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Caderno Nova Revolução Humana
há 10 anos

Capítulo: “Justiça”

Volume 27, Partes 27 a 30

09/07/2016

Capítulo: “Justiça”

Parte 27

Em meio aos desafios da sociedade, a Soka Gakkai abria novos horizontes para o kosen-rufu com ações firmemente alicerçadas na realidade, demonstrando profunda empatia pelo sofrimento das pessoas e difundindo o budismo mediante exemplos reais da vida cotidiana. Em contraste, reverendos da Nichiren Shoshu, carecendo de qualquer senso real de responsabilidade ou missão em relação ao kosen-rufu, eram incapazes de avaliar a importância de tornar o Budismo de Nichiren Daishonin mais acessível às pessoas e à sociedade como um todo. Em vez disso, pegavam partes de afirmações feitas por líderes da Soka Gakkai, tirando-as do contexto, e as usavam para criticar a organização, que se dedicava dinamicamente a realizar atividades com o ardente compromisso de concretizar o kosen-rufu.

A partir do fim de julho de 1977, quase em sincronia com a intensificação dos ataques desses sacerdotes à Soka Gakkai, vários tabloides semanais japoneses começaram a publicar artigos difamatórios. Havia alegações sensacionalistas de que Soka Gakkai estaria provocando a quebra financeira do templo principal Taiseki-ji para assumir, desse modo, o controle.

Com base nesses tabloides, alguns reverendos que se opunham à Soka Gakkai, usavam o tempo das preleções mensais do Gosho para falar mal da organização leiga. Um deles disse às pessoas presentes: “Tudo o que está escrito nesta revista é verdade! Vocês estão sendo enganados pela Soka Gakkai! A Soka Gakkai está caluniando a Lei!”.

Um número crescente de templos locais da Nichiren Shoshu atacava a Soka Gakkai. Para muitos associados da organização, tratava-se de um ato totalmente inesperado. Todos apoiavam sinceramente esses templos, entretanto, quando compareciam às preleções, eram acusados de caluniar a Lei. Não sabiam o que estava acontecendo. Entre eles havia homens que observavam atordoados, mulheres que tentavam conter lágrimas amargas e jovens que erguiam a voz em protesto. Depois desses encontros, voltavam para casa tristes, com raiva e indignação, sentindo-se relutantes em visitar novamente os templos caso tivessem de ouvir aquelas insinuações.

Alguns reverendos hostis atacavam os afiliados da Soka Gakkai até em funerais. No velório de um associado, onde estavam muitos amigos e parentes que não pertenciam à organização, o celebrante da cerimônia declarou que ninguém poderia atingir o estado de buda praticando na Soka Gakkai. Uma atitude desalmada, equivalente a esfregar sal na ferida de quem está em luto pela perda de um ente querido. Lágrimas de tristeza se transformaram em lágrimas de raiva.

São apenas alguns exemplos de como os sacerdotes da Nichiren Shoshu açoitavam os integrantes da Soka Gakkai que se esforçavam incansavelmente para o avanço do kosen-rufu. Funções demoníacas sempre surgem de forma imprevisível e surpreendente.

Parte 28

A maioria dos reverendos que criticavam a Soka Gakkai era de jovens, e muitos deles tinham pouca experiência no mundo externo, apresentando um comportamento arrogante e autoritário. Apesar disso, todos da Soka Gakkai os apoiavam e faziam o que podiam pelos templos locais da Nichiren Shoshu.

Por trás do crescente antagonismo desses sacerdotes em relação à Soka Gakkai e da escalada de ataques irracionais havia a manobra secreta de um associado que traiu e, mais tarde, deixou a organização – o advogado Tomomasa Yamawaki.

Na capacidade de advogado, Yamawaki participava das questões legais da Soka Gakkai. Pouco a pouco, começou a ostentar sua expertise, desprezando os líderes veteranos e se recusando a ouvir qualquer pessoa. Estava envenenado pelo orgulho e pela arrogância.

A escritora francesa George Sand (1804–1876) advertiu: “O espírito do homem se inclina para o orgulho, e o orgulho corrompe o espírito”. 1

Além de trabalhar para a Soka Gakkai, Yamazaki começou a se ocupar de assuntos legais da Nichiren Shoshu, desenvolvendo, em virtude disso, conexões com o clero. Ao mesmo tempo, tirava partido de sua posição de advogado para obter lucros financeiros particulares e abriu a própria empresa. Parou de participar das atividades da organização, perdeu a fé e passou a ser movido pela ganância e pelo amor ao dinheiro.

Depois de um tempo, porém, por má administração, sua empresa faliu, deixando-o com dívidas enormes. Chegado a um beco sem saída, recorreu a mentiras e ao logro, envolvendo-se em atividades corruptas e ilegais, pelas quais acabou sendo responsabilizado pela sociedade.

Shin’ichi Yamamoto estava preocupado com Yamawaki havia algum tempo e queria ajudá-lo a seguir o caminho correto da prática budista. Conversou com Yamawaki em diversas ocasiões, tentando despertá-lo para os erros de sua conduta e encorajá-lo a praticar o budismo com seriedade. Por vezes, foi bastante rigoroso em sua orientação. Mas o advogado estava consumido demais pelo orgulho e pela arrogância para lhe dar ouvidos. Considerava Shin’ichi uma pedra em seu caminho e, sempre que ele tentava guiá-lo na fé, seu ressentimento e animosidade aumentavam ainda mais.

Yamawaki acreditava que a Soka Gakkai, como organização leiga, por maior que fosse, estava subordinada ao clero e lhe devia obediência. Tramou manipular a Gakkai granjeando favores dos sacerdotes, atuando como intermediário e explorando a autoridade do clero.

