marcar-conteudoAcessibilidade
Tamanho do texto: A+ | A-
Contraste
Relato
há 7 anos

Vitalidade e alegria em dobro

Casal Chagas chega aos cinquenta anos de prática budista e dá exemplo de uma vida realizada

26/10/2019

Vitalidade e alegria em dobro

Mudar o coração

José nasceu em Minas Gerais, e quando ainda era criança, os pais faleceram. “Cresci sem referência, com muitas mágoas e sem esperança. Aos 18 anos, resolvi vir para São Paulo, SP, e sem estudos, tive dificuldades para encontrar um bom emprego”, conta.

Eli, como é carinhosamente apelidada, veio para a capital paulista pelo mesmo motivo, e os dois, que já se conheciam, fizeram da amizade casamento. José brinca: “Eu não tinha nada, mas conquistei o apoio do meu sogro. Ele sempre gostou de mim e pelo visto, ela também” (risos).

Na nova fase, o casal teve três filhos e enfrentou muitos desafios para criá-los. “Passamos necessidades. Eli trabalhava demais e eu fazia bicos como pintor, mas nada melhorava. Eu não sabia como ajudar e passei a beber excessivamente, agindo da pior maneira possível em casa, causando ainda mais sofrimento à família. Nessa condição, um amigo me aconselhou recitar Nam-myoho-renge-kyo com o desejo de transformar minha vida. Aquilo me motivou a receber o Gohonzon (em 1969).”

Ele continua: “No entanto, em meio ao ambiente caótico em que vivia, fui tomado pela falta de entusiasmo e acabei deixando o budismo de lado. A situação somente mudou anos depois quando Eli resolveu iniciar a prática budista”.

 

Esforço contínuo

Os filhos também abraçaram o budismo, e aos poucos, observando os benefícios dessa prática, José passou a recitar daimoku. Parou de beber e logo foi convidado para trabalhar como ferramenteiro.

A família Chagas, que reside na Zona Leste de São Paulo, se dedicava pela expansão da BSGI na região: “Embora a comunicação fosse difícil entre brasileiros e japoneses, participávamos das reuniões e fazíamos visitas em municípios vizinhos, muitas vezes a pé; não era fácil. Mas estava determinado a vencer. O mais importante é que, mesmo sendo rigorosos, os líderes se preocupavam com a nossa felicidade”, explica José.

A filha Mirian tem boas recordações desse período: “Em casa, recitávamos horas e horas de daimoku e fazíamos reuniões alegres. Minha mãe preparava lanches e os diálogos com os membros se tornavam ainda mais agradáveis”.

José completa: “Eli e eu nos apresentamos no coral do festival de 1984, durante a visita do presidente Ikeda ao Brasil e, na década de 1970, integramos o painel humano no festival de Brasília, DF”.

A ligação com o Mestre se tornou o norte para promover o kosen-rufu quando, em certa fase, o casal retornou para Minas Gerais, em Guaxupé. “Lá, abraçamos o objetivo de expandir o budismo e fizemos muito shakubuku”.

 

Enfrentar a doença

A família se tornou mais unida, algo fundamental para vencer outros desafios. Mirian relata as conquistas também na saúde, ao ver os irmãos superarem a doença: “O mais novo, com bronquite, era praticamente incapaz de realizar atividades básicas. Minha irmã teve problemas neurológicos, chegando a ser encaminhada para internação. Felizmente, com o daimoku sincero e a convicção dos nossos pais, eles venceram as enfermidades. Até mesmo minha mãe, que desenvolveu problemas de saúde em razão do trabalho exaustivo, conseguiu prolongar a vida devido à sua forte fé. Hoje, ainda que enfrente o mal de Alzheimer, continua participando das atividades com alegria e espírito de procura”.

A família se empenha na tentativa de amenizar os sintomas da doença desde que Eli recebeu esse diagnóstico, há catorze anos. Ela, sempre sorridente e otimista, reconhece o esforço: “Eles são meus amores, estão sempre comigo”.

Junto com o marido, Eli canta no Coral Radiância da localidade, e faz questão de acompanhar as reuniões de palestra e, entre os familiares, é admirada por realizar as orações diárias com todo vigor. Quando perguntada a respeito de sua vitalidade, responde: “É daimoku! Gosto de fazer daimoku!”.

O casal completará 64 anos de casados no ano que vem e segue desfrutando uma vida plena. Chaguinhas, como é conhecido pelos amigos e familiares, complementa: “Mantivemos a pureza dos nossos sentimentos. Sou grato pela dedicação que ela teve comigo nas épocas difíceis, sem jamais lamentar. E eu adoro essa cumplicidade. Recitamos daimoku todos os dias, e quando ela se esquece disso, recitamos novamente. Daimoku nunca é demais” (risos).

A história transformadora dos Chagas se tornou incentivo para muita gente. “Nossa trajetória é uma forma de fazer shakubuku. Ensinei o budismo para mais de sessenta pessoas que decidiram praticá-lo. Faço isso em gratidão ao Mestre e a essa maravilhosa organização que nos permite viver de forma digna. Construí uma família forte, em que todos praticam o budismo! Eu não acreditava na felicidade até conhecer a Soka Gakkai e o conceito de revolução humana. Mas, para quem pratica o budismo nessa organização, nada é impossível!”, finaliza José.

 

 

Compartilhe

Copy to clipboard