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há 11 anos

Felicidade Sustentável

Ser feliz é simples. Conforme o presidente Josei Toda afirma: “Não há nenhuma dificuldade em se tornar feliz sozinho. Isso é fácil. Ajudar as outras pessoas a se tornarem felizes é a base de nossa fé”.1 Simples porque é possível encontrar felicidade no cotidiano — há alegria na satisfação dos desejos, e como manifestamos vários deles, temos muitos motivos para nos alegrar. O problema é que esse tipo de satisfação desaparece depressa, na mesma velocidade em que novos desejos vão brotando. E, assim, torna-se difícil conservar a felicidade. O verdadeiro desafio não é ser feliz, e sim ser capaz de manter a felicidade. Conheça, nesta matéria, como sustentar a felicidade.

11/04/2015

Felicidade Sustentável

A verdadeira felicidade

A felicidade somente é sustentável e duradoura quando compartilhada com outras pessoas. Essa é a fórmula para uma alegria contínua apresentada pelo budismo.

Lembrando que no budismo é ensinado que existe a felicidade relativa e a felicidade absoluta.

A relativa é a satisfação de desejos pessoais e é dependente de fatores externos. A absoluta é a felicidade que vem de dentro, que nasce da profunda alegria e satisfação só pelo fato de estar vivo e da percepção de que você e os outros possuem a natureza de buda. É a própria iluminação. 

Essa felicidade sustentável está relacionada à felicidade absoluta — a alegria ilimitada que vem da Lei Mística. Quando comprovamos e propagamos a Lei Mística com outras pessoas, tornamos a felicidade absoluta sustentável.

Para muitas pessoas, é até fácil aceitar a ideia de que a felicidade não é algo individual, e sim coletivo. Mas quando elas se lembram de que vivem numa sociedade injusta, não acreditam que a “felicidade compartilhada” seja realmente possível. Sem saber como agir, optam pela busca egoísta de alegrias passageiras.

Foi esse o caso do jovem norte-americano Christopher McCandless. Sua história é contada no filme biográfico Na Natureza Selvagem (Into The Wild). 

McCandless se cansou da sociedade por considerá-la hipócrita e, sem avisar a família, partiu numa viagem sem rumo em busca da própria liberdade que ele entendia como a verdadeira felicidade.

No decorrer de sua viagem, ele queimou o resto do dinheiro que tinha para sobreviver, assumiu um novo nome, Alexander Supertramp, e continuou a pé. Por fim, chegou ao Alasca para viver completamente sozinho numa floresta.

Ele foi egoísta ao rejeitar a sociedade e ir atrás do que entendia como felicidade? 

O filme convida a essa reflexão. Muitos acreditam que sim, outros acham que não. O importante aqui foi a conclusão a que ele chegou ao final de sua jornada. 

Após ultrapassar um ponto sem volta na busca pela própria felicidade, ele escreveu sua derradeira conclusão: 

“A felicidade só é verdadeira quando compartilhada”.

O jovem McCandless trilhou um caminho difícil. E sofreu bastante para chegar a esse desfecho.

Obviamente, não foi um entendimento somente dele, muitas pessoas já fizeram uso dessa frase ao chegar à mesma conclusão sobre felicidade. A noção de felicidade compartilhada é um valor universal.

Felizmente, não é preciso passar pelo mesmo sofrimento que o dele para descobrir que “a felicidade só é verdadeira quando compartilhada”. Graças à fé nos ensinamentos budistas, essa conclusão pode ser o ponto de partida.

Nos escritos de Nichiren Daishonin consta: “A ‘alegria’ significa uma satisfação compartilhada com as pessoas” e também “a ‘alegria’ é compartilhar a sabedoria e a benevolência com os outros” (BS, ed. 1.527, 9 out. 1999, p. A3).

O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, comentou essas frases de Daishonin:

“O ponto principal é que a alegria é algo que compartilhamos com os outros. Preocupar-se unicamente com a própria felicidade é egoísmo. Preocupar-se apenas com a felicidade dos outros é hipocrisia. A verdadeira felicidade é tornar-se feliz junto com os outros” (Ibidem).

