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há 6 anos
Consciência financeira
Em tempos de crise, mais que nunca, é necessário se organizar financeiramente
08/10/2020

REDAÇÃO
Você vai ao mercado e se depara com a alta dos preços. Surge um imprevisto em casa e bagunça o dinheiro do mês. Inúmeros são os motivos que podem mexer com nosso bolso, principalmente quando não esperamos. Mas uma coisa é certa: se você consegue se organizar financeiramente, é muito mais difícil algo lhe pegar de surpresa.
Pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em 2018, mostra que 46% dos brasileiros não realizam um controle sistemático do seu orçamento. Indica também que 29,3% dos entrevistados pela pesquisa fazem o controle apenas “de cabeça”; isto é, recorrem a um método pouco confiável para organizar suas finanças. Entre os que utilizam algum método organizado para gerenciar seus recursos financeiros, o mecanismo mais comum é o caderno de anotações, mencionado por 29,8% da amostra, seguido pela planilha (21,0%) e pelos aplicativos digitais (3,1%).
Diante desse cenário, Brasil Seikyo conversou com Márcio Nakane, economista, doutor em economia pela Universidade de Oxford, e colunista do BS, para entender qual é a melhor forma de controlar o fluxo de caixa doméstico.
Brasil Seikyo: Antes de tudo, o que é, de fato, ser organizado financeiramente?
Ser organizado financeiramente é, em primeiro lugar, ter o conhecimento de como está sua vida financeira. Saber como está seu fluxo de caixa, ou seja, os ingressos de recursos financeiros, de um lado, e as saídas, do outro. Conhecer seu orçamento familiar, isto é, em que itens de despesa (saúde, educação, lazer) estão sendo gastos os recursos. Ter a informação sobre o leque de aplicações financeiras à disposição, dependendo do seu perfil.
Em segundo, ser organizado financeiramente envolve planejamento. Nesse caso, o esforço é saber como conciliar os recursos disponíveis com seus planos de curto, médio e longo prazos. Como poupar recursos para fazer uma viagem, abrir um negócio, participar do Kofu, fazer um curso, preparar-se para a aposentadoria etc.
BS: A pandemia impactou muitas famílias brasileiras, principalmente no âmbito financeiro. Sendo assim, quais dicas você poderia dar para se manter o orçamento minimamente organizado?
O primeiro ponto é fazer uma lista das despesas da casa. Então, cortar todos os gastos supérfluos ou aqueles itens não essenciais. Economizar em tudo o que der para ser economizado.
Uma lista de prioridades com relação a contas e dívidas também deve ser feita. Procure fazer negociações para reduzir o peso dessas contas, quando possível. Negociações com escolas, academias, planos de saúde, bancos e proprietários estão incluídas aqui.
Um ponto importante em momentos difíceis como esses é a união dos familiares. Todos devem contribuir para o esforço de cortar despesas e ajudar no orçamento familiar.
BS: Muito se fala sobre reserva de emergência, mas vários leitores não sabem por onde começar. Qual seria o primeiro passo?
A reserva de emergência é um recurso que foi poupado e está disponível para cobrir gastos inesperados.
O primeiro passo, então, é se colocar em uma situação financeira na qual seja possível poupar para formar essa reserva de emergência. Em outras palavras, que sobre algum dinheiro e que ele possa ser direcionado para esse montante. Pois a ideia é constituir a reserva de emergência nos bons períodos (quando sobram recursos) e sacar dela quando for preciso.
É necessário diferenciar entre o que é reserva de emergência e o que é poupança para fins específicos. A reserva de emergência é o valor poupado para ser utilizado quando ocorrer alguma despesa ou evento imprevisível. Por exemplo, comprar algum medicamento em função de uma ocorrência de saúde inesperada; alguma despesa com mecânico por conta de um acidente com o carro etc.
O recurso separado para tal finalidade geralmente deve estar aplicado em algum produto financeiro de alta liquidez; aquele recurso que possa ser utilizado rapidamente.
