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ABC do Budismo
há 12 dias

O que é ser verdadeiramente feliz?

Vamos entender o tema do mês com o escrito de Nichiren Daishonin

Redação

09/02/2026

O que é ser verdadeiramente feliz?

Nome do escrito: A Felicidade neste Mundo

Data em que foi escrito: vigésimo sétimo dia do sexto mês de 1276

Quem recebeu a carta: Shijo Kingo

Trecho do escrito:

“Não há felicidade maior do que manter a fé no Sutra do Lótus. Esse é o significado de ‘paz e segurança na presente existência e boas circunstâncias nas existências futuras’ [LSOC, cap. 5, p. 136]. Ainda que surjam problemas seculares, nunca permita que estes o perturbem. Ninguém pode evitar problemas, nem mesmo veneráveis ou reverenciáveis. Beba saquê somente em casa com sua esposa e recite Nam-myoho-renge-kyo.” (CEND, v. I, p. 713)

***
A história por trás

A Felicidade neste Mundo é uma carta que Nichiren Daishonin escreveu para Shijo Kingo e sua esposa, Nichigen-nyo, quando eles passavam por muitas dificuldades.

Em 1274, Shijo Kingo apresentou os ensinamentos do Budismo Nichiren ao seu senhor feudal, Lorde Ema, que não aprovou. Alguns colegas de Shijo Kingo aproveitaram a situação para falar mal dele. “Uma chuva de grandes adversidades caiu sobre mim”, descreveu Shijo Kingo.

Nesta carta, Daishonin ensina como é possível alcançar um estado de paz e ser feliz mesmo em meio aos problemas.

Construindo uma felicidade que nada pode destruir

Na explanação deste Gosho, o presidente Ikeda pergunta: “Que tipo de felicidade buscamos por meio da fé?”

Ikeda sensei explica que existem dois tipos de felicidade: a primeira é a felicidade relativa, que depende de coisas externas, como ter saúde, um bom emprego, conforto e segurança. Esses aspectos são importantes e fazem parte da nossa vida. Porém, além de buscarmos essas conquistas, precisamos desenvolver, por meio da prática budista, a felicidade absoluta, ou seja, uma condição de vida tão forte que nada consegue abalar. Nesse estado, sentimos alegria pelo simples fato de estarmos vivos e vivenciamos qualidades como tranquilidade, bem-estar, autenticidade e pureza.

Um outro ponto que o presidente Ikeda destaca é que nascemos para aproveitar a vida. O Sutra do Lótus afirma que podemos viver “felizes e tranquilos” neste mundo. Mas para sentirmos isso, mesmo vivendo num mundo cheio de problemas, precisamos fortalecer nossa energia vital. Quando praticamos o budismo e revelamos o estado de buda, ganhamos força e equilíbrio para enfrentar as adversidades com leveza e satisfação.

Com essa energia fortalecida, as dificuldades deixam de ser apenas obstáculos e passam a trazer aprendizados e conferem até um certo sabor à nossa existência, como o sal que realça o doce.

Uma jornada de felicidade e superação

Daishonin inicia esta carta dizendo: “Não existe felicidade maior para uma pessoa do que recitar Nam-myoho-renge-kyo”. Isso significa que a verdadeira alegria vem da prática da Lei Mística, que nos permite viver de forma feliz, livre e prazerosa. Por isso, ele também afirma: “Não há felicidade maior do que manter a fé no Sutra do Lótus”.

É claro que o mundo está cheio de problemas, injustiças e pessoas que criticam ou atacam mesmo quem vive de maneira admirável. Mas Daishonin diz: “Nunca deixe que isso o perturbe”.

Em seguida, ele orienta: “Beba saquê somente em casa com sua esposa.” Ou seja, busque apoio nas pessoas próximas e de confiança. Shijo Kingo tinha sua esposa para dividir suas preocupações, assim como nós temos nossa família e nossos amigos da fé. Não precisamos carregar tudo sozinhos.

Como esse Gosho, Daishonin nos ensina a importância de recitar daimoku, manter a prática diária e caminhar ao lado de bons amigos que nos encorajam. Unidos e firmes na fé, conseguimos atravessar qualquer dificuldade sem perder nossa paz interior.

Ser feliz é viver cada dia com coragem, tranquilidade e confiança na própria vida. É saber que podemos transformar as circunstâncias porque possuímos o estado de buda. É aproveitar a vida com gratidão, superar os desafios sem perder a esperança e caminhar sempre com o coração firme.

Referência:
Terceira Civilização, ed. 604, 8 dez. 2018, p. 48-63.

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