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há 2 anos

Do sonho à realidade

Redação

01/08/2024

Do sonho à realidade

Imagine-se numa praia maravilhosa, sob o agradável calor do sol, desfrutando momentos de lazer e de alegria com os amigos. Nesse cenário, longe das inquietações do dia a dia, dificilmente alguém exercitaria uma autorreflexão a ponto de perguntar “Por que ­comigo?” ou se preocuparia com o futuro. No entanto, diante de uma dificuldade, é natural buscarmos decifrar essas questões.

Aquele que consegue encontrar a resposta, colocando-se como protagonista — “O que farei do futuro?” —, provavelmente estará diante daquilo que é sua missão.

Nesta edição, trataremos, da ótica budista, a respeito desse tema “missão”.

Utilizar a vida

Os ideogramas que compõem a ­palavra “missão” em japonês têm o significado de “utilizar a vida”. À luz da sabedoria budista, passamos a entender que, a despeito das dificuldades que surgem pela frente ou das circunstâncias e do local em que nascemos e moramos, possuímos uma nobre missão que somente nós podemos cumpri-la. “Quando ­reconhecemos isso profundamente, tudo se transforma” — eis o ensinamento do Mestre Daisaku Ikeda (1928–2023), que comprovou com a própria existência essas palavras.

Antes mesmo de conhecer o Budismo de Nichiren Daishonin, o jovem ­Ikeda foi passear à beira da praia a convite de um amigo. Eles costumavam fazer isso não como um momento de pura ­descontração, mas de profundas reflexões sobre vários assuntos, dentre eles o futuro. A juventude deles era vivida sob a sombra da guerra, então era natural que ­ficassem preocupados com o porvir.

Nosso mestre se recorda:

Um episódio do qual me lembro com nostalgia é aquele em que (...), enquanto passeávamos pela praia de Morigasaki, um amigo e eu prometemos mutuamente dedicar a vida em prol do bem social.1

Pouco tempo depois, ele conheceu Josei Toda, que se tornou seu mestre, converteu-se ao budismo e descobriu assim como “utilizar a sua vida”, ou seja, a sua missão.

Luz que ilumina o rumo da existência

Ikeda sensei afirma, com tenacidade: “Meu encontro com Josei Toda (...) decidiu a direção da minha existência”2 e, ainda, “Por meio desse encontro com Toda sensei, senti uma luz iluminando meu rumo”.3 Em outro momento, ele declara:

Conforme [os] momentos determinantes com meu mestre foram se acumulando, o rumo da minha vida foi se ­definindo e minha decisão de me empenhar pelo kosen-rufu ao lado dele não só nesta existência, mas por toda a eterni­dade, foi se aprofundando.4

Não é exagero ou força de expressão quando ele assegura que “Decidiu a direção da minha existência” e que “Senti uma luz iluminando meu rumo” ou “O rumo da minha vida foi se definindo”.

Quando se conheceram, no dia 14 de agosto de 1947, Josei Toda perguntou sobre a saúde daquele garoto de 19 anos e ele falou que sentia dores no peito. Toda sensei, com empatia, o incentivou desde esse primeiro encontro. Ele acompanhou a frágil condição de saúde de Ikeda sensei e o encorajava a vencer a doença.

Em outro encontro emblemático entre mestre e discípulo, Toda sensei revela ao jovem Ikeda:

Ontem sonhei que fui ao México. Eles estavam esperando. Todos aguardavam ansiosamente a chegada do Budismo de Nichiren Daishonin. Como eu quero viajar para o mundo, para a jornada do kosen-rufu. (...) Shin’ichi, o mundo é seu desafio, seu verdadeiro palco. E o mundo é imenso e vasto.5

Na sequência da cena, Josei Toda lhe estende a mão de dentro do acolchoado e, extraindo todas as forças que ainda lhe restavam, diz: “Você precisa viver. Viva o máximo que puder e percorra o mundo!”.6

A determinação do discípulo de viver conforme o incentivo do mestre, firmemente agarrado à sua missão, fez com que Ikeda sensei prolongasse a sua existência. Contrariando a expectativa de que não passaria dos 30 anos devido à tuberculose, Ikeda sensei viveu até os 95 anos, assumindo o leme da Soka Gakkai, em 1960, e levando a semente do Budismo Nichiren para o mundo.

O discípulo torna o sonho real

Outra missão herdada pelo discípulo foi a materialização do sonho do mestre de visitar as terras mexicanas. Também, no mês de agosto, em 1965, Ikeda sensei desembarcou no aeroporto da Cidade do México.

