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Conheça o Budismo
há 7 anos
Verdadeira união
Para saber mais sobre o estudo desta edição, leia as respostas do Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da BSGI
19/01/2019

1- Como devemos compreender e aplicar o princípio de “diferentes em corpo, unos em mente”?
O princípio de “diferentes em corpo, unos em mente” (Itai doshin) ressalta e valoriza a individualidade das pessoas, reconhecendo cada uma como um ser único, ao mesmo tempo em que ensina sobre a união para a concretização de um grande objetivo comum. O termo itai ou “diferentes em corpo” trata exatamente disso, pessoas diferentes e únicas em sua identidade (posicionamento político, gostos e estilo de vida). Contudo, essas diferenças unidas em torno de um grande objetivo comum são uma força capaz de realizar qualquer coisa. O termo doshin, ou “unos em mente”, refere-se a um objetivo único que une todas as pessoas, conectando-as para formar uma grande rede solidária em prol do kosen-rufu.
Como analogia, podemos imaginar uma orquestra, na qual vários instrumentos diferentes se juntam para executar uma canção ou, ainda, um time de futebol, em que cada jogador, em sua posição específica, atua junto com os demais para conquistar o campeonato. Se houver apenas violinistas na orquestra, não será possível executar uma peça musical completa, e se todos os jogadores forem atacantes, o time não conseguirá vencer. Nos dois casos é a união de pessoas diferentes que forma a composição ideal para a vitória.
No livro Juventude: Sonhos e Esperanças, o presidente Ikeda afirma:
“Em termos atuais, ‘diferentes em corpo, unos em mente’ significa ‘organização’. ‘Diferentes em corpo’ significa que cada pessoa é distinta — que as pessoas diferem em aparência, posição social, circunstância e missão individual. Porém, devem acalentar o mesmo ideal; ou seja, serem ‘unas em mente’, e todas unidas na fé.” (v. 2, p. 176)
A expressão “diferentes em corpo, unos em mente” pode ser comparada a um bosque de bambu, onde cada pé de bambu brota de forma independente, porém suas raízes estão firmemente entrelaçadas e unidas embaixo da terra. O mesmo acontece no mundo da fé: por partilharmos as mesmas “raízes”, um sentimento e um propósito em comum, cada um de nós pode crescer ilimitadamente, alcançando o infinito céu em nosso desenvolvimento e em nossas realizações. A verdadeira união somente se estabelece quando cada pessoa possui a força de “levantar-se-só” — a convicção e a coragem de avançar, mesmo que ninguém esteja ao seu lado. A dependência mútua não é a solução.
2 - De que forma posso criar a união em minha organização?
O presidente Ikeda afirma que, embora a palavra “união” denote sempre algo “coletivo”, o ponto de partida para criá-la é o espírito de “levantar-se só” de cada pessoa. Ou seja, a união não tem início quando todas as pessoas, juntas, decidem realizar algo, mas quando uma única pessoa decide do fundo do coração criar a harmonia em sua organização e passa a agir corajosamente para isso.
Outro ponto importante, de acordo com Ikeda sensei, é saber valorizar cada pessoa da forma como ela é e ajudá-la a manifestar seu valor. No capítulo “Aprimoramento” do romance Nova Revolução Humana, ele cita:
“O mal do ser humano é que ele só consegue avaliar as pessoas segundo seus critérios pessoais. Por exemplo, o dirigente do tipo teórico tende a qualificar como ‘valores humanos’ as pessoas que gostam de ficar tecendo argumentos. Da mesma forma, o dirigente que age sem pensar muito inclina-se a considerar como ‘valores humanos’ as pessoas que se identificam com o seu modo de agir. Por outro lado, se o dirigente é egocêntrico, isto é, centraliza tudo em si e pensa que somente ele é o melhor e o mais capacitado, só enxerga defeitos nos outros e não é capaz de perceber as qualidades e virtudes das pessoas. Em todo caso, o ato de descobrir seres humanos de valor resume-se na capacidade de enxergar as boas qualidades das pessoas. Para se adequar a isso, o único caminho é elevar seu próprio nível de vida. Eu vejo os companheiros como diamantes brutos. Tudo depende de como lapidá-los em ‘valores humanos’. Da mesma forma que um diamante somente pode ser lapidado por outro diamante, devemos também nos tornar um diamante investindo todo o nosso ser nessa tarefa. É exatamente isso o que estou tentando realizar com todas as minhas forças” (NRH, v. 2, p. 115 ).
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