Parte 29

A partir de meados de 1976, Tomomasa Yamawaki começou a espalhar boatos difamatórios entre os jovens reverendos que tinham conexão com assessores próximos do sumo prelado. Ele afirmava que a Soka Gakkai estava se preparando para um confronto com o clero, que planejava assumir o controle sobre eles – todas essas supostas informações não passavam de mentiras absurdas inventadas.

Entre os jovens reverendos, havia alguns que, embora qualificados para serem priores, permaneciam sem ser designados a nenhum templo afiliado. Os rumores de Yamawaki haviam intensificado a ansiedade deles em relação ao futuro e incitado a desconfiança e a malevolência deles para com a Soka Gakkai. Acataram como verdade as afirmações de Yamawaki, pois ele era tanto líder como advogado da Soka Gakkai.

Anos mais tarde, revelou-se que Yamawaki era a pessoa que supria os tabloides com informações difamatórias sobre a organização.

Em resposta aos ataques totalmente despropositados que estavam sendo desferidos contra a organização leiga, líderes da Gakkai apresentaram protestos ao Escritório Administrativo da Nichiren Shoshu. Almejando resolver a situação o mais rápido possível, Shin’ichi Yamamoto também submeteu à análise dos reverendos executivos um código de princípios para assegurar a união harmoniosa entre clero e leigos, formulada pelos líderes da Divisão dos Jovens (DJ). Entretanto, os sacerdotes que viam a Soka Gakkai com hostilidade já não estavam dispostos a aceitar instruções do Escritório Administrativo da Nichiren Shoshu. Em vez disso, passaram a dirigir ataques aos reverendos executivos também. E a aspereza do tratamento injusto deles aos associados de todo o Japão se agravava a cada dia.

Um integrante da Divisão Masculina de Jovens (DMJ) de 21 anos da província de Miyazaki perdeu a mãe e solicitou ao reverendo da Nichiren Shoshu da localidade que celebrasse a cerimônia fúnebre em sua casa. A mãe criara ele e suas duas irmãs sozinha. Uma das canções da Soka Gakkai favoritas dela estava sendo tocada antes da cerimônia. Ao ouvir a música, o reverendo esbravejou com desprezo:

– Não toquem canções da Gakkai! É falta de respeito!

O filho ficou atônito. Tremeu de raiva e indignação. Com a voz embargada pelas lágrimas, disse:

– Minha mãe adorava esta canção – e deixou a fita tocando.

Ao terminar de celebrar a cerimônia de funeral, o reverendo falou bruscamente ao filho que não acompanharia a família ao crematório e, então, saiu sem pronunciar mais uma palavra. O rapaz se sentiu terrivelmente humilhado quando os amigos e vizinhos lhe perguntaram sobre a ausência do reverendo no crematório.

Os problemas com o clero se degeneraram a ponto de a morte de entes queridos ser usada como ocasião para atormentar e ameaçar os membros da Soka Gakkai. Agora também consistia numa luta contra a desumanidade sórdida que se tornava visível no comportamento daqueles vis sacerdotes.

Parte 30

O tratamento que os reverendos dedicavam aos praticantes budistas que faziam parte da Soka Gakkai era extremamente frio e insensível.

Em outro caso, o marido de uma integrante da Divisão Feminina (DF) da província de Fukui decidiu ingressar na Soka Gakkai. Era a realização de um desejo acalentado pormuito tempo pela esposa. Os líderes da Divisão Sênior (DS) e da DF da localidade acompanharam o casal até o templo para a cerimônia de novos convertidos.

No templo, havia um grupo de jovens que não viam a Gakkai com bons olhos por influência do reverendo prior, que era hostil à organização leiga.

Chegou o horário previsto para a cerimônia, mas, em vez de fazer menção de celebrá-la, o prior começou a falar mal da associação budista:

– Vocês não obterão nenhum benefício frequentando os centros de atividade da Soka Gakkai, só se forem aos templos. Acho muito estranho pessoas que nunca visitam o templo enquanto estão vivas de repente esperarem ser atendidas lá quando morrerem.

– É isso mesmo! – gritaram os jovens.

Os líderes da Soka Gakkai presentes não queriam causar alvoroço discutindo com o prior e os demais diante de alguém que estava para se converter ao Budismo de Nichiren Daishonin. Eles se mantiveram em silêncio ouvindo, nervosos, mas preocupados que o marido pudesse decidir não praticar depois daquilo.

O reverendo prosseguiu atacando a Soka Gakkai por uns 50 minutos. Finalmente, não conseguindo mais suportar, o líder da DS indagou com firmeza se ele realizaria ou não a cerimônia.

Os jovens que estavam no templo cercaram o líder da Gakkai, com um deles vociferando:

– Como ousa interromper o reverendo?

A tensão tomou conta do ambiente. Concluindo que a situação estava ficando fora de controle, o prior finalmente iniciou a cerimônia.

Incidentes relacionados com comportamentos dessa espécie por parte dos sacerdotes aumentavam e, para muitos da Soka Gakkai, frequentar os templos locais era uma experiência amarga e desagradável. Os apelos angustiados deles dilaceravam o coração de Shin’ichi, que pensava: “Por que os que não têm culpa de nada precisam aguentar esse tratamento? Não posso mais deixá-los sofrer! Os membros são os filhos do Buda que surgiram no mundo para realizar a missão do kosen-rufu. É meu dever como presidente protegê-los com a minha vida; e eu o farei!”.

O nobre e verdadeiro caminho do budismo se traduz em proteger firmemente, como se estivesse protegendo o Buda, aqueles que dedicam a vida ao kosen-rufu.

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