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Caderno Nova Revolução Humana
há 12 anos

“Coragem”

Volume 23, Partes 34 a 43

24/05/2014

“Coragem”

Parte 34

Dezessete de julho de 1956 — data em que Shin-iti foi solto da prisão e, com os membros de Kansai, jurou conquistar a vitória da verdade e da justiça Soka, representa a decisão de lutar contra a maldade da natureza das autoridades e o orgulho de iniciar a jornada da revolução humana. Por essa razão, em 17 de julho de 1976, vinte anos após o ocorrido, Shin-iti se engajou na composição da Canção da Revolução Humana para comemorar a passagem daquele importante acontecimento e expressar o juramento de todos os membros em realizar o kosen-rufu. Ele queria concluir a melodia e a letra da canção até a Reunião Nacional de Líderes, que seria realizada em 18 de julho, e apresentá-la nesse dia.

No entanto, até a manhã do dia da reunião, ele não havia concluído a canção.

Um pouco antes das 14 horas, Shin-iti apareceu na sala principal do Centro Cultural Soka, local onde a reunião estava sendo realizada e, logo após a recitação do gongyo, dirigiu-se ao microfone e disse:

— Até alguns minutos atrás, juntamente com um professor de música, estava trabalhando na conclusão da Canção da Revolução Humana para comemorar a passagem do significativo 17 de julho e presentear a todos. Por isso solicitei que eu pudesse falar primeiro e assim voltar a trabalhar para concluir a canção, sem falta, ainda hoje. A letra está pronta. Posso fazer algumas pequenas alterações, mas mesmo assim gostaria de compartilhar com todos os senhores.

A sala foi tomada pela explosão de alegria e aplausos. Ao ler a letra da canção, a voz de Shin-iti ressoava imponentemente:

Levante-se, meu amigo,

Eu também me levantarei.

Vocês, meus companheiros,

se levantam juntos,

Cada um em seu reino

Do kosen-rufu.

Eram palavras da forte expressão de Shin-iti, o brado da coragem de quem se levanta pela justiça, e o clamor pela luta compartilhada de mestre e discípulo. Os participantes ouviam Shin-iti atentamente e estavam profundamente emocionados com a letra. Ela fazia a coragem surgir no coração de cada um.

O poeta alemão, Friedrich von Schiller (1759—1805), declarou: “As rugas sombrias do cuidado desaparecem / enquanto o charme da música retarda aqui”.

Parte 35

Shin-iti decidiu compor a Canção da Revolução Humana até o fim de junho de 1976. Ele vinha pensando já há algum tempo que era necessário fazer uma canção que expressasse o espírito e a filosofia da Soka Gakkai. Desde o tempo do primeiro presidente, Tsunesaburo Makiguchi, os membros cantavam uma música popular do período pré-guerra que haviam renomeado como Canção da Soka Gakkai, cuja letra se referia ao apaixonado espírito de dedicação ao kosen-rufu que eles possuiam.

Em julho de 1943, a organização foi atingida por uma tempestade de perseguições pelo governo militar japonês. O Sr. Makiguchi e seu discípulo Toda foram presos no dia 3; Makiguchi morreu na prisão em 18 de novembro do ano seguinte, em 1944.

Quando, durante um interrogatório, o Sr. Toda ficou sabendo da morte de seu mestre, caiu em desespero profundo. Entretanto, ele se levantou e manteve a cabeça erguida com determinação.

Herdando o legado de Makiguchi, o discípulo Toda prometeu devotar sua vida ao kosen-rufu — a grande luta pela paz e pela justiça. Quando estava na prisão, ele compôs um poema de quatro versos no qual dava voz à sua promessa: “Ode ao confinamento solitário”. Para se inspirar, ele cantarolava em seu coração o quarto, o quinto, o sexto e o sétimo verso da Canção da Soka Gakkai — o ardente espírito que exala coragem, força, esperança e alegria:

O meu mestre

Seguiu em frente

Dando tudo de si

Como uma oferenda

Ao bodisatva Rei dos Remédios

Eu permaneço vivo.

O que posso oferecer ao buda?

Parte 36

Esses versos, do quarto ao sétimo da Canção da Soka Gakkai, que Josei Toda havia composto como “Ode ao confinamento solitário”, eram extremamente solenes – uma expressão de seu profundo sentimento e o pilar da Soka Gakkai.

Houve um tempo em que Toda proibiu os membros de cantar esses versos. Ele não permitia a ninguém cantá-los por cantar sem entender seu propósito.