Vencendo o egoísmo

e a hipocrisia

Como vimos na abertura da matéria, de acordo com o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, não há nenhuma dificuldade em se tornar feliz sozinho, isto é fácil. Para ele, ajudar as outras pessoas a se tornarem felizes é a base de nossa fé. 

A pessoa que tende a pensar somente em si mesma se fecha em seu mundo egoísta, ignora as pessoas ao redor e não desenvolve sua fé. Por acreditar que conseguiu tudo sozinha, apenas com o próprio esforço, não valoriza nem mesmo aqueles que a ajudaram a conquistar seu sucesso. Suas pequenas vitórias até trazem alguma alegria, porém, é um tipo de satisfação que não dura. Com o passar do tempo, só restarão solidão, tristeza e sofrimento.

Por outro lado, é fundamental entender o que realmente é “ajudar as outras pessoas”, afinal, é nesse ato que existe a fé budista.

Quando o assunto é ajudar o outro, aqueles que não se esforçam pela própria felicidade, e entendem que a felicidade pessoal é uma recompensa que só virá depois que todas as outras pessoas conquistarem a própria felicidade e o mundo for um lugar melhor, se entregam facilmente à resignação e à crença de que não é possível existir felicidade na presente realidade. O indivíduo sente-se tão impotente que sofre resignado. Por não conseguir se desenvolver interiormente, ele se torna um crítico pessimista ou se apega a uma “fé” escapista, que, por sua vez, o faz sonhar com alguma situação ou lugar ideais.

Essas duas situações confirmam: “preocupar-se unicamente com a própria felicidade é egoísmo. Preocupar-se apenas com a felicidade dos outros é hipocrisia”.

Nesse sentido, faz-se necessária uma solução que envolva a felicidade de si e a do outro.

Base sólida e compartilhável

Segundo o presidente Ikeda, “A verdadeira felicidade é ser feliz junto com os outros”. Essa felicidade é verdadeira, sustentável e transforma a sociedade.

Para entendermos como é possível conquistar essa alegria perene, vamos começar por um raciocínio bem simples.

Para durar, a felicidade precisa se fundamentar numa base sólida. Além do mais, essa mesma base precisa ser compartilhável.

Quando a felicidade se fundamenta numa base comum — acessível a todas as pessoas —, ela é propagada com facilidade. Uma vez compartilhada, ela é eterna.

Para melhor entendimento desse raciocínio, tomemos como exemplo a conquista de um desejo material.

Por que a alegria de comprar um carro novo não dura muito tempo?

Por estarmos sujeitos a mudanças circunstanciais, o carro não é uma base sólida para a felicidade.

Além disso, esse carro não pode ser compartilhado com todas as pessoas e, por isso, não produz felicidade em escala global. 

Talvez, somente os membros da família que utilizarem esse veículo ficarão felizes. Para um vizinho, esse automóvel pode despertar inveja. Para a cidade, mais um carro pode representar um transtorno no trânsito. E após algum tempo, a alegria do proprietário pode acabar quando ele souber que a montadora lançou um novo modelo ou quando a primeira prestação vencer.

A vovó de Shodoshima

Para entendermos por que a felicidade duradoura é ser feliz junto com os outros, eis o exemplo de uma vovó que morava na ilha de Shodoshima, Japão.

O presidente Ikeda apresenta esse episódio no romance Nova Revolução Humana.

“A senhora chamava-se Hanano Michihata e iria completar 78 anos. Foi o primeiro membro da Soka Gakkai daquela ilha [Shodoshima], tendo se associado em agosto de 1953.

Nessa época, o tradicionalismo era forte e não havia ninguém que compreendesse corretamente o objetivo da Gakkai. Era costumeiro as pessoas jogarem água e sal nela quando tentava realizar o diálogo budista [shakubuku]. Ao andar pela rua, ridicularizavam-na dizendo: “Nam-myoho-renge-kyo está andando”.

Mas ela não se curvou.

— Todos se opõem a esta prática da fé sem saber de nada. Falam mal. Está acontecendo exatamente conforme aprendi na Gakkai. Esta prática é verdadeira!

As críticas e calúnias foram fortalecendo sua convicção.

