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Especial
há 3 anos
40 anos da Proposta de Paz do presidente Ikeda
Redação
02/05/2023

Por muitos anos na história da humanidade, o conhecimento de cartografia foi admirado pela importância e complexidade que apresentava, e exigia-se conhecimento também para ler os mapas produzidos. Hoje em dia, mesmo os GPS (apesar de serem muito mais fáceis de usar) não terão utilidade se não forem acionados e seguidos de fato. De forma semelhante aos mapas e GPS, as Propostas de Paz do Dr. Daisaku Ikeda são documentos feitos para ser amplamente lidos e usados em diversas frentes da sociedade.
Um dos estudiosos que as utiliza de várias maneiras é o decano da capela de Morehouse, Lawrence Carter PhD. Em sua obra O Pastor Batista e seu Mestre Budista, ele afirma: “Considero os livros de Daisaku Ikeda e as propostas de paz enviadas às Nações Unidas uma evolução perspicaz da filosofia de não violência de [Mahatma] Gandhi e de [Martin Luther] King”.1 E ele comenta que “King e Gandhi não exerceram tanta influência sobre as Nações Unidas quanto Ikeda”.2
Essas palavras tomam ainda mais força quando sabemos que Lawrence Carter é grande seguidor de Gandhi e de King — ou seja, mesmo com o peso de ambos para sua pesquisa e bússola moral, Carter reconhece a importância dos escritos do Dr. Ikeda pela paz e da ação de cidadãos comuns por esse objetivo. Essa reflexão ecoa a realidade de muitas pessoas mundo afora, incluindo o Brasil, que fazem a diferença em sua localidade e na sociedade, tendo como base tais documentos.
Neste Especial, navegaremos pela motivação e pelo ponto de partida do Dr. Ikeda para sustentar tais escritos durante quarenta anos, curiosidades sobre eles, efeitos desses esforços no mundo e, principalmente, no Brasil, além de refletirmos juntos sobre o que isso tem a ver conosco e com nossa realidade atual.
Certa vez, Josei Toda disse a Shin’ichi Yamamoto:
— Para a paz da humanidade, é importante apresentar propostas concretas e agir assumindo a liderança visando a sua realização.
E ele acrescentou:
— Mesmo que tais propostas não sejam aceitas e realizadas de imediato, elas se tornam faíscas pelas quais se espalham as chamas da paz. Teorias abstratas são sempre vazias e fúteis. Mas propostas concretas se tornam “pilares” para sua realização e “telhados” para proteger a humanidade.3
Essa poderia ser apenas mais uma conversa entre duas pessoas, porém se tornou o ponto primordial de Daisaku Ikeda (sob o pseudônimo de Shin’ichi Yamamoto) para construir uma história de quarenta anos, em que quarenta documentos extensos foram escritos em prol da resolução dos problemas mais pungentes da humanidade a cada ano, e pelo empoderamento das pessoas comuns para o mesmo propósito.
Tudo começou pelo diálogo, e tudo se amarra e volta a esse fim, como veremos neste Especial.
Outro ponto essencial desses escritos é a ação. Josei Toda, mestre do Dr. Ikeda, em uma ocasião, afirmou: “Por mais preeminente que fosse uma teoria, se ela não fosse aplicada na sociedade para criar valor, ao final não passaria de um mochi (bolinho de arroz japonês) pintado numa gravura”.4 Realmente, muitas coisas, inclusive o diálogo entre mestre e discípulo que lemos no início, não passariam de reflexões bonitas impressas em papel se não houvesse alguém que as pusessem em prática abnegadamente, ano após ano.
Sem dúvida, foram esforços imensos nos bastidores, em meio a diversos outros compromissos, que Daisaku Ikeda empreendeu sem cessar, conforme seu mestre havia instruído. É como um mapa ou GPS: úteis para sua finalidade, mas, quando não usados, não passam de um pedaço de papel ou de um apanhado de pixels em uma tela.
Vamos conhecer um pouco mais dos detalhes dessa série de “mapas” que indicam o rumo para estabelecermos a paz mundial.
Esforços contínuos em bradar pela paz
Por ocasião da segunda sessão especial sobre desarmamento na Assembleia Geral das Nações Unidas de 1982, ele [Shin’ichi] apresentou a Proposta para Desarmamento e Abolição das Armas Nucleares. No dia 3 de junho, poucos dias antes do início da sessão especial, a delegação da Soka Gakkai entregou a proposta de Shin’ichi ao secretário-geral da ONU, Pérez de Cuéllar. (...)