Enquanto esteve na prisão, ele também compôs um poema de três estrofes, que posteriormente foi cantado como a Canção dos Companheiros. A primeira estrofe dizia:

Neste momento eu atendo

Ao desejo do buda

E me levanto sozinho

Assumindo orgulhosamente

O grande juramento

De propagar a Lei Mística.

Os amigos são poucos

E muitos são os inimigos.

São palavras imbuídas da determinação de Toda de dedicar sua vida ao grande juramento pelo kosen-rufu com base em seu despertar na prisão para sua identidade como bodisatva da terra. Essa canção era entoada com a melodia de uma antiga música de um internato na época anterior à guerra, e tanto a música dela como a da Canção da Soka Gakkai eram muito antiquadas. Shin-iti queria criar um novo estilo musical que expressasse, de forma sucinta, o espírito e a filosofia da Soka Gakkai, que fosse fácil de cantar e entoada por muitos anos.

Outra razão pela qual Shin-iti queria compor uma nova música e encorajar os membros era por haver pressentido tempos difíceis acercando-se do futuro da Gakkai. Desde o ano anterior, 1975, parte da mídia havia começado a atacar ferozmente a organização.

Pouco antes, motivado por seu desejo pela paz mundial, visitou países comunistas como a República Popular da China e a União Soviética. No Japão, ele se encontrou e conversou com o líder e outros funcionários do Partido Comunista Japonês. Essas atitudes chamaram a atenção em todo o mundo e levaram à suspeita de que a Soka Gakkai estaria ligada ao comunismo, o que alarmou algumas pessoas. Os ataques direcionados à Soka Gakkai foram o resultado de mal-entendidos e preconceito contra os esforços de Shin-iti pela paz, o que foi muito bem esclarecido posteriormente.

Parte 37

Shin-iti Yamamoto se empenhou com todas as forças para superar as barreiras da ideologia e abrir o caminho para a amizade e a justiça com o objetivo de construir a paz mundial. Entretanto, os olhos do preconceito tacanho não conseguem enxergar a verdade e ele se tornou alvo de ataques. Ao mesmo tempo, o clero da Nichiren Shoshu, buscando construir uma barreira entre o mestre e os discípulos, começou a direcionar críticas e difamações infundadas aos associados. Foi um plano vil e malicioso para destruir a união harmoniosa entre os sacerdotes e os leigos. Ele sentiu que esses acontecimentos eram um sinal de que as funções maléficas que obstruem o kosen-rufu estavam prestes a revelar suas presas.

Nichiren Daishonin escreve: “Se o senhor propagar [a Lei Mística], as maldades irão surgir sem falta. Se isso não acontecesse, não haveria como saber que este é o ensinamento correto” (END-1, 501); “Sem tribulações não haveria devotos do Sutra do Lótus” (END-1, 33); e “Entenda, então, que os devotos que praticam o Sutra do Lótus exatamente como ensina o buda serão, sem falta, atacados pelos Três Poderosos Inimigos” (END-1, 395). Em ambos, nome e essência, a Soka Gakkai era vigorosamente a organização religiosa líder no Japão, praticando o budismo e avançando em prol do kosen-rufu tal como Daishonin ensina e abrindo os caminhos para a felicidade de todas as pessoas.

Além disso, com o principal objetivo de concretizar a paz duradoura com base no princípio de “estabelecer o ensinamento correto para a pacificação da terra”, Shin-iti viajava extensivamente pelo mundo, encontrando-se com líderes e pensadores de vários campos e se engajando em inúmeros diálogos. Os membros da Soka Gakkai também atuavam honestamente para contribuir de forma positiva na sociedade.

Por esse motivo, à luz das palavras do buda Nichiren Daishonin, Shin-iti estava convicto e totalmente preparado para o fato de que o grandioso navio da Soka Gakkai, no vasto mar do kosen-rufu, estava se deparando com rigorosas adversidades.

Encarando essas furiosas tempestades e se dedicando pelo kosen-rufu, podemos ativar o estado de vida do bodisatva da terra inerente e continuamente desenvolver a própria revolução humana. Por esse motivo, Shin-iti desejava compor uma música encorajadora que despertasse no coração de seus amados membros o firme espírito de superar as adversidades.

Sempre existiram músicas que despertaram esperança no coração das pessoas para o florescimento da cultura e o surgimento do povo. Ele desejava compor uma canção de vida que os inspirasse a construir uma nova era de cultura humanista.