No início, estava vinculada ao distrito Suginami [bairro de Tóquio; distante cerca de 650 km]. Quando se defrontava com algo que não sabia, perguntava às veteranas da organização por meio de cartas. Eram quatro correspondências por mês. Lia a ponto de memorizar as respostas e os incentivos enviados, e assim percorria a ilha para propagar o budismo. Em agosto de 1954, no ano seguinte à sua entrada na Soka Gakkai, concretizou seu primeiro shakubuku. A filha de uma das suas colegas de classe, Chiyo Takuma, ingressou na organização. As duas tinham uma diferença de idade de mais de vinte anos, mas se dedicaram juntas à propagação. Mesmo sendo hostilizadas e malfaladas, sentiam uma enorme alegria emergindo de si. O coração flamejante delas não se abalava nem mesmo diante da frieza daquelas pessoas. E, além disso, o mais encorajador era que tinham companheiros que as apoiavam. Quando surge um companheiro, a coragem se multiplica cem vezes.

Todos tinham dificuldades na vida diária, mas tinham também esperança e convicção no amanhã” (BS, ed. 2.268, 21 mar. 2015, p. B4).

Essa história é interessante porque apresenta uma visão correta da conquista da felicidade sustentável. A alegria da vovó não foi egoísta nem hipócrita, e ainda foi conquistada em meio a um ambiente hostil.

A base sólida para felicidade

A vovó aplicou a fórmula budista da felicidade. O ambiente hostil fortaleceu sua fé, fez brilhar seu caráter e, com apoio de bons amigos e calcada numa sólida filosofia, ela se sentia feliz e compartilhou essa felicidade com centenas de outras pessoas. 

O presidente Ikeda conclui a história da vovó: 

“O kosen-rufu de Shodoshima, que começou com Hanano Michihata, desenvolveu-se de forma constante e firme. Em julho de 1978, ano da segunda visita de Shin’ichi Yamamoto àquela ilha, a organização de Shodoshima apresentava grande desenvolvimento; era uma regional com cinco distritos” (Ibidem).

Vamos analisar o exemplo da Sra. Hanano à luz das frases “Preocupar-se unicamente com a própria felicidade é egoísmo. Preocupar-se apenas com a felicidade dos outros é hipocrisia. A verdadeira felicidade é tornar-se feliz junto com os outros”. 

Preocupar-se unicamente 

com a própria felicidade

Se a vovó se fechasse e praticasse o budismo isolada, sem se preocupar em compartilhar a alegria de sua fé, estaria preocupada unicamente com a própria felicidade.

Preocupar-se apenas

com a felicidade dos outros

Para a vovó, ser feliz era praticar o budismo. Desistir da prática, seria o mesmo que desistir da própria felicidade motivada pela opinião alheia.

A escolha certa

A vovó agiu corretamente. O fato de ela persistir na prática budista a fazia mais feliz e seu esforço em propagar sua fé era o mesmo que compartilhar a felicidade com todas as pessoas. Todas mesmo, inclusive você. 

Aqui está o ponto vital. No entendimento dos demais habitantes da ilha, que optaram por seguir o tradicionalismo regional, praticar o budismo não era sinônimo de felicidade. Sendo assim, por que propagar a fé era compartilhar a felicidade com todas as pessoas? E de que maneira o fato de ela propagar afeta você?

Ao persistir em sua fé, a vovó não estava simplesmente aumentando o número de adeptos de uma religião. Ela estava lutando pelo direito humano à liberdade de crença. 

Ela dedicou sua vida a proclamar a verdade; lutava pela justiça.

De acordo com o Budismo de Nichiren Daishonin, a verdade é que “Todas as pessoas são budas da forma como são”. Ou seja, cada vida é dotada de infinito potencial e o mais supremo valor. Respeitar a dignidade da vida de cada indivíduo é viver de acordo com a verdade.

Justiça significa fazer prevalecer essa verdade. É reconhecer o direito à vida e lutar para que o direito à felicidade seja concretizado. Também, significa pensar, falar e agir de acordo com a verdade de que todos são budas da forma como são.

Quanto mais ela enfrentava as circunstâncias e persistia em sua fé, sem nunca lamentar, mais feliz ficava, porque a luta pelos direitos humanos e uma vida dedicada à verdade e à justiça são valores universais que dizem respeito à humanidade.

Em escala universal, a base da felicidade da vovó era sólida e compartilhável. Essa é a razão do aumento e durabilidade de sua alegria.

