indicam a própria condição de vida do estado de buda. Sejam quais forem as dificuldades diante de nós, não nos deixamos vencer e a sabedoria para ultrapassá-las brota de dentro de nós.
Daishonin prossegue: “Quando Nichiren e seus seguidores recitam Nam-myoho-renge-kyo, eles expressam alegria pelo fato de que, de forma inevitável, se tornarão budas eternamente dotados dos três corpos” (Ibidem).
Os “três corpos” referem-se aos três corpos do Buda — o corpo do Darma, o corpo da recompensa e o corpo manifesto. Tanto nós como os outros somos originalmente budas dignos do mais alto respeito, personificação da Lei Mística. Esse aspecto descreve o corpo do Darma; e a sabedoria para produzir felicidade para nós mesmos e para os demais com base nessa profunda consciência corresponde ao corpo da recompensa. E a ação prática e compassiva em prol de nossa própria felicidade e pela felicidade de outras pessoas diz respeito ao corpo manifesto. Essa passagem expõe que, ao recitarmos Nam-myoho-renge-kyo, nós, seres comuns não iluminados, exatamente como somos, nos tornamos budas possuidores desses extraordinários corpos.
O contentamento de expandir a própria vida
Em outro trecho de Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Daishonin comenta: “No momento em que [a pessoa] descobre que originalmente é um buda, imediatamente experimenta a grande alegria, e o Nam-myoho-renge-kyo é a grande alegria dentre todas as alegrias” (Ibidem, p. 211-212).
Além disso, compreender que sua mente, sua vida, desde sempre é a de um buda acarreta o reconhecimento de que isso não vale só para si, mas também para os outros igualmente. Nós e os demais somos budas — uma percepção que faz nascer em nós uma sensação de absoluta alegria. Quando alcançamos a condição de vida de nos alegrar com o nosso bem-estar e o das outras pessoas, uma felicidade incomparável que perdurará por toda a eternidade começa a brilhar intensamente em nosso coração.
Não há alegria ou felicidade maior do que perceber que somos “budas eternamente dotados dos três corpos” (OTT, p. 146), exatamente como somos. Isso, em si, representa a condição de vida do estado de buda, na qual sentimos a “ilimitada alegria da Lei”, que nos permite experimentar plena e livremente os benefícios da Lei Mística, um estado de felicidade absoluta.
Propagar ondas de felicidade pelo mundo
Que tipo de era deve ser o século 21? Respondendo a essa questão, o ilustre economista John Kenneth Galbraith (1908–2006) afirmou, sem hesitar, que precisamos convertê-la numa era na qual as pessoas possam desfrutar genuinamente a vida neste mundo, confiantes de que poderão se aprimorar e ter uma vida feliz e realizada; e uma era na qual colocaremos um ponto final nas matanças. Tendo vivenciado a época turbulenta do século 20, ele refletira longa e profundamente sobre o futuro da humanidade. Senti que a visão dele reverberava o ardente desejo de Toda sensei de livrar o mundo de toda miséria e sofrimento.
A Soka Gakkai é uma organização dedicada à “criação de valor”. A essência da felicidade, tanto a nossa como a dos outros, reside na edificação dos valores sintetizados pelo belo, benefício e bem.18 Como expressão do nosso triunfo pessoal na fé, façamos desabrochar flores da felicidade com toda a riqueza de variedades, e cultivemos um jardim cada vez mais amplo e repleto de alegria, vitória e paz na comunidade, na sociedade e no mundo.
Nichiren Daishonin registrou também: “Alegrar-se em ouvir a voz de alguém que se alegra” (CEND, v. I, p. 70). Estamos agora na nova era do kosen-rufu mundial, na qual ondas de alegria emanadas da “prática da fé para conquistar a felicidade” estão transcendendo fronteiras étnicas e barreiras de idiomas e se propagam por todo o planeta. Estamos nos empenhando para começar a era da vitória do povo na qual a humanidade como um todo possa conquistar a felicidade.
Constrói-se a felicidade por meio de esforços firmes e constantes a cada dia. E a base da nossa vida, que é voltada para a concretização da felicidade, é nossa inigualável prática diária da recitação do Nam-myoho-renge-kyo.
Estou orando fervorosamente hoje, e continuarei orando — pela longevidade e saúde de vocês; para que realizem todos os seus desejos e desfrutem paz e segurança nesta existência; cumpram sua missão nesta vida e gozem de boas circunstâncias nas existências futuras; para que sejam felizes, sem exceção, e adornem a vida com vitórias esplêndidas.
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