JUVENTUDE-SOKA
Artigo
há 3 dias
Como construir laços saudáveis?
Criar conexões é algo que pode ser aprendido aos poucos
Redação
20/05/2026

Para muitas pessoas, tímidas e às vezes introvertidas, não é tão simplex iniciar amizades ou mesmo ter uma relação de coleguismo com a turma da escola, da faculdade e/ou do trabalho. Pensando nisso, convidamos vocês à leitura deste artigo em que selecionamos algumas dicas para experimentar novas interações, permitir-se conhecer novas pessoas e criar laços de amizade.
Uma pesquisa realizada pela Common Sense Media com mais de mil adolescentes revelou que muitos jovens têm recorrido cada vez mais a companheiros de inteligência artificial para conversar e buscar apoio emocional. Parte deles afirmou considerar essas interações tão satisfatórias quanto conversas com pessoas reais, e muitos disseram já ter compartilhado assuntos importantes e pessoais com assistentes digitais.1
Fazer amizades envolve proatividade, frequência e interesses comuns. Para construir novas conexões, abra-se para novas experiências frequentando locais como academias, cursos, grupos de voluntariado, clube do livro ou eventos. A chave é a persistência: inicie conversas, demonstre interesse genuíno nas pessoas e convide-as para atividades.
- Toda amizade começa com um oi!”
A melhor maneira de quebrar a primeira barreira com um desconhecido é dizendo “oi”. Não é algo que todas as pessoas estão dispostas a fazer, porque é preciso coragem para iniciar uma conversa com quem você nunca viu antes. A maioria das pessoas costuma ser acolhedora, mas se não forem, não desista, porque alguém em algum momento será.
- Nem toda conversa precisa dar certo
Quando não criamos muita expectativa, é mais fácil não ficarmos desapontados ou ofendidos se alguém não nos responder. Às vezes, queremos ser imediatamente aceitos, compreendidos ou acolhidos. Porém, as relações humanas não funcionam como fórmulas prontas. Criar conexões exige abertura, mas também maturidade para compreender que nem sempre haverá reciprocidade imediata. Quando a conversa acontece despretensiosamente, evitamos frustrações desnecessárias e passamos a vivenciar os encontros de forma mais leve e genuína.
Existe uma diferença entre o resultado percebido emocionalmente e o resultado que realmente acontece. Muitas vezes, nos saímos muito bem na conversa, muito melhor do que imaginamos, mas em algumas ocasiões a pessoa com quem interagimos não está disponível emocionalmente. Isso é normal.
- A reação do outro não define você
Se iniciarmos um diálogo e o interlocutor se mostrar não disponível para conversar, seja por qual motivo for, é preciso nos lembrar que provavelmente não somos o problema. Não devemos tomar isso como algo pessoal. Nem sempre a outra pessoa estará disponível para conversar, e isso faz parte da vida. Não maioria das vezes, a reação dela tem mais relação com o momento que está vivendo do que conosco. Se a pessoa deixou passar a oportunidade de falar com alguém de forma amigável, é ela que sai perdendo.
- Ser verdadeiro vale mais do que parecer perfeito
Não precisamos fingir ser alguém diferente para criarmos conexões verdadeiras. Muitas vezes, na tentativa de agradar ou ser aceito, acabamos escondendo nossa personalidade, controlando cada palavra ou tentando parecer “interessantes” o tempo todo. Mas relações sinceras não nascem da perfeição, e sim da autenticidade.
Temos todo direito de conversar com quem quisermos, mas nem todo mundo estará disponível, nem todo mundo consegue se abrir. Não devemos permitir que os olhares de julgamento dos outros nos incomodem ou nos deixem abater.
As pessoas costumam se conectar mais facilmente com quem transmite verdade, leveza e naturalidade. Não há problema em ser mais quieto, mais tímido, mais espontâneo, mais introspectivo ou até um pouco desajeitado às vezes. Pequenas imperfeições tornam as relações humanas mais reais e acolhedoras.
