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há 20 horas
Relatório sobre a Educação no Brasil [parte 4]
Santana de Parnaíba — a matemática pode tornar as pessoas felizes?
Redação | Seikyo Shimbun
28/08/2025
![Relatório sobre a Educação no Brasil [parte 4]](https://meubs.com.br/assets/images/ebs-2025-08-28_18-41-48.jpeg)
Ao iniciar suas aulas de matemática, Sheila escreve no quadro o lema “Mais um dia feliz!”, compartilhando esse objetivo com os alunos. Ela também costuma incluir palavras de incentivo de Ikeda sensei — Foto: Seikyo Shimbun
O ano letivo nas escolas brasileiras geralmente começa em fevereiro. No Colégio Municipal Maria Fernandes Machado de Oliveira, localizado na cidade de Santana de Parnaíba, SP, realizam-se atividades com origami.
A atividade de origami foi incorporada à escola com a dedicação da professora de matemática Sheila Abdala, responsável pela Divisão Feminina de regional. Ela adaptou o Projeto Educacional Makiguchi, fundamentada na teoria pedagógica do primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, que foi promovido por anos pela Coordenadoria Educacional da Associação Brasil SGI (BSGI) em todo o país.

Alunos realizam atividade de origami (imagem cedida por Sheila)
O origami permite que os alunos compreendam visualmente conceitos matemáticos como frações — por exemplo, “1/2” ou “1/4” ao dobrar o papel —, além de vivenciar ideias como simetria bilateral (quando dobrado ao meio, os lados coincidem perfeitamente) e simetria rotacional (quando girado em torno de um ponto, o formato permanece igual). Tudo de forma natural e divertida.
Mas não é só isso. Ao criarem origamis com amigos ou familiares, os alunos fortalecem vínculos. E, ao presentearem uma pessoa com suas criações e ela fica feliz, gera valor. Sheila explica: “A educação Soka acontece quando os alunos vivenciam o processo da criação de valor e isso se reflete em mudanças positivas no cotidiano”.
Para tornar as aulas de matemática interessantes e que valorizem a personalidade dos alunos, ela se empenha com carinho ao desenvolvimento de materiais didáticos.
Três slogans da pedagogia Soka
Ao desenvolver materiais e conduzir suas aulas, Sheila se inspira nos três presidentes da Soka Gakkai — Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda —, refletindo como eles agiriam, orando e buscando sempre melhorar no campo educacional.
Makiguchi propôs três slogans da pedagogia Soka:
1. Parta da experiência.
2. Tenha o valor como objetivo.
3. Use a economia como princípio.
Estes podem ser interpretados como:
1. Começar o aprendizado a partir da vida cotidiana e das experiências dos alunos.
2. Ter como meta o crescimento humano capaz de criar os valores de belo, benefício e bem.
3. Eliminar desperdícios financeiros e de tempo, otimizando as habilidades educacionais dos professores e as habilidades de aprendizagem das crianças.
O segundo presidente, Josei Toda, também matemático, dizia: “Mesmo o aluno que não consegue aprender, eu o farei entender”. A forma de ensinar de Josei Toda era concreta, clara e divertida — um modelo para Sheila.
“Compreender bem” é divertido
“Viver bem” é belo
Sheila mostrou seus materiais e aulas voltados para alunos do sexto ao oitavo ano.
Um projeto do sexto ano é o “Planeta Matemática”. Foi desenvolvido em forma de RPG (jogo de interpretação de papéis), no qual os alunos viajaram por planetas em busca da “estrela da felicidade”. Cada espaço da sala representou um planeta. Em grupos, os alunos partiram para a aventura.
Ao chegarem a um planeta, surgia um “monstro”, que apresentava desafios matemáticos. Para seguir viagem, precisavam calcular valores para comprar itens, medir distâncias e tempo. Sheila oferecia dicas, e os alunos colaboravam entre si. O aprendizado se torna eficiente e divertido.
Não há como descrever a expressão de felicidade no rosto dos alunos ao conseguirem superar o desafio. Eles se divertem e passam a gostar de matemática — isso certamente representa o valor do belo na pedagogia Soka.
A aula prossegue até o momento de dizer “A força para criar a estrela da felicidade está dentro de cada um de vocês!”, explica Sheila.
No sétimo ano, o foco foi a “Matemática como Solução”, buscando o valor do benefício. Os temas abordados variam desde assuntos próximos do cotidiano, como o uso de mesada, poupança e empréstimos, até questões como desigualdade econômica e refugiados.
Os alunos discutiram questões do tipo: “Como podemos obter vantagens?”, “Por que acabamos tendo prejuízos?”, “Como gerar benefícios para si e para os outros?”.
A professora Sheila dirigiu-se aos alunos, que estudavam e conversavam com seriedade, incentivando-os: “A técnica e a forma de pensar para resolver esses problemas é a matemática”.
E, no oitavo ano, o estudo foi centrado na “Matemática do Bem”. O “bem” aqui é o valor social. Por exemplo, utiliza-se a matemática para criar escolas e sociedades onde as pessoas com deficiência possam viver com tranquilidade. Calcular o ângulo seguro para que cadeirantes possam utilizar rampas ou representar graficamente a relação entre a distância de instalação de pisos táteis e a relação custo-benefício. Isso também é aproveitado para melhorar o ambiente escolar real. A própria Sheila não poupa esforços para criar materiais didáticos fáceis de entender para alunos com características diferenciadas de desenvolvimento.
Ela já foi reconhecida em diversas ocasiões pela Secretaria Municipal de Educação. A diretora Karla Cristina Borges de Souza afirma: “A professora Sheila desenvolve tanto o conhecimento quanto o caráter dos alunos. Isso se deve à sua sólida técnica pedagógica e profunda filosofia de vida”.