Parte 38

— Precisamos de uma nova canção da Soka Gakkai. O título é Canção da Revolução Humana – disse Shin-iti para dois líderes que andavam com ele no carro, no dia 1o de julho, a caminho da Exposição de Arte da Terceira Civilização, realizada em um museu de arte em Ueno, Tóquio.

Ambos apenas responderam vagamente e olharam intrigados; não conseguiam compreender por que, naquele momento, Shin-iti queria criar uma nova canção chamada Canção da Revolução Humana. Pensaram que talvez ele quisesse isso porque a partir do dia 19 de junho um novo filme, Revolução Humana – parte 2, estaria sendo lançado nas principais cidades do Japão.

A partir do momento em que decidiu compor uma nova canção, Shin-iti a intitulara Canção da Revolução Humana. Essa era a única opção, ele pensou, pois a concretização da felicidade de cada indivíduo, a transformação familiar, a melhoria da sociedade e a paz mundial começam a partir da revolução humana. E a Soka Gakkai é a primeira e a única organização avançando em direção à revolução humana – ela mantém a filosofia da revolução humana.

Os dois líderes estavam mais interessados em saber quem iria compor a música do que o seu significado, e se deveriam estabelecer um comitê para a composição da música e começar os preparativos. Shin-iti disse:

— Eu acho que a letra começa com “Levante-se, meu amigo, / Eu também me levantarei”. Eu estive pensando sobre a música durante os últimos dias e esbocei alguns versos.

— Hoje à noite haverá uma reunião para os conhecidos do Sr. Toda, para comemorar sua libertação da prisão em 3 de julho e, amanhã, uma reunião em sua memória com membros representantes, em Tóquio. Depois de amanhã, haverá uma reunião comemorativa da sua libertação da prisão na sede da Soka Gakkai.

— Quando penso no Sr. Toda, surge em mim o desejo de compor uma canção que trate dos ideais e da luta compartilhada de mestre e discípulo, uma verdadeira canção da revolução humana. Espero que ainda este ano todos a estejam cantando com alegria, orgulho e avançando na própria vida.

O avanço do kosen-rufu é sempre acompanhado por músicas da Gakkai.

Parte 39

Dia 16 de julho de 1260, Nichiren Daishonin revelou Estabelecer o Ensinamento Correto para a Pacificação da Terra para o governante mais poderoso no Japão, Hojo Tokiyori. Ao enviar esse tratado, Daishonin começou seus protestos contra as autoridades no poder do governo militar de Kamakura e, a partir daí, sua vida foi uma série de grandes perseguições: a Perseguição de Matsubagayatsu em 1260, o Exílio de Izu em 1261, a Perseguição de Tatsunokuchi, a Perseguição e o Exílio na Ilha de Sado em 1271. Mas, apesar dessas circunstâncias, Daishonin declarou: “Nem uma única vez eu pensei em voltar atrás”.

Em 16 de julho, Shin-iti Yamamoto participou de uma reunião de palestra na região de Ota, em Tóquio; ele estava extremamente ocupado com suas muitas funções e, mesmo assim, pensando no grandioso sonho e enorme esforço de Nichiren Daishonin, foi capaz de concluir a letra da Canção da Revolução Humana. Sua versão inicial foi composta de três estrofes, cada uma com cinco versos.

No dia seguinte, 17 de julho, era a data em que Shin-iti fora libertado da prisão depois de sua luta contra a natureza diabólica da autoridade. Pela manhã, ele trabalhou em nova revisão da letra. Ele também tinha muitas outras atividades nesse dia, como ir à Assembleia Geral da Universidade de Gakushuin.

Naquela noite, em casa, começou a compor a melodia – queria que fosse uma música empolgante e alegre, que despertasse coragem e brilhasse com a luz da esperança. Foi pouco depois das onze da noite que as linhas gerais da melodia foram concluídas em sua mente.

Em 18 de julho, o dia do encontro dos líderes na sede, ele trabalhou na música desde a manhã. A partir do meio-dia, foi para o salão principal, no terceiro andar do Centro Cultural Soka, e acompanhou no piano um jovem professor de música e experiente compositor, mas a canção não foi concluída até o início da reunião.

Ele queria compor uma obra-prima que seria cantada para sempre e, por isso, não aceitava que fosse feita levianamente, por mera conveniência.

O progresso é obstruído pela atitude complacente de pensar que alguém já se esforçou o suficiente e então se deve apenas dar continuidade. Nova sabedoria, poder e criatividade surgem por meio da determinação e do sério comprometimento para superar essa complacência e de fazer o melhor.

Parte 40

Levante-se, meu amigo,

Eu também me levantarei.