O Dr. Austregésilo de Athayde, membro da comissão que redigiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos, afirma que “Pela sua importância, a liberdade de religião é o primeiro assunto de interesse a ser abordado na sociedade contemporânea” (Diálogo: Direitos Humanos no Século XXI, p. 150).

O Dr. Athayde também travou uma luta com palavras pelo direito à liberdade de crença. Sua participação no debate foi decisiva para a elaboração da declaração, principalmente no artigo que trata sobre o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião.

Ele relembra: “Na ocasião da elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o tema ‘religião’ estava sob a minha responsabilidade. Eu defendi perante todos que a liberdade religiosa era um dos pontos básicos dos direitos humanos” (Ibidem, p. 151).

Tanto a vovó quanto o Dr. Austregésilo de Athayde, cada qual em seu campo de atuação, lutaram pela liberdade de crença.

Em qualquer tempo e lugar, em escala individual ou mundial, a vitória na luta pelos direitos humanos transforma a humanidade.

Na explanação do escrito de Nichiren Daishonin Resposta a Yasaburo, o líder da SGI explica: “Uma batalha pelo bem dos direitos, da justiça e da verdade, mesmo que pareça ser uma pequena ação individual, possui um valor que, no final, afeta e diz respeito a todas as pessoas. Isso significa que, mesmo que embarque em uma luta sozinho, certamente terá pessoas com pensamentos que partilham suas aspirações; terá companheiros que se esforçam ao seu lado. Sua vitória, também, não será apenas sua, mas uma vitória por todos aqueles que estão sofrendo” (TC, ed. 560, abr. 2015, p. 64).

A importância da luta

pelos direitos humanos

Por que começamos falando de felicidade e chegamos aos direitos humanos?

O presidente Ikeda responde: “Em todo caso, os direitos humanos são um tema básico que merece prioridade em tudo. Sem esses direitos, não há como criar paz nem estabelecer a felicidade” (Diálogo: Direitos Humanos no Século XXI, p. 44). 

Sem direitos humanos não há felicidade sustentável. Por isso, essa é uma luta de todos. 

E por esses direitos “Vamos lutar com a maior e mais sublime de nossas armas, ou seja, com a palavra”, diz o Dr. Austregésilo de Athayde (Ibidem, p. 27). Ele ainda afirma: “No diálogo sobre os direitos humanos, a luta contra as discriminações é o centro da questão. Todos os homens são iguais. Nenhuma discriminação é permitida. Não podemos absolutamente permiti-la” (Ibidem, p. 25).

A luta com palavras pelos direitos humanos é uma luta em todas as esferas da sociedade que deve ser travada em todas as relações humanas. Isso porque a discriminação destrói a felicidade em qualquer ambiente; tal como o presidente Ikeda diz: “Alguns acham impossível respeitar as pessoas que são diferentes, por isso as discriminam e as atormentam, violando seus direitos individuais. Essa é a fonte de tanta infelicidade no mundo. (...) O desprezo pelos direitos humanos e a sua violação destroem a ordem natural das coisas” (Diálogo sobre a Juventude, v. 2, p. 9).

Dois lados da moeda

A vovó era feliz por praticar o budismo. As pessoas que a perseguiam eram infelizes por não conseguirem perceber o próprio potencial iluminado e, justamente, por não perceberem, eram incapazes de reconhecer nos outros.

A vovó, por reconhecer o estado de buda em si mesma, conseguia enxergar a mesma condição na vida dos outros. Mas só que a deles estava encoberta pela escuridão fundamental, o que os levava a discriminá-la.

A força e persistência daquela senhora pouco a pouco foi iluminando a escuridão fundamental daquelas pessoas. Quando a escuridão é vencida, ela abre espaço para a felicidade, na mesma proporção.

Felicidade e infelicidade são como os dois lados de uma mesma moeda. Quando você vira um lado, aparece o outro. 

Não se deixar influenciar nem se intimidar pelas perseguições, isto é sustentar a felicidade. Sempre recorrer ao diálogo como forma de tentar despertar as pessoas para o potencial iluminado que elas possuem dentro de si é lutar pelos direitos humanos, e o passo decisivo para que essas pessoas também sejam capazes de compartilhar a felicidade delas com os outros.

