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Diário da Juventude
há 21 anos

Diário da Juventude - 1950

01/08/2005

Diário da Juventude - 1950

Quarta-feira, 30 de agosto. Chuva fina.

Dia-a-dia, à medida que as coisas se assentam, a completa gravidade dos débitos da nossa companhia está começando a ser sentida. Não sei de nenhum detalhe, mas sinto que o futuro é negro.

Meu coração sofre quando penso no que o Sr. Toda deve estar sentindo, ou quando penso na preocupação de meus pais.

Aquele que tomba ao solo não tem outra escolha a não ser levantar-se de onde caiu.

Reconstruir a partir de nossas circunstâncias atuais será a prova máxima de meus esforços. Acima de tudo, quero fazer o Sr. Toda alegrar-se. Vou lançar-me com toda a fúria de um demônio ashura.

1.Colocar em ordem as finanças para o próximo período;

2.Realizar completamente os nossos planos;

3.Promover diretrizes para a liquidação.

Além disso: (1) Não trabalhar com o Chefe de Departamento O.; (2) Começar a trabalhar diretamente com o Sr. Toda; (3) Fazer com que o Sr. W. nos restitua o mais rápido possível; e (4) Treinar um novo pessoal para o departamento.

Amanhã, irei com o Sr. N. até a divisão administrativa de tributos.

Terminei de ler Os Miseráveis.

Quinta-feira, 31 de agosto. Céu claro.

O outono chegou.

Grilos cantam sob o luar. Emoções brotam no coração do poeta.

O outono é calmo e silencioso.

Nenhum tumulto, nenhuma corrente violenta consegue perturbar o coração do poeta.

O outono é nobre.

Uma estação clara como um espelho, uma área para avançar com uma mente benevolente na luta pela justiça.

O outono é sereno.

No fundo do coração do poeta existe uma imensa clareza que distingue o bem e o mal.

O outono é uma época para reflexão.

Sexta-feira, 1º de setembro. Céu claro.

Todos os dias parecem semelhantes à noite que antecede uma tempestade. Momento a momento a pressão sobre nós é maior.

Vinte e dois anos de idade, na primavera de minha vida — é esse o laço do destino de mestre e discípulo?

Lutar corajosamente para enfrentar os pequenos problemas e não ser abalado pelos grandes. Outra cáustica carta de acusações do meu irmão.

O Sr. Toda parece estar numa situação realmente dolorosa. Meus olhos se enchem de lágrimas de tormento e também com lágrimas de gratidão por poder compartilhar de seu sofrimento.

Lembre-se dos planos que resistirão aos anos. Devo prepará-los sem erro.

Sábado, 2 de setembro. Céu claro.

“Entre os discípulos de Nitiren existem alguns que aparentemente entenderam os ensinos, mas na verdade são maus discípulos.”(“Resposta ao Lorde Ueno”)

Esta semana terminou.

Muitas vezes, montanhas de crítica e calúnia se elevam, interna e externamente.

Fui a Omiya com o Sr. Toda e outros diretores da companhia para investigar meios para escapar de nossa paralisação empresarial. Sinto que os diretores não confiam no Sr. Toda.

Acredito no Dai-Gohonzon somente.

A solidão permite que o indivíduo se conheça profundamente e, ao mesmo tempo, torna a sua mente sincera.

Só aqueles que amam o seu país conseguem compreender o coração de outros patriotas.

A liquidação de nossa companhia se processa lentamente. Entristece-me o fato de a mente das pessoas do quadro de funcionários terem sido tão fortemente dominadas pelo nosso infortúnio. Como somos todos humanos suponho que isso não possa ser evitado.

Visitei S. pela primeira vez em cerca de um mês. Uma experiência dolorosa. Quando as coisas estão indo bem para mim, ele é todo sorrisos. Agora que estou passando por dificuldades, ele me trata como um estranho.

A lua de setembro brilha sobre o caminho até minha casa. Muitas vezes, sinto-me inclinado a flutuar no mundo poético da fantasia. Contudo, o remoinho da realidade não permitirá que eu ceda somente à fantasia.

Meu coração é um turbilhão de emoções. Esperanças. Grandes ambições. Levantando âncora para um novo navegar na vida. Estou pronto para enfrentar quaisquer tempestades.

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