O alvorecer do novo século

Reluz como o brilho do sol,

Incandescendo com a luz

Da revolução humana.

Quando Shin-iti leu a letra da canção na Reunião Nacional de Líderes, o público respondeu imediatamente com uma ovação de aplausos que não tinha fim.

Nessa mesma ocasião, Shin-iti compartilhou seis pontos que líderes do kosen-rufu devem considerar: orientação individual, pequenas reuniões, linguagem polida, interações diárias, cada família individualmente e circunstâncias de cada membro.

Por que a orientação individual é importante? A situação e circunstância de cada pessoa são diferentes, e seus problemas e questões naturalmente também serão diferentes. O kosen-rufu avança à medida que cada pessoa encara e supera seus problemas, com coragem e alegria. É por essa razão que a orientação individual, direcionada de acordo com a circunstância de cada pessoa, é crucial.

Devemos cultivar as pequenas reuniões porque somente quando as pessoas dialogam aberta e sinceramente, até que elas se sintam aliviadas, o movimento do kosen-rufu se desenvolve de forma significativa. Se compararmos as reuniões grandes às artérias e veias, então as pequenas reuniões representam os tubos capilares. Somente quando os tubos capilares trabalham perfeitamente, o sangue percorre por todo o corpo humano de forma natural. Se as pequenas reuniões não são satisfatórias para os membros, o espírito e a prática da fé budista também não fluirão de forma natural em toda a organização. A organização que ignora as pequenas reuniões tende a cair no colapso.

A linguagem polida é essencial para os líderes. “A voz executa o trabalho do buda” (GZ, p. 708). Nós somos capazes de realizar o sagrado trabalho do buda por meio de nossas vozes. Se nossa linguagem não for polida, podemos estar ofendendo o budismo. O discurso de uma pessoa reflete sua característica e humanidade, assim como Daishonin diz: “A desgraça vem da boca de uma pessoa e arruína-a” (END, v. 1, p. 413).

Parte 41

Shin-iti Yamamoto enfatizou o quarto ponto: a importância das interações diárias. As relações humanas são fundamentais tanto nas atividades da Gakkai como entre amigos, as quais são construídas nas interações cotidianas. Confiança e fortes laços são formados pelos esforços contínuos não só para conhecer e conversar com outras pessoas, mas também para manter a comunicação e incentivá-las com cartas e telefonemas.

Shin-iti discorreu em seguida sobre o quinto ponto – valorizar cada família –, porque só podemos participar livremente das atividades se não criarmos problemas em casa. Os líderes devem se preocupar com a situação de cada família, haja vista que as circunstâncias de cada uma são únicas: suas refeições, hora de dormir e programações diárias são todas diferentes. Algumas famílias lutam com a doença, enquanto outras têm filhos que precisam estudar para os exames de admissão da escola. E, às vezes, nem todos os componentes da família praticam o budismo de Nichiren Daishonin. Quando os líderes visitarem as famílias, devem se comportar com cortesia impecável e consideração, como, por exemplo, avisar da visita com antecedência. Às vezes é melhor apenas conversar à porta sem se intrometer na vida doméstica da família. É também vital mostrar o máximo de cuidado e consideração às famílias que oferecem a casa para atividades da Gakkai.

O último ponto destacado por Shin-iti para os líderes foi sobre respeitar as circunstâncias pessoais de cada indivíduo, baseando-se no fato de que o respeito pelos outros é a diretriz fundamental para todos os budistas. Líderes nunca devem se deixar levar pela emoção e repreender os membros ou tratá-los de forma desrespeitosa ou com desprezo.

Nichiren Daishonin afirma: “Lembre-se sempre que os que creem no Sutra do Lótus devem, absolutamente, serem os últimos a maltratar uns aos outros. Todos os que mantêm a fé no Sutra do Lótus são budas, e quem calunia um buda comete uma grave ofensa” (WND-1, 756).

Membros que dedicam a vida ao kosen-rufu são igualmente merecedores do maior respeito. A Soka Gakkai é uma rede de indivíduos que possuem o espírito do respeito mútuo.

Depois de apresentar esses seis pontos que os líderes devem ter em mente e elogiar seus grandiosos esforços para estarem presentes, Shin-iti deixou a reunião.

Parte 42

Shin-iti retornou para a sala do terceiro andar do Centro Cultural Soka para concluir a Canção da Revolução Humana. A melodia estava pronta, porém ele ainda não estava plenamente satisfeito. Se conseguisse concluir antes do encerramento da Reunião Nacional de Líderes, ele gostaria de apresentá-la aos membros.

