BS
Relato
há 7 anos
Força para movimentar o universo inteiro!
Glades pratica o Budismo de Nichiren Daishonin há 22 anos. Nessa trajetória, fez dos desafios uma fonte de encorajamento e mudou completamente a sua vida
16/03/2019

Maria Glades Rodrigues Guedes,
resp. pela DF do Distrito Rio Negro, RM Amazonas, Sub. Amazônia Ocidental, CRE Oeste, CGRE
Quem disse que a vida é fácil? Ou que o “caminho das pedras” é curto? Quando iniciei a prática, essas questões ficaram claras para mim, principalmente quando lia os direcionamentos do presidente Ikeda afirmando que “Budismo é vitória ou derrota”, e enfatizando que ao lutarmos contra um poderoso inimigo, temos de triunfar ou seremos derrotados.
Aquilo me despertou curiosidade e eu queria entender qual era a força que deve ser aflorada e como fazer para se tornar um super-homem ou uma mulher-maravilha da própria vida. Então, pensava “Eu tenho a força”, que maravilha! Aprendi a lutar contra as funções negativas da vida e que triunfar nessa batalha faz com que nos tornemos budas. Isso porque o budismo assegura a certeza da nossa vitória.
Pois bem. Chegara a hora de cumprir minha missão e saber quanto essa jornada me transformaria. Eu me sentia grata por ter conhecido essa filosofia e passei a ser protagonista da minha história.
Compreender a vida
Tenho 27 anos de casamento. Em meio a essa jornada, meu marido, Harlan, e eu iniciamos a prática budista faz 22 anos.
Participamos da primeira reunião do budismo a convite dos nossos queridos compadres que já haviam abraçado essa filosofia há algum tempo.
Era um encontro para a recitação de uma hora de Nam-myoho-renge-kyo. Mesmo sem entender nada a princípio, acredito que essa oração foi determinante para conhecermos melhor o budismo e aprimorarmos nossa fé. Logo assinamos o BS e passamos a contribuir de todas as formas para o desenvolvimento da organização. Então, em 1998, no dia 12 de outubro, recebemos o Gohonzon.
Quatro anos depois minha mãe faleceu. Naquele momento eu me esforcei e fortaleci o coração para superar a dor e a tristeza. Li uma carta de Nichiren Daishonin em que ele afirma que, para compreender a vida e viver bem, devemos em primeiro lugar entender a morte — ponto relevante que me ajudou a superar esse sofrimento.
Também tive apoio do Harlan, que sempre esteve ao meu lado. Tenho dois filhos de um relacionamento anterior e ele me ajudou a criá-los.
Quando meu filho mais velho, Bruno, tinha 14 anos, se tornou dependente químico. Determinei enfrentar o destino e compreender o porquê da situação. Às vezes me sentia impotente e até mesmo achei que meu casamento fosse acabar. Segui recitando daimoku, pois era o que me sustentava e me dava sabedoria para agir, e com oração e diálogo superamos tudo!
Dei um significado para todo esse sofrimento e voltei a estudar. Fiz faculdade de direito e depois passei no exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Avancei um pouco mais, fiz quatro pós-graduações, e tenho a meta de fazer mestrado. Incentivei meu marido nos estudos e ele também fez faculdade. Quantas conquistas, quanta gratidão!
Persistir com coragem
Harlan e eu guardamos no coração o trecho do poema Brasil, Seja Monarca do Mundo! em que o presidente Ikeda incentiva: “Não faz mal que seja pouco, / o que importa é que o avanço de hoje / seja maior que o de ontem. / Que nossos passos de amanhã / sejam mais largos que os de hoje” (BS, ed. 1.888, 21 abr. 2007, p. B4).
Com essa convicção, decidimos avançar um passo a cada dia, pois acreditamos que as pequenas vitórias transformam-se em retumbantes vitórias.
Em 2010, recitamos junto com os amigos Soka da localidade mais de 3 milhões de daimoku pelo sucesso total da Convenção Comemorativa de 50 Anos de Fundação da BSGI em Manaus, AM. Na época, éramos líderes de comunidade e enfrentávamos uma situação financeira muito ruim. Nesse mesmo ano, perdemos as cautelas de todas nossas joias de família, emprestadas para o banco, por falta de pagamento. Mesmo assim, com toda a gratidão, oferecíamos nossa residência para atividades e isso perdura até hoje. Algumas vezes chegamos a realizar reuniões em casa com ameaça de corte da energia elétrica, mas felizmente isso nunca aconteceu.
Dias antes da convenção meu filho, Bruno, levou um tiro. A bala passou próximo do seu coração, ficou alojada na coluna e permanece no local. Ele não teve nenhuma sequela. Que boa sorte!
Entretanto, os desafios só aumentavam. Em meio aos preparativos dessa grande atividade, não tínhamos nem mesmo dinheiro para condução e íamos a pé ao encontro dos participantes. Mas, mantivemos a convicção e em nenhum momento pensávamos em desistir; a convenção foi um sucesso!
Aos poucos, superamos os problemas financeiros e hoje desfrutamos uma vida confortável. Somos muito gratos, pois sabemos que esses são fatores positivos para darmos continuidade aos esforços pelo kosen-rufu da nossa localidade.
Vencer em tudo
Em 2015, Harlan ficou desempregado porque entrou numa profunda depressão que desencadeou transtorno do pânico.
Contamos com ajuda profissional e recitamos daimoku determinados a vencer novamente. Assim como o Mestre afirma: “O que importa é levantar-se incondicionalmente. Nesse momento, os deuses budistas levantam-se em resposta e protegem essa pessoa. Eu comprovei esse princípio em minha própria vida” (BS, ed. 1.336, 16 set. 1995, p. 3).
Em um ano ele se recuperou e voltou a trabalhar. No entanto, pouco tempo depois foi diagnosticado com esteatose hepática rígida, desenvolvendo pedra na vesícula e pancreatite. Ele passou por uma cirurgia de risco, ficou em observação no hospital por dez dias e se recuperou completamente. Vencemos!
Na organização, vivemos outros momentos significativos na liderança do distrito que foi o primeiro da Região Estadual Amazonas a concretizar o objetivo das 50 famílias felizes e vitoriosas. O distrito cresceu tanto que se tornou duas regiões metropolitanas. Eu me lembro que a notícia virou reportagem do BS, em junho de 2016, com o título A Correnteza da Revolução Humana na Amazônia.
Nesse grande movimento de levar a felicidade para as pessoas, concretizamos catorze shakubuku. Um deles é um dos meus irmãos, que continua praticando, se desenvolvendo e já obteve muitos benefícios!
Nosso filho mais velho segue em tratamento, casou-se e nos deu três netos lindos. Luis, o filho mais novo, além de ter participado da histórica Convenção dos Jovens em 3 de maio de 2009, em São Paulo, há cinco anos recebeu o Gohonzon, foi morar em Santa Catarina e junto com sua companheira está construindo uma vida valorosa.
No ano passado, Harlan assumiu a liderança da RM Amazonas e eu sigo cuidando do distrito. E estou muito feliz por apoiar a Divisão dos Jovens no Seigan Generation.
Costumo dizer “Vamos movimentar o universo a partir deste instante!”. É exatamente agora que o destino de cada um de nós começa a mudar na proporção da amplitude do nosso coração. Vamos todos vencer!
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