BS
Caderno de Estudo
há 17 anos
A felicidade neste mundo
As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 3, pág. 199.
30/05/2009

Resumo e cenário histórico
Nitiren Daishonin escreveu esta carta quando se encontrava em Minobu no verão de 1276. Esse escrito é uma das várias cartas que Nitiren Daishonin escreveu a Shijo Kingo para incentivá-lo a enfrentar o período mais perigoso e solitário de toda a sua vida.
Os aprendizes de samurai de Shijo Kingo, invejando sua habilidade e a confiança que o Lorde Ema, a quem ele prestava serviços, depositava nele, aproveitavam todas as oportunidades para relatar e disseminar informações falsas e maldosas a seu respeito. Como consequência disso, Shijo Kingo acabou perdendo a proteção do seu lorde e a situação se agravara nos anos seguintes a ponto de alguns colegas invejosos tramarem o seu assassinato. Além disso, o Lorde Ema exigiu que ele escrevesse um juramento renunciando à sua fé no Budismo de Nitiren Daishonin, ameaçando-o com o confisco dos seus bens. Entretanto, mesmo diante de tais adversidades, graças aos incentivos contínuos de Daishonin, Shijo Kingo manteve a sua fé inalterável, resistindo a todas as provações. No final, Kingo conseguiu recuperar a confiança do seu lorde que, em 1278, concedeu-lhe um feudo três vezes maior em relação ao que possuía anteriormente.
Este tipo de situação, de calúnias e difamações tais como aquelas sofridas por Shijo Kingo, ocorre frequentemente também na sociedade atual, em que os fatos acabam se distorcendo a ponto de confundir a verdade com a mentira.
O presente escrito, embora curto, transmite em palavras simples o que é a verdadeira felicidade e a forma como alcançá-la. Transmite também o benefício da recitação do Nam-myoho-rengue-kyo, orientando também a forma correta de conduzir os assuntos da vida diária como um budista.
Explanação
Nesse trecho do escrito, Nitiren Daishonin afirma que nem mesmo as pessoas mais sábias e veneráveis podem viver livres de dificuldades e que o importante é a nossa atitude e a convicção com que enfrentamos as questões que nos afligem. Se mantivermos essa convicção, não seremos perturbados ou arrastados pelas dificuldades.
Em sua explanação sobre esse trecho, o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, escreve: “Shijo Kingo também sofreu por causa da calúnia. Mas Daishonin disse: ‘Jamais permita que os impasses da vida o perturbem’. Recorrer a falsas acusações significa ser derrotado como ser humano; não pode haver algo mais mesquinho e ruim. Mas nós não devemos nos deixar intimidar por um comportamento tão depreciável. Assim como não se coloca lixo na boca, também não se deve deixar entrar lixo no coração. Na verdade, Daishonin incentiva Shijo Kingo a excluir de sua mente a conduta covarde de seus detratores. O filósofo romano Sêneca (4 a.C.– 65 d.C.) disse que as flechas da difamação não podem perfurar o coração de uma pessoa sábia”. (Brasil Seikyo, edição no 1.429, 13 de setembro de 1997, pág. 3.)
Nessa mesma explanação, ele ainda nos incentiva dizendo que o importante é construir dentro do coração um palácio de alegria que nada pode abalar, um estado de vida tão límpido como o céu azul acima das tormentas, como um oásis no deserto, como uma fortaleza que observa do alto as ondas embravecidas e que é importante lutarmos abertamente contra a injustiça com uma atitude nobre e corajosa.
O budismo nos ensina que podemos atingir uma felicidade indestrutível, ou seja, um estado de vida de felicidade absoluta, independentemente das circunstâncias negativas pelas quais estejamos passando. Na Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo, consta: “Durante seu exílio na Ilha de Sado — que foi incontestavelmente a perseguição de maior severidade — Nitiren Daishonin proclamou tranquilamente: ‘Sinto uma imensurável alegria mesmo estando agora exilado’. Dessa condição elevada de vida tão vasta como o Universo, ele observava tudo com imperturbável tranquilidade”. (Pág. 297). O segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, teve de cessar as atividades de sua editora devido à crise da época. Lembrando esse episódio, o presidente Ikeda comenta: “Foi realmente um grande choque, como se estivesse a bordo de um avião detido em pleno voo. Porém, quando olhei para o presidente Toda, vi que ele estava entretido em um jogo de shogui (jogo de xadrez japonês) com um amigo, tranquilo e imperturbável. Por uns instantes, não consegui entender como ele podia proceder daquela forma num momento tão crítico. Mas, pouco depois, o motivo ficou claro para mim. ‘Ele está certo. Para ele, nada mudou. Seu aspecto é uma declaração de que dará continuidade a sua luta.’ A inspiração que essa atitude infundiu em mim continua vívida até os dias de hoje”. (Pág. 298.)
No trecho inicial dessa carta, Daishonin afirma: “Não há felicidade maior para os seres humanos que orar o Nam-myoho-rengue-kyo”. (END, vol. 3, pág. 199). Isso acontece porque, ao recitarmos o Daimoku, a nossa vida se funde com o estado de vida do Buda e podemos cultivar uma poderosa energia vital capaz de enfrentar e superar os desafios do cotidiano.
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