Shin-iti solicitou que duas integrantes da Divisão Feminina de Jovens viessem até o local para que ele pudesse ouvir suas opiniões sobre a melodia. As jovens eram Masumi Uemura e Makiko Matsuyama, que acabaram de fazer uma apresentação de piano e marimba na Reunião Nacional de Líderes, antes de Shin-iti proferir suas palavras. Ambas eram formadas em música e trabalhavam na Associação de Concertos Min-On. Com sua assistência, Shin-iti continuou a trabalhar na melodia.

Às 15h30, juntamente com as duas jovens, Shin-iti voltou para a sala onde a reunião era realizada. A reunião já estava encerrada e ele se dirigiu ao piano que havia na sala com a convicção de concluir a canção até o fim do dia.

Shin-iti disse às duas jovens moças:

— Por favor, sem fazer cerimônia, me falem de suas impressões. Quero assegurar a contribuição de todos que ajudaram a compor a obra-prima.

Shin-iti sempre se esforçou em perguntar a opinião dos outros, pois essa é a chave para o desenvolvimento. Zhuge Liange (181—234), primeiro ministro do reino Shu Han no período dos Três Reinos da história da China, afirma: “Respeitar a opinião dos outros é o caminho para se tornar uma pessoa sábia”.

A comissão formada por integrantes da Divisão dos Universitários que participaram da reunião de líderes também estavam na sala. Shin-iti tocava a canção para eles e tentava escrever a melodia ouvindo a opinião deles. Mas o tempo passava e ainda assim não estava totalmente satisfeito com os resultados.

Shin-iti revisou a letra mais uma vez. Cada estrofe tinha cinco versos e parecia que era isso que dificultava a composição da melodia. Olhando para todos, perguntou:

— O que acham de, em vez de cinco versos, mudarmos para quatro versos?

Parte 43

O encarregado pela música, que estava na sala principal de reuniões, respondeu:

— Sim, será mais fácil compor a melodia se cada estrofe tiver quatro versos em vez de cinco.

Mas quando tentaram decidir quais partes da letra cortariam, Shin-iti Yamamoto não conseguia desencaixá-las; tinha pensado por muito tempo e feito a letra com muito esforço — cada palavra tinha profundo significado. Ele releu a letra com a visão de possíveis cortes.

Shin-iti pensou que se tivesse cortar algo, teria de ser a segunda linha de cada estrofe. Na primeira era “Vocês, meus companheiros / permaneçam unidos”; na segunda, “Permaneçam altivos / com a música dos companheiros”; na terceira estrofe, “Vocês, meu companheiros / olhem adiante juntos”.

— É uma pena, disse Shin-iti. Mas eu suponho que podemos cortar a segunda linha de cada estrofe. “Vocês, meus companheiros” tem um profundo significado, mas não podemos evitar.

Shin-iti se inspirou para escrever aqueles versos na peça Doshi no Hitobito (Companheiros) de autoria do dramaturgo japonês Yuzo Yamamoto (1887—1974), a quem lera na juventude.

A peça acontece em 1862, num navio que ia de Quioto para Satsuma (atual Kagoshima, em Kyushu). Oito guerreiros do clã de Satsuma estavam sendo enviados de volta para Satsuma sob custódia; foram presos pelo clã de Satsuma em uma pousada chamada Teradaya, em Fushimi, Kyoto, onde se reuniram para traçar a derrubada do shogunato Tokugawa. O evento é conhecido como Incidente de Teradaya.

No navio, os oito sentiam aumentar a ansiedade sobre seu destino – seriam executados a bordo? Seus esforços não teriam valido nada? – quando um oficial disse aos presos que, se concordassem em matar dois aristocratas, pai e filho aprisionados no porão do navio, seriam liberados com uma punição leve, com dois ou três meses de prisão domiciliar. Eles eram companheiros dos guerreiros, que tinham prometido juntos derrubar o governo e restaurar as regras imperiais.

O líder do clã Satsuma, não querendo ofender o shogunato, preferia evitar abrigar os aristocratas; por outro lado, se eles fossem publicamente executados, poderiam criar a inimizade da nobreza de Kyoto. Os líderes do clã Satsuma inventariam que ocorrera uma briga entre os conspiradores durante o período que estavam no navio e que, no embate, eles haviam sido mortos. Os oito guerreiros ficaram extremamente agitados.

As pessoas, quando enfrentam situações difíceis, perdem a máscara, e seu verdadeiro caráter e natureza são revelados.

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