Mesmo que num primeiro momento nenhum efeito apareça, jamais desanime.

Esse foi o mesmo curso de ação persistente tomado pela vovó de Shodoshima. Ela praticou o budismo com o mesmo espírito de Nichiren Daishonin. Como consta em um de seus escritos: “(...) ouvimos que ele [Nichiren] nunca fraquejou, mesmo diante de repetidas perseguições, mas, em vez disso, se tornou ainda mais firmemente determinado” (END, v. VI, p. 298-299)

Revolução humana não é o resultado, e sim a batalha constante contra todas as formas de opressão: começa consigo, quando você vence o medo — a forma mais básica de autointimidação —, avança para as relações pessoais mais próximas, dessas relações se expande até influenciar países e, por fim, constrói uma nova era.

“Não estamos condenados a deixar a história se repetir. O que nos é concedido e nos compete, nas nossas circunstâncias, é dar à história, com os nossos próprios esforços, um desfecho novo e sem precedentes”, disse o historiador Arnold Toynbee. (TC, ed. 549, maio 2014, p. 24) 

Iluminar a si e o outro

O presidente Ikeda define o que é “ser budista”: “Sem se preocupar com a felicidade dos outros não se pode encontrar a felicidade de si mesmo. A base das ações budistas é o espírito de benevolência. É o ato de retirar a insegurança e o medo da vida das pessoas e conceder-lhes alegria, esperança e tranquilidade. 

Lutar pela felicidade de todos é um ato natural como budista, ou melhor, como ser humano. Porém, uma coisa tão simples é, na verdade, muito difícil de executar. O ensinamento do budismo é algo muito simples: resume-se em prezar cada indivíduo. A palavra “buda” indica aquele que se esforça incansavelmente pela felicidade e pelo bem-estar mesmo que seja de uma única pessoa” (BS, ed. 2.254, 6 dez. 2014, p. B2).

Qual é a melhor forma de retirar o medo e a insegurança da vida das pes­soas? É por meio da felicidade sustentável, que, segundo o conceito de sustentabilidade apresentado pelo presidente Ikeda em sua Proposta de Paz de 2012, é “um modo de vida em que a conquista da minha felicidade não custe o sacrifício de outro”.

A única forma de não sacrificar o outro é ser feliz junto com ele. E essa felicidade de ambos deve ter uma base sólida e compartilhável.

Felicidade sustentável é possibilitar o despertar de outro indivíduo para a própria iluminação. E o caminho mais efetivo para manifestar o estado de buda é a prática de shakubuku e a recitação do daimoku com fé no Gohonzon.

Budismo e os direitos humanos

O fato de a felicidade sustentável ser sinônimo da luta pelos direitos humanos — uma vida dedicada à verdade e à justiça — justifica a ênfase dada pelo budismo a esses direitos universais da humanidade.

No diálogo entre o Dr. Daisaku Ikeda e o Dr. Austregésilo de Athayde, ambos discorrem sobre a relação do budismo com os direitos humanos.

O presidente Ikeda diz: “Pelo fato de a lei básica do universo [Nam-myoho-renge-kyo] estar dotada de universalismo e suprema dignidade, a luta pela igualdade, liberdade e benevolência que nela se sustenta torna-se também universal para toda a humanidade” (Diálogo — Direitos Humanos no Século XXI, p. 121).

O líder continua: “A filosofia budista fundamenta-se numa lei básica que é universal a todas as pessoas, a todos os seres vivos e a todos os fenômenos. E essa lei forma a base do respeito absoluto à dignidade da vida. Aí está a raiz da dignidade e o universalismo dos direitos humanos.

O pensamento sobre a igualdade no budismo tem origem no princípio de que todas as pessoas são dotadas naturalmente de uma lei universal em sua vida. Além disso, ao se darem conta de que a percepção dessa lei é aberta a todos os indivíduos, as pessoas despertam para a natureza real da igualdade” (Ibidem, p. 120).

O Dr. Austregésilo de Athayde afirma: “De fato, pode-se dizer que o budismo é ‘religião’ ou mesmo ‘filosofia’. Talvez pudesse dizer, também, com maior acerto, ser um ‘estado d’alma’” (Ibidem, p. 95).