- O medo não precisa decidir por você
O medo nos protege e é essencial para a sobrevivência e evolução humana, mas nem toda situação é perigosa. Conversar com pessoas é uma situação normal e pode ser muito prazerosa e benéfica para ambos. Para combater o medo, que às vezes precisa até de acompanhamento psicológico, o melhor é fazer algo com frequência: continue tentando, aja mesmo se sentir medo, até que conversar se torne algo natural para você. O medo não irá desaparecer totalmente, mas se você persistir, ele não o dominará.
- Conversar também é aprendizado
Nas primeiras vezes que conversar com estranhos, a experiência poderá parecer assustadora e um pouco estranha. Mas é muito provável que essa experiência não lhe faça mal, lhe trazendo prática e repertório para continuar conversando, construindo novos aprendizados.
- Boas conversas nascem da curiosidade
Converse sobre assuntos de seu interesse, opiniões, experiências ou ideias. Em seguida, responda o que for compartilhado com você. Lembre-se de que muita gente gosta de falar sobre si, e para a conversa não se tornar enfadonha, procure praticar a escuta ativa, mostrar total interesse no que o outro está falando. Mantenha-se interessado na vida da outra pessoa. Mesmo que você não saiba tanto sobre o assunto abordado, faça perguntas para entendê-lo melhor - não há problema em não saber de tudo.
- As pessoas se conectam com autenticidade
Sorrir causa uma boa primeira impressão. As pessoas simpatizam mais facilmente e ficam relaxadas quando oferecemos um sorriso primeiro. Se você sorrir durante a conversa, também receberá sorrisos de volta, haverá maior abertura e conversas mais prazerosas. Deixe o papo mais leve sorrindo ou contando algo engraçado - o bom humor quebra a seriedade excessiva e garante uma conversa divertida e alegre. Seja você mesmo e divirta-se!
- A proximidade começa na forma como tratamos o outro
Se você perceber olhares ou alguma expressão facial positiva ao abordar um tema específico, faça mais perguntas sobre isso, porque provavelmente terá encontrado um assunto de interesse da outra pessoa. Você estará no caminho certo...
- Pense que a outra pessoa já é seu amigo
Imaginar que já existe uma amizade torna mais fácil a interação e você ficará mais à vontade. A melhor maneira de começar uma amizade é se sentindo confortável com a presença da outra pessoa, já a considerando – e tratando - como seu amigo.
Aquilo que você considera fraqueza também pode ser força
No fim das contas, muitas vezes aquilo que enxergamos como defeito pode esconder grandes qualidades. Em uma sociedade que valoriza pessoas expansivas e extremamente comunicativas, quem é mais reservado pode acabar acreditando que precisa mudar para ser aceito. Porém, o presidente Daisaku Ikeda nos lembra que cada pessoa possui um brilho único e que até mesmo nossas inseguranças podem se transformar em forças capazes de aproximar, acolher e inspirar outras pessoas:
Entre aqueles que escreveram para mim e disseram se considerar um pouco “fechados”, se mudarmos a perspectiva, poderemos considerá-los pessoas “ponderadas”, “seguras de si”, “calmas e reservadas”. Asseguro-lhes que farão bons amigos que se sentirão confiantes perto de vocês justamente por sua maneira de ser e também que vocês se sentirão seguros com a amizade deles. Se agirem sempre com sinceridade, mesmo aquilo que consideram ser seu ponto fraco poderá ser transformado em ponto forte. E nessa caminhada rumo ao grande objetivo, qualquer característica pode ser lapidada e brilhar à sua maneira.2
Nota:
1. Os jovens estã a pedir conselhos a chatbots. E isso é um problema. Disponíve em: https://cnnportugal.iol.pt/inteligencia-artificial/ciberseguranca-juvenil/adolescentes-estao-a-pedir-conselhos-a-chatbots-e-isso-e-um-problema/20250824/688bf7fcd34ef72ee448fa3e. Acesso em: 14 maio 2026.
2. IKEDA, Daisaku. Vozes para um futuro brilhante. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2024, p. 31.
Referências:
10 maneiras de transformar estranhos em amigos. Disponível em: https://emanuellamaria.com/10-maneiras-de-transformar-estranhos-em-amigos/. Acesso em: 14 maio 2026.
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