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Vida e Sociedade
há 17 anos

Por uma vida vitoriosa todo sacrifício é dever

30/05/2009

Por uma vida vitoriosa todo sacrifício é dever
Nasci em 1974, o sexto de sete filhos. Minha mãe já praticava o budismo desde 1968. Ela iniciou pela necessidade de resolver problemas conjugais entre ela e meu pai, mal sabia que ali começava também a transformação de toda uma geração.

Além dos problemas com meu pai, surge também outro grande obstáculo. Um dos meus irmãos envolve-se com delinquentes e, acusado de um crime grave, é recolhido à uma escola corretora de menores infratores.Nela, envolve-se com piores companhias e traz grandes sofrimentos à família. Meu pai era sargento da PM e motorista de táxi nas folgas, minha mãe costurava para fora e assim mantinham o lar e os sete filhos.

Em 1979, ocorre aquilo que seria o início de uma série de fatos que propiciariam a revolução humana da família. Meu pai falece vítima de câncer no estômago. Com isso, a estrutura da família é abalada, principalmente as condições financeiras.

O furor de uma tempestade de sofrimentos...

Estou com 4 anos e meio, já sofro a falta do pai e junto a isso a dificuldade pela qual minha família começa a passar em condições difíceis. Em 1983, meu avô, pai de minha mãe, também falece. Ela chora mais uma vez.

Em 1986, as questões financeiras são bem piores, minha mãe costura dia e noite para defender o sustento de casa, aquele meu irmão que outrora se envolvera com maus elementos agora está preso e minha mãe o visita todo o fim de semana sem falhar uma única vez.

Nesse momento, como se já não bastassem os últimos acontecimentos, meu segundo irmão mais velho sofre um acidente de moto e falece um mês depois, exatamente no dia em que minha mãe tinha acabado de visitá-lo no hospital. Perder o marido e o pai é uma dor muito grande, mas nada comparado à perda de um filho.

Com tudo o que estava acontecendo, minha mãe só sabia orar e enfrentar um dia após o outro com horas de Daimoku. Dessa forma, eu sempre estava a seu lado em tudo, nas orações e agora também na luta pelo dia-a-dia. Vendia picolé nas ruas e carregava caixotes de verduras em uma feira, o que já ajudava bastante em casa.

Quanto maior a escuridão da madrugada mais próximo está o alvorecer...

Em 1987, um ano e meio após o falecimento de meu irmão, minha irmã sofre um grave acidente e sobrevive após implantar 36 pinos de platina na perna. Quantas provações e obstáculos! Com tudo isso, a prática de minha mãe se fortalece a cada dia que passa e estou junto a ela em todos os momentos.

O ano de 1989 traz consigo mais um golpe. Este certamente seria o derradeiro, não fosse pela determinação que tínhamos em sermos felizes por meio da recitação do Nam-myoho-rengue-kyo. Em 2 de janeiro, ao começar o ano, meu irmão se suicida na prisão. Minha mãe recebe a notícia enquanto recitava Daimoku. Derrama “lágrimas de sangue” e uma vez mais recita em prantos Daimoku ao Gohonzon.

A força do Daimoku é como o rugido de um leão...

Se o objetivo é ser feliz o mais importante é recitar o Nam-myoho-rengue-kyo e continuar a caminhada aconteça o que acontecer. Passaram-se mais quatro anos e neste tempo começo a participar como DMJ nas atividades. Enfim, começo a transformação de todas as condições adversas. Consigo emprego como office-boy em um hospital, com 16 anos ingresso no Gajokai e participo do festival de 1991. Em menos de seis meses de trabalho, saio da condição de office-boy para o cargo de Técnico de Revelação e passo a ganhar o salário mais alto de onde trabalho, não acreditava nisto. Em 1993, junto com mais quatro companheiros de Curitiba, atuei por uma semana no Centro Cultural Campestre na vinda do líder da SGI, Daisaku Ikeda, ao Brasil. Presencio alguns momentos do Mestre em sua casa enquanto atuava no Gajokai. Volto a Curitiba renovado e decidido a mudar todo o destino ao custo da própria vida, era o rugido de um leão a afastar todo o infortúnio e o sofrimento da alma.

Um sonho de criança

Quando pequeno, vi dois irmãos ingressarem no Corpo de Bombeiros. Por ter crescido sem a figura paterna, eles se tornaram referência para mim e nutri o mesmo desejo. No entanto, trabalhando no hospital ganhava mais que alguns cargos da corporação e meu desejo era ingressar como oficial, no entanto, a prova para o ingresso era o vestibular da Universidade Federal do Paraná e as vagas eram apenas sete e aproximadamente 500 candidatos. Difícil, sim! Mas não impossível! Não existe a palavra impossível para um devoto do Sutra de Lótus. A estratégia uma vez mais seria a do Daimoku.

