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Relato
há 10 anos

Conquistei o brilho da juventude

Janaína Q. de Souza Araujo, 28 anos, Brasília, Distrito Federal Resp. de área pela DFJ; resp. da RM Taguatinga pela DE, CRE

09/07/2016

Conquistei  o brilho da juventude

Jamais retroceder

Eu tive a boa sorte de nascer num lar budista, pois minha mãe, Jucilene, já era praticante. Participava das atividades da Divisão dos Estudantes, mas sem forte convicção.

Sou a mais velha de quatro irmãos e tínhamos uma vida bastante simples na periferia da cidade de Taguatinga, DF. No entanto, sofríamos com as constantes discussões entre meu pai e minha mãe, que ficaram cada vez mais intensas.

Aos 10 anos, meus pais se divorciaram e fui morar com minha mãe. Achei que o problema havia sido resolvido, porém, passamos a enfrentar sérias dificuldades financeiras e a desarmonia continuou.

Mesmo não me considerando totalmente budista, nas reuniões sempre ouvia as orientações do presidente Ikeda, e isso foi o que me salvou. Nos momentos em que me sentia sozinha, lembrava dos incentivos do Mestre. Elas foram a bússola para eu me tornar uma jovem feliz e realizada.

Com 12 anos, decidi praticar firme o budismo e recitar mais daimoku. Mas sentia uma grande tristeza e baixa autoestima.

Devido aos conflitos familiares que continuavam a se manifestar na minha vida, em 2003, com 16 anos, fui morar com meu pai, Acilon. Ele me impediu de receber o Gohonzon e participar das atividades. Disse que era algo ruim e que tudo que dera errado na vida dele foi por causa do budismo. Mesmo nos piores momentos jamais me afastei da Gakkai.

Certa vez li a orientação do Mestre: “A causa da derrota não se encontra no obstáculo ou no rigor das circunstâncias; está no retrocesso na determinação e na desistência da própria pessoa”.1 Tomei coragem, dialoguei com meu pai e ele prontamente aceitou que eu recebesse e consagrasse o Gohonzon no quarto.

A partir dali, senti que ele mudou sua visão sobre o budismo e a organização. Em 2006, determinei participar do Curso de Aprimoramento (Capri) da Divisão dos Jovens (DJ) em São Paulo. Com esse objetivo, recitei muito daimoku no Centro Cultural de Brasília e, para custear os gastos, vendia brigadeiros na faculdade. Quando recebi uma ligação de que havia sido selecionada, meu pai estava ao meu lado e, diante da minha alegria e de meus esforços, se ofereceu para pagar todos os custos. Foram dias maravilhosos. Pela primeira vez viajei de avião e conheci o Centro Cultural Campestre. Fiz o juramento de viver com base na denominação que o sensei deu ao grupo, “Brilho Dourado da Justiça”.

Mais cinco minutos

Meu pai foi morar com a namorada, mas continuava a custear as despesas de casa. Meus irmãos vieram morar comigo — Amanda, de 11 anos; Fernanda, de 14, e Adson, de 16. Eu tinha 19 anos e passei a cuidar de três crianças. Foram momentos de desafios, mas sempre contei com o apoio dos amigos da organização, que me incentivavam bastante. Assim, cumpri dignamente a missão de cuidar de meus irmãos, orientando-os a seguir o caminho correto. Eles são pessoas de imenso valor, desfrutam saúde e felicidade e sei que essa boa sorte se estende às próximas gerações. Meu irmão me dará um presente: serei tia.

Em 2012, enfrentei transtorno de ansiedade e, por isso, não conseguia realizar minhas tarefas com tranquilidade, tudo era muito difícil. Ao caminhar, sentia forte taquicardia e um medo inexplicável. Precisava me sentar, onde quer que estivesse, na rua, na calçada, até no asfalto, para me acalmar e dar mais um passo. Nessa ocasião, fui salva mais uma vez pelo meu mestre, pois havia gravado na vida esta orientação dele: “Sempre me esforcei ao máximo. Dizia a mim mesmo: ‘mais um passo’ e ‘mais cinco minutos’. Mais que focar em um modo particular de aprender, tentei simplesmente estudar tanto quanto fosse possível. ‘Um passo a mais, e mais cinco minutos’. Dessa forma, continuei perseverando”.2

Esse direcionamento mudou meu coração. Passei a me empenhar ainda mais na organização, indo, por meio de visitas familiares, ao encontro das pessoas que sofriam. Descobri uma excelente psicóloga que se dedicou à minha recuperação. Após um ano, retomei a rotina diária de forma segura e sem sofrimentos. Com coragem e persistência, eu venci! Sinto imensa gratidão por ter passado por essa experiência, pois hoje consigo compreender e incentivar as jovens que enfrentam a mesma circunstância.

Orgulho de viver

O ano de 2013 foi aquele em que comprovei toda a boa sorte por atuar pelo kosen-rufu. Com muita expectativa, o grupo de dança Taiga da Divisão Feminina de Jovens (DFJ) realizou o espetáculo em um teatro na cidade. Participaram 150 membros do grupo da Sub. Distrito Federal, CRE. Foi um período de desafios e intensa luta em união com as companheiras. Foi total sucesso!

Eu me formei na faculdade de direito, fui aprovada no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil e realizei o sonho de me casar. Meu marido, Wesser, é meu shakubuku e juntos estamos criando uma vida de muitas realizações na DJ.

Ciente da minha profunda missão como discípula Ikeda, sempre me esforço para realizar o máximo de visitas possível, chegando a fazer trinta encontros em um único mês. No ano passado, concretizei seis shakubuku com a forte determinação de fazer da minha localidade o palco das pessoas mais felizes do mundo.

Fui membro do Taiga por 15 anos, nele vivi com dedicação, tive oportunidades, aprendizados e inúmeras vitórias. Em março [2016] eu me formei e comprovei a transformação na família, de desarmonia para a completa harmonia. Meus pais e meus irmãos estavam presentes e pude ver nos olhos deles a felicidade e orgulho por eu ter me tornado uma jovem de valor.

Hoje sou uma pessoa forte, decidida e, o mais importante, muito feliz. Tenho alegria e gratidão por todas inúmeras conquistas. Por todas as existências, lutarei pelo kosen-rufu ao lado do meu mestre, evidenciando na vida a grandiosidade da Soka Gakkai. Por meio das minhas comprovações, quero incentivar os outros a serem felizes e vitoriosos assim como eu.

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