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Estudo do Budismo
há 2 meses

Carta de Ano Novo

Departamento de Estudo da BSGI

11/12/2025

Carta de Ano Novo

Enquanto o “Ano do Vibrante Desenvolvimento da Soka Gakkai de Força Jovem Mundial” se inicia radiante e repleto de esperança, nós, da família Soka, descortinamos o amanhecer de um emocionante ano novo determinados, mais que nunca, a dar uma nova partida e a avançar uma vez mais.

Nesta edição, vamos estudar juntos o escrito de Nichiren Daishonin Carta de Ano Novo.

Trecho 1

Recebi cem bolinhos de arroz cozidos a vapor e uma cesta de frutas. O dia de Ano-Novo representa o primeiro dia, o primeiro mês, o começo do ano e o início da primavera. A pessoa que celebra esse dia acumulará virtudes e será amada por todos, assim como a Lua vai aumentando de tamanho à medida que se move do oeste para o leste, e assim como o Sol brilha mais intensamente enquanto se desloca do leste para o oeste.1

A Carta de Ano Novo foi endereçada a uma discípula, a esposa de Omosu, irmã mais velha de Nanjo Tokimitsu, em agradecimento a ela pelos sinceros oferecimentos enviados no começo do ano. É datada de 5 de janeiro, porém sem indicação do ano. Assim, embora se saiba que Nichiren Daishonin a tenha escrito no Monte Minobu, o ano exato não é conhecido.

No trecho acima, Daishonin utiliza o ideograma japonês hajime para falar sobre o começo do ano e o início da primavera no Japão. Esse ideograma japonês também possui o significado de “dar origem”. Ou seja, o ano novo não é apenas um momento de lançar novos objetivos, de dar uma nova partida, mas também o momento de criar a verdadeira causa em nossa vida.

O segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, dizia: “Praticar o budismo da verdadeira causa significa ter em mente que cada instante de nossa vida é uma causa para o futuro; significa ter a firme determinação de tornar cada instante uma causa para o dia de amanhã”.2

Quando uma pessoa se dedica seriamente à prática budista, é sua fé no presente, e não o seu carma do passado, que exerce a influência determinante em sua vida. Assim, por meio desse grande poder da fé, nós podemos “começar a partir de agora”, em qualquer momento que estabelecermos. Contudo, o Dia de Ano-Novo é uma ocasião especificamente destacada para esse propósito, quando toda a atmosfera que nos cerca apoia o espírito de começar renovadamente.

O budismo ensina que o presente momento abrange o futuro, e que cada causa contém seu efeito. Nessa perspectiva, a maneira como saudamos o Ano-Novo é bastante importante. Uma grande diferença pode resultar entre considerá-lo um dia a mais entre muitos outros, ou como um novo início que abriga em si as sementes do desenvolvimento do ano inteiro.

Essa simples mudança de mentalidade e de postura faz com que consigamos despertar o potencial do estado de buda nesta existência, conforme Daishonin diz no trecho a seguir:

* * *

Trecho 2

Em primeiro lugar, sobre a questão de onde exatamente se encontram o inferno e o buda, um sutra diz que o inferno está debaixo da terra, e outro afirma que o buda reside no oeste. No entanto, um exame mais cuidadoso revela que ambos existem em nosso corpo de um metro e meio de altura. Isso deve ser verdade, pois o inferno está no coração da pessoa que, em seu íntimo, despreza o pai e ignora a mãe. É como a semente de lótus, que contém flor e fruto ao mesmo tempo. Do mesmo modo, o buda habita o nosso próprio coração.3

Nichiren Daishonin assegura à esposa de Omosu que o Buda não pode ser encontrado em algum lugar distante, mas dentro do próprio coração. E explica a essência fundamental da vida, a “possessão mútua dos dez mundos” — uma das teorias budistas mais importantes — de forma acessível.

Do mesmo modo que as religiões dos dias atuais, as da época de Daishonin pregavam também que o inferno existia sob a terra, e o Buda, numa terra pura ou paraíso situado no céu do oeste. Ensinavam ainda que uma pessoa, após a morte, sofreria no inferno ou viveria feliz na terra pura.

Nichiren Daishonin refuta esses conceitos afirmando que “ambos existem em nosso próprio corpo”. Seu budismo é racional e não prega nem inventa mundos irreais. Todos os potenciais, sejam bons ou maus, são inerentes à vida do ser humano — o único responsável pela sua felicidade ou infelicidade. Portanto, o Budismo de Nichiren Daishonin confere dignidade suprema ao ser humano, localizando dentro dele todas as potencialidades.

Com base nisso, percebemos que o Ano-Novo é um momento de renovar nossa determinação e de criar essa verdadeira causa para nossa vitória no futuro a partir de nossas ações e da nossa própria mudança.

Nesse sentido, vamos nos esforçar todos os dias, enquanto recitamos sonoramente Nam-myoho-renge-kyo diante do Gohonzon, para assinalar uma renovada partida, despertando esse grandioso potencial inerente a nós. O objetivo da nossa prática budista é conduzir uma existência de completa realização. Com o espírito de que todo dia é Dia de Ano-Novo, vamos juntos renovar nossa decisão e criar a causa para a felicidade de todas as pessoas!

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 405, 2020.

2. Brasil Seikyo, ed. 2.012, 21 nov. 2009, p. A4.

3. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 405, 2020.

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