BS: Quando perdermos o emprego, normalmente ficamos desestabilizados financeiramente. Você poderia dar alguma dica que minimize esse impacto?
Em primeiro lugar, buscar auxílio e ajuda governamental para tais finalidades, incluindo seguro desemprego, FGTS, auxílio emergencial etc.
Em segundo, se você conseguiu formar alguma reserva de emergência, então é o momento de começar a utilizá-la.
Em terceiro, busque atividades e ocupações emergenciais que você possa realizar, mesmo que não esteja relacionado com seu campo de atuação. Atividades temporárias, em período parcial, informais, voluntárias, o que for possível.
Em quarto, invista no seu currículo. Busque qualificação por meio de cursos. Participe de eventos, lives e informe-se sobre as oportunidades na sua área.
Em quinto, reative seus contatos e amplie sua rede de relacionamentos. A rede de contatos que formamos é muito importante do ponto de vista profissional.
BS: Economicamente falando, há uma perspectiva de melhora para os próximos meses?
Sim, isso já está ocorrendo em vários setores, mas não em todos. A recuperação econômica está meio desigual. Os setores que estão mostrando boa recuperação são os de construção civil, automobilístico, tecnologia, comunicações, energia. Setores ligados ao e-commerce e aos canais digitais, como varejo, também estão mostrando bom desempenho.
Por outro lado, setores que foram mais afetados pelas regras do isolamento social, tais como cinemas, entretenimento, turismo, viagens e hotéis, ainda não mostram recuperação forte.
Em geral, o cenário é de recuperação da atividade econômica. Ou seja, do ponto de vista econômico, o pior já passou.
Quer entender mais sobre educação financeira?
Algumas instituições oferecem material gratuito para estudo:
Curso Trilha Financeira do Serasa. Disponível em: https://www.serasa.com.br/ensina/curso-ead-financas-trilha-financeira/.
Gestão de Finanças Pessoais do Banco Central. Disponível em: https://www.escolavirtual.gov.br/curso/170.
A Comissão de Valores Mobiliários oferece cursos de educação financeira para jovens, matemática financeira básica e também um sobre poupança e investimentos. Disponíveis em: http://cursos.cvm.gov.br/.
Curso de Organização de Orçamento Familiar oferecido pela Fundação Getulio Vargas. Disponível em: https://educacao-executiva.fgv.br/cursos/online/curta-media-duracao-online/como-organizar-o-orcamento-familiar.
Dicas do Serasa para cuidar das finanças
ORÇAMENTO NA PONTA DO LÁPIS
Para uma vida financeira saudável, organização é essencial em todos os momentos. Porém, em tempos de crise, ter suas contas na ponta do lápis é a chave para o caminho certo.
NA CRISE (E FORA DELA) NÃO MISTURE PF COM PJ
Saber negociar, saber qual conta pagar primeiro e qual deixar para depois. Mas, acima de tudo, é preciso cuidado para não misturar as contas de casa com as do seu negócio. Sem essa separação, tudo pode se transformar numa enorme bola de neve.
UTILIZE FORMAS CRIATIVAS PARA FAZER RENDA
Se você não tem renda ou ficou sem renda durante a crise, é preciso usar a criatividade e inovar nas formas de ganhar dinheiro. Desde marmitas, doces, artesanato e aulas on-line, são inúmeras as possibilidades de levantar uma grana.
NA CRISE DO CORONAVÍRUS, COMO PENSAR EM PÉ-DE-MEIA?
Ter uma reserva financeira garante estabilidade ao enfrentar momentos de crise. Não existe um número mágico, mas, em um mundo ideal, economistas fazem a seguinte recomendação:
— Trabalhador com carteira assinada: ter guardado o valor que cubra, pelo menos, suas despesas totais por três ou quatro meses.
— Profissionais autônomos: ter guardado o valor que cubra, pelo menos, suas despesas totais por doze meses.
Leia mais:
Assista aos vídeos de entrevistas do economista Márcio Nakane no BS+
Serasa Educação. Disponível em: https://www.serasa.com.br/ensina/suas-economias/coronavirus-10-dicas/.
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