Nos dois dias em que ficou no país, legou aos membros a missão de ­expandir ali a organização existente. Eles prontamente assumiram essa responsabilidade. No início, eram 26 famílias; em um ano, esse número cresceu para cem; dois anos depois da visita de Ikeda sensei, já contavam com 250 famílias praticantes. No ano seguinte, em 1968, celebraram a concretização de setecentas novas famílias. Ikeda sensei declara que “Os companheiros do México haviam cumprido brilhantemente a promessa selada”.7

Como uma maravilhosa correnteza, enquanto os companheiros do México se empenhavam em concretizar a missão transmitida por seu mestre, Ikeda sensei dedicava-se à expansão do ­Budismo de Nichiren Daishonin, conforme Toda ­sensei o havia impelido.

Em 1975, deu-se início à Soka Gakkai Internacional (SGI), hoje presente em 192 países e territórios, com 12 milhões de membros. A criação da SGI é, portanto, a concretização do sonho de Toda sensei de visitar o México, isto é, de expandir o Budismo do Sol para o mundo. É também a ação abnegada de um dis­cípulo que a nada temeu, venceu a ­doença e as maldades que surgiram para tentar impedi-lo, transformando carma em missão.

Minha missão nesse local

Há dias em que desfrutamos o ­frescor da brisa à beira-mar; em outros, sentimos como se estivéssemos dentro do próprio oceano, arrastados por uma correnteza. Mergulhados em nossas questões individuais, não é fácil enxergar uma saída. Quando tentamos erguer os olhos para o entorno à procura do ­horizonte, o panorama social também não é favorável.

Nesses momentos, o Mestre ensina como encontrar forças diante das adversidades e da busca pela missão:

Nascemos neste mundo, nesta época, para cumprir o grande juramento que fizemos no remoto passado. Nosso carma é nossa missão, é o palco no qual desempenhamos nosso magnífico drama de transformação de adversidade em triunfo. Por mais difícil ou desafiadora que a realidade de nossa vida possa ser, não há nenhum outro local onde possamos atingir a felicidade.8

Assim, perante a realidade que se apresenta, a filosofia budista nos ajuda a responder as questões “Por que comigo?” e “O que farei do futuro?”. É comigo, porque tenho uma missão a cumprir neste local. Minha vitória é capaz de inspirar a de muitas outras pessoas. E o futuro? O futuro é de esperança. Se minha vitória inspira outras pessoas, é possível criar ondas e mais ondas, verdadeira afluência de benefícios e de transformação.

A maneira de pôr isso em ação é ­dedicar-se a essa missão de transformar a si mesmo para mudar a sociedade, isto é, comprometer-se com o kosen-rufu.

Eu concretizarei sem falta
“Eu concretizarei sem falta”

A vela a impulsionar o barco da nossa vida é o mestre.

Ikeda sensei comenta que, quando ­conheceu Josei Toda, sentiu o ardente compromisso dele com o kosen-rufu, e uma corrente elétrica de alegria tomou conta do seu corpo. Disse que essa ­alegria o invadiu de tal forma que ele registrou em seu diário: “Revolução religiosa é, em si, revolução humana. (...) Jovem, avance com ilimitada compaixão! ­Jovem, siga em frente, acalentando esta grandiosa filosofia!”.9

Outro momento em que se sentiu tomado por essa mesma alegria foi quando estava à beira-mar, na Vila Atsuta, e Toda sensei voltou a falar do seu sonho sobre o futuro:

Do outro lado deste oceano existe um vasto continente. O mundo é realmente extenso. Lá existem povos que vivem em meio à agonia. Você deve abrir os caminhos do kosen-rufu mundial em meu lugar.10

Ikeda sensei reflete:

Eliminar a palavra “miséria” da face da Terra, e fazer com que as pessoas conquistem a felicidade e a paz experimentando a verdadeira alegria de viver — este foi o sonho de paz mundial do meu mestre que herdei como meu próprio sonho por meio deste diálogo.

Nessa época [1954], a Soka Gakkai ainda era muito pequena, e o kosen-rufu mundial parecia apenas um conto de fadas. Ninguém poderia imaginá-lo. No entanto, jurei profundamente dentro do meu coração: “Eu o concretizarei sem falta”. Este juramento se tornou a minha vida.11

Despertar para seu propósito

O exemplo dos nossos mestres nos empodera de esperança. O despertar para a missão, entretanto, não é algo distante. Assim como direciona Ikeda sensei, é a resposta que daremos hoje, da forma como somos, no local em que nos encontramos.

O rumo da nossa vida, nossa missão, é definida quando fazemos também um profundo juramento ao Mestre e intensa busca para concretizá-lo.

O certo é que ninguém está livre dos problemas nem sua vida é projetada num futuro distante. Determinar que aqui e agora é o local e a hora de ser feliz desperta a força para vencer as circunstâncias.