Na primeira sessão especial sobre desarmamento na Assembleia Geral das Nações Unidas, ocorrida em maio de 1978, Shin’ichi também havia apresentado uma proposta com dez itens para o desarmamento e a abolição das armas nucleares.
Ele não podia fechar os olhos para essas armas de destruição em massa que continuavam ameaçando a humanidade com sua aniquilação.
E, em 1983, comemorando o oitavo aniversário do Dia da SGI, em 26 de janeiro, Shin’ichi apresentou sua primeira proposta anual de paz intitulada Nova Proposta para a Paz e o Desarmamento. Nela, ele clamou pela urgente realização de uma reunião de cúpula entre Estados Unidos e União Soviética visando a um rápido acordo sobre o congelamento dos arsenais nucleares nos níveis atuais. Também propôs a criação de um “Centro de Prevenção de Guerra Nuclear” e a realização pelos Estados Unidos e pela União Soviética de uma “Conferência Internacional sobre o Congelamento de Gastos Militares”.
Então, todos os anos, no Dia da SGI, Shin’ichi continuou apresentando ao mundo a Proposta de Paz comemorativa com o propósito de provocar uma nova onda de paz. A voz possui o poder de mover o coração das pessoas e de mudar a sociedade e o mundo. Um novo passo se inicia a partir da nossa fala.5
Sobre esse esforço do Dr. Ikeda, um líder religioso, em bradar pela paz do mundo e pelas resoluções dos muitos problemas e impasses mundiais, o pastor Lawrence Carter faz a seguinte reflexão:
Críticos insinuam que Ikeda deveria se limitar a falar sobre o budismo e questionam por que um líder espiritual desejaria se envolver com as Nações Unidas ou despender tanto tempo estabelecendo instituições culturais ou universidades. Dão a entender que ele faz isso apenas para satisfazer as próprias ambições pessoais. Direta ou indiretamente, tais críticas tentam forçar Ikeda a se confinar ao âmbito de atividades com as quais os outros se sentem mais confortáveis e a não empregar suas crenças ou seus valores para clamar por um engajamento relevante. Ikeda, entretanto, enxerga o mundo de forma diferente, e eu também. Se reconhecermos a realidade da interdependência, então, essa perspectiva cósmica unificadora deve guiar o sistema de valor humano planetário, sobretudo se formos lidar com problemas colossais como a proteção ambiental em âmbito global.6
É com esse esforço de sair do confortável e provocar a mudança de si e dos demais que o Dr. Ikeda vem promovendo as propostas de paz — iniciadas oficialmente com o envio do documento citado à ONU, em janeiro de 1983. Nele, o Dr. Ikeda tratou de temas como o protagonismo do povo, a construção de foros pela paz, as decisões corajosas e necessárias de líderes em prol do desarmamento, o papel dos jovens na construção de um século de paz (e a importância de todos garantirem que os jovens não passem pelos horrores da guerra), a confiança mútua e, no final, ele registra seu compromisso pessoal em desafiar a tarefa de construir a paz e promover uma onda de crescente “vitória do povo”.
Em português, essa proposta foi publicada na Terceira Civilização, em julho do mesmo ano (1983), na edição que marcou os quinze anos de existência da revista. São dez páginas de um especial com fotos em branco e preto de momentos ocorridos dentro e fora da organização (SGI), incluindo atividades da BSGI.
Importante verificar que os temas desarmamento, protagonismo do povo, papel dos jovens e construção da paz por meio dos esforços de cada pessoa (seja cidadãos comuns, seja líderes) são constantes ao longo das quatro décadas, como linhas que perpassam e unem os diversos documentos, incluindo os dos últimos dez anos (2012-2022).
Aliás, as dez últimas propostas7 têm como diferencial a abordagem, além das análises de temas de importância mundial, de tópicos centrados no ser humano, como solidariedade, empatia, esperança para criar valor, criatividade na resolução de crises, inclusão, direitos humanos e o papel transformador da educação nos mais diferentes contextos e possibilidades e, perpassando todos eles, estão o diálogo e a dignidade da vida.