Professora Sheila em sala de aula
Conferindo as respostas entre a matemática e a vida
O mestre dessa filosofia de vida de Sheila é ninguém menos que o Dr. Daisaku Ikeda. Foi assim quando ela, ainda adolescente, se sentiu perdida quanto ao rumo de sua vida. Foi assim também durante os tempos difíceis da juventude, enfrentando dificuldades econômicas e estudando enquanto trabalhava como professora particular. Em todos esses momentos, ela manifestou grande coragem com as palavras de incentivo de Ikeda.
Todo ser humano deseja, em sua essência, “viver melhor”. A educação Soka, como afirmou Ikeda sensei, busca acreditar profundamente no coração e na capacidade das pessoas, encorajá-las continuamente e ajudá-las a adquirir formas de aprender e de viver que despertem seu potencial ilimitado.
Sheila adota como lema em suas aulas “Mais um dia feliz!”. “Compreender bem” é divertido. “Viver bem” é belo.
Crianças que podem sentir isso no dia a dia são verdadeiramente felizes.
Como parte do programa de leitura da escola, Sheila trabalhou com os alunos o livro O Menino e a Cerejeira, escrito pelo Dr. Daisaku Ikeda. A história gira em torno de uma cerejeira que sobreviveu a um bombardeio. Um velho guardião da árvore diz ao menino:
Todos os anos, as cerejeiras crescem suportando o inverno e, na primavera, flores desabrocham em todos os galhos. Com as pessoas ocorre o mesmo. Quanto mais rigorosa for a circunstância da vida, mais forte crescerão e poderão se tornar seres humanos com um grande coração.1
Sheila conectou essa leitura ao estudo de formas tridimensionais na matemática. Os alunos desenharam cenas marcantes da história e as transformaram em estruturas tridimensionais. Um deles colocou “neve”, de um lado, e “cerejeira”, do outro, expressando que sofrimento e alegria são duas faces da mesma moeda. Ele escreveu: [Por isso,] “decidi que, aconteça o que acontecer, vou viver acreditando na esperança”.
Uma de suas ex-alunas, Camila Requena, escolheu dedicar a vida à escola onde estudou. Hoje, ela é instrutora no Maker Space da instituição — um ambiente no qual as crianças colaboram usando tecnologias avançadas para criar.
“Foi a professora Sheila quem me ensinou, por meio da matemática, a alegria e o prazer de criar”, afirma Camila.

Sheila Abdala, à dir., está com Camila Requena, ex-aluna. Hoje, Camila atua como instrutora na mesma escola, dedicando-se à felicidade e ao crescimento das crianças
A matemática pode tornar as pessoas felizes? Talvez essa seja uma pergunta cuja resposta continuará sendo buscada.
Como o professor Josei Toda ensinava às crianças?
Em 1923, o professor Josei Toda fundou em Tóquio um curso particular chamado Jishu Gakkan, atividade para aplicar, na prática, os princípios educacionais do seu mestre, Tsunesaburo Makiguchi.
Por exemplo, em uma aula de matemática, Toda sensei começava perguntando: “Alguém aqui quer um cachorro?”. Várias mãos se levantavam. Ele sorria e dizia: “Vamos ver para quem eu vou dar…” Então, escrevia a palavra “cachorro” no quadro com giz.
— O que é isso?
— Um cachorro!
— Sim, é mesmo um cachorro.
— Isso!
— Quem quiser, pode vir buscar.
As crianças ficavam confusas. Até que uma delas dizia: “Ah, é só a palavra escrita!”. E todos caíam na risada.
Com esse exemplo divertido, Josei Toda ensinava que aquilo no quadro se tratava de um símbolo abstrato — uma representação. Assim, o conceito de que “a matemática se baseia na representação dos números” ia se infiltrando de forma natural na mente dos alunos, que começavam a aplicar o conhecimento por conta própria.
O Dr. Daisaku Ikeda escreveu:
Um professor que incorpora em sua vida uma técnica educacional criativa, com base em um ideal educacional de alto nível, é capaz de conduzir os alunos com todo o vigor. Feliz é aquele que recebeu o treinamento de um educador como esse e foi conduzido a uma elevada personalidade.2

Junto com a diretora Karla Cristina Borges de Souza, à esq., supervisora Andreia da Silva Karapumala, à dir.
Publicado no jornal Seikyo Shimbun de 22 de julho de 2025
Notas:
1. IKEDA, Daisaku. O Menino e a Cerejeira. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2023. p. 32.
2. Idem. Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 37-38, 2022.
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