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Editorial
há 7 anos

Tenha coragem e lute pelo bem

15/06/2019

Tenha coragem e lute pelo bem

Pense num menino que nasceu no fim do século 19, como o mais velho de vários irmãos em uma família sem recursos. Durante os seus primeiros anos de vida, seu pai, que era pescador, foi para outra cidade em busca de trabalho e nunca mais voltou. Sua mãe se casou novamente e entregou o menino para ser criado pelos tios. Ela continuava a visita-lo. Certo dia, o chamou para irem até o mar. Ao chegarem na praia, num impulso desesperado, a mulher tentou se suicidar e levar o filho junto. Os dois foram salvos, mas nunca mais se encontraram.

Na casa dos tios, a vida era humilde, de modo que ele teve de abandonar os estudos que tanto amava para ajudar financeiramente a família.

Apesar de tantos desafios, o menino cresceu, dedicou-se ao trabalho no departamento de polícia e continuou apaixonado pelos estudos, a ponto de aproveitar todo o tempo livre que tinha para estudar. Isso era tão visível que chegou a receber ajuda financeira dos colegas de trabalho para cursar a faculdade de pedagogia. Assim, ele pôde seguir seu sonho e se tornar professor. Por seu empenho, foi nomeado diretor, numa época em que o ensino era considerado uma estratégia do Estado para incentivar o patriotismo cego e irracional. O contexto? Primeira Guerra Mundial. O que ele fez? Contrariou a tendência do ensino militarista e defendeu, até a sua morte, a educação humanística, que valorizava em primeiro lugar a felicidade e o pleno desenvolvimento de cada criança.

Devido a esse posicionamento, ele sofreu diversas perseguições, foi demitido do cargo de diretor e, mais tarde, preso por se negar a aceitar a religião imposta pelo Estado. Alguns de vocês já devem saber de quem estamos falando. É sobre o presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, cujo aniversário é celebrado neste mês de junho. Uma de suas convicções era “Não se deve ficar satisfeito com a benevolência passiva; é preciso ser uma pessoa de coragem e vigor que possa lutar pelo bem” (Brasil Seikyo, ed. 1.384, 28 set. 1996, p. 4).

Em sua história, conseguimos identificar dois pontos fundamentais: a força de viver, em meio a tantos obstáculos, e a paixão por ensinar e aprender. Foram essas duas forças principais, embasadas na filosofia do Budismo de Nichiren Daishonin, que o professor Makiguchi registrou em sua obra Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor], em outubro de 1930, estabelecendo as bases e o início da organização denominada Soka Gakkai e do ensino humanístico Soka.

Encontramos essa mesma força e paixão na história de vida de Puneh Ala’i. Filha de imigrantes iranianos, Puneh fez do ensino para crianças refugiadas seu objetivo de vida, e hoje seu projeto atende mais de 3 mil crianças no Líbano. Vamos conhecer um pouco mais dessa história na entrevista exclusiva que a ativista concedeu à TC, e confirmar a importância que a presença de uma única pessoa comprometida com os ideais de paz e educação pode fazer àqueles ao redor, independentemente do contexto em que vivem. Desejamos sinceramente que você possa se inspirar com essa experiência, ter coragem e vigor, e lutar pelo bem no exato local em que está.

Boa leitura!

Redação

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