São também dezenas de personalidades mundiais citadas em cada proposta, sendo Josei Toda, Arnold J. Toynbee, Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela figuras recorrentes. E, apesar de ser um documento voltado para a sociedade civil, o Dr. Ikeda faz questão de incluir neles, com maestria e clareza, princípios budistas como a “torre de tesouro” e os “quatro sofrimentos”; personagens como rei Ajatashatru; sutras como Vimalakirti; o termo “nacionalismo global” cunhado por Josei Toda; escritos de Nichiren Daishonin, por exemplo, o tratado Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra, que o Dr. Ikeda habilmente relaciona com fatos observados mundialmente, desde a Primavera Árabe, inúmeros desastres naturais, crises humanitárias e a mais recente pandemia da Covid-19.
Esses e demais pontos não encerram em si mesmos nem são apenas citações de pessoas, fatos ou conceitos, mas verdadeiros tratados práticos para direcionar ações tanto de líderes como de pessoas comuns. Felizmente, em várias partes do mundo, da Ásia à América, há indivíduos que assumiram para si esse legado, e se levantaram para fazer a diferença em distintos níveis da sociedade.
Propostas de paz postas em prática
Ao longo dessas quatro décadas, pessoas ao redor do mundo, com o mesmo espírito de pôr em prática as propostas de paz do Dr. Ikeda, empreenderam esforços direcionados que, com o tempo, se transformaram em projetos e ações de diversas naturezas.
Naturalmente, os movimentos em prol da paz tomaram forma de acordo com a necessidade e a realidade de cada local. Hoje, encontramos atividades em frentes como a participação da SGI e da Universidade Soka na conferência internacional em formato híbrido, onde especialistas de diversos setores compartilharam suas perspectivas sobre a Cúpula do G7 em Hiroshima;8 realização de palestras on-line (a de mulheres da Bolívia reuniu quinhentos participantes em outubro de 2022);9 ações sociais, como a recentemente realizada em São Sebastião, Brasil;10 conteúdos em plataformas interativas, por exemplo, a exposição virtual interativa Sementes da Esperança e da Ação promovida pelo Instituto Soka Amazônia, com tradução em português, inglês e espanhol;11 e podcasts como o lançado recente sobre a não violência e a ONU, em inglês;12 um portal sobre a abolição das armas nucleares com as exposições ao longo dos anos;13 além de sites de recursos a exemplo do que oferece materiais e direcionamentos para implementação da educação em direitos humanos14 e de redução de riscos de desastres.15
Cada uma dessas ações foi desenvolvida em diferentes países e continentes, e ainda assim todas seguem em consonância com o brado do Mestre, o que as tornam consoantes e partes de uma única rede de educação, humanitarismo e esperança mundiais — como um grande mapa-múndi.
Nelas, podemos encontrar trechos que corroboram e inspiram tais esforços, como os destacados a seguir:
A convicção de trabalhar “com” cria um ciclo autossustentado para recuperar o empoderamento do qual tenho falado. Este processo, conduzido pelo próprio povo, dissipa a escuridão do desespero e faz surgir no horizonte um sol de esperança.16
A filosofia budista afirma que a humanidade pode avançar, um passo de cada vez, pelo constante empenho de nos inspirarmos uns aos outros e compreendermos que, assim como o despertar de Shakyamuni provocou o despertar de seus discípulos, aquilo que é possível a uma só pessoa é possível a todas. Esta é a base filosófica da SGI na área da educação dos direitos humanos, ênfase ao processo que torna o indivíduo capaz de liderança para o bem dos outros.17
O que nos é concedido e nos compete, na nossa circunstância, é dar à história, com os nossos próprios esforços, um desfecho novo e sem precedentes. A educação é a principal fonte de empoderamento que capacita as pessoas a abraçar este desafio.18
Interessante notar que todas as iniciativas citadas (e outras mais), alicerçadas no sentimento do Mestre, possuem a intenção de oferecer algo à população, seja ajuda imediata diante de um grande desastre, seja conteúdos ricos para direcionar ações locais, espaços de diálogo e representatividade dentro de grandes fóruns. Esse é um dos sentimentos base do Dr. Ikeda ao oferecer a cada um de nós as propostas de paz, que instigam a “centelha da ação” em nossa vida, apesar da dificuldade que a ação em prol da paz possa apresentar. Assim como ele mesmo coloca: “O caminho é longo, mas precisamos continuar. Essa ação tenaz e perseverante expande as ondas concretas da paz no mundo”.19
Outro ponto de destaque desses materiais e dessas iniciativas é sua internacionalização, ou seja, o cuidado em construir recursos que sirvam às mais distintas nações e realidades específicas, sendo essa uma característica das ações da SGI em si — servir ao ser humano, independentemente de sua origem —, alicerçada no ensinamento budista de prezar ao máximo pela dignidade da vida sem qualquer distinção.