Um alento consta nesta passagem de Vozes para um Futuro Brilhante, de autoria do presidente Ikeda:

Enquanto eu tiver vida, para que vou utilizá-la? Ponderem a todo momento sobre isso, busquem incansavelmente a resposta e sejam decisivos. Esta não é uma questão que está em algum lugar distante. Se desafiarem as questões que estão bem diante de seus olhos com todas as suas forças, sem falta, em algum momento, visualizarão a missão que somente cada um de vocês pode realizar. Com certeza, vocês compreenderão: “É isso! Esta é a minha missão!12

Por fim, o budismo defende que não há felicidade no mundo do egoísmo, trazendo-nos o ensinamento prático para sermos exemplo de comprovação da prática da fé e inspirarmos todos ao redor. Uma missão gloriosa, que nos empodera de força, coragem e senso de gratidão.

***
Entrevista

ENTREVISTA

Neste mês, inspire-se com trechos de uma entrevista feita com Nereo Ordaz, presidente da SGI-México, o qual compartilha uma história pessoal ao conhecer a filosofia budista, e o atual contexto da organização no país em que Toda sensei sonhou viajar e Ikeda sensei cumpriu essa missão.

Neste mês, inspire-se com trechos de uma entrevista feita com Nereo Ordaz, presidente da SGI-México, o qual compartilha uma história pessoal ao conhe cer a filosofia budista, e o atual contexto da organização no país em que Toda sensei sonhou viajar e Ikeda sensei cumpriu essa missão.

Terceira Civilização: Como foi o início da sua prática budista?

Nereo Ordaz: O budismo entrou em minha vida há 52 anos por intermédio do meu pai que, na época, estava envolto no mundo das drogas e do alcoolismo, buscando em vão caminhos para sair daquela situação. Eu tinha 4 anos, vivenciando muito sofrimento. Por conta do alcoolismo, muitas vezes meu pai saía de casa e demorava para retornar, pois acabava desmaiando e ficando vários dias largado no chão.

Apesar de ser uma família disfuncional, vivendo em condições de constante violência física e emocional, ele era meu pai e não queria perdê-lo. Então, sempre que ele saía de casa, um dos irmãos o seguia e o acompanhava de longe. Ao avistá-lo em situação de risco, corria para avisar minha mãe, que o socorria, trazendo-o de volta. Algumas vezes eu também ia junto. Em uma dessas ocasiões seguindo meu pai, chegamos a uma residência. Nesse local acontecia uma reunião de palestra da Soka Gakkai e soube depois que era a segunda participação dele nesse encontro. Além de ser tão pequeno e não com­preender muitas coisas, jamais me esquecerei do carinho e do respeito com que fomos ­recebidos. Nem do chocolate que ganhei (risos). Senti que queria estar lá, crescer e me desenvolver como aquelas pessoas. Dessa maneira, naquela reunião de palestra, iniciei minha jornada nos jardins Soka.

TC: Poderia dividir com os leitores algum momento especial com Ikeda sensei?

Nereo Ordaz: Em 1984, o Mestre finalmente visitou o México. Foi uma passagem pelo aeroporto, mas consegui atuar como Sokahan. Esse momento me permitiu acumular grande boa sorte, pois, quando Ikeda sensei esteve na Costa Rica, integrei-me a um grupo de jovens que o acompanhou nos bastidores dessa viagem. Essa atividade foi um divisor de águas para minha vida, porque observei que Ikeda sensei dedicava 24 horas do dia ao kosen-rufu e aos membros. 

Ao longo daquela semana na Costa Rica, em alguns dias de atuação como Sokahan no hotel em que ele havia se hospedado, eu o via em atividades desde muito cedo, e ele não descansava até a noite. Notei que o único momento em que ele parava para se distrair era nos poucos minutos no corredor do hotel, alongando-se. Outras vezes, quando ele caminhava pelo jardim, mudava totalmente a sua dinâmica e chamava todos ao redor repentinamente para oferecer algumas palavras de incentivo. Isso aconteceu há 28 anos, marcando profundamente a minha vida. Decidi que atuaria com o mesmo espírito de Ikeda sensei, com quem também aprendi o espírito de gratidão. Recordo-me claramente de que, antes de sair do hotel, ele agradeceu, um a um, aos camareiros e aos cozinheiros, além do pessoal do staff. Nessa ação, percebi a sua humanidade e seu senso de gratidão. Foi um encontro de muitos outros, mas, para mim, esse, em que o acompanhei na viagem a Costa Rica, teve grande significado.

TC: Qual é o sentimento dos companheiros do México, país que materializou o sonho de Toda sensei visualizando o kosen-rufu mundial?