O Dr. Athayde continua: “Aquilo que o Buda pregou, despindo-se da sua condição de nobre para encarnar-se em um novo profeta, assegurando-se muito mais pelo exemplo do que pelas palavras, levou o povo a alturas que nenhuma outra religião até então conseguira. Seus ensinamentos podem ser considerados absolutos por terem surgido em situação social instável e duvidosa” (Ibidem, p. 70).

Ainda Dr. Athayde diz: “O budismo se baseia, sem ser cerceado por nada, em um princípio comum a todos os homens — a justiça. Assim sendo, penso que serviria de alicerce para o progresso de toda a humanidade” (Ibidem, p. 59)

Atuação individual

pelos direitos humanos

O presidente Ikeda ressalta que “O budismo visa estabelecer os direitos humanos na sociedade real alicerçada no respeito absoluto à vida de todas as pessoas. Por essa razão, sua proposta não limita o indivíduo a lutar pelos próprios direitos, mas estimula-o também a agir pelos direitos de outros” (Ibidem, p. 138).

O Dr. Athayde confirma que o presidente Ikeda é, na atualidade, a pessoa que melhor aplica espírito de luta em prol dos direitos de outros: “A pessoa que traduz o espírito da Declaração Universal dos Direitos Humanos de forma mais clara em termos de ação concreta e a propaga é o senhor, presidente Ikeda. Este é um mérito superior ao de quem a elaborou. O fundamental no homem é a ação, bem como o ‘ideário’” (Ibidem, p. 25).

“Já vivi por quase um século, quando o senhor nasceu, estava para completar 30 anos. Já tinha experiência de vida e aprendido diversas coisas. Após ter vivido tanto tempo, o senhor foi a primeira pessoa com quem tanto queria me encontrar. Isto se tornou realidade. Não poderia haver alegria maior. O senhor é o ‘homem que possui todos os tesouros’, o ‘homem que possui toda a justiça’”, disse o Dr. Athayde.

“O senhor é um ser humano e um humanista, um líder espiritual. O destino do mundo veio sendo amplamente projetado com as suas ações. O senhor é a pessoa que está transformando a história da humanidade. Tornou real e objetivou as ideias por meio de suas ações”, finaliza o Dr. Athayde (Ibidem, p. 26).

Conclusão

Vimos que a felicidade deve se fundamentar numa base sólida e compartilhável com todas as pessoas.

Segundo o Dr. Austregésilo de Athayde, essa base é o próprio ser humano. “O valor supremo e imutável é a existência de ‘uma pessoa’. Todo o resto é passageiro, cujo valor não passa de algo relativo que vai se modificando de acordo com as circunstâncias” (Ibidem, p. 95).

Sendo o ser humano a base e o foco de nossa luta com palavras, a prática do shakubuku se sobressai como a mais efetiva, sólida e compartilhável, uma vez que é o caminho para tornar a existência humana a mais feliz possível.

Além disso, o shakubuku é a luta pela justiça e também pela liberdade de crença e pelo direito humano (de ser feliz).

Ao se considerar a existência humana como valor supremo e imutável, fica mais fácil de entender as palavras do presidente Ikeda quando ele diz: “Somente acreditar no Gohonzon, recitar daimoku e estudar o budismo não correspondem à verdadeira prática da fé. A verdadeira e completa prática da fé é agir em prol do kosen-rufu. Incentivar as pessoas com o desejo: ‘Quero que esta pessoa se levante’. Propagar com o pensamento: ‘Quero que aquela pessoa se torne feliz’. Dialogar com a decisão: ‘Vou concretizar o kosen-rufu da minha localidade’. É por agir dessa forma em prol dos outros que se torna o verdadeiro budismo” (BS, ed. 2.269, 28 mar. 2015, p. B4).

Portanto, agir em prol do kosen-rufu é lutar concretamente pela verdade e pela justiça — os dois pilares capazes de manter a felicidade pela eternidade.

Verdade significa que “todas as pessoas são budas da forma como são”. Isto é sabedoria. Justiça é lutar para prevalecer essa verdade; corresponde à benevolência e, também, à coragem. Juntas, verdade e justiça constituem a fé budista e servem de base sólida para a felicidade sustentável.

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