O fervor da batalha

Em meio a diversas atividades da organização, eu atuava como responsável da DMJ de distrito, secretário do Grupo Gajokai, trabalhava, fazia o terceiro ano do ensino médio à noite, sem contar que cuidava das responsabilidades da casa e da saúde de minha mãe. Faltava tempo pra estudar e treinar fisicamente para os testes. Só restava recitar Daimoku. No último mês que antecedeu o vestibular decidi recitar uma hora de Daimoku por dia, a hora que fosse... Isso é...de madrugada. Era o mês decisivo! Eu não tinha estudado o suficiente, mas desejava do fundo do coração, a única chance era o Daimoku. Minha mãe desafiou junto comigo e toda a noite quando chegava havia um prato de comida preparado por ela em cima do fogão. Enquanto eu jantava, ela já iniciava o Daimoku. Certo dia, não aguentei e adormeci durante o Daimoku e quando acordei ela estava lá, em minha frente, resoluta e inabalável como sempre foi. Terminei o mês tão desgastado física e psicologicamente que muitas pessoas achavam que eu estava doente de tão magro. No último dia de prova, pensei: tenho certeza que fiz tudo o que pude e o meu melhor. Eu venci.

Na tarde do dia 20 de janeiro de 1996, recebo a ligação de um companheiro do Gajokai. “Parabéns! Você passou!”. As lágrimas que agora caem são de uma infinita alegria, eu era um dos sete candidatos aprovados para o Curso de Oficiais do Corpo de Bombeiros. Nesse instante um filme passa em minha mente, lembrei da perda de meus irmãos, do pai que não me viu crescer, as angústias de minha mãe que ainda estava viva e pensei: Venci!

Porque o “azul é

mais azul que o anil”

Três anos depois, concluo o Curso de Formação e minha mãe caminha com dificuldades para me entregar uma espada de aço com 1,20m de comprimento que no militarismo representa o comando, neste caso eu iria comandar homens que salvariam vidas. Foi o maior orgulho da vida dela. Mas os benefícios não param por aí. Nos anos seguintes, além das condições de vida que mudaram completamente, meu outro irmão chegou pela carreira ao posto de oficial administrativo, adquiriu isso por ser muito rigoroso na prática da fé, e na dedicação pelas atividades e mais uma vez minha mãe caminhou para entregar outra espada. Minha duas irmãs se formam e nossa mãe comparece na entrega dos dois diplomas. Magnífico, quanto orgulho!

A águia levanta voo

Seis anos como oficial da Corporação e mudei completamente as condições de minha vida. Em paralelo a isso, assumi a vice-liderança da DMJ de Área em Curitiba.

Uma vida é o espaço de tempo que temos para tornar este mundo melhor, sermos pessoas de bem e que almejam o bem dos outros. Nunca devemos pensar em desistir. Nunca devemos pensar que a morte é a solução rápida para um enorme problema. Devemos enfrentá-lo com muito Daimoku. Mesmo que não queiramos, o tempo passará e a solução virá. Aprendi isso com minha mãe. Ela foi um exemplo de praticante do Budismo Nitiren, ligou-me ao coração do Sensei. Enfrentou a vida, lutou, sobreviveu, foi além do mar de incessantes sofrimentos navegando pelo barco chamado Kossen-rufu, venceu e venceu novamente, seus filhos tornaram-se líderes de humanismo dentro da sociedade. No fim de semana do Dia das Mães, maio de 2008, a velha águia alçou seu último voo, sorriu com um jeito de quem venceu a tudo e não deixou rastros para a maldade. Faleceu serenamente como quem diz até logo.

Mestre, venci!

Continuo a avançar, agora como monarca da nova era. Em 2005, adquiri uma propriedade com o exclusivo intuito de construir uma sede comunitária, com excelente localização e 242m2, onde hoje está oficializada a Sede Comunitária Rosilda Pedroso, em homenagem à minha mãe. Luto agora pelo meu Chakubuku que certamente concretizarei até o fim do ano.

Meu filho Nicolas é outro orgulho. Aos cinco anos recita Daimoku, tornando-se uma criança diferenciada no que diz respeito à prática da fé mesmo ainda pequeno. Sou responsável da DMJ da Área Curitiba Sul e espero concluir minha história na DMJ encontrando novamente o Mestre e dizendo-lhe: “Obrigado Mestre, eu estou aqui, eu venci...”

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