JUVENTUDE-SOKA
Artigo
há 7 dias
Você sabe explicar o que sente verdadeiramente?
Às vezes sabemos explicar tudo, menos o que estamos sentindo. Para evitar a fuga do que sentimos, leia este artigo
Redação
31/07/2026

Diante das situações que surgem no dia a dia, pensamos, analisamos, planejamos, tentamos prever tudo e explicar cada detalhe. Mas, no meio do turbilhão que rola na nossa cabeça, tem uma pergunta que quase sempre fica sem resposta: o que eu estou sentindo de verdade agora?
Às vezes, uma das ações mais fáceis é fugir do que sentimos; focar só no que pensamos funciona como um escudo invisível. É um jeito que o nosso cérebro arruma para evitar encarar aqueles problemas difíceis, que nem sabemos como colocar em palavras.
A questão começa quando explicar o sentimento vira regra, e sentir de verdade vira exceção. A emoção fica presa, acumulando lá dentro.
De onde vem essa mania de racionalizar tudo?
Essa mania de dar uma resposta lógica para qualquer emoção não surge do nada.
O ambiente conta muito: Quem cresceu sentindo que não tinha muito espaço para chorar, ficar bravo ou demonstrar fraqueza aprende rápido a usar a lógica como proteção.
A cobrança interna: Se você se cobra muito (nas notas, na aparência, nos esportes ou para ser o “amigo perfeito”), a razão vira uma forma de manter o controle. Parece muito mais seguro pensar sobre o que está rolando do que encarar o frio na barriga ou o aperto no peito.
Com o tempo, nos convencemos de que pensar assim é mais seguro do que viver o que está dentro de nós. Mas aqui vai um spoiler: o que tentamos ignorar não some do mapa.
Sobre esta fuga dos sentimentos, o presidente Ikeda explicou:
Quanto mais você tentar evitar as dificuldades, mais elas irão “perseguir” você como um cachorro bravo que tenta morder seus calcanhares. É por isso que não há outra maneira a não ser ter a coragem de enfrentar seus problemas de frente.1
Primeiro sentir, depois entender
Quando damos permissão para sentir o desconforto, seja a raiva ou a frustração, o corpo processa essa experiência e o peso diminui.
O segredo não é parar de usar a cabeça, mas respeitar a ordem natural das coisas: deixe o sentimento vir primeiro, e a explicação, depois. O Mestre nos incentiva:
Pode haver momentos em que você chegue a um impasse que o faça se sentir desanimado ou exausto demais para continuar. Quando isso acontecer, respire fundo e recomece, mais uma vez, assim que se sentir pronto para isso. Lembre-se, estamos sempre juntos, viajando em uma jornada compartilhada.2
Aqui estão algumas atitudes simples para te ajudar a recalibrar no dia a dia.
Preste atenção no seu corpo: Quando o clima pesar, perceba onde isso bate fisicamente. Ombros tensos? Respiração curta? Coração acelerado?
Dê nomes simples ao que sente: Não precisa fazer uma redação sobre o assunto. Só diga para si mesmo: “Estou com raiva” ou “Estou chateado”, sem tentar se justificar ou achar o “porquê” logo de cara.
Dê uma pausa no barulho: Separe alguns minutos do dia para respirar longe do celular, de jogos e de telas.
Coloque para fora de outros jeitos: Escreva em um caderno o que vier à mente (sem filtro), desenhe, ouça aquela música que combina com o seu humor ou converse com um amigo de verdade, daqueles que não vão te julgar.
Não tenha medo de pedir ajuda: Se estiver muito difícil organizar essa bagunça sozinho, a terapia é um espaço seguro e sem julgamentos para você aprender a sentir e a pensar de forma equilibrada.
O verdadeiro autoconhecimento não é só ler e teorizar sobre si mesmo. É ter a coragem de viver e sentir a própria história.
Notas:
1. IKEDA, Daisaku. Você, os Outros e o Mundo. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2026, p. 43.
2. IKEDA, Daisaku. Você, os Outros e o Mundo. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2026, p. 49.
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