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há 7 dias

Quando fazemos algo pela primeira vez

Redação

17/09/2026

Quando fazemos algo pela primeira vez

Existe uma pergunta que pode revelar muito sobre a nossa forma de viver: Quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?

Quando somos crianças, a vida é uma sequência interminável de primeiras vezes. Aprendemos a caminhar, a andar de bicicleta, a fazer amigos, a falar em público, a praticar esportes e a descobrir quem somos. Tudo é novo, tudo é uma experiência.

Mas algo curioso acontece quando crescemos.

A vida adulta parece nos convencer de que precisamos saber exatamente o que estamos fazendo. Aos poucos, começamos a evitar situações em que podemos parecer despreparados, inseguros ou inexperientes. Deixamos de experimentar não porque perdemos a curiosidade, mas porque desenvolvemos medo:

  • Medo de errar.
  • Medo do desconhecido.
  • Medo de descobrir que talvez não tenhamos talento para aquilo.
  • Medo de fracassar diante dos outros.
O verdadeiro medo não é fracassar

Pense em alguém que deseja começar a produzir conteúdo para a internet, o maior receio raramente é gravar o primeiro vídeo. O que realmente assusta é a ideia de que outras pessoas possam assistir, julgar, criticar ou achar o conteúdo ruim. Temos medo de começar diante dos outros.

Muitas vezes não temos medo do fracasso em si. Temos medo do julgamento que imaginamos que virá junto com ele.

Mas será que isso realmente acontece? Na realidade, a maioria das pessoas está preocupada com seus próprios desafios, inseguranças e pensamentos. Aquilo que para nós parece um desastre memorável, muitas vezes passa despercebido para quase todo mundo. Quantas vezes você se lembra dos erros que alguém cometeu em uma apresentação há seis meses? Provavelmente poucas. Então, por que acreditamos que todos guardarão para sempre os nossos?

O medo nasce da comparação

Outro fator que nos paralisa é a comparação: queremos começar uma atividade já nos comparando com pessoas que estão há anos naquele caminho, desejamos gravar vídeos tão bons quanto os de um influenciador experiente, esperamos desenhar como alguém que pratica há uma década, queremos dançar como quem começou ainda criança.

Mas existe um detalhe que quase sempre esquecemos: estamos comparando o nosso começo com o auge de outra pessoa. O conteúdo que admiramos hoje provavelmente não se parecia em nada com os primeiros conteúdos criados por aquela pessoa.

Todo especialista já foi iniciante, todo profissional já errou, toda pessoa admirada já fez algo pela primeira vez e quase ninguém foi extraordinário logo no início.

Nesse sentido, o Mestre orientou:

Em vez de se comparar aos outros e ficar triste consigo mesmo, adote uma atitude positiva e use o exemplo dos outros como inspiração e motivação para melhorar a si. Até mesmo Josei Toda, que era tão autoconfiante e extrovertido, contou que precisou se esforçar muito para superar o sentimento de inferioridade que o atormentava quando era jovem.
Ser capaz de reconhecer os pontos fortes dos outros é, por si só, uma qualidade muito admirável. O próximo passo é reconhecer os próprios pontos fortes e desenvolvê-los ao máximo.1
Não estamos testando habilidades, estamos construindo confiança

Vivemos em uma era de performance: somos incentivados a mostrar resultados, conquistas, certificados, métricas e desempenhos. Parece que toda nova atividade precisa provar alguma competência. Mas e se a primeira vez não fosse um teste? E se fosse apenas uma experiência?

Talvez uma das coisas mais libertadoras da vida seja se permitir ser ruim em alguma coisa.

A primeira corrida provavelmente não será rápida. A primeira aula de dança talvez seja cheia de passos errados. A primeira aula de pintura dificilmente produzirá uma obra-prima. E está tudo bem. Porque o objetivo da primeira vez nunca foi ser excelente. O objetivo era simplesmente começar.

Quando fazemos algo pela primeira vez, não estamos apenas aprendendo uma nova habilidade, estamos ensinando algo ao nosso cérebro e mostrando que somos capazes de enfrentar o desconhecido. Cada experiência nova envia uma mensagem importante: “Talvez eu não saiba fazer isso ainda, mas sou capaz de aprender”. Essa confiança se acumula. Talvez você não descubra uma vocação escondida em cada experiência, mas descobrirá que consegue lidar com situações novas.

Os arrependimentos que mais pesam

Quando perguntamos às pessoas sobre seus maiores arrependimentos, muitas respostas não envolvem algo que fizeram, mas sim algo que deixaram de fazer. A conversa difícil que nunca aconteceu. O projeto que nunca saiu do papel, a oportunidade recusada por medo, a viagem adiada indefinidamente, a decisão que permaneceu apenas na imaginação. Com o tempo, os fracassos tendem a perder força.

O que continua nos acompanhando é a dúvida: “E se eu tivesse tentado?”.

Às vezes, uma simples primeira vez muda completamente a direção da nossa vida. Talvez você decida criar um perfil para compartilhar suas ideias, aceite um convite que normalmente recusaria, participe de uma atividade, faça um curso ou converse com alguém novo. Naquele momento, a decisão parece pequena. Mas algumas das maiores oportunidades da nossa vida surgem justamente dessas experiências aparentemente insignificantes.

Se não damos o primeiro passo, nunca descobrimos o que poderia ter acontecido depois.

Ikeda sensei orienta que uma vida sem arrependimentos não é uma vida sem erros, mas uma vida em que temos coragem para agir, desafiar-nos e seguir em frente apesar das incertezas. Afinal, não somos capazes de controlar todos os resultados, mas podemos decidir não deixar que o medo determine nossas escolhas:

Para edificar uma vida sem arrependimentos, desenvolva uma prática da fé sem arrependimentos. A prática da fé é a própria vida diária. Estabeleça uma vida inabalável visando conquistar uma vitória em meio à sociedade real.2
Quando nos sentimos estagnados

Sempre que sentimos que a vida entrou no piloto automático, existe uma pergunta poderosa que podemos fazer: O que posso experimentar pela primeira vez?

Não precisa ser algo grandioso, pode ser um novo hobby, uma aula de pintura, um esporte diferente, viajar sozinho, aprender uma habilidade, falar em público, iniciar um projeto, ter uma conversa que vem sendo adiada há muito tempo.

O importante é criar movimento. Porque frequentemente o crescimento acontece justamente quando saímos dos ambientes que já dominamos.

Formas de experimentar algo novo

Se você deseja fazer algo pela primeira vez, mas sente receio, algumas atitudes podem ajudar:

1. Ajuste suas expectativas para um novo começo

Em vez de perguntar: Será que vou ser bom nisso?”, pergunte: “O que posso aprender com essa experiência?”. Troque a cobrança pela curiosidade.

2. Dê a si mesmo permissão para ser iniciante

Toda habilidade começa com imperfeições. Permita-se errar, aprender e não ser bom imediatamente.

3. Compare-se apenas com você mesmo

A única comparação realmente útil é entre quem você era ontem e quem é hoje. Registrar suas experiências pode ajudar a perceber o quanto evoluiu ao longo do tempo. O presidente Ikeda disse:

O mais importante não é a maneira como você se compara aos outros, mas sim como você se compara a quem você era ontem. Se você perceber que avançou mesmo um único passo, então alcançou uma vitória.3

Notas:
1. IKEDA, Daisaku. Você, os Outros e o Mundo. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2026, p. 28.
2. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 29, p. 193, 2021.
3. IKEDA, Daisaku. Você, os Outros e o Mundo. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2026, p. 29.

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