TC
Crônica
há 7 meses
Absolutamente tudo serve para criar valor
Edjan Santos
01/03/2026

Sempre gostei de tecnologia. Também sou curioso em relação a quase tudo. Por essa razão, tento circular por diferentes ambientes e me interessar por temas variados, buscando aprender um pouco de cada universo.
Entre esses interesses, as expressões artísticas, de forma constante, despertaram algo especial em mim. Quando comecei a trabalhar com tecnologia em agências de publicidade, esse interesse aumentou. Respirava criatividade diariamente, conversava com os colegas da área de criação e estudava por conta própria. Anos depois, ao migrar para uma consultoria de tecnologia, meu contato com esse ambiente criativo diminuiu de modo considerável.
Então, passei a procurar maneiras de manter viva essa curiosidade. Em uma dessas buscas, encontrei uma palestra sobre processo criativo, ministrada por um renomado diretor de arte. Havia pouquíssimas vagas e, por sorte, consegui me inscrever a tempo.
No início, senti que estava em um lugar do qual eu não pertencia. Mas, assim que a palestra começou, fui envolvido por aquelas palavras. Um dos cartazes que ele desenvolveu trazia a imagem de uma linda flor, que parecia feita de nuvens amarelas em um céu escuro. Ao explicar a origem, o diretor contou que, na infância, visitava o sítio do avô e adorava uma das árvores de lá, principalmente por conta do cheiro de suas folhas e flores. Décadas depois, ele adquiriu um imóvel com espaço para plantar e fez questão de cultivar a mesma árvore, em especial, para sentir o cheiro novamente. Quando uma flor caiu, ele a levou para o ateliê e, dias depois, decidiu escaneá-la. Essa imagem deu origem a uma arte premiada.
Ele concluiu dizendo que seu processo criativo começou 45 anos antes, no sítio do avô. Em uma mente criativa, nada se perde. Todas as experiências e vivências estão à nossa disposição para quando precisarmos. Isso me tocou profundamente, pois ecoava os ensinamentos de Ikeda sensei, sobre viver uma juventude de valor e acumular histórias visando a uma vida grandiosa.
Em um trecho do capítulo “Espada Preciosa”, da Nova Revolução Humana, de sua autoria, sensei diz:1
Shin’ichi respondia a todas as perguntas. Dependendo da questão, dizia apenas: “Deixo em suas mãos!”. Ele esperava com isso maior conscientização em relação à questão para que assumissem a missão e a responsabilidade de resolvê-la com a própria capacidade.Os veteranos podem sentir-se inseguros ao delegar as tarefas para os jovens. E estes podem de fato vir a fracassar. Porém, por meio desse fracasso podem acumular experiências e cultivar sua capacidade. Por essa razão, os veteranos devem oferecer um palco onde os jovens possam atuar livremente, apoiando-os com toda a dedicação. Caso ocorra algum fracasso, os veteranos devem ter a disposição de assumir toda a responsabilidade.
Caro leitor, não podemos desperdiçar nada em nossa jornada — de sermos felizes e fazer avançar o kosen-rufu do Brasil. Jovens e veteranos de mente criativa, compartilhando histórias de luta e buscando corresponder ao Mestre, haverão de vencer.
Edjan Santos
Colaboração
Nota:
1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 8, p. 76, 2019.
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