Como vimos, o Brasil não fica de fora desse movimento, inclusive é um dos países que mais promovem ações para esse fim. Exemplos são, além da ação social e da exposição interativa já citadas, desde o histórico de décadas de exposições em diferentes locais do país, de universidades como a USP e a UFPE,20 até espaços públicos como teatros em São Paulo21 — nesse sentido, a Divisão dos Universitários (DUni) tem papel muito importante na organização dessas iniciativas para levar a proposta de paz à sociedade.22
Dentro da organização também vemos a realização de palestras e de diálogos em torno da Proposta de Paz, mesmo durante a pandemia da Covid-19, como a realizada pelos jovens da RM Norte Catarinense (CRE Sul, CGRE) e da Sub. Norte (CNSP) no dia 11 de setembro de 2021,23 além dos diálogos promovidos de forma on-line pelo CEduc.24 São diversas frentes de atuação, e todas consideram, acima de tudo, tanto a exposição teórica como a promoção do diálogo, estando assim em consonância com o ponto primordial das propostas em si.
Até aqui vimos as motivações e ações promovidas. Falta, então, sabermos qual o impacto real dessas ações na sociedade e na vida de brasileiros. Para esclarecer esse ponto com propriedade, convidamos quatro influentes pensadores e estudiosos brasileiros, que teceram ricas reflexões e contribuições.
Dra. Margareth Diniz
Professora Titular da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) pesquisadora do CNPq ex-reitora da UFPB (2012-2020)
A temática da educação, no discurso e bandeira do Dr. Daisaku Ikeda, por quase todo o planeta, nos inspira na perspectiva sustentável no contexto de desafio global, para o estabelecimento dos chamados “diálogos humanísticos” e crescimento do ser humano. Foi através do Sistema Educacional Soka, que tem como objetivo o desenvolvimento holístico dos estudantes, pelos intercâmbios dos saberes que a SGI chegou ao Brasil e aqui desenvolvem projetos e atividades que objetivam o resgate de pessoas, do analfabetismo cultural, pela aplicação de técnicas de leitura e compreensão de textos, aprimoramento da expressão e comunicação pela fala, escrita e corpo.
Como professora universitária e conhecedora das propostas disseminadas pelo Dr. Daisaku Ikeda, e na orientação humanística de nossa universidade que proporciona educação, ciências, artes e tecnologia, visando a uma humanidade melhor, é que estabelecemos diariamente a sintonia plena com “a bandeira da cidadania mundial, do espírito de tolerância e do respeito aos direitos humanos” levantada pelo Dr. Ikeda. Reafirmamos o compromisso, por onde passamos na vida cotidiana, em casa, no trabalho, nas viagens, de promover a educação de qualidade, mas sobretudo de gerar reflexão e transformar vidas que a nossa vida pode alcançar.
Promovendo ideais de paz, cultura e educação, levantando a bandeira difundida pelo Dr. Daisaku Ikeda, da mais admirável revolução que possa existir: revolução humana de cada indivíduo... aquela que leva a pessoa a perceber a preciosidade da sua vida e de todos os que o cercam, dedicando-se a partir daí a criar uma existência de suprema harmonia e respeito, onde quer que esteja, não obstante as circunstâncias do nosso país em desenvolvimento, com muitos problemas sociais, de fome, de falta de emprego e de oportunidades igualitárias entre os mais de 200 milhões de habitantes. Estamos muito empenhados em difundir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas que se retratam nas propostas amplamente vivenciadas e disseminadas pelo Dr. Daisaku Ikeda.
Prof. Jhonatan Almada
Diretor do Centro de Inovação e Conhecimento para a Excelência em Políticas Públicas e professor da faculdade Santa Luzia (Maranhão)
A proposta que mais me chamou a atenção foi a de 2022, denominada Transformar a História Humana com a Luz da Paz e da Dignidade.25 Especialmente no capítulo que trata da educação em que o Dr. Daisaku Ikeda defende a necessidade de um ambiente de aprendizado saudável para as crianças. No Brasil, temos nos indignado com a violência contra as escolas, fruto e consequência da disseminação do discurso de ódio. Tenho me empenhado junto com os membros da Campanha Nacional pelo Direito à Educação em construir propostas para que a escola seja novamente um lugar seguro e de bem-estar. A pandemia, como bem ressaltou Ikeda, nos tirou o sentido da esperança. Por outro lado, os esforços globais para que a educação não parasse e a criação de vacinas em tempo recorde nos devolveu essa esperança na capacidade humana de sobranceria, isto é, nos sobrepor, enfrentar e superar os nossos problemas. Mais do que nunca precisamos pensar e agir para o aprendizado, o crescimento e a felicidade de todas as nossas crianças e jovens.
A sociedade brasileira vive uma forte polarização. O mundo também. É preciso caminhar para um entendimento comum que venha pela cultura de paz, mas ela só é possível com justiça social, pois vivemos imersos em grande desigualdade de riqueza, conhecimento e poder. O solo da desigualdade é árido. Daí só brota guerra. Cada um de nós e todos nós em coletivo precisamos ser trabalhadores da paz. Assim como o poeta Bandeira Tribuzi, acredito que, se tivermos uma pequena semente de sonho e um sol como história, faremos florescer nosso pão de vitória. O pão da vitória é a paz.
Luanda Moraes
Ex-reitora da UEZO (RJ) e Professora Associada Superintendente de Unidades Estratégicas da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
As publicações das propostas de paz do Dr. Ikeda ampliavam a minha visão de mundo e me encorajavam a fazer diferente, enquanto jovem universitária, diante dos desafios no curso de engenharia e aqueles impostos pela sociedade brasileira e cheia de preconceitos e práticas intolerantes.
A proposta de 2016, traz uma passagem que considero fundamental para a saúde das relações humanas, institucionais, planetária, que diz: “Somente o conflito e a tensão não tornam o diálogo impossível. O que ergue barreiras entre nós é a disposição de permanecer ignorantes em relação aos outros. Por isso o diálogo é decisivo. Tudo começa com ele”.26
As propostas de paz do Dr. Ikeda fazem parte dos meus discursos, diálogos e para as minhas reflexões pessoais. Elas são as minhas principais referências bibliográficas, referências para todos os aspectos da minha vida. Costumo não apenas lê-las, como também compartilhar os textos com amigos não budistas e membros da SGI.
Entendo que, enquanto cidadã, praticante do Budismo Nichiren e consumista das propostas de paz do Dr. Ikeda, ao aplicá-las na minha vida, fazendo de seus princípios norteadores as minhas ações, idealizações dos meus projetos de pesquisa na universidade, estarei contribuindo para disseminar o humanismo Soka e os ideais do Dr. Ikeda. Todas as edições já publicadas representam um acervo da paz para a sociedade mundial.
Dr. Cícero Sandroni
Revisor das últimas propostas de paz, membro da Academia Brasileira de Letras (São Paulo)
Participei como ouvinte do encontro do Dr. Austregésilo de Athayde, presidente da Academia Brasileira de Letras, com o Dr. Ikeda (em 1993) e fiquei interessadíssimo nas ideias deste e procurei conhecer mais sobre a sua filosofia pacifista. O que me impressionou foi o âmbito universal em que as ideias se expandem. Não se trata de acordo entre dois países ou um continente com outro, ou até uma região do globo e outra. Trata-se de filosofia universal.
A sociedade brasileira ainda se ressente dos problemas de desenvolvimento e do analfabetismo. Mas somos um país por índole pacifista. E nossa política externa baseia-se no princípio de discutir todos os problemas internacionais sempre à procura, antes de tudo, de uma solução de paz. Este tem sido, no correr da história, o caminho que trilhamos.
***
Podemos observar, de forma imediata, a inspiração pela ação que as propostas de paz instilam em cada pessoa, independentemente da sua área de atuação ou do contexto de vida. O sentimento do Mestre pela união e pela paz está tão enraizado em cada palavra escrita ao longo dos últimos quarenta anos que naturalmente evidenciam o mesmo em seus leitores.
Por essa razão, nós o convidamos a tomar parte desse movimento: aproveitar este momento significativo, escolher um ano e um trecho das propostas de paz e submergir na leitura. Com certeza, você voltará à tona não só encharcado pela sabedoria do Dr. Ikeda, mas com a refrescante decisão por fazer a diferença em sua realidade, assim como cada pessoa e projeto que vimos aqui. E, ao usar a proposta escolhida como mapa, certamente trilhará o caminho do diálogo em prol da dignidade da vida e da construção da paz, e fará parte ativamente da onda de crescente “vitória do povo” e do humanismo que o mundo tanto necessita.