Nereo Ordaz: Compartilho algo que venho dialogado com meus companheiros de luta: a convicção de que a missão da Soka Gakkai é, de fato, ajudar as pes­soas a transformar o próprio destino. Quando Ikeda sensei visitou o México em 1981, ele proferiu palestra na Universidade de Guadalajara, com o tema “Espírito Poético Mexicano”. Nela, ele citou o Tratado para a Proibição de Armas Nucleares na América Latina e no Caribe (Tlatelolco), assinado em 1967. E, nesse trecho em que cita esse tratado, ele nos convida a trabalhar, juntos, com o tema da paz e do desarmamento nuclear. Observamos que, em 8 de setembro de 1957, diante de 50 mil jovens, Toda sensei proferiu sua Declaração pela Abolição das Armas Nucleares. Dez anos depois, surge o Tratado de Tlatelolco, o primeiro da humanidade que protege uma área densamente povoada — desde Tijuana, na Califórnia, até a Terra do Fogo, na Argentina. Esse tratado protege a América Latina e o Caribe sobre uso, transporte, teste, criação e armazenamento de armas nucleares. 

Trata-se de exemplo para vários ­outros tratados com a mesma finalidade que existem para proteger diversas áreas do planeta. Então, acredito que, quando Toda sensei sonhou com o México, ele não estava sonhando com o país em si, mas com essa vocação para ser pioneiro na paz mundial nesse tema da abolição das ­armas nucleares.

TC: Em relação ao Brasil, qual a ­impressão que deseja compartilhar?

Nereo Ordaz: Assim como existe o sentimento de que Toda sensei sonhou com o México porque vislumbrou um ambiente potencial de luta pela paz, nesses dias aqui no Brasil refleti bastante. Em minha visita ao Centro Cultural Campestre, em Itapevi, SP, ouvi dizer que, quando ­Ikeda sensei viu o terreno onde esse ­complexo seria construído, ele já visualizava que ali seria um centro de treinamento. Mesmo que ninguém entendesse na época, assim ele enxergou e liderou essa construção, que agora é o centro de treinamento para toda a América Latina. Isso é incrível!

Ouvi dizer também, em visita ao Colégio Soka, que o fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, tinha grande apreço pelo Brasil, e seu discípulo, Josei Toda, pelo México. Sinto uma conexão muito forte entre esses dois pontos que me emociona. Creio que essa relação de mestre e discípulo seja justamente a que une tudo. É algo muito místico, porque o Brasil tem uma grande missão com relação à América Latina. Estar no Brasil, para mim, é aflorar tantas emoções, juramentos e sentimentos, o que me faz sentir próximo a vocês. Fico ­profundamente impactado quando Ikeda sensei diz em trecho de um poema que “O Brasil é minha vida”. Que surpreendente!

TC: No próximo ano, a Editora Brasil Seikyo completará sessenta anos e coincide também com o aniversário de fundação da SGI-México. Gostaria de deixar uma mensagem para os leitores?

Nereo Ordaz: É, de fato, muito místico estarmos celebrando juntos seis décadas de existência em 2025. Desde os meus 20 anos, colaborei em muitas publicações. Com isso, aprendi à luz dos bastidores a correr contra o tempo para redigir, fotografar, diagramar e ver a impressão. Refletir sempre sobre o que pode ser melhorado e, principalmente, recitar daimoku com o desejo de que os membros abram o pe­riódico e encontrem um incentivo de Ikeda sensei, uma resposta para os questionamentos de vida.

Quando ouço comentários de pes­soas dizendo que, no momento mais difícil da vida, abriram a revista e encontraram o que estavam precisando, nessa hora, sinto que cumprimos nossa missão como discípulos de Ikeda sensei. Para mim, em uma analogia, as publicações são como um veículo ligado a Tóquio, ao México, ao Brasil e a várias partes do mundo, sempre mantendo viva essa essência de conectar o coração com o de Ikeda sensei. 

Para os assinantes, os membros, minha mensagem é que nunca percam a oportunidade de estabelecer essa relação com Ikeda sensei de poder receber e ler os incentivos dele.

Notas:
1. Brasil Seikyo, ed. 2.576, 21 ago. 2021, p. 4-5.
2. RDez, ed. 228, dez. 2020, p. 6-8.
3. IKEDA, Daisaku. Minhas Recordações. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 98.
4. Brasil Seikyo, ed. 2.451, 19 jan. 2019, p. B3.
5. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana, v. 10. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. p. 97.
6. Ibidem, cf. p. 97.
7. Ibidem, p. 113.
8. IKEDA, Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 2: Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2023. p. 71.
9. Brasil Seikyo, ed. 2.451, 19 jan. 2019, p. B3.
10. RDez, ed. 142, out. 2013, p. 6-7.
11. Ibidem.

Foto: Brasil Seikyo

Ilustrações: Getty Images

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