O que tudo isso tem a ver comigo?
Por vezes, imersos em nossas questões imediatas e diárias, podemos ver as propostas de paz, as ações decorrentes delas e até as pessoas envolvidas como distantes da nossa realidade. Porém, quando nos dedicamos à leitura e à compreensão dos documentos em profundidade, nós os entendemos como o verdadeiro mapa que são, cujo objetivo não é somente mostrar o caminho para um futuro mais sustentável e de esperança, focado na ação de cada um, mas também de cada um se empoderar, reconhecer que “Eu sou a proposta de paz” e agir a partir disso.
O que isso significa na prática? Significa dedicar-se ao estudo das propostas conforme a sua realidade, no ritmo e com o foco que mais fizer sentido para você, e eleger algum ponto que toque o coração e possa pôr em prática em sua vida, seja por meio de ações diárias, de diálogos na organização de base da BSGI, visando à conscientização dos companheiros, ou de projetos estruturados que façam essa diferença.
Em consonância com o sentimento da primeira proposta, presente em todas as demais 39, é nosso o compromisso de desafiar a tarefa de construir a paz e promover uma onda de crescente “vitória do povo”, fazendo de nossas ações a perpetuação do legado do Mestre em nome da paz no mundo e do triunfo da dignidade da vida.
No topo: Dr. Daisaku Ikeda discursa durante a fundação da Soka Gakkai Internacional, organização não governamental filiada a ONU, a qual promove atividades em prol da paz (Guam, Oceano Pacífico, jan. 1975) Foto: Seikyo Press
Notas:
1. CARTER, Lawrence. O Pastor Batista e seu Mestre Budista. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 33.
2. Ibidem, p. 157.
3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-II, p. 169, 2022.
4. Idem, Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 40, 2022.
5. Ibidem, v. 30-II, p. 169-170.
6. CARTER, Lawrence. O Pastor Batista e seu Mestre Budista. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 225.
7. Documentos disponíveis na íntegra no site da EBS: https://www.brasilseikyo.com.br/nossa-filosofia/daisaku-ikeda/proposta-de-paz
8. Disponível em: https://sgi-peace.org/latest/advancing-security-and-sustainability-at-the-g7-hiroshima-summit. Acesso em: 18 abr. 2023.
9. Disponível em: https://sgi-peace.org/latest/sgi-womens-peace-committee-in-bolivia-promotes-sustainability. Acesso em: 18 abr. 2023.
10. Disponível em: https://brasilseikyo.com.br/central-de-noticias/noticia/999561346. Acesso em: 18 abr. 2023.
11. Disponível em: https://brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/2601/artigo/sementes-da-esperanca-e-acao/999560274. Acesso em: 18 abr. 2023.
12. Disponível em: https://sgi-peace.org/latest/a-new-podcast-explores-nonviolence-and-the-united-nations. Acesso em: 18 abr. 2023.
13. Disponível em: https://sgi-peace.org/latest/the-continued-work-of-sgis-peoples-decade-campaign. Acesso em: 18 abr. 2023.
14. Disponível em: https://www.power-humanrights-education.org/. Acesso em: 18 abr. 2023.
15. Disponível em: https://sgi-peace.org/latest/with-feedback-from-civil-society-sgi-works-to-improve-japans-policies-on-drr. Acesso em: 18 abr. 2023.
16. Terceira Civilização, ed. 513, maio 2011, p. 16.
17. Terceira Civilização, ed. 537, maio 2013, p. 16.
18. Idem, ed. 549, maio 2014, p. 26.
19. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-II, p. 171, 2022.
20. Brasil Seikyo, ed. 2.440, 20 out. 2018, p. A8.
21. Idem, ed. 2.420, 19 maio 2018, p. A8.
22. Leia a entrevista com os líderes da Divisão dos Universitários (DUni) na página 26 desta edição.
23. Disponível em: https://brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/2581/artigo/proposta-de-paz/999559799. Acesso em: 18 abr. 2023.
24. Disponível em: https://brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/2592/artigo/sabedoria-coragem-e-compaixao/999560093. Acesso em: 18 abr. 2023.
25. Terceira Civilização, ed. 645, maio 2022, p. 16-61.
26. Idem, ed. 573, maio 